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quarta-feira, 15 de junho de 2016

poema


SOMBRAS SOBRE NÓS!

Iremar Antonio Ferreira


Tem cheiro de fumaça no ar...
É mês de junho! 
Será fogueira de São João? 
Não...!?
É cheiro de carne humana queimada...
pode ser de uma criança indígena Kaiowá...
pode ser cheiro da queima de mais um tekohá...
pode ser cheiro de gente, de fogueira, de tekohá...
mas o que tem a ver comigo isso tudo?
É mais um golpe no Brasil, ou mais uma rajada!
rajada de espingarda ou revólveres de grosso calibre...
o alvo, áh, o alvo são indígenas Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul.
Quem atirou!

Quem atirou foi o latifundio, os pistoleiros, os fazendeiros, os políticos...
Atiraram de Brasília, do MS, de Caarapó...
atiraram sem dó...nem piedade...
Atiraram contra uma multidão de pessoas Guarani Kaiowá...
O que eles queriam ajuntados assim?
Esqueceram que se juntar mais de dois é sinal de trama contra os ditadores...
Repressão é o nome usado para dispersar agitadores...
Eram mais de mil indígenas...
Discutiam o futuro deste povo numa terra onde a lei é a dos POLÍTICOS do MS;
mas também de artistas globais, cantores, empresários...

Cloudione Rodrigues Souza foi morto neste dia 14 de junho de 2016...
coincidência à parte, ele morreu no dia do aniversário do revolucionário Ernesto Guevara de la Sierna ou simplesmente Che Guevara...
Cloudione estava lutando por direito à terra! 
Cloudione também cuidava da saúde de seu povo, à exemplo do médico Che!

Cloudione foi assassinado por fazendeiros...
Che Guevara pelas forças policiais bolivianas com medo de sua articulação com campesinos na Bolívia...
A Luta pela Terra em comum...

Cloudione e o Povo Guarani-Kaiowá, Terena entre outros...
O Tekohá TeyiJutsu atacado por mais de 70 fazendeiros não será apagada pelo fogo...
As crianças queimadas e os desaparecidos feridos contabilizam ao Brasil como o País que, a mais de 512 anos tenta exterminar seus povos originários...
Mas não conseguirão!

A resistência secular dos Povos Indígenas do Brasil, da América Latina e do Mundo inteiro é mais forte que o Império da Morte...!

Onde cada indígena tomba nasce uma árvore... 

Iremar Antonio Ferreira
Instituto Madeira Vivo - IMV

Graduado em História - UNIR
Mestre em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente - PGDRA/UNIR
Educador Popular
 
Telefone: 69 9981 4505

sábado, 23 de agosto de 2014

Agência Pública lança projeto para checar campanha presidencial

a pública
http://apublica.org/truco/


Informativo Agência Pública - 21 de agosto de 2014
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Agência Pública lança projeto para checar
campanha presidencial

Em tom provocativo e bem humorado, projeto “Truco!” vai checar as informações veiculadas no horário eleitoral na TV
 Site do projeto
 Checagem dos primeiros programas 

 São Paulo, 21 de agosto de 2014 – A Agência Pública de Jornalismo Investigativo lançou o “Truco!”, projeto dedicado à cobertura das eleições presidenciais. A equipe da Pública está 100% dedicada a checar e contextualizar dados relevantes veiculados pelos candidatos à presidência nos programas do horário eleitoral gratuito.
            No jogo que inspira o nome do projeto, quem pede truco desafia o adversário a mostrar suas cartas. A cobertura da Agência Pública vai averiguar informações, dados e promessas feitas durante o horário eleitoral, colocá-los em contexto, e confrontá-los com bancos de dados e informações de especialistas. Além disso, vai enviar perguntas para as campanhas, “pedindo truco” aos candidatos para que revelem com que trunfos contam para cumprir suas promessas.
“A ideia do Truco! é contribuir com o debate eleitoral, principalmente na internet, exigindo informações melhor embasadas e projetos mais consistentes. Por isso queremos pedir que os candidatos ponham todas as cartas na mesa”, diz Natalia Viana, diretora de estratégia da Agência Pública. Além disso, o Truco! vai convidar o público a participar, sugerindo informações para checar e trazendo dados relevantes sobre os temas abordados.     
            O resultado das checagens será publicado no site da agência no dia seguinte à veiculação do horário eleitoral, ao meio-dia. Para manter a independência característica da Pública, a agência reuniu uma extensa base de dados de pesquisas, especialistas e instituições de diversas áreas prioritárias na campanha.  A agência também vai produzir reportagens especiais confrontando cidadãos e candidatos.
             Com um tom provocativo, bem humorado e inovador, o projeto “Truco!” tem identidade visual inspirada em jogos de cartas, desenhada pelo quadrinista Alexandre De Maio. Aos dados checados, serão atribuídas cartas, de acordo com o que for apurado. São elas: “Truco!”, “Não é bem assim”, “Tá certo, mas peraí”, “Blefe”, “Zap!” e “Que medo”. (Leia abaixo sobre cada categoria).
            Além da checagem de dados, “Truco!” ainda traz a série de reportagens Cartas na Mesa, que terá três edições sobre a população negativamente afetada por ações, projetos e propostas dos principais candidatos. Também serão feitas reportagens sobre as principais propostas dos candidatos para áreas consideradas prioritárias, julgadas por especialistas e movimentos sociais.         

