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domingo, 8 de setembro de 2019

Arnaldo Antunes lança poema-manifesto contra Bolsonaro


http://www.esquerdadiario.com.br/Arnaldo-Antunes-lanca-poema-manifesto-contra-Bolsonaro?fbclid=IwAR09MXr91rB4TjSlhVl2PJibgZHmIUfmhGGF3Jv-rcQUX7eSy3kPfPWQ4d8

A ARTE CONTRA BOLSONARO

Arnaldo Antunes lança poema-manifesto contra Bolsonaro

Nessa semana o cantor e poeta Arnaldo Antunes lançou em sua página do Facebook o que chamou de “desabafo e não um poema”.


São Paulo | @gabriela_eagle
segunda-feira 15 de outubro de 2018| Edição do dia

No vídeo a letra do texto em que o autor fala do assassinato de Môa do Katendê “por conta de uma divergência política num bar”, sobre a extrema-direita agindo contra a arte, cultura, educação, liberdade de expressão, e democracia, sobre como o mercado vem apoiando Bolsonaro sem ligar para aonde caminha o Brasil. O ódio e o horror que pregam Bolsonaro reproduzindo frases do mesmo como: “eu apoio a tortura”, “eu defendo a ditadura”, “eu vou fechar o congresso”, “não servem nem pra procriar”, “não te estupro por que você não merece”, “a gente vai varrer esses vagabundos daqui”, “o erro foi torturar e não matar”, “viadinho tem que apanhar”.
Continua colocando os argumentos de quem defende o candidato: “sim mas veja a Venezuela”, “é para acabar com a corrupção”, “nós queremos segurança”, “não é bem assim”. Arnaldo questiona como explicar o que é Bolsonaro para esses que só querem matar, atirar, vingar, em nome da pátria, família, propriedade, segurança. Arnaldo cita Marielle e “sua placa rompida rasgada, desonrada, pelas mãos truculentas de brutamontes prepotentes com suas camisetas estampadas com a face do coiso”. Relembra o apoio de Bolsonaro a Ustra “aquele que além de torturar levava crianças para verem suas mães torturadas. A vitória da direita excita “em outros o desejo de exercer seu obscuro poder de milícia, polícia, esquadrão da morte”.
Arnaldo faz referência Intervenção Federal do Rio de Janeiro, cita outras frases mais recentes de Bolsonaro: “ não vai ter ONG, não vai ter ativismo, não vai ter mimimi”, e to da a campanha de Bolsonaro que se pauta em fake newse em seguidores que cravam “suásticas nazistas na pele da menina que usava Ele Não”. Arnaldo continua colocando quais serão os resultados de uma extrema-direita no poder, cita o Museu Nacional, o projeto “Escola sem Partido”, a reforma curricular, o “golpe que precisa parir outro golpe, ou autogolpe”. Tudo em nome Deus Bolsonaro é contra “os dferentes os misiráveis os favelados, os do outro lado, os que se manifestam, ou contestam, ou pensam de outra forma, ou se vestem de outro cor, ou tem outra cor. Arnaldo denuncia os que agora se declaram neutros “lavando as mãos como Pilatos”, ou aqueles que declaram os dois lados extremistas. Bolsonaro e a extrema-direita são defensores da Ditadura e conseguem respaldo no STF quando o seu presidente afirma que não foi golpe militar, foi um movimento, porém para que não tenhamos o sentimento de derrota o autor nos chama dizendo que “ainda dá para evitar, ainda é tarde de menos para conter o ódio” e termina declarando o seu voto em Haddad.
Abaixo colocamos na íntegra o vídeo e poema:

