domingo, 31 de março de 2013

Horror no paraíso

avaaz
http://www.avaaz.org/po/maldives_global/?bbeXgab&v=23534

Caros amigos, 



Um tribunal nas Maldivas acabou de sentenciaruma sobrevivente de estupro a 100 chicotadas. Se ameaçarmos o turismo das Maldivas, a tão preciosa renda dos políticos do país, poderemos salvar essa menina e acabar com os açoitamentos públicos.Vamos criar um protesto de 1 milhão de vozes e, em seguida, colocaremos anúncios publicitários sobre o caso em revistas de viagens internacionais e websites:

Assine a petição
É difícil de acreditar, mas uma sobrevivente de estupro de 15 anos de idade, nas Maldivas, foi sentenciada a 100 chicotadas em público! Vamos dar um fim a essa loucura e atingir o governo no seu ponto mais sensível: a indústria do turismo. 

O padrasto da garota é acusado de matar o bebê que ela trazia em seu ventre. Agora, um tribunal afirmou que ela deve ser açoitada por "fazer sexo fora do casamento" com outro homem que nem mesmo foi identificado! O presidente das Maldivas, Waheed Hassan, já está sentindo a pressão de todos os cantos do mundo, mas podemos forçá-lo a salvar essa garota e mudar essa lei para poupar outras vítimas de um destino cruel.É assim que poderemos acabar com a Guerra contra as Mulheres: nos mobilizando todas as vezes em que algo revoltante assim acontecer. 

O turismo é uma grande fonte de renda para a elite das Maldivas, incluindo ministros do governo. Vamos construir uma petição com milhões de assinaturas para o presidente Waheed essa semana, e então ameaçar a reputação das ilhas Maldivas por meio de anúncios publicitários em revistas de viagens e em websites, até que ele dê um passo adiante para salvar essa garota e abolir essa lei revoltante. Assine e encaminhe esse email agora: 

http://www.avaaz.org/po/maldives_global/?bbeXgab&v=23534

As Maldivas são um paraíso para os turistas. Mas não é sempre assim para as mulheres de lá. Existem países com interpretações ainda mais duras da sharia, a lei islâmica, mas nas Maldivas as mulheres de todas as idades podem ser açoitadas em público se forem condenadas por sexo fora do casamento ou adultério. A "fornicação" antes do casamento é ilegal, mas apesar de sempre envolver um homem e uma mulher, 90% dos que são punidos são mulheres! E, ao mesmo tempo em que estatísticas vertiginosas afirmam que 1 a cada 3 mulheres entre 15 e 49 anos já sofreram agressões físicas ou abuso sexual, nenhum estuprador foi condenado nos últimos três anos. 

Vencer essa batalha pode ajudar as mulheres em todos os lugares do mundo, pois o governo das Maldivas está, nesse exato momento, concorrendo a um cargo de direitos humanos na ONU em uma plataforma sobre os direitos das mulheres! As Maldivas estão no caminho para construir a democracia e querem ser um 'modelo de democracia islâmica'. O presidente já pediu ao Procurador-Geral para apelar da sentença no caso da jovem de 15 anos. Mas isso não é suficiente. Os extremistas do país forçarão o presidente a abandonar outras reformas se a atenção da comunidade internacional se dissipar. Vamos dizer às Maldivas que o país está prestes a perder a reputação de destino turístico romântico, a menos que tomem medidas rápidas para assegurar os direitos humanos universais e os direitos das mulheres. 

Se uma quantidade suficiente de nós levantarmos nossas vozes, poderemos fazer com que o presidente Waheed e seus parlamentares se oponham aos extremistas. O presidente já tem sofrido pressão por medidas concretas em torno dessa história vergonhosa e trágica -- vamos aproveitar esse momento para prevenir mais injustiças contra as jovens garotas e mulheres. Assine a petição e, em seguida, envie esse email para todos: 

http://www.avaaz.org/po/maldives_global/?bbeXgab&v=23534

Quando certos casos extremos chamam a atenção da opinião pública global é super importante nos pronunciarmos, não importa se trata-se dos EUA, da Índia ou das Maldivas. Os membros da Avaaz já lutaram muitas batalhas se opondo à guerra global contra as mulheres. No Afeganistão, ajudamos a proteger jovens mulheres que corajosamente se pronunciaram em público contra o estupro; em Honduras, lutamos com mulheres locais contra uma lei que colocaria mulheres na cadeia pelo uso da pílula do dia seguinte. Agora chegou o momento de apoiarmos as mulheres das Maldivas.