Cartas

Truco! – Informações insustentáveis e promessas grandiosas, sem explicação de como serão implementadas. O Truco! é um desafio público para que o candidato responsável pela frase dê mais explicações ao eleitor. As respostas obtidas serão divulgadas assim que a campanha responder.

Não é bem assim – Informações exageradas, distorcidas ou discutíveis.

Tá certo, mas pera aí – Informações corretas mas que merecem ser contextualizadas. Existem mais dados que o eleitor precisa saber do que os que foram apresentados durante o programa eleitoral.

Blefe – A informação é falsa. São usados dados de outras fontes – de preferência independentes – e auxílio de especialistas para confrontar a versão apresentada.

Zap! – Informações corretas e também relevantes ditas pelos candidatos. Para isso, são apresentados números que confirmam e expandem o que foi falado.

Que medo! – Algumas propostas podem afetar negativamente grupos importantes da população. O selo serve de alerta e virá acompanhado de um texto que mostra os problemas que aquela ideia traz.
 

Sobre a Agência Pública: 

A Agência Pública aposta em um modelo de jornalismo sem fins lucrativos para manter a independência. Fundada em 2011, todas as reportagens são livremente reproduzidas por diversos veículos sob a licença creative commons. Sua missão é produzir reportagens de fôlego pautadas pelo interesse público, sobre as grandes questões do país do ponto de vista da população – visando ao fortalecimento do direito à informação, à qualificação do debate democrático e à promoção dos direitos humanos. A Pública conta com financiamento de instituições de peso e renome internacional, como a Fundação Ford e a Open Society Foundations. Além de produzir, a Pública atua para promover o jornalismo investigativo independente, através de programas de mentorias para jovens jornalistas e bolsas de reportagem. A Pública ganhou os prêmios HSBC-Jornalistas & Cia de Jornalismo Ambiental e Visibilidade 2013, além de menções honrosas no Prêmio Abdias do Nascimento e no prêmio Nacional de Jornalismo sobre Violência de Gênero.
 

Mais informações:

sábado, 23 de novembro de 2013

Sem respostas para o transporte, governos não abrem mão de reprimir lutas sociais

correio
http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=9096:manchete221113&catid=34:manchete

 Sem respostas para o transporte, governos não abrem mão de reprimir lutas sociais

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ESCRITO POR GABRIEL BRITO E LEANDRO IAMIN, DA REDAÇÃO   
SEXTA, 22 DE NOVEMBRO DE 2013


Após realizar sua jornada de lutas no final de outubro, o MPL (e bairros em crescente organização) segue pautando o debate dos transportes públicos em São Paulo, enquanto a prefeitura mantém-se em sua morosidade em oferecer políticas mais incisivas contra a caótica situação atual. Ao lado disso, com grande contribuição do governo estadual tucano, mantém-se a criminalização de todo e qualquer movimento que se manifeste de forma claramente contrária aos interesses econômicos dominantes.

“O importante é a gente entender que existe uma criminalização de fato, e essa criminalização recai em cima de quem está se manifestando, de quem está tentando mudar as coisas e de quem é pobre, daqueles que a princípio o sistema quer excluir, inclusive por serem pessoas que se opõem a tal sistema”, disse Marcelo Hotimsky, militante do Movimento pelo Passe Livre, em entrevista ao Correio da Cidadania. “Na verdade, esse caso é exemplar de como o confronto não acontece por uma postura específica na manifestação, por quebrar alguma coisa etc. Acontece quando existe interesse por parte da burguesia, ou por parte de sua polícia, em reprimir uma manifestação”,  reitera Marcelo, tomando como exemplo a manifestação realizada no Grajaú.

Além de explicar um pouco mais sobre o polêmico ato de 25 de outubro, quando dezenas de militantes, e sua banda de música, foram detidos arbitrariamente, Marcelo concorda com a ideia de que a mídia contribui para a descaracterização dos movimentos que têm ido às ruas, abrindo caminho para justificativas de repressão e violência estatal, uma marca da qual o Estado brasileiro não parece pronto para abrir mão.

