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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Foto de casal gay na Rússia considerada a melhor do ano

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http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed838_foto_de_casal_gay_na_russia_considerada_a_melhor_do_ano


Foto de casal gay na Rússia considerada a melhor do ano

17/02/2015 na edição 838
Tradução e edição: Leticia Nunes. Informações de Gemma Padley [“Jury unveils winners across eight categories in 58th World Press Photo“, British Journal of Photography, 12/2/2015]
 
O júri do World Press Photo anunciou, em 12/2, os vencedores da 58ª edição do prestigiado concurso de fotojornalismo. Com sede na Holanda, o World Press Photo premia fotógrafos do mundo inteiro em oito categorias. Para a edição de 2015, o júri recebeu 98 mil inscrições e premiou 42 profissionais.
O prêmio de melhor foto do ano ficou para o dinamarquês Mads Nissen, que registrou um momento íntimo de um casal gay, Jon e Alex, em São Petersburgo, na Rússia. Além da beleza da fotografia, contou também seu contexto: ela se destaca em um momento em que aumentam a discriminação e os ataques a homossexuais no país. A foto, que também venceu a categoria de Questões Contemporâneas, faz parte de um projeto intitulado “Homofobia na Rússia”.
“É um momento histórico para esta imagem”, declarou a presidente do júri, Michele McNally. “A imagem vencedora precisa ser harmoniosa, ter impacto, e ter potencial para se tornar icônica. Esta foto é esteticamentepoderosa, e é humana”.
O fotógrafo americano Pete Muller levou o prêmio de Notícias Gerais por uma imagem sobre o vírus Ebola em Serra Leoa. A foto, publicada pela revista National Geographic e pelo jornal The Washington Post, mostra um homem doente sendo carregado de volta à área de isolamento depois de escapar durante um surto delirante. Nos estágios mais avançados do Ebola, é comum que os pacientes percam a consciência. O homem morreu logo após o registro.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Movimento LGBT busca alternativas para criminalizar crimes de homofobia

br de fato
http://www.brasildefato.com.br/node/30998


Movimento LGBT busca alternativas para criminalizar crimes de homofobia

Tânia Rego/ ABr
Medida se tornou ainda mais urgente depois que o exército enviou parecer à Câmara manifestando posição contrária; Os militares dizem temer efeitos “indesejáveis” e “negativos” para as Forças Armadas
14/01/2015
Por Leonardo Ferreira,
Da Radioagência Brasil de Fato
A criação e aprovação de uma lei que torne crime a homofobia é uma reivindicação histórica de movimentos LGBT. A medida se tornou ainda mais urgente depois que o exército brasileiro enviou um parecer à Câmara dos Deputados manifestando posição contrária. Os militares dizem temer efeitos “indesejáveis” e “negativos” para as Forças Armadas.
Um projeto de criminalização da homofobia ficou em debate por oito anos no Senado, porém foi arquivado nesta terça-feira (13) por tramitar há mais de duas legislaturas.
No Brasil, a homofobia, ainda não é considerada crime. O movimento LGBT defende uma legislação nos moldes da Lei Maria da Penha, que combate a violência contra a mulher, como explica Regina Maria Tavares, secretária geral do Fórum Mogiano LGBT.
“Ninguém é assassinado por ser heterossexual, mas é assassinado por ser homossexual ou por ter identidade de gênero diferente.”
De acordo com organizações internacionais, 44% dos casos de homofobia letal identificados no mundo ocorrem em território brasileiro. Movimentos sociais se articulam junto a parlamentares em para fazer com que a criminalização da homofobia avance ainda este ano.
“Vai ser um ano de resistência, de cobrança de manifestações. A gente não está visualizando uma conjuntura boa porque esse congresso que vai entrar ai, ele vai ser um congresso mais conservador.”
Em São Paulo, a Prefeitura criou um projeto inédito no Brasil e na América Latina para a reinserção escolar, profissional e social de transexuais e travestis. A medida busca promover cidadania e combater a discriminação, oferecendo bolsa de um salário mínimo para esse público, enquanto passa por formação na área de escolha.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Rússia proíbe transexuais e travestis de tirar carteira de motorista

carta maior
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Direitos-Humanos/Russia-proibe-transexuais-e-travestis-de-tirar-carteira-de-motorista/5/32597

Rússia proíbe transexuais e travestis de tirar carteira de motorista

O governo elencou inúmeros 'transtornos mentais' que justificam a proibição de dirigir, supostamente para diminuir o número de acidentes de trânsito.


