quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Crianças e adolescentes paraguaios recrutados forçadamente para a luta armada são vítimas de violência

adital
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=82752

Crianças e adolescentes paraguaios recrutados forçadamente para a luta armada são vítimas de violência
Adital
As forças de segurança paraguaias são acusadas de matar quatro jovens de um grupo armado de camponeses, pertencentes ao autodenominado Agrupamento Campesino Armado (ACA), na zona de Arroyito, Concepción. O caso ocorreu no último dia 19 de setembro no marco de um enfrentamento entre as Forças de Tarefas Conjuntas (FTC) e o ACA. Morreram três jovens de 23, 21 e 20 anos e um adolescente de apenas 15 anos de idade. O fato chama a atenção para o problema do recrutamento forçado de jovens e menores de idade para a luta armada e o risco de violência que correm.
A Coordenadoria pelos Direitos da Infância e Adolescência (CDIA) e o Serviço Paz e Justiça Paraguai (Serpaj) denunciam que a operação foi qualificada de "exitosa” pelo governo. Apesar do reconhecimento das autoridades de que pessoas jovens e menores de idade estariam sendo recrutadas, até o momento, não informaram que medidas tomarão com a finalidade de responder a essa situação que, para as entidades, deve ser abordada conforme os compromissos internacionais assumidos pelo Paraguai em matéria de proteção da infância e adolescência. Inclusive, em recentes declarações, o vice-ministro de Segurança Interna, Javier Ibarra, teria considerado que o recrutamento de menores de idade é responsabilidad dos pais e a Justiça poderia atuar contra eles, sem se referir à responsabilidade do Estado paraguaio.
A CDIA e o Serpaj entendem por "criança soldado” toda pessoa menor de 18 anos que faça parte de qualquer força o grupo armado, regular ou irregular, independente do trabalho que desempenhe. O recrutamento de crianças e adolescentes é ainda considerado uma forma de migração forçada, que vulnera diretamente o exercício de seus direitos como cidadãos, afetando, gravemente, seu desenvolvimento integral. O artigo 38, da Convenção sobre os Direitos da Criança exorta os governos a que tomem todas as medidas possíveis a fim de velar para que nenhuma criança ou adolescente participe diretamente de conflitos armados.
Alm disso, as entidades esclarecem que o Protocolo Facultativo das Nações Unidas sobre a participação das crianças nos conflitos armados entrou em vigor no dia 12 de fevereiro de 2002 e tem como objetivo aumentar a proteção das crianças e adolescentes durante conflitos armados. O Paraguai é um dos países que assinaram esse Protocolo e o ratificou em 27 de setembro de 2002, mediante a promulgação da Lei 1.897/2002.
"Desde a CDIA e o Serpaj, repudiamos a criminalidade exercida tanto pelo Exército do Povo Paraguaio (EPP), o Agrupamento Campesino Armada (ACA), bem como outras pessoas e/ou grupos que cometem crimes, e sustentamos que isso requer uma estratégia efetiva por parte dos organismos estatais correspondentes e constitucionalmente estabelecidos”, assinalam. São eles: Ministério do Interior, Polícia Nacional, Ministério Público, Poder Judiciário, Defensoria da Infância e Adolescência e Secretaria Nacional da Infância e Adolescência que, conjuntamente, devem intervir no marco da defesa e respeito irrestrito aos Direitos Humanos.
As duas instituições exigem do Estado a aplicação da Convenção sobre os Direitos da Criança e seus protocolos facultativos, e que tome as medidas necessárias através de políticas de assistência e proteção social às famílias, facilitando o acesso a direitos universais, como saúde, educação, alimentação, moradia e trabalho decente, a fim de prevenir e evitar que crianças e adolescentes sejam recrutados por grupos delinquentes e criminosos, como são considerados o EPP, ACA e os grupos narcotraficantes e de outros tipos.
As entidade pleiteiam ainda: a tipificação penal do ato de recrutamento por grupos não estatais como crime; o reconhecimento das crianças e adolescentes recrutados como vítimas juntamente com suas famílias; a criação de programas especializados para a prevenção, a proteção e o restabelecimento de direitos; e a ampliação dos planos, programas e projetos que el Estado vem desenvolvendo, tendentes a garantir o exercício e o gozo efetivo dos direitos da infância e adolescência.

