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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Minimizadores do caso Samarco tentam reinventar palavra “tóxico”

mab
http://www.mabnacional.org.br/noticia/minimizadores-do-caso-samarco-tentam-reinventar-palavra-t-xico

Minimizadores do caso Samarco tentam reinventar palavra “tóxico”

Defensores da mineradora ignoram definição de toxicidade para amenizar impactos do rompimento da barragem em Mariana; não somente metais pesados têm efeito nocivo.
Por Alceu Luís Castilho, do Outras Palavras
Foto: Associação dos Pescadores e Amigos do rio Doce
“tóxico \cs\
adjetivo e substantivo masculino 
1 que ou o que produz efeitos nocivos no organismo
‹ substância t. › ‹ a cocaína é um t. ›
2 que ou o que contém veneno”
E agora o leitor decidirá: a lama da Samarco que arrasou povoados em Mariana e já chegou ao mar, matando milhares de peixes, aves, algas… é tóxica ou não é tóxica? (Atente: isso independe de conter ou não metais pesados.)
Pois está em curso uma operação para minimizar a catástrofe. O que passa pela definição de que a lama não seria tóxica. Ora, a lama produziu, em si, efeitos nocivos a organismos diversos. Retirou oxigênio da água, asfixiou 11 toneladas de peixes, matou  tartarugas, caranguejos, caramujos, camarões, galinhas, bois, um rio inteiro (ainda que por alguns meses ou anos). Como não seria tóxica?
Centro de Vigilância Sanitária, ligado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, define como agente tóxico “qualquer substância capaz de produzir um efeito tóxico (nocivo, danoso) num organismo vivo, ocasionando desde alterações bioquímicas, prejuízo de funções biológicas até sua morte”. E o risco tóxico, o que seria? “É a capacidade inerente de uma substância produzir efeitos nocivos num organismo vivo ou ecossistema”.
A Fiocruz informa, em seu site, que não existem substâncias químicas sem toxicidade:. “Não existem substâncias químicas seguras, que não tenham efeitos lesivos ao organismo”. Nada, portanto, de associar o termo apenas à ingestão de metais pesados – como vêm fazendo a empresa e seus defensores. Lembremos que um cigarro possui 4.700 substâncias tóxicas.
A batalha dos exames
A página do Serviço Geológico do Brasil, uma companhia do governo federal, informa: “Novos resultados descartam aumento de metais pesados no Rio Doce”. Ou seja, por esses exames (feitos em apenas 40 coletas), a lama não seria tóxica especificamente em relação a metais pesados: cobre, chumbo e mercúrio, entre outros.
Mas mesmo nesse caso há controvérsias: e o ferro e o manganês? Um laudo encomendado pela própria Vale informa que os níveis das duas substâncias estão acima do recomendado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Ainda que, na descrição feita pela empresa, e logo replicada acriticamente pela imprensa, sem risco para seres humanos.
Ou seja, há ênfase apenas no impacto direto em organismos humanos. Como se as substâncias não fossem tóxicas para outros seres vivos. Sem redução de danos, reduzam-se as palavras.
Diante da minimização, muitos fazem uma pergunta singela: por que, então, a necessidade de barragens? Por um motivo simples: a polpa (a lama de areia e silte combinada com os rejeitos) da mineração tem o efeito tóxico que se viu nas últimas semanas. Mesmo sem metais pesados.
E porque não se trata somente da saúde de humanos, por ingestão ou contato direto; e sim da saúde de ecossistemas inteiros. Afetam a fauna, a flora. E também os humanos. As barragens surgiram, no século 20, porque o material despejado afetava os poços de irrigação e o solo; e os produtores constatavam a diminuição da colheita.
Até aqui nem estamos questionando os testes feitos pela própria empresa. Ou considerando a necessidade de testes que não sejam encomendados pelas partes interessadas. Uma coleta feita em Governador Valadares logo após a catástrofe identificou níveis altíssimos de ferro e manganês. E este pode gerar problemas ósseos, intestinais, ampliar problemas cardíacos.
O Instituto Mineiro de Gestão das Águas fez outros testes e detectou a presença de chumbo, arsênio e cádmio nas águas do Rio Doce, nos dias subsequentes ao rompimento da barragem. Uma das consequências possíveis, câncer. Quem vai dizer que não existem esses riscos (ou que as substâncias não tenham saído da barragem), a própria Samarco? Ou pesquisadores independentes?
Uma história alternativa
A Vale (dona da Samarco, junto com a BHP Billinton, e que também despejou resíduos na barragem rompida) já está até falando que a lama vai ter efeito de adubo no reflorestamento. Ou seja, não somente se minimiza o impacto brutal no ecossistema, como se tem a desfaçatez de apresentar um possível benefício “no reflorestamento”. Mais ou menos como os defensores do agronegócio, que chamam os agrotóxicos de “defensivos”.
Está desde o dia 5 de novembro em curso uma batalha por discursos. As evidências das primeiras semanas começam a ser esquecidas: as fotos dos povoados destruídos, a narrativa – ainda incompleta – sobre as 23 pessoas que morreram, a evidente destruição ambiental. A morte de um rio, a dor dos pescadores (como os das fotos deste artigo, feitas pelo Instituto Últimos Refúgios), agricultores e povos indígenas que se viram sem água. A ameaça aos ecossistemas marinhos.
E agora começa a investida na reconstrução conveniente dos fatos. Movida a insensibilidade e escárnio em relação às vítimas, todas elas – humanos ou não. Aposta-se na falta de memória e na falta de bom senso para se dizer que o Rio Doce estará restabelecido em cinco meses, como se fosse pouco, e que a lama até vai virar um adubozinho. E nem tinha tanto veneno assim, não é mesmo? Nem se matou diretamente pessoas por ingestão de chumbo.

