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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Dorothy Stang, dez anos de impunidade na Amazônia

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Dorothy Stang, dez anos de impunidade na Amazônia

No dia 12 de fevereiro de 2015 completa dez anos do brutal assassinato da missionária Dorothy Mae Stang, aos 73 anos de idade.  Ela foi morta com seis tiros à queima roupa, um deles na cabeça, sem a mínima chance de defesa, na zona rural do município de Anapu, no oeste do Estado do Pará.  Dos cinco homens julgados e condenados pela morte, apenas um cumpre prisão em regime fechado, mas por outro crime, outros três respondem a sentença no semiaberto (dormem na cadeia) e um ainda não cumpriu a pena.
Sepultamento da irmã Dorothy Stang em Anapu (Foto: Alberto César Araújo/2005)
Para Dinailson Benassuly, coordenador do Comitê Dorothy, esse é o momento para rememorar o caso e exigir que Regivaldo Pereira Galvão, acusado de mandante do crime, cumpra a pena de 30 anos em regime fechado.
O fazendeiro, comerciante e agiota Regivaldo Pereira Galvão, o “Taradão” foi acusado pela investigação da Polícia Civil do Pará como principal mandante do assassinato de Dorothy Stang.
Em 2010, ele foi condenado a 30 anos de prisão em regime fechado pelo Tribunal de Justiça do Pará. Ficou preso por apenas 1 ano e 4 meses. Ele ganhou a liberdade por um recurso concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2012.
O Comitê Dorothy foi criado por religiosos e ativistas dos direitos humanos e ambientalistas após a morte da missionária e está sediado em Belém. A pressão exercida pelos membros da entidade junto à sociedade civil foi crucial para diminuir a morosidade dos julgamentos de crimes impunes no Pará.
O Comitê ainda não tem formalizada a programação de eventos que marcarão os dez anos da morte da freira, mas Benassuly garante que a data será lembrada com a bandeira da defesa do meio ambiente e, principalmente, da Amazônia.
A missionária e o desenvolvimento sustentável
Dorothy Mae Stang, uma mulher de estatura mediana, corpo franzino e olhos azuis que contrastavam com os cabelos curtos e brancos, era uma freira norte-americana nascida em Dayton, Estado de Ohio, que veio para o Brasil em 1966. Integrante da congregação católica de Notre Dame de Namur, seu objetivo?—?assim como de tantos outros missionários –, era levar o cristianismo e pregar a paz, mas por sua veia ambientalista, ao chegar a Anapu, ela identificou o problema fundiário e começou a trabalhar para que o pequeno agricultor tivesse direito à terra.
Educadora, a freira ensinou inúmeras gerações de agricultores a ler e escrever e a estudar, com o intuito de torná-los futuramente técnicos agrícolas e poder garantir sua subsistência.
Integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), ligada à Igreja Católica, em Anapu, Dorothy Stang liderava o primeiro projeto de desenvolvimento sustentável, o PDS Esperança, de agricultura familiar. Ela lutava pela regularização da terra para famílias de trabalhadores rurais e combatia a violência das invasões ao projeto por grileiros, madeireiros e fazendeiros.
Dorothy Stang pregava a paz e a defesa da floresta na Amazônia (Foto: Alberto César Araújo /2005)
A confiança no propósito do PDS Esperança foi o que motivou irmã Dorothy, como era conhecida há mais de 20 anos nas regiões margeadas pelo rio Xingu e Transamazônica (BR 230), a dedicar sua vida a esse projeto, levantando a bandeira da regularização da terra, um dos motivos que contribuiu para a execução do crime que tirou sua vida. Até sua morte, sua luta era pouca conhecida fora do Pará.
Além de acreditar, a freira investiu, antes de morrer, para que os assentados do projeto pudessem ser autossuficientes sem devastar a floresta amazônica. Esse era o sonho e ela foi assassinada quando ele estava apenas começando a se concretizar.
O PDS Esperança é um projeto do governo federal por meio do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) que consiste em assentar pequenos agricultores em lotes de terra, dos quais 20% são destinados à produção de maneira sustentável e 80% ao manejo florestal comunitário.
Apesar de ser uma iniciativa federal, foi Dorothy Stang que deu visibilidade ao PDS Esperança, garantindo que o assentamento, criado por ela em 1999, fosse reconhecido pelo governo em 2003.
Hoje o PDS Esperança produz cacau, fruto que foi escolhido estrategicamente por não destruir a floresta. Medicilândia, município que também fica no oeste paraense, é hoje o maior produtor isolado de cacau do Brasil e também o de maior produtividade do mundo.
Em vida, a freira conseguiu junto ao Incra que casas fossem construídas para os agricultores do projeto de assentamento. Além disso, a formação dos técnicos agrícolas?—?iniciativa dela?—?foi indispensável para que o PDS chegasse onde está hoje.
Mas segundo Dinailson Benassuly, coordenador do Comitê Dