quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Bachelet S.A. ganha o primeiro turno para administrar capitalismo no Chile

carta maior
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Bachelet-S-A-ganha-o-primeiro-turno-para-administrar-capitalismo-no-Chile/6/29580

19/11/2013 - Copyleft

Bachelet S.A. ganha o primeiro turno para administrar capitalismo no Chile

Somente a metade dos habilitados votou; haverá segundo turno no próximo 15 de dezembro e os estudantes do ensino médio tomaram o comando de Bachelet.


Andrés Figueroa Cornejo
Wikimedia Commons
As eleições presidenciais e legislativas do dia 17 de novembro no Chile, previsíveis e sem mistério, foram interrompidas somente pelos jovens agrupados na Asamblea Coordinadora de Estudiantes Secundarios (Aces), que tomaram o comando de Michelle Bachelet, em Santiago, e afirmaram que "o movimento estudantil em seu conjunto tem clareza de que além dos resultados das eleições desse ano, das de 2014 e as futuras serão de muita luta e de organização. Hoje, a antiga Concertación se disfarça de Nueva Mayoría; assumiu novas demandas, colocando-as em um programa que sabemos que não será cumprido, deformando-as e convertendo-as em propostas para a classe empresarial e distanciando-as de sua origem: o movimento social. Trabalharemos incansavelmente pela articulação transversal das lutas de hoje e as de amanhã. Independente de quem for eleito, continuaremos consequentes e firmes com o movimento social”.
 
A candidata da concessionária administrativa do Executivo, ex-Concertación, denominada agora Nueva Mayoría, Michelle Bachelet, obteve 45,5% dos votos válidos. Em segundo lugar, a candidata da direita tradicional Evelyn Matthei, com 24,9%. Ou seja, o triunfo de Bachelet terá que ser referendado em um segundo turno, no dia 15 de dezembro.
 
O que se projeta é que os votos emitidos para os candidatos Marco Ominami (11%) e para Alfredo Sfeir (2,5%), além dos que vierem de frações do candidato Mauricio Israel (0,6%) e de Tomás Jocelyn-Holt (0,2%) serão computados a favor de Bachelet no segundo turno.
 
Por seu lado, uma grande parte das preferências para Franco Parisi, 11,1% (também da direita tradicional), marchariam com Evelyn Matthei, apesar de que o direitista Parisi manifestou que ele não votará nela no segundo turno. As disputas entre as formas partidárias da velha direita ultraliberal também explicam a votação de Bachelet.
 
Por seu lado, Marcel Claude (partido Humanista Independentes) ficou com 3% e a candidata anticapitalista do Partido Igualdad, Roxana Miranda, 1,3%. A candidatura de Roxana – que praticamente foi realizada sem recursos - foi ignorada em seu chamado a primárias com o candidato do Partido Humanista para participar com um só nome nas presidenciais. No entanto, o Partido Humanista negou-se. Os desafios para o povo que acompanhou Roxana são a intensificação da luta social, a ampliação social de suas forças, a formação política e uma organização substancialmente superior.
 
A crise de representatividade
Do sistema de partidos políticos expressou-se novamente em que das mais de 13.500.000 de pessoas habilitadas para votar, somente 50% votaram.
 
A candidatura de Bachelet foi apoiada abertamente pelos interesses corporativos e geopolíticos do imperialismo norte-americano, pela imensa maioria do empresariado e pelas cadeias jornalísticas, sem contrapeso algum, devido a seu suposto potencial para dotar de maior governabilidade e continuidade o capitalismo ultra que vigora no Chile há quase 40 anos.
 
Sobre os interesses e a força popular
Claro que a ditadura civil-militar significou uma ofensiva histórica contra os trabalhadores e os povos do Chile. É claro que o Pentágono e seus subordinados nativos deviam deter a qualquer preço uma possível revolução no último território que está no mapa do norte mandarim. Claro que então o estabelecimento de tiranias militares se estendia como petróleo na América Latina como reação ao terror imperialista da eventual recriação de experiências inspiradas na Cuba de Fidel e de Guevara. Claro que no Chile, com um governo que tomava medidas para caminhar rumo à criação das condições materiais e culturais para o socialismo, a minoria no poder permitiu – horrorizada e lançando mão de um golpe de Estado bem financiado, como mostram os investimentos mais rentáveis - a vingança de classe prometida e o espanto exemplar para dobrar um povo autoconsciente e desarmado.
 
Naturalmente, com a memória fresca e engatilhada pela crise da dívida no início dos anos 80, esse povo algemado reanimou-se e se repolitizou. E ante o perigo dos reflexos vitoriosos da Nicarágua insurgida, apressou-se o pacto interburguês entre os velhos políticos golpistas e a embaixada norte-americana para inaugurar uma democracia de baixa intensidade; vacinada contra os assalariados e os empobrecidos, através da força e pela lei. O crime já estava consumado e nas melhores condições possíveis para os donos de tudo.
 
