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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Prefeitura de Cuiabá desobedece Anvisa e aplica agrotóxicos na cidade

geofilia
http://geofiliaperplexa.blogspot.com.br/2014/06/prefeitura-de-cuiaba-desobedece.html


Prefeitura de Cuiabá desobedece Anvisa e aplica agrotóxicos na cidade



Desde que o jardim do agronegócio foi implantado na Avenida das Torres, a prefeitura de Cuiabá tem adotado o que se chama de “capina química”. Isso quer dizer que ao invés de cortadores de grama nos canteiros centrais, aplicam-se os agrotóxicos dessecantes sobre a vegetação para que ela não cresça. As imagens feitas com um celular nesta quinta-feira, 26 de junho mostram a prática condenada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Quando um agricultor decide aderir ao pacote tecnológico do agronegócio ele compra tudo que está incluído: sementes, máquinas, financiamentos, adubos químicos e inevitavelmente os agrotóxicos. Recentemente a prefeitura de Cuiabá decidiu fazer um jardim, no canteiro central da Avenida das Torres, que fosse uma referência à pujança das lavouras que se espalham pelo estado. Nesse jardim estão plantados soja, milho e algodão. Como podemos ver nessas fotos, a jardinagem também trouxe os agrotóxicos pulverizados dentro da cidade.
Além disso, os trabalhadores não estão com equipamento de proteção individual (EPI) completo para evitar a própria contaminação. Em condições de trabalho inadequadas eles estão sujeitos a intoxicações agudas, que podem causar asfixia, náusea com vômito e dor de cabeça. A intoxicação crônica é a decorrente da assimilação contínua dos venenos. As crônicas são a possível causa do alto número de casos de câncer registrados no estado de Mato Grosso, como indica a pesquisa do médico Wanderley Pignati, pesquisador da UFMT.
Nas cidades polo de desenvolvimento agroindustrial foram registradas concentrações de agrotóxicos mais altas do que é aceito pela Anvisa. Em Lucas do Rio Verde e Sorriso foi detectada a presença de agroquímicos em poços artesianos e no leite materno.

Mas como pode a prefeitura da capital estar desavisada ou ignorar recomendações da Anvisa? O custo da contenção do capim é muito menor com os agrotóxicos e utiliza menos funcionários, reduzindo o custo de mão-de-obra. Vale a pena fazer essa economia bem perto do rio Coxipó? Além de ficarem no ar e no solo, é para o rio que os resíduos devem correr na primeira chuva que cair.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Claudia Silva Ferreira: baleada, arrastada e morta pela PM. Até quando?

ihu
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/529416-claudia-silva-ferreira-baleada-arrastada-e-morta-pela-pm-ate-quando


Claudia Silva Ferreira: baleada, arrastada e morta pela PM. Até quando?

"Para a grande maioria dos jornais, uma mulher faleceu. Para nós, faleceu Claudia Silva Ferreira, uma pessoa que tinha uma identidade, uma história, um nome digno de ser mencionado nas manchetes de jornais". O comentário é de Amanda Vieira em artigo publicado pelo sítio Femmaterna, 19-03-2014.
Eis o artigo.
A maioria dos jornais publicou a manchete “mulher é arrastada por PMs“. Na TV, o Jornal Nacionalmostrou até o vídeo feito por um cinegrafista amador, que mostrava o corpo de Claudia Ferreira sendo arrastado – mas não “lembrou” de mencionar o nome dela na escalada doJornal Nacional (aquela parte inicial do jornal de televisão em que as manchetes das reportagens são lidas pelo casal de apresentadores). Optou por mostrar a barbárie – o nome da vítima ficou em segundo plano.
Para a grande maioria dos jornais, uma mulher faleceu. Para nós, faleceu Claudia Silva Ferreira, uma pessoa que tinha uma identidade, uma história, um nome digno de ser mencionado nas manchetes de jornais. Ela tinha uma vida digna de ser preservada, tanto quanto qualquer outra neste país que, pelo menos oficialmente, não aceita pena de morte.
Na prática morre muita gente pelas mãos da polícia – e não por acaso ou acidente. Há uma aceitação subliminar para se matar pessoas em nome de se “conter o terror” causado pelo tráfico de drogas. Quando a política de se combater a violência se resume à própria violência (estatal, por meio da PM, pela ação da UPP), o resultado é a proliferação dos ciclos violentos. E a para manter esse ciclo, é preciso fazer com que as pessoas “se acostumem” com as mortes “inevitáveis” nas periferias. E para a população se “acostumar” com as mortes, as vítimas não podem ter nome nem história, para que ninguém desenvolva empatia, para que ninguém questione, para que tudo permaneça como está.
Por isso é bom repetir: o nome dela é Cláudia Silva Ferreira. Quem a matou? A política que dá suporte às ações dasUPPs nas favelas – não se trata “apenas” de policiais que já respondem inquérito por homicídio. Não é exceção à regra. Não é um número nas estatísticas. Matar Cláudias não pode ser aceito como caminho político para se combater o tráfico nas favelas. A morte dela é parte dessa política em que a polícia tem licença para matar, sejam bandidos ou inocentes, não importa, com o apoio silencioso de certas camadas da população que estão anestesiadas demais pra questionar alguma coisa.
Qual é a necessidade da UPP na favela? Nenhuma. Adianta implantar uma UPP sem escola, sem saneamento básico, sem o mínimo de estrutura estatal, se o tráfico encontra a moçada da favela desocupada e sem perspectiva? Adianta UPPse ela está matando pessoas como Claudia Ferreira, uma mulher que trabalhava fora de casa, cuidava de quatro filhos e ainda tomava conta das crianças de outras mulheres? E se Claudia Ferreira fosse traficante, e daí? Nenhum agente do estado tem o direito de matar quem quer que seja, mas ainda assim, no imaginário de muita gente, é só com violência que se combate a violência!
Precisamos começar neste ponto: Cláudia Ferreira deveria estar viva – foi assassinada por uma política que não a enxergou como ser humano, como pessoa. Quando a gente partir desse ponto, encontraremos melhores respostas para combater o tráfico.
Precisamos dar nomes, precisamos contar as histórias por trás dos números: existem mães e pais que perdem filhos; filhos que perdem mães e pais, é toda uma teia social de amigos, vizinhos e conhecidos que se rompe. São cidadãos que vivem constantemente sob a ameaça da violência na próxima esquina e são obrigados a se acostumar com essa realidade. E não contam nem com a empatia dos jornais porque eles, na maioria das vezes, só chegam pra mostrar o enterro “de uma mulher” e o choro “dos parentes e amigos”. Não ficam pra mostrar como é que a vida continua ali, depois disso.
Importante, por exemplo, é cobrar do governo do Estado as consequências de suas ações desmedidas: como ficarão os familiares de Cláudia Ferreira? Quem vai se responsabilizar pelos cuidados dos filhos dela e das crianças que ela ajudava a tomar conta? As autoridades do Rio de Janeiro já não oferecem suporte para as crianças que têm pai e mãe na favela: falta creche, falta escola, falta saneamento básico, faltam centros de convivência. Será que os filhos de Cláudia Ferreira, que já não tinham apoio do Estado, serão indenizados de alguma forma?
O manifesto dos moradores do Complexo do Alemão é bastante incisivo na cobrança por escolas públicas e saneamento básico nas favelas e também na crítica às ações violentas dos policiais dentro das casas das pessoas. Precisamos ouvir essa população urgentemente! Clique aqui e veja como os moradores da comunidade cobriram a notícia. São muitas vozes que não aparecem com o devido destaque nos jornais tradicionais.
Sugestões para os jornais? Que comecem a contar as histórias de Claudias e Amarildos. Que mudem suas narrativas. Que façam os desdobramentos da reportagem não só consultando autoridades (que é o mais comum), mas sim frequentando a periferia, ouvindo as reivindicações das pessoas que moram naquela região, procurando saber qual é a necessidade delas. Procurar respostas na academia também é válido, muitos pesquisadores estudam a violência há muito tempo e têm muito a contribuir. O que não pode é essa invisibilidade de quem morre pelas mãos do estado. Não dá pra fingir que está tudo bem – esses assassinatos precisam acabar.
Foto: Jornal Extra.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O Brasil se revolta a cada imagem