Com esperança e determinação,

Jeremy, Mary, Alex, Nick, Ricken, Laura, Michelle e toda a equipe da Avaaz

Mais informações:

Garota estuprada nas Maldivas é condenada a 100 chibatadas (BBC)
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/02/130226_maldivas_estupro_chibatadas_ol_cc.shtml 

Maldives government to appeal flogging of rape victim (Dawn, Pakistan) (em inglês)
http://dawn.com/2013/03/01/maldives-government-to-appeal-flogging-of-rape-victim/ 

Rape victims punished, failed by Maldives justice system (Minivan news, Maldives) (em inglês)
http://minivannews.com/society/raped-victims-punished-failed-by-law-in-the-maldives-53760 

Judicial statistics show 90 percent of those convicted for fornication are female (Minivan news, Maldives) (em inglês)
http://minivannews.com/politics/judicial-statistics-show-90-percent-of-those-convicted-for-fornication-are-female-44605 

O que acontece no Chipre e por quê?

carta maior
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21798


O que acontece no Chipre e por quê?

Mais uma vez a Troika atua com falta de inteligência e imprudência imperdoáveis. Irá carregar por muitos anos o sistema bancário cipriota, ao tentar reviver um morto que não poderá levantar a cabeça. Empobrece-se por décadas uma população, enquanto o modelo de paraíso fiscal permanece lá, intacto. Por Juan Torres López, do Rebelión

A grande maioria das pessoas se espantou quando ficou conhecido que a Troika (Comissão Europeia, Banco Cental Europeu e o FMI) acabara de ceder um empréstimo ao Chipre com a condição de privatizar serviços públicos e diminuir gastos e de estabelecer um imposto de 9,9% (como se fosse oferta de um supermercado) para depósitos acima de 100 mil euros e de 6,75% para os menores. 

Quando os cipriotas saíram correndo para os caixas eletrônicos para tirar seu dinheiro, viram-se impedidos de sacar a quantidade correspondente a este imposto, assim se estabeleceu um cerco de pura apreensão. E, como sempre acontecem essas coisas, sem que haja qualquer deliberação por parte do parlamento, que é onde se supõe estar funcionando a soberania popular que julga as grandes decisões nas sociedades que se chamam democráticas. 

O Chipre é uma das menores economias da União Europeia (seus depósitos bancários representam mais ou menos 0,2% do todo) e é um país pouco conhecido pelos europeus, exceto por sua tradicional oferta turística. Mas agora convém saber algo mais sobre este país, porque o que lhe ocorre hoje pode acontecer em pouco tempo com as maiores economias da Europa.

Uma brevíssima história
Chipre manteve desde os anos noventa uma economia modesta e relativamente saudável graças ao turismo. Contudo, entre 2001 e 2008 seu PIB cresceu uma média de 3,7%, bem maior que a da maioria dos países da Europa, enquanto sua dívida mantinha-se baixa, sem sequer alcançar, quando se estalou a crise, os 60% exigidos pela UE.

Mas a partir de 2010-2011 as coisas se complicaram para governo cipriota, as agências de risco rebaixaram a nota do Chipre e em 26 de junho de 2012 o governo solicitou formalmente ajuda à UE. O que tinha passado nestes anos de crescimento e as razões da queda são muito parecidas com o que ocorreu noutros lugares da Europa.

O Chipre entrou para o bloco do euro em 2007, mas tinha já vinculado sua moeda com o euro desde antes. Isso permitiu ao país ter juros baixos, ao mesmo tempo em que oferecia impostos vantajosos (na realidade, comportava-se como um autêntico paraíso fiscal). Registrou, assim, grandes entradas de capital que permitiram seu grande crescimento. Muitas destas entradas (algumas estimativas dizem entre 30 e 40% do total de depósitos) são provenientes dos oligarcas russos que lavavam seu dinheiro no país, do Reino Unido e inclusive (quando a crise eclodiu) da Grécia.

Os bancos canalizaram a entrada desta grande quantidade de liquidez e a puseram, em sua maior parte, no financiamento de uma bolha imobiliária muito parecida com a da Espanha. A partir de 2008-2009 compraram grandes volumes da dívida grega, muito rentável pela pressão que os mercados exerciam sobre o país heleno (os bancos cipriotas dedicaram ao país o equivalente a 25% do PIB do Chipre).

Os economistas neoliberais, e entre eles as autoridades europeias, consideraram nos anos de bonança que um setor bancário superdesenvolvido e impostos bastante reduzidos eram uma grande virtude da economia cipriota (o mesmo que diziam da Irlanda). A realidade se encarregou de pôr tal sabedoria em seu devido lugar: quando em 2011 realizou-se uma revisão da dívida grega (como será inevitável que aconteça noutros países), os bancos do Chipre quebraram. E os baixos impostos traduziram-se em um maior incremento da dívida e em quase nula a capacidade de manobra quando a dinâmica se viu travada e os gastos públicos tiveram de elevar-se (entre outras coisas, porque o desemprego disparou).

Em meio tudo isso, não se pode esquecer que também tiveram (assim como em outros países europeus e também na Espanha) um banco central dirigido por cúmplices dos banqueiros que nada disseram quando o desastre ainda estava em germe.