Esquerda.net
Marco Fieber (recortada), flickr.
O fetichismo, exibicionismo e voyeurismo, bem como o vício “patológico” em jogo e a cleptomania, também são enumerados na legislação recentemente aprovada e que já está a merecer o repúdio por parte de organizações de defesa dos direitos humanos.
 
A Associação dos Advogados Russos pelos Direitos Humanos considera a nova lei “discriminatória”, garantindo que exigirá esclarecimentos do Tribunal Constitucional e procurará o apoio de organizações internacionais.
 
Já a representante da associação norte-americana Human Rights First, Shawn Gaylord, sublinhou que “proibir as pessoas de conduzirem os seus carros com base na sua identidade de género ou expressão é ridículo e constitui apenas mais um exemplo da intolerância metódica do regime russo no que respeita aos direitos humanos básicos dos seus cidadãos".
 
O anúncio da medida não surpreendeu grande parte dos ativistas LGBT, na medida em que, em 2013, a Rússia ilegalizou a promoção de “estilos de vida não tradicionais”, incluindo as relações entre pessoas do mesmo sexo.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Questões morais

globo
http://oglobo.globo.com/opiniao/questoes-morais-13925094




GG Rio de Janeiro (RJ) 14/02/2014 rosiska darcy de oliveira Foto Divulgação<252> Foto: Terceiro / Divulgação/POP

Questões morais

Não é o comportamento privado dos gays, das mulheres, dos que usam drogas que revolta a sociedade. É a corrupção

Em visita a um templo evangélico, Aécio Neves, depois de fervorosas orações, declarou que era “contra o aborto e contra as drogas”. Como se alguém, afora os que lucram com o aborto ilegal ou os traficantes, fosse a favor do aborto ou das drogas. Temos consumido anos de argumentação em debates a respeito da descriminalização da interrupção da gravidez indesejada ou do fracasso da guerra às drogas. Trata-se de problemas de saúde pública e de dramas humanos pungentes. Declarações simplistas, talhadas para o auditório, não diminuem o número de abortos nem abrem caminho para políticas mais humanas e eficientes de combate às drogas.
O tema da homofobia também saiu do armário nessas eleições. A homofobia é manifestação de violência corriqueira que, quando não mata ou fere, envenena com humilhação a vida dos gays. É odiosa e criminosa, assim como o racismo. O projeto de criminalização da homofobia está travado no Senado há oito anos. Quem for presidir o país vai poder ignorar os milhões de manifestantes que desfilam nas grandes e médias cidades em paradas do orgulho gay? Uma parcela da população não aceita mais que eles sejam assassinados e ofendidos. Não se trata de uma questão menor.
Margaret Thatcher não acreditava que existisse essa coisa chamada sociedade. Esquecia que Gandhi, fragílimo e desarmado, expulsou os ingleses da Índia apoiado nessa coisa que ela achava que não existia. Gandhi dizia que “uma árvore que cai, faz muito barulho, uma floresta que germina não se escuta”. Frase oportuna para pensar o Brasil.
Só ouvíamos o barulho espetacular da queda em desgraça dos velhos partidos políticos enquanto uma nova sociedade germinava. Esse barulho de árvores mortas que tombam torna inaudível a germinação silenciosa de uma liberdade de pensamento que foi penetrando na sociedade, aquela que supostamente não existe, mas viceja em sua imensa diversidade e luta pelas causas que lhe são caras.
Germinou uma democracia do cotidiano, vivida em profundidade por cada um, onde o que comanda é a liberdade de escolha, o direito de decidir sobre a sua própria vida. Os gays sabem que o amor é um pássaro louco que ninguém sabe onde pousará. As mulheres aprenderam nos embates duríssimos da vida real que seus corpos lhes pertencem. Agem e defendem-se em consequência.
As opiniões sobre questões morais se formam, cada vez mais, em círculos de confiança, exprimindo uma subjetividade trabalhada e sofrida, insubmissa às palavras de ordem de partidos ou dogmas religiosos. Esse exercício de liberdade em que a sociedade se autotransforma extravasa da lógica partidária que tudo submete à luta pelo poder a qualquer preço ou das igrejas que submetem a espessura da vida real ao fogo dos infernos. É nos fios cruzados dos círculos de confiança, da capilaridade das redes sociais e da mídia onipresente que circulam argumentos e deliberações.
As meias palavras não aproveitarão aos candidatos. As liberdades morais entraram na agenda política e são incontornáveis. Talvez se esteja subestimando a sociedade, julgando-a mais conservadora do que ela de fato é. E não se tenha percebido que a expectativa do eleitor, essa sim esmagadoramente majoritária, é a credibilidade do candidato. Que cada um esteja realmente por trás do que diz. Honestidade também é uma questão moral.
O Brasil é um Estado laico, garantia sólida contra o fundamentalismo religioso. Maior garantia ainda é a capacidade do cidadão de formar sua opinião e assumir a autoria de sua vida. Nisso reside uma nova postura que não se aplica apenas aos costumes, mas também às escolhas políticas. Foi essa nova postura que Marina Silva, na sabatina do GLOBO, destacou: “O mundo está mudando, existe um novo sujeito político que quer papel de autor.” Filha da floresta, talvez tenha ouvido essa germinação, o que explicaria a esperança que suscita.
A questão moral que deveria ocupar o proscênio nessa eleição, porque há anos revolta a sociedade, não é o comportamento privado, dos gays, das mulheres, dos que usam drogas. É a deslavada corrupção que se instalou no Brasil como instrumento de governo. Essa sim, obscena e imoral, porque predadora do dinheiro público, tem que ser criminalizada nos atos e não apenas em declarações de princípio.
É esse mundo sombrio que o debate sobre moral deve iluminar. Possam os gays amar em paz. Socorram-se, nas melhores condições, as mulheres em desespero. Que sejam acolhidos os que se perderam nas drogas. Guarde-se a prisão para os verdadeiros bandidos.
Rosiska Darcy de Oliveira é escritora
rosiska.darcy@uol.com.br


