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sábado, 15 de agosto de 2015

Movimentos sociais e sindicais reúnem esforços e mobilizam em defesa da democracia

adital
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=86140

ADITAL JOVEM
14.08.2015
Movimentos sociais e sindicais reúnem esforços e mobilizam em defesa da democracia

Cristina Fontenele
Adital
Agendado para 20 de agosto próximo, o Dia Nacional de Lutas mobilizará os/as brasileiros/as em "defesa da democracia, dos direitos sociais e trabalhistas e da Petrobras”. Encabeçado pelos movimentos sociais e sindicais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), as manifestações terão como pauta "Não ao ajuste fiscal” e "Fora Cunha” [em referência ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha] e são realizadas ainda como reação à onda opositora conservadora e antidemocrática que se mobiliza em prol da tentativa de golpe de Estado contra o governo democraticamente eleito da presidenta Dilma Rousseff. Apoiam também o ato o PT (Partido dos Trabalhadores), PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e o PCdoB (Partido Comunista do Brasil).
ctbEm entrevista à Adital, o presidente nacional da CTB, Adilson Araújo, acredita que o ato do dia 20 terá uma grande repercussão. "As manifestações de rua demonstram uma conscientização popular e representa um grito de liberdade”. Ele avalia que o quadro político atual vem se agravando em decorrência de fatores externos, como a grave crise mundial, sobretudo na Europa e Estados Unidos, impactando principalmente a classe trabalhadora, com reflexos no aumento do desemprego e cortes nos investimentos públicos.
Somado ao contexto internacional, Araújo comenta que a agenda conservadora da Câmara tem sido nociva aos interesses dos trabalhadores, que poderão sofrer um "golpe profundo” em seus direitos conquistados, se aprovados projetos como o da Terceirização, por exemplo. "As análises apontam que esse é o Congresso mais conservador desde 1964 [ano do golpe civil-militar]”, diz.
Em relação ao cenário nacional, o presidente da CTB defende a legitimidade de um governo eleito pelo voto popular. Ele lembra que as eleições foram difíceis, mas que "a direita não se dá por vencida”, e acrescenta: "quem tiver interesse em concorrer às eleições, que espere até 2018”. O dirigente destaca ainda que os sindicatos não "abrem mão” do combate à corrupção, mas que esta não deve levar o país à estagnação. "Temos que ter preocupação e responsabilidade. Não queremos voltar ao tempo da inflação de 80% ao mês”.

ctb
"Quem tiver interesse em concorrer às eleições, que espere até 2018”, diz o presidente da CTB, Adilson Araújo ao defender a legitimidade das eleições.

O presidente da CTB enfatiza que romper com a dependência do FMI (Fundo Monetário Internacional), inserir o Brasil no grupo do BRICS (bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), foram exemplos de conquistas importantes para construir um ambiente de mais autonomia e de polarização. Ele diz que houve uma melhoria na autoestima da classe trabalhadora, o que advém de conquistas como a valorização do salário mínimo e políticas sociais.
À Adital, a presidenta da UNE [União Nacional dos Estudantes], Carina Vitral, diz que a expectativa para o dia 20 é grande. A crítica ao ajuste fiscal, que cortou quase R$ 10 bilhões do orçamento da Educação, é uma das pautas da mobilização. "Os estudantes sabem que ganharam direitos nos últimos anos e não querem colocar isso em risco”, destaca.

redebrasilatual
Os jovens vão as ruas dia 20 em defesa da educação.

"Que os ricos paguem pela crise!”