A intervenção 
Agora, com já ocorreu noutros países, os bancos quebrados levam consigo todo o resto da economia. É normal. Já dissemos muitas vezes: o financiamento é como o sangue da economia e, sem ele, a atividade econômica morre sem remédio. É verdade que deixar os bancos caírem sem alternativa de financiamento é suicida, mas não é menos suicida viver como zumbis que engolem todos os recursos que os dão.

Logo depois das mudanças, ganhou as eleições e entrou no governo o protegido da Merkel. A sorte estava lançada. Ainda que desta vez a Troika tenha ido mais além do que se esperava porque tomou uma decisão que se vende de nova, o castigo exemplar aos esbanjadores (agora na forma de mafiosos russos), mas que pode fazer com que o sistema bancário europeu exploda.

Resgatar um sistema morto, como o cipriota, significa mais ou menos duplicar a dívida pública do Estado (quase 150% do PIB). O empréstimo que dão ao Chipre, e que irá diretamente aos bancos, será de 10 bilhões de euros. Pouco para a União Europeia (lembremos que só a França e Alemanha gastaram oitenta vezes mais para resgatar seus bancos), mas é muito para o Chipre: quase metade de seu PIB.

O que equivale a dizer que será materialmente impossível que se possa pagar e muito menos possível com o plano de austeridade que aqui também se impõe. Terão de haver novos acordos mais adiante e, enquanto isso, cresce a miséria em um país que até agora tenta seguir adiante (ainda que, desde antes, poderia ter saído muito melhor se a UE não fosse cúmplice dos paraísos fiscais e não se tivesse firmado este modelo de financeirização neoliberal insustentável).

Mas isto, no caso do Chipre, não é tudo. Com a apreensão, tomada, de uma parte dos depósitos bancários, a UE revoga suas próprias normas e abre a torneira para que as pessoas acabem por retirar o quanto antes seu dinheiro dos bancos. Não só no Chipre, onde isto já está acontecendo, mas também em outros países. Veremos se não é agora que o paradoxo se expressará: de que tenha sido a própria Troika quem vai afundar também os bancos ao provocar que os contistas saquem seu dinheiro, já não mais somente por indignação, mas pela desconfiança que ela, Troika, mesma, provocou.

Claro que isto não será um desastre para todos. Já há muitos sites especializados que aconselham que os investidores europeus levem seu dinheiro para bancos na Alemanha, Holanda, Finlândia ou Luxemburgo. Seus bancos terão problemas.

Mais uma vez a Troika atua com falta de inteligência e imprudência imperdoáveis. Vão carregar por muitos anos o sistema bancário cipriota, ao tentar reviver um morto que não poderá levantar a cabeça. Afunda-se uma economia ao deixá-la sem financiamento, muito mais endividada que antes e sem recursos para pôr em marcha a atividade econômica. Empobrece-se por décadas uma população. O tanto que se diz atuar contra o dinheiro sujo dos russos, mas não se faz nada para acabar com os paraísos fiscais. É aí, neste desastre, que estão em germe as bases para que grandes grupos empresariais possam se fazer com a riqueza dos cipriotas, seus recursos naturais e serviços públicos.

Até quando?

Tradução: Caio Sarack

Marcha ‘apresenta’ o Fórum à tensão política da Tunísia

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http://www.ihu.unisinos.br/noticias/518818-marcha-apresenta-o-forum-a-tensao-politica-da-tunisia-


Marcha ‘apresenta’ o Fórum à tensão política da Tunísia

Diante das tensões após assassinato de líder opositor, a tradicional marcha de abertura do Fórum Social Mundial da Tunísia foi amparada por militares fortemente armados. Ato de abertura teve discursos feitos exclusivamente por mulheres de movimentos africanos e de outros cantos do globo, inclusive de América Latina e EUA. O comentário é de Flávio Aguiar em artigo publicado por Carta Maior, 27-03-2013.

Eis o artigo
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Na terça-feira, 26, foi o dia da marcha que tradicionalmente abre as edições do Fórum Social Mundial. A concentração inicial deu-se na Praça 14 de janeiro, no começo (ou no fim?) da Avenida Habib Bourguiba, a principal da cidade, cheia de turistas, cafés, restaurantes, lojas, hotéis e agora... de gente do Fórum, com seus crachás e bolsas alusivas, dadas aos participantes pela organização.

Mas a primeira coisa que chamava a atenção – vejam só – era a imponente presença policial e militar. Arames farpados pós-modernos (daqueles que não só pinçam a roupa, mas também rasgam a carne) isolavam partes da avenida, por onde não se podia atravessar. Um destacamento de veículos de transporte estava postado ao lado da praça. Tentei filmá-lo, mas fui impedido por um diligente policial. A seguir uma legião de veículos blindados, brucutus e cascavéis (seriam brasileiros?), desfilou pela avenida, por um lado, até a praça, e voltando pelo outro, até o fim (ou começo) da avenida, onde há um quartel ou ninho deles. Policiais e militares armados até os dentes e os pentes (das metralhadoras) davam o ar da sua graça de vez em quando.