Com a União Soviética em estado terminal e há quase duas décadas experimentando-se no Chile a nova fase do capitalismo, hoje hegemônica, entre 1988 e 1990, se transitou no país andino para o que agora é a versão dominante da ordem mundial, Um capitalismo somente imaginado pelo liberalismo mais delirante. Um Chile onde todas as relações sociais tornaram-se mercadorias; a concentração capitalista com aval do Estado; as formas mais originais de superexploração do trabalho assalariado; o canal largo para esvaziar os recursos naturais a preço de feira e à custa de humanidade; e o imperialismo financeiro funcionando como holding monopólico para que desde seu painel de controles sejam digitadas as condições da produção, da distribuição, do intercâmbio e do consumo.
 
E também a proliferação de leis antiterroristas dedicadas a todos os que levantem a cabeça. A repressão preventiva e pela suspeita, a cultura da alienação cada vez mais sofisticada, o conformismo e a fatalidade. E como casca brilhante à custa de conservantes autorizados, uma democracia antipopular e, inclusive, mais limitada do que a aposentada república representativa. O reino da dívida e da especulação. O voto tanto como paródia de participação, tal qual a educação como ilusória alavanca de mobilidade social.
 
A administração planetária da desigualdade, a indústria das armas, do narcotráfico e da prostituição; a competição entre frações do capital; a decadência absoluta e relativa da vida da imensa maioria. A extinção do Estado de Bem Estar, a naturalização da miséria, a dependência atualizada das economias periféricas.
 
A contradição estrutural da apropriação privada do valor e do excedente coletivamente produzido. A rebeldia dos territórios sociais ainda insuficientes para modificar radicalmente a vida. Nossas faltas como resistência organizada ou mal organizada ou nada organizada. O inimigo principal sabotando-nos a vontade, a experiência acumulada, a persistência necessária. A convicção de que as contradições internas do capitalismo não o derrubarão por si mesmo. A juventude rebelde buscando, tateando, com rosto de mulher, de indígena, de migrante, de ambientalista, de crente irado, de trabalhador e de estudante pobre. A ordem das coisas e as coisas bem ordenadas dos endinheirados do topo.
 
Porém, até o melhor palco cede quando a galeria sem poltrona dos plebeus se inquieta.
Créditos da foto: Wikimedia Commons

Como o FBI usou hackers em sua guerra secreta contra o Brasil

carta maior
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Como-o-FBI-usou-hackers-em-sua-guerra-secreta-contra-o-Brasil-/6/29581

19/11/2013 - Copyleft

Como o FBI usou hackers em sua guerra secreta contra o Brasil

Até a agência de espionagem canadense coletava informações sobre o Ministério das Minas e Energia do Brasil. Reportagem de Shobhan Saxena.


Shobhan Saxena (*)
deathandtaxesmag.com

Primeiro,  a notícia que fez manchetes em todo o mundo na sexta-feira, 15 de novembro. Jeremy Hammond, membro do grupo de hackers LulzSec, foi condenado a 10 anos de prisão em Nova Iorque por uma juíza americana, por ter acessado ilegalmente os servidores da empresa de inteligência privada Strategic Forecasting (Stratfor), em dezembro de 2011. Nessa operação, ele alegadamente roubou milhões de e-mails, milhares de números de cartões de crédito, e destruiu as informações da empresa no processo.   
 
A mídia norte-americana noticiou em detalhes a condenação de Hammond. Mas o que foi ignorado pela mídia foi a declaração de Hammond no Tribunal de Manhattan de que ele seguia as “instruções de um informante do FBI [Federal Bureau of Investigation] para invadir os websites oficiais de vários governos em todo o mundo”.
 
Em uma revelação chocante, Hammond disse ao tribunal que um colega hacker, conhecido como “Sabu”, deu a ele as listas de websites que eram vulneráveis a ataques, incluindo aqueles de muitos países estrangeiros. Em sua declaração, Hammond mencionou especificamente o Brasil, o Irã e a Turquia antes de a juíza Loretta Preska determinar que ele parasse de falar. A juíza havia avisado que nomes dos países envolvidos deveriam ser removidos para ficar em segredo.
 
“Eu invadi vários sites e entreguei várias senhas que permitiram Sabu – e por extensão seus contatos do FBI – controlar esses alvos”, disse Hammond ao tribunal. Sabu era um dos líderes do grupo de hackers LulzSec, afiliado ao grupo Anonymous, mas acabou sendo captado pelo FBI para ser um dos seus mais importantes informantes do mundo hacker depois de sua prisão em 2011.
 
Hammon fez uma grande revelação no Tribunal. Ele disse ao mundo que foi usado pelo FBI – através de Sabu - como parte de uma espécie de exército privado que atacou websites vulneráveis de governos estrangeiros. “O governo celebra a minha condenação e a minha prisão, com a esperança de que isso vá encerrar o caso. Eu assumi a responsabilidade sobre as minha ações, e aceitei que sou culpado, mas quando o governo vai responder por seus crimes?”, questionou Hammond no tribunal, antes de a juíza determinar que se calasse.
 