IstoNãoÉUmPoema
isto não é um poema

desabafo
que não pude não
fazer e não pude fazer
de outra forma
que não fosse
assim
fatiando as frases
no espaço
aqui
hoje
eu vi
aterrorizado
um artista assassinado
Moa do Catendê,
mestre de capoeira,
autor do Badauê —
por conta de uma divergência política num bar
da Bahia
depois corri o dedo
sobre a tela e
vi e ouvi
arrepiado
Luiz Melodia
(também negro e compositor,
também com o cabelo rastafari,
como a vítima do post anterior)
cantando
“no coração do Brasil”
e repetindo muitas vezes
esse refrão
“no coração
do Brasil”
“no coração do Brasil”
que tento sentir
pulsar ainda
entre a luz de Luiz
e a treva
desse buraco vazio
que não pulsa mais no peito
de Moa do Catendê
e “não existe amor em SP”
ou “no coração do Brasil”
fraturado
nesses dias
brutos
de coturnos
chucros
a chutar a cara
de quem
ama
arte
cultura educacão
liberdade de expressão
diversidade
cidadania
solidariedade
democracia
mas não se dá
a mínima
o que importa é se subiu
a bolsa
caiu
o dólar
se todos vão prosseguir
seguindo
docilmente para o abismo
nessa insanidade coletiva
em que o Brasil nega
qualquer Brasil
possível
cega
qualquer futuro possível
e o ódio
o horror e o
ódio
e nada que se diga faz sentido
mais
para quê
expor na cara desses caras
a palavra explícita
(gravada em vídeo e repetida, repetida, repetida)
do seu “mito”
dizendo
“eu apoio a tortura”
“eu defendo a ditadura”
“eu vou fechar o congresso”
“não servem nem para procriar”
“não te estrupro porque você não merece”
“a gente vai varrer esses vagabundos daqui”
“o erro foi torturar e não matar”
“viadinho tem que apanhar”
etc etc etc etc etc
e tudo mais
que repete incansavelmente
há anos
ante câmeras e microfones
para quê mostrar de novo
e de novo
o mesmo nojo
se é justamente
por isso
que o idolatram?
e sempre haverá
os que vêm disfarçar
dizendo:
“estamos entre dois extremos”
“sim, mas veja a Venezuela”
“é para acabar com a corrupção”
“nós queremos segurança”
ou
“não é bem assim…”
enquanto constatamos cada vez mais
que sim,
é assim
mesmo, é assim
que é
mas
como li por aí:
“como explicar a lei Rouanet para quem
ainda não assimilou a lei Áurea?”
ou: como explicar a lei da gravidade
para quem ainda crê
que a terra é plana?
e querem defender sua ignorância com dentes
e garras
querem
matar atirar vingar
a quem?
em nome de quem?
(pátria, família, propriedade, segurança?)
se nessa seara não há direitos
nem respeito
ensino ou dignidade
só horror e
ódio, ódio
e horror
as palavras perdem a clareza
os valores perdem o valor
a vida perde o valor
Marielle
remorta remorrida rematada
por sua placa
rompida rasgada desonrada
pelas mãos truculentas de
brutamontes prepotentes
com suas camisetas estampadas
com a face do coiso
que redemonstra sua monstruosidade
quando vende
em seus próprios comícios
camisetas de outro
ultra-monstro
ustra