É claro: desde o assassinato de Chokri Belaïd, líder da oposição laica e de esquerda ao partido islâmico Ennahda, majoritário no governo, a Tunísia vive uma nova rodada de tensões. O então governo caiu e formou-se um novo (com os mesmos componentes partidários). O crime ainda não foi esclarecido, mas provocou um trauma profundo no país, uma vez que desde o regime colonial não se registravam assassinatos políticos, apesar da repressão, por exemplo, do governo de Zine ben Abidine Ben Ali, deposto há dois anos.

Mas ficava a dúvida: estaria aquele aparato todo em função de proteger o Fórum ou de fazer uma “demonstração” de força, antes da abertura? Oh! Dúvida cruel... A  concentração e a marcha decorreram dentro do clima normal dos Fóruns. Muita gente, muita música, muito canto, muita dispersão também. Uma novidade: a marcha foi longuíssima, alguns vários quilômetros, da praça 14 de janeiro (assim batizada em comemoração à queda de Ben Ali) até o estádio de Menzah. No caminho, ela atravessou alguns dos bairros ricos da cidade, provocando uma visível irritação nos motoristas detidos por sua longa e também quilométrica passagem.

No estádio, sucederam-se os discursos de praxe. De praxe? Nem tanto. Porque foram feitos exclusivamente por mulheres de movimentos africanos e de outros cantos do globo, inclusive da América Latina e dos Estados Unidos. Essa presença vigorosa das mulheres confirmava a da marcha, onde muitos dos movimentos, evoluções e palavras de ordens vinham de seus movimentos. Impressionou-me sobretudo o discurso da representante do Mali, denunciando o desemprego em sua terra como propulsor da adesão de jovens à perspectiva de um terrorismo feito tanto de violência como de desespero, e que a guerra do Mali, com a presença das tropas francesas tem menos a ver com liberdade do que com ambição pelos recursos minerais do deserto.

Depois da longa marcha e dos discursos, algo longos também, um show de Gilberto Gil encerrou (ou abriu) à noite, alias, já bastante fria.

Quarta-feira, 27, foi o primeiro dia de Fórum propriamente dito, privilegiando a discussão de temas ligados à situação do mundo árabe, suas primaveras, conquistas e contradições. Impossível acompanhar tudo. Mas ficou evidente a preocupação de preservar a conquista de liberdade de expressão, conquistada duramente com a queda de Ben Ali, por parte de estudantes, jornalistas e militantes, que a sentem agora ameaçada pelo governo, que consideram conservador e apoiado por grupos violentos que querem impor a Sharia – a lei baseada numa visão restritiva do Corão – como padrão legal e de comportamento no país. “Sou muçulmano(a) e quero a Tunísia para todos e todas”, foi a frase que mais ouvi no campus da Universidade de El Manar. 

Curiosamente, foi a frase que também ouvi do chofer de táxi que nos conduziu ao hotel depois do show na noite anterior que estava, visivelmente, decepcionado com os desdobramentos da queda de Ben Ali. Daria até para dizer que, potencialmente, ele era um saudosista do ancién régime, embora não se declarasse abertamente como tal. Dizia-se um muçulmano aberto, que tinha amigos judeus, e que não gostava do que ele chamava de “novos muçulmanos”, que estavam tentando impor um padrão único de comportamento no país.

Curioso. A ver. Nesta quinta-feira (28) o governo tunisiano oferece um coquetel de recepção às delegações de jornalistas no Hotel Afrique. Pretendo conferir.

PEC das Domésticas. Argumento de demissão em massa é hipocrisia, afirma CUT

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http://www.ihu.unisinos.br/noticias/518820-pec-das-domesticas-argumento-de-demissao-em-massa-e-hipocrisia-afirma-cut


PEC das Domésticas. Argumento de demissão em massa é hipocrisia, afirma CUT

“Esse discurso volta sempre que tentamos avançar em direitos. Mas quando houve redução da jornada para 44 horas semanais não houve demissões, mas sim contratação (...) Precisamos mostrar à população que falamos em dignidade, em acabar com o trabalho escravo numa categoria que não tinha direitos reconhecidos, de trabalhadoras 24 horas à disposição do patrão”, afirma Rosane Silva, secretária da MulherTrabalhadora da CUT. Sobre a aprovação da PEC das domésticas.

A reportagem é de Luiz Carvalho e publicada pelo portal da CUT, 27-03-2013.

O Senado aprovou nessa terça-feira (26), por unanimidade, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 478/10, conhecida como PEC das Domésticas, que estende às trabalhadoras os mesmos direitos garantidos às demais categorias.

A medida, que agora aguarda apenas a promulgação no Congresso, beneficia cerca de 7 milhões de domésticas, setor formado por 90% de mulheres, 75% sem carteira assinada.