Adital
As forças de segurança paraguaias são acusadas de matar quatro jovens de um grupo armado de camponeses, pertencentes ao autodenominado Agrupamento Campesino Armado (ACA), na zona de Arroyito, Concepción. O caso ocorreu no último dia 19 de setembro no marco de um enfrentamento entre as Forças de Tarefas Conjuntas (FTC) e o ACA. Morreram três jovens de 23, 21 e 20 anos e um adolescente de apenas 15 anos de idade. O fato chama a atenção para o problema do recrutamento forçado de jovens e menores de idade para a luta armada e o risco de violência que correm.
A Coordenadoria pelos Direitos da Infância e Adolescência (CDIA) e o Serviço Paz e Justiça Paraguai (Serpaj) denunciam que a operação foi qualificada de "exitosa” pelo governo. Apesar do reconhecimento das autoridades de que pessoas jovens e menores de idade estariam sendo recrutadas, até o momento, não informaram que medidas tomarão com a finalidade de responder a essa situação que, para as entidades, deve ser abordada conforme os compromissos internacionais assumidos pelo Paraguai em matéria de proteção da infância e adolescência. Inclusive, em recentes declarações, o vice-ministro de Segurança Interna, Javier Ibarra, teria considerado que o recrutamento de menores de idade é responsabilidad dos pais e a Justiça poderia atuar contra eles, sem se referir à responsabilidade do Estado paraguaio.
A CDIA e o Serpaj entendem por "criança soldado” toda pessoa menor de 18 anos que faça parte de qualquer força o grupo armado, regular ou irregular, independente do trabalho que desempenhe. O recrutamento de crianças e adolescentes é ainda considerado uma forma de migração forçada, que vulnera diretamente o exercício de seus direitos como cidadãos, afetando, gravemente, seu desenvolvimento integral. O artigo 38, da Convenção sobre os Direitos da Criança exorta os governos a que tomem todas as medidas possíveis a fim de velar para que nenhuma criança ou adolescente participe diretamente de conflitos armados.
Alm disso, as entidades esclarecem que o Protocolo Facultativo das Nações Unidas sobre a participação das crianças nos conflitos armados entrou em vigor no dia 12 de fevereiro de 2002 e tem como objetivo aumentar a proteção das crianças e adolescentes durante conflitos armados. O Paraguai é um dos países que assinaram esse Protocolo e o ratificou em 27 de setembro de 2002, mediante a promulgação da Lei 1.897/2002.
"Desde a CDIA e o Serpaj, repudiamos a criminalidade exercida tanto pelo Exército do Povo Paraguaio (EPP), o Agrupamento Campesino Armada (ACA), bem como outras pessoas e/ou grupos que cometem crimes, e sustentamos que isso requer uma estratégia efetiva por parte dos organismos estatais correspondentes e constitucionalmente estabelecidos”, assinalam. São eles: Ministério do Interior, Polícia Nacional, Ministério Público, Poder Judiciário, Defensoria da Infância e Adolescência e Secretaria Nacional da Infância e Adolescência que, conjuntamente, devem intervir no marco da defesa e respeito irrestrito aos Direitos Humanos.
As duas instituições exigem do Estado a aplicação da Convenção sobre os Direitos da Criança e seus protocolos facultativos, e que tome as medidas necessárias através de políticas de assistência e proteção social às famílias, facilitando o acesso a direitos universais, como saúde, educação, alimentação, moradia e trabalho decente, a fim de prevenir e evitar que crianças e adolescentes sejam recrutados por grupos delinquentes e criminosos, como são considerados o EPP, ACA e os grupos narcotraficantes e de outros tipos.
As entidade pleiteiam ainda: a tipificação penal do ato de recrutamento por grupos não estatais como crime; o reconhecimento das crianças e adolescentes recrutados como vítimas juntamente com suas famílias; a criação de programas especializados para a prevenção, a proteção e o restabelecimento de direitos; e a ampliação dos planos, programas e projetos que el Estado vem desenvolvendo, tendentes a garantir o exercício e o gozo efetivo dos direitos da infância e adolescência.



Empresas com trabalho escravo financiaram 61 candidatos

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http://www.ihu.unisinos.br/noticias/535804-empresas-com-trabalho-escravo-financiaram-61-candidatos

Empresas com trabalho escravo financiaram 61 candidatos

Aécio Neves, cinco candidatos ao governo e seis ao Senado foram bancados entre 2002 e 2014 por empresas na ‘lista suja’ do ministério do Trabalho. Veja a relação completa dos políticos.
A reportagem é de Piero Locatelli e publicada por CartaCapital, 02-10-2014.
Empresas flagradas com trabalhadores em situação análoga à escravidão doaram dinheiro a 61 candidatos que disputam a eleição deste ano. Outros seis candidatos são, eles próprios ou suas famílias, donos de empresas que submeteram trabalhadores a esta situação. O levantamento foi feito pela ONG Transparência Brasil e considera todas as doações feitas a estes políticos entre 2002 e este ano, levando em conta a prestação de contas parcial divulgada no início de setembro pelos candidatos.
O único candidato à presidência na lista da instituição é o candidato à presidência Aécio Neves (PSDB). Os candidatos ao governo são Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Fernando Pimentel (PT-MG), Marconi Perillo (PSDB-GO), Tião Viana (PT-AC) e Wellington Dias (PT-PI). Entre os postulantes ao Senado, estão na lista Antônio Anastasia (PSDB-MG), Helenilson Pontes (PSD-PA), Mário Couto (PSDB-PA), Paulo Rocha (PT-PA), Perpétua Almeida (PC do B-AC)Ronaldo Caiado (DEM-GO).
Os partidos com o maior número de candidatos financiados por estas empresas são o PSDB, com 11, o PT, com 10, e oPSD, com 8. A lista ainda pode aumentar com as novas doações, já que a totalidade delas só será conhecida após a eleição, em novembro deste ano.
Já os candidatos que a família possui empresas onde foram flagrados casos de trabalho escravo são: João Lyra (PSD-AL), Camilo Cola (PMDB-ES), Urzeni Rocha (PSD-RR), Camilo Figueiredo (PR-MA), Camilo Figueiredo Filho (PC do B-MA) e Janete Riva (PSD-MT), que anunciou sua candidatura após a renúncia do marido, José Riva (PSD-MT), barrado pela Lei da Ficha Limpa.
As empresas da lista que mais financiaram campanhas foram a Laginha, com R$ 4.371.006, a Marabá, com R$ 3.047.310, e a Eplan, com R$ 872.410.
Metodologia
A organização cruzou os dados de seus projetos sobre doações eleitorais (Quem Quer Virar e Às Claras) com a ‘lista suja’, divulgada semestralmente Ministério do Trabalho e Emprego. A lista do ministério inclui empresas e cidadãos em cuja propriedade tenha havido a identificação de trabalhadores submetidos ao trabalho escravo. A Transparência Brasil também buscou os nomes de donos, sócios e administradores à época do flagrante entre os doadores.
O Código Penal considera trabalho análogo a escravidão “a submissão de empregados a trabalhos forçados ou jornada exaustiva, condições materiais ou psicológicas degradantes (violando sua dignidade e seus direitos fundamentais), restrição de locomoção (como cerceamento de meios de transporte e retenção de documentos ou objetos pessoais), servidão por dívida e vigilância ostensiva a fim de reter o empregado no local.”
Atualmente, deputados e senadores tentam afrouxar o conceito de trabalho escravo descrito no código. Este movimento é uma reação à aprovação de uma emenda à constituição que destina à reforma agrária (no campo) ou à moradia (na cidade) os locais onde forem encontrados trabalhadores escravos.

Por assessoria de comunicação do CPP Nacional


Por assessoria de comunicação do CPP Nacional

Hoje, às 14h, os moradores e as moradoras da comunidade de Zacarias, em Maricá/RJ,  farão uma manifestação pública em repúdio à conivência do poder público com o mega projeto que ameaça o território pesqueiro.