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/questoes-morais-13925094#ixzz3DUFbCS5n 
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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Apesar de avanços nos últimos anos, homofobia ainda é arraigada e violenta no Brasil

adital
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=82483

Apesar de avanços nos últimos anos, homofobia ainda é arraigada e violenta no Brasil

Natasha Pitts
Adital

No último dia 10 de setembro, foi encontrado em um terreno baldio, na cidade de Inhumas, Região Metropolitana de Goiânia (Estado de Goiás), o corpo de João Antônio Donati, jovem homossexual de 18 anos. O assassinato teria ocorrido com requintes de crueldade. Seu corpo foi encontrado com o pescoço e as duas pernas quebradas, a boca estava cheia de papel. Essa bola de papel conteria um recado homofóbico: "Vamos acabar com essa praga”. A polícia ainda está investigando se o caso é realmente um crime de ódio contra a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais).

Este caso trágico, que ganhou repercussão na mídia e nas redes sociais no Brasil esta semana, comprova que não está longe de ser raro o aparecimento de notícias envolvendo casos de homofobia. Alguns desses episódios terminam, inclusive, com o assassinato das vítimas. Outro exemplo disso aconteceu há poucos dias, em Curitiba, no Paraná, quando um jovem gay foi espancado por taxistas que o acusaram de assédio. No atual período eleitoral, o assunto tem extrapolado as organizações e movimentos LGBT e sendo explorado por alguns candidatos em busca de votos.
"Estamos vivendo um processo de fundamentalismo arraigado no Brasil. Avançamos em políticas públicas, mas a homofobia ainda é muito forte. O que aconteceu com o jovem de Goiânia é um retrato fiel do que a população LGBT sofre. Em nome desse fundamentalismo temos perdido muitas vítimas”, denuncia Marcelle Esteves, vice-presidente do grupo Arco-Íris, do Rio de Janeiro, e coordenadora de política nacional da Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL), em entrevista à Adital.
A ativista aponta que o atual governo, comandado pela presidente Dilma Rousseff (Partido dos Trabalhadores - PT), contribuiu com alguns pontos favoráveis relacionados à visibilidade e direitos civis LGBT, mas ainda é preciso avançar bastante.
"Hoje, mais do que nunca, ter um candidato comprometido com os direitos humanos é fundamental. Precisamos de um candidato que assuma a defesa não só dos direitos das pessoas LGBT, mas esteja também atento à questão do preconceito racial, entre outras causas; uma pessoa que assuma os direitos humanos como uma pauta fiel e respeite a vida”, destaca Marcelle.
Há poucos dias, a população brasileira acompanhou o "erro técnico” da candidata a presidenta pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) Marina Silva, que divulgou em suas propostas de campanha apoio à união de casais homoafetivos, mas, em apenas 24 horas, voltou atrás e sob pressão de grupos fundamentalistas amenizou o ponto em questão, defendendo que se comprometeria apenas em garantir os direitos oriundos da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Apesar das justificativas de "erro de diagramação”, a substituta de Eduardo Campos foi acusada de ceder às pressões de grupos evangélicos. Marina também é acusada de ter posições conservadoras por ser evangélica.
"O que aconteceu demonstra a força que o fundamentalismo tem. Política e religião não deveriam nunca estar atreladas, mas sabemos que isso acontece no Brasil e vimos isso no posicionamento de Marina. A candidata percebeu que a pauta LGBT poderia ser muito cara para ela e, assim, contatamos que não há comprometimento. Uma candidata que lança um programa de governo e, um dia depois, diz que se enganou não é séria e não vai governar para todos”, critica a ativista da Articulação Brasileira de Lésbica.
Para que a população conheça candidatos que assumem abertamente propostas voltadas para a defesa dos direitos civis de gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros, um movimento social suprapartidário criou o site colaborativo http://www.votelgbt.org/. A iniciativa tem como marco, justamente, a polêmica envolvendo Marina Silva. O site já catalogou mais de 100 candidatos de diferentes partidos.
"Queremos um país em que todo mundo tenha seus direitos garantidos e suas vidas respeitadas. Para isso, precisamos escolher políticos verdadeiramente comprometidos com os direitos humanos”, declara um dos textos publicados no site.
O suspeito de assassinar Donati, o lavrador Andrie Ferreira da Silva, de 20 anos, confessou o crime à polícias. Ele contou que manteve relação sexual com a vítima no mesmo terreno onde o corpo foi encontrado. Alegando não ser homossexual, Silva afirmou que a motivação para o crime não teria sido homofobia. Após a relação sexual, os dois teriam se desentendido e entrado em luta corporal. Em depoimento, o suspeito alegou ter usado apenas as próprias mãos para matar João, sem a utilização de nenhum objeto.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Humberto Teófilo, o suspeito esqueceu os documentos pessoais no local do crime, levando a polícia ao seu paradeiro. Silva foi detido em uma plantação de tomates, onde trabalhava, e não resistiu à prisão.De acordo com Humberto Teófilo, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a vítima lutou com o agressor antes de morrer. Donati morreu asfixiado e, ao contrário do foi informado inicialmente, não houve nenhuma fratura em seu corpo. O exame também apontou que a vítima foi encontrada com papéis de picolé e sacolas plásticas na boca, o que causou o sufocamento.O delegado falou ainda que não havia nenhum bilhete na boca dele com insinuações homofóbicas, como foi noticiado. "Não sei de onde tiraram isso.”

Natasha Pitts

Jornalista da Adital

Projeto de lei que torna crime homofobia empacou

ihu
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/535242-projeto-de-lei-que-torna-crime-homofobia-empacou


Projeto de lei que torna crime homofobia empacou

Não está provado que a fé mova montanhas, mas o poder de bloquear a criminalização da homofobia ela já demonstrou. A mobilização de grupos religiosos e de parlamentares ligados à causa, com destaque para os evangélicos, mantém há oito anos no limbo do Congresso o Projeto de Lei 122, que poderia ser aplicado em casos como o do incêndio criminoso de Santana do Livramento.
A reportagem é de Itamar Melo, publicada pelo jornal Zero Hora, 12-09-2014.
Apresentada em 2006 na Câmara dos Deputados, a proposta prevê pena de até cinco anos de prisão para quem cometer atos diretos ou indiretos de discriminação ou preconceito motivado pela orientação sexual. O texto chegou a ser aprovado na Câmara dos Deputados, mas não foi adiante no Senado. Em sua última encarnação, ficou sob os cuidados do senador gaúcho Paulo Paim.
– Quando o projeto veio para o Senado, ninguém queria relatar. Acabei pegando. Fiz um trabalho de costura e articulação com os evangélicos, com a Igreja Católica, com a comunidade LGBT, em busca de uma redação de entendimento. Estávamos quase chegando a um acordo – conta o senador.
Depois de um amplo acerto, o termo homofobia foi excluído. A ideia era enquadrar o delito como crime de ódio, motivado pela orientação sexual. Aplicavam-se as regras válidas para o racismo no que diz respeito às penas e ao caráter inafiançável e imprescritível. Se o projeto tivesse sido aprovado, além de responder pelo crime contra o patrimônio, os incendiários de Livramento poderiam ser enquadrados na legislação, caso se comprovasse que o fogo teve como causa adiscriminação contra a união gay. O projeto, no entanto, não chegou à votação.
– De repente, os grupos religiosos começaram a dizer: “Paim, o 122 está demonizado. O texto é razoável, mas tem de mudar o número”. Estávamos perto do entendimento, mas voltaram atrás dizendo que o número estava demonizado. É complicado – afirma o senador.
Em seguida, foi apresentado e aprovado um requerimento para que o assunto fosse encaminhando à Comissão de Constituição e Justiça, para ser anexado à discussão sobre a reformulação do Código Penal. O trabalho de Paim foi para o cesto de lixo. Como seu texto não havia sido votado, o projeto que veio da Câmara é que foi encaminhado.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Aumento da violência homofóbica e transfóbica preocupa Comissão de Direitos Humanos

adital
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?boletim=1&lang=PT&cod=79767