Na pauta contra o ajuste fiscal, os movimentos defendem o ajuste de contas com base nos mais ricos, com taxação das grandes fortunas, dividendos e remessas de lucro, além de uma auditoria da dívida pública. Também pedem a segurança dos direitos trabalhistas, como a redução da jornada de trabalho sem redução de salários e a valorização dos aposentados, com uma previdência pública, universal e sem progressividade.
Sobre o conservadorismo de Eduardo Cunha (Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB – Rio de Janeiro), na visão dos movimentos, o presidente da Câmara dos Deputados representa o "retrocesso e um ataque à democracia”, pois transformou o espaço numa "Casa da Intolerância e de retirada de direitos”. Dessa forma, protestam contra a terceirização, a redução da maioridade penal, a "contrarreforma política” (financiamento empresarial de campanha, restrição de participação em debates) e a entrega do pré-sal às empresas estrangeiras. Defendem uma Petrobras 100% estatal.
Em São Paulo, a manifestação está marcada para às 17h, no Largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste.
"Fora Dilma”
Neste domingo, 16, também estão marcadas manifestações em todo país, coordenadas por movimentos caracterizados pelo conservadorismo e pautas difusas e reacionárias, como o "Vem Pra Rua”, "Revoltados Online” e "Movimento Brasil Livre”. Com a bandeira "Fora Dilma”, os participantes deverão pedir o impeachment da presidenta Dilma.

ctb
Segundo o presidente da CTB, Adilson Araújo, bandeiras conservadoras incitam o ódio e não contribuem para o crescimento do país.

Para o presidente da CTB, a elite "nunca soube conviver com as diferenças” e que bandeiras "ultraconservadoras”, a exemplo do pedido de retorno à ditadura militar, incitam o ódio, não resolvem os problemas e nem contribuem para encontrar o crescimento. "A elite que vai às ruas está disposta a fomentar o ódio, o racismo, a xenofobia. Isto é contrário à consciência de liberdade”. Ele cita como exemplo de violência e intolerância o recente caso envolvendo um atentado contra imigrantes haitianos, na cidade de São Paulo, em 1º de agosto.
Já a presidenta da UNE comenta que o dia 16 conta com a participação de um setor mais velho da sociedade, não envolvendo, portanto, a maioria da juventude.
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Cristina Fontenele

Estudante de Jornalismo pela Faculdades Cearenses (FAC), publicitária e Especialista em Gestão de Marketing pela Fundação DomCabral (FDC/MG).
E-mail
cristina@adital.com.br
crisfonte@hotmail.com

sábado, 13 de junho de 2015

Não à “constitucionalização” da corrupção

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/543436-nao-a-constitucionalizacao-da-corrupcao