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O Brasil se revolta a cada imagem

A última foto brutal, que remonta à época da escravidão, mostra um rapaz negro, pelado, espancado e esfaqueado na orelha, amarrado a um poste pelo pescoço com uma trava de bicicleta.  
A reportagem é de María Martín e Francho Barón e publicado pela edição brasileira do El País, 06-02-2014. Foto: Yvonne de Mello (Facebook)
O Brasil se contorce por imagens, cada vez mais fortes. Elas parecem gravar-se a fogo nas pupilas dos receptores, criam debate e, em seguida, são esquecidas diante da brutalidade da próxima foto. Assim aconteceu com aquela imagem do policial ferido por uma pedra durante as manifestações de junho, com o rosto roxo de uma jornalista ferida por uma bala de borracha, com as decapitações no presídio de Pedrinhas, no Maranhão, ou com as cacetadas dos policiais nos negros da periferia que curtiam um rolê em um shopping de São Paulo.
A última imagem poderosa, que rememora também uma outra época, a da escravidão que durou até 1888 no Brasil, mostra um adolescente negro, pelado, espancado e esfaqueado na orelha, amarrado a um poste pelo pescoço com uma trava de bicicleta. O rapaz, sem nome conhecido e com três passagens por roubo segundo a polícia, foi amarrado à vista de todos por um suposto grupo de justiceiros na Zona Sul do Rio. Foi apenas uma mulher, Yvonne Bezerra de Melo, de 66 anos, quem ligou  para os bombeiros para libertá-lo. Yvonne, embora defendida por muitos, foi insultada por meio das redes sociais por ter libertado um bandido.
Em todas essas imagens o debate acaba sendo o mesmo. De um lado se clama para que essa –ou aquela- foto não se repita nunca, porque lembra a escravidão, a ditadura, e que não tem lugar em uma democracia. Do outro ainda se ouve o velho discurso de “bandido bom, é bandido morto”.
Os roubos aumentaram 60% no bairro (Charge do Sisejufe - Sindicato dos Servidores do Judiciário Federal)
Diante da recente recuperação dos índices de criminalidade e de uma sensação generalizada de crescente insegurança, o Rio de Janeiro acaba de ressuscitar o velho fantasma dos grupos de civis justiceiros que aplicam a lei e a ordem à vontade.
Em resposta à avalanche de críticas, a Polícia Militar do Rio abordou na última segunda-feira um grupo de 14 indivíduos, de idades entre 15 e 22 anos, autodenominados “Justiceiros do Flamengo” e vizinhos de vários bairros de classe média, acusados de tentar agredir dois jovens de uma favela próxima. A delegada responsável por ambos os casos, Monique Dias, declarou que podem existir conexões entre as duas agressões e que suas equipes trabalham para identificar os responsáveis.
Conforme alguns depoimentos, este grupo diz ter sua origem no descontentamento da comunidade do Flamengo pelos constantes assaltos em um precioso parque que o separa da Baía de Guanabara. Flamengo é um bairro que serve de ponte entre a nobre zona sul do Rio e o centro da cidade. Antigamente, viveu períodos de esplendor e seus aristocráticos edifícios orientados para o mar albergam amplos apartamentos difíceis de se encontrar em outras zonas do Rio. Deles, é possível contemplar uma imponente vista do Pão de Açúcar e da sinuosa Baía de Guanabara. Hoje, no entanto, suas ruas se tornaram um local pouco recomendável para passear a certas horas da noite.
Há anos que o Parque do Flamengo é palco de ondas de assaltos. Segundo o Instituto de Segurança Pública do Rio, os roubos a pedestres registrados nesta área aumentaram mais de 60% em 2013 em comparação com o mesmo período do ano anterior (de janeiro a outubro).
A apresentadora do SBT Rachel Sheherazade apoiou em horário de máxima audiência o que para essa gangue seria uma tentativa de impor a ordem no bairro. Sheherazade disse que a atitude é “até compreensível” por conta da onda de violência que vivemos no Brasil e que, frente à omissão do Estado, resta ao “cidadão de bem” se defender. Seu discurso foi elogiado nas redes sociais junto a mensagens de amor incondicional, enquanto outros a criticaram. Esses mesmos grupos de justiceiros teriam também a missão de limpar a região dos gays e dos negros, conforme o relato de um vizinho do Aterro do Flamengo que foi alvo dos ataques da gangue.
"Estas questões sempre existiram, a grande diferença é o processo de comunicação. Esse processo de globalização de informação banalizou o sofrimento e as cenas têm uma conotação quase que virtual... tudo é muito imediato e descartável", afirma a socióloga Elza Pádua, autora da tese Esquizofrenia Social.
"Como a sociedade brasileira esta se comportando a respeito disso? Estamos tão horrorizados quanto com a guerra de judeus contra árabes, quanto a mulher que é estuprada na Índia... O que apenas diferencia esses caos dos nossos é a proximidade. É o sentimento de pânico pela proximidade. Estamos realmente no limite, agora começa um problema muito sério, que é como você lida com uma realidade como esta sem enlouquecer", completa Pádua.
"E a única forma de lidar é sair desse principio individualista que a gente tem, pensar que o que acontece lá fora é nossa responsabilidade também. É urgente que a gente perceba isso e saia dos processos individualistas. Só no olhar do outro como parte de você, só se preocupando com outro como parte de você, vai dar possibilidade de mudar o caos ao que chegamos. Não tem uma outra maneira de produzir uma mudança, senão considerar essa mudança fundamental para si mesmo".
A imagem daquele rapaz de 16 anos foi superada poucos dias depois pelo brutal registro de uma chacina da PM do Rio em uma operação contra o tráfico em uma favela. Seis cadáveres – negros - e rios de sangue. Mas a plateia já parece anestesiada.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