A juíza americana não queria que os nomes dos países-alvos da operação de hackers fossem revelados no tribunal. Mas Jacob Appelbaum, um conhecido pesquisador de segurança cibernética que vive em Berlin, divulgou a lista de websites-alvos e da informação disponibilizada no servidor do FBI por Sabu. “Essas intrusões ocorreram em janeiro e fevereiro de 2012 e afetaram mais de dois mil domínios, incluindo numerosos websites de governos estrangeiros no Brasil, na Turquia, na Síria, em Porto Rico, na Colômbia, na Nigéria, no Irã, na Eslovênia, na Grécia, no Paquistão, e outros...”, diz a declaração de Hammond,  segundo Appelbaum em uma série de tuítes na sexta-feira, 15 de novembro.
 
Isso significa que o FBI tinha como alvo todos esses países, incluindo o Brasil, através de um grupo de hackers. É interessante notar que o FBI prendeu Sabu em 7 de Junho de 2011, e no dia seguinte, o hacker concordou em tornar-se informante da agência americana. Duas semanas depois, houve um maciço ataque a websites governamentais brasileiros. 
 
Em uma notícia de Mathew Lynley no VentureBeat, um website tecnológico, em 22 de Junho de 2011, há a informação de que um integrante brasileiro do grupo de hackers LulzSec invadiu vários websites governamentais brasileiros como parte de uma campanha maciça de ataque de hackers liderada pelo LulzSec. A notícia, intitulada “LulzSec recruta hackers brasileiros e invade dois websites do governo”, diz que tanto o portal da Presidência da República do Brasil quanto o Portal Brasil, do governo, estavam fora do ar quando a VentureBeat tentou acessá-los. “Ambos os websites foram atacados pelo LulzSecBrazil, um sub-grupo do grupo de hackers que fez manchetes recentemente por vários ataques a alvos importantes”, diz a notícia.
 
Com Sabu dentro de uma prisão americana e trabalhando para o FBI como informante e usando hackers como Hammond para atacar websites de governos estrangeiros, fica claro que invadir websites do governo brasileiro era uma missão da agência americana.
 
Isso não é uma surpresa, após as revelações recentes sobre a Agência Nacional de Segurança (NSA)  mostrarem que os americanos transformaram em alvo a comunicação pessoal da presidente Dilma Roussef. Mais chocante foi a revelação de que a agência de espionagem canadense coletava informações sobre o Ministério das Minas e Energia do Brasil.  Antes havia sido noticiado – graças aos documentos revelados por Edward Snowden  - que os americanos espionaram a Petrobrás também.
 
Tudo isso  – as notícias sobre as espionagens da NSA e as revelações de Hammond no Tribunal - revela um cenário perigoso: já há uma guerra cibernética acontecendo no mundo. A guerra foi deslanchada pelos EUA e seus parceiros mais próximos com dois objetivos: o primeiro é roubar o máximo possível de informações sobre governos, cidadãos e empresas de outros países; e segundo, atacar websites de redes de outros governos. Enquanto o primeiro objetivo é conquistado sob a fachada de “luta contra o terror”, o FBI atira usando como apoio os ombros dos grupos de hackers para obter o segundo objetivo.
 
A Guerra cibernética não declarada é a última – e mais potente – arma da geopolítica nesses dias. Como as revelações de Edward Snowden mostraram, países de língua inglesa – EUA, Grã-Bretanha, Canadá, Austrália e Nova Zelândia - participaram conjuntamente de um grupo de espionagem, uma rede chamada “Cinco Olhos”. Seus maiores alvos eram países emergentes, como Brasil, Índia, Turquia e México, ou aquelas nações que seguem uma política externa independente.    
 
O principal objetivo de toda essa espionagem feita em nome da “luta contra o terrorismo” é o desejo dos países “Cinco Olhos” de manter o seu controle e domínio sobre os recursos minerais e energéticos para continuar com as rédeas da economia global. Isso explica o fato de os EUA terem dividido a missão de inteligência sobre a América do Sul com os outros países “Cinco Olhos”. 
 
Não é nenhum segredo que as empresas de petróleo britânicas e americanas planejam lucrar bilhões de dólares em seus campos de petróleo em torno das Ilhas Malvinas. O Brasil apóia a reivindicação argentina sobre essas ilhas, desenvolvendo sua própria tecnologia nas plataformas de petróleo no mar. Os “Cinco Olhos” querem saber tudo sobre a cooperação entre os dois países sul-americanos. Foi por essa razão que o Canadá - que encara o Brasil como uma ameaça nos campos de mineração - espionou o Ministério das Minas e Energia brasileiro.
 
O mesmo padrão de invasão cibernética, roubo e espionagem, foi repetido pelos “Cinco Olhos” em todo o mundo – da Índia ao Irã, passando pela Venezuela e China. Tudo isso com o objetivo de assegurar seus interesses financeiros. Mas os ataques do FBI a websites de vários governos são uma completa violação à sua soberania. Os americanos gostam de culpar os chineses por hackear redes de outros países, mas agora – graças a Hammond - sabe-se que o FBI dirige uma guerra secreta e suja contra outros países, especialmente aqueles que ousam seguir uma política externa e econômica independente.
 