Samarco deixa atingidos com mais dúvidas sobre novo rompimento

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Samarco deixa atingidos com mais dúvidas sobre novo rompimento

O maior temor do povo na cidade de Barra Longa é a possibilidade do rompimento da barragem de Germano, que poderá causar um prejuízo maior que o da barragem de Fundão. Sobre isso, os representantes da Samarco (Vale/BHP Billiton) não responderam nem sim e, muito menos, não
Por Joka Madruga
A mesa de negociação de conflitos do Governo do Estado de Minas Gerais se reuniu nessa quarta-feira (02), em Barra Longa (MG), para ouvir a pauta de reivindicações elaborada pelos atingidos organizados no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em parceria com a Arquidiocese de Mariana.
O maior temor do povo na cidade é a possibilidade do rompimento da barragem de Germano, que poderá causar um prejuízo maior que o da barragem de Fundão. Vários moradores fizeram perguntas diretas sobre esta possibilidade. Porém, os representantes da Samarco, empresa que pertence às mineradoras Vale e BHP-Billiton, não responderam nem sim e, muito menos, não.
Daniele, engenheira civil da Samarco há cinco anos e que atua na equipe de monitoramento das barragens, disse que foram instalados radares nas paredes das barragens para monitorar caso haja algum problema. “Estes radares indicam que as paredes estão estáveis”, afirma a engenheira.
Por outro lado, ela não convenceu a assembleia presente visto que a população barra-longuense desconfia da Samarco, pois a lama de Fundão levou 11 horas para chegar na cidade e a previsão era de ela não fosse causar estragos. E muitos ficaram sabendo do rompimento pela televisão.
“Diante das pergunta temos quatro opções: sim, não, talvez e o silêncio”, explica padre Geraldo Martins, Coordenador de Pastoral da Arquidiocese de Mariana, se referindo aos representantes da Samarco que foram evasivos nas repostas. “Isto só aumenta a insegurança da população e a insatisfação”, afirmou o sacerdote.
“A Samarco perdeu a confiança da comunidade. Especialmente em Barra Longa havia tempo para evitar o que aconteceu aqui. Tinham técnicos, imagino eu, na barragem que teriam capacidade de avaliar qual seria o prejuízo abaixo. E tempo necessário para informar a população. Então não adianta falar que os estudos estão baseados em estudos técnicos, sendo que os técnicos erraram e o povo perdeu vida, levou lama e perdeu a comunidade”, diz Letícia Oliveira, da coordenação nacional do MAB.

Um mês após desastre da Samarco, atingidos ainda não sabem quando vão ter ajuda de custo

MAB
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Um mês após desastre da Samarco, atingidos ainda não sabem quando vão ter ajuda de custo

Na cidade de Barra Longa, além da limpeza e reparação dos estragos, os atingidos que ficaram desempregados querem receber logo a ajuda de custo para poderem tocar suas vidas. E a Samarco não define um prazo para que tenham este direito garantido
Por Joka Madruga, Terra sem Males e MAB
“Não pedimos para que esta lama viesse em nossa cidade. Quando vocês irão nos indenizar? Minha mãe é idosa com problemas de saúde. A ajuda só virá quando eu enterrar minha mãe na lama que vocês trouxeram?”, desabafa um morador de Barra Longa para a Samarco.
“Não tem data definida neste momento para começar a pagar”, disse Guilherme, representante da Samarco, pressionado pelos moradores sobre uma resposta de quando o bônus e as questões emergenciais serão repassados aos atingidos.
Estas frases foram ditas na reunião que aconteceu no dia 04 de dezembro (sexta-feira) em Barra Longa (MG), entre o MAB e a Samarco, empresa da Vale/BHP-Billiton, intermediada pelo Ministério Público de Ponte Nova, para  que a empresa responda as reivindicações entregues pelos atingidos. Várias outras reuniões aconteceram antes, mas esta deveria ser a que os atingidos pudessem ter respostas ao seus anseios e angústias.
Porém, os moradores saíram frustrados mais uma vez. E a reclamação foi generalizada, pois em toda reunião tem um funcionário diferente para falar em nome da mineradora, que pertence à Vale e a BHP-Billiton, e que dizem que quem decide mesmo sãos os “superiores”. Seres que nunca aparecem nas reuniões para garantir a tranquilidade que os moradores tanto desejam.
Além da limpeza da cidade e reparação dos estragos, os atingidos que ficaram desempregados querem receber logo a ajuda de custo para poderem tocar suas vidas. E a Samarco não define um prazo para que os impactados de Barra Longa tenha este direito garantido. Nem os comerciantes conseguem  saber quanto tempo terão para que seus compromissos e dívidas, causadas pela avalanche de lama, sejam sanadas. Pois desde o dia 06 de novembro, algumas pousadas, restaurantes e lojas estão fechadas e, por isto, não tem uma fonte de renda.
A promotora Carolina Queiroz de Carvalho disse que a comunidade precisa de uma resposta e que a prioridade é fazer o comércio atingido voltar a funcionar rápido. “A empresa também deve ter interesse em que estas coisas comecem a se resolver. Pois quanto mais o tempo passa, mais o dano material da indenização cresce”, alerta.
“O Ministério Publico está empenhado nesse caso. Conforme foi dito pelo MAB, entendemos,  no meu ponto de vista como promotora de Ponte Nova, que as questões aqui de Barra Longa e Gesteira são mais urgentes, no que diz respeito ao atendimento à população. Aqui temos situações das mais variada. Nós temos a cidade, o campo e os comerciantes. A vida da cidade precisa retornar. Estive em duas reuniões em Belo Horizonte e pedi empenho da equipe de negociação de lá (MP Estadual) por serem capacitados para isto. E vamos sair deste imbróglio o mais rápido possível”, afirma a promotora Carolina.
“Este diálogo tem que ser claro. Nas nossas reuniões o microfone para a Samarco é aberto o tempo necessário. E o oposto não é porque? O direito a informação, a participação transparente é fundamental. É o principio de tudo isto, senão não avançamos nas conquistas”, cobra Thiago Alves do Movimento dos Atingidos por Barragens.  No dia anterior um militante do movimento foi ler para os atingidos da comunidade de Gesteira a pauta de reivindicações e foi impedido pelo representante da Samarco, Guilherme. A justificativa no momento era de que a leitura da pauta, definida pela Comissão dos Atingidos, não era o foco da reunião que tratava de levantar as demandas para a comunidade. Um jovem pecuarista de Gesteira defendeu o militante do MAB e sob pressão a Samarco cedeu e a leitura do documento aconteceu. “Tem que vir gente da Samarco com autonomia para dizer sim ou não para conseguirmos avançar”, finaliza Thiago.
Encaminhamentos da reunião para a Samarco, responsável pelo crime ambiental, resolver:
-          Atendimento emergencial à saúde da população, com contratação de mais 04 médicos, psicólogos, enfermeiros, psiquiatras e assistentes sociais.
-          Cartões para o pagamento da renda mínimas sejam entregues aos atingidos já identificados.
-          A Samarco deverá apresentar ate o dia 9 de dezembro, quarta-feira próxima, cronograma definitivo para as ações necessárias para a retomada do comércio local e para inicio de pagamento da renda mínima de subsistência.
-          Que informem os fornecedores de equipamentos e materiais a emergência da situação e exija a entrega em prazo suficiente para a demanda dos atingidos.
-          A Samarco deve ajudar os proprietários rurais a cercar as áreas afetadas para que o gado não entre na lama.
-          Os comerciantes trarão informações das dividas e contas vencidas após 05 de novembro de 2015, por causa do fechamento do comércio, para que a Samarco resolva esta situação para o comercio voltar a funcionar normalmente. A data limite para a entrega é 08 de dezembro de 2015.
-          Que a Samarco providencie treinamento para os funcionários que trafegam com caminhões e maquinas nas vias publicas para evitar acidentes, pois uma moradora denunciou que quase foi atropelada por um caminhão. E, coincidentemente, quando este tema era debatido, um motoqueiro quase foi atropelado por um caminhão da empresa.
-          A Samarco divulgará o mapeamento dos imóveis atingidos e o grau de comprometimento de risco, até o dia 11 de dezembro.
-          A Samarco buscará o cadastro dos moradores de Gesteira que moram em Mariana, para atualizar na lista dos atingidos de Barra Longa.
A empresa ficou de levar as respostas cobradas pelos atingidos e pela promotoria na próxima reunião, dia 09\12.
Observação: o prefeito e o presidente da Câmara Municipal de Barra Longa estavam presentes na reunião. Não tem falas deles nesta matéria porque entraram calados e saíram mudos.