aquele que além de torturar
levava crianças para verem
suas mães torturadas

e esses mesmos
abomináveis
que, diante de uma claque vergonhosa,
se orgulham
de terem
rasgado as placas
com o o nome Marielle Franco
estão sim
agora
eleitos
satisfeitos
mas não saciados
de todo o sangue
de inocentes
que há de correr
só por serem
diferentes
excitando em outros
o desejo de exercer
seu obscuro
poder
de milícia polícia esquadrão da morte
e o anúncio da Rocinha metralhada
como solução
a barbaridade finalmente
institucionalizada
como diversão
o Brasil finalmente
sem coração
fora da ONU
e dos acordos internacionais pelo
meio-ambiente
sem controle
de sensatez ou mentalidade
sem limite humanitário
“não vai ter ong!”
“não vai ter ativismo!”
“não vai ter mimimi!”
bradam
cheios de si e de ódio
criminosos contra o crime
opressores pela família
amorais pela moral
apesar de todos
os alertas
da imprensa internacional
de esquerda, de centro, de direita
só não vê quem não quer
a tragédia anunciada
divulgada
não como boato
mas escancarada
- mente
enquanto
empoderados pelo discurso
de ódio
de horror e ódio
seus eleitores
já saem pelas ruas
dando tiros
e gritos
enxurradas de fakes
suásticas nazistas gravadas com canivete
na pele da menina
que usava “ele não” estampado na blusa
e a promessa de violência desmedida
se concretizando
antes mesmo de começar o segundo turno
e nem um centímetro de terra para os índios
e nem um pingo de direitos civis ou humanos
e a volta da censura e o ódio,
o ódio, o horror
e o ódio
pra encerrar de vez
o sonho de uma nação
que tem a chance
de dar ao mundo
sua contribuição
original
agora fadada a repetir o que de pior já houve
na história
sem história agora
sem Museu Nacional
nem cultura nem educação
abolir filosofia e arte
em seu lugar:
moral e cívica
escola militar
religião
geografia dos lucros e dividendos
massacre das minorias
horror e ódio
e ódio
e horror
crescente permanente enquanto dure
pois ninguém larga o osso assim tão fácil
depois de um golpe
que precisa parir outro golpe
ou autogolpe
alimentado por todas as fakes e facas
contra as costas de artistas
como Moa
mas na cabeça de quem apóia
tudo se justifica:
o fascismo
a tortura dos presos
o sumário julgamento sem juri
autorização dada à polícia
para matar
e o ódio aos pobres
as blitzes ostensivas
a guerra declarada
dos que aceitam assassinos para combater bandidos
se está tudo invertido mesmo
pobre elegendo milionário,
pelo avesso e ao contrário
então se autoriza a sórdida
barbárie
dos fortes contra os fracos
algo está muito doente
no Brasil
no descoração do Brasil
que mente, se omite, agride, regride
para avançar sem freios
em direção ao fascismo
seguindo a música hipnótica do
ódio,
horror e ódio
pregados em igrejas
em nome de Deus
e de Cristo
só desamor em nome de Cristo
violência e brutalidade em nome de Cristo
armas e tortura
e preconceito em nome de Cristo
de Deus e de Cristo
armar a população
para metralhar os adversários
os diferentes
os miseráveis
os favelados
os do outro lado
os que se manifestam
ou contestam
ou pensam de outra forma
ou se vestem
de outra cor ou tem
outra cor ou
qualquer pretexto
que se crie
para espalhar o ódio, o horror
e o ódio
do machismo ao estupro
da mentira ao linchamento
do homicídio ao genocídio
(“tinha que ter matado pelo menos trinta mil!”)
já sem democracia
palavra vazia
em boca
de quem compactua
(e não são poucos)
pensando ser
possível
alguma forma de
neutralidade
nesse momento
como Pilatos
lavando as mãos
a chamada mídia
tenta fazer média
ao dizer que os dois lados são igualmente
extremistas e perigosos
mas então
onde estavam nos últimos três mandatos
e meio
antes do pesadelo Temer?
estavam numa ditadura comunista
e não sabiam?
na verdade
todos sabem muito bem
que o extremismo
vem de um só
lado, que
quer se eleger para acabar
com eleições
e que o grande perigo é mesmo
esse jogo
de equivalências que,
na verdade
serve ao monstro
pois a omissão é missão impossível
neste agora
impossível
mascarar o sol
da ameaça
hostil e explícita
do nazismo
crescente
com a peneira furada
de um bom senso
mediano hipócrita indiferente
que sempre
vai dizer:
sim, mas a Venezuela…
como se não tivéssemos ouvido exatamente isso
em 64,
quando diziam:
— Sim, mas Cuba…
para justificar a ditadura militar
que tanto elogiam
hoje em dia
e que o atual
presidente
do nosso Supremo Tribunal Federal
decidiu
que agora vai chamar
de “movimento”
em vez de
“golpe militar”
para adoçar um pouco a boca
amarga
do sangue
impregnado
que não vai sumir assim
mudando a nomenclatura
desnomeando a já tão dita
“ditadura”
mas esse des-
- equilíbrio
ético
que diz
preferir uma autocracia
perfeita
a uma
defeituosa
democracia
esse
erro
que nenhum arrependimento será
capaz de reparar
quando for tarde
demais
ainda dá
para evitar
ainda
é tarde
de menos
para
conter
o ódio,
o horror e o ódio
ainda

dd
a
d


*

segunda-feira, 18 de março de 2019

Parte do Brasil é composta de "burros trágicos"

