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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Google entregou dados de integrantes do WikiLeaks ao FBI

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http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed835_google_entregou_dados_de_membros_do_wikileaks_ao_fbi


Google entregou dados de integrantes do WikiLeaks ao FBI

27/01/2015 na edição 835
Tradução e edição: Leticia Nunes. Informações do WikiLeaks [“Google hands data to US Government in WikiLeaks espionage case”, 26/1/15] e de Ed Pilkington e Dominic Rushe [“WikiLeaks demands answers after Google hands staff emails to US government”, The Guardian, 25/1/15]
 
Advogados do WikiLeaks escreveram ao Google e ao Departamento de Justiça dos EUA para condenar o que classificam de uma grave violação da privacidade e dos direitos jornalísticos de membros da organização, que dedica-se a divulgar informações confidenciais de governos e empresas. O Google revelou, em dezembro de 2014, que entregou ao governo americano os emails e metadados de três jornalistas do WikiLeaks em março de 2012 com base em mandados que citavam “conspiração” e “espionagem” por parte da ONG.
Em uma mensagem endereçada ao presidente do Google, Eric Schmidt, o WikiLeaks afirma ter ficado “espantado e preocupado” com o fato da empresa ter esperado mais de dois anos e meio para notificar as pessoas envolvidas sobre a entrega de seus dados ao governo. O Google afirmou à organização que não pôde revelar a informação mais cedo por causa de uma ordem de silêncio sobre os mandados – não especificou, porém, quando esta ordem de silêncio foi suspensa.
Os mandados ordenavam a entrega do conteúdo de todos os emails enviados e recebidos, além dos rascunhos e mensagens apagadas, da editora de investigações do WikiLeaks, Sarah Harrison; da porta-voz da organização, Kristinn Hrafnsson; e do editor sênior Joseph Farrell. Estavam incluídos, ainda, os endereços eletrônicos dos remetentes e destinatários de cada email, além de data e hora do envio. O FBI também ordenou a entrega de todos os registros associados a contas de internet usadas pelos três, incluindo números de telefone, endereços de IP, detalhes sobre suas atividades online, números de contas bancárias e de cartões de crédito.
Respeito às leis
“Sinto-me enojada em saber que o FBI leu as palavras que eu escrevi para consolar minha mãe sobre a morte de um parente”, afirmou Sarah Harrison, que, além de trabalhar para o WikiLeaks, também dirige a Courage Foundation, organização de proteção a vazadores. A editora, que é britânica, acusa o Google de ajudar o governo americano a ocultar a invasão de privacidade a seus dados e mensagens pessoais. “Nem o Google nem o governo dos EUA estão honrando suas leis ou retóricas sobre a privacidade e a proteção à imprensa”, declarou.
O Google afirmou ao jornal britânico The Guardian que não se pronuncia sobre casos individuais. Um porta-voz da companhia declarou apenas que o Google “segue as leis como qualquer outra empresa”. Acredita-se que os dados obtidos pelas autoridades americanas façam parte de uma investigação conjunta dos Departamentos de Justiça, Defesa e Estado sobre o WikiLeaks aberta em 2010, depois que a organização publicou centenas de milhares de documentos secretos do governo.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Estados policiais à moda do “Ocidente”

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http://outraspalavras.net/capa/estados-policiais-a-moda-do-ocidente/


Estados policiais à moda do “Ocidente”