A lama da Samarco (Vale/BHP) atinge a vida das mulheres

mab
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A lama da Samarco (Vale/BHP) atinge a vida das mulheres

Perda da moradia, da privacidade, do trabalho, da comunidade e outras violações de direitos sofridas pelas mulheres atingidas pelo rompimento da barragem da Samarco (Vale/BHP-Billiton)
Para a revista AzMina
O saguão do Hotel Providência, no centro histórico de Mariana (MG), está sempre movimentado. O local é um dos tantos da cidade a hospedar, há quase um mês, os desabrigados devido ao rompimento da barragem da Samarco (pertencente às transnacionais Vale e BHP-Billiton). São cerca de 300 famílias nesta situação, sem contar as que foram para casas de parentes. Além desses hóspedes inusitados, jornalistas, fotógrafos, pesquisadores, assistentes sociais, funcionários da empresa e da prefeitura e tantos outros circulam o tempo todo por ali, para desespero da recepcionista, que tenta colocar ordem no caos.
– Essa é a última entrevista que eu dou – avisa Rosilene da Silva, enquanto vamos para o quarto onde está alojada sua família, nos fundos do hotel, depois das quadras de futsal e vôlei. Os atingidos, em geral, ficam divididos entre o desejo de que não se apague a memória daquele trágico 5 de novembro e a super-exposição do último período.
Embora no hotel não precisem fazer nenhum trabalho doméstico, a falta de privacidade incomoda. No alojamento onde Rosilene está, por exemplo, 12 camas de solteiro dividem o espaço. A mudança das famílias dos hotéis para casas alugadas pela Samarco é lenta. A primeira meta da empresa era transferir 25 famílias por semana, o que significaria que as últimas viveriam em hotéis até o carnaval. Pressionada pelos atingidos, a empresa dobrou a meta e agora promete mudar 50 famílias por semana.
Alojamento dos atingidos no Hotel Providência
– Demorei, mas cheguei – avisa a tão aguardada funcionária da Samarco, de prancheta na mão. Os integrantes da família agraciada com a mudança naquela segunda-feira (30 de novembro) iam e voltavam várias vezes carregando seus pertences do quarto de hotel até o transporte. Não carregavam uma mala sequer, somente sacolas pretas com materiais de higiene, algumas roupas e caixas de alimentos, tudo fruto de doação. Subiam no micro-ônibus da Manserv, uma das terceirizadas da Samarco, e partiam para a nova residência provisória. Por quanto tempo viverão lá ainda é um mistério.
A espera
– Para a gente que está acostumada com sala, cozinha, tudo separado, isso aqui está difícil – comenta Maria Imaculada da Silva, 58 anos, sentada na cama de um quarto no terceiro andar do hotel Águas Claras. O quarto com três camas de solteiro é dividido com sua filha e seu filho, já moços. Naquele espaço ela toma conta da pequena Emily, de dois anos, filha de sua vizinha. Antes da lama, quando morava em Paracatu de Baixo, ela já cuidava da menina, pois a mãe trabalha fora. Agora, no hotel, a rotina continua, mas a preocupação é maior: o quarto é no terceiro andar e seu medo é que a menina caia das escadas.
A Samarco entrega marmitas para os atingidos no almoço e na janta. Muitas são as queixas sobre a qualidade das refeições. Imaculada recusa-se a comer a comida fornecida pela empresa desde que passou mal e foi parar no hospital com dores no estômago. As três filhas que moram na cidade se revezam para levar comida para a mãe.
Ela já visitou uma casa para alugar, mas não se agradou: os quartos eram pequenos e, mal começou a estação chuvosa, as paredes já tinham mofo. Em Paracatu de Baixo, sua casa continua em pé, mas a lama deixou um cheiro forte devido à quantidade de animais mortos. Com a notícia do risco de ruptura de outra barragem de rejeitos da Samarco, ela foi aconselhada a deixar o local.
– Eu vou esperar só mais uma semana para ir para uma casa, senão vou voltar lá pra roça.
Maria Imaculada, sua filha Clarice e a pequena Emily no quarto do Hotel Águas Claras
Elisabete Messias, 37 anos, também está ansiosa, mas por outro motivo. Aguarda o nascimento de seu primeiro filho para o começo de dezembro. O Hotel Providência provavelmente será o primeiro lar da criança. Ex-moradora de Bento Rodrigues, o distrito mais atingido pela lama, ela não se queixa do tratamento do hotel, mas questiona a demora na mudança para as casas.
– Eles disseram que tinha prioridade para grávida, idoso, quem tem criança, mas aconteceu que as primeiras pessoas que saíram daqui era só o casal.
Trabalho
– Nome completo?
– Rosilene Gonçalves da Silva.
– Qual sua idade?
– Tenho 38 anos.
– Profissão?
– Agora eu sou “à toa”, né – Rosilene cai na gargalhada. – Não escreva isso aí não! Eu antes fazia de tudo um pouco: trabalhava no açougue meio período com meu irmão, olhava criança, fazia faxina para fora, mexia na casa, fazia crochê e bolo para vender, ajudava o Caé [apelido de seu esposo] na venda do mel, não ficava parada não, era o dia inteiro em pé.
Com quase um mês vivendo no Hotel Providência, a ex-moradora de Bento Rodrigues se preocupa. Como muitas mulheres atingidas, perdeu sua fonte de renda. Rosilene explica que “somente donas de casa” eram exceção no Bento, “só quem não queria trabalhar mesmo”. Algumas trabalhavam fora da comunidade, principalmente nas terceirizadas da Samarco. Outras faziam crochê ou faxina, algumas até pegavam lenha para vender ou iam para o rio garimpar ouro. Fontes de renda que se perderam com a lama.