A comunidade pesqueira de Zacarias, localizada no município de Maricá/RJ, vem travando uma luta histórica contra o mega empreendimento imobiliário e turístico São Bento da Lagoa, de empresários luso-espanhóis. O projeto, que ameaça o modo de vida dos pescadores e das pescadoras e a própria biodiversidade local, já teve seu estudo de impacto ambiental aprovado pelo Instituto Estadual de Ambiente (INEA). No entanto, esse estudo é questionado pela própria comunidade e pela sociedade civil.

Localizados em uma Área de Proteção Ambiental (APA), os pescadores e as pescadoras, que há mais de 200 anos vivem na região de Zacarias, denunciam que a chegada do mega projeto representa uma ameaça ao acesso livre que eles possuem até a estrada e o mar onde praticam a pescaria. Além disso, temem pela  poluição das águas vindas da estação de esgoto previsto no projeto e pelas possíveis remoções de famílias da região, assim como acontece em diversos outros projetos pelo Brasil.

O empreendimento prevê a construção de mais de 50 prédios e milhares de casa,  onde residirão e passarão mais de 40 mil pessoas e irão circular mais de 15 mil carros. Somente em Zacarias, pretende-se construir mais de 20 prédios, centenas de casas, um shopping e um campo de golfe. Todas essas edificações ameaçam a destruição das próprias alternativas de lazer dos moradores históricos locais, assim como suas moradias. Teme-se ainda pela preservação ambiental; a APA de Maricá é a restinga mais estudada no Brasil, com mais de 19 espécies de plantas e animais endêmicos. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal Fluminense (UFF) emitiram moções em favor da preservação e conservação do território da APA de Maricá e do patrimônio cultural dos pescadores e das pescadoras de Zacarias.

 Em decorrência da omissão do poder público, os moradores e as moradoras da região mobilizaram uma manifestação pública para hoje, às 14h, na qual entregarão um ofício pedindo a anulação do processo e colocarão o repúdio em relação ao parecer favorável do INEA ao projeto. A comunidade conta com o apoio da sociedade civil formada pela ACCLAPEZ, pelo Movimento Pró restinga e pela APALMA.

Território deveria ser assegurado aos pescadores por lei

Segundo a Lei Estadual nº 3192 de março de 1999, as comunidades pesqueiras artesanais possuem direitos aos títulos das terras que ocupam. A Constituição Estadual, no artigo 257, diz também que “Incube ao Estado criar mecanismos de proteção e preservação das áreas ocupadas por comunidades de pescadores”. Os Direitos Territoriais das Comunidades Tradicionais estão no Decreto Federal  nº 6.040, de 7 de fevereiro de 2007.O Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro (ITERJ) está providenciando os títulos de terras das famílias dos pescadores de Zacarias, no entanto, esse processo foi aberto há anos e ainda não foi resolvido.

Conheça o histórico do conflito e a biodiversidade da região, clique aqui

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Campanha Nacional pela Regularização do Território das Comunidades Tradicionais Pesqueiras
Comissão de Comunicação
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Desmatamento ilegal por trás da morte de indígenas

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Desmatamento ilegal por trás da morte de indígenas

Noticias Aliadas
Adital
Cecilia Remon
"Na floresta o silêncio é absoluto à noite”, conta à Notícias Aliadas, Sara, uma colona que tem uma parcela em plena selva central peruana. "Mas, de repente, às 9h da noite, começa-se a escutar ao longe as motoserras. Eu me levanto de imediato e vou, sem fazer ruído, com minha escopeta e meus cachorros ver onde estão corando minhas árvores. Mas não encontro os cortadores. Se escondem. Pela manhã, encontro as árvores cortadas e os troncos cortados que não puderam retirar”.
ReproduçãoSara é uma limenha de 54 anos, de quem, nos anos 1980, lhe adjudicaram 187 hectares de terras próximo à localidade de Puerto Bermúdez, no central departamento de Pasco, para desenvolver agroflorestamento e proteger algumas espécies de árvores. Em julho passado, lhe informaram que, de maneira inconsulta e sem sua presença, as autoridades do Ministério da Agricultura tinham mudado os limites de suas terras, utilizando planos falsos que não correspondem à realidade física. Ela tem títulos de propriedade registrados e com isso pode reclamar, mas o mesmo não ocorre com as mais de 500 comunidades indígenas amazônicas que, há décadas, exigem a titularidade de suas terras, a única forma que possuem para protegerem suas terras do desmatamento ilegal.
Porém ao governo peruano não interessa avançar na entrega dos títulos de propriedade. Como declara Julia Urrunaga, diretora do Programa Peru da Agência de Investigação Ambiental (EIA), com sede nos Estados Unidos, para as autoridades peruanas em Lima, "a selva é um espaço enorme, repleto de árvores, onde não há gente”.
Do tanque à lavadora automática
Em 2012, os Estados Unidos publicaram o relatório "A máquina de lavar: como a fraude e a corrupção no sistema de concessões estão destruindo o futuro das florestas do Peru”, em que revela o emaranhado burocrático, que legaliza, através de documentos que as autoridades nunca verificam, a comercialização de madeira extraída de áreas não autorizadas na Amazônia peruana.
O assassinato de quatro indígenas asháninkas, na comunidade de Alto Tamaya Saweto, no Departamento de Ucayali, fronteira com o Brasil, trouxe à tona não só a insegurança a que estão expostos os povos nativos amazônicos, como a existência de um negócio muito rentável, em que estão envolvidas empresas, autoridades e madeireiros ilegais.
Edwin Chota, chefe da comunidade, e os dirigentes Jorge Rios, Leoncio Quinticima e Francisco Pinedo já tinham denunciado há anos o que estava ocorrendo em suas terras. "Chota era um dirigente conhecido e ativo contra o desmatamento ilegal”, conta Urrunaga. "Apresentou várias denúncias em Pucallpa (capital de Ucayali) e em Lima, mas sempre foram arquivadas”.