Aumento da violência homofóbica e transfóbica preocupa Comissão de Direitos Humanos

Marcela Belchior
Adital

O aumento de níveis de violência contra pessoas LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais) e organizações pelos direitos de gênero no continente americano tem preocupado a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Somente entre outubro de 2013 e janeiro deste ano, pelo menos 58 mulheres trans, 58 homens gays, duas lésbicas e um homem bisexual foram assassinados nas Américas. A CIDH cobra que os estados adotem medidas urgentes e efetivas no enfrentamento dos ataques.
No último mês de novembro, por exemplo, a Kouraj, organização jamaicana LGBTI, localizada em Porto Príncipe, capital do Haiti, foi ferozmente saqueada e seus membros atacados físicamente, ameaçados e hostilizados. Os agressores proferiram ainda insultos de caráter homofóbico, além de roubarem computadores e outros materiais de trabalho da entidade.
Já em Tegucigalpa, capital de Honduras, defensoras e defensores dos direitos LGBTI e de pessoas portadoras do vírus HIV tiveram de fechar as portas de seu escritório por serem continuamente objeto de ameaças e ataques. Por meses, integrantes da organização haviam sido vítimas de agressões físicas, perseguições nas ruas, ataques de agentes da policía, além de, em julho do ano pasado, a filha de uma das líderes ter sido sequestrada. Há registros também de uma organização trans nicaraguense, localizada em Manágua, capital do país, atacada por um grupo que invadiu seu escritório com agressões físicas e roubos, dentre outros casos.
Segundo um comunicado da CIDH, os ataques a mulheres trans se dividem entre Argentina (2), Belize (1), Brasil (39), Chile (1), Colômbia (2), Honduras (1), Jamaica (1), México (3), Peru (2), Estados Unidos (2), Uruguai (1) e Venezuela (3). Já em relação aos assassinatos de homens gays, os crimes ocorreram no Brasil (5), Chile (3), Cuba (1), Honduras (1), México (2) e Peru (1). No caso dos assassinatos de duas lésbicas e um homem bisexual, as violações foram registradas no Brasil, país que lidera a classificação, em números absolutos.
A Comissão também manifesta sua preocupação quanto aos obstáculos que encontra quem promove e defende os direitos das pessoas LGBTI. Em Monterrey, no Nordeste do México, a uma organização estudantil LGBTI foi negada permissão para operar no campus de uma universidade privada com a finalidade de conscientizar sobre homofobia. Em Lima, capital do Peru, uma integrante do Conselho Metropolitano da Cidade, que insistia em incluir uma referência explícita às pessoas LBGTI na Lei Anti-Discriminação, foi atacada verbalmente por outro integrante.
CIDH cobra ações dos estados

Diante do contexto, a CIDH ressalta que os estados têm obrigação de investigar os atos de violência e punir seus responsáveis. "A não efetividade da resposta estatal fomenta altos índices de impunidade, os quais, por sua vez, propiciam sua repetição crônica, ficando as vítimas e seus familiares indefesos”, ressalta.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos é uma organização autônoma da Organização de Estados Americanos (OEA) e tem a finalidade de promover a observação dos direitos humanos na religião. Recentemente, a entidade iniciou um trabalho de relatoria dedicado aos direitos LGBTI.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Deputado ofende quilombolas, índios, gays e lésbicas: ‘Tudo que não presta

uol notícias
http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2014/02/12/deputado-ofende-quilombolas-indios-gays-e-lesbicas-tudo-que-nao-presta/



Deputado ofende quilombolas, índios, gays e lésbicas: ‘Tudo que não presta’