Além da obrigatoriedade de pagamento nunca inferior ao mínimo, 13º Salário e repouso semanal remunerado, a PECgarantirá a partir do dia 2 de abril avanços fundamentais como a jornada de trabalho de oito horas diárias e 44 semanais e hora extra de ao menos 50%. Outras conquistas como a proteção contra demissão sem justa causa, seguro-desemprego e salário família dependem de regulamentação.

Secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane Silva, destaca a simbologia de o Brasil avançar pela ampliação de direitos dos trabalhadores e enaltece a mobilização da CUT, da Confederação dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs) e da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad). Além da atuação do governo federal, que entendeu a importância da proposta.

“Essa vitória é fruto da mobilização desses atores sociais e demonstra que podemos construir uma relação mais justa entre patrões e empregados, se houver pressão e compromisso do governo em acabar com a desigualdade, especialmente numa categoria formada essencialmente por mulheres negras”, disse.

A dirigente rebate ainda o discurso que a velha mídia trouxe hoje sobre um cenário de demissão em massa para a categoria.

“Esse discurso volta sempre que tentamos avançar em direitos. Mas quando houve redução da jornada para 44 horas semanais não houve demissões, mas sim contratação. Quando conquistamos a multa de 40% do FGTS para casos de demissão sem justa causa, não vimos desemprego em massa. Precisamos mostrar à população que falamos em dignidade, em acabar com o trabalho escravo numa categoria que não tinha direitos reconhecidos, de trabalhadoras 24 horas à disposição do patrão.”

Presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), Creuza Oliveira, acompanhou a votação no Senado e acredita que o próximo passo é fazer com que a lei seja colocada em prática.

“Precisamos manter a luta para que as patroas respeitem nossos direitos. A organização e a luta pela conscientização continuam”, disse.

Presidente da Contracs, Alci Araújo, também acredita que o trabalho para garantir dignidade às trabalhadoras domésticas não acabou.

“A aprovação desta PEC é resultado de muita luta do movimento sindical das trabalhadoras domésticas, que buscaram a justiça social. Mas agora se inicia uma dura jornada na busca da efetivação e fiscalização da aplicação da lei.”
Mesmo após a aprovação da proposta, as trabalhadoras domésticas mantém outras frentes de luta. A principal delas é a pressão pela ratificação da convenção 189  e a Recomendação 201 da Organização Internacional do Trabalho  que tratam da extensão à categoria de todos os direitos garantidos aos demais trabalhadores pela legislação de cada país.

quinta-feira, 28 de março de 2013

MANIFESTO DE SOLIDARIEDADE E APOIO

MANIFESTO DE SOLIDARIEDADE E APOIO


É normal os jovens contemporâneos possuírem blog. São meios alternativos de comunicação que chega no absoluto direito da liberdade de expressão. São assuntos variados, temáticos, pessoais ou de cidadania. O blog “Alto Taquari em Pauta” é um destes blog de jovens comprometidos com o bem-estar e qualidade de vida, de um jornalismo que deveria ser incentivado por qualquer professor universitário, já que revela profissionalismo.

É dever de cidadania fazer qualquer denúncia de situações que violam a saúde e o bem-estar da sociedade. No caso específico do terreno baldio, a mídia veicula que os grandes focos de dengue, ratos e insetos são veículos de doenças depositados em tais locais. É fato também que os terrenos baldios, galpões abandonados ou espaços descuidados sempre agregam violências, em especial ao perímetro mais urbanizado.

Contudo, quando a denúncia fere a hegemonia estabelecida, a repressão chega de qualquer maneira em forma de ameaça de morte dando pistas claras da patologia da sociedade. Qualquer forma de ameaça deve ser totalmente combatida e repudiada e amplamente denunciada para que os blogueiros sejam protegidos em sua cidadania. Por isso, o Fórum de Direitos Humanos e da Terra (FDHT) manifesta-se em solidariedade ao blog, ao blogueiro e ao seu conteúdo, afirmando o direito de prestar um serviço à própria sociedade.

Fórum de Direitos Humanos e da Terra, FDHT-MT
Cuiabá: 27 de março de 2013.

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O autor do blog que conta com o apoio do FDHT, APARECIDO MARDEN:
Sou estudante do 6° semestre de jornalismo, pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). Criei um blog para me exercitar e torna-lo ferramenta de serviço e no dia 20 de fevereiro de 2013, após publicar uma denúncia a respeito de um barracão utilizado como deposito e que está preocupando os vizinhos quanto a higiene e segurança do local, ás 22 horas da noite do dia da publicação meu irmão recebeu uma ligação do proprietário da empresa de depósito, após dizer muitas coisas concluiu:  " avise seu irmão que quem fala demais amanhece com a boca cheio de formigas". Meu irmão preocupado com a ligação me orientou a ir na delegacia, onde registrei o Boletim de Ocorrência e por se tratar de ameaça, sai com a data da audiência com o Juiz marcada para o dia 03 de abril.
Apenas faço o que aprendo na sala de aula, informo com responsabilidade.