Reprodução
Edwin Chota, um dos indígenas asháninkas assassinados


Tinha documentos, vídeos (localização em) GPS.Acusava pessoas, as identificava com nomes e sobrenomes, com fotos. Com essas mortes, a mensagem das máfias de desmatamento ilegal a quem se opõe a essa atividade é "Deixe-me operar, mesmo que a autoridade esteja me incomodando." A mensagem é "cale-se”.
Um dos primeiros que denunciou o que vinha acontecendo no Alto Tamaya-Saweto foi David Salisbury, geógrafo e professor da Universidade de Ricmond, na Virgínia, EUA. Por mais de 10 anos, assessorou Chota e sua comunidade na luta para obterem os títulos de suas terras.
Segundo Salisbury, Chota escreveu mais de 100 cartas a instituições peruanas e brasileiras pedindo proteção e atenção às suas reclamações e queria levar seu caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).
Madeireiros escravizados

A repercussão internacional do caso, mais que em nível local, obrigou as autoridades a atuarem. Organizações indígenas, grupos de direitos humanos, organismos internacionais, incluindo a própria CIDH e o Alto Comissionado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, exigiram do governo proteção para as comunidades indígenas e deter, julgar e punir os responsáveis.
O governo anunciou ter identificado os supostos assassinos dos indígenas. Trataria-se de desmatadores ilegais, mas, para Urrunaga "capturar os desmatadores não resolve o problema. No geral, trata-se de pessoas que trabalham quase em condições de escravidão, que cortam árvores para sobreviver”.
"Por trás está uma organização muito mais complexa e o objetivo é satisfazer a demanda por madeira fina para os mercados internacionais”, acrescentou.
Não obstante, precisou que "o corte ilegal não é a atividade que arrasa as florestas, mas é a ponta do iceberg, que abre o caminho a outras atividades ilegais”.
Fabiola Muñoz, diretora do Serviço Nacional Florestal do Peru (SERFOR), dependente do Ministério da Agricultura, confirmou que em zonas onde se tem informação da existência de desmatamento ilegal também há corredores do narcotráfico e áreas semeadas com coca. De fato, a própria comunidade de Alto Tamaya-Saweto denunciou que narcotraficantes utilizam a madeira extraída ilegalmente para camuflar a droga.
Entre março e maio deste ano, a Superintendência de Aduanas e Administração Tributária (SUNAT) despenalizou mais de 6 milhões de pés tabulares correspondentes a espécies protegidas, que não contavam com documentação que garantisse sua procedência legal. A madeira estava valorizada em mais de US$ 20 milhões. Mas se trata de operativos que não são permanentes.
O Banco Mundial estima que entre 80% e 90% da madeira que se exporta no Peru, principalmente para a China e outros mercados asiáticos, é ilegal. De acordo com cifras do Governo Regional de Loreto, o Peru perde, anualmente, $ 250 milhões por desmatamento ilegal.
Além de comprometer-se a entregar os títulos de propriedade à comunidade de Alto Tamaya-Saweto, o ministro do Interior, Daniel Urresti, anunciou em 15 de setembro, a nomeação de um alto comissionado para combater o desmatamento ilegal em todo o país, que dependerá da Presidência do Conselho de Ministros. Como titular do cargo foi designado um questionado general aposentado da Polícia Nacional. Trata-se de César Fourment Paredes, que ademais de não ter nenhum conhecimento sobre a extração e comercialização de madeira, trabalhou, estreitamente, com altos chefes policiais vinculados a Vladimiro Montesinos, assessor em assuntos de segurança do encarcerado ex presidente Alberto Fujimori (1990-2000).

Noticias Aliadas

Organização Não Governamental sem fins lucrativos que produz e difunde informação e análises sobre a realidade latino-americana e caribenha com enfoque de direitos

Só 5 de 27 cidades de MT cumprem meta

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http://amazonia.org.br/2014/09/s%C3%B3-5-de-27-cidades-de-mt-cumprem-meta/



Só 5 de 27 cidades de MT cumprem meta

Desde a criação da lista suja do desmatamento, em 2008, 52 municípios da Amazônia estão incluídos, mas só 11 reduziram a destruição
Após seis anos da criação da lista suja do desmatamento somente cinco de 27 municípios de Mato Grosso, incluídos no ranking, conseguiram diminuir a destruição e se regularizar. Há mais de dois anos, o estado não conta com instrumentos de regularização válidos, o que dificultou ainda mais que os municípios mato-grossenses deixem a lista.
Desde a criação da lista suja, em 2008, 52 municípios da Amazônia Legal já foram incluídos, porém somente 11 conseguiram se regularizar. Atualmente, a lista conta 41 municípios, sendo que 22 são de Mato Grosso.
A lista serve como restrição legal e empresas e fundos de financiamento se baseiam no documento para definir se aceitarão negociar com os municípios.
Desde 2012, quando o Congresso Nacional aprovou o novo Código Florestal, o Estado praticamente parou no processo de regularização. Entre as obrigatoriedades do novo código, está a integração do Cadastro Ambiental Rural (CAR) a um sistema nacional, o que ainda não aconteceu e praticamente congelou o processo local.
De acordo com Alice Thuault, coordenadora da Iniciativa de Transparência Florestal, da organização não governamental ambiental Instituto Centro de Vida (ICV), a lista suja faz parte de um plano de controle federal. Contudo, há mais de dois anos o Ministério não atualiza a lista e as regras para a regularização.
Conforme Alice, quando a lista foi criada ela se mostrou um bom instrumento para pressionar os municípios a se regularizarem, o que fez com que o MMA também criasse uma lista para o Cerrado.
Para sair do ranking, as prefeituras têm que cumprir uma série de requisitos, como incluir, pelo menos, 80% dos imóveis rurais no CAR e ter menos de 40km² de desmatamento por ano.
Segundo a coordenadora do ICV, O CAR é importante para deixar a lista, porém ele por si só não garante a diminuição do desmatamento. Segundo ela, dos 22 municípios do Estado, 15 tem mais de 60% de áreas cadastras, porém há quase dois anos os cadastros estão praticamente congelados.
De acordo com Irene Duarte, ex-secretaria de meio ambiente de Alta Floresta, um dos municípios que deixou a lista, e componente do Programa dos Municípios Sustentáveis, sem novas regras e edições, o documento perde a força e os municípios deixam de ser cobrados.
Segundo Irene, a lista por si só não reduz o desmatamento, mas o resultado positivo de Alta Floresta serve de exemplo para que os municípios corram atrás do prejuízo. Depois de sair do ranking, o município conseguiu acessar R$ 11 milhões em crédito do Fundo Amazônia.
Após o aumento de 30% no desmatamento registrado no ano passado na Amazônia Legal, o Ministério prometeu editar uma nova portaria com regras mais rigorosas para a entrada de municípios na lista suja.
A expectativa é que pela primeira vez seja adotado um critério para a reincluir municípios que saíram da lista, porém tiveram alta no Desmatamento, como em Feliz Natal, que saiu da lista em 2012, porém teve alta no desmatamento em seguida.
De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), desde o último dia 26 de setembro está no ar o módulo off-line do Sistema de Cadastro Ambiental Rural (Sicar). O cadastramento off-line é a primeira etapa do processo de implantação do Sicar. A segunda etapa consiste na implantação de um banco de dados para subsidiar a integração entre a regularização e o licenciamento ambiental das atividades. A terceira etapa é a migração dos dados de Cadastro Ambiental Rural (CAR) e Licença Ambiental Única (LAU) da base do Simlam para o Sicar.
Por: Gustavo Nascimento
Fonte: Diário de Cuiabá 