Nenhum país pode parar esse ataque combinado da NSA, CIA e FBI e seus parceiros “Cinco Olhos”. Mas um esforço conjunto dos países emergentes pode pelo menos expor esse novo estilo de guerra suja.



 Shobhan Saxena é correspondente do jornal indiano The Hindu na América do Sul


Créditos da foto: deathandtaxesmag.com

Comissão da Câmara aprova transporte como novo direito social

carta maior
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Comissao-da-Camara-aprova-transporte-como-novo-direito-social/4/29589

20/11/2013 - Copyleft

Comissão da Câmara aprova transporte como novo direito social

Segundo o relator da matéria, deputado Nilmário Miranda (PT-MG), se aprovada pelo Congresso, a medida possibilitará a discussão da tarifa zero.


Najla Passos
Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Nesta terça (19), véspera da abertura da 5ª Conferência Nacional das Cidades, a Comissão Especial criada pela Câmara para discutir a Proposta de Emenda Constitucional 90/2011 aprovou a inclusão do transporte como o 11º direito social previsto pela constituição brasileira. De acordo com o deputado Nilmário Miranda (PT-MG), relator do parecer aprovado por unanimidade, a medida abre as portas para que a principal reivindicação dos manifestantes que tomaram as ruas em junho se transforme em realidade: um transporte público, gratuito e de qualidade.
 
“No modelo que temos hoje, o transporte é mercadoria. E como mercadoria, adquire quem pode”, afirmou Miranda. Segundo ele, durante as audiências públicas para discussão da proposta, os membros da Comissão tomaram ciência de que uma pesquisa realizada em Salvador (BA) aponta que 40% dos moradores da capital baiana andam a pé por não terem condições de arcarem com as tarifas do transporte coletivo. “Milhões de brasileiros estão alijados do sistema de transportes. E quanto mais pobre a pessoa, mas ela é onerada”, destaca.
 
Para o deputado, a única solução é mudar a lógica do sistema de transporte, transformando-o em direito que precisa ser universalizado. “Essa mudança constitucional abre a possibilidade de revisão do modelo, abre a possibilidade de universalização para todos”. Segundo ele, o que os debates promovidos pela Comissão deixaram claro é que esta não é uma questão técnica, mas de opção política. “Se decidirmos incluir o transporte como direito social, teremos que debater a tarifa zero ou, pelo menos, uma redução substancial das tarifas”.
 
Nilmário Miranda avalia que as duas alternativas são viáveis. “Há vários países que destinam um subsídio forte para o transporte coletivo. No Brasil, não é subsidiado, e é por isso que está inviabilizado. Porque o usuário paga tudo. Até quando se dá passe livre para idosos ou pessoas com deficiências, se distribui o custo para os usuários. E os usuários são justamente os pobres. O gasto com transporte onera muito o orçamento das famílias de menor renda”, alerta.
 
Autora da proposta, a deputada Luíza Erundina (PSB-SP) não tem dúvidas de que ela só foi desengavetada em função da pressão popular. “Estou muito satisfeita com a aprovação, porque este debate é fruto de uma construção coletiva e da mobilização popular, o que dará maior legitimidade e mais força para que avance nas demais instâncias da casa. É uma demanda concreta do Movimento Passe Livre (MPL) há 18 anos, muito clara, muito consolidada e muito desejada”, afirmou.

PGR quer decisão sobre Genoíno fora das mãos de Barbosa

carta maior
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/PGR-quer-decisao-sobre-Genoino-fora-das-maos-de-Barbosa/4/29588

20/11/2013 - Copyleft

PGR quer decisão sobre Genoíno fora das mãos de Barbosa

Nem mesmo a Procuradoria Geral da República, responsável pela denúncia que resultou na AP 470, parece satisfeita com a concentração de poder em Barbosa.


Najla Passos, de Brasília
GGN
Nem mesmo a Procuradoria Geral da República (PGR), responsável pela denúncia que resultou na ação penal 470, o chamado “mensalão”, parece estar satisfeita com a concentração de poder sobre o destino dos condenados exclusivamente nas mãos do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa.
 
Em parecer encaminhado à corte nesta terça (19), a procuradora-geral em exercício, Ela Wiecko, recomenda que o ex-presidente do PT, José Genoíno, seja submetido a uma junta médica cardiológica que possa avaliar seu estado de saúde e defende que a decisão se ele deve ou não ter seu regime de cumprimento de pena alterado para prisão domiciliar fique sob responsabilidade do juiz da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, Ademar Vasconcelos.
 
Segundo Ela Wiecko, o titular da Vara de Execuções Penais tem melhores condições de “verificar a possibilidade real de prestação de atendimento ao Requerente na unidade prisional em que se encontra e a adequação da transferência requerida”. Para ver a íntegra do documento, clique aqui.
 
