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segunda-feira, 10 de junho de 2019

Educação e Direitos Humanos

https://revistacult.uol.com.br/home/educacao-e-direitos-humanos/

Educação e Direitos Humanos

Edição do mês
Educação e Direitos Humanos
(Foto: Liz Dorea)

Vivemos tempos sombrios. Sombrios e cruéis, tanto para a educação quanto para os direitos humanos. É preciso força moral, coragem e, sobretudo, estarmos juntos nas lutas que continuam e exigem de nós informação confiável, organização, objetividade e também, apesar de tudo, uma boa dose de esperança.
A realidade nacional, nos dois temas aqui escolhidos, é angustiante. Desde o governo do usurpador M.T., com a Emenda Constitucional do corte de gastos que atinge dramaticamente as políticas sociais e os grupos mais vulneráveis, até as propostas absurdas dos recentes ministros da Educação, tudo nos dá medo, raiva e tristeza. Podemos resumir o cenário: o Brasil não respeita sentenças condenatórias de legítimos órgãos internacionais referentes às violações de direitos humanos; o abandono das principais formas de participação popular através de Conselhos; deformação radical dos compromissos do Estado com o respeito aos direitos humanos, com o consequente aumento da violência; desprezo e abandono de órgãos atuantes na redução das desigualdades, com a desvalorização da diversidade e da inclusão; conservadorismo e reacionarismo ideológico explícitos no movimento “Escola sem Partido”, assim como na defesa das escolas militarizadas e da educação domiciliar; estímulo à delação de professores considerados “doutrinadores”; graves cortes no financiamento do ensino público, ignorando o Plano Nacional de Educação; propostas do neoliberalismo triunfante sobre a privatização das universidades públicas. É um horror.
Ciente desse horror, creio que vale a pena retomar a discussão e a prática de nossos projetos de Educação em Direitos Humanos, pois é a nossa maneira, como intelectuais e professores, de contribuir para a formação ética e cívica dos adolescentes e jovens (sobretudo nas periferias) que estão perplexos, desanimados e perdidos. Já temos em São Paulo certo acúmulo de experiências com EDH, sobretudo na gestão municipal com Fernando Haddad e com os projetos do Instituto Vladimir Herzog, do qual faço parte.
O que entendemos por Educação em Direitos Humanos? Trata-se, essencialmente, da criação de uma cultura de respeito à dignidade humana – de todos, e não apenas das minorias privilegiadas que se consideram “superiores” – através da promoção e da vivência dos valores da liberdade, da igualdade, da justiça, da solidariedade, da cooperação, da tolerância e da paz. Portanto, a educação assim proposta é uma formação – isto é, mais do que a instrução, a qual é igualmente importante e obrigatória nas diferentes áreas do conhecimento. A formação dessa cultura significa criar, influenciar, compartilhar e consolidar mentalidades, costumes, atitudes, hábitos e comportamentos que decorrem daqueles valores essenciais – os quais assumem sentido na vida quando se transformam em práticas. Tratar educação como formação já é uma ideia radical, pois pela tradição a formação (que inclui a educação moral) sempre foi obrigação da família e das Igrejas. Hoje, justamente essa tradição tem voltado com força, embora nossa Constituição afirme que a educação é dever da família e da sociedade.
Algumas premissas se impõem. A EDH é de natureza permanente, continuada e global. É necessariamente compartilhada por todos, educadores (incluindo todos os funcionários da escola, da direção às merendeiras) e educandos, como sempre enfatizou nosso mestre Paulo Freire. Deve ser um projeto de toda a escola e a comunidade na qual está inserida. É uma formação ética, que visa atingir tanto a razão quanto a emoção, ou seja, conquistar corações e mentes. Não é uma disciplina, mas um tema transversal. É uma formação que valoriza a realidade dos alunos, de suas famílias, de suas dificuldades de aprendizado ou de relacionamento (preconceito, racismo, bullying, assédio físico e moral) e que deve lidar constantemente com os problemas através da escuta e do diálogo. Importa destacar que essa escuta e o diálogo são esforços que buscam conhecer e compreender, mesmo quando não se concorda ou se entende. É uma formação que valoriza costumes e tradições de uma determinada região, mas está voltada para a mudança, para a transformação dos(as) educandos(as) em sujeitos históricos, críticos e emancipados. Por emancipação, entende-se aqui a proposta educadora de ensinar a pensar, a argumentar, a fazer escolhas.