Tanta terra para tão pouco fazendeiro

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http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10097:submanchete300914&catid=25:politica&Itemid=47

 Tanta terra para tão pouco fazendeiro

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ESCRITO POR ELAINE TAVARES   
TERÇA, 30 DE SETEMBRO DE 2014


Vou falar brevemente sobre dois dos pontos que vocês me propuseram: a mídia e a terra. Bom, a mídia é um conjunto de empresas de comunicação que existe para formar uma opinião pública acerca das coisas. O mais poderoso desses veículos é a televisão que chega a 97% dos lares brasileiros, conforme dados de pesquisa do Ministério das Comunicações. Como somos uma nação onde o analfabetismo é grande, a maioria se informa pelo ouvido. E a TV é fundamental. Muitos dizem que o poder de persuasão da TV não é tão grande assim, que as pessoas não são folhas de papel em branco e tal. Bom, isso é em parte verdade, as pessoas não são folhas em branco, mas a TV é poderosíssima sim. É ela que forma a opinião da gente sobre quase tudo.

Exemplos: ao ligar a TV de manhã, o que vemos? A Ana Maria Braga falando de comida ou apresentando alguma trivialidade. Nos demais canais, programas parecidos. O que estão de fato fazendo ali é induzindo a comprar esse ou aquele produto, criando uma ilusão de que qualquer um de nós pode ter à mesa aquelas maravilhas, ou viver daquela maneira. Colonização do pensamento. Depois vêm os programas infantis em todos os canais, na frente dos quais uma boa parte dos pais deixa suas crianças. Ali, com os desenhos, no mais das vezes importados, vai se formando todo o tipo de conceitos e pré-conceitos. Colonização do pensamento. Os heróis são brancos, bonitos, saudáveis. Pratica-se a violência em nome da justiça ,e no meio de tudo isso, há os produtos que precisamos consumir. A sandália da Xuxa, a bolsinha da Angélica, o CD de não sei quem, a boneca daquela outra. Tudo é consumo e colonização mental. Os filmes que passam à tarde, ou à noite, falam de uma cultura que não é a nossa. Nele, vemos os mocinhos - os cowboys - matando índios, e isso aparece como bonito. Índio é selvagem, sanguinário, matador. Colonizador é gente boa.

As novelas também são usinas de colonização mental. Passam ideias, valores, preconceitos, noções sobre a vida que não correspondem à verdade ou que buscam maquiá-la. Cada sucesso do horário das nove horas procura trazer algum elemento ruim que se torna palatável. Já tivemos uma heroína que era dona de uma papeleira, em pleno momento de grandes lutas contra as papeleiras na América Latina. E, agora, não por acaso, o protagonista da novela da noite é um minerador. Justo num momento em que as mineradoras estão invadindo a América Latina em uma ação neocolonizadora. Um minerador, lindo e machão, que até o final da novela haverá de se tornar o queridinho do país.

Já os jornais - de papel ou da TV - nem preciso falar. Só informam sobre o que convém aos donos dos veículos e seus parceiros. A notícia é o que menos importa. São os interesses de um pequeno grupo que comandam.

No Brasil, conforme dados do sítio "Donos da Mídia", são 9.477 meios de comunicação, mas são apenas cinco grandes grupos que dominam o processo: Globo (69 veículos), SBT (19 veículos), Band (47 veículos), Civita (74 veículos) e Record (10 veículos). Esses números dizem respeito a veículos que geram as informações. Mas há os que retransmitem, e aí o número salta. Só a Globo tem 340 canais de retransmissão (é a maior rede do país). Quatro são empresas do tipo familiares e uma é da igreja universal. Essa gente decide tudo o que nós vemos e lemos. Eles não estão preocupados com os pobres. Eles defendem interesses muito claros. Os deles e os de sua classe.

A primeira coisa que tem de ficar claro para todos nós é: a mídia comercial não tem qualquer compromisso com a verdade. Ela defende interesses que são da classe dominante. Não são os nossos, dos movimentos sociais, dos indígenas, dos negros, dos pobres. Os veículos que compõem a mídia comercial são - via de regra - nossos inimigos de classe. Não há por que esperar deles qualquer preocupação com dizer a nossa palavra. Eles nunca farão isso. Basta ver como a questão indígena aparece na mídia. Eu pesquiso esse tema, leio todos os dias cerca de 60 jornais de toda a América Latina. No geral, as notícias sobre índios estão relacionadas ou a reivindicações pontuais que os colocam como "coitadinhos" ou a selvagens baderneiros. O primeiro papel, de coitados, trata de temas como a falta de atendimento de saúde, falta de comida, moradia ruim etc. Essas coisas que são reais, mas não representam a totalidade do universo do índio.

Enquanto estão denunciando pacificamente, pedindo providências em reuniões bem comportadas, tudo bem. A mídia até noticia, muitas vezes aproveitando para bater num determinado governo ou coisa assim. Assume-se que são uns coitados e gesta-se a lógica da pena. Coitados! São índios. Vivem fora da "civilização". Isso contribui para a formação de um "tipo", que é o que a maioria da população tem na cabeça.