E, sem deixar de renovar os debates do campo de atuação do MPL, Marcelo critica as respostas oferecidas pela prefeitura no que se refere aos ônibus. Diz que os corredores que vêm sendo construídos, apesar de auxiliarem na mobilidade, também contemplam interesses dos empresários do setor, que ao mesmo tempo continuam cortando linhas periféricas de diversas regiões, com a anuência de Haddad e cia.

“Na realidade, temos uma avaliação bem negativa das respostas que foram dadas até agora. Porém, o que podemos ver do atual momento, pelas próprias políticas que estão sendo implementadas pela prefeitura, é uma reação das populações dos bairros, como é o caso de São Mateus, onde o pessoal começou espontaneamente a se manifestar contra o corte de linhas”, afirma.

A entrevista completa com Marcelo Hotimsky, mais uma realizada em parceria com a webrádio Central3, pode ser lida a seguir.

Correio da Cidadania: Como você avalia a jornada de lutas do MPL, realizada entre os dias 21 e 28 de outubro, com manifestações em diversas regiões periféricas da cidade pela tarifa zero e também um transporte público melhor no geral?

Marcelo Hotimsky: A nossa avaliação é bem positiva. Eu acho que a jornada foi muito bacana e, no seu término, no ato pela tarifa zero, na sexta-feira 25 de outubro, conseguiu reunir duas pautas que para nós são muito importantes: primeiro, a tarifa zero, para o transporte ser de fato um direito; em segundo, o transporte planejado de acordo com os interesses e as necessidades da população, o que se reflete nos atos que foram feitos anteriormente na periferia pela volta de linhas que vêm sendo cortadas, por transportes 24 horas, por extensões de linhas de metrô. Enfim, questões que foram levantadas pela própria população sobre como deve ser o transporte nessas regiões.

Na verdade, a gente junta as duas pautas justamente porque, tanto pelo fato de existir tarifa quanto de as linhas serem cortadas, além de não ter ônibus 24 horas e todas as coisas sobre as quais a população estava reclamando no seus bairros, são todas estas consequências de um transporte sustentado como mercadoria, não como direito.

Nesse sentido, pensamos que a luta foi muito boa, conseguiu ir para dentro dos bairros. Foi muito legal ver que na mesma semana um pessoal em São Mateus, na zona leste, começou a se mobilizar contra o corte de linhas. Portanto, a jornada não acabou na data inicialmente marcada por nós, pois, na semana seguinte, vimos novos atos no Campo Limpo e em São Mateus, os dois contra o corte de linhas de ônibus da região.

Correio da Cidadania: O que você comentaria do ato mais divulgado pela mídia, do dia 25, no centro de São Paulo, com todas as escaramuças de rua, a polêmica agressão ao coronel, as prisões etc.?

Marcelo Hotimsky: Eu acho que naquele dia vimos muito bem como está acontecendo uma escalada repressiva forte, a polícia prendeu muitos participantes das manifestações, estavam de fato procurando os manifestantes. Foi bem complicado. O final do ato foi meio conturbado por conta disso.

Acho que também está claro o quanto a polícia agride as manifestações, não por conta de qualquer evento como o que aconteceu com o coronel, mas porque é a função da polícia.  O que ficou claro pelo simples fato de a polícia ter começado a jogar bombas e perseguir os manifestantes depois de o ato ter acabado. A gente fez um jogral encerrando o ato, na Praça da Sé, e depois dissemos a todos para irem embora, pois o ato já tinha terminado. Mesmo assim, a polícia começou a jogar bombas e perseguir os manifestantes.

Correio da Cidadania: Concorda com a tese de que existe um conluio entre instituições e ocupantes do poder, alimentado pela mídia, de criminalização do protesto social, sob a desculpa do “vandalismo”?

Marcelo Hotimsky: Achamos que a mídia tem um papel bem complicado ao ajudar nessa criminalização do movimento social. Desde junho, a mídia acabou impondo uma separação entre manifestantes “pacíficos” e “vândalos”, muito prejudicial às manifestações.

A mídia tem jogado grupos de manifestantes contra outros manifestantes, enfim, tem, de certa forma, coibido certos grupos de participar das manifestações. Assim é o caso da polêmica com os mascarados, agora sob diversas proibições do uso de máscara em manifestações. Todo mundo que participa das manifestações e que já sofreu ameaça de polícia sabe que é uma forma de o manifestante se proteger.

Correio da Cidadania: Vimos que, logo depois da comoção em torno da agressão ao coronel da PM, a polícia executou, banalmente, um jovem na Vila Medeiros, zona norte. Que paralelo você faz entre a soltura do assassino de farda e a manutenção na cela, por vários dias, de um dos manifestantes do dia 25, Paulo Henrique, de 22 anos?