Não à “constitucionalização” da corrupção

"Se queremos, porém, ser realistas, com o Congresso que temos - em sua maioria reacionário e conservador - não iremos muito longe na Reforma Política. Já será uma grande vitória, se conseguirmos impedir a Anti-Reforma Política", comenta FreiMarcos Sassatelli, frade dominicano, doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP) e professor aposentado de Filosofia (UFG).
Eis o artigo.
No dia 3 deste mês, a “Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas” (OAB, CNBB, Contag, CTB Nacional, CUT Brasil, MCCE, Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político, UNE), num “Comunicado Urgente aos companheiros e companheiras”, escreveu: “na semana passada tivemos o início da votação da Reforma Política na Câmara dos Deputados.
Derrotamos o ‘distritão’ e o financiamento empresarial das eleições na votação de segunda-feira. Todavia, numa manobra do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, ilegalmente fez nova votação e ‘legalizaram’, em primeiro turno, a ‘constitucionalização’ da corrupção, com a intenção de colocar na Carta Magna o financiamento de empresas em campanhas eleitorais”.
Vejam a relação dos deputados federais que, em primeiro turno, votaram contra a sociedade e a favor da PEC da corrupção, ou seja, da “constitucionalização” da corrupção. Esses deputados devem ser banidos, uma vez por todas, da vida pública como traidores do povo. Seu oportunismo interesseiro é tão descarado, que chega a ser arrogante, cínico e despudorado. É um deboche para com o povo brasileiro. Mas a luta continua!
Segundo a Coalisão citada, “64 deputados, integrantes de diversos partidos políticos, ajuizaram um mandato de segurança no Supremo Tribunal Federal, com pedido de liminar contra esta manobra do presidente da Câmara”, que - diga-se de passagem - foi suja, desonesta, ilegal, antidemocrática e antiética. Na Câmara, o segundo turno da votação daReforma Política recomeça no dia 16/06/2015.
A “Plataforma dos Movimentos Sociais (Populares) pela Reforma do Sistema Político”, em “Manifesto a favor da democracia e de uma verdadeira Reforma do Sistema Político”, afirma que, neste momento, está engajada “em duas grandes estratégias de intervenção, construídas pela sociedade: a Iniciativa Popular da Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, e o Plebiscito da Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político”.
A exemplo da Plataforma citada, todos os Movimentos Populares e todos os Sindicatos autênticos de Trabalhadores e Trabalhadoras da sociedade - unidos, organizados e mobilizados - devem assumir essas “duas grandes estratégias de intervenção”.
Assumir a primeira - a Iniciativa Popular da Reforma Política Democrática e Eleições Limpas - significa, antes de tudo, ocupar a Câmara Federal, que é a Casa do Povo, e exigir dos deputados que votem contra o financiamento de empresas privadas em campanhas eleitorais. Assumir a segunda - o Plebiscito da Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político - significa exigir dos mesmos deputados a imediata convocação do Plebiscito.
Com a coleta de assinaturas (que - ressaltamos - continua importante, visto que os temas da Iniciativa Popular serão ainda debatidos, seja na Câmara dos Deputados que no Senado), a força da mobilização popular e a pressão nominal sobre os parlamentares, podemos impedir a Anti-Reforma Política - que seria um retrocesso - e, quem sabe, conseguir alguns avanços na Reforma Política, pela qual tanto lutamos.
Se queremos, porém, ser realistas, com o Congresso que temos - em sua maioria reacionário e conservador - não iremos muito longe na Reforma Política. Já será uma grande vitória, se conseguirmos impedir a Anti-Reforma Política.
Somente com a convocação do Plebiscito da Constituinte Exclusiva e Soberana, é que teremos realmente as condições de conseguir uma Reforma Política, que seja uma verdadeira mudança estrutural do Sistema Político.
A “Coalisão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas” precisa se tornar, o quanto antes, a “Coalisão do Plebiscito da Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político”.
Termino perguntando: por que será que as empresas privadas estão tão interessadas no financiamento de campanhas eleitorais? Certamente não é porque fizeram, por amor, a opção pelos pobres e estão preocupadas com a promoção da justiça, dos direitos humanos e da sociedade do “bem-viver”, que - à luz da Fé - é o Reino de Deus acontecendo na história do ser humano e do mundo. As empresas privadas, financiando campanhas eleitorais, sempre visam seu próprio interesse econômico, ou seja, um retorno financeiro compensatório. Por isso, elas só financiam campanhas eleitorais de candidatos ricos, nunca de candidatos pobres.
Se a Câmara Federal (em segundo turno) e o Senado aprovarem a “constitucionalização” do financiamento de empresas privadas em campanhas eleitorais, estarão aprovando a “constitucionalização” da corrupção e - porque não dizer - da sem-vergonhice política. Temos que impedir isso a qualquer custo. Como afirma a Plataforma dos Movimentos Populares citada: “desistir jamais, lutar sempre”. Não à “constitucionalização” da corrupção! Plebiscito, já! Reforma Política, já!

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Coordenação do Projeto Monitoramento em DH realiza audiência com Ministra Ideli Salvatti

nota do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH)
enviada por: Secretaria Executiva: Enéias da Rosa


NOTA INFORMATIVA

Coordenação do Projeto Monitoramento em DH realiza audiência com Ministra Ideli Salvatti

O Projeto Monitoramento em Direitos Humanos, coordenado pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), Processo de Articulação e Diálogo entre as Agências Ecumênicas Européias e Parceiros Brasileiros (PAD) e Parceiros de MISEREOR no Brasil, através de seus representantes Daniel Rech, Júlia Esther de Castro, Maria de Lourdes Nunes, Maria Elena Rodriguez e Enéias da Rosa, esteve reunido no dia 22 de janeiro, com a Ministra Ideli Salvatti e equipe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, para tratar da agenda política da SDH para o período o próximo período, em especial do Informe sobre o cumprimento do PIDESC pelo Estado Brasileiro e da ratificação do Protocolo Facultativo do PIDESC pelo Estado Brasileiro.