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Snowden revela: espionagem britânica interceptou conversas de centenas de jornalistas e considera repórteres investigativos “ameaça”. Europa quer ampliar vigilância sobre internet. Jornais brasileiros calam-se
Por Antonio Martins
O serviço secreto da Grã-Bretanha adquiriu poderes para interceptar, a partir de cabos de fibra ótica, as comunicações mantidas, via internet, por cidadãos de qualquer nacionalidade. Esta invasão é praticada sem autorização judicial, e resulta na captura e armazenamento de um enorme volume de informações. Jornalistas de algumas das publicações mais conhecidas do mundo estiveram entre os alvos. Estes profissionais – em especial os repórteres investigativos – “representam uma ameaça potencial à segurança”, segundo documentos de circulação reservada. Como se fosse pouco, os governos da Grã-Bretanha e de outros países europeus preparam-se para intensificar medidas de controle e vigilância social – usando como pretexto o atentado contra o Charlie Hebdo.
Este conjunto de revelações amedrontadoras foi feito nos últimos dias pelo diário londrinoThe Guardiancom base em documentos vazados por Edward Snowden, ex-agente da CIA hoje perseguido pelos Estados Unidos e refugiado em Moscou. Houve intensa repercussãoem diversas partes do mundo. Mas a mídia brasileira, que se diz frequentemente ameaçada de controle estatal, preferiu… omitir o fato de seus leitores.
TEXTO-MEIO
Os novos sinais de que a liberdade de expressão está se tornando algo fictício nas “democracias ocidentais” surgiram nesta segunda-feira (19/1). Após checar documentos fornecidos por Snowden, o Guardian confirmou um “experimento” de espionagem praticado pela principal agência de “inteligência” britânica,. Batizada com nome orwelliano de Quartel-General de Comunicações do Governo (GCHQ, em inglês), ela trabalha em estreita colaboração com a NSA (Agência Nacional de Segurança), dos EUA. Agiu em novembro de 2008. Praticou então, segundo o jornal, uma das “inúmeras drenagens nos cabos de fibras óticas que constituem a espinha dorsal da Internet”.
Como é comum nestes casos, o GCHQ não precisou obter autorização judicial. Na Grã-Bretanha, a Lei de Regulação dos Poderes Investigatórios (RIPA), aprovada em 2000 e sucessivamente ampliada em 2003, 2005, 2006 e 2010, permite à agência capturar comunicações privadas dos cidadãos a partir da decisão de um órgão interno. No episódio documentado por Snowden, a punção nos cabos óticos durou “menos de dez minutos”. Nesse período “70 mil e-mails foram recolhidos”.
Teria sido um mero exercício técnico? Um detalhe sugere que não. Entre os emais violados estão os de jornalistas da BBC, agência Reuters, rede de TV NBC e de quatro jornais de relevância global: The Guardian, New York Times, Le Monde e Washington Post, além do tabloide britânico The Sun. Entre o material interceptado, estão diálogos entre repórteres e seus editores.
The Guardian é cauteloso. “Nada indica nem que os jornalistas tenham sido propositalmente visados, nem que não tenham…” Mas o próprio Snowden ajuda a resolver esta dúvida hamletiana. Também na segunda-feira, emergiram outros documentos vazados por ele, registrando observações que o GCHQ trocou com agências congêneres. Nestes textos, os jornalistas são vistos como ameaças equivalente a “serviços secretos inimigos, hackers ou terroristas” . Alguns dos trechos revelados sustentam: “jornalistas e repórteres de todos os tipos de mídia representam uma ameaça potencial à segurança”; “deve-se manter preocupação específica diante dos ‘jornalistas investigativos’”.
As tentativas de limitar a ação da imprensa vão além da espionagem. Na terça-feira, um dia depois das revelações de Snowden, um grupo de cem editores britânicos dirigiu carta conjunta ao primeiro-ministro David Cameron. O texto protesta contra a espionagem de que a imprensa é vítima e revela fatos espantosos. Em pelo menos um caso conhecido, a polícia de Londres serviu-se da RIPA para quebrar clandestinamente os sigilo telefônico de jornalistas – no caso, do tabloide The Sun. O objetivo, segundo uma matéria do Washington Post, foi quebrar o sigilo de fonte, uma dos pilares da liberdade de imprensa. Os comandantes da polícia puderam “identificar e punir fontes policiais legítimas” que haviam fornecido informações ao The Sun. As consequências são óbvias, frisa a carta enviada a Cameron. “Ninguém procurará a imprensa no futuro, para fazer revelações sobre o Estado, se agentes da lei tiverem o poder de quebrar o sigilo telefônico dos jornalistas”.
O alarme provocado pelos vazamentos de Snowden levará os governos da Grã-Bretanha e de toda a Europa a restaurar princípios democráticos elementares? Tudo indica que não, a depender dos atuais dirigentesNa terça-feira (20/1), uma matéria publicada no The Intercept, o site dirigido pelo jornalista Glenn Greenwald, fez um breve balanço das novas medidas de controle social em exame nos Estados europeus, após o atentado contra o Charlie Hebdo.
O texto aponta: busca-se aprovar leis que “autorizem a captura e armazenamento de volumes maciços de dados pessoais”. Os governantes mais empenhados em dar este passo são os primeiros ministros da Alemanha e Grã-Bretanha, Angela Merkel e David Cameron, e o presidente francês François Hollande. A proteção contra atos bárbaros com a chacina de doze jornalistas é apenas pretexto, demonstra The Intercept. Precisamente porque na França (hoje, exceção na Europa) “já estão em vigor muitas das leis ‘anti-terror’ que Merkel e outros estão tentando adotar no continente – mas elas obviamente não preveniram o atentado em Paris”…
Mesmo na Europa, a reação da velha mídia aos atos que ameaçam sua liberdade é, até o momento, tímido. O escritor John Pilger tem lembrado que, diante de seu próprio declínio político e econômico, os governos ocidentais procuram produzir artificialmente um estado de guerra, ao qual submeteram-se jornais outrora combativos.
Mas nada se compara com o Brasil. Passados quatro dias após as revelações de Snowden,nada saiu a respeito nos três jornais mais vendidos no país – Folha, O Globo Estado de S.Paulo. Desatenção? Incompetência? Ou simplesmente censura?

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Empresa russa denuncia campanha de ciberespionagem contra países latino-americanos

adital
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=82161

Empresa russa denuncia campanha de ciberespionagem contra países latino-americanos

Natasha Pitts
Adital
Uma ação de ciberespionagem pode estar em andamento neste momento, prejudicando os países da América Latina. A denúncia foi feita por Dmitry Bestuzhev, diretor da equipe de segurança e análises para a América Latina da empresa russa Kaspersky Lab durante o encerramento da "4ª Cúpula de Analistas de Segurança: A hiperconectividade e suas consequências para a privacidade e a segurança”, realizada recentemente em Cartagena, na Colômbia.