Marcelo Hotimsky: Eu acho que os dados falam por si só. O importante é a gente entender que existe uma criminalização de fato, e essa criminalização recai em cima de quem está se manifestando, de quem está tentando mudar as coisas e de quem é pobre, daqueles que, a princípio, o sistema quer excluir, inclusive por serem pessoas que se opõem a tal sistema.

Isso que é complicado. Mas, na verdade, não é novidade. Em junho vivemos o mesmo, muito fortemente. Mesmo dentro da criminalização dos próprios manifestantes, temos aqueles casos conhecidos, a exemplo das cenas explícitas que vimos de um filho de empresário dos transportes quebrando a porta da prefeitura. Esse rapaz foi solto no dia seguinte. Ao mesmo tempo, uma mulher negra, moradora de ocupação do centro, ficou presa três meses, por ter sido pega roubando material higiênico durante um ato.

Eu penso que tal cenário evidencia bem como o sistema judicial serve para atender certos interesses dominantes da sociedade, enquanto segue excluindo os que já são os mais excluídos.

Correio da Cidadania: O que o MPL, por experiência própria, pode falar da ação policial quando seus atos pela tarifa zero são realizados na periferia?

Marcelo Hotimsky: A maioria dos atos foi tranquila. Porém, no caso do Grajaú, é bom relembrar um caso especialmente interessante, porque foi o único ato na periferia que teve repressão, entre todos os atos da jornada. Mas a repressão de lá foi muito clara. Primeiro, os perueiros e funcionários das próprias empresas de ônibus e peruas tentaram acabar com a manifestação. Depois, a polícia, sem que tivesse acontecido qualquer grande problema na manifestação, foi lá e jogou um carro em cima dos manifestantes.

A partir do momento em que eles jogaram o carro em cima dos manifestantes, chegando a atropelar um deles, as pessoas ficaram bravas, chegaram a bater no carro da polícia, que logo usou a atitude como justificativa para iniciar o confronto.

Na verdade, esse caso é exemplar de como o confronto não acontece por uma postura específica na manifestação, por quebrar alguma coisa etc. Acontece quando existe interesse por parte da burguesia, ou por parte de sua polícia, em reprimir uma manifestação.

Acho que, no caso do Grajaú, esse contexto ficou muito evidente, porque as reivindicações que a população está fazendo lá vão diretamente contra os interesses dos empresários de ônibus, da prefeitura etc. Exigiriam um gasto a mais com o transporte público de tais pessoas, o que, de fato, eles mostraram que não têm interesse em atender.

Correio da Cidadania: Após algumas vitórias e uma inédita repercussão dos debates a respeito do transporte público, como vocês avaliam, até agora, as respostas práticas do poder público, de todas as esferas, em termos de políticas direcionadas ao transporte?

Marcelo Hotimsky: Na realidade, temos uma avaliação bem negativa quanto às respostas que foram dadas até agora. A gente acha, sim, que a reversão do aumento da tarifa foi de importância extrema. Mas foi de grande importância justamente porque veio da parte da população, não porque a prefeitura decidiu não reajustar.

A população obrigou a prefeitura a recuar. Foi gerada uma situação de tamanha pressão popular, com as pessoas dizendo que não iriam aceitar o aumento da tarifa, que a prefeitura teve de mudar sua posição. É isso que defendemos para tudo que seja feito em termos de transportes. No entanto, vemos que as medidas atuais não foram tomadas nesse sentido. Achamos que toda a mudança do transporte coletivo deve ser feita de acordo com o interesse da população.

Assim, a prefeitura pode até justificar que o corte de linha é tecnicamente melhor, que pode ser mais barato... Mas o grande problema é esse: em nenhum momento o usuário foi perguntando sobre os cortes de linha. E o que estamos vendo, obviamente, é que o usuário não quer os cortes. Não quer ter de pegar mais de um ônibus, quando fazia o trajeto com um ônibus só.

No geral, temos essa avaliação a respeito de todas as medidas que estão sendo tomadas pela prefeitura. Por mais que existam alguns dados positivos, como no caso das faixas exclusivas de ônibus, não se trata de medidas que confrontem diretamente os interesses desse empresariado. Pelo contrário, mais corredores de ônibus é uma medida até conciliatória. Tanto que não se vê a prefeitura anunciando que vai colocar mais ônibus em circulação, que vai colocar mais linhas dentro das periferias, medidas que iriam contra o interesse desses mesmos empresários.

Correio da Cidadania: Como o movimento pretende seguir pautando o debate político, mais especificamente em sua área de atuação, nos próximos tempos?