Durante a audiência, a Ministra Ideli Salvatti comunicou que após a confirmação da sua permanência na coordenação da SDH, em  dezembro de 2014, abriu-se um processo de diálogos e consultas para a efetivação de um planejamento estratégico de atuação da SDH para o próximo período, processo este que será concluído no mês de fevereiro. Sobre o campo de atuação mais amplo da SDH, a Ministra manifestou sua total disposição e abertura para o acolhimento de demandas e denúncias da sociedade em relação aos direitos humanos. Acerca deste ponto, o Projeto Monitoramento em DH, manifestou que estará encaminhando à SDH possíveis situações de violações constatadas ao longo das oficinas/audiências estaduais que vem realizando em todos os Estados brasileiros desde o segundo semestre de 2014, para que a SDH possa dar os encaminhamentos necessários à resolução dos casos.

Ao tratar do Informe do PIDESC e sobre o cumprimento do mesmo pelo Estado Brasileiro, a coordenação do Projeto Monitoramento em DH, além de apresentar o processo que vem realizando para a construção do Informe Paralelo do PIDESC (ação da sociedade civil), manifestou que já desde 2013 vem alertando a SDH para a importância de o Estado Brasileiro apresentar seu relatório ao Comitê DESC ONU. O prazo recomendado pelo Comitê DESC ONU foi final de junho de 2014, portanto há mais de meio ano. Diante do exposto, a Ministra Ideli Salvatti informou que o processo de consulta interna para construção do Informe do PIDESC está em fase de finalização e a previsão é de que até final de fevereiro próximo tenha-se a proposta do documento, para envio à Casa Civil, onde passará por processo de aprovação, para então disponibilizar a consulta pública junto à sociedade civil. Diante do exposto a Ministra quer que até junho deste ano o processo esteja concretizado para protocolar a entrega do Informe junto ao Comitê DESC ONU.

Por outro lado, aproveitou-se a oportunidade da audiência para também tratar do tema da ratificação do Protocolo Facultativo do PIDESC, tema este sobre o qual o projeto e as Redes parceiras já fizeram uma série de interlocuções com a SDH e o MRE, em conjunto com parceiros internacionais (PIDHDD; FIAN Internacional; Red-DESC etc), e o governo brasileiro tem sido moroso no processo de ratificação. A respeito da ratificação do Protocolo, a Ministra manifestou que tentou anuncia-la no final de 2014, mas que não foi possível, e assumiu o compromisso de trabalhar, em especial junto à Casa Civil, para que o mesmo seja ratificado o mais breve possível pelo Estado Brasileiro.

Ao final, acordou-se que será mantida a interlocução política com a SDH acerca da agenda de direitos humanos no Brasil e das ações do Projeto Monitoramento em DH no próximo período. Na oportunidade, a Ministra Ideli Salvatti, assumiu o compromisso de manter estreito diálogo com a iniciativa do Projeto Monitoramento em DH ao longo do processo de fechamento e encaminhamento dos Informes (oficial e da sociedade civil) ao Comitê DESC ONU. Além disso, confirmou presença da SDH em seminário com parceiros da sociedade civil, agências de cooperação internacionais e órgãos institucionais que será realizado pelo Projeto Monitoramento de DH, nos dias 30 e 31 de março deste ano.

Secretaria Executiva: Enéias da Rosa
Fone: (51)81410084

Coordenação Geral:
Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH)
Processo de Articulação e Diálogo entre as Agências Ecumênicas Européias e Parceiros Brasileiros (PAD)
Parceiros de MISEREOR no Brasil

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Transexuais recebem homenagem da Polícia Militar no Dia da Visibilidade Trans