Esposo e filha de Rosilene visitam Bento Rodrigues
Enquanto não reconstrói os distritos devastados pela lama, a Samarco terá que pagar uma verba mensal para cada família sobreviver. O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que tem atuado na organização das famílias, propôs o valor de um salário mínimo por pessoa. A empresa contrapropôs um salário mínimo por família com acréscimo de 20% por dependente. Com a pressão dos atingidos, a proposta final deve ser fechada da seguinte forma: o “chefe de família” vai receber um cartão com R$ 1500 mais 30% por dependente.
– Sobre quem é o chefe de família, se o cartão vai ser no nome do homem ou da mulher, vamos ter que analisar caso a caso. Já recebemos pedidos para não entregar na mão do homem, por receio dele gastar com bebida – explica Stanislau Klein, representante da área social da Samarco, na terça-feira (1º de dezembro) em reunião com comissão de moradores das comunidades impactadas.
Como os ganhos das mulheres eram vistos, na maioria dos casos, como complementares à renda das famílias, a tendência nesse momento é a perda de uma conquista importante na vida delas: a autonomia financeira.
As mais atingidas
Já foram amplamente divulgados os estragos feitos pela lama da Samarco, neste que já é tido como o maior desastre ambiental da história do país.
Naquele dia 5 de novembro, às 16h, a barragem de Fundão estourou, despejando entre 55 e 65 milhões de metros cúbicos de resíduos, destruindo em poucos minutos Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, ambos distritos de Mariana. De madrugada, chegou à pacata cidade de Barra Longa, desabrigando mais de 130 famílias que, desorientadas pela empresa, acreditavam que a lama não chegaria até ali. Os resíduos desembocaram no Rio Doce, atravessaram as comportas da hidrelétrica da Candonga, e percorreram mais de 800 km, atingido uma população de mais de um milhão de pessoas que vivem ao longo da bacia e dela dependem para abastecimento de água, pesca e agricultura. Após uma viagem de 17 dias, a lama chegou ao mar, em Linhares (ES).
Até agora, foram confirmadas 13 mortes e 11 pessoas continuam desaparecidas. Entre as desaparecidas está a sogra de Célis Felício, 32 anos, Maria das Graças Celestino da Silva. Até hoje ela e seu marido lutam para que a empresa e o poder público não abandonem as buscas. Ambas moravam em Bento Rodrigues, o primeiro povoado aonde a lama chegou.
Célis é auxiliar de serviços gerais na Manserv. No dia 5 de manhã, saiu para o trabalho, sem imaginar que não teria para onde voltar no fim do expediente. Estava na área da mineradora quando a barragem estourou e tentou avisar a família o mais rápido possível. Muitas vidas em Bento Rodrigues foram salvas dessa forma, com o aviso de familiares que trabalhavam na obra, já que a empresa não contava com plano de evacuação das comunidades em caso de rompimento das barragens.
No Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), dizemos que as mulheres são as mais atingidas no processo de construção de barragens. Relatos de norte a sul do país mostram problemas como perda dos trabalhos geradores de renda, desagregação da comunidade, aumento da prostituição e da violência e diversos outros impactos particularmente graves para as mulheres. A mesma constatação apareceu em 2010 em um relatório do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana [atual Conselho Nacional de Direitos Humanos] sobre violações de direitos na construção de barragens: “As mulheres são atingidas de forma particularmente grave e encontram maiores obstáculos para recomposição de seus meios e modos de vida”, diz o documento.
Perguntei para todas as entrevistadas para essa matéria se elas acreditavam que eram os homens ou as mulheres atingidas que estavam sofrendo mais. Embora tenham sido afetadas de maneira distinta das mulheres atingidas pela construção das barragens, foram unânimes.
– As mulheres, claro. Ah, porque os homens convivem mais fora de casa e as mulheres que estão ali todo dia. Cada cantinho da casa a mulher conhece mais que o homem, dá mais amor até mesmo às criações, às plantasSe mudar alguma coisa de lugar a mulher vai saber, o homem não sabe disso. Não que o homem não sofra, mas a mulher sofre mais – conta Célis.
Célis e seu sobrinho em Bento Rodrigues
Sua irmã Rosilene concorda:
– O negócio dos homens é mais o serviço, é trazer as coisas e colocar para a família. Já a mulher presta mais atenção no que está acontecendo. Homem é mole. Ainda bem que esse aí [aponta para o marido] não estava lá no dia [do rompimento da barragem], pois ia dar trabalho.
Domingo passado (29 de novembro), Rosilene, sua irmã Célis, seu esposo Expedito, e dois de seus filhos, um menino de 17 e a caçula de oito, foram visitar “o Bento”. Proibidos de ir até sua casa pela defesa civil, observavam de longe o antigo povoado completamente destruído, banhado por um córrego onde agora corre lama contaminada. A menina ficou quase o tempo todo nas costas do pai, talvez com medo de afundar na lama, ainda mole em algumas partes. O menino perguntava quando teriam autorização para voltar à casa, pois tinha esperança de resgatar seu violão, ou pelo menos as cordas.
– Tirou a vida da gente. Morreu um pedaço junto com o que a gente construiu – assim Rosilene finalizou sua última entrevista.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Quando é um playboy que esfaqueia