Marcelo Hotimsky: O MPL sempre se organizou do mesmo jeito. Sempre estivemos nas periferias junto com os movimentos sociais, nos colégios públicos, nas associações de moradores, discutindo em cada região o que pessoas querem do transporte local e fazendo mobilizações. Sempre com a pauta da tarifa zero, como dito no começo. Portanto, não é uma demanda do MPL. A população traz o debate.

Porém, o que podemos ver do atual momento, pelas próprias políticas que estão sendo implementadas pela prefeitura, é uma reação das populações dos bairros, como é o caso de São Mateus, onde o pessoal começou espontaneamente a se manifestar contra o corte de linhas.

Eu acredito que o grande ponto dos próximos atos será o corte de linhas - na verdade, uma política antiga da prefeitura, que na zona sul já acontece há algum tempo. Tanto é que as manifestações que aconteceram na semana de lutas, na zona sul, tinham como um dos principais focos, nos diversos bairros, a volta de linhas que foram cortadas por conta da criação dos terminais, como os terminais Jardim Ângela e Campo limpo. Antes, existiam linhas que iam até depois de tais terminais, e agora é preciso pegar dois ônibus até o terminal, depois pegar mais uma fila, mais um ônibus, só pra catraca rodar de novo e o empresário lucrar mais.

Essa tem sido a política sistemática da prefeitura e a gestão Haddad, pelo que está indicando, ampliará tal tipo de política. Portanto, o corte de linhas, no momento, está sendo um ponto central de mobilização em torno do transporte.


Leia também:

Gabriel Brito e Leandro Iamin são jornalistas.

domingo, 27 de outubro de 2013

Cientistas e protetores divergem sobre o uso de animais em experimentos

adital
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?boletim=1&lang=PT&cod=78375

Ciência e Tecnologia
24.10.2013
Cientistas e protetores divergem sobre o uso de animais em experimentos

Natasha Pitts
Adital

Foto:Divulgação/DivulgaciónCausou intensa comoção dentro e fora do Brasil o resgate dos 178 cães da raça Beagle, retirados do Instituto Royal no último dia 18, em São Roque, Estado de São Paulo. Após o ocorrido, o debate sobre a utilização de animais em testes de cosméticos e medicamentos ganhou força no país, na grande mídia e nas redes sociais. Se por um lado os ativistas repudiam a prática, por outro, alguns cientistas e pesquisadores reafirmam a importância de testar nos animais o que posteriormente será utilizado em seres humanos.
O resgate dos beagles, raça escolhida por ser dócil, foi feito por ativistas que acampavam em frente ao Instituto Royal para repudiar os testes com os animais e os maus-tratos sofridos pelos bichos durante as experiências. Isso ficou demonstrado quando se verificaram as irritações ao redor dos olhos, orelhas furadas, línguas cortadas e um ambiente sujo e impróprio para a permanência dos bichos.
De acordo com Tarcísio Palhano, assessor da presidência do Conselho Federal de Farmácia (CFF), a utilização dos animais é feita sob rigorosos protocolos de pesquisa que envolvem aspectos éticos.
"Os animais são e ainda serão, por muito tempo, indispensáveis para experimentos de medicamentos ou novos fármacos, até porque os ensaios em método de experimentação são muito importantes para se encontrar luzes sobre determinada substância. Em relação a determinados órgãos, às vezes há semelhanças que favorecem pelo menos a extensão da informação ou pistas para que aquela informação não chegue nos experimentos em humanos do zero, mas se tenha algum dado, contudo nem sempre isso é perfeitamente extrapolado para o ser humano”, esclareceu em entrevista a Adital.
Como prova disso, Palhano lembrou o ocorrido na década de 50, quando o medicamento Talidomida provocou o nascimento de cerca de 15 mil crianças com má formação. O fármaco foi desenvolvido em um laboratório alemão com o objetivo de controlar as náuseas e a tensão, típicas dos primeiros meses de gravidez. A substância foi testada em animais, mas nada aconteceu nas fêmeas prenhas.
Geuza Leitão, presidente da União Internacional Protetora dos Animais (Uipa), associação civil mais antiga do Brasil, responsável pela instituição do Movimento de Proteção Animal no país em 1895, pensa de forma diferente. A defensora aponta que existem métodos alternativos ao uso de animais, sejam eles ratos, cachorros, gatos, macacos ou outros quaisquer.
"Hoje já existem métodos substitutivos, como a simulação computadorizada, experiências in vitro e uso de animais já mortos. Inclusive, alguns cientistas e pesquisadores assumem que a utilização de animais é um mito, mas também existe o grupo dos que afirmam que a medicina não evoluiria sem o uso dos animais. A verdade é que a experiência com animais é inútil, cruel e desnecessária”, garantiu.
O caso também motivou a criação e divulgação nas redes sociais de diversas listas com os nomes das empresas de cosméticos que usam ou não os animais em testes, para que as pessoas decidam de que lado querem ficar. Geuza explicou que é difícil dizer se essas informações são totalmente confiáveis.
"Certamente estas listas são feitas por protetores, mas é difícil dizer se estão corretas e atualizadas, pois algumas empresas, como a Avon, usavam animais para teste, depois deixaram de usar e recentemente retomaram a prática”, explicou.
A defensora também ressaltou que não apenas a indústria cosmética ou farmacêutica faz uso dos animais como cobaias para experiência. "Empresas produtoras de caneta, palha de aço, cigarro e material de limpeza são algumas das que usam animais para saber o efeito que seus produtos podem causar nos seres humanos”.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Classes e luta de classes: o início