Josias de Souza
O vídeo acima foi gravado em 29 de novembro de 2013 na cidade de Vicente Dutra, região norte do Rio Grande do Sul. Exibe cenas de uma audiência pública da Comissão de Agricultura da Câmara. Debatia-se o acirramento dos conflitos que opõem índios e fazendeiros em várias Estados. A pretexto de defender os interesses dos proprietários rurais, dois deputados federais gaúchos ofenderam minorias, incitaram a violência e atacaram o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República).
Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, o deputado ruralista Luís CarlosHeinze (PP-RS) disse que, quando precisa impulsionar o crescimento econômico, o governo recorre ao agronegócio, estimulando-o com financiamentos. Em seguida, foi ao ataque: “O mesmo governo, seu Gilberto Carvalho também é ministro da presidenta Dilma. É ali que estão aninhados quilombolas, índios, gays, lésbicas, tudo que não presta, ali está aninhado. E eles têm a direção e têm o comando do governo.”
Noutro trecho do vídeo, dirigindo-se a produtores rurais gaúchos, Heinze ensinou uma tática empregada para defender suas propriedades de investidas indígenas: “…O que estão fazendo os produtores do Pará? No Pará, eles contrataram segurança privada. Ninguém invade no Pará, porque a brigada militar não lhes dá guarida lá e eles têm de fazer a defesa das suas propriedades. Por isso, pessoal, só tem um jeito: se defendam. Façam a defesa como o Pará está fazendo.”
Heinze prosseguiu: “Façam a defesa como o Mato Grosso do Sul está fazendo. Os índios invadiram uma propriedade. Foram corridos da propriedade. Isso foi o que aconteceu aconteceu lá. […] Eles estão se defendendo. Se é isso o que o governo quer, é isso que nós vamos fazer. Resolvemos os sem-terra lá em 2000. E vamos resolver os índios agora, não intressa o tempo que seja.”
O vídeo exibe trechos do discurso de outro parlamentar ruralista, o deputado federalAlceu Moreira (PMDB-RS). Ele também investe contra o ministro Gilberto Carvalho, responsável no Planalto pelos contatos com organizações sindicais e movimentos sociais.
“Por que será que, de uma hora pra outra, tem que demarcar terra de índios e quilombolas?”, pergunta o deputado. “O chefe dessa vigarice orquestrada está na ante-sala da Presidência da República. E o nome dele é Gilberto Carvalho. É ministro. Ele e seu Paulo Maltus [secretário de Articulação Social].”
Alceu Moreira alvejou também uma entidade ligada à Igreja Católica, o CIMI, Conselho Indigenista Missionário: “Por trás dessa baderna, essa vigarice, está o CIMI, que é uma organização cristã, que de cristã não tem nada. Está a serviço da inteligência norte-americana e europeia, para não permitir a expansão das fronteiras agrícolas do Brasil.”
De resto, o deputado peemedebista pronunciou algo muito parecido com uma declaração de guerra: “Nós, os parlamentares, não vamos incitar a guerra. Mas lhes digo: se fartem de guerreiros e não deixem um vigarista desses dar um passo na sua propriedade. Nenhum! Nenhum! Usem todo o tipo de rede. Todo mundo tem telefone. Liguem um para o outro imediatamente. Reúnam verdadeiras multidões e expulsem do jeito que for necessário.”
Levado à internet nesta quarta-feira (12) por um movimento chamado 'MobilizaçãoNacional Indígena', o vídeo foi reproduzido no site do 'Greenpeace Brasil'. Para a entidade, os deputados “não só incitam a violência contra lideranças indígenas que tentam retomar suas terras invadidas por fazendeiros, grileiros e madeireiros, como também insultam gays e lésbicas, e reforçam o discurso inverossímil acerca da demarcação de terras indígenas para o público de produtores rurais''.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Jogos olímpicos de inverno na Rússia evidenciam violência homofóbica

adital
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?boletim=1&lang=PT&cod=79407