http://site.adital.com.br/site/noticia.php?boletim=1&lang=PT&cod=85373


Quando é um playboy que esfaqueia

Portal Vermelho
Adital

Um personagem tem 28 anos, é alto, forte, e conta oito passagens pela polícia por lesão corporal, invasão de domicilio e constrangimento ilegal, sendo conhecido por seu temperamento violento. No último sábado (6), na Gávea (RJ), portando um saca-rolha, ele perfurou três vezes o peito de Ana Carolina Romeiro, 21 anos, que está desde então em uma UTI, lutando pela vida. O noivo da moça, Gabriel Silva, que tentou defendê-la do ataque, teve a orelha decepada pelo agressor, e também está internado.
A delegada responsável pelo caso disse que o acusado, que confessou o crime mas alega apenas ter se defendido, "precisa responder por isso, não importa a sua classe social”.
Uns e outros
Outro personagem tem 16 anos, é baixo, franzino e com 15 passagens por roubo, furto e uso de drogas. No dia 21 de maio ele foi apreendido, acusado de ter assassinado a facadas, dois dias antes, o médico Jaime Gold, de 57 anos, na Lagoa, Rio de Janeiro. O menor negou o crime. Disse que estava em casa, na favela de Manguinhos, quando aconteceu o assassinato. O delegado responsável declarou, no momento da prisão: "duas coisas me chamaram a atenção nesse caso. A frieza do adolescente infrator e a forma covarde, sem nenhum sentimento pelo outro ser humano (como ele agiu) ”.
No dia 02 de junho, outro menor se apresentou à polícia, confessou a participação no crime e inocentou o primeiro menor de qualquer culpa. Abaixo, na foto da esquerda vemos a polícia conduzindo o morador de Manguinhos. Na foto da direita vemos a mesma polícia conduzindo José Phillippe Ribeiro de Castro (o do saca-rolha). Segundo o jornal O Globo, ele é de uma família "que é dona de uma usina de açúcar e faz negócios no ramo da pecuária e no mercado financeiro”. O escritório de advocacia "Bergher & Mattos”, está defendendo Phillippe e já anunciou que irá "recorrer à justiça para tentar libertá-lo logo”.

Imagem: Portal Vermelho

Uns e outros – a sentença nas redes sociais
A tragédia que vitimou o médico Jaime Gold teve ampla repercussão midiática. Seu caso foi usado como argumento para defender a redução da maioridade penal.
Quando o primeiro menor acusado do crime foi preso, inundou-se a rede com fartos exemplos de ódio e intolerância, suficientes para nausear o estômago de um tiranossauro. Um internauta postou no facebook: "Este menor foi apreendido. Deveria ter sido morto”. O hashtag deste cidadão é #balaneles. Ele mesmo comenta, sobre os menores infratores: "essas sementes do mal precisam ser eliminadas”.
Uma cidadã afirma, também no facebook, que os pais são os culpados: "Os pais que querem transar, que se protejam para não colocarem esses vermes entre nós”. Os autores destas declarações são cristãos. Ficaram indignados com a parada gay e o "desrespeito” à imagem do "Salvador”.
O "Salvador” em questão teria ensinado aos seus seguidores o amor ao próximo e, segundo reza a lenda, tinha tanta repugnância pela violência que, se agredido, o fiel deveria oferecer a outra face. Mas afinal, esta orientação só valeria para pessoas como o playboy da Gávea que, pelo perfil, deve ter participado das marchas contra a corrupção, em defesa da meritocracia e, se bobear, antes de dormir, reza pedindo sempre a benção de Deus e, portanto, merece a misericórdia divina, afinal, quem mora em Manguinhos, já está acostumado com o inferno.