A escravidão e o irmão de Kátia Abreu

adital
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?boletim=1&lang=PT&cod=78651

Artigos - Opinião
11.11.2013
A escravidão e o irmão de Kátia Abreu

Altamiro Borges
Adital

11 de novembro de 2013
A Folha desta segunda-feira (11) traz uma matéria que deixará a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) bastante irritada, à beira de um ataque de nervos. Luiz Alfredo Feresin de Abreu, irmão da presidenta da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), é acusado de explorar trabalho escravo. Segundo a reportagem, "uma equipe de fiscalização do Ministério do Trabalho registrou indícios de trabalho semelhante à escravidão na fazenda do advogado", no município de Vila Rica, no nordeste do Mato Grosso. A líder da bancada ruralista no Congresso Nacional, que também é colunista da Folha, agora será obrigada a dar novamente explicações sobre as graves denúncias.

O jornal registra que Luiz de Abreu "nega as irregularidades e diz que a operação visava atingir sua irmã". Mesmo assim, ele relata que "em vistoria de 23 de agosto, fiscais dizem ter encontrado cinco pessoas em condições de trabalho escravo na fazenda Taiaçu II... De acordo com o relatório, os trabalhadores tinham jornada de 11 horas e moravam em um alojamento sem energia elétrica ou água. No momento, o vaso sanitário do banheiro estava quebrado. A investigação aponta que os empregados receberam proposta para dividir R$ 400 por alqueire roçado".
Ainda segundo a reportagem, "produtos necessários para o trabalho, como botina, lanterna, garrafa térmica e chapéu, eram fornecidos, mas seriam descontados do pagamento. 'Já faz algum tempo que está ocorrendo situação de trabalho escravo', diz Giselle Vianna, coordenadora de fiscalização rural no Estado. Três dos empregados teriam sido contratados temporariamente para trabalhar nessas condições desde 2010. Os funcionários foram levados a um hotel em Vila Rica, onde ficaram por uma semana. De lá, seguiram para suas cidades de origem, segundo a Superintendência do Mato Grosso, responsável por autuar a fazenda. Luiz de Abreu pagou o transporte e a estadia".
As irregularidades foram registradas em 19 autos de infração e os documentos já foram enviados ao Ministério Público Federal. Segundo a legislação em vigor, a pena a quem submete alguém a trabalho escravo pode chegar a oito anos de prisão, além da multa. As denúncias contra o irmão da líder ruralista não são novas. Em outras ocasiões, a senadora negou as acusações e afirmou que elas teriam motivação política. A conferir! Mesmo assim, ficam as perguntas: Por que Kátia Abreu resiste tanto à aprovação da PEC do Trabalho Escravo? Por que ela escreve tantos artigos na Folha sugerindo maior flexibilização das leis trabalhistas? Por que ela detesta tanto os fiscais do trabalho?
Num dos trechos da sua defesa junto à superintendente regional do Ministério do Trabalho no Mato Grosso, Luiz de Abreu acusa o órgão de má-fé e faz uma estranha referência à chacina de Unaí (MG), em 2004, quando três fiscais do trabalho foram assassinados em uma emboscada. "A sorte de Vossa Senhoria e dos fiscais é que eu não tenho personalidade marcada pela psicopatia e acredito na justiça dos homens, senão certamente vocês teriam o mesmo destino daqueles fiscais de Unaí". O que Kátia Abreu acha deste "desabafo" do seu irmão?