adital
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=83847


Transexuais recebem homenagem da Polícia Militar no Dia da Visibilidade Trans

Adital
Numa iniciativa inédita no Brasil, nesta quinta-feira, 29 de janeiro, às 17h, as militantes do movimento Trans do Estado de Pernambuco receberão da Polícia Militar uma homenagem pela atuação em defesa dos direitos das pessoas trans. O coronel José Francisco Neto também deve ouvir as reivindicações e denúncias desta população. Para Maria Clara, do Grupo de Trabalhos em Prevenção Posithivo (GTP+), coordenadora da Marcha da Visibilidade Trans Ilusões e Membro do Mecanismo de Combate a Tortura da Secretária de Direitos Humanos de Pernambuco, esse diálogo é um passo importante no reconhecimento de direitos.
midiaindependente.org 
Vale destacar que travestis e transexuais têm sido historicamente perseguidos pelo aparato policial do Estado brasileiro, transformando-se em um dos principais alvos da homofobia e da violência das polícias nas ruas do país. 
Para marcar o Dia 29, o GTP+ juntamente com a Articulação e Movimento para Travestis e Transexuais de Pernambuco (Amotrans) e outros parceiros também realizarão a II Marcha da Visibilidade Trans na ruas de Recife, capital pernambucana. A transfobia no Brasil é ainda tão alarmante que, em menos de um mês, o site Homofobiamata já contabiliza, apenas nos primeiros 28 dias de 2015, 10 assassinatos de travestis. Em 2014, foram documentados 326 mortes de gays, travestis e lésbicas no Brasil, incluindo nove suicídios. Um assassinato a cada 27 horas. Um aumento de 4,1 % em relação ao ano anterior (313). 
Acredita-se que as travestis são o grupo mais estigmatizado da comunidade LGBT, que sofre maior violência física, moral e psicológica.
reproducao 
O Dia da Visibilidade Trans é celebrado todo dia 29 de janeiro, desde 2004. A data foi instituída pelo Movimento LGBT naquele ano, quando, no Congresso Nacional, através do Ministério da Saúde, foi lançada uma campanha pela cidadania e saúde para o público de travestis e transexuais. A campanha foi intitulada "Travesti e Respeito”. A data tem como objetivo ressaltar a importância da visibilidade e o respeito às travestis e transexuais na sociedade brasileira.
Link permanente: 

sábado, 24 de janeiro de 2015

Como o maior inimigo da Al Qaeda tomou o Iêmen e por que os EUA não irão apoiá-lo

carta maior
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Como-o-maior-inimigo-da-Al-Qaeda-tomou-o-Iemen-e-por-que-os-EUA-nao-irao-apoia-lo/6/32715


Como o maior inimigo da Al Qaeda tomou o Iêmen e por que os EUA não irão apoiá-lo

O presidente iemenita Abdu Rabbu Mansour Hadi, seu primeiro-ministro e seu gabinete de governo inteiro renunciaram em massa essa semana


Jeremy Scahill e Casey L. Coombs, The Intercept
RT

Sanaa – O presidente iemenita Abdu Rabbu Mansour Hadi, seu primeiro-ministro e seu gabinete de governo inteiro renunciaram em massa ontem, apenas 24 horas depois de os rebeldes Houthis ocuparem o complexo presidencial em Sanaa. As demissões dão poder sem precedentes aos Houthis, uma minoria xiita dos planaltos nortenhos isolados do país.

A crise política também abre a porta para uma guerra aberta sobre o controle da capital do Iemên, envolvendo facções políticas sunitas e a al Qaeda na Península Arábica ou AQAP. O conflito pode também se arrastar para Arábia Saudita, EUA e Irã.

As ruas da capital do Iemên estão agora um labirinto de postos de verificação, alguns ainda tripulados por forças do governo usando uniformes militares, mas a maioria esses dias é controlada pelos Houthis. Diferentemente das forças do governo, os Houthis se vestem tipicamente com um xale no rosto e uma saia conhecida como ma’awaz.

Armados com AK-47, os Houthis estão primeiramente procurando por membros da AQAP.

Os Houthis, no entanto, estão provando rapidamente que a velha máxima “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”, não é sempre verdade. Enquanto são inimigos mortais da AQAP, os Houthis tripulando os postos de verificação frequentemente adornam suas AK-47 com adesivos com o lema do grupo: “morte à américa, morte a Israel, maldição aos judeus, vitória do Islã.”

Para o ocidente, este labirinto de políticos iemenitas comprova a complexidade em encontrar um aliado confiável para lutar contra a al Qaeda afiliada ao Iemên, a qual tomou crédito pelo ataque mortal ainda esse mês contra a redação da Charlie Hebdo em Paris. Enquanto o governo americano continuou a apoiar Hadi como um parceiro próximo na guerra ao terror, são os Houthis, também conhecidos como Ansar Allah, que têm batalhado contra a AQAP nas ruas de Sanaa.