março 2019

                           Parte do Brasil é composta de "burros trágicos"
                                                         Leonardo Boff
Em um dos seus escritos perguntava F. Nietzsche:”Pode um burro ser trágico? Pode na medida em que sucumbe ao peso de uma carga que não pode carregar, nem pode livrar-se dela”.
Há uma boa parte de nossa população que é de “burros trágicos” num duplo sentido da palavra:
 Num primeiro sentido, “burro trágico”é aquele que facilmente se deixa enganar por candidatos que suscitam falsas promessas, com slogans apelativos meramente propagandísticos, como “Deus acima de tudo e o Brasil acima de todos”(lema nazista), “fora PT”, “combate  à corrupção”, “resgate dos valores tradicionais” “escola sem partido” contra ”a ideologia de gênero“ “combate ao comunismo”, “contra “a cultura marxista”.  Estas duas últimas bandeiras são de uma “burrice trágica”e palmar única, num tempo que nem mais comuinismo existe e que ninguém sabe o que significa exatamente “cultura marxista”.
Estes que gritam estas consignas e que se proclamam “gente de bem”, são os mesmos que mentem descaradamente a começar pelo atual capitão-presidente, por sua “famiglia”, por aqueles que disseminam conscientemente fake news, ódios, raivas fenomenais, injúrias de todo tipo, palavrões que nem seus familiares poderiam ouvir e que mandam  para o inferno, com complacência, para Cuba, Coréia do Norte ou para Venezuela os que pensam diferente.
Curiosamente  ninguém os manda para China, onde de fato vigora o comunismo-maiosmo porque sabem que  lá o comunismo funciona pois  se produziu a maior economia do mundo e que pode enfrentar militarmente a maior potência nuclear, os USA.
Esse primeiro tipo de “burro trágico” é fruto da ignorância, da falta de informação e da maldade contra quem pensa diferente.
Existe um segundo tipo de “burros “trágicos”: aqueles que são consequência de uma estratégia política de criação de “burros trágicos”, voluntariamente mantidos analfabetos, para melhor manipulá-los e terem sua base eleitoral cativa. Fazem-nos credulos e seguidores de um “mito” inventado e inflado sem qualquer conteúdo digno de “um mito”.
Essa classe, criadora de “burros trágicos", nem toda, graças a Deus, tem pavor de alguém que saiu de condição da “burrice trágica” e chegou à cidadania e a desenvolver espírito critico.
O atual governo somente ganhou a maioria de votos porque grande parte dos eleitores foram mentidos na condição de “burrice trágica”. Negou-se-lhes a verdadeira intenção escondida: de diminuir o salário mínimo, de cortar  direitos sociais, para muitos, da bolsa-família,  de modificar a  legislação trabalhista para favorecer as empresas, de liquidar a farmácia popular, de diminuir os vários acessos dos pobres ao ensino superior e, acima de tudo, da profunda modificação do regime das aposentadorias. Se tivessem revelado esta intenção  jamais teriam ganho a eleição. Por isso, ela resulta espúria, mesmo feita no rito democrático. Escandalosamente, assim como se fez com Cristo, tomaram as vestes nacionais e a sortearam-nas entre si.
Nem falemos de alguns ministros que são de uma “burrice trágica” e supina como a Ministra da Família, da Mulher  e dos Direitos Humanos, o Ministro da Educação que sequer domina nossa língua, pois é um imigrado colombiano, o ministro do Meio Ambiente que não conhecia o nome de Chico Mendes e o Ministro das Relações Exteriores, no qual a “burrice trágica” alcança sua quintessência.
Por  que chegamos a este ponto tão baixo em nossa história? Celso Furtado morreu carregando esta interrogação:”por que o Brasil, sendo um país tão rico, seja tão atrasado e tenha tantos pobres?” Ele mesmo respondeu em seu livro que vale revisitar:”Brasil: a construção interrompida”(Paz e Terra 1992):
”Falta-nos a experiência de provas cruciais, como as que conheceram outros povos cuja sobrevivência chegou a estar ameaçada. E nos falta também um verdadeiro conhecimento de nossas possibilidades e, principalmente, de nossas debilidades. Mas não ignoramos que o tempo histórico se acelera, e que a contagem desse tempo se faz contra nós. Trata-se de saber se temos um futuro como nação que conta na construção do devenir humano. Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromper o nosso processo histórico de formação de um Estado-nação”(p. 35). As forças atuais em continuidade de todo um passado, se empenham em interrompê-lo na forma de uma “burrice trágica”.
Ou talvez, pensando posivitiamente, está se armando a “nossa crise crucial” que nos permitirá o salto para um outro tipo de Brasil, com outros valores e com menos processos de proposital “emburrecimento” de grande parte de nosso povo.
Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escreveu Brasil: concluir a refundação ou porolongar a dependência, Vozes 2018.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Desastre: Brasil sem governo há 42 dias