Agora, se esses indígenas começam a se movimentar em luta, pelos direitos e pelo território, aí a coisa muda de figura. Território significa terra, e mexer com terra é mexer num vespeiro. Vejam a luta dos indígenas no alto Xingu, contra as hidrelétricas. É uma luta por território: por modo de vida. Diz o Cacique Sadea Juruna: "se Belo Monte for construído, muitas coisas vão ficar diferentes. O peixe vai desaparecer. O alagamento vai fazer o peixe se espalhar e vai ser difícil. Vai matar tudo o que a gente tem. Para o índio, o que está em questão é o modo de vida. Diz Watatakalu Yawalapiti: "o índio não aguenta comer arroz e feijão, refrigerante, todo dia. Ele vive do beiju e do peixe. Minha comunidade vive do peixe. Morreu o Xingu, a gente também morre junto. O rio é nossa vida, é tudo pra nós. Os brancos criaram uma lei que dizia que, antes de fazer qualquer coisa em área indígena, eles consultariam os indígenas. Mas não consulta. Outro diz: "vocês não usam o mercado? Pois o nosso mercado é o mato, a água, a terra. É com isso que a gente sobrevive. Defesa do modo de vida e do direito à consulta.

Mas, para o "juruá" (o não-índio), o que está em questão é a terra. Hoje, segundo o Censo de 2010, no Brasil, existem 505 áreas indígenas que congregam mais de 517 mil almas, num total de 170 línguas e 305 etnias. Essas terras representam apenas 12,5% do território nacional (106,7 milhões de hectares), mas, apesar disso, a maioria delas vive enredada em conflitos causados por especuladores de terra, pistoleiros, jagunços. A tenebrosa batalha pela demarcação da Raposa Terra do Sol foi um exemplo concreto de como a nação vê a demanda indígena pela terra. Com declarações estúpidas como: "para quê índio precisa de tanta terra?". E, assim, sucessivamente acontece em todos os espaços onde vivem os indígenas.

No Mato Grosso do Sul não é diferente. Lá vivem atualmente mais de 28 mil índios de 38 etnias, com indícios de mais nove povos ainda não contatados. Segundo Flávio Machado, coordenador regional do Cimi, ali se concentra a segunda maior população indígena do país e a que vive em pior situação, uma vez que 98% dela está confinada em pequenas reservas que representam apenas 0,2% do território estadual. Toda essa gente vive acossada pela especulação imobiliária, pelos fazendeiros, pelos grandes empreendimentos. O Mato Grosso do Sul é um estado que está na linha do desejo do agronegócio e tem as terras mais produtivas do país. Para aquele estado estão planejadas 30 novas usinas de açúcar e álcool, daí a cobiça dos fazendeiros que querem apostar na monocultura sem risco. E vejam, são 0,2 % do total do território.

O que tem ali de tão valioso para o homem branco? A resposta é: riqueza. Riqueza energética, riqueza aquífera, riqueza mineral. Vejam. Na América Latina estão 65% do lítio mundial. O lítio é o mineral que se usa para fazer baterias de celular, por exemplo, uma febre no mundo. Temos 49% da prata de todo o planeta. Temos 44% do cobre, 33% do estanho, 26% da bauxita (vira alumínio), 24% do níquel, 22% ferro. Isso é muita riqueza. E parte dela está em território indígena. É razão suficiente para que se conteste "tanta terra para pouco índio".

E as terras de latifúndio, quem contesta? Não haveria muita terra para tão pouco dono? Conforme dados da Cepal, no Brasil, 2,8% dos estabelecimentos rurais são grandes propriedades e ocupam 60% das terras produtivas. As médias propriedades são apenas 7,5% dos estabelecimentos e ocupam 17,4% da terra. As pequenas propriedades conformam 28,6% dos estabelecimentos e ocupam 12,8% das terras. Por que os senhores ministros e deputados não questionam isso também? Porque tanta terra (60%) na mão de uma minoria?

Esses senhores receberam do governo, em 2012, a bagatela de 115,2 bilhões em crédito, que raramente eles pagam. Já os pequenos receberam só 18 bilhões e via Pronaf, que é um programa do governo cheio de burocracias. E por que os latifundiários são os xodozinhos do governo? Porque eles renderam 1,82 trilhões para o PIB, só que não com comida e sim com exportação.

Mas tem mais. Muitos desses fazendeiros são apenas prepostos das multinacionais, empresas de fora do Brasil, que lucram com o agronegócio. Conforme dados divulgados por Roberta Traspadini, no seminário Jornadas Bolivarianas de 2014, a Bungue, por exemplo, que fabrica azeite, margarina e suco de laranja, é a grande líder desse setor, com uma receita líquida de mais de 5,6 bilhões de reais. É uma empresa estadunidense, criada em 1818, e que hoje se chama Bungue/Brasil. Emprega 20 mil camponeses e 35 mil funcionários diretos.

Ou seja, a terra, que para os indígenas é cultura, modo de vida, para essa gente que expropria o trabalho alheio é riqueza pura, espaço de lucro. A terra é o espaço de reprodução direta do capital transnacional. As empresas se apropriam dos recursos minerais, da água, e exploram as gentes. A terra perde a função social.

Então, quando um jornal fala do absurdo de dar "tanta" terra aos índios, são esses interesses que estão em questão. A Amazônia é o exemplo mais aberrante. Mas, aqui, nos estados do sul, também há interesses na terra, e não são pequenos.

A comunicação tem de ser nossa

Dito isso, voltamos ao tema comunicação. Os meios estão na mão dessa classe que se apropria da terra e das gentes. É por isso que eles usam os meios para nos fazerem crer que os ricos são bonzinhos (é o que se vê nas novelas, por exemplo), que quem trabalha muito um dia vence, que quem protesta é bandido, e que tem de entregar as riquezas para quem as fará duplicar, no caso, eles.

Logo, nós, como movimento indígena e movimento social, temos de atuar em duas frentes: ter nossos próprios meios, nossos agentes de comunicação, formar gente que possa atuar nesses espaços de comunicação, usar as redes sociais, criar nossas próprias redes, usar cada espaço para divulgar nossa cultura, nossas demandas.