Junto a tais premissas, um problema bastante citado pelos responsáveis de cada projeto refere-se ao próprio conceito de direitos humanos, deformado por ignorância ou má-fé em nosso país. Sempre houve, mas hoje é ainda mais comum ouvirmos que “são direitos de bandidos” ou que só valem para “humanos direitos”. Daí a importância, como dizia Antonio Candido, de “esclarecer o pensamento e pôr ordem nas ideias”.
O que são direitos humanos? São aqueles direitos comuns a todos os seres humanos, desde o nascimento, sem distinção alguma de nacionalidade, etnia, sexo e orientação sexual, nível socioeconômico e de instrução, opinião ou filiação política, limitações físicas ou mentais, ou qualquer julgamento moral. São, portanto, universais; e o Brasil é signatário de todas as Declarações, Pactos e Convenções internacionais. Direitos humanos são históricos, lista aberta a aperfeiçoamentos e acréscimos. Hoje, além do direito humano ao meio ambiente saudável, que tem mobilizado jovens ao redor do mundo, temos novos direitos para mulheres e a comunidade LGBT+ e cotas raciais, embora a herança maldita da escravidão (quase quatro séculos!) perpetue-se na discriminação e na morte violenta de jovens negros, na maioria das vezes pela ação policial abusiva (76% dos mortos pela polícia são negros). Mas o racismo é crime e deve ser punido. Direitos humanos são também interdependentes e irreversíveis: direitos civis e políticos, sociais, econômicos, culturais e ambientais.
Uma questão relevante diz respeito à igualdade, como essência dos direitos humanos. Trata-se de igualdade em dignidade (ou seja, a vida digna com os direitos sociais junto às liberdades individuais). Igualdade não é homogeneidade, assim como não é o contrário da diferença. A desigualdade é cultural e economicamente construída, quando se estabelece uma hierarquia dos seres humanos, quem nasceu superior para mandar, e quem nasceu inferior para obedecer. Já a diferença é uma relação horizontal e expressa identidades que devem ser reconhecidas e respeitadas. Logo, o direito à igualdade e o direito à diferença são faces da mesma moeda. Uma diferença pode ser (e, geralmente, o é) culturalmente enriquecedora, enquanto a desigualdade pode ser um crime. No Brasil é o que ocorre em muitas situações, a começar pelo racismo e pelo machismo. É preciso entender que todo crescimento de direitos das classes tradicionalmente perseguidas e humilhadas produz, nos dominantes, uma reação contrária.
É importante também enfatizar que ser tolerante e ser solidário não são a mesma coisa. A simples aceitação do outro, do diferente, é pouco. A tolerância ativa significa que, concretamente, é reconhecida, respeitada e defendida a diferença do outro. Maria Rita Khel insiste que a solidariedade não investe contra o interesse individual. O bem-estar garantido pelos direitos humanos de todos é também favorável a cada um, pois é de nosso interesse viver em uma cidade que não nos envergonhe. Ao falar da megalópole São Paulo, cidade onde alguns são cidadãos e muitos são “sobras”, Maria Rita afirma: “12 milhões de mapas sentimentais recortados pelas pequenas histórias de vida de seus habitantes”. São essas histórias de vida que, nas escolas, os projetos de EDH devem buscar conhecer e entender.
Voltando à educação, a EDH deve estar associada ao projeto político-pedagógico de cada escola. É claro que tudo dependerá da gestão democrática. A Constituição vigente define que o ensino será ministrado com base em vários princípios, dentre os quais está a gestão democrática (art. 206, VI), o que se desdobra nas Constituições estaduais e nas Leis Orgânicas dos Municípios. Logo, a gestão democrática escolar é uma exigência constitucional, desde 1988.
A democracia representativa está em crise no Brasil e no mundo. Cabe defendê-la como o regime político que melhor reconhece, garante e promove os direitos humanos. Está difícil entre nós. Mas não podemos desistir. Muitos se referem à EDH, a busca da igualdade e da justiça, como uma utopia. Que seja. Mas prefiro acompanhar o teólogo Leonardo Boff: “A paz e a democracia, por sua natureza, possuem forte densidade utópica. Quer dizer, são anseios que nunca vão se realizar plenamente na História. Nem por isso são destituídos de sentido. Os anseios, as utopias e os sonhos nos desinstalam, nos obrigam a caminhar e a buscar sempre novas formas de democracia e de paz. São como as estrelas. Não podemos alcançá-las, mas são elas que nos iluminam as noites e orientam os navegantes”.
Maria Victoria de Mesquita Benevides é doutora em Sociologia pela USP e professora titular da Faculdade de Educação da USP, autora de A cidadania ativa(Ática)