https://blogdacidadania.com.br/2019/02/desastre-brasil-sem-governo-ha-42-dias/


Desastre: Brasil sem governo há 42 dias

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Não que o “governo” anterior fosse melhor, mas, ao menos, parecia governo. Com a posse de Bolsonaro, o Brasil mergulhou no caos. Após 42 dias, não tem plano de metas de médio e longo prazos, ministros ficam em blábláblá ideológico e recuos incessantes e o presidente fica fazendo piadinhas no Twitter ou sendo desmentido pelo vice, quando não está no hospital.
As últimas do governo Bolsonaro, do ponto de vista da palhaçada, ficaram por conta do – vá lá – “ministro da Educação” e da folclórica “ministra dos direitos humanos”.
O começo da gestão do colombiano Ricardo Vélez Rodríguez à frente do MEC causa apreensão entre secretários de Educação espalhados pelo Brasil. O ministério ainda não apresentou diretrizes da política educacional nem comunicou sobre a continuidade das ações em curso.
Pessoas próximas ao ministro reconhecem que há paralisia. Com uma equipe inexperiente, secretários se esforçam para entender a complexidade da pasta bem como a formulação de políticas.
Já no programa dominical da Globo “Fantástico” apresentou uma avalanche das idiotices que a ministra dosCircula pela internet um resumo do que foram os recuos incessantes do atual governo.
Bolsonaro anuncia sair do acordo de Paris; Ministro do Meio Ambiente anuncia recuo e permanência no acordo de Paris.
Bolsonaro anuncia aumento do IOF; Onyx Lorenzoni anuncia que presidente se precipitou e recua na decisão de aumentar o IOF.
Bolsonaro anuncia a instalação de uma base militar dos EUA no Brasil; General Heleno desmente Bolsonaro e
MEC lança edital com mudanças para a compra de livros didáticos, deixando de exigir a fonte das informações publicadas; MEC volta atrás e suspende o edital para compra de livros didáticos.
Incra suspende todos os processos de atribuição de terras em andamento no projeto de reforma agrária; Incra revoga decisão anterior que suspendia os processos de atribuição de terras.
Com Bolsonaro internado ou não, o Brasil está sem rumo. A crise avança, o desemprego só piora e o país não sai do atoleiro. Por enquanto, a população, atônita, ainda espera que sua escolha eleitoral não seja um desastre absoluto, mas a fila de arrependidos só faz crescer.
Segundo pesquisa do mercado financeiro (bolsonarista por excelência), a aprovação a Bolsonaro despencou da posse para cá.
Com a paralisia do governo, é previsível que essa sua gigantesca desaprovação de VINTE POR CENTO em apenas 40 e poucos dias de mandato se torne maior que a aprovação.
Bolsonaro e seu governo estão condenados à impopularidade em muito, muito breve, já que nada está sendo feito pelo atual regime além de jogar para a galera, como o teatrinho de Bolsonaro sobre a facada que levou, encenada para distrair otários para que não cobrem medidas para tirar o país da crise.
Confira a reportagem em vídeo

sábado, 12 de janeiro de 2019

Sobre Damares Alves, o bode expiatório de Bolsonaro

le monde
 https://diplomatique.org.br/sobre-damares-alves-o-bode-expiatorio-de-bolsonaro/

DIREITOS HUMANOS

Sobre Damares Alves, o bode expiatório de Bolsonaro

por Olívia Santana
Janeiro 9, 2019
Imagem por Agência Brasil


A infância violada fez nascer uma mulher adulta incapaz de acreditar que mulheres e homens podem sim viver em relações de igualdade. Assim, a ministra tornou-se um instrumento nas mãos de um presidente misógino
A ideologia machista e misógina, que o movimento feminista e o público mais consciente vêm combatendo ao longo da história, foi elevada ao patamar de bandeira na gestão do presidente Jair Bolsonaro.  Seu ministério tem apenas três mulheres. Uma delas, a ministra Damares Alves, tornou-se o bode expiatório do Planalto, a mais achincalhada entre todos da equipe, por suas declarações bizarras no campo dos costumes.
Embora o Ministério da Educação esteja nas mãos de um ministro ultraconservador, que pode impor à sociedade brasileira derrotas culturais mais estratégicas, é Damares, a ministra de uma pasta economicamente esquálida, que é escalada para causar assombro na parcela mais crítica e avançada da população, com suas declarações que reafirmam o ideário de inferiorização das mulheres em relação aos homens e outras sandices. A mesma concepção que justifica as violências de gênero, desigualdades salariais, violências físicas e psicológicas, estupros e feminicídios.
Não  consigo deixar de pensar que Damares é uma vítima,  sequelada, do patriarcalismo mais arcaico. Segundo suas próprias declarações ao jornal Folha de são Paulo, no dia 18 de dezembro, a ministra foi estuprada, várias vezes, antes de completar dez anos, por dois pastores da igreja que sua família frequentava. Uma história dura, que certamente deixou traumas irreversíveis, ainda que ela tenha conseguido juntar seus cacos e buscar sobreviver. Na entrevista que deu, a ministra afirma que a sua família falhou em não ter percebido os “sinais” que seu comportamento exarava, que a Igreja também falhou, pois, quando soube, abafou o caso, em vez de punir o algoz, e que a escola também falhou, por ter chegado em sua vida tardiamente e tê-la tratado apenas como uma garotinha tímida. Na verdade, a família falhou duplamente, pois, mesmo quando soube da violência sexual sofrida pela menina, nem sequer dialogou com ela sobre a terrível experiência. Foi ainda conivente com a opção de silenciar, atitude que só beneficiou os estupradores. Pelo menos um dos seus violadores continuou violentando outras meninas, já que outro caso acabou indo parar nos jornais, quando Damares já tinha 24 anos, conforme relato da ministra. Aliás, só neste momento é que ela descobriu que seus pais sabiam do que ela tinha sofrido. Naquela época, não se falava de sexo com as meninas. Pare o mundo que eu quero descer!
Merece muito da nossa atenção a frase dita por Damares, a certa altura da entrevista: “Ele disse que eu era ‘enxerida’, que a culpa era minha, que meu pai morreria se eu contasse”. A culpabilização da vítima é um traço comum em casos de abuso e violências. A sensação que tenho é que ela internalizou, de alguma forma, a culpa pela absurda situação. Em vez de ser acolhida pelo pai e pela mãe, de passar por um necessário apoio psicológico, de ver a sua igreja tomar uma atitude de expulsar os homens que a violaram e denunciá-los pra que pagassem pelos crimes que cometeram, a menina teve que conviver com o silêncio sórdido, castrador da possibilidade de justiça, que veio daquelas pessoas e instituições que eram o seu lócus de vivência, a igreja e a família. Mesmo quando o jornalista pergunta a Damares sua opinião sobre a educação sexual na escola, ela diz que é a favor, mas sempre condicionando à autorização da família, embora ela própria seja exemplo de como muitas famílias podem agir num sistema de corroboração com a violência sexual contra crianças e adolescentes. Aproximadamente 65% de crimes desta natureza são praticados por familiares das vítimas.
Entre a rebeldia e a adaptação, a segunda prevaleceu. Como se desenvolvesse uma espécie de Síndrome de Estocolmo, Damares sucumbiu ao sistema que a vitimou. Agarrou-se aos mesmos referenciais religiosos, demonstrando distorção na sua forma de lidar com a própria realidade, haja vista o episódio mágico da goiabeira. Nossa ministra foi forjada, com requinte de crueldade, para ser uma mulher machista.
Ministra de Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, fala à imprensa