correio
http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=8925:submanchete081013&catid=72:imagens-rolantes

 Classes e luta de classes: o início

ESCRITO POR WLADIMIR POMAR   
TERÇA, 08 DE OUTUBRO DE 2013


Se há algo de positivo na propaganda sobre a nova classe média, ela consiste em haver despertado muita gente para o fato de que as classes sociais existem. O longo descenso da luta de classes no Brasil, desde meados dos anos 1980, e as novas formas que ela assumiu, levaram muitos a supor que as classes haviam deixado de ser os atores principais da sociedade. E fez com que esquecessem que a sociedade se move e se transforma, fundamentalmente, em virtude da luta entre elas.

Já as manifestações de junho de 2013 tiveram o mérito de colocar em pânico os formuladores da teoria da nova classe média, ao mesmo tempo em que impuseram a necessidade de discutir a estrutura de classes da sociedade brasileira e os caminhos que a luta entre elas pode seguir. Nesse sentido, o livro A “Nova Classe Média” no Brasil como Conceito e Projeto Político, organizado por David Danilo Bartelt, da Fundação Heinrich Böll, incentiva essa discussão, trazendo à tona diferentes abordagens.

Vários de seus autores frisam que, para a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) do governo, o conceito de classe média é apenas um instrumento analítico para hierarquizar a heterogeneidade das famílias brasileiras, de forma a identificar o grupo no meio da pirâmide social. Eliana Vicente, porém, reitera que existem várias metodologias para se classificar socioeconomicamente a população de um país. No caso brasileiro, a despeito das variações metodológicas, quase todas utilizam o critério renda, diferindo apenas a maneira como essa variável será operacionalizada.

Certamente por isso, Jessé Souza reitera que o tema da produção e reprodução das classes sociais no Brasil é dominado por uma leitura economicista e redutora da realidade social, que pressupõe que as determinações econômicas são as únicas variáveis realmente importantes para o conceito de classe. Segundo ele, a tese central de Márcio Pochmann seria a de que todo o movimento positivo da pirâmide social brasileira, na primeira década do século 21, na verdade teria envolvido postos de trabalho que se encontram na base daquela pirâmide. Portanto, afora uma diferença de tom, não existiria nenhuma diferença substancial com a análise da SAE, que adotou as conclusões dos estudos desenvolvidos pelo economista Marcelo Neri.

Apesar disso, em concordância com Pochmann e em oposição a Neri, uma série de autores utiliza o conceito de renda para analisar a evolução social. Waldir José de Quadros e outros asseguram que a constituição da nova classe média no Brasil ocorreu nos anos 1970, durante o milagre econômico que promoveu o emprego urbano baseado nas novas ocupações de colarinho branco. A classe C, símbolo do crescimento recente, estaria longe dos padrões e estilo de vida que teriam caracterizado aquela nova classe média como a novidade do século 20.

Ainda de acordo com eles, a alta classe média, incluindo ocupações típicas (médicos, professores do ensino superior, engenheiros, empresários etc.), conforme Wright Mills, seria o topo da estrutura social, dado que as pesquisas não captam adequadamente a representação social dos ricos.

Sonia Fleury, por sua vez, sugere que, ao dissociar a ascensão da classe C das condições de emprego e trabalho, opera-se uma descontextualização política e ideológica que impede a tematização da superexploração e endividamento dessa população. E Eliana Vicente reitera que chamar a população emergente de nova classe média parece demonstrar que o país está fundamentado na classe média e não na imensa massa de trabalhadores manuais, trabalhadores do setor de serviços, nos pobres e excluídos.

Reiterando que todas essas visões são economicistas, Jessé Souza adota a linha do sociólogo francês Bourdier, segundo a qual o conceito de capital não seria apenas uma categoria econômica, mas incluiria tudo que assegure acesso privilegiado aos bens e recursos escassos em disputa pela competição social.