De acordo com Bestuzhev, a operação ilegal, batizada de "Machete” (facão), está em andamento desde 2010 e busca conseguir informação militar, diplomática e governamental. Até o momento, pelos menos 778 pessoas e entidades da Venezuela (46%), Equador (36%) e Colômbia (11%) teriam sido atingidas pelas operações de espionagem. Representações diplomáticas latino-americanas em países como Rússia, Bélgica, França, China e Espanha também teriam sido espionadas.
"Não podemos especular sobre as origens, mas sabemos que quem está por trás fala espanhol e é da América Latina. Foram roubadas centenas de gigabytes de informação classificada”, assegurou o diretor da Kaspersky. Bestuzhev acrescentou ainda que o interesse maior é por informação militar altamente classificada, como viagens, folha de pagamento, radares e tudo mais que esteja relacionado à segurança nacional de um governo.
Investigações da empresa russa apontaram que o plano "Machete” está em funcionamento desde 2010 e foi reestruturado em 2012, mas só foi descoberto em 2013, quando a Kaspersky Lab encontrou, no computador de um cliente, um general de um país latino-americano, mecanismos para a gravação de arquivos de áudio, arquivos cifrados e outros com linguagens de programação. Pelo tipo de informação roubada, os especialistas da empresa russa especulam que os cibercriminosos podem ter sido contratados por governos da própria região.
"Essa operação é capaz de interceptar teclados, gravar áudios com o microfone do computador, fazer capturas das imagens da tela, reportar geolocalização e roubar arquivos de um servidor remoto”, detalhou Bestuzhev, acrescentando que basta o computador ser infectado uma vez para começar a emitir informações.
Os computadores são infectados quando descarregam arquivos de Power Point, que os cibercriminosos criam segundo o perfil da vítima. Geralmente, são materiais relacionados a pornografia, política ou guerra. Uma vez com acesso ao computador, o atacante envia a informação roubada a várias páginas web em seu poder.
Durante a Cúpula, também foi informado sobre outras campanhas paralelas de roubo de informação. Os países com o maior número de usuários únicos atacados são Rússia (40%), Índia (8%), Vietnã (4%), Ucrânia (4%) e Reino Unido (3%). No entanto, há um incremento de ataques cibernéticos nos países da América Latina, sendo o Brasil o mais afetado da região.
Os ataques são promovidos por pessoas contratadas por governos ou empresas para roubarem propriedade intelectual ou informação de interesse, seja retirando-as de computadores, celulares ou tablets. Assim, os dados roubados são usados para ataques cibernéticos. Os participantes da Cúpula de Segurança alertaram sobre o cuidado que se deve ter com o conteúdo colocado diariamente nas redes sociais.
Com informações de Hispan TV e Agência Venezuelana de Notícias (AVN).

Natasha Pitts

Jornalista da Adital

domingo, 24 de agosto de 2014

wikileaks: EUA armaram terror do “Estado Islâmico”

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http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=18553

wikileaks: EUA armaram terror do “Estado Islâmico”


Um terrorista do ISIS prepara-se para decapitar o jornalista norte-americano Jim Foley, em vídeo divulgado hoje. Casa Branca incentivou, por anos, grupo que agora ataca cidadãos norte-americanos
Um terrorista do ISIS prepara-se para decapitar o jornalista norte-americano Jim Foley, em vídeo divulgado hoje. Casa Branca incentivou, por anos, grupo que agora ataca cidadãos norte-americanos
Documentos vazados revelam: Washington rejeitou proposta síria para combater grupo ultra-fundamentalista. Pretendia usá-lo em favor de seus interesses no Oriente Médio…
Por Charles Nisz, no Opera Mundi
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Os Estados Unidos se recusaram a ajudar o governo da Síria a combater grupos radicais islâmicos como a Al-Qaeda e o ISIS (Exército Islâmico do Iraque e da Síria, que recentemente mudou de nome para Estado Islâmico). Além disso, segundo revelações feitas pelo site Wikileaks, o governo norte-americano armou grupos como o ISIS. Os quase 3 mil documentos sobre essa questão foram vazados pelo site dirigido por Julian Assange em 8 de agosto.

Em 18 de fevereiro de 2010, o chefe da inteligência síria, general Ali Mamlouk, apareceu de surpresa em uma reunião entre diplomatas norte-americanos e Faisal a-Miqad, vice-ministro das relações exteriores da Síria. A visita de Mamlouk foi uma decisão pessoal de Bashar al-Assad, presidente sírio, em mostrar empenho no combate ao terrorismo e aos grupos radicais islâmicos no Oriente Médio, assinala o documento.

Neste encontro com Daniel Benjamin, coordenador das ações de contra-terrorismo dos EUA, “o general Mamlouk enfatizou a ligação entre a melhoria das relações EUA-Síria e a cooperação nas áreas de inteligência e segurança”, afirmam os diplomatas norte-americanos em telegrama destinado à CIA, ao Departamento de Estado e às embaixadas dos EUA em Líbano, Jordânia, Arábia Saudita e Inglaterra.