Vasconcelos foi o responsável pela transferência não só de Genoíno, mas também do ex-ministro José Dirceu e do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, do regime fechado para o semiaberto, para o qual, de fato, foram condenados. E, nesta terça, mesmo antes da PGR emitir seu parecer, determinou que Genoíno fosse submetido a exame clínico no Instituto Médico Legal (IML) de Brasília.
 
Entretanto, a carta de penas encaminhada a ele pela presidência do STF lhe dá poderes bastante limitados. Segundo nota emitida pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), a Vara recebeu a delegação de competência para emissão da guia de recolhimento (ordem para prisão), mas não para apreciar eventuais pedidos de “reconhecimento do direito ao indulto, à anistia, à graça, ao livramento condicional, referentes à mudança de regime de cumprimento de pena, por qualquer motivo, assim como outros pedidos de natureza excepcionais”.
 
Em todos esses casos, a palavra final e monocrática é de Barbosa, por decisão exclusiva dele próprio.
 
Doença grave 
De todos os condenados pela ação penal 470 já presos, Genoíno é o que inspira mais cuidados, porque foi submetido a uma cirurgia cardíaca em 24 de julho e ainda se encontra em recuperação, fazendo uso de medicamentos para controle da pressão arterial e da coagulação sanguínea.
 
Por isso, sua prisão irregular em regime fechado, no meio do feriado, com a desnecessária transferência para Brasília em voo exclusivo para reunir os condenados da ação, tem provocado manifestações contrárias não só da cúpula e da militância petista, mas de diversos outros setores da sociedade, incluindo políticos de oposição.
 
É o caso da deputada Luíza Erundina (PSB-SP), que se disse “chocada” com o procedimento. “Uma pena de prisão por tantos anos, a meu ver, seria para casos que ofereçam risco a sociedade. E eles não são pessoas que ofereçam riscos à sociedade. Muito pelo contrário. Na juventude deles, foram pessoas que serviram à democracia brasileira. Nós, hoje, estamos aqui podendo falar essas coisas porque eles e muitos outros que, inclusive, continuam desaparecidos, pagaram alto preço para que a gente tivesse uma democracia. Então, do ponto de vista pessoal, eu fiquei muito chocada”.
 
 
Segundo a deputada, mesmo sabendo que as prisões poderiam ocorrer a qualquer momento, foi impossível conter perplexidade e a revolta. “Quando eu vi aqueles companheiros, da forma como foram notificados e tiveram que se apresentar à Polícia, e serem trazidos para cá no final de semana, de qualquer forma, eu fiquei muito triste e senti uma enorme necessidade de me solidarizar com eles e com seus familiares, e isso mesmo sem ter conhecimentos jurídicos para questionar decisão do Supremo. Nossa civilização tem que avançar. E não como essa civilização da sociedade capitalista. É um outro projeto humano o que a gente tem que construir. Não é dessa forma que a gente pode dizer que a sociedade tá se desenvolvendo ética, moral e politicamente”, disse àCarta Maior.

Bom Futuro: morte de policial mostra precariedade da Flona

o eco
http://www.oeco.org.br/noticias/27780-bom-futuro-morte-de-policial-mostra-precariedade-da-flona?utm_source=newsletter_99&utm_medium=email&utm_campaign=leia-em-o-eco

Bom Futuro: morte de policial mostra precariedade da Flona
Daniele Bragança - 21/11/13