Fonte: Notas vermelhas do Portal Vermelho

sábado, 13 de junho de 2015

Por que Brasil forma médicos para elite

http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=161739


Por que Brasil forma médicos para elite

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Pesquisa revela: vagas nas escolas públicas de Medicina são ocupadas por brancos e ricos. Ao se formar, maioria volta as costas para quem custeou seus estudos
Por José Coutinho Júnior, no Brasil de Fato
Mulheres, jovens, brancas, que moram com os pais, nunca trabalharam e sempre estudaram em escola privada. Este é o perfil da maioria dos recém-formados em medicina no estado paulista, segundo levantamento do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). A pesquisa ainda está sendo finalizada, mas dados preliminares foram divulgados pelo presidente do conselho, Bráulio Luna Filho, em seminário sobre saúde organizado pelo jornal Folha de S. Paulo.
Os dados, relativos a São Paulo, correspondem à realidade do perfil dos médicos em todo país. Um questionário do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de 2013 constatou que 56,1% dos que fizeram a prova eram mulheres, com 33,9% tendo entre 25 e 29 anos.
Do total de estudantes, 73,6% se declararam como brancos. Os que se declararam pardos/mulatos corresponderam a 21,3%. Já os que disseram ser negros representavam 2,3% do universo. Além disso, 2,3% dos estudantes declararam-se de origem oriental e 0,4% se declarou como indígena ou de origem indígena.
A pesquisa do Enade também aponta que a faixa de renda familiar mensal mais comum para os estudantes de medicina foi a de dez a 30 salários mínimos (R$ 6.780,01 a R$20.340,00). Além disso, 84% dos estudantes marcou a seguinte afirmação no questionário: “não tenho renda e meus gastos são financiados pela minha família ou por outras pessoas”.
Brasil de Fato conversou com profissionais de saúde para entender os desafios resultantes desse perfil elitizado dos médicos formados no Brasil.
Na avaliação do professor Mário Scheffer, do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo (USP), o perfil corresponde à elitização do ensino superior como um todo. “Outros cursos muito concorridos apresentam perfis similares. O agravante é que a medicina é um curso muito caro, que pessoas de renda mais baixa não conseguem acessar via Fies [Financiamento Estudantil] ou Prouni [Programa Universidade para Todos] na mesma proporção dos outros por conta dos preços da mensalidade”, apontou.
O médico da família e supervisor do Programa Mais Médicos, Renato Penha, diz não se surpreender com os números. “É pouco comum encontrar pessoas que trabalham e fazem cursos de medicina ao mesmo tempo, porque a carga horária do curso é pesada, o que limita o acesso dos mais pobres. Outros perfis, como indígenas ou negros, mesmo com a política de cotas, são pouco comuns por conta da concorrência”, avaliou.
Scheffer faz a ressalva de que esse perfil de formandos, apesar de centralizar a medicina em um determinado extrato social, não é único responsável pela elitização da área. “Não podemos generalizar. Cerca de 75% dos médicos que se formam trabalham no Sistema Único de Saúde (SUS), que continua sendo o maior empregador de médicos do país. É óbvio que há médicos que trabalham apenas na estrutura privada, mas muitos se revezam nas duas estruturas”, ponderou.
Formação mercadológica
O tipo de formação oferecida nos cursos de Medicina brasileiros, no entanto, segue um viés técnico, voltado para o mercado, na qual as especialidades que dão mais dinheiro acabam sendo as escolhas principais dos formados. É o que avalia Joana Carvalho, médica da família no Rio de Janeiro e orientadora na especialização de Saúde da Família.
“O currículo médico hoje nas universidades tem pouco contato com a atenção primária à saúde, que é a estratégia de Saúde da Família. Os estudantes nem conhecem e têm um discurso do senso comum e dos próprios médicos de que a saúde pública é inferior, para pobres, que não têm condição de pagar serviço de saúde de qualidade. Isso precisa aparecer de uma forma mais presente na graduação dos médicos, para que os preconceitos desapareçam”, declarou.
TEXTO-MEIO
Penha acredita que é preciso também regular a influência que a iniciativa privada exerce na saúde pública. “O cerne é conseguirmos concretizar uma política pública de saúde de qualidade e regular o mercado. Para termos um sistema público e universal, precisamos de pessoas que trabalhem nele, que sejam voltados a ele. Hoje temos a formação na esfera pública, mas o discurso privado é muito forte, priorizando especializações que fogem da área social”, criticou.
Scheffer concorda que o currículo dos cursos deve estar referenciado na sociedade. “Vinte mil médicos são formados todo ano. Os cursos precisam formar profissionais com perfil adequado para a área social, para levar a lugares distantes onde não há médicos. E isso só vamos conseguir com políticas públicas de saúde, remuneração e valorização desses médicos”, afirmou.
Mais Médicos
O Programa Mais Médicos, além de levar médicos para áreas carentes e remotas, propõe medidas que pretendem mudar a lógica da formação de Medicina no país. Um alvo dessas mudanças são as diretrizes curriculares dos cursos de medicina, dando um foco maior à atenção primária e a abertura de novos cursos e vagas.
Renato acredita que as ações do Mais Médicos podem ser um começo para estruturar um sistema público eficiente. “Há dificuldades de estruturar nosso sistema público de saúde para que, além de formado nele, o profissional seja ativo nele. Por mais que façamos todas iniciativas possíveis e imagináveis, se não mudarmos isso, não vamos avançar”, aposta.
O programa tem como meta, de acordo com o ministério da Saúde, a criação de 11,5 mil novas vagas de graduação em medicina e 12,4 mil de residência médica, nas áreas prioritárias para o SUS até 2018.
Seguindo essas diretrizes, o Ministério da Educação (MEC) lançou edital no início de abril para abrir mais de 1.800 vagas em cursos de medicina, em universidades particulares de 22 cidades de oito estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Desta forma, prevê o edital, locais com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e que apresentam altas taxas de desigualdade social serão contemplados.
Scheffer aposta na mudança no currículo como meio para que mais profissionais pratiquem medicina social. “Fixar médicos em locais remotos é uma dificuldade em todos os países, não há uma formula para resolver o problema. Outros países já tentaram de tudo, como oferta de salários altos, contratação de médicos estrangeiros, bônus financeiro. Mas os países que tiveram maior sucesso foram os que mudaram a formação, para que os médicos se interessassem por esse perfil social da medicina”, apontou.
Para Joana, a medida é positiva. “A ação imediata de trazer os médicos é importante, mas a ação a longo prazo, que é formar mais médicos e mudar o tipo da especialização, tornando a residência obrigatória a todos estudantes, pode regular essa lógica de especializações que são feitas a partir dos interesses da categoria, sem levar em conta as necessidades da população”, conclui.
Interiorização
Para Scheffer, as vagas novas, por serem em universidades particulares, não vão democratizar o acesso aos cursos de medicina para os mais pobres, mantendo o mesmo perfil elitizado de estudantes na universidade. “A política de abertura de novos cursos e expansão de vagas em Medicina não dá sinais de que isso vá ser acompanhado de uma democratização do acesso, por afastar a maioria dos beneficiários do Fies e Prouni, por conta das mensalidades caras e do vestibular concorrido nas universidades públicas”.
O MEC informou, por meio de nota à reportagem, que o edital de chamada para abertura de novos cursos de Medicina buscou garantir critérios para que se tenha uma maior inclusão social, como a seleção dos municípios em regiões carentes. Para selecionar essas áreas, serão oferecidas pontuações extras, por exemplo, para aqueles que apresentarem um Plano de Ofertas de Bolsas para alunos com base em critérios socioeconômicos.
“O programa objetiva oportunizar às populações destes municípios a acessarem estas vagas, tanto pelo programa de bolsas que obrigatoriamente deverá ser ofertado pelas IES [Instituições de Ensino Superior] selecionadas, como considerando, complementarmente, os demais programas de financiamento e inclusão já existentes no MEC, como o Prouni [Programa Universidade Para Todos], o Fies [Financiamento Estudantil] e a política de cotas que deve ser obedecida nos termos da lei”, assinala a nota.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Foto do dia - hong kong em luto de branco