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

V conferência infanto-juvenil pelo meio ambiente

V Conferência Infanto- juvenil pelo Meio Ambiente

V CIJMA
V Conferência Infanto- juvenil pelo Meio Ambiente
Vamos cuidar do Brasil cuidando das águas
http://portal.mec.gov.br/pnaes/194-secretarias-112877938/secad-educacao-continuada-223369541/17455-conferencia-infanto-juvenil-pelo-meio-ambiente-novo

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Em MT, aos cuidados de Déborah Moreira:
65 3615 8443


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OUTRAS INFORMAÇÕES
Ministério da Educação - MEC
http://portal.mec.gov.br/pnaes/194-secretarias-112877938/secad-educacao-continuada-223369541/17455-conferencia-infanto-juvenil-pelo-meio-ambiente-novo

ver histórico em:
http://conferenciainfanto.mec.gov.br/


Conferência Infanto- juvenil pelo Meio Ambiente

    Objetivo:
    O objetivo da Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA) é pedagógico e busca apoiar as Secretarias Estaduais, Municipais e Distrital de Educação na promoção da participação social. Incentiva a mobilização e a ação sobre a dimensão política e social da questão ambiental, bem como a sua inserção e apropriação pelos sistemas de ensino nas dimensões de gestão, currículo e infraestrutura das unidades escolares.
    Ações:
    • Realização das etapas preparatórias para a Conferência Nacional, que incluem a formação de professores e conferências nas escolas do ensino fundamental.
    • Disponibilizar materiais de referência para todas as escolas de ensino fundamental a fim de subsidiar o processo de debate e mobilização dos(as) estudantes nas etapas da CNIJMA;
    Como Acessar:
    As Secretarias de Educação dos Estados e Distrito Federal devem, aguardar convocação da CNIJMA pelo Ministério da Educação e incluir esta ação no Plano de Ações Articuladas Estadual (PAR) para apoio a realização das conferências.

    Documentos:
    • Relatório Final da I Conferência Infanto- juvenil pelo Meio Ambiente, 2003;

    sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

    Brasil tem 2,8 milhões de crianças e adolescentes fora da escola

    ihu
    http://www.ihu.unisinos.br/noticias/551039-brasil-tem-28-milhoes-de-criancas-e-adolescentes-fora-da-escola