DSC 8990Caminhão da Força Nacional pega fogo durante operação para expulsar novos invasores da área protegida. Foto: Divulgação.
A morte do policial Pedro Luiz Souza Gomes, soldado da Força Nacional de Segurança, durante confronto com invasores da Floresta Nacional do Bom Futuro, em Rondônia, expôs a fragilidade da operação que tentou retirar invasores do local, que sofre com grilagem desde os anos 90. Em outubro do ano passado, a Justiça já havia determinado a desocupação imediata da área protegida.
O plano de desocupação previa a chamada sensibilização dos ocupantes e a execução da ordem de remoção das pessoas. Assim foi feito, porém a Bom Futuro sofreu nova invasão, detectada durante fiscalização no final do mês passado.
Nos dias 13 e 14 deste mês, armados com pedras, foices e facas, os manifestantes conseguiram frear a operação de reintegração de posse na Floresta Nacional. No conflito, foi morto o soldado da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Pedro Luiz. Em seguida, os invasores deixaram o local por medo de represália. Pedro havia sido cedido há 2 meses à Força Nacional.
“Sobrevoamos o local e não encontramos ninguém, mas isso não descarta a possibilidade de estarem escondidos na mata”, explica Ronilson Valadares, chefe de unidade de conservação na Floresta Nacional de Bom Futuro, em entrevista a ((o))eco por telefone.
A operação para evitar a ocupação de grileiros continua. Policiais militares estão patrulhando a Vila Pardo, local que já pertenceu à Floresta Nacional de Bom Futuro e foi desafetada em 2010, após anos de ocupação irregular e desmatamento.
Redução, ocupação e conflito
SAM 1903Acampamentos provisórios de invasores dentro da Floresta Nacional. Os acampamentos foram destruídos durante operação de retirada de novos ocupantes. Foto: divulgação.
Criada em 1988 com 288 mil hectares, a unidade passou anos só existindo no papel. Em 2010, perdeu 65% de seu território, do qual restou 97 mil hectares. Foi na Vila Pardo, com cerca de 7 mil moradores, que aconteceu o confronto que resultou na morte do policial Pedro Luiz, no dia 14 de novembro.
Tudo começou no dia 01 de novembro. Após denúncia de nova invasão, uma equipe formada por 2 fiscais e 9 policiais foi surpreendida por um grupo de cerca de 40 homens armados de foices e pedras. Em menor número, os fiscais negociaram a saída e se retiraram. Os invasores permaneceram na área.
“Numa total inversão de valores, quem teve que sair foi o poder público”, explica Ronilson.
Após o incidente, criou-se um comitê gestor de crise, formado por membros da Secretaria de Segurança Publica de Rondônia, ICMBio, IBAMA, Polícia Federal, Exército e Força Nacional. O comitê decidiu pela retirada dos novos invasores da área e lançou uma nova ofensiva.
A área foi sobrevoada por um helicóptero do Ibama, na terça-feira (12). Constatou-se um acampamento de cerca de 20 barracos de lona e um grupo entre 60 e 100 pessoas no local.
No dia seguinte (13), a equipe de fiscalização chegou ao local dentro da Floresta Nacional para desocupá-la. Eram 3 equipes formadas por 77 homens -- sendo 8 servidores do ICMBio, 4 servidores IBAMA, 8 Policiais Federais, 13 Policiais da Força Nacional, 14 Policiais da Policia Militar Ambiental de Rondônia, 2 Policiais da Policia Militar de Rondônia, 2 Bombeiros Militares de Rondônia e 26 Policiais da Companhia de Operações Especial de Rondônia/COE.
Os invasores se recusaram a sair e o clima esquentou. A polícia deteve 10 invasores e apreendeu 18 motocicletas. Os acampamentos provisórios de lona foram destruídos. A prisão e a apreensão das motos aumentou a tensão.
A tentativa da polícia de levar os detidos e as motos revoltou os invasores, que revidaram. De acordo com os policiais, eles obstruíram a estrada usando árvores e pedaços de madeira com pregos camuflados em poços de lama. Pontes foram destruídas. “Nos deparamos com barricadas de madeira em chamas e um grupo de aproximadamente 200 pessoas extremamente agressivas exigindo a soltura dos detidos, entrega das motocicletas e que a equipe não retornasse ao interior  da Unidade de conservação”, detalha Ronilson.
Enquanto a equipe seguia de carro, 2 policiais da Companhia de Operações Especiais de Rondônia foram monitorar os pontos de obstrução da estrada de motocicleta. No meio do caminho, cruzaram com um grupo de aproximadamente 25 invasores. Foram agredidos. “Um dos policiais atirou na perna de um dos invasores, que foi socorrido por uma viatura de resgate do Corpo de Bombeiros Militares de RO, que compunha nossa equipe”, disse Ronilson .
DSC07773Vista aérea das bases policiais depredadas em Vila Pardo. Foto: Divulgação.
Quase ao mesmo tempo, manifestantes atacaram uma base provisória de apoio logístico, instalada fora da Floresta Nacional. No local havia uma van, um caminhão e a viatura de resgate do Corpo dos Bombeiros. Um grupo formado por 25 pessoas colocou fogo no caminhão. Um policial foi perseguido com armas brancas e o outro foi atingido por um coquetel molotov. Os militares conseguiram fugir na van.
“Os policiais que estavam no quartel foram resgatados por colegas da Companhia de Operações Especiais. Às 5h30 da quinta-feira é que todas as equipes conseguiram voltar a base da Floresta Nacional e depois para Porto Velho”, explica Ronilson Valadares, dessa vez por email.
Antes, a equipe da Força Nacional, composta por 20 policiais, foi acionada para dar apoio ao grupo que estava fazendo a desocupação e que ficou encurralado. A Força Nacional seguia para a Floresta Nacional de Bom Futuro  quando recebeu ordens para retornar, pois a equipe principal já tinha conseguido chegar à base. Ao passar pela Vila de Rio Pardo, houve confronto. Por volta de meio-dia o policial Pedro Luiz Souza Gomes levou o tiro que o matou.
“Sinceramente, não acredito que o grupo de pessoas que atacou nossa equipe seja constituído de agricultores e trabalhadores. Eles agiram como um grupo criminoso que emprega táticas de guerrilha e que despreza a sociedade e suas leis” disse Ronilson.
Para o chefe da Flona, a nova invasão aconteceu por boatos envolvendo o loteamento da unidade de conservação: “Os que foram presos relataram que estavam lá para tentar conseguir terras, uma vez que, nas cidades vizinhas à Floresta Nacional do Bom Futuro, estava sendo divulgado por terceiros, que as terras da Unidade de Conservação seriam loteadas e distribuídas”, explica.
Floresta Nacional de Bom Futuro
Localizada há 180 quilômetros de Porto Velho, capital de Rondônia, a Floresta Nacional de Bom Futuro é um exemplo de Unidade de Conservação "de papel". Ela ainda não tem Plano de Manejo, apesar de ter sido criada há 25 anos.
Dispõe de 2 servidores para cuidar da área. O conselho consultivo está em fase de formação. “Continuamos com a intenção de formá-lo tão logo tenhamos passado essa problemática atual. Temos recursos de compensação ambiental a serem disponibilizados para a implementação da UC e planos para a recuperação das áreas degradadas (cerca de 13% dos seus quase 97 mil hectares)”, conclui Ronilson.
O governo retirou dos limites da Floresta Nacional às áreas degradadas onde já havia propriedades. Não foi o suficiente para manter a integridade da Floresta Nacional: novas invasões ocorreram seguidas de operações de reintegração.
Apesar do desfecho trágico do dia 14 e das sucessivas invasões, a equipe do ICMBio mantém a esperança de que a Floresta cumpra sua vocação: “Por mais que eu possa parecer um sonhador, a Floresta Nacional do Bom Futuro tem sim possibilidades de fazer jus ao seu nome”, afirma.