AQAP lançou uma série de ataques com carros bomba e suicídios contra os Houthis começando no final de Setembro. Nos postos de verificação ao redor de Sanaa, os Houthis estão procurando por membros da AQAP tentando contrabandear bombas e materiais que as constituem para dentro da cidade. É frequentemente uma batalha perdida, uma vez que contrabandear explosivos pode ser mais simples do que fixar um cartaz dos Houthis - o qual tem o mesmo lema que os adesivos nas AK-47 - no painel de um carro para passar pelos postos.

Em um vídeo recente da AQAP, o qual o The Intercept traduziu do Árabe para o Inglês, Nasser bin Ali al Ansi, um oficial antigo da AQAP, disse que o grupo está fazendo um progresso estável contra os Houthis e assentou que a AQAP estava trabalhando em “expandir a área geográfica” de seus ataques contra os Houthis. O oficial da AQAP disse que o grupo depende do que tira dos inimigos, porque faltam fundos suficientes para efetivamente enfrentar os Houthis. Ele também pediu que “os muçulmanos apoiem os jihadistas” lutando contra os Houthis.

Mas os Houthis são contrários ao envolvimento americano no Iemên - mesmo para combater a al Qaeda - e isso ajuda a explicar porque a administração Obama não irá abraçar a nova estrutura de poder nem tão cedo. Outra razão é que eles são vistos como alinhados com o Irã.

Por anos, o governo iemenita tentou inflar a influência do Irã sobre os houthis na esperança de adquirir a permissão americana para usar os fundos e a assistência do contra-terrorismo para combater os houthis. De acordo com cabos diplomáticos divulgados pelo WikiLeaks, oficiais da administração do Bush Pai consistentemente repeliam tais pedidos do governo iemenita, dizendo que o governo americano via a batalha contra os houthis como uma questão nacional.

A administração Obama esquivou ao tomar uma posição sobre o apoio do Irã aos Houthis.

“Continuamos incomodados com a história do trabalho entre os Houthis e os iranianos,” a porta voz do Departamento do Estado Jen Psaki disse na quinta-feira. “Agora nós não avaliamos que há uma nova corporação naquele fronte.”

A Arábia Saudita também retratou os Houthis como um representante Iraniano, e o império provocou inúmeros ataques aéreos contra as fortalezas do movimento.

Uma fonte clara de apoio aos houthis vem da ex-presidente Ali Abdullah Saleh, que é do mesmo setor xiita. Saleh é suspeito de participar da tomada da capital pelos Houthis. Essa semana, várias redes de TV árabes levaram ao ar uma gravação de um telefonema entre Saleh e um líder Houthi antigo, com o antigo presidente aconselhando-o sobre as operações políticas e militares.

Durante seu momento no poder, Saleh frequentemente mudava suas alianças; ele travou 6 guerras contra os Houthis de 2004-2010, mas às vezes usava os Houthis para atacar os oponentes políticos. Dada esta história, muitos duvidam que a nova estrutura de poder, dominada pela aliança Saleh-Houthi, irá perdurar.

Sales e os Houthis estão “apaixonados”, disse Asham, um estudante da Universidade de Sanaa, que pediu que se sobrenome não fosse usado devido a situação política. “Mas seu casamento irá terminar em divórcio. Não podem morar juntos para sempre porque ambos querem a mesma coisa - poder.”

Enquanto o Departamento de Estado americano inicialmente resistiu em chamar os eventos dessa semana no Iemên de golpe, a troca de poder já tinha inclinado para os Houthis. O controle do grupo rebelde foi cimentado ainda esse mês, quando Hadi secretamente assinou decretos presidenciais cedendo os aparatos de segurança, os quais têm funcionado tradicionalmente como uma fonte de salários governamentais para as famílias e amigos dos líderes.