    Brasil tem 2,8 milhões de crianças e adolescentes fora da escola

    Em todo o país, 2,8 milhões de crianças e adolescentes, ou 6,2% dos brasileiros entre 4 e 17 anos, estão fora da escola. Isso é que mostra um levantamento divulgado nesta terça-feira (19) peloTodos pela Educação, que levou em conta dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2014.
    A reportagem é de Marcelle Souza e publicado pelo portal Uol, 20-01-2016.
    A partir deste ano, as redes de ensino estão obrigadas a incluir alunos de 4 e 5 anos, segundo a meta 1 do PNE (Plano Nacional de Educação) e uma alteração de 2013 na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). As normas regulamentaram a mudança feita na Constituição por meio da Emenda Constitucional nº 59, de 2009. Os números divulgados hoje mostram que a universalização, porém, não deve ser cumprida este ano.
    "O Brasil tratou com descaso a educação durante séculos e está tentando recuperar essa dívida histórica nos últimos 25 anos, é um período muito curto", afirma Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos pela Educação.
    Para Ângela Maria Costa, professora do curso de pedagogia da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), o número também reflete problemas de gestão. "Os municípios não se prepararam para o cumprimento da lei. Eles tinham desde 2009 para fazer isso, mas todo mundo ignorou", afirma.
    Segundo o advogado Ariel de Castro Alves, pais e governos podem ser responsabilizados por criança fora da escola.
    Um problema apontado pela pesquisa é que a porcentagem dos alunos fora da escola é distribuída de forma desigual. O Norte, por exemplo, tem o menor índice de inclusão de crianças e adolescentes na escola: 91,9%. Na outra ponta está o Sudeste, que atende 94,9% de 4 a 17 anos.
    "No Brasil, temos uma desigualdade que é profunda e persistente e as ascensões sociais são muito voláteis. Para criar uma sociedade com distribuição mais justa, é preciso garantir educação de qualidade principalmente para os mais pobres. Os Estados mais pobres têm mais problemas de acesso e qualidade na educação, então 100% das políticas educacionais precisam ter foco na desigualdade educacional", diz a presidente do Todos.
    Desafio na pré-escola
    Cruz afirma que, somados aos problemas regionais, está a necessidade de diferentes estratégias para cada etapa de ensino. "Na faixa de 4 e 5 anos, é um desafio dos municípios, já que eles que são os responsáveis por essa etapa, de criar essas vagas, oferecer transporte, merenda, e está mais ligado a insumos, financiamento".
    MEC (Ministério da Educação) disse que tem ajudado os municípios a colocar mais alunos na educação infantil. "A meta de universalização deve ser cumprida. Há uma parcela ainda de estudantes fora da pré-escola e há projetos para tornar mais acessível a ampliação de escolas e atingir a meta", disse o secretário da Educação Básica do MEC, Manoel Palácios, em entrevista ao UOL no início deste mês.
    Para a professora da UFMS, além da quantidade de alunos na escola, é preciso pensar também na qualidade da educação. "A pré-escola não pode ser escolarização precoce. A criança só pode aprender de verdade a ler e a escrever aos seis anos. Mas, sem qualificação dos professores, [os municípios] vão querer botar as crianças para escrever", diz. "A pré-escola está preocupada com outras expressões, a artística, a corporal, a musical. Aprender a ler e escrever é consequência".
    Abandono no ensino médio
    Apesar da meta garantir a inclusão dos alunos de 4 e 5, já que o ensino já era obrigatório de 6 a 17 anos até o ano passado, o grande problema são os adolescentes. De acordo com os dados, 17,4% dos jovens de 15 a 17 anos estão fora da escola. Nessa faixa etária, os grandes problemas são o abandono e a reprovação.
    "No ensino médio o desafio é outro, porque temos um o grande problema de abandono escolar. Para esse jovem do século 21, a forma de fazer ensino médio no Brasil é anacrônica e expulsa de cara 10% dos alunos no primeiro ano", afirma Cruz.
    Os números também apontam, que apesar dos desafios, houve melhora no acesso à educação: há mais pobres, negros e pardos e moradores de zonas rurais na sala de aula. "É importante destacar e celebrar que o Brasil avançou justamente em relação às populações mais vulneráveis. A gente melhorou, está no caminho correto, agora precisa acelerar mais ainda", afirma Cruz.

    terça-feira, 20 de janeiro de 2015

    'EUA, uma nação em declínio': maioria dos estudantes de escolas públicas vive na pobreza

    carta maior
    http://cartamaior.com.br/?/Especial/Charlie-um-incendio-chamado-seculo-21/-EUA-uma-nacao-em-declinio-maioria-dos-estudantes-de-escolas-publicas-vive-na-pobreza-/187/32685



    'EUA, uma nação em declínio': maioria dos estudantes de escolas públicas vive na pobreza

    Relatório devastador revela trajetória descendente para a geração atual de alunos. Pesquisadores falam do impacto da pobreza no aprendizado dos alunos.


    Jon Queally, Common Dreams
    Thomas Hawk
    Um novo estudo divulgado na sexta-feira mostra que mais da metade dos estudantes matriculados nas escolas públicas americanas vive na pobreza, um cálculo que o autor do relatório diz colocar os EUA no caminho para o declínio social geral.
     
    Publicado pela Fundação Educacional do Sul, a nova análise usou o censo nacional mais recente disponível para confirmar que 51% dos estudantes ao redor das escolas públicas da nação eram de baixa renda em 2013.
     
    De acordo com o relatório:
     
    Em 40 dos 50 estados, estudantes de baixa renda constituem não menos que 40% de todas as crianças de escola pública. Em 21 estados, crianças que ganhavam almoços gratuitos ou com preço reduzido eram a maioria dos estudantes em 2013.
     
    A maior parte dos estados com uma maioria de estudantes de baixa renda é encontrada no Sul e no Oeste. 13 dos 21 estados com uma maioria de estudantes de baixa renda em 2013 localizavam-se Sul, e 6 dos outros 21 estados no Oeste.
     