Para Miqad e Mamlouk, essa estratégia passava por três pontos: com o apoio dos EUA, a Síria deveria ter maior papel na região, a política seria um aspecto fundamental para ações de cooperação contra o terrorismo e a população síria deveria ser convencida dessa estratégia com a suspensão dos embargos econômicos contra o país. Para Imad Mustapha, embaixador sírio em Washington, “os EUA deveriam retirar a Síria da lista negra”. Desde o tempo de George W. Bush, o país fazia, para os EUA, parte do “eixo do mal”, junto com Coreia do Norte e Afeganistão.
Apesar da discordância entre EUA e Síria quanto ao apoio de Assad a grupos como Hezbollah e Hamas, os dois países concordavam quanto à necessidade de interromper o fluxo de guerrilheiros estrangeiros para o Iraque e impedir a proliferação de grupos radicais, como a Al-Qaeda, o ISIS e o Junjalat, uma facção palestina com a mesma orientação política. Para Benjamin, as armas chegavam ao Iraque e ao Líbano contrabandeadas pelo território sírio.
Mamlouk reforçou a “experiência síria em combater grupos terorristas”. “Nós não ficamos na teoria, tomamos atitudes práticas”, foram as palavras do chefe de inteligência de Assad. Segundo o general, o governo sírio não mata ou ataca imediatamente esses grupos. “Primeiro, nós nos infiltramos nessas organizações e entendemos o funcionamento delas”. De acordo com Damasco, “essa complexa estratégia impediu centenas de terroristas de entrarem no Iraque”.
Guerra do Iraque e surgimento do Estado Islâmico
No entanto, apesar de afirmarem cooperar com a Síria para combater o terrorismo, os EUA também trabalharam para armar os opositores sírios e isso causaria um problema maior na região: a criação do atual Estado Islâmico. Segundo documentos obtidos pelo jornal britânico Guardian, grande parte do armamento utilizado pelo ISIS (antigo nome do Estado Islâmico) veio de grupos armados pelos EUA e cooptados por Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Califado Islâmico, que hoje controla territórios na Síria e no Iraque.
Saddam al-Jammal, líder do Exército de Libertação da Síria, outro grupo anti-Assad, também jurou lealdade ao Estado Islâmico desde novembro de 2013. Para garantir tal apoio, o ISIS mudou a sua estratégia de controle: dava autonomia a essas autoridades locais em vez de controlar diretamente a governança das cidades. Como resultado, o ISIS se expandiu e conseguiu lutar em cinco frentes: contra o governo e os opositores sírios, contra o governo iraquiano, contra o Exército libanês e milícias curdas.
O armamento começou a ser enviado para os opositores sírios em setembro de 2013. Na época, analistas davam o ISIS como terminado e a alegação para fortalecer esses grupos era a de que o governo Assad havia usado armas químicas. Para enviar as armas, o governo Obama usou bases clandestinas na Jordânia e na Turquia. Aliados dos EUA na região, como Arábia Saudita e Catar, também forneceram ajuda financeira e militar.
Ironicamente, os EUA sabem inclusive a real identidade do líder do Califado. Durante um ataque à cidade iraquiana de Falluja em 2004, os norte-americanos prenderam alguns dos militantes pelos quais procuravam. Entre eles, estava um homem de trinta e poucos anos e pouco importante na organização: Ibrahim Awad Ibrahim al-Badry. 10 anos depois, ele se tornaria líder da mais radical insurgência islâmica contra o Ocidente, segundo informações de um oficial do Pentágono.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Por que a segurança nacional dos EUA nada tem a ver com segurança

carta maior
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Por-que-a-seguranca-nacional-dos-EUA-nada-tem-a-ver-com-seguranca/6/31585



10/08/2014 - Copyleft

Por que a segurança nacional dos EUA nada tem a ver com segurança

Como observou o general Lee Butler, é quase um milagre que tenhamos escapado da destruição total, via armas nucleares, até agora.


Noam Chomsky (*) - Tom Dispatch
Arquivo

Se alguma espécie extraterrestre estivesse compilando uma história do homo sapiens, ela poderia muito bem dividir o seu calendário em duas eras: AAN (antes das armas nucleares) e EAN (a era das armas nucleares). Esta última era, claro, foi aberta em 6 de agosto de 1945, o primeiro dia na contagem regressiva para o que pode ser o fim desta estranha espécie, que encontrou os meios efetivos para destruir a si mesma, mas – como sugerem as evidências – não a capacidade intelectual e moral de controlar seus piores instintos. O dia um da EAN foi marcado pelo “sucesso” de Little Boy, uma simples bomba atômica. No dia quatro, Nagasaki experimentou o triunfo tecnológico de Fat Man, um design mais sofisticado de bomba.

Cinco dias depois, veio o que na história das Forças Aeronáuticas dos EUA se chama “grand finale”, o ataque dos mil aviões – de maneira alguma uma grande conquista logística -, sobre as cidades japonesas, matando centenas de milhares de pessoas, com panfletos caindo junto a bombas com os dizeres “o Japão se rendeu”. Truman anunciou a rendição antes que o último B-29 retornasse a sua base.

Esses foram os anos auspiciosos da EAN. Como agora entramos no ano 70, deveríamos contemplar criticamente como sobrevivemos. Podemos apenas chutar quantos anos ainda faltam.

Algumas reflexões sobre essses propectos sombrios foram oferecidas pelo general Lee Butler, ex-chefe do Comando Estratégico dos Estados Unidos (STRATCOM, na sigla em inglês), que controla armas nucleares e estratégia. Há vinte anos, ele escreveu que tínhamos sobrevivido até então, na EAN, “por uma combinação de habilidade, sorte e intervenção divina, e eu suspeito que a última em grande proporção”.

Ao refletir sobre a longa carreira do desenvolvimento das estratégias de armas nucleares e organizar as forças para implementá-las eficientemente,  ele descreveu a si mesmo cruamente como estando “entre os mais ávidos guardadores da fé nas armas nucleares”. Mas, continuou, ele tinha chegado ao entendimento de que agora “a sua missão era declarar com toda a convicção que devo que em meu juízo elas nos serviram extremamente mal”. E perguntou: “com que autoridade as gerações posteriores de líderes de estados que têm armas nucleares usurparão o poder de ditar as chances da vida continar em nosso planeta? Mais urgentemente, por que essa audácia de tirar o fôlego persiste num momento em que deveríamos tremer diante de nossa loucura de nos comprometer a abolir as suas manifestações mais mortais?”.

Ele chamou o plano estratégico dos EUA, de 1960, que pedia uma retirada total do conflito com o mundo comunista de “o documento mais absurdo e irresponsável que jamais li em minha vida”. Seu adversário soviético era provavelmente ainda mais insano. Mas é importante ter em mente que estavam em competição, e nem lhes passava perto a hipótese de aceitar facilmente as ameaças extraordinárias de sobrevivência.