terça-feira, 23 de abril de 2013

COMUNICADO INHURAFE

enviado pelo INHURAFE


COMUNICADO


No dia 31 de março do ano em curso, DIEGO GAMA DE OLIVEIRA,brasileiro, casado, policial militar, em fase de estágio probatório na Corporação no Município de Aripuanã, Estado de Mato Grosso, assassinou, a tiros, sua sogra, MARIA DO SOCORRO MACHADO ALVES (47 anos), brasileira, separada, Técnica em Enfermagem.
O crime teria acontecido, por volta das 19: 35 horas, na casa de Diego, em Aripuanã, Mato Grosso.
Segundo relatos, Diego tinha o mau hábito de espancar sua esposa, Arlinda Karine Machado, que freqüentemente era vista com marcas e hematomas indisfarçáveis pelo corpo; resultados da violência a que era submetida.
Maria do Socorro Machado Alves (vítima do assassinato) era mãe de Arlinda Karine e fora passar a Páscoa com o casal e os netos.
Naquele dia, 31 de março, Diego Gama estaria novamente espancando a esposa, Arlinda Karine, chegando o fato ao conhecimento de Maria do Socorro, que ao ser informada do que ocorria com sua filha, dirigiu-se a casa com o objetivo de impedir a agressão. Ali chegando, na tentativa de ajudar a filha foi alvejada por tiros. Ainda segundo relatos, Maria do Socorro teria caído já morta, na presença dos três netos; crianças de nove, de seis e de dois anos.
Diego Gama de Oliveira foi preso em flagrante por colegas da Corporação e encaminhado ao quartel da cidade, onde desfrutava de  privilégios como uso de celular e internet.
O fato chocou a cidade. Populares, ao saber dos privilégios de que desfrutava o autor do crime, quiseram invadir o quartel e retirá-lo de lá; o que ocasionou a sua transferência para o presídio militar de Santo Antônio do Leverger.
Maria do Socorro Machado Alves, que saíra para passar a Páscoa com a filha e os netos, e que ao tentar socorrer a filha da violência do companheiro, tornou-se, ela mesma,mais uma vítima, fatal,da violência doméstica familiar.
Que ela não se torne mais um número a engrossar as estatísticas desse tipo de violência.
É preciso punição. É preciso Justiça!

São Félix do Araguaia, 19 de abril de 2013.


Maria José Souza Moraes.      Diva dos Santos Silva
    Presidente.                              Vice Presidente


Rizza Sousa Matos.            Maria Lúcia Ferreira de Souza
    Secretária.                                 C. Fiscal.



Instituto Humana Raça Fêmina 
Fundado em 8 de março de 2007 
CNPJ: 09.253.061/0001 – 35 
Qualificado como OSCIP em 31 de janeiro de 2011
*


MOVIMENTO

Para ajudar a causa, por favor, envie uma mensagem à Promotoria de Justiça da Comarca de Aripuanã, MT, apoiando o comunicado do Instituto Humana Raça Fêmina e solicitando as devidas providências com urgência.

Nome da Promotora de Justiça: Luciana Fernandes de Freitas 
Fone: 66 3565 1499 
correio eletrônico: luciana.freitas@mp.mt.gov.br
*

MODELO DE CARTA

Exma. Sra.
Luciana Fernandes de Freitas
Promotoria de Justiça da Comarca de Aripuanã, MT

Senhora Promotora,

Em atenção ao comunicado realizado pelo Fórum de Direitos Humanos e da Terra (FDHT), que versa sobre o homicídio de MARIA DO SOCORRO MACHADO ALVES e da violência de DIEGO GAMA DE OLIVEIRA em sua esposa ARLINDA KARINE MACHADO, solicitamos imediata averiguação e criminalização do culpado. Nossa solicitação busca a justiça social contra a impunidade e a morosidade de julgamentos destes crimes, que representam verdadeiras sagas na cidadania brasileira.

Certa de poder contar com vosso apoio, deixo o endereço do link no blog e agradeço sua atenção.

Atenciosamente,


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Apenas 8% dos casos de assassinatos em conflitos agrários são julgados no Brasil


br de fato
http://www.brasildefato.com.br/node/11833


Apenas 8% dos casos de assassinatos em conflitos agrários são julgados no Brasil

No Paraná, dos 19 crimes ocorridos entre 1994 a 2009, o caso do assassinato do agricultor sem terra Sebastião Camargo é o quarto a ser julgado

04/02/2013

Camilla Hoshino e Ednubia Ghisi,


   
   
Protesto realizado para pedir justiça no caso do Massacre de Felisburgo
Foto: Giuseppe Rindoni
Pelo menos cinco crimes cometidos contra agricultores sem terra ou pessoas ligadas à defesa de direitos dos trabalhadores do campo estão com julgamento previsto para o primeiro semestre deste ano. Entre eles está o assassinato de Sebastião Camargo, camponês morto há quase 15 anos durante um despejo ilegal realizado por uma milícia organizada e financiada pela União Democrática Ruralista (UDR). Hoje, segunda-feira (4), mais um acusado de participação no crime vai a júri popular: Augusto Barbosa da Costa, integrante de milícia organizada pela UDR que participou do despejo em 1998.
Apesar de cinco casos estarem próximos de chegar a julgamento e possível condenação dos culpados, a maior parte dos crimes ocorridos neste contexto estão impunes. Pesquisa feita pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) em 2011 aponta que apenas 8% dos casos de assassinatos ocorridos desde 1985 em conflitos agrários foram julgados pelo menos em primeira instância até abril daquele ano. No Paraná, dos 19 assassinatos ocorridos entre 1994 e 2009, apenas quatro foram julgados.
Para Sérgio Sauer, relator do Direito Humano à Terra, ao Território e à Alimentação da Plataforma Dhesca Brasil, o julgamento e a responsabilização daqueles que violam direitos, principalmente os que dão ordens para os crimes, é fundamental: “O julgamento de um responsável, de um mandante, é a expressão literal da Justiça. Isto precisa ser feito no Brasil, inclusive como um passo para uma sociedade justa, que garante direitos”, garante Sauer, que também é professor da Universidade de Brasília (UnB).