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o BLOG:

GALPÃO UTILIZADO COMO POSTO DE RECICLAGEM PREOCUPA MORADORES QUANTO A SEGURANÇA E HIGIENE DO LOCAL


FOTO: ALTO TAQUARI EM PAUTA
 Após várias sugestões de pautas indicando o galpão situado á Rua Pedro Barbosa, s/n°,  aqui estamos para solicitar aos órgãos responsáveis providências quanto ao uso do mesmo para depósito de recicláveis.



O galpão está localizado no centro de Alto Taquari e visivelmente não foi construído para tal uso, o acúmulo de materiais recicláveis como papelão, plásticos, vidros podem tornar  o lugar um viveiro de ratos, animais peçonhentos e, com esse  tempo chuvoso se não tiver manutenção no local,possivelmente encontraremos ali larvas do mosquito da dengue.


Não apenas o galpão serve para depósito como também o imenso terreno onde o mesmo se encontranesse imenso pátio, ficam exposto ferragens, latas, carrocerias enfim, um cemitério de latas velhas deixando a indignação da população, quanto a sujeira no centro da cidade.


Outra reclamação de alguns dos vizinhos do galpão é a falta de segurança para quem precisa descer aquela rua a noite, uma vez que o barracão posa com suas portas abertas, e como não há luz no prédio, deixa inseguro todos que ali passam, pois não se sabe o que pode sair de dentro daquele lugar.


“Não queremos que o mesmo seja fechado, apenas que seja tomada as providências necessárias para tal uso, alvará de funcionamento, alvará do corpo de bombeiros, enfim uma resposta da vigilância sanitária quanto ao uso do mesmo  como deposito estando no centro da cidade” conclui a moradora e vizinha do galpão Taiz Alexandre.

O texto acima por se tratar de uma reclamação depopulares,  dá direito de resposta ao  proprietário ou responsável.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Documentário mostra ação dos EUA no golpe militar no Brasil, em 1964

zero hora
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/segundo-caderno/noticia/2013/03/documentario-mostra-acao-dos-eua-no-golpe-militar-no-brasil-em-1964-4087761.html


Documentário mostra ação dos EUA no golpe militar no Brasil, em 1964

"O Dia que Durou 21 Anos", de Camilo Tavares, é mais uma abordagem de extrema relevância sobre o tema

Documentário mostra ação dos EUA no golpe militar no Brasil, em 1964 Pequi Filmes/Divulgação
Documentário "O Dia que Durou 21 Anos" estreia nesta sexta-feira em Porto AlegreFoto: Pequi Filmes / Divulgação
O acidentado caminho da democracia brasileira tem um Dia D peculiar, iniciado em 31 e março e encerrado em 1º de abril, justo no dia dos bobos.
O golpe militar de 1964, que derrubou o presidente João Goulart e colocou o Brasil sob a ditadura militar, ganha no documentário O Dia que Durou 21 Anos mais uma abordagem de extrema relevância, entre as tantas que o cinema brasileiro tem apresentado nos últimos anos sobre o tema.
Em cartaz a partir de sexta-feira em Porto Alegre, o filme de Camilo Tavares faz um recorte até aqui inédito sobre os anos de chumbo no Brasil: a ação direta do governo dos EUA para tirar Jango do poder, interferência sabida mas que agora Camilo comprova com documentos e gravações então inéditas garimpadas, sobretudo, em arquivos de Washington.
Uma gravação, por exemplo, traz uma conversa de 1962 entre o presidente John F. Kennedy e seu embaixador no Brasil, Lincoln Gordon, em que manifestam a preocupação com o que julgam ser uma inclinação de Jango à esquerda e falam em apoiar militares brasileiros insatisfeitos de forma "discreta" e que os EUA não seriam hostis a uma ação para impedir a "entrega do país aos comunistas".
Começa a se articular ali, no calor da Guerra Fria e diante do temor americano de que o "barbudo" Fidel Castro espalhasse sua revolução pela América Latina, o processo que culminaria no golpe de 1964, tratado, pelos golpistas, como "revolução democrática". A estratégia envolveu a criação de entidades de fachada para ações de propaganda contra as reformas sociais e tributárias propostas por Jango e também para financiar políticos alinhados na defesa de interesses econômicos americanos no Brasil. Ao país foi enviado, como adido militar, o coronel Vernon Walters, que tinha vínculo com os generais brasileiros desde a II Guerra.
O Dia que Durou 21 Anos também comprova com documentos a existência da Operação Brother Sam, força naval americana deslocada para Santos (SP) – reforçada por um porta-aviões – que ficou em prontidão para entrar em campo caso houvesse resistência ao golpe de 1964.
Filho do jornalista e ex-preso político exilado Flávio Tavares – que assina a produção do longa –, Camilo faz de O Dia que Durou 21 Anosuma das mais importantes peças do mosaico que o cinema documental brasileiro ergue sobre a ditadura – que já abordou, entre outros temas, o trabalho conjunto dos governos militares de países do Cone Sul na caça aos opositores (em Condor) e o financiamento de empresários graúdos aos órgãos de repressão (em Cidadão Boilesen).
O trabalho conjunto de pai e filho é primoroso no rigor histórico e jornalístico com que preenchem mais essa lacuna na memória do país, missão na qual não poderiam deixar de ouvir – entrevistados pelo próprio Flávio – militares protagonistas do golpe que seguem convictos de que agiram pelo bem do Brasil.