A sobrevivência nos primeiros anos da Guerra Fria

De acordo com a doutrina dominante na universidade e no discurso intelectual em geral, o principal objetivo da política de estado é a “segurança nacional”. Há uma ampla evidência, no entanto, de que a doutrina da segurança nacional não acompanha a segurança da população. Os registros revelam que, por exemplo, a ameaça de uma destruição instantânea não ocupava o centro das preocupações dos grandes dirigentes e planejadores. E isso foi demonstrado desde o início, e assim persevera, até o presente momento.

Nos primeiros dias da EAN, o EUA gozava de uma segurança irresistivelmente poderosa e notável: o país controlava o hemisfério, os oceanos Atlântico e Pacífico, e os lados opostos a esses oceanos, também. Muito antes da Segunda Guerra, já tinha se tornado o país mais rico do mundo, com vantagens incomparáveis. Sua economia bombou durante a guerra, enquanto outras sociedades industriais foram devastadas ou severamente enfraquecidas. Com o começo da nova era, os EUA possuía aproximadamente metade de toda a riqueza mundial e até mais do que isso em capacidade industrial. Havia, no entanto, uma ameaça potencial: os mísseis intercontinentais com ogivas nucleares. Essa ameaça foi discutida no estudo de referência para políticas nucleares a que fontes de alto nível tinham acesso: Perigo e Sobrevivência: escolhas a respeito da bomba nos primeiros cinquenta anos, de McGeorge Bundy, conselheiro de segurança nacional durante os governos Kennedy e Johnson.

Bundy escreveu que “o desenvolvimento veloz dos misseis balísticos durante a administração Eisenhower é uma das maiores conquistas desses oito anos. Ainda assim, está na hora de se começar a reconhecer que tanto os EUA como a União Soviética poderiam estar em perigo nuclear muito menor, hoje, se [esses] mísseis jamais tivessem sido desenvolvidos”. Ele então acrescenta um comentário instrutivo: “Estou ciente de que não há qualquer proposta séria, contemporânea, dentro ou fora de nosso governo, de que os mísseis balísticos de alguma maneira deveriam ser banidos por acordo”. Numa palavra, não se cogitava, aparentemente, tentar prevenir uma só ameaça séria aos EUA, a ameaça de uma futura destruição numa guerra nuclear com a União Soviética.

Será que essa ameaça poderia ter sido afastada? É claro que não podemos ter certeza, mas seria dificilmente concebível. Os russos, muitíssimo atrás em desenvolvimento industrial e em sofisticação tecnológica, estavam muito mais cercados de ameaças. Eram, portanto, significativamente mais vulneráveis a esses sistemas de armas dos EUA. Deve ter havido oportunidades de explorar essas possibilidades, mas na histeria extraordinária daqueles dias isso dificilmente teria sido percebido. E essa histeria era na verdade extraordinária. Um exame da retórica utilizada em documentos oficiais centrais da época, como o Artigo NSC-68 do Conselho de Segurança Nacional, permanece bastante chocante, chegando até a se discutir a injunção do Secretário de Estado Dean Acheson, de que seria necessário “ser mais claro que a verdade”.

Uma indicação de possíveis oportunidades para golpear a ameaça foi uma proposta notável feita por Joseph Stalin, em 1952, oferecendo a permissão da unificação alemã, com eleições livres, sob a condição de, a partir de então, não houvesse mais alianças militares hostis. Essa era uma condição dificilmente extrema, à luz da história dos últimos 50 anos, durantes os quais somente a Alemanha tinha destruído a Rússia duas vezes, cobrando um alto custo ao país.

A proposta de Stalin foi levada a sério pelo respeitável analista político James Warburg, mas foi amplamente ignorada ou ridicularizada, na época. Estudos acadêmicos recentes começaram a fornecer uma visão diferente das coisas. O acadêmico veementemente anticomunista, estudioso da União Soviética, Adam Ulam, tomou a proposta de Stalin como um “mistério não esclarecido”. Washington “fez pouco esforço para rejeitar solenemente a iniciativa de Moscou”, escreveu ele, com base no fato de essa ser “embaraçosamente inconvincente”. O fracasso político, intelectual e acadêmico em geral deixou aberta a “questão fundamental”, acrescentou Ulam: “Stalin estava realmente pronto para sacrificar a recém-criada República Democrática Alemã (RDA) no altar da democracia real”, com consequências para a paz mundial e para a segurança americana, que poderiam ter sido enormes?

Resenhando pesquisa recente nos arquivos soviéticos, um dos mais respeitáveis acadêmicos da Guerra Fria, Melvyn Leffler, observou que muitos acadêmicos se surpreenderam em descobrir que “[Lavrenti] Beria – o sinistro, brutal e comandante da polícia secreta soviética – tinha proposto que o Kremlin oferecesse ao Ocidente um acordo para unificação e neutralização da Alemanha”, concordando em “sacrificar o regime da Alemanha Oriental comunista e reduzir as tensões entre Oriente e Ocidente” e melhorando as condições políticas e econômicas internas à Rússia – oportunidades que foram desperdiçadas em benefício da presença assegurada da Alemanha na OTAN. Sob essas circunstâncias, não é impossível que tenha havido acordos que podiam ter sido obtidos e que teriam assegurado a tranquilidade da população americana das ameaças sombrias no horizonte. Mas essa possibilidade aparentemente não foi considerada, o que indica, notavelmente, o quão pouco o papel de uma segurança nacional autêntica pesa na política de estado.

A crise dos mísseis cubanos e além

Essa conclusão foi subestimada repetidamente nos anos seguintes. Quando Nikita Khruschev tomou o controle da Rússia soviética em 1953, depois da morte de Stalin, ele reconheceu que a URSS não poderiam competir militarmente com os EUA, o país mais rico e poderoso na história, com vantagens incomparáveis. Se o país tinha esperança de escapar do colapso econômico e dos efeitos devastadores da última grande guerra, seria necessário reverter a corrida armamentista.