12 pessoas do MST estão sitiadas no interior de MT em risco de morte


CONFLITO DE TERRA
12 pessoas do MST estão sitiadas no interior de MT em risco de morte

Um total de 12 pessoas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estão sitiadas no Assentamento Terra de Viver, zona rural de Cláudia, a 600 quilômetros de Cuiabá (MT).

O Movimento denuncia que um grupo rival, armado e insuflado por sojeiros e madeireiros da região, cercou a área desde os dias 12 e 13 de novembro, quando ocorreram tiroteios e sete pessoas, somente do MST, foram presas.

Um homem de 43 anos, por estar muito visado, escapou do cerco pelo mato para tentar se proteger. Ele está escondido.

“Minha família também está escondida em Cláudia e isso é o que mais me preocupa”, lamenta, se referindo à mulher e três filhos, de 13, 6 e 4 anos.
Há outras mulheres, crianças e idosos entre os sitiados.

Diante da gravidade do caso, o Movimento está denunciando institucionalmente e publicamente a situação.

Já foram acionados o Fórum de Direitos Humanos e da Terra e a Defensoria Pública. Ambos vão mandar representante ao local na próxima terça-feira (26). A tentativa é dialogar com o prefeito e vereadores para chamar uma audiência pública.

A denúncia também já foi protocolada na Ouvidoria da Polícia e na Polícia Federal, em Sinop.

Morosidade

Conforme o MST, o conflito na área começou devido à morosidade da reforma agrária. Havia oito famílias do MST já assentadas na propriedade rural de 1.400 hectares. Mas restou uma área ociosa, onde, conforme garantiu o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ao Movimento, seriam assentadas mais 12 famílias. Como o Incra demorou para fazer isso, há cerca de 3 meses 12 famílias da região, que não são do Movimento, ocuparam a área. Nisso, as famílias do MST que estavam à espera de uma convocação oficial para entrar na terra, resolveram ocupar também.

Genadir Vieira, da coordenação do MST, informa que esse pessoal estava esperando há mais de 10 anos, alguns deles há quase duas décadas, vivendo em lonas, na beira de estrada. “Então, é claro que dá revolta”.

A convivência entre os grupos se complicou porque o MST é contra o plantio de soja e a favor do plantio de comida, assim como é contra o uso de venenos agrícolas, pois entende, com base científica, que faz mal à saúde humana. Na área em questão, é justamente isso que acontece. Plantio de soja, à base de venenos.  

Além disso, 75% da área é mata fechada. O MST não quer que explorem a madeira, inclusive porque é ilegal. Mas afirma que o grupo rival está retirando castanheira e itaúba.

A castanheira é usada na construção civil, mas não pode ser mais derrubada, porque está em extinção. Já a itaúba, muito usada na confecção de móveis, só pode ser explorada com autorização.

O caso foi levado ao conhecimento do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

Dos 25% restantes da área, 20% é arrendado com sojeiros. Os outros 5% ficam no entorno das casas, onde há pequenos cultivos, como de mandioca e hortaliças.

Genadir conta que no dia 12, por volta das 9h da manhã, enquanto o Movimento se reunia para fortalecer a campanha contra o agrotóxico, uma máquina de um plantador de soja começou a passar veneno nas proximidades. “A gente achou aquilo um abuso, uma falta de respeito”, reclama Genadir. “Mesmo assim, o nosso pessoal foi lá conversar com ele, que aceitou e parou, mas logo em seguida soltaram rojões e começou um tiroteio, só bala para todo lado”, narra.

A polícia levou sete presos somente do MST.  O que o Movimento achou estranho.

Conforme o MST, à noite o grupo rival ateou fogo em bandeiras e barracos. Os desalojados foram para a sede.