Jogos olímpicos de inverno na Rússia evidenciam violência homofóbica

Adital
Os jogos olímpicos de inverno de Sochi na Rússia tiveram início no último dia 07 deste mês e, para além de evidenciar o momento esportivo, passaram a chamar a atenção do mundo pelo desrespeito do país sede à Carta Olímpica, que tem em um dos seus princípios o da não discriminação. A Rússia continua omissa em relação aos casos de discriminação conta grupos LGBT (Lésbicas, Gay, Bissexuais e Transexuais).
Segundo a ONG humans Rights Wacth, as autoridades russas devem agir mais incisivamente contra os graves abusos e crimes comentidos contra as pessoas e ativistas LGBT. A omissão do governo russo estaria alimentando cada vez mais a intolerância e violência. A ONG salienta que a Rússia agora é o centro das atenções mundiais não apenas por sediar os jogos olímpicos de inverno, mas pela atitude de intolerância, violência, desrespeito e omissão das autoridades a respeito de crimes contra os direitos humanos.
A pesquisadora da Humans Right Watch Tanya CooperLas afirma que as autoridades russas tem o poder de proteger os direitos das pessoas LGBT, mas, ao invés disso, estão ignoram sua responsabilidade. As vítimas de homofobia e crimes de ódio relatam que, desde o final de 2013, os crimes e intolerância tem se intensificado na Rússia.
A Humans Rights Watch ouviu vítimas oriundas das cidades de Moscou, São Petersburgo e Novosibirik, que relataram espancamentos, sequestros e abusos psicológicos provocados por pessoas que são contra os grupos LGBT. Muitas vítimas têm medo de ir à polícia para denunciar os crimes, pois temem futuras represálias e até a falta de empenho da polícia russa para elucidar os casos e punir os culpados.
A ONG destaca que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse, durante uma visita a uma das instalações olímpicas, em janeiro deste ano, que os homossexuais eram bem vindos a Sochi. No entanto, ele também pediu para que os homossexuais deixassem as crianças em paz. Na Rússia, há uma distorcida relação entre homossexualidade e pedofilia, além de leis repressivas e infundadas que incitam à violência homofóbica, informa a Humans Right Watch.
Para a Anistia Internacional, O Comitê Olímpico Internacional (COI) não deve ignorar as graves violações e desrespeito aos direitos humanos durante a realização dos Jogos Olímpicos de Sochi. A entidade reuniu mais de 330 mil assinaturas com o intuito de pedir ao presidente Putin para que as leis repressivas na Rússia sejam revogadas. Mesmo com essa iniciativa, o país tem se mostrado omisso e intolerante para com a reivindicação.
O secretário geral da Anistia frisa que as autoridades russas devem seguir os princípios que formam a base da Carta Olímpica, de respeitar o espírito de amizade, solidariedade e de jogo limpo. Além dos casos de homofobia, a Anistia Internacional destaca o caso de assédio e abusos contra os ambientalistas Igor Kharchenko e Evgeny Vitishko, que fazem parte de uma organização no norte do Cáucaso Watcher Ambiental em Krasnodar. Os ambientalistas foram presos e receberam tratamentos impróprios. A entidade defende que ambos são prisioneiros de consciência.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Além da Fronteira: gays no estado de apartheid

carta maior
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Cultura/Alem-da-Fronteira-gays-no-estado-de-apartheid/39/30068


Além da Fronteira: gays no estado de apartheid

A história de uma realidade pouco conhecida: a manipulação pela polícia secreta israelense de gays palestinos que conseguem passe para circular em Tel-Aviv


Léa Maria Aarão Reis
divulgação
 
Três temas explosivos constituem o excelente roteiro de Além daFronteira, filme modesto financiado por pequenas produtoras palestinas, por um canal de TV e pelo Israel Film Fund, e realizado por um estreante em longas metragens, Michael Mayer, nascido em Tel-Aviv mas que vive e trabalha em Los Angeles há 18 anos. O filme mostra o apartheid dos palestinos em Israel; a situação precária dos árabes homossexuais, no caso em Ramallah; e o estado policial truculento que, com a repressão feroz que pratica contra gays, vem afastando as melhores jovens cabeças de um lado e do outro da região e levando moços universitários a migrarem para longe.
 
 
Mayer filmou com câmera na mão, em imagem digital de alta definição e em 16 milímetros, e cria uma imagem “suja”, sombria, de luz bruxuleante - inspirada no célebre fotógrafo de O Poderoso Chefão, Gordon Willis – para passar a idéia de marginalização, urgência, perigo e perseguição. Ele mesmo é autor do roteiro enxuto e preciso baseado em pesquisas que fez em Tel-Aviv e na Cisjordânia sobre a condição dos homossexuais oriundos de famílias de classe média de um lado e do outro da fronteira que, se por um lado é das mais fechadas que se tem notícia, pelo outro, como mostra o seu filme, a força da necessidade humana dribla a repressão e pode torná-la pouco a pouco porosa como vem ocorrendo - embora a um alto custo e risco para os de Gaza e da Cisjordânia.
 
A história desta realidade pouco conhecida, da manipulação dos gays que circulam em Israel, é focalizada no jovem palestino Nimr (Nicholas Jacob, um bom ator), estudante talentoso de Psicologia em final de faculdade em Ramallah, que consegue autorização para cursar, uma vez por semana, as aulas de determinada especialização na universidade de Tel-Aviv. Assim, atravessa a fronteira legalmente. Ninguém na sua família sabe de sua homossexualidade e na cidade israelense ele se sente à vontade para frequentar clubes gays, território em que palestinos e judeus convivem pacificamente. Lá conhece o jovem advogado judeu Roy (ator Michael Aloni), de família influente, e os dois se apaixonam.
 