Assim, Khruschev propôs um acordo claro de redução mútua nas ofensivas armadas. O enviado da administração Kennedy considerou a oferta e a rejeitou, e esse governo passou à rápida expansão militar, mesmo já bastante à frente. O finado Kenneth Waltz, baseado em outra análise estratégica com conexões próximas à inteligência dos EUA, escreveu então que a administração Kennedy “tinha levado a cabo o mais estratégico e convencional tempo de paz militar desenvolvido no mundo até então...mesmo quando Khruschev tentava, por sua vez, levar a cabo uma grande redução nas forças convencionais e seguir uma estratégia de dissuasão mínima, e nós o fizemos apesar de o equilíbrio das armas estratégicas favorecerem enormemente os EUA”. De novo, ferindo a segurança nacional enquanto fortalece o poder do estado.

A inteligência dos EUA verificou que grandes cortes tinham sido feitos nos ativos das forças militares soviéticas, tanto em termos de areonaves, como de soldados. Em 1963, Khruschev mais uma vez pediu novas reduções. Como um gesto de demonstração de suas intenções, retirou tropas da Alemanha Oriental e convidou Washington a fazer o mesmo, reciprocamente. Essa proposta também foi rejeitada. William Kaufmann, um ex-conselheiro do Pentágono e analista consagrado em questões de segurança, descreveu o fracasso dos EUA em responder às iniciativas de Khruschev como, em termos de sua biografia, “o único arrependimento que tenho”.

A reação soviética ao desenvolvimento armamentista dos EUA nesses anos foi situar mísseis em Cuba, em outubro de 1962, para tentar retomar o equilíbrio, ao menos discretamente. O movimento também foi incentivado em parte pela campanha terrorista de Kennedy contra Fidel Castro, programado para levar à invasão naquele mesmo mês, como Cuba e a Rússia devem ter ficado sabendo. A “crise dos misseis” que se seguiu foi “o momento mais perigoso da história” nas palavras do historiador Arthur Schlesinger, conselheiro e confidente de Kennedy.

Quando a crise chegava ao apogeu, no fim de outubro, Kennedy recebeu uma carta de Khruschev oferencendo um termo para o imbróglio, por meio de uma retirada simultânea, tanto dos mísseis russos em Cuba como dos misseis Júpiter dos EUA, da Turquia. Estes últimos eram mísseis obsoletos, já com ordem de retirada pela administração Kennedy porque estavam sendo substituídos pelos muito mais letais submarinos Polaris, que estacionariam no Mediterrâneo.

A avaliação subjetiva de Kennedy, naquele momento, era que se ele recusasse a oferta do premiê soviético, havia uma probabilidade de 33 a 50% de guerra nuclear – uma guerra que, como o presidente Eisenhower havia alertado, teria destruído o hemisfério norte. Kennedy no entanto rejeitou a proposta de Khruschev de retirada pública dos misseis de Cuba e da Turquia; somente a retirada dos misseis de Cuba poderia ser pública, tanto para proteger o direito dos EUA a situar misseis nas fronteiras da Rússia, como em qualquer lugar que escolhesse.

É difícil pensar numa decisão mais horrenda na história – e por isso ele é ainda celebrado por sua coragem tranquila e como estadista.

Dez anos depois, nos últimos dias da guerra árabe-israelense, em 1973, Henry Kissinger, então assessor do Secretário de Segurança Nacional do Presidente Nixon, chamou um alerta nuclear. A proposta era advertir os russos a não interferirem nessas delicadas manobras diplomáticas designadas para garantir a vitória israelense, mas por pouco, de modo que os EUA mantivesse ainda o seu controle unilateral da região. E as manobras eram de fato delicadas. Os EUA e a Rússia tinham imposto, conjuntamente, um cessar-fogo, mas Kissinger informou, secretamente, aos israelenses, que eles poderiam ignorá-lo. Assim, a necessidade do alerta nuclear servia para afastar os russos para longe. A segurança dos americanos permaneceu no seu status padrão.

Dez anos depois, a administração Reagan lançou operações para testar as forças aéreas soviéticas, simulando ataques aéreos e navais e um alto nível de alerta nuclear, o suficiente para os russos detectarem. Essas ações foram levadas a cabo num momento muito tenso. Washington estava desenvolvendo os mísseis estratégicos Pershing II, na Europa, a cinco minutos de tempo de voo para Moscou.
 
O presidente Reagan também tinha anunciado o programa Iniciativa de Defesa Estratégica (“Star Wars”), que os russos entenderam como, efetivamente, o primeiro ataque, uma interpretação padrão da defesa dos mísseis de todos os lados. E outras tensões vinham aumentando.

Naturalmente, essas ações causaram grande alarde na Rússia, a qual, diferentemente dos EUA, estava bastante vulnerável e tinha repetidamente sido invadida e virtualmente destruída. Isso levou a uma guerra de escala maior em 1983. Arquivos recentemente abertos revelaram que o perigo era ainda mais severo do que aquilo que historiadores tinham pensado. Um estudo da CIA intitulado “O Medo da Guerra era de verdade” concluiu que a inteligência dos EUA pode ter subestimado as preocupações russas e a ameaça de um ataque nuclear preventivo soviético. Os exercícios “quase se tornaram um prelúdio para uma batalha preventiva nuclear”, de acordo com uma passagem do Journal of Strategic Studies.