Portanto, além do capital econômico, haveria um capital cultural e um capital social. Ascender socialmente só seria possível a quem logre as pré-condições para a incorporação de distintas formas de conhecimento e de capital cultural. Este capital cultural seria aporta de entrada em qualquer dos setores competitivos do capitalismo.

Nesse contexto, a ralé formaria uma classe social específica, reduzida a energia muscular, posto que não dispõe, mesmo em medida significativa, de pré-condições para a incorporação do capital cultural, indispensável no capitalismo moderno para o trabalho no mercado competitivo. Os batalhadores, por sua vez, representariam a fração das classes populares que lograram sair do círculo vicioso daralé, constituindo uma nova classe trabalhadora, diferente da classe trabalhadora tradicional.

Cândido Grzybowski, no entanto, considera que não estamos diante de uma mudança de classes sociais. As classes sociais não seriam uma linha ascendente, mas uma estrutura de relações que as opõem umas às outras e as diferenciam. O esforço de ver classes sociais por nível de consumo seria politicamente direcionado, para ocultar a lógica que opera numa sociedade, onde para ser rico tem que ter pobre, patrão supõe empregado, dominante implica dominado.

Bem vistas essas e outras opiniões sobre o assunto, que é estratégico para qualquer política que pretenda transformar a sociedade brasileira, podemos dizer que nos encontramos diante de um enrosco de conceituações e metodologias. O que nos obriga ao uso de uma arqueologia que demonstre o surgimento e caracterização das classes sociais como um produto histórico.

Elas não existiram nos primeiros 150 mil a 200 mil anos de história da humanidade. Até por volta dos 5 a 10 mil anos atrás, todos os seres humanos sobreviviam da coleta e da caça. Suas forças produtivas rudimentares impunham a cada grupo de humanos uma colaboração produtiva natural para realizar seu metabolismo com a natureza. Ao mesmo tempo, os subordinava a um conflito feroz com outros grupos pelos territórios ou campos de coleta e de caça.

Nos grupos humanos a divisão do trabalho se firmou apenas como uma divisão sexual, relacionada com a propriedade natural de instrumentos de trabalho. Aos homens cabia a fabricação e uso dos instrumentos de caça. Às mulheres cabia a fabricação e uso de instrumentos de coleta e da casa. Com a promiscuidade sexual, a organização familiar tinha por base a mulher geradora, prevalecendo o sistema matrilinear.

O crescimento populacional levava à formação de clãs familiares e tribos, que se dividiam em novos clãs e tribos a partir de certo número de membros. Os produtos da coleta e da caça eram repartidos de modo relativamente igualitário entre os membros da família, clã ou tribo. Ao morrerem, homens e mulheres deixavam seus bens à família da mulher. Exemplos vivos desse estágio histórico ainda podem ser observados em diversas etnias indígenas amazônicas.

A divisão social só se instaurou quando os seres humanos de algumas regiões do globo, ricas em animais e plantas, aprenderam a domesticá-los. Na Mesopotâmia, Oriente Médio, Ásia Central, e nos vales dos grandes rios da China, Índia e Egito, as tribos aprenderam, além disso, a criar os animais capazes de fornecer-lhes leite e carne, dando origem à pecuária, e a semear as sementes de cereais, dando origem às lavouras. A criação da agricultura, compreendendo a pecuária e/ou as lavouras, representou uma profunda revolução nas forças ou meios de produção.

Os seres humanos passaram a produzir seus próprios alimentos, de forma organizada e regular. Essa revolução foi seguida da criação de novos instrumentos de trabalho de bronze e ferro. Num processo natural de desdobramento da propriedade anterior dos instrumentos, coube aos homens a propriedade do gado e das ferramentas produtivas. Às mulheres continuou cabendo a propriedade dos utensílios de coleta e caseiros. Na prática, os homens ficaram com a propriedade dos novos instrumentos, capazes de gerar riquezas até então desconhecidas.

Essa mudança na propriedade dos meios de produção introduziu desigualdades profundas nas relações dos homens com as mulheres. Num processo relativamente prolongado, erigiram-se conflitos em torno do direito de herança pela linha materna, da chefia da família, da instauração da monogamia, da exclusividade masculina sobre a religião familiar e da formalização da propriedade privada como regra. Esse processo perdurou por alguns milhares de anos nas sociedades agrárias primitivas daquelas regiões, e resultou no patriarcado antigo. Este consolidou a divisão social, subordinando as mulheres aos maridos, inclusive com o direito de vida e morte sobre elas. Todos os membros da família obedeciam ao patriarca, proprietário privado, pai, chefe, sacerdote e comandante. E a herança passou a ser transmitida por linha paterna.