ihu
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/535489-fotos-do-dia-23-09-2014


Foto do dia

Em Hong Kong, milhares de estudantes vestidos de branco (sinal de luto na China) manifestam-se pela democracia. Iniciou-se, nesta segunda-feira, dia 22-09-2014, uma semana de novas greves e manifestações contra o autoritarismo do governo de Pequim, acusado de ter renegado o compromisso de 1997 de garantir à ex-colônia britânica um sistema plenamente democrático.
Foto: Lam Yik Fei/Getty Images
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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Apesar de avanços nos últimos anos, homofobia ainda é arraigada e violenta no Brasil

adital
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=82483

Apesar de avanços nos últimos anos, homofobia ainda é arraigada e violenta no Brasil

Natasha Pitts
Adital

No último dia 10 de setembro, foi encontrado em um terreno baldio, na cidade de Inhumas, Região Metropolitana de Goiânia (Estado de Goiás), o corpo de João Antônio Donati, jovem homossexual de 18 anos. O assassinato teria ocorrido com requintes de crueldade. Seu corpo foi encontrado com o pescoço e as duas pernas quebradas, a boca estava cheia de papel. Essa bola de papel conteria um recado homofóbico: "Vamos acabar com essa praga”. A polícia ainda está investigando se o caso é realmente um crime de ódio contra a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais).