    O Mississippi liderou a nação com a taxa mais alta: 71%, quase 3 em cada 4 crianças de escola pública no Mississippi eram baixa renda. A segunda taxa mais alta da nação foi encontrada no Novo México, onde 68% de todos os estudantes de escola pública eram de baixa renda em 2013.
     
    Em adição à documentação do número de estudantes que recebem alguma forma de assistência do governo durante seu dia escolar, incluindo programas chave que oferecem almoços gratuitos ou com preço reduzido, o relatório deixa claro que a pobreza dentre os mais jovens da nação está impactando diretamente e negativamente o aprendizado dos alunos e a habilidade do sistema publico educacional de alcançar sua meta em fornecer educação adequada para todos.
     
    “Não podemos mais considerar os problemas e as necessidades dos estudantes de baixa renda simplesmente como uma questão de justiça,” diz o relatório. “Seus sucessos ou falhas nas escolas públicas vão determinar o corpo inteiro do capital humano e do potencial educacional que a nação possuirá no futuro. Sem aprimorar o apoio educacional que a nação fornece aos seus estudantes de baixa renda - estudantes com as maiores necessidades e usualmente o menor apoio - as tendências da última década serão prolongadas para uma nação não em risco, mas uma nação em declínio.”
     
    Falando com o Washington Post, Michael A. Rebell da Campanha por Igualdade Educacional na Faculdade de Professores na Universidade de Columbia notou como a taxa de pobreza tem aumentado mesmo com alguns indicadores econômicos tendo melhorado. “Nós sempre sabemos que esta é a tendência, que chegaríamos a uma maioria, mas está aqui mais cedo do que o esperado,” disse Rebell. “Muitas pessoas no topo estão se saindo muito bem, mas as pessoas na base não estão se saindo bem mesmo. Essas são as pessoas que têm mais filhos e que os mandam para as escolas públicas.”
     
    As descobertas mais recentes aparecem enquanto o Departamento de Educação e os legisladores no Congresso começam um novo debate acerca da reautorização do Ato da Educação Secundária e Elementar (ASEA), mais conhecido pelas versões atualizadas ou programas apoiados por aquela lei - Nenhuma Criança Deixada Para Trás (NCLB) sob o presidente George W. Bush e o Corrida Para o Topo (RTTT) sob o presidente Obama.
     
    Aqueles contrários ao programa, tanto democratas quanto republicanos, por causa de seus testes padronizados buscando um alto rendimento, estão esperando que a reautorização da ASEA seja sua próxima oportunidade para apontar as falhas das solicitas codificadas em ambos NCLB e RTTT.
     
    Como Randi Weingarten, chefe da Federação Americana de Professores, disse no inicio da semana passada em resposta a um discurso do Secretário de Educação Arne Duncan: “Qualquer lei que não se refira aos nossos maiores desafios - financiar desigualdade, segregação, os efeitos da pobreza - irá falhar ao tentar transformar as nossas crianças e escolas, que tanto necessitam.”
     
    Ela continuou, “a política educacional federal atual - Nenhuma Criança Deixada Para Trás, Corrida Para o Topo e desistências - consagrou um foco no teste, não no aprendizado, especialmente testes com alta participação e as consequências e sanções que surgem disso. Isso é errado, e é por isso que existe uma chamada pela mudança. A estratégia de abandono e a Corrida para o Topo exacerbaram a fixação por testes que foi colocada pela NCLB, permitindo que as sanções e as consequências ofuscassem todo o resto. [Baseado no discurso de Duncan], parece que o secretário queira justificar e consagrar o status quo e isso é preocupante.”
     
    Em um artigo para a revista The Nation ano passado, os experts em educação e pobreza Greg Kauffmann e Elaine Weiss descreveram um corpo enorme de pesquisa que mostrou os vários fatores associados com como a pobreza afeta o aprendizado, incluindo: a realização educacional dos “familiares”; como os pais lêem, brincam e respondem às suas crianças; a qualidade do cuidado e da educação antecipados; acesso consistente à serviços de saúde mental e física e alimentos sadios.”
     