A agricultura e o artesanato consolidaram-se como economia. E, com esta, surgiu a necessidade da escrita e dos números, para controle da produção, do consumo, dos bens hereditários e da troca dos bens produzidos. O escambo primitivo transformou-se pouco a pouco em comércio, criando a necessidade de criação de um produto que fizesse o papel de equivalente geral. Com a cristalização da propriedade privada dos principais meios de produção, estavam dadas as condições para desdobrar a divisão social entre homens e mulheres em novas classes sociais.

Portanto, como um relâmpago destrutivo numa situação de igualdade econômica, social e cultural, as classes sociais surgiram como resultado da criação de novas forças produtivas em algumas regiões do planeta. Elas introduziram, inicialmente, desigualdades de propriedade e de riqueza, e reviraram totalmente as relações de gênero e familiares, e as relações nos clãs e nas tribos. A partir daí a divisão em classes sociais, e a luta entre elas, passou a ter presença permanente na história dos seres humanos daquelas regiões, enquanto no resto do mundo a história andou mais lenta.
Wladimir Pomar é escritor e analista político.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

MOÇÃO DE REPÚDIO - PEC 37




MOÇÃO DE REPÚDIO

As entidades, abaixo assinadas, integrantes do FÓRUM PERMANENTE DE INTERLOCUÇÃO: MINISTÉRIO PÚBLICO e SOCIEDADE, vêm à público manifestar o mais veemente repúdio à Proposta de Emenda Constitucional nº 37 que tramita no Congresso Nacional e que visa retirar do Ministério Público a atribuição de investigação criminal, conferindo essa tarefa, exclusivamente, à polícia.

Entendem as entidades subscritoras, que referida proposta de alteração do texto constitucional representa evidente retrocesso social, político e institucional, na medida em que fragiliza o sistema de repressão ao crime, facilitando, por consequência, a ação de agentes criminosos.

Assim, clamam as signatárias, especialmente aos parlamentares mato-grossenses, pela rejeição da chamada PEC 37, apropriadamente alcunhada de PEC DA IMPUNIDADE, a fim de assegurar a ordem pública, o império da Lei e da Justiça, bem como o bem estar do povo brasileiro.

1. Associação Brasileira de Homeopatia Popular – ABHP
2. Associação Dando as Mãos, região sul do Mato Grosso
3. Associação de Apoio ao Desenvolvimento Social, Ambiental e Econômico Santa Letícia – ADSA
4. Associação de Defesa dos Direitos do Cidadão - ADDC
5. Associação de Mulheres Rurais Nova Galiléia - Amrung
6. Associação Terra Viva
7. Central Única dos Trabalhadores, CUT
8. Centro Burnier Fé e Justiça – CBFJ
9. Centro de Direitos Humanos Dom Máximo Biennès
10. Centro de Direitos Humanos Henrique Trindade - CDHHT
11. Centro de Direitos Humanos João Bosco Burnier de Várzea Grande
12. Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos de Mato Grosso, CEBI-MT
13. Centro Pastoral para Migrantes
14. Coletivo Jovem de Meio Ambiente de Mato Grosso, CJMT
15. Comissão Pastoral da Terra - CPT MT
16. Comunidades Eclesiais de Base - CEB-Cuiabá
17. Conselho Indigenista Missionário – CIMI/MT
18. Conselho Municipal de Meio Ambiente de Colider – Commea
19. Conselho Nacional do Laicato do Brasil, CNLB-regional MT
20. Escritório de Direitos Humanos da Prelazia de São Félix do Araguaia
21. Fórum de Direitos Humanos e da Terra - FDHT
22. Fórum de Lutas das Entidades de Cáceres, FLEC
23. Fórum Mato-Grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento - FORMAD
24. Grupo de Estudos Educação & Merleau-Ponty – GEMPO-UFMT
25. Grupo de Pesquisa Movimentos Socais e Educação – GPMSE-UFMT
26. Grupo de Trabalho de Mobilização Social - GTMS-MT
27. Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte - GPEA/UFMT
28. Grupo Raízes
29. Instituto Caracol – iC
30. Instituto de Ecologia e Populações Tradicionais do Pantanal - ECOPANTANAL
31. Instituto Gaia
32. Instituto Humana Raça Fêmina – INHURAFE
33. Movimento Ambiental de Vida
34. Movimento articulado de Mulheres da Amazônia – MAMA
35. Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, MST
36. Movimento Nacional de Direitos Humanos - MNDH
37. Operação Amazônia Nativa, OPAN
38. Pastoral Carcerária, PC
39. Rede Axé Dudu
40. Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental - REMTEA
41. Sindicato dos Jornalistas de MT, Sindjor-MT
42. Sindicato dos Trabalhadores no Ensino o Público de Mato Grosso, SINTEP
43. Sociedade Fé e Vida - Cáceres