Local do julgamento
Entre os casos previstos para serem julgados está a tragédia conhecida como “Chacina de Unaí”, que motivou a celebração do dia 28 de janeiro como o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Nesta data, em 2004, quatro servidores da Delegacia Regional do Ministério do Trabalho foram assassinados quando apuravam uma denúncia de trabalho escravo em fazendas do agronegócio, na zona rural de Unaí, noroeste de Minas Gerais.
Apesar de ter sido atribuída à 9ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte a competência para julgamento do caso, na semana passada a juíza responsável pelo julgamento da Chacina de Unaí, Raquel Vasconcelos Alves de Lima, decidiu encaminhar o processo para a Vara Federal da cidade onde o crime ocorreu.
Além da decisão provocar mais atrasos no processo, a isenção do júri pode ser comprometida devido ao domínio político e econômico das elites locais. O ex-prefeito de Unaí, Antério Mânica, que assumiu o cargo público meses após a Chacina e que foi reeleito em 2008, é um dos acusados como mandante dos assassinatos.
A mesma situação pode ocorrer no caso do Massacre de Felisburgo (MG), que depois de nove anos teve júri marcado para janeiro de 2013, mas adiado em virtude de “pendências jurídicas”. As mais de 80 entidades organizadas em torno do Comitê de Justiça para Felisburgo pressionam as autoridades para que o julgamento aconteça até abril deste ano e que seja realizado, de fato, em Belo Horizonte, já que na comarca de Jequitinhonha o julgamento poderia sofrer influência do poderio econômico e político do réu.

Mandantes não são condenados
O Massacre de Felisburgo aconteceu em 20 de novembro de 2004, quando cinco sem terra foram assassinados e 20 ficaram feridos após um ataque de 17 pistoleiros contra um acampamento localizado em Felisburgo, na região do Vale do Jequitinhonha (MG). O latifundiário Adriano Chafik, proprietário da fazenda Nova Alegria, ocupada havia dois anos por 230 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), confessou a participação na invasão do acampamento. Apesar das evidências da participação do proprietário, passados nove anos, Chafik continua impune.
No caso do crime contra os extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo Silva, com julgamento marcado para 03 de abril de 2013, os mandantes José Rodrigues Moreira e os executores Lindonjonson Silva e Alberto Lopes estão presos. No entanto, o assassinato que ocorreu em maio de 2011, no interior do Projeto de Assentamento Praia Alta Piranheira, município de Nova Ipixuna, Sudeste do Pará, ainda aguarda o julgamento de Gilsão e Gilvan, proprietários de terras no interior do Assentamento, que também teriam participado do crime como mandantes.
A situação se repete em inúmeros casos, inclusive no assassinato de Sebastião Camargo, no Paraná. Apesar de ser apontado por testemunhas como o autor do disparo que matou Camargo, o latifundiário Marcos Prochet, ex-presidente da UDR, não figurava entre os acusados na primeira denúncia sobre o crime, formulada pelo Ministério Público do Paraná em 2000, e só foi incluído no processo em 2001. Prochet também deveria ser julgado na próxima segunda-feira (4), mas usou de uma manobra jurídica para adiar o julgamento. Já Tarcísio Barbosa, tesoureiro da UDR e presidente da Comissão Fundiária da Federação de Agricultura do Estado do Paraná - Faep, ainda não foi denunciado, mesmo havendo provas relevantes contra ele no processo.
Na avaliação de Sauer, o número de mandantes de assassinatos de lideranças rurais que foram a julgamento ou condenados nos últimos anos mostra o descaso do Judiciário no cumprimento da lei: “O Poder Judiciário tem a obrigação de penalizar quem viola direitos. No entanto, a tal morosidade da Justiça - sempre uma lógica de protelar para quem tem poder de protelar - funciona como um mecanismo de impunidade”. De acordo com a pesquisa da CPT de 2011, dos 1.186 casos monitorados pela organização, 94 pessoas foram condenadas pelo menos em primeira instância, entre elas 21 mandantes e 73 executores dos homicídios.

Grupos de extermínio e milícias
Após quatro anos de apuração, outro caso que está para ser julgado ainda neste primeiro semestre é o assassinato do advogado Manoel Bezerra de Mattos Neto. Integrante da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PE, ele havia denunciado a existência de grupos de extermínio, com a participação de policiais militares, que agiam livremente na região de Itambé.
O caso Manoel Mattos completa quatro anos e foi o primeiro a ser federalizado no Brasil, em outubro de 2010, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O crime ganhou notoriedade na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e abre uma porta para que outros crimes semelhantes, ou seja, atribuídos a grupos de extermínio, também sejam investigados e julgados pela Justiça Federal. Com o caso federalizado, a punição de mandantes e executores também se torna mais possível.
A ação de milícias armadas aparece como uma constante nas investigações dos despejos violentos e assassinatos por conflitos de terra no estado. A maioria dos 19 assassinatos ocorridos de 1994 a 2009 no Paraná tiveram participação dos grupos ilegais, inclusive o de Sebastião Camargo. Investigações feitas pela polícia apontam que as milícias realizavam contrabando internacional de armas, tinha ramificações na Polícia Militar e atuava de forma a impedir investigações dos crimes cometidos, pois contava com a anuência de parlamentares brasileiros. Denúncias dos trabalhadores rurais apontaram para a existência de uma “Caveirão Rural”, veículo blindado de fabricação artesanal, semelhante ao utilizado pela polícia do Rio de Janeiro, utilizado pelos pistoleiros e latifundiários para despejos ilegais.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O Mercosul e os lugares de memória dos crimes das ditaduras

CARTA MAIOR
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20991


Direitos Humanos| 28/09/2012 | Copyleft 

O Mercosul e os lugares de memória dos crimes das ditaduras

Após as graves violações de direitos humanos cometidos pelas ditaduras do Cone Sul, a implementação de políticas públicas de lugares de memória representa um compromisso ineludível dos Estados democráticos da região. A recuperação e construção de memórias e identidades comuns sobre o passado ditatorial, as políticas destinadas a garantir a não repetição das violações dos direitos humanos, e a fixação gradual de um piso comum de direitos e de cidadania, permitem hoje conceber o Mercosul não apenas como um bloco econômico, mas também como uma comunidade política emergente. O artigo é de Victor Abramovich.