    O que está faltando do debate amplo, de acordo com Kauffmann e Weis, é a compreensão do “impacto da pobreza concentrada - e da segregação econômica e racial - nas conquistas estudantis” e um contexto muito mais amplo. “É hora de pararmos de ignorar [os impactos da pobreza e da desigualdade educacionais],” eles escreveram. “As ultimas décadas viram a polarização do crescimento de renda, com o 1% do topo colhendo a grande maioria dos ganhos sociais, a classe média diminuindo, e os da base perdendo o chão. Como resultado, a pobreza concentrada é mais potente e relevante do que nunca.”
     
    E de acordo com uma análise da SEF pela Education Week, as taxas em crescimento de pobreza dentre os estudantes serão, e deveriam ser, uma parte mais ampla do debate atual sobre políticas de educação:
     
    As escolas têm sido confrontadas com os desafios da pobreza por anos, mas cruzar o limiar da maioria certamente cria um ponto de conversação poderoso em debates nos níveis local, estatal e federal sobre assuntos que falam desde igualdade e responsabilidade a apoios estudantis.
     
    “Essa pobreza aprofundada irá complicar as discussões políticas sobre como educar os estudantes americanos, como pesquisas anteriores mostraram, os estudante estão em risco acadêmico mais significativo em escolas com 40% ou mais de concentração de pobreza,” escreveu a Education Week quando cobriu as tendências de crescimento da pobreza em 2013.
     
    E, como a Rules for Engagement já reportou, famílias pobres estão cada vez mais se mudando para os subúrbios e vivendo em áreas com altas concentrações de pobreza, criando dimensões para o debate.
     
    A nova maioria de estudantes de baixa renda é outra realidade para os educadores americanos.

    quinta-feira, 2 de outubro de 2014

    Brasil tem 508 escolas rurais sem infraestrutura, diz o estudo ‘Escolas Esquecidas’

    axa
    http://www.axa.org.br/?p=4709

    escolas-da-zona-rural-22-09-14-567x340

    Brasil tem 508 escolas rurais sem infraestrutura, diz o estudo ‘Escolas Esquecidas’

    Por Mariana Tokarnia, da Agência Brasil , no EcoDebate, 23/09/2014

    No Brasil, 508 escolas rurais não têm condições de infraestrutura, têm baixa taxa de aprovação e muitos alunos abandonam os estudos. Nessas escolas não há sequer água filtrada. É o que mostra o estudoEscolas Esquecidas, divulgado esta semana pelo Instituto CNA, ligado à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil,  que mapeou esses centros de ensino. A maioria está nas regiões Norte e Nordeste e é de difícil acesso.
    O estudo utiliza os dados do Censo Escolar de 2012 e revela instituições que não têm biblioteca, computador, TV, antena parabólica, videocassete, DVD, água filtrada, saneamento básico ou eletricidade.  Quase 40% dos estudantes repetiram de ano e 23% abandonaram os estudos. Nas demais escolas do país, a taxa de aprovação passa dos 83%, e o abandono chega a 3,8% no ensino fundamental e a 10,2% no ensino médio.
    A maior parte dessas escolas está na Região Norte: 209 no estado do Pará e 202 no Amazonas. As demais escolas estão no Acre (36), no Maranhão (22), na Bahia (12) em Roraima (11), em Pernambuco (6), no Amapá (4), no Mato Grosso (3), no Piauí (2) e em Rondônia (1). Do total, 184 estão em terras indígenas, 44 em áreas de assentamento, oito em áreas remanescentes de quilombos e uma em unidade de uso sustentável. Grande parte é municipal.