Mas fazer tudo isso ainda não é suficiente. Um noticiário nacional como o JN ou o da Record mata nossas vozes em 30 segundos, e atinge milhões. É muito poder. Então, não podemos nos acomodar em fazer comunicação de resistência, tendo nossos próprios veículos e criando redes. Precisamos passar ao ataque, batalhar por uma mudança geral. Tomar os meios para que eles digam a nossa palavra, e isso não significa simplesmente "democratizar" o que está aí. Significa tomar mesmo, para uso da sociedade, como sonhava Brizola. Isso só acontece se mudamos esse jeito de organizar a vida Não adianta pedir aos meios comerciais - geradores de lucros para poucos - que nos deem espaço, nós temos que tomar esse espaço na luta. E é a luta por outra sociedade, fora do sistema capitalista. Assim foi feito na Venezuela, onde o povo organizado mudou a lei e tem criado meios alternativos de massa. Foi feito na Bolívia, onde os povos indígenas constroem formas massivas de comunicação também. As possibilidades estão aí, mas elas precisam ser construídas fora da ilusão capitalista. Dentro do sistema que hoje nos escraviza não poderemos nunca construir nada. É da natureza do capitalismo invisibilizar aqueles que são considerados "cânceres", doença contagiosa capaz de desestruturar o sistema.

Assim, fazer comunicação indígena pressupõe garantir meios para a divulgação da palavra originária, mas também lutar em parceria com outros movimentos para mudar o sistema geral.

Originalmente publicado em Adital


Elaine Tavares é jornalista.

foto: budista Bodu Bala Sena

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Foto do dia

Monges da organização budista Bodu Bala Sena num encontro com o seu líder Ashin Wirathu en Colombo, Sri Lanka
Foto: Dinuka Liyanawatte (Reuters)

Brasil tem 508 escolas rurais sem infraestrutura, diz o estudo ‘Escolas Esquecidas’

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Brasil tem 508 escolas rurais sem infraestrutura, diz o estudo ‘Escolas Esquecidas’

Por Mariana Tokarnia, da Agência Brasil , no EcoDebate, 23/09/2014

No Brasil, 508 escolas rurais não têm condições de infraestrutura, têm baixa taxa de aprovação e muitos alunos abandonam os estudos. Nessas escolas não há sequer água filtrada. É o que mostra o estudoEscolas Esquecidas, divulgado esta semana pelo Instituto CNA, ligado à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil,  que mapeou esses centros de ensino. A maioria está nas regiões Norte e Nordeste e é de difícil acesso.
O estudo utiliza os dados do Censo Escolar de 2012 e revela instituições que não têm biblioteca, computador, TV, antena parabólica, videocassete, DVD, água filtrada, saneamento básico ou eletricidade.  Quase 40% dos estudantes repetiram de ano e 23% abandonaram os estudos. Nas demais escolas do país, a taxa de aprovação passa dos 83%, e o abandono chega a 3,8% no ensino fundamental e a 10,2% no ensino médio.
A maior parte dessas escolas está na Região Norte: 209 no estado do Pará e 202 no Amazonas. As demais escolas estão no Acre (36), no Maranhão (22), na Bahia (12) em Roraima (11), em Pernambuco (6), no Amapá (4), no Mato Grosso (3), no Piauí (2) e em Rondônia (1). Do total, 184 estão em terras indígenas, 44 em áreas de assentamento, oito em áreas remanescentes de quilombos e uma em unidade de uso sustentável. Grande parte é municipal.
São Gabriel da Cachoeira, município do Amazonas que faz fronteira com a Venezuela e a Colômbia, concentra 67 escolas rurais sem condições mínimas de infraestrutura, o maior número encontrado no estudo. “A zona rural é muito distante da zona urbana. Há locais em que é preciso uma semana para chegar, é preciso ir de rapeta pelos rios, passar por cachoeiras”, explica a assessora da Secretaria de Educação do município, Socorro Borges. “As escolas estão nessa situação pela dificuldade de levar material e porque não temos muito recurso.”
O município encontra também dificuldades em levar os alimentos da merenda escolar para os centros de ensino, que atendem, com exceção de dois, à populações indígenas. Socorro explica que eles contrataram uma empresa para fazer o transporte e que têm que levar alimentos enlatados, em vez de orgânicos, para que durem mais tempo.
Chaves, no Pará, tem 17 escolas que aparecem no relatório. “Essas escolas são de madeira, estão perto das margens dos rios, algumas estão interditadas porque a erosão chegou nelas”, diz o secretário de Educação do município, Edgar Quadros. A cidade fica às margens do Rio Amazonas e é frequentemente atingida pela pororoca –  grandes e violentas ondas que são formadas a partir do encontro das águas do mar com as águas do rio. “Muitas vezes comunidades inteiras têm que se mudar por causa de alagamentos e a escola vai junto.”
Segundo ele, das quase 100 escolas do município, 97 estão em zona rural. O secretário disse que já solicitou ao Ministério da Educação (MEC) ajuda para construir 43 escolas, 31 estão em processo licitatório. Também há problema em fixar os docentes. “Poucos são das comunidades. Geralmente são de fora, vêm de cidades próximas, de Belém, e ficam nas comunidades por temporadas”, diz o secretário.
De acordo com o levantamento, as escolas sem infraestrutura representam 0,7% do total de escolas públicas rurais no país que, em 2012, somavam 75,7 mil centros de ensino.
“O estudo é um alerta para o meio rural, especialmente para aquelas escolas que chamamos de esquecidas. Através dessa metodologia chegamos a 508, mas sabemos que outras escolas estão ali no limite, se houvesse uma flexibilização nos critérios, haveria um número maior de escolas [sem as condições mínimas de infraestrutura]”, diz o secretário executivo do Instituto CNA, Og Arão.
Segundo ele, as escolas rurais são muito importantes para a formação das comunidades do campo e são também um incentivo para que as famílias permaneçam na área rural. “Sem uma escola de qualidade não consigo formar, levar conhecimento e inovação, manter essas pessoas no campo”, acrescenta Arão.
O MEC diz que desde 2012, com o Pronacampo, tem intensificado ações voltadas para as escolas rurais, enviando recursos aos estados e municípios e às próprias escolas. Além disso, também desde 2012, reúne-se com 80 municípios, que são os que concentram a maior parte das escolas rurais, buscando uma gestão mais próxima, discutindo formação de professores, possibilidades de financiamento e de apoio às escolas do campo.
Segundo a secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão, Macaé Evaristo, 46% das escolas apontadas no estudo estão em municípios que fazem parte desse grupo. “Nenhuma criança nesse país pode ficar sem atendimento escolar. No campo é preciso atenção redobrada, independentemente do lugar que a criança nasceu, tem que ter acesso à educação e educação de qualidade”, diz a secretária.