Mas, espionando esse pequeno mundo de pessoas vulneráveis e semiclandestinas, a polícia secreta israelense, o Mossad, se dedica, covardemente, a prender e chantagear palestinos gays forçando-os a espionarem ativistas em troca de se beneficiarem com o passe para atravessar a fronteira sem problemas.
 
Nimr recusa.
 
A pressão para que eles se tornem colaboracionistas é o cerne da questão no filme. Caso recusem o jogo duplo, têm cancelada a autorização e são levados à força de volta aos territórios palestinos, onde podem ser executados pelos próprios concidadãos: porque seriam traidores e homossexuais. Isso ocorre com Mustafá, um personagem central no filme de Mayer.
 
 
“Estamos em uma região onde ninguém pode esquecer a sua origem, onde nasceu e de onde vem”, diz um policial a um dos rapazes. “Se tiver algum problema na ficha de segurança, sua vida (profissional) não irá longe”, ele lembra ao jovem advogado homossexual judeu iniciando a carreira no conhecido escritório do pai.
 
Mayer faz do seu filme mais que uma versão da história de amor mal parada de Romeu e Julieta. Além da fronteira narra uma história de amor entre os dois rapazes interditada pelas regras anacrônicas, mas vai adiante. Mostra como, no panorama da tensa situação política permanente entre judeus e palestinos, não tem jeito: tem-se que escolher um lado.
 
A originalidade do filme é a de que não se trata de um trabalho de convencimento pacifista tradicional repleto de boas intenções como em outros filmes recentes: Lemmon tree e Uma garrafa no mar de Gaza entre elesO preconceito, por parte dos árabes, tem raízes na religião e na cultura conservadora. Em Israel, os homossexuais parecem assimilados a contragosto e as tintas políticas são claras. Deve-se obedecer as normas de pureza racial. A homossexualidade é permitida desde que praticada com parceiros judeus – ou não árabes.
 
Discriminação evidente na observação cruel, e de uma grosseria ignominiosa, que o agente policial faz ao jovem advogado: “Você não se satisfaz comendo o pau dos gays judeus e ainda vai procurar os palestinos?”
 
A propósito do assunto, Mayer observou, quando esteve no Rio  de Janeiro, ano passado, apresentando Além da fronteira: “O assunto é mesmo um tabu. Conheci alguns casais gays que viviam a mesma situação que a do filme. A forma como cada um deles administra esses relacionamentos, com a sociedade e a família, dependia muito da origem deles.”
 
Ele lembra que há muitos palestinos como o seu personagem, Nimr, que têm de lidar com o problema de não poder viver como cidadão em Israel. Segundo ele, há avanços, mas muito ainda a ser feito. “Nos Estados Unidos existe uma aparente igualdade, tolerância e respeito relacionados à homossexualidade; mas também muito preconceito e até violência. Volta e meia há notícias de gays espancados e ofendidos. Isso tem que mudar.”
 
Aos poucos muda. Além da fronteira repercute e está para ser exibido em canal de televisão a cabo israelense, foi premiado num festival de cinema de Haifa, cidade progressista do país, e há diversos grupos organizados que tentam mostrá-lo em Ramallah.  
 
Na África, no entanto, o atraso e o preconceito perduram e a homofobia propicia histórias trágicas. Um dia depois de assistirmos ao filme de Michael Mayer, no Rio de Janeiro onde se encontra em cartaz há meses, tomamos conhecimento da história Roger Jean-Claude Mbédé, da República de Camarões, um jovem universitário brilhante, inteligente, estudante de Teologia e de Filosofia, denunciado como gay, julgado e mantido preso durante um ano. Seu caso foi monitorado por advogados ligados aos movimentos de direitos humanos na África que pouco conseguiram fazer pelo rapaz.
 
Mbédé foi humilhado, torturado, renegado e expulso da sua aldeia quando os vizinhos tomaram conhecimento da sua condição. Tornou-se pária, não foi possível tirá-lo do país e levá-lo para a Europa. A família, envergonhada, escondeu-o dizendo-se desonrada. Mbédé adoeceu gravemente, foi dado como desaparecido durante meses e não foi hospitalizado. Morreu há uma semana.
 
 
Atualmente, 78 países proíbem as relações amorosas de pessoas do mesmo sexo. O que nos lembra a frase em um dos diálogos do belo grande/pequeno filme de Mayer: “É preciso mais do que um exército para se construir um Estado.”