Era ainda mais perigoso que isso, como aprendemos no último setembro, quando a BBC reportou que, exatamente em meio ao desenvolvimento dessas ameaças, o sistema de alarme da Rússia detectou um ataque de míssel oriundo dos EUA, levando o seu sistema de radar ao alerta máximo. O protocolo do exército soviético era retaliar com o seu próprio ataque nuclear. Felizmente, o oficial encarregado, Stanislav Petrov, decidiu desobedecer às ordens e não reportar os alertas aos seus superiores. Ele recebeu uma reprimenda oficial. E graças a essa indolência, ainda estamos vivos para falar a respeito.

A segurança da população não era mais uma alta prioridade para os estrategistas da administração Reagan, do que era para os seus predecessores. E assim continua, mesmo deixando de lado os numerosos e quase catastróficos acidentes nucleares que ocorreram ao longo dos anos, muitos deles analisados no assustador estudo de Eric Schlosser, Command and Control: Nuclear Weapons, the Damascus Accident and the Illusion of Safety [Comando e Controle: Armas Nucleares, o Acidente de Damasco e a Ilusão da Segurança]. Em outras palavras, é difícil contestar as conclusões do general Butler.

Sobreviência na era pós-Guerra Fria

Após a guerra fria, os registros das ações e doutrinas adotadas tampouco é reconfortante. Todo presidente que se preze tem de ter a sua doutrina. A Doutrina Clinton estava encapsulada no slogan “multilateral quando pudermos, unilateral quando devermos”. No testemunho congressual, a frase “quando devermos” foi explicada plenamente: os EUA está autorizado a dispor “do poder militar unilateral” para assegurar “acesso desimpedido a mercados chave, fornecimento de energia e recursos estratégicos”. Enquanto isso, o STRATCOM na era Clinton produziu um importante estudo, intitulado “Fundamentos da dissuasão no pós-Guerra Fria”, lançado bem depois de a União Soviética ter colapsado, quando Clinton estava estendendo o programa de expansão da OTAN, de George H.W. Bush para o oriente, numa violação às promessas feitas ao premiê soviético Mikhail Gorbachev – com reverberações para o presente.

Esse estudo do STRATCOM estava preocupado com “o papel das armas nucleares na era pós-Guerra Fria”. Uma conclusão central: que os EUA devem manter o direito de lançar o primeiro ataque, mesmo contra estados não-nucleares. Mais ainda: armas nucleares devem estar sempre prontas porque elas “representam uma sombra em qualquer crise ou conflito”. Isso quer dizer que elas estavam constantemente sendo usadas como se estivessem apontando uma arma, não para atirar, mas para roubar uma loja (um ponto que Daniel Ellsberg enfatizou, repetidamente). O STRATCOM vai adiante, para advertir que “os estrategistas não deveriam ser muito racionais em determinar...quais dos oponentes valem mais”. Tudo deveria ser simplesmente marcado como alvo. “Machuca essa atitude de nos portarmos como plenamente racionais e de cabeça fria... que os EUA possa se tornar irracional e vingativo se os seus interesses vitais forem atacados deveria ser uma parte da persona nacional que projetamos”. É “benéfico [para a nossa postura estratégica] que alguns elementos possam aparecer como potencialmente ‘fora de controle’”, representando assim uma ameaça constante de ataque nuclear – uma severa violação da Carta da ONU, se alguém liga para isso.

Não há muito aqui a respeito dos nobres objetivos constantemente proclamados – ou, no caso, sob o Tratado de Não-Proliferação de Armas, para atestar a “boa fé” dos esforços para eliminar esse flagelo da terra. O que isso soa, antes, é a uma adaptação dos famosos versos a respeito do Maxim (para citar o historiador africano Chinweizu):

“O que quer que aconteça, nós temos,
A Bomba Atômica e eles, não”.

Depois de Clinton veio, é claro, George W. Bush, cujo amplo aval à guerra preventiva facilmente abarcou o ataque japonês em dezembro de 1941, em duas bases militares de ultramar, dos EUA. Neste momento, os militaristas japoneses estavam bastante cientes de que os B-17 estavam apressados nas linhas de montagem, com o intento de “queimar o coração industrial do império com ataques a bomba nos altos de Honshu e Kyushu”. É assim que os planos pré-guerra foram descritos pelo seu arquiteto, o general das Aeronáutica Claire Chennault, com a aprovação entusiasmada do presidente Franklin Roosevelt, do secretário de estado Cordell Hull e do comandante em chefe general George Marshall.

Então veio Barack Obama, com palavras aprazíveis a respeito do trabalho para abolir o arsenal de armas nucleares – combinado com planos de gastar 1 trilhão de dólares no arsesnal nuclear dos EUA nos próximos 30 anos, um percentual do orçamento militar “comparável ao gastos para a aquisição de novos sistemas estratégicos nos anos 80, sob a administração Ronald Reagan”, de acordo com um estudo do Centro James Martin para os estudos de não-proliferação, no Instituto Monterrey de Estudos Internacionais.

Obama também não hesitou em jogar com fogo para ter ganho político. Tome-se por exemplo a captura e assassinato de Osama Bin Laden, pela marinha americana e peloS SEALs . Obama comprou com orgulho a ação, num importante discurso sobre segurança nacional, em maio de 2013. Foi amplamente coberto, mas um parágrafo crucial foi ignorado.

Obama celebrou a operação mas acrescentou que ela não poderia ser a norma. A razão, disse ele, é que os riscos “eram imensos”. “Os SEALs devem ter sido envolvidos num extenso tiroteio”. Embora, por sorte, isso não tenha acontecido, “o custo para a nossa relação com o Paquisão e a regressão de nossa imagem dentre o público paquistanês diante da invasão sobre o seu território tenha sido...severa”.