Quando ela diz com orgulho “o Estado é laico, mas esta ministra é terrivelmente cristã”, está a nos dizer que vai  impor suas convicções fundamentalistas ao lidar com as políticas públicas. Diferente de pessoas cristãs de mente arejada, mantenedoras do senso crítico e capazes de estabelecer alguma separação entre as coisas da República e suas crenças religiosas, a ministra tornou-se defensora de um cristianismo obscuro, rigidamente maniqueísta, que opera contra importantes avanços civilizatórios, principalmente em relação aos direitos humanos das mulheres e de LGBTQs. Ao contrário de se aliar às mulheres que lutam por emancipação e pelo fim do machismo, Damares associa-se a um governo de homens comprometidos com a manutenção desta amarra social.
A infância violada fez nascer uma mulher adulta incapaz de acreditar que mulheres e homens podem sim viver em relações de igualdade. Assim, a ministra tornou-se um instrumento nas mãos de um presidente misógino, que a usa para ser a interlocutora das suas ideias extemporâneas sobre as mulheres e as desigualdades de gênero. E o mais grave, com o papel de domesticar outras mulheres a aceitar sua suposta sina de ser inferior. Isto fica claro quando a mesma defende homens de azul, mulheres de rosa – muito mais do que um jogo de cores – e, principalmente, a tal “bolsa estupro”. Mais convincente do que um homem para dizer a uma mulher estuprada que ela deve parir o fruto de quem a estuprou, é a voz de outra mulher que tenha passado por igual sofrimento. Não, senhoras e senhores, não é um episódio de Handmaid´s Tale. É o Brasil real a nos dizer que fora da luta não haverá salvação.

Olívia Santana é educadora e Deputada Estadual do PCdoB da Bahia

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

As ondas grandes e a oposição

http://www.ihu.unisinos.br/585842-as-ondas-grandes-e-a-oposicao

As ondas grandes e a oposição


“Uma imagem trazida dos atletas do surf que praticam sua modalidade em ondas grandes talvez seja inspiradora para a oposição. Ondas grandes em geral vêm em série, um desequilíbrio do atleta que nelas se aventura pode ser-lhe fatal, em caldos sucessivos que não lhe permitam a respiração, mantendo-o preso ao remoinho das águas que o impeçam de voltar à superfície. Em cuidado com esses riscos, seus praticantes fazem exercícios de apneia, com que se preparam para o pior em suas evoluções”, escreve Luiz Werneck Vianna, sociólogo, PUC-Rio, em artigo publicado por O Estado de S. Paulo, 06-01-2018.

Segundo ele, “isso que aí está, aqui e alhures, é, sem dúvida, uma Praia da Nazaré com suas medonhas ondas grandes. Não se vai enfrentá-las sem treinamento adequado e sem lideranças de tirocínio comprovado, senão o caldo é certo, como o do AI-5, de infausta memória, há 50 anos. As lideranças se farão no caminho. E o caminho, adverte o poeta, se faz ao andar”.