Após as graves violações de direitos humanos cometidos pelas ditaduras do Cone Sul, a implementação de políticas públicas de lugares de memória representa um compromisso ineludível dos Estados democráticos da região. Isso porque esses lugares são fundamentais para oferecer uma reparação simbólica às vítimas, contribuir com a construção da memória social do que aconteceu, e tomar medidas para julgar crimes contra a humanidade investigados nos processos judiciais em curso em vários países da região.

Nos últimos anos, tem-se criado em nossos países numerosos sítios de memória em lugares onde cometeram-se graves violações aos direitos humanos, onde essas violações foram resistidas ou enfrentadas, ou que por algum motivo as vítimas, suas famílias ou as comunidades associam com esses eventos, e que são usados para recuperar, repensar e transmitir processos traumáticos, e para homenagear e compensar as vítimas.

Estes lugares têm adquirido um valor pedagógico destacado ao ajudarem a transmitir informação e conhecimento às novas gerações, e para ativar discussões públicas sobre as condições sociais e políticas que favoreceram esses processos históricos. Nesse sentido, foram sinalizados e, até mesmo, criados especialmente lugares de memória em diversas guanições militares e policiais onde funcionaram centros clandestinos de detenção, nos quais foram cometidas privações da liberdade sem o proceso legal, torturas, desaparecimentos e execuções sumárias de líderes políticos ou ativistas sociais. Em muitos casos, além disso, a implementação desses espaços faz parte de projetos que procuram estabelecer distinções, pontes e relações entre o pasado autoritário e os problemas de direitos humanos ainda pendentes em nossas democracias, como a violência policial e tortura nas prisões.

Na verdade, até alguns anos atrás, a preservação dessas propriedades não foi entendida como uma responsabilidade do Estado e objetivo das políticas públicas governamentais. Felizmente, hoje o contexto político regional e institucional é bastante diferente.

Na Argentina, por exemplo, o ex-presidente Carlos Menem (1989-1999) procurou demolir a ESMA, o maior centro clandestino de detenção e emblemático da ditadura, na sua estratégia para "virar a página". Em 1998, um grupo de familiares de vítimas obteve uma medida judicial que obrigou a preservar o lugar como parte da herança cultural dos argentinos. Em 2004, o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) tomou a decisão histórica de transformar o local no Espaço da Memória e Promoção dos Direitos Humanos, expulsando as unidades da Armada que funcionabam no espaço . Como mais um passo na institucionalização dessas iniciativas, em 2011, foi sancionada a Lei 26.691, chamada "Preservação, Sinalização e Difusão de Lugares de Memória do Terrorismo de Estado", que passou à frente do governo nacional as políticas reitoras nesta área.

No Paraguai, após o relatório da Comissão de Verdade e Justiça, que documentou violações de direitos humanos cometidas pela ditadura de Stroessner, o governo do presidente Fernando Lugo promoveu a criação de uma "Rede de Sítios Históricos e de Consciência", a fim de preservar arquivos e lugares de valor histórico, obrigando em alguns casos a desocupar as unidades policiais e militares para transformá-las em museu. Um exemplo desta política é a criação de um lugar de memória onde funcionou o Departamento de Investigação da Polícia Capital, usado como prisão clandestina e centro de tortura de presos políticos durante a ditadura.

No Uruguai, varios juízes tomaram medidas de asseguramento em prédios militares, o que na prática significava a proibição de mudar sua estrutura para salvaguardar o seu valor probatório no âmbito dos processos judiciais relativos aos crimes da ditadura. Recentemente, o governo nacional destinou a propriedade onde funcionou o Serviço de Informação de Defesa (SID) que foi um centro clandestino de detenção, para o novo Instituto Nacional de Direitos Humanos, e colocou uma placa em memória das pessoas detidas ilegalmente naquele lugar, como Maria Claudia Iruretagoyena e sua filha Macarena Gelman.

No Brasil, funciona desde 2009 o Memorial da Resistência de São Paulo, e em 2012 a Secretaria de Direitos Humanos propôs ao Mercosul a construção de um memorial do Plano Condor em Porto Alegre, entre outras iniciativas. A Comissão de Anistia é um membro da Rede Latino-Americana de Lugares de Consciência, que reúne representantes de 29 instituições de 11 países da região. Cabe destacar, também, a criação recente por parte da presidente Dilma Rousseff da Comissão da Verdade, a qual oferece um novo impulso para o problema, reforçando a sua estrutura institucional e colocando o Brasil em linha com as ações tomadas pelo seus pares do Mercosul.

Neste contexto regional, no dia 6 de setembro, em Porto Alegre, a Reunião de Altas Autoridades em Direitos Humanos e Chancelarias do Mercosul (RAADDHH) aprovou os "Princípios fundamentais para as políticas públicas de lugares de memória". Este é um documento elaborado pelo Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos do Mercosul (IPPDH) que reafirma o dever dos Estados de criar e gerenciar lugares de memória e, em particular, de preservar os sítios onde se cometeram graves violações aos direitos humanos. 

Este instrumento contém 29 princípios orientadores das políticas governamentais nesta área, que são derivados da obrigação dos Estados de dispor mecanismos eficazes para investigar, julgar e punir os responsáveis por graves violações dos direitos humanos, e para garantir os direito à verdade, memória e reparação para as vítimas, suas famílias e da sociedade em conjunto.