Vamos acrescentar alguns poucos detalhes. Os SEALs tiveram a ordem de bombardear o que vissem pela frente. Não teriam sido deixados à própria sorte, “envolvidos em tiroteios exensos”. Todas as forças do exército dos EUA teriam sido usadas para retirá-los de situação difícil. O Paquistão tem um exército poderoso e bem treinado, altamente protetor de sua soberania estatal. E tem também armas nucleares, e os especialistas paquistaneses estão preocupados com as possíveis penetrações em seu sistema de segurança nuclear por elementos jihadistas.
 
Também nao é segredo que a população tem sido empurrada para a radicalização por meio da campanha de terror com drones, de Washington, e por outras políticas.

Enquanto os SEALs ainda estavam na agenda Bin Laden, o comandante em chefe do Paquistão, Ashfaq Parvez Kayani, foi informado da ação e comandou o exército para “confrontar qualquer aeronave sem identificação”, que ele pensava seriam de origem indiana. Enquanto isso, em Cabul, o comandante de guerra general David Petraeus, ordenou que “aviões de guerra” respondessem, caso os paquistaneses “usassem seus jatos de ataque”. Como disse Obama, por sorte o pior não ocorreu, embora tivesse podido ser bem feio. Mas os riscos eram vistos sem preocupação séria. Ou tampouco qualquer comentário subsequente.

Como observou o general Butler, é quase um milagre que tenhamos escapado da destruição total até agora. E quanto mais tentarmos o destino, menos provável é que tenhamos esperança na intervenção divina para perpetuar o milagre.


(*) Noam Chomsky é linguista, professor emérito aposentado do Massachussets Institute of Technology – MIT. É autor de vários livros e artigos sobre política internacional e questões sociais e políticas. 

Tradução: Louise Antônia Leon


Créditos da foto: Arquivo




Sérgio La-Rocque - 11/08/2014
J. V. Stálin 5 de Outubro de 1951 - Sobre Armas Nucleares Pergunta: %u214 Que pensais da gritaria levantada nestes dias na imprensa americana a propósito das experiências com a bomba atômica na União Soviética? Resposta: %u214 De fato, há pouco, no país soviético, foi feita a experiência com um dos tipos da bomba atômica. As experiências com bombas atômicas de diversos calibres continuarão também, no futuro, de acordo com o plano de defesa de nosso país contra qualquer ataque do bloco agressivo anglo-americano. Pergunta: %u214 Em relação às experiências com a bomba atômica, diversos políticos norte-americanos levantam alarme e gritam, dizendo que a segurança dos Estados Unidos está ameaçada. Existe acaso algum fundamento para tal alarme? Resposta: %u214 Não existe fundamento algum para tal alarme. Os políticos dos Estados Unidos não podem deixar de saber que a União Soviética se coloca não somente contra o emprego da arma atômica, como também pela sua proibição e pela cessação de sua fabricação. Como se sabe, a União Soviética já reivindicou por várias vezes a proibição da arma atômica e todas as vezes em que o fez esbarrou com a recusa das potências que constituem o bloco do Atlântico Norte. Isso significa que, em caso de agressão dos EE. UU. contra o nosso pais, os círculos governantes dos Estados Unidos empregarão a bomba atômica. É precisamente esta circunstância que obriga a União Soviética a possuir a arma atômica para receber os agressores devidamente preparada. Certamente, os agressores gostariam que a União Soviética estivesse desarmada em caso de agressão contra ela. Mas a União Soviética não está de acordo com isso e pensa que é necessário receber os agressores devidamente preparada. Por conseguinte, se os EE. UU. não pensam agredir a União Soviética, o alarme dos políticos dos Estados Unidos deve ser considerado supérfluo e falso, pois a União Soviética jamais pensou em agredir os EE. UU. ou qualquer outro país. Os políticos dos EE. UU. estão descontentes pelo fato de que o segredo da arma atômica seja posuido não só pelos Estados Unidos, como também por outros países e, antes de mais nada, pela União Soviética. Eles gostariam que os Estados Unidos fossem os monopolistas da fabricação da bomba atômica para que os Estados Unidos tivessem a ilimitada possibilidade de amedrontar e fazer chantage nas suas relações com os outros países. Mas, em que se baseiam e com que direito pensam assim? Os interesses da manutenção da paz exigem, por acaso, semelhante monopólio? Não! Será mais certo dizer que acontece precisamente o contrário. Que os interesses da manutenção da paz exigem antes de mais nada a liquidação de semelhantes monopólios e, depois, a proibição incondicional da arma atômica. Penso que os partidários da bomba atômica só aceitarão a proibição da arma atômica se virem que já não são mais os monopolistas de tal arma.

Roméro Samuel Carneiro - 10/08/2014
É desanimador,ter conhecimento de tais fatos. Grade Sr.Noam Chomsky,isto da o que pensar o porque das dissidências estadunidense,dos Snowden's da vida,do casal JULIUS e ETHEL ROSENBERG,que transmitiram segredos da bomba atômica dos EU aos Russos,e por isso foram condenados a morte,executados na prisão de Sing Sing,no estado de Nova York. Denunciar é preciso,Longa vida ao Sr. Chomsky,

Fausto Neves Ribeiro da Silva - 10/08/2014
Isto é um documento, para guardar e buscar aprofundar. É publicado quando um Estado que tem armas nucleares está em constante agressão a um outro Estado que não dispõe de organização e orçamento militar. Se um "Kissinger informou, secretamente, aos israelenses, que eles poderiam ignorar um cessar-fogo", o precedente já existe. E se a doutrina da segurança nacional de Israel deixar de acompanhar a tão propalada segurança da população?