Eis o artigo.

Não será a primeira vez, mas a terceira, que nos deixamos enredar na trama sinistra do que vem por aí. E, pior, sempre por nossos erros, pela desconsideração do País real, conservador a tal ponto que permitiu que sua quasímoda estrutura fundiária, herdada do período colonial, não só encontrasse sobrevivência, mas se convertesse, com a emergência do agronegócio, num dos esteios do processo de modernização burguesa ainda em curso, caso clássico de passagem para o capitalismo pela via prussiana de desenvolvimento capitalista e seus efeitos antidemocráticos, tema bem estudado por grandes autores como Barrington Moore e Charles Tilly, entre tantos outros. Estão aí a sua robusta bancada parlamentar e sua presença em postos estratégicos do novo governo.
As anteriores, de 1937 a 1945 e de 1964 a 1985, foram longevas, e em ambas a preservação da estrutura agrária cumpriu papel relevante: sob o regime de Vargas excluiu-se o trabalhador do campo da legislação social, reservada apenas aos trabalhadores urbanos; e no regime militar, por meio de uma generosa abertura de créditos para proprietários selecionados politicamente e de uma política de colonização que lhes concedessem acesso a mercados, convertendo-os em capitalistas modernos, história bem descrita e analisada em tese de doutoramento por Rafael Assunção de Abreu em A boa sociedade: história sobre o processo de colonização no norte de Mato Grosso durante a ditadura militar (Iuperj, 2015).
O legislador constituinte teve consciência da necessidade de democratizar a estrutura fundiária do País, mas seus esforços foram barrados por intensa mobilização das nossas elites junkers, que se arregimentaram, até mesmo em grupos armados, na União Democrática Ruralista (UDR), obstando uma via de reforma. Uma de suas principais lideranças de então, Ronaldo Caiado, antes senador, foi agora eleito governador de Goiás. A democratização do País teria de conviver com esse pesado lastro que lhe vinha do período colonial, e se os grandes proprietários de terra encontravam oportunidades de converter seus antigos papéis tradicionais em modernos no emergente capitalismo brasileiro, a massa dos trabalhadores da terra seria condenada à situação de retirante sem eira nem beira, mão de obra barata para as indústrias e os serviços dos centros urbanos, dependentes em sua sobrevivência dos ciclos expansivos da economia.
A herança da escravidão e a da estrutura a agrária colonial estão, como notório, na raiz da abissal desigualdade social brasileira, diagnosticada desde o Império por grandes intelectuais liberais, como Tavares Bastos, André Rebouças e Joaquim Nabuco. Na esteira dos movimentos sociais que se mobilizaram em torno do processo constituinte, o tema da igualdade encontrou vocalização e sustentação nos partidos de perfil social-democrata que então se organizaram, o PSDB e o PT, mais neste do que naquele, embora ainda sem o vigor necessário para enfrentar o tamanho do desafio que tinham pela frente.
Ademais, o PT, o mais vocacionado para interpelar os movimentos sociais, se na prática seguia o roteiro de uma política social-democrata, era refratário a assumir identidade desse tipo. Aos poucos, como se viu, sua política eleitoral se desalinhou do centro político e de suas inspirações originais de autonomia da vida associativa diante do Estado, reeditando em boa parte as políticas prevalecentes na era Vargas. Cooptadas pelos aparelhos estatais, as organizações sociais dos seres subalternos perderam vigor e capacidade de mobilização e, ao menos por ora, encontram-se sem capacidade de reação.
A agenda do novo governo, de confessada profissão de fé no neoliberalismo de modelo chileno de Pinochet, encaminha-se sem rebuços para a remoção do que há de inspiração em nossas instituições, principalmente na Carta de 88, da social-democracia europeia, tendo pela frente um deserto de vida sindical e associativa, e um Supremo Tribunal Federal esvaziado do carisma que a sociedade sempre reconheceu nele pelos conflitos fratricidas que corroem sua legitimidade, pela ação de alguns dos seus integrantes. A profecia de que para silenciá-lo basta um cabo e um soldado, antes anedótica, já conta com possibilidades de se autocumprir.
Diante desse cenário, embora a composição dos quadros governamentais revele opções erráticas que prometem ser fontes de problemas futuros, além das óbvias dificuldades para um governo que pretende realizar reformas dependentes de uma sólida base congressual com que não conta, o horizonte que agora se entrevê é de céu de brigadeiro para o início do seu mandato. No mais, as forças sociais e políticas que já se opõem a ele, esfaceladas e desarvoradas como se encontram, não devem, ao menos de imediato, significar obstáculos efetivos para a realização dos seus propósitos, e com todas as devidas vênias, não será um centro radical, esse espécime que não se vê desde a Revolução Francesa sob o consulado de Napoleão Bonaparte, que fará as vezes de uma oposição robusta.
Uma imagem trazida dos atletas do surf que praticam sua modalidade em ondas grandes talvez seja inspiradora para a oposição. Ondas grandes em geral vêm em série, um desequilíbrio do atleta que nelas se aventura pode ser-lhe fatal, em caldos sucessivos que não lhe permitam a respiração, mantendo-o preso ao remoinho das águas que o impeçam de voltar à superfície. Em cuidado com esses riscos, seus praticantes fazem exercícios de apneia, com que se preparam para o pior em suas evoluções.
Isso que aí está, aqui e alhures, é, sem dúvida, uma Praia da Nazaré com suas medonhas ondas grandes. Não se vai enfrentá-las sem treinamento adequado e sem lideranças de tirocínio comprovado, senão o caldo é certo, como o do AI-5, de infausta memória, há 50 anos. As lideranças se farão no caminho. E o caminho, adverte o poeta, se faz ao andar.