Este caso trágico, que ganhou repercussão na mídia e nas redes sociais no Brasil esta semana, comprova que não está longe de ser raro o aparecimento de notícias envolvendo casos de homofobia. Alguns desses episódios terminam, inclusive, com o assassinato das vítimas. Outro exemplo disso aconteceu há poucos dias, em Curitiba, no Paraná, quando um jovem gay foi espancado por taxistas que o acusaram de assédio. No atual período eleitoral, o assunto tem extrapolado as organizações e movimentos LGBT e sendo explorado por alguns candidatos em busca de votos.
"Estamos vivendo um processo de fundamentalismo arraigado no Brasil. Avançamos em políticas públicas, mas a homofobia ainda é muito forte. O que aconteceu com o jovem de Goiânia é um retrato fiel do que a população LGBT sofre. Em nome desse fundamentalismo temos perdido muitas vítimas”, denuncia Marcelle Esteves, vice-presidente do grupo Arco-Íris, do Rio de Janeiro, e coordenadora de política nacional da Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL), em entrevista à Adital.
A ativista aponta que o atual governo, comandado pela presidente Dilma Rousseff (Partido dos Trabalhadores - PT), contribuiu com alguns pontos favoráveis relacionados à visibilidade e direitos civis LGBT, mas ainda é preciso avançar bastante.
"Hoje, mais do que nunca, ter um candidato comprometido com os direitos humanos é fundamental. Precisamos de um candidato que assuma a defesa não só dos direitos das pessoas LGBT, mas esteja também atento à questão do preconceito racial, entre outras causas; uma pessoa que assuma os direitos humanos como uma pauta fiel e respeite a vida”, destaca Marcelle.
Há poucos dias, a população brasileira acompanhou o "erro técnico” da candidata a presidenta pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) Marina Silva, que divulgou em suas propostas de campanha apoio à união de casais homoafetivos, mas, em apenas 24 horas, voltou atrás e sob pressão de grupos fundamentalistas amenizou o ponto em questão, defendendo que se comprometeria apenas em garantir os direitos oriundos da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Apesar das justificativas de "erro de diagramação”, a substituta de Eduardo Campos foi acusada de ceder às pressões de grupos evangélicos. Marina também é acusada de ter posições conservadoras por ser evangélica.
"O que aconteceu demonstra a força que o fundamentalismo tem. Política e religião não deveriam nunca estar atreladas, mas sabemos que isso acontece no Brasil e vimos isso no posicionamento de Marina. A candidata percebeu que a pauta LGBT poderia ser muito cara para ela e, assim, contatamos que não há comprometimento. Uma candidata que lança um programa de governo e, um dia depois, diz que se enganou não é séria e não vai governar para todos”, critica a ativista da Articulação Brasileira de Lésbica.
Para que a população conheça candidatos que assumem abertamente propostas voltadas para a defesa dos direitos civis de gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros, um movimento social suprapartidário criou o site colaborativo http://www.votelgbt.org/. A iniciativa tem como marco, justamente, a polêmica envolvendo Marina Silva. O site já catalogou mais de 100 candidatos de diferentes partidos.
"Queremos um país em que todo mundo tenha seus direitos garantidos e suas vidas respeitadas. Para isso, precisamos escolher políticos verdadeiramente comprometidos com os direitos humanos”, declara um dos textos publicados no site.
O suspeito de assassinar Donati, o lavrador Andrie Ferreira da Silva, de 20 anos, confessou o crime à polícias. Ele contou que manteve relação sexual com a vítima no mesmo terreno onde o corpo foi encontrado. Alegando não ser homossexual, Silva afirmou que a motivação para o crime não teria sido homofobia. Após a relação sexual, os dois teriam se desentendido e entrado em luta corporal. Em depoimento, o suspeito alegou ter usado apenas as próprias mãos para matar João, sem a utilização de nenhum objeto.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Humberto Teófilo, o suspeito esqueceu os documentos pessoais no local do crime, levando a polícia ao seu paradeiro. Silva foi detido em uma plantação de tomates, onde trabalhava, e não resistiu à prisão.De acordo com Humberto Teófilo, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a vítima lutou com o agressor antes de morrer. Donati morreu asfixiado e, ao contrário do foi informado inicialmente, não houve nenhuma fratura em seu corpo. O exame também apontou que a vítima foi encontrada com papéis de picolé e sacolas plásticas na boca, o que causou o sufocamento.O delegado falou ainda que não havia nenhum bilhete na boca dele com insinuações homofóbicas, como foi noticiado. "Não sei de onde tiraram isso.”

Natasha Pitts

Jornalista da Adital

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Presidente de associação rural e esposa são mortos após denuncia contra PMs e políticos do MT

amazônia
http://amazonia.org.br/2014/08/presidente-de-associa%C3%A7%C3%A3o-rural-e-esposa-s%C3%A3o-mortos-ap%C3%B3s-denuncia-contra-pms-e-pol%C3%ADticos-do-mt/

Presidente de associação rural e esposa são mortos após denuncia contra PMs e políticos do MT

O Presidente da Associação ASPRONU (Associação de Produtores Rurais Nova União), Josias Paulino de Castro, 54 anos, e sua esposa, Ireni da Silva Castro, 35 anos, foram assassinados neste sábado (16), no Distrito de Guariba, no Município de Colniza. Os corpos foram encontrados crivados de tiros de arma de fogo calibre 9mm, que é de uso restrito. “Será que eu vou ter que ser assassinado para que vocês acreditem e tomem providências”, havia dito a vítima na semana passada.
A execução revoltou moradores da região, já que todos sabiam que o casal, ainda neste mês de agosto, havia ido até Cuiabá realizar várias denúncias ao ouvidor Agrário Nacional, desembargador Gercino José da Silva. Segundo informações do site O Pantanal Online, ele teria denunciado alguns políticos da região, por extração ilegal de madeira. Também denunciou a Polícia Militar por irregularidades e órgãos do governo por emissão irregular de títulos definitivos das terras na região.
Por várias vezes, na reunião, Josias afirmou a existência de ‘pistoleiros’ na região e que nunca foram tomadas providências. “Estamos morrendo, somos ameaçados, o Governo de Mato Grosso é conivente, a PM de Guariba protege eles, o Governo Federal é omisso, será que eu vou ter que ser assassinado para que vocês acreditem e tomem providências”, disse Josias no dia 5 de Agosto.
Segundo informações da Polícia Civil de Colniza, os corpos foram encontrados crivados de tiros de arma de fogo 9mm, que é de uso restrito. “Os dois foram baleados na cabeça e Ireni ainda levou um tiro na mão”, disse um policial.
O delegado de Polícia Judiciária Civil, Marco Bortolotto Remuzzi, abriu inquérito e investiga o duplo homicídio. A polícia ainda não tem informações a respeito de quem tenha assassinado o casal.
Veja vídeo feito pelo site O Pantanal Online onde registra a reunião com autoridades em Cuiabá e toda a denúncia feita pelo presidente da associação.
Fonte: CPT

One Response to Presidente de associação rural e esposa são mortos após denuncia contra PMs e políticos do MT

  1. Só o nome FILINTO MULLER já desperta dúvida e ódio, não tenho certeza se é o mesmo (que entregou Olga Benário ao Nazismo ou o carrasco da ditadura militar).Portanto um nome a ser renegado, na audiência o representante (afonso) do estado MT, lava as mãos(pilatos), ataca o JOSIAS e pede respeito, se retira da audiência, porém fica na sala, mostrando prepotência e aí sim, desrespeitando o representante do GF, ficando em pé e passeando pelo ambiente e interrompendo o diálogo, exige respeito, porém não corresponde. Um lacaio a serviço da corte, e o resultado se repete na foto acima, PADRE JOSIMO,… CHICO,… DOROTY,…. E JOSIAS ATÉ QUANDO O PODER DA BALA FALARÁ MAIS ALTO??????