Povos e comunidades tradicionais do Centro Oeste se reuniram para reflexão e mobilização

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Povos e comunidades tradicionais do Centro Oeste se reuniram para reflexão e mobilização

Encontro de Povos e Comunidades Tradicionais do Centro Oeste ocorreu de 12 a 15 de agosto de 2014 em Cuiabá/MT

Por Maíra Ribeiro/AXA
Pantaneiros, retireiros, indígenas, raizeiras, morroquianos, quilombolas, pescadores, ciganos, povos de terreiro e extrativistas. Cada um com sua cultura, cada um com sua riqueza. Imagine agora, todos eles juntos num encontro? O resultado desta diversidade foi muita troca e beleza, mas também discussão e reivindicação. O Encontro de Povos e Comunidades Tradicionais (PCT) da Região Centro-Oeste terminou na sexta-feira passada (15) em Cuiabá, após três dias intensos de plenárias, reuniões e grupos de trabalho. Ao todo, estavam reunidos 120 representantes da sociedade civil, incluindo a juventude e os membros da Comissão Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT). Todos os três estados do Centro Oeste e o Distrito Federal estavam presente.
O tema do encontro foi Territórios, discutidos nos quatros eixos norteadores da Política Nacional de Desenvolvimento para Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT): Acesso a territórios e recursos naturais; Infraestrutura; Inclusão social; e Produção e fomento. O encontro contou também com momentos de acolhida, como as místicas e com apresentações artísticas. Estes espaços trouxeram para o encontro os seus símbolos e a exuberância da diversidade cultural presente.
Da região do Araguaia Xingu, estiveram presentes representantes dos Retireiros do Araguaia, do município de Luciara. Os Retireiros do Araguaia praticam pecuária de subsistência em pastagens nativas das áreas inundáveis do Rio Araguaia. Sua principal reivindicação é a proteção do território utilizado tradicionalmente através da criação de uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS). Rubem Sales, liderança entre os retireitos e membro da CNPCT, participou de uma mesa junto ao Ministério Público Federal e a Secretaria de Patrimônio da União do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (SPU/MP). Rubem apresentou, nessa mesa, os conflitos territoriais da região Centro Oeste. Em sua luta, os Retireiros do Araguaia tem sofrido ameaças e violência por parte de fazendeiros e comerciantes da região.
A mesa de abertura do Encontro contou com representantes da sociedade civil, do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), da SPU/MP e Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (SEJUDH/MT). Na mesa de abertura, os pescadores entregaram ao ICMBio um pedido de reserva de pesca na região de Cáceres.

Discussão e mobilização

Viola de cocho é música tradicional do Centro-Oeste!
Através dos Grupos de Trabalho e reuniões, o encontro cumpriu as metas de avaliar a atuação da CNPCT – formada por 15 representantes da sociedade civil e 15 do governo – e eleger representantes e delegados para participar do II Encontro Nacional, que ocorrerá de 24 a 27 de novembro em Brasília. Além destas, um objetivo do encontro era refletir e gerar recomendações sobre o Projeto de Lei (PL) 7.447/2010. Este PL estabelece diretrizes para as políticas públicas de desenvolvimento sustentável de Povos e Comunidades Tradicionais.
Porém, foi outro PL que gerou maior mobilização no encontro. O Projeto de Lei 7.735/2014 regula o acesso ao patrimônio genético e os conhecimentos tradicionais associados. Entretanto, foi avaliado que o PL apresenta falhas significativas e não protege de fato os direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais. Neste sentido, os participantes foram enfáticos deliberando que a CNPCT peça não só o cancelamento do pedido de urgência de votação do PL, como retire por completo o Projeto de Lei do Congresso Nacional. Para tanto, foi produzida durante o encontro uma carta à Presidência da República que pode ser lida aqui. Foi solicitada também audiência pública com o Secretário Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que já tem conhecimento do pedido de suspensão do PL. O processo será acompanhado por membros da Comissão Nacional indicados no encontro.
Além desta carta, o encerramento foi marcado pela leitura de outros documentos produzidos durante o encontro, como moções de repúdio e as cartas de manifesto sobre os impactos de hidrelétricas e da soja. O documento principal foi a Carta da Região Centro-Oeste, elaborada durante o encontro e com participação de vários representantes dos segmentos.
Para Cláudia Regina Sala de Pinho, da Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneiras, a avaliação do encontro foi muito positiva. “O encontro foi um momento de conquista para a visibilidade da diversidade dos segmentos que sempre resistiram na região Centro Oeste. Esperamos que as reivindicações feitas aos orgãos competentes, seja por meio das cartas, seja nas colocações diretas das representações, sejam atendidas”. Em Mato Grosso, o foco é construir espaços institucionais no âmbito estadual. “Estamos reivindicando que seja aberto espaço de discussão para formar o Conselho Estadual de PCT e a Política Estadual de PCT” afirma Cláudia. O movimento já iniciou uma conversa neste sentido com a SEJUDH, e espera realizar uma primeira reunião, este ano ainda, com o Grupo de Trabalho de representantes de PCT para começar os debates.
Este é o terceiro encontro regional preparatório para o nacional. Os anteriores foram em Belém e Salvador, e o próximo será em Curitiba, de 25 a 29 de agosto. No Encontro Nacional que ocorrerá em novembro em Brasília,  serão apresentados os resultados dos encontros regionais, por meio de avaliação e sugestão de aprimoramento da Comissão Nacional e da PNPCT. Pela Política Nacional, são considerados povos e comunidades tradicionais: indígenas, quilombolas, extrativistas, pescadores, seringueiros, castanheiros, quebradeiras de coco-de-babaçu, fundo e fecho de pasto, povos de terreiro, ciganos, faxinalenses, ribeirinhos, caiçaras, praieiros, sertanejos, jangadeiros, açorianos, campeiros, varjeiros, pantaneiros, geraizeiros, veredeiros, caatingueiros e barranqueiros.
Imagens: Cláudia de Pinho