    São Gabriel da Cachoeira, município do Amazonas que faz fronteira com a Venezuela e a Colômbia, concentra 67 escolas rurais sem condições mínimas de infraestrutura, o maior número encontrado no estudo. “A zona rural é muito distante da zona urbana. Há locais em que é preciso uma semana para chegar, é preciso ir de rapeta pelos rios, passar por cachoeiras”, explica a assessora da Secretaria de Educação do município, Socorro Borges. “As escolas estão nessa situação pela dificuldade de levar material e porque não temos muito recurso.”
    O município encontra também dificuldades em levar os alimentos da merenda escolar para os centros de ensino, que atendem, com exceção de dois, à populações indígenas. Socorro explica que eles contrataram uma empresa para fazer o transporte e que têm que levar alimentos enlatados, em vez de orgânicos, para que durem mais tempo.
    Chaves, no Pará, tem 17 escolas que aparecem no relatório. “Essas escolas são de madeira, estão perto das margens dos rios, algumas estão interditadas porque a erosão chegou nelas”, diz o secretário de Educação do município, Edgar Quadros. A cidade fica às margens do Rio Amazonas e é frequentemente atingida pela pororoca –  grandes e violentas ondas que são formadas a partir do encontro das águas do mar com as águas do rio. “Muitas vezes comunidades inteiras têm que se mudar por causa de alagamentos e a escola vai junto.”
    Segundo ele, das quase 100 escolas do município, 97 estão em zona rural. O secretário disse que já solicitou ao Ministério da Educação (MEC) ajuda para construir 43 escolas, 31 estão em processo licitatório. Também há problema em fixar os docentes. “Poucos são das comunidades. Geralmente são de fora, vêm de cidades próximas, de Belém, e ficam nas comunidades por temporadas”, diz o secretário.
    De acordo com o levantamento, as escolas sem infraestrutura representam 0,7% do total de escolas públicas rurais no país que, em 2012, somavam 75,7 mil centros de ensino.
    “O estudo é um alerta para o meio rural, especialmente para aquelas escolas que chamamos de esquecidas. Através dessa metodologia chegamos a 508, mas sabemos que outras escolas estão ali no limite, se houvesse uma flexibilização nos critérios, haveria um número maior de escolas [sem as condições mínimas de infraestrutura]”, diz o secretário executivo do Instituto CNA, Og Arão.
    Segundo ele, as escolas rurais são muito importantes para a formação das comunidades do campo e são também um incentivo para que as famílias permaneçam na área rural. “Sem uma escola de qualidade não consigo formar, levar conhecimento e inovação, manter essas pessoas no campo”, acrescenta Arão.
    O MEC diz que desde 2012, com o Pronacampo, tem intensificado ações voltadas para as escolas rurais, enviando recursos aos estados e municípios e às próprias escolas. Além disso, também desde 2012, reúne-se com 80 municípios, que são os que concentram a maior parte das escolas rurais, buscando uma gestão mais próxima, discutindo formação de professores, possibilidades de financiamento e de apoio às escolas do campo.
    Segundo a secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão, Macaé Evaristo, 46% das escolas apontadas no estudo estão em municípios que fazem parte desse grupo. “Nenhuma criança nesse país pode ficar sem atendimento escolar. No campo é preciso atenção redobrada, independentemente do lugar que a criança nasceu, tem que ter acesso à educação e educação de qualidade”, diz a secretária.