Depois de assinar um acordo compartilhado na ultima quarta-feira, Hadi tinha efetivamente cedido poder aos Houthis, que provocou um golpe no inicio da semana que culminou em um tiroteio entre a guarda opresidencial e a milícia Houthi. Era esperado que o acordo tornasse oficial o controle dos Houthis sobre a capital, e as demissões em massa de ontem somente reafirmam a tomada do grupo.

Um porta-voz da AQAP acolheu a caída do governo, dizendo ao The Intercept: “operamos melhor sob tais circunstâncias.”

“Eu acredito que ambos Houthis e Saleh estão escolhendo seus postos,” disse Fernando Carvajal, um especialista iemenita e consultor de organizações não governamentais no país. “Tomando a polícia agora, Houhtis e Saleh podem recrutar milícias.”

Pouco depois de tomar os postos de segurança, os chefes da polícia Houthi usaram seus novos poderes para prender um assessor próximo de Hadi. O governo chamou a prisão de sequestro.

O governo de Hadi, enquanto isso, já estava em estado de retirada; Houthis essa semana asseguraram o controle da mídia estatal do Iemên.

Muitos veêm o golpe dessa semana como o final culminante de uma série de eventos que começaram a desabrochar em Janeiro de 2014, quando Hadi iniciou um cessar-fogo na batalha de meses entre Houthis e sunitas palafitas fora da cidade de Sa’dah, a capital provincial do movimento Houthi. A mediação de adi resultou no despejo de quase 15,000 alunos salafistas da provincia de Sa’dah - uma vitória para os Houthis.

Os Houthis iniciaram sua tomada em Sanaa em Setembro e começaram preenchendo novas posições vagas nas sedes policiais. Isso foi seguido pelo golpe dessa semana, e o que parece ser uma tomada total de poder.

Enquanto Sanaa experienciou uma série de explosões e tiroteios na semana passada, o comércio fora das áreas de batalha continuou aberto, e os iemenitas receberam essa ultima jogada de poder com tranquilidade. Hisham Al-Omeisy, um consultor de informação e comunicação em Sanaa, diz que a maioria dos iemenitas simplesmente perderam a fé na retórica do governo. “Quando falamos do status quo atual no Iemên nós falamos que parece um cego tentando aplicar rímel à uma loucura instável.”
 
TraduçãoIsabela Palhares

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Carta dos Excluídos aos Excluídos

ihu
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/539232-carta-dos-excluidos-aos-excluidos