A urgência da intervenção do Estado no conflito é para evitar maiores tragédias.

Telefone para contato: 66-9631-4298 (Marciano)

Projeto que criminaliza homofobia pode ser aprovado no Senado

adital
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?boletim=1&lang=PT&cod=78756

Diversidade Sexual
19.11.2013
Projeto que criminaliza homofobia pode ser aprovado no Senado

Emilly Sousa
Adital

O texto substitutivo do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006, que cria mecanismos legais para criminalizar a homofobia no Brasil, deve entrar na pauta de votação do Senado nesta quarta –feira, 20 de novembro. Dentre as modificações, a nova redação perdeu o termo homofobia e apresenta o uso de palavras técnicas para definir todos os tipos de preconceito. Se aprovado, irá alterar a Lei do Racismo, para incluir tais discriminações no conceito legal de racismo, que abrange atualmente a discriminação por cor de pele, etnia, origem nacional ou religião.
A expectativa quanto à votação do Projeto, popularmente conhecido como PL 122, tem gerado reações distintas. Enquanto políticos ligados a grupos religiosos alegam que a aprovação da PL 122 abre precedentes para a proteção ao crime da pedofilia e criminalizam os que são contra a prática homossexual, representantes ligados ao movimento LGBT demonstram otimismo com relação à nova medida. O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Carlos Magno Fonseca, é um deles.
"A expectativa é de que amanhã mesmo ele seja aprovado, pois não há mais tempo hábil para fazer grandes revisões, que se forem feitas não devem demorar mais que uma semana para serem levadas novamente a votação. Também é importante dizer que o senador Paulo Paim (PT-RS) ,que redigiu o texto substitutivo, buscou ouvir todos os segmentos da sociedade e acabou incluindo na PL 122 o combate a todo tipo de preconceito, até para evitar críticas de que a futura lei só buscaria acabar com a discriminação contra o orientação sexual”, afirma Fonseca em entrevista a Adital.
Mesmo com a possível aprovação do Projeto de Lei, ele faz ressalvas. "Não é o PLC ideal para todas as demandas da comunidade LGBT, houve mudanças e um enxugamento do texto original. Não apresenta muitas especificidades, como, por exemplo, a discriminação contra um travesti e contra uma lésbica, que são bem diferentes. Mas é o projeto do possível com o acúmulo de forças que nós temos”, observa.
Após a aprovação no plenário do Senado e nas demais comissões, o PL 122 voltará para a Câmara. Depois desse processo, o presidente da ABGLT já volta os esforços de luta da associação para outras causas, como a luta pelo nome social para os transgêneros e uma lei oficial para o matrimônio de pessoas do mesmo sexo.

Na pele de um negro

dcm
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/na-pele-de-um-negro/


Na pele de um negro


Postado em 20 nov 2013
A família branca se torna negra
A família branca se torna negra

A TV francesa fez, há poucos anos, um documentário chamado “Dans La Peau d’un Nour” (“Na Pele de um Negro”). Foi dividido em duas partes e passou no Canal+.
Baseou-se num livro do americano John Howard Griffin. Em 1959, Griffin, um texano, se pintou de negro para contar como era a segregação.
No caso francês, o enfoque foi dado a duas famílias, cada uma formada por um casal e um filho jovem (um rapaz e uma moça). Uma ideia simples e brilhantemente executada. Com maquiagem pesada, as famílias se transformaram e ficaram irreconhecíveis. Os parisienses puro sangue Laurent Richier, 40 anos, Stéphanie e o garoto Jonathan passaram a viver como o antilhano Romuald Berald, sua companheira Ketty Sina, camaronesa, e o pós-adolescente Audrey Verges.
A família Richier é liberal. São politicamente corretos, acreditam num monte de coisas boas, como bicicletas, e creem que a sociedade avançou enormemente. Para Stéphanie, há uma dose de vitimização na maneira como os negros se enxergam na França.
As duas negras vão a um restaurante. Stephanie acredita que é lenda que melhores lugares são para caucasianos.
E então batata: a hostess as encaminha para os fundos. Não de maneira descarada (“vocês, feios, fora”), mas com bastante sutileza. Stéphania, ao perceber, fica enlouquecida. Reclama na casa, fica tomada pela indignação.
Questiona a amiga como ela não fica enraivecida (enragée) diante daquilo. Como não se revolta. Tem como resposta que, se ela for reagir de maneira violenta diante de cada injustiça, não consegue ter uma vida próxima do normal.
Para Ketty Sina, se cada negro se sublevar quando maltratado no bar, no táxi, na pizzaria, no trabalho, na escola, na TV, numa batida policial, fica virtualmente impossível seguir adiante.
O documentário está na íntegra na Internet. A diretora, Christine Cauquelin, disse que “não é um filme sobre raças, mas sobre comportamentos que estão causando tensão na França”. É didático e mostra uma realidade que tende a passar despercebida no dia a dia — para quem não é negro, evidentemente.
Ainda bem que, no Brasil, não existe racismo.
Sobre o Autor
Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.