MST recebe homenagem da prefeitura de Guernica, no País Basco, pela luta por Reforma Agrária

diário liberdade
http://www.diarioliberdade.org/brasil/institucional/36970-mst-recebe-homenagem-da-prefeitura-de-guernica,-no-pa%C3%ADs-basco,-pela-luta-por-reforma-agr%C3%A1ria.html#.UVLQ_q8V8C4.facebook



MST recebe homenagem da prefeitura de Guernica, no País Basco, pela luta por Reforma Agrária




270313 guernicaBrasil - MST - O MST receberá o Premio Paz e Reconciliação 2013 da prefeitura de Guernica, do Pais Basco, em uma cerimônia de premiação em 26 de abril.

O MST será homenageado por organizar agricultores que não têm terra para a luta pela Reforma Agrária.
"Há atualmente mais de 1.500 assentamentos legalizados, que reúne 350 mil famílias em um total de 5 milhões de hectares", disse o prefeito local, José María Gorroño.
A decisão foi tomada pelo júri composto por representantes políticos de Gernika-Lumo, o prefeito da cidade alemã de Pforzheim, Gernika Gogoratuz, a Fundação Casa da Cultura e Museu da Paz.
A atividade acontecerá durante os atos do aniversário de 76 anos do bombardeio de Guernica.
O Bombardeio de Guernica, que aconteceu em 26 de abril de 1937, foi um ataque aéreo por aviões alemães da Legião Condor durante a Guerra Civil Espanhola no País Basco. Milhares de pessoas morreram.
O painel Guernica, pintado por Pablo Picasso em 1937, é normalmente tratado como representativa do bombardeio sofrido pela cidade de Guernica.

Governo federal monta nova operação de guerra contra o povo Munduruku

br de fato
http://www.brasildefato.com.br/node/12463


Governo federal monta nova operação de guerra contra o povo Munduruku

De acordo com o Cimi, "em plena Semana Santa, Cristo segue seu calvário e é crucificado junto com os Munduruku"; na foto, Adenilson Kirixi assassinado pela PF em novembro
27/03/2013


Depois de sofrer ataque da Polícia Federal em novembro de 2012, durante a Operação Eldorado, que resultou no assassinato do indígena Adenilson Kirixi e na destruição da aldeia Teles Pires, o povo Munduruku, que vive na divisa do Pará com o Mato Grosso, está prestes a sofrer mais um violento ataque policial e militar. De acordo com informações de observadores locais, cerca de 250 homens fortemente armados estão posicionados em Itaituba (PA) para a realização da agora denominada Operação Tapajós.
Após receber sinal verde da presidenta Dilma Rousseff, um contingente com agentes da PF, Força Nacional, Polícia Rodoviária Federal e Força Aérea foi deslocado para as proximidades da Terra Indígena Munduruku com o objetivo de realizar - à força - o estudo integrado de impactos ambientais para a construção do chamado Complexo Hidrelétrico do Tapajós.
Há alguns anos o povo Munduruku vem se posicionando firmemente contra qualquer empreendimento envolvendo o referido Complexo Hidrelétrico em suas terras já demarcadas ou tradicionalmente ocupadas. Os procuradores da República que denunciaram à Justiça Federal de Santarém a flagrante ilegalidade da Operação Tapajós são os mesmos que investigam os danos da Operação Eldorado; dizem temer por uma repetição do deplorável episódio. Afirmam os procuradores que o clima é de tensão.    
Entre os dias 18 e 23 de fevereiro, 20 lideranças Munduruku estiveram em Brasília para cobrar reparações dos danos causados pela Operação Eldorado e, apesar da insistência do governo, se negaram a discutir a construção de usinas hidrelétricas. Na ocasião, o ministro Gilberto Carvalho afirmou que a negativa dos indígenas era ruim para o governo, mas ficaria ruim também para eles, Munduruku. No dia 12 de março, a presidenta Dilma Rousseff baixou o decreto nº 7.957 – que cria o Gabinete Permanente de Gestão Integrada para a Proteção do Meio Ambiente, regulamenta a atuação das Forças Armadas na proteção ambiental e altera o Decreto nº 5.289, de 29 de novembro de 2004.
Com esse decreto, “de caráter preventivo ou repressivo”, foi criada a Companhia de Operações Ambientais da Força Nacional de Segurança Pública, tendo como uma de suas atribuições “prestar auxílio à realização de levantamentos e laudos técnicos sobre impactos ambientais negativos”. Na prática isso significa a criação de instrumento estatal para reprimir toda e qualquer ação de comunidades tradicionais, povos indígenas e outros segmentos populacionais que se posicionem contra empreendimentos que impactem seus territórios.
Com essas medidas, o governo federal demonstra claramente que não está disposto a ouvir as populações afetadas pelos grandes projetos, a exemplo das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Substitui os instrumentos legais de escuta às comunidades - como a consulta prévia assegurada pela Convenção 169 da OIT - pela força repressora do Estado e transforma os conflitos socioambientais em casos de intervenção militar. Dessa forma, os direitos dos povos passam a ser tratados como crimes contra a ”ordem pública”, caminhando para um Estado de Exceção.
Essas ações do governo brasileiro confirmam a tese apresentada pelo sociólogo Boaventura de Sousa Santos quando afirma que atualmente vivemos em sociedades politicamente democráticas, mas socialmente fascistas, onde toda dissidência é criminalizada.
Em plena Semana Santa, Cristo segue seu calvário e é crucificado junto com os Munduruku e os demais povos indígenas no Brasil.  