    sexta-feira, 26 de setembro de 2014

    Educação, alegres estatísticas e impasses reais

    op
    http://outraspalavras.net/brasil/educacao-alegres-estatisticas-e-impasses-reais/

    Educação, alegres estatísticas e impasses reais

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    140925-Ensino
    Em duas décadas, Brasil multiplicou acesso ao ensino e recursos para financiá-lo. De nada adiantará, se não enfrentarmos desafios da inovação e qualidade
    Por Cleomar Manhas
    A política de educação no Brasil avançou significativamente, nas duas últimas décadas. O acesso à escola foi praticamente universalizado, na faixa etária compreendida entre 6 e 14  anos (ensino fundamental). Ampliou-se, também, entre 15 e 17 anos a partir da vigência do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento  da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), em 2006. E com a aprovação da Emenda Constitucional 59, de 2009, que torna obrigatória a etapa da educação infantil intitulada de pré-escola, a demanda por matrículas entre 4 e 5 anos de idade terá de ser integralmente atendidas até 2016.
    Apesar de ainda termos cerca de 3% de crianças fora da escola, na faixa etária compreendida entre 6 e 14 anos e um número maior entre 4 e  6 e entre 15 e 17 anos, pode-se dizer que o direito à educação tem sido contemplado, mas também é preciso perguntar como este direito é atendido.
    Precisa-se, então, qualificar o direito à educação, para atingir o que se denomina por educação de qualidade, que, de acordo com estudantes de ensino médio do Distrito Federal significa: “Aquela que fortalece a identidade e estima dos/das estudantes; que é participativa e coletiva; com pluralismo étnico-racial e combate às discriminações; que estimula a diversidade de corpos, amores, solidariedade; que ao invés de conservar, liberta”.
    E disseram mais, que para se ter educação de qualidade necessita-se de “direito à cidade”; ataque aos preconceitos; “educação para além das escolas”; “ser direito e não ser comercializada”; “estímulo à cidadania”; “consciência ambiental”. E que educação de qualidade não existe hoje. Apesar de avanços educacionais, precisa-se de uma reforma ampla nas formas de ensino e aprendizagem para que se possa atingir este objetivo.
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    Para entender os motivos que levam cerca de 50% dos estudantes que ingressam na escola não acessarem o ensino médio ou abandonarem esta etapa antes de concluída, o Inesc — Instituto de Estudos Sócio-Econômicos — realizou, em parceria com o Unicef, oficinas em quatro escolas de Brasília com o intuito de escutar os próprios adolescentes. E o que se ouve o tempo todo é que se faz necessária uma reforma do ensino, outras metodologias, outros currículos, outras abordagens, pois a escola está ficando na estrada. Há novas maneiras de ver e fazer coisas, novas visões de mundo e a instituição escola se dá ao direito de não percebê-las.
    Nas oficinas, foram utilizados materiais produzidos pela campanha realizada pelo Unicef, em parceria com a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, “Fora da Escola Não Pode e na Escola sem Aprender Também Não”. Com base em dados do IBGE, constatou que o perfil de quem está excluído ou com risco de abandonar a escola é formado majoritariamente por jovens do sexo masculino, negros, que  vivem em famílias de baixa renda e tem pais ou responsáveis com pouca escolaridade.
    O mais curioso, ou corroborador desse relatório, é que as pesquisas realizadas nas quatro escolas de ensino médio do DF encontraram dados semelhantes, com base na percepção de parte da comunidade escolar das quatro diferentes regiões de Brasília: Plano Piloto, Gama, Guará (que atende em maioria alunos da Cidade Estrutural) e Paranoá.
    E como se pode verificar, os achados de pesquisa dialogam com as desigualdades brasileiras, de renda, de raça/cor, de escolaridade, sem falar que quando se olha mais detidamente veem-se estampadas também as desigualdades regionais. Seja com relação às diferentes regiões do Brasil, seja nas diferentes regiões das áreas metropolitanas. Por exemplo, na pequena amostra brasiliense percebe-se as maiores dificuldades de aprendizagem entre os estudantes da Estrutural, por ser a região que abriga o lixão do Distrito Federal e sua população ser formada por maioria de catadores de materiais recicláveis, quase todos negros, com baixíssima ou nenhuma escolaridade e renda.
    Portanto, sem medo das generalizações, o que ficou claro no processo de formação e pesquisa com os adolescentes, constatado no relatório gerado, é que o necessário para promover uma revolução na educação pública, além dos recursos pelos quais se mobilizou durante o processo de votação do Plano Nacional de Educação no Congresso Nacional, é leveza de alma para mudar. Propor novos currículos, repensar o que se acredita ser disciplina e a que e a quem ela serve, perceber as mudanças culturais que estão acontecendo em velocidade máxima e discuti-las no âmbito das mudanças curriculares.
    Além de dialogar com a sociedade sobre as desigualdades. Ou, assumir as desigualdades para resolvê-las. Para isso, não bastam ações governamentais, mas algo no âmbito da própria educação e da cultura. Já há várias iniciativas em curso, como as cotas raciais, a proposta de criminalização da homofobia (que ainda não se conseguiu), as cotas universitárias para alunos de escolas públicas, programas como Prouni, por exemplo. No entanto, isso não basta, é preciso, acima de tudo, que governos e sociedade, como um todo, revejam princípios e saiam para além de suas cercanias. Reflitam sobre anos de violações de direitos e queiram outros modelos e outras práticas.
    É preciso tirar o véu que encobre fatores promotores e reforçadores de novas e velhas formas de desigualdades, que passam pela manutenção de privilégios para poucos iluminados, que continuam resolvendo processos eleitorais por meio de financiamento de campanhas políticas, por exemplo. Ou a coleção de impostos regressivos, que faz com que aqueles que ganham até três salários mínimos comprometam 50% da renda com tributação indireta. Com opções de políticas culturais que continuam a favorecer os mesmos em detrimento das manifestações locais. Ou quando pensam em dar acesso à cultura  propõem levar cultura até a favela e não em contribuir para que a cultura da favela se mantenha viva.
    Para que a educação se realize como educação de qualidade é preciso, de fato e não apenas no discurso, que parte da sociedade que perpetua preconceitos e agudiza desigualdades, se conscientize de que direitos são para todas as pessoas e não apenas para os “humanos direitos”.