Alguns destes princípios estabelecem níveis mínimos que devem ser levados em conta em qualquer política públicas sobre lugares - sejam iniciativas de agências governamentais ou instituições sociais, ou de parentes das vítimas -; outros são destinados a explicitar obrigações específicas dos Estados. Em particular, propõem pautas para a preservação dos lugares, com destaque no dever de adotar as medidas judicais, legais ou administrativas para garantir a segurança física desses lugares. 

Também estipulam critérios para a identificação, sinalização e determinação do conteúdo dos lugares de memória, entre eles, a necessidade de garantir a amplia participação de vítimas, familiares, comunidades locais e diferentes setores da sociedade. Finalmente, se apresentam os princípios para o desenho institucional dos lugares de memória que, por exemplo, destacam a obrigação de contar com marcos legais adequados, assim também como a conformação de equipes interdisciplinares, mecanismos de transparência e participação social em sua gestão.

A aprovação destes princípios é apoiado pela meta regional de recuperar ao mesmo tempo que construir memórias do passado comuns dos países do Mercosul, ligados à coordenação repressiva das ditaduras no Cone Sul e da chamada Operação Condor. Esta linha também se inscreve na recente criação de um grupo técnico intergovernamental para melhorar a cooperação jurídica e administrativa relacionada com as investigações da Operação Condor, e sistematizar, relevar e identificar e desclasificar, de maneira coordenada, os principais arquivos públicos e sociais que existem sobre estes fatos. 

Vale lembrar que a Operação Condor foi uma aliança repressiva formada nos anos setenta pelos serviços de inteligência dos países da América do Sul sob ditaduras militares, a fim de combater aqueles que consideravam "subversivos" termo amplo que permitiu incluir uma multiplicidade de sujeitos definidos como inimigos ideológicos. Através de um documento fundador, foram estabelecidas as linhas de ação que levaram à criação de estruturas militares clandestinas, lideradas pela cúpula castrense mas operando com relativa autonomia, e, ao mesmo tempo, a implementação de um sistema paralelo de prisões clandestinas e centros de tortura a fim de receber aos prisioneiros estrangeiros detidos no contexto desta operação.

Através de experiências sociais, governamentais e regionais de preservação e gestão dos lugares de memória, e com a adoção desses princípios, os governos do Mercosul contribuem para aprofundar o processo de integração regional. Isto é assim porque a recuperação e construção de memórias e identidades comuns sobre o passado ditatorial, as políticas destinadas a garantir a não repetição das graves violações dos direitos humanos, e a fixação gradual de um piso comum de direitos e de cidadania, permitem hoje conceber o Mercosul não apenas como um bloco econômico, ou uma aliança de negócios, mas também como uma comunidade política emergente.

(*) Victor Abramovich é o Secretário Executivo do Instituto de Políticas em Direitos Humanos do Mercosul (IPPDH)

(**) O IPPDH foi criado em 2009 (Decisão n º 14/09 do Conselho de Mercado Comum do Mercosul) como uma instância de cooperação técnica, investigação aplicada e coordenação das políticas públicas em direitos humanos nos países do bloco regional. Sua sede permanente está na cidade de Buenos Aires, Argentina, e de acordo com o acordo assinado entre o Mercosul e a Argentina terá seu escritorio definitivo no lugar onde funcionou a Escola de Mecânica da Armada, um dos centros clandestinos de detenção mais brutais da última ditadura militar (1976-1983), agora recuperado como o Espaço para a Memória e para a Promoção e Defesa dos Direitos Humanos .
 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Violência contra jovens negros em pauta

ibase
http://www.canalibase.org.br/politicas-publicas-para-juventude-negra-sao-urgentes/