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Jair Bolsonaro's inauguration: the day progressive Brazil has dreaded


guardian
https://www.theguardian.com/world/2019/jan/02/brazil-jair-bolsonaro-amazon-rainforest-protections?utm_term=RWRpdG9yaWFsX0dyZWVuTGlnaHQtMTkwMTA0&utm_source=esp&utm_medium=Email&utm_campaign=GreenLight&CMP=greenlight_email

Jair Bolsonaro's provocative views in six clips – video
Hours after taking office, Brazil’s new president, Jair Bolsonaro, has launched an assault on environmental and Amazon protections with an executive order transferring the regulation and creation of new indigenous reserves to the agriculture ministry – which is controlled by the powerful agribusiness lobby.
The move sparked outcry from indigenous leaders, who said it threatened their reserves, which make up about 13% of Brazilian territory, and marked a symbolic concession to farming interests at a time when deforestation is rising again.
“There will be an increase in deforestation and violence against indigenous people,” said Dinaman Tuxá, the executive coordinator of the Articulation of Indigenous People of Brazil (Apib). “Indigenous people are defenders and protectors of the environment.”
Sonia Guajajara, an indigenous leader who stood as vice-presidential candidate for the Socialism and Freedom party (PSOL) tweeted her opposition. “The dismantling has already begun,” she posted on Tuesday.
Previously, demarcation of indigenous reserves was controlled by the indigenous agency Funai, which has been moved from the justice ministry to a new ministry of women, family and human rights controlled by an evangelical pastor.
The decision was included in an executive order which also gave Bolsonaro’s government secretary potentially far-reaching powers over non-governmental organizations working in Brazil.
The temporary decree, which expires unless it is ratified by congress within 120 days, mandates that the office of the government secretary, Carlos Alberto Dos Santos Cruz, “supervise, coordinate, monitor and accompany the activities and actions of international organizations and non-governmental organizations in the national territory”.
Bolsonaro, who has often criticised Brazilian and international NGOs who he accuses of “sticking their noses into Brazil”, defended the measure in a tweet on Wednesday. “More than 15% of national territory is demarcated as indigenous land and quilombos. Less than a million people live in these places, isolated from true Brazil, exploited and manipulated by NGOs. Together we will integrate these citizens,” he posted.
Separately, the incoming health minister, Luiz Henrique Mandetta, suggested on Wednesday that there would be spending cuts on healthcare for indigenous people. “We have figures for the general public that are much below what is spent on healthcare for the indigenous,” he said, without providing details.
During last year’s election campaign, Bolsonaro promised to end demarcation of new indigenous lands, reduce the power of environmental agencies and free up mining and commercial farming on indigenous reserves. His measure also gave the agriculture ministry power over new quilombosrural settlements inhabited by descendants of former slaves.
After she was sworn in on Wednesday, the new agriculture minister, Tereza Cristina Dias, defended the farm sector from accusations it has grown at the expense of the environment, adding that the strength of Brazil’s farmers had generated “unfounded accusations” from unnamed international groups.
Silas Malafaia, an influential televangelist and close friend of Bolsonaro, said developed countries who centuries ago cut down their own forests should pay if they wanted Brazil to preserve the Amazon.
“We’re going to preserve everything because the gringos destroyed what they had?” he said.
Former environment minister Marina Silva tweeted: “Bolsonaro has begun his government in the worst possible way.”
Tuxá, the indigenous leader, said: “We will go through another colonisation process, this is what they want.”

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