Conselho Indigenista Missionário – Cimi

Brasília, 27 de março de 2013   

Quatro crianças morreram em surto de desidratação em Marãiwatsédé

cimi
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Quatro crianças morreram em surto de desidratação em Marãiwatsédé

Inserido por: Administrador em 26/03/2013.
Fonte da notícia: Ruy Sposati / Assessoria de Comunicação do Cimi
Crianças do Povo Xavante. Foto: Marcy Picanço / Arquivo Cimi
Quatro crianças faleceram de diarreia e vômito na terra indígena Xavante de Marãiwatsédé, nos municípios de Alto Boa Vista, Bom Jesus do Araguaia e São Félix do Araguaia, nordeste do Mato Grosso. Para os indígenas, a água dos córregos utilizada pela comunidade pode estar contaminada em função do uso constante de agrotóxicos nas fazendas do entorno da área. Os casos ocorreram dois meses após a desintrusão do território Xavante, um em janeiro e três em março.

As quatro crianças - todas netas do cacique Damião Paridzané – apresentavam quadro agudo de desidratação, em função da diarreia e vômito. A última a falecer, no domingo, 24, uma menina de um ano, teve por quase um mês diarreia com sangue, vômito e febre. "Ela foi internada na aldeia. Fazia três semanas que tava ruim. Foi no hospital antes, aí ficou, melhorou um pouco e voltou. Aí continuou a diarreia e sangue, e não aguentou, morreu", relata o indígena Wanderley Daduwari.

Outra menina de um ano, morta no dia 18 de março, ficou uma semana internada no hospital. "Levou e cinco dias depois deram alta. Retornou para a aldeia. Um dia depois, continuou a doença, vômito e diarreia", relata o indígena Alcione Xavante. "A gente levou ela de volta ao posto de saúde em Bom Jesus de Araguaia, ficou internada um dia. Lá ela desmaiou então tinha que levar no hospital. Aí no dia 17, na madrugada de domingo pra segunda, levamos no hospital na outra cidade [Alto Boa Vista]. Esperou três horas pra atender, ficou sem lençol. aí internou mas ela não aguentou e morreu". As outras duas crianças, de um e três anos, morreram em circunstâncias similares.

Para Alcione, a comunidade está vivendo um surto de desidratação. "As crianças estão tendo ainda [desidratação]. A maioria é criança. Tem umas 30 crianças assim agora lá", afirma. Para ele, o uso recorrente de pesticidas pode ter contaminado os lençóis freáticos e os córregos utilizados pela comunidade para beber, banhar e cozinhar.

Agrotóxicos

Wanderley afirma que o uso de agrotóxicos nas fazendas vizinhas a Marãiwatsédé impactam diretamente na saúde da comunidade. "Tem fazenda na divisa da terra indígena, a 10 quilômetros da aldeia, que usa agrotóxico. Tem outra a 13 quilômetros, e outra a 30, todas usam veneno sempre. Aí a gente começa a ter febre, gripe, dor de cabeça, dor de geral. A gente respira isso, bebe isso, aí passa mal", explica Wanderley.

Alcione acredita também que resquícios do uso de veneno no período em que o território estava ocupado por fazendas também sejam responsáveis pelas doenças e mortes. "Mas não dá pra saber ao certo. Tem que fazer análise dessa água. Porque essa água já foi poluída pelo veneno. Então tem que analisar", diz.

"A situação é muito triste", diz Alcione. "Tá faltando muita medicação lá no posto. O médico pede mas a Sesai [Secretaria Especial de Saúde Indígena] não entrega. O posto não tem energia elétrica, falta medicamento. Só tem um carro, se duas pessoas estiverem com emergência, a outra vai ficar sem ser socorrida", conclui.

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 A luta por Marãiwatsédé, pelos Xavante

MT

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