Carta dos Excluídos aos Excluídos

"Pretendo agora, com alguns comentários, destacar os 15 pontos da Carta, que inicia dizendo: “queremos fazer chegar à opinião pública um breve resumo do que aconteceu durante estes três dias históricos”.", escreve Marcos Sassatelli, frade dominicano sobre a Declaração Final do Encontro Mundial dos Movimentos Populares convocada pelo papa Francisco. Sassatelli é doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP) e professor aposentado de Filosofia da UFG, em artigo enviado.
Eis a carta.
- Declaração Final do Encontro Mundial dos Movimentos Populares (1ª parte) -
A “Carta dos Excluídos aos Excluídos” servirá de base para o trabalho dos Movimentos Populares em seus respectivos países. Ela está em plena sintonia com o Discurso de Francisco aos Movimentos Populares e é também uma fonte inspiradora para as Pastorais Sociais e Ambientais da Igreja, hoje.
1. O Encontro foi convocado pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz (PCJP), em colaboração com a Pontifícia Academia das Ciências Sociais (PACS), e diversos Movimentos Populares do mundo, sob a inspiração do Papa Francisco. “Uma delegação de mais de 100 dirigentes sociais de todos os continentes se reuniu em Roma para debater três eixos: terra, moradia, trabalho; os grandes problemas e desafios que enfrenta a família humana (especialmente exclusão, desigualdade, violência e crise ambiental) a partir da perspectiva dos pobres e suas organizações”. É um grande sinal dos tempos! É certamente um sinal visível da presença do Espírito Santo de Deus!
2. Os dias “se desenvolveram procurando praticar a Cultura do Encontro e integrando companheiros, companheiras, irmãos e irmãs, de distintos continentes, gerações, profissões, religiões, ideias e experiências. Além dos setores representativos dos três eixos principais do Encontro, participaram um número considerável de bispos e agentes pastorais, intelectuais e acadêmicos, que contribuíram significativamente ao Encontro, sempre respeitando o protagonismo dos setores eMovimentos Populares. O Encontro não esteve isento de tensões que pudéssemos assumir coletivamente como irmãos”. Que maravilha! Que fraternidade bonita! É, sem dúvida, o Reino de Deus acontecendo!
3. Antes de tudo, “sempre desde a perspectiva dos pobres e dos povos pobres (neste caso, os camponeses, trabalhadores sem direitos e habitantes de bairros populares), foram analisadas as causas estruturais da desigualdade e da exclusão, desde suas raízes sistêmicas globais até suas expressões locais. Compartilharam os números horríveis da desigualdade e a concentração da riqueza nas mãos de um punhado de milionários”. Os painelistas e palestrantes - cuja contribuição foi muito valiosa - “concordaram que se deve buscar na natureza desigual e predatória do sistema capitalista, que coloca o lucro acima do ser humano, a raiz dos males sociais e ambientais. O enorme poder das empresas transnacionais que pretendem devorar e privatizar tudo - mercadorias, serviços, pensamento - são o primeiro violino desta sinfonia de destruição”. Que realismo! Que clareza! Que coragem de dizer a verdade!
4. Os participantes do Encontro afirmaram: “durante o trabalho nas oficinas concluiu-se que o acesso pleno, estável, seguro e integral à terra, à moradia e ao trabalho constituem direitos humanos inalienáveis, inerentes às pessoas e sua dignidade, que devem ser garantidos e respeitados. A moradia e o bairro como um espaço inviolável por Estados e corporações, a terra como um bem comum, que deve ser compartilhado entre todos os que nela trabalham, evitando sua acumulação, e o trabalho digno como eixo estruturador de um projeto de vida, foram algumas das reivindicações compartilhadas”.
5. No Encontro abordou-se também “o problema da violência e da guerra, uma guerra total, ou como disse Francisco, uma terceira guerra mundial parcelada. Sem perder de vista o caráter global destes problemas, tratou-se com particular intensidade a situação do Oriente Médio, principalmente a agressão contra o povo palestino e curdo. A violência que desencadeiam as máfias do narcoterrorismo, o tráfico de armas e o tráfico de pessoas, também foram objeto de profundo debate. Os despejos forçados pela violência, o agronegócio, a mineração poluente e todas as formas de extrativismo, e a repressão sobre camponeses, povos originários e afrodescendentes, estiveram presentes em todos os debates. Também o grave problema dos golpes de Estado como em Honduras e Paraguai e o intervencionismo de grandes potências sobre os países mais pobres”.
6. Outra questão abordada foi a ambiental. Ela “esteve presente num rico intercâmbio entre a perspectiva acadêmica e a popular. Pudemos conhecer os dados mais recentes sobre contaminação e a mudança climática, as previsões sobre futuros desastres naturais, e as provas científicas de que o consumismo insaciável e a prática de um industrialismo irresponsável que promove o poder econômico explicam a catástrofe ecológica em cena. Devemos combater a cultura do descarte e, ainda que suas causas sejam estruturais, também devemos promover uma mudança a partir de baixo, nos hábitos e condutas de nossos povos, priorizando os intercâmbios ao interior da economia popular e a recuperação do que este sistema renega”.
7. Novamente os participantes do Encontro, com palavras inquestionáveis, afirmam: “pudemos concluir que a guerra e a violência, a exacerbação dos conflitos étnicos e a utilização da religião para a legitimação da violência, assim como o desmatamento, a mudança climática e a perda da biodiversidade, têm seu principal motor a busca incessante do lucro e a pretensão criminosa de subordinar os povos mais pobres para saquear suas riquezas naturais e humanas. Consideramos que a ação e as palavras dos Movimentos Populares e a Igreja são imprescindíveis para frear este verdadeiro genocídio e terricídio”.
Meditemos, irmãos e irmãs! Não sejamos indiferentes! São apelos de Deus! (Continua no próximo artigo).