Violência contra jovens negros em pauta

Beatriz Noronha
do Incid
O Brasil ocupa lugar de destaque em um ranking nada glamoroso: é o quarto colocado, entre 92 países, na taxa de homicídios entre crianças e adolescentes, segundo dados doMapa da Violência 2012: Crianças e Adolescentes do Brasil.
Um olhar mais atento sobre este número, combinado a uma análise do Mapa da Violência 2012: os novos padrões da violência homicida no Brasil, revela uma realidade que envergonha: são os jovens negros os que mais morrem no país. Em 2010, 49.932 pessoas morreram vítimas de homicídios no Brasil. Deste total, 26.854 eram jovens, a maioria (74,6%) negra e do sexo masculino (91,3%). De 2000 a 2009, a diferença entre jovens brancos e negros, vítimas de homicídios, saltou de 4.807 para 12.190 mortes.
Preocupada com a questão, a Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) lançou semana passada uma carta compromisso em que propõe aos candidatos às eleições municipais incluir na lista de prioridades a questão da juventude negra no país. Segundo o Conen, o Brasil é um dos países mais violentos do mundo, apresentando números de morte por arma de fogo que superam Iraque, Israel, Palestina, Colômbia, Afeganistão, Sudão e Paquistão juntos, de acordo com dados de 2004 a 2007. A diferença, como explica a Coordenação Nacional, é que, ao contrário destes países, nós não vivemos em uma guerra civil.
A carta da Conen aponta diretrizes fundamentais para todo e qualquer comprometimento com a causa das políticas públicas voltadas à juventude negra. A intenção é que os candidatos às eleições se mobilizem para ações públicas mais eficazes contra a violência, em articulação com o Estado, movimentos sociais e toda a sociedade civil.
Além da campanha, o governo federal já está finalizando o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Juventude Negra, com previsão de lançamento para novembro. O Plano é ação articulada da Secretaria de Direitos Humanos com aSecretaria Geral da Presidência da República, Secretaria Nacional de Juventude(SNJ) e Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial(SEPPIR).
A violência contra a juventude negra é tema que entrou na pauta da cena pública em 2007, quando o Fórum Nacional da Juventude Negra (Fonajune) lançou a campanha nacional “Contra o Genocídio da Juventude Negra”. Considerando a urgência da questão em vista do grande número de violências sentidas e vivenciadas todos os dias, um espaço de luta por políticas públicas para a juventude negra é cada vez mais necessário.
O Plano pretende atuar em quatro frentes: desconstrução da cultura da violência; inclusão e garantia de direitos; transformação de territórios; e aperfeiçoamento das instituições, onde se pretende ações diversas – campanha de sensibilização; formação de jovens agentes da paz; ampliação do programa Escola Aberta; promoção de usinas culturais; formação de servidores públicos e agentes de segurança; enfrentamento do racismo em instituições; dentre outros.
A secretária adjunta da Secretaria Nacional de Juventude, Ângela Guimarães, chama atenção para o fato de as políticas públicas voltadas à juventude negra ainda não ocuparem lugar de prioridade nos programas dos candidatos às eleições. Embora seja um forte tema às vésperas das eleições, Guimarães questiona a falta de visibilidade nos discursos municipais. Explica que ainda que o Estado faça uma leitura mais consciente da questão com o novo Plano, e tome pela primeira vez essa pauta como sua, os estados e municípios precisam estar mais envolvidos no processo para que consigam de fato ser coerentes.
Representando o Conselho Nacional de Juventude (Conjune), a secretária relatou ainda que a violência contra a juventude negra passa por três condicionantes que precisam de atenção urgente: raça, gênero e território. Determinadas localidades que historicamente foram menos assistidas e tiveram menor presença do Estado em aspectos de infraestrutura sofrem com os altos índices de violência, afirma.
Uma campanha para desconstruir os esteriótipos sobre juventude, e sobre juventude negra, será inciada em novembro com a divulgação do Plano. Para Guimarães, a intenção é romper com o silêncio e com essa aceitação que banaliza a violência. Do ponto de vista da Política Nacional de Juventude, os movimentos sociais vêm ao longo dos anos trazendo importantes temáticas, como o enfrentamento à política de extermínio e violência contra jovens negros, ao mesmo tempo que lutam por mais participação dos negros dentro das universidades e espaços públicos.
Para a Secretaria Nacional da Juventude as expectativas com o lançamento do Plano Nacional são grandes. É importante que as políticas e medidas sociais de enfrentamento da vitimização juvenil ganhem espaço, na mídia e nos planos políticos, somando forças à carta compromisso criada pelo Conen. Para o Conjune, a esperança é que um Plano político que nasça sob o signo da participação social tenha, no centro de suas ações, mais força e coragem para romper estruturas sociais que alimentam discursos de ódio e ações de violência no cotidiano.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Fifa ganha isenção de R$ 559 milhões para realizar Copa do Mundo no Brasil

uol
http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2012/09/14/fifa-ganha-isencao-de-r-559-milhoes-para-realizar-copa-do-mundo-no-brasil.htm


Fifa ganha isenção de R$ 559 milhões para realizar Copa do Mundo no Brasil

Vinicius Konchinski
Do UOL, no Rio de Janeiro
  • EFE/Mario Ruiz
    Presidente da Fifa, Joseph Blatter, recebeu garantia do governo sobre isenção
    Presidente da Fifa, Joseph Blatter, recebeu garantia do governo sobre isenção
A Fifa ganhou uma isenção fiscal de R$ 558,83 milhões para realizar a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. O valor do benefício diz respeito só a impostos federais que a entidade máxima do futebol deixou e deixará de pagar até 2015, e foi estimado pela Receita Federal.

ISENÇÕES PARA A FIFA

AnoValor estimado
2011R$ 24,12 mi
2012R$ 24,12 mi
2013R$ 55,88 mi
2014R$ 398,82 mi
2015R$ 55,88 mi
TotalR$ 558,83 mi
  • Fonte: Receita Federal
De acordo com a Receita, a Fifa se beneficiará de isenções de oito tipos de tributos: Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e até Imposto de Renda de Pessoa Física de funcionários da entidade, entre outros.
Todos os benefícios estão previstos na Lei 12.350, de 2010, sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa mesma lei criou o programa de incentivos fiscais à construção ou reforma de estádios da Copa do Mundo, o Recopa.
O Recopa desonera a compra de materiais e a contratação de serviços usados nas obras das arenas do Mundial. Todos os 12 estádios da Copa pediram enquadramento no programa. A Receita estima uma desoneração fiscal de até R$ 329,28 milhões por meio do Recopa até 2014. Esse valor representa pouco menos de 60% do total da isenção de impostos que o governo federal dará à Fifa por causa da Copa.
Obras da Copa
Obras da Copa
A isenção de impostos à Fifa foi garantida pelo governo brasileiro em 2007, quando o país ainda era candidato a país-sede da Copa de 2014. Em maio, o presidente Lula enviou ao presidente da Fifa, Joseph Blatter, um documento assumindo 11 compromissos com a entidade máxima do futebol para receber o torneio. Em outubro, o Brasil foi confirmado como sede do Mundial.
Além da garantia de isenção de impostos, o governo assumiu o compromisso de conceder vistos de entrada no país a organizadores e espectadores da Copa, dar segurança a eles, proteger as marcas da Fifa e de seus patrocinadores, entre outras coisas. Boa parte dessas medidas está prevista na Lei Geral da Copa, sancionada pela presidente Dilma Rousseff neste ano.
Com esses direitos garantidos e os benefícios fiscais aprovados, a Fifa deve realizar no Brasil a Copa do Mundo mais lucrativa da história. A entidade espera que o evento gere um faturamento de 3,8 bilhões de dólares (R$ 7,6 bilhões). Isso é 600 milhões de dólares (R$ 1,2 bilhão) a mais do que a receita gerada na Copa de 2010, na África do Sul, e quase o triplo da receita da Copa de 2006, na Alemanha.
De acordo com o balanço da Fifa referente ao ano de 2011, a Copa do Mundo de 2014 já rendeu um faturamento de cerca de R$ 1,6 bilhão para a entidade. Só de lucro a Fifa teve no ano passado aproximadamente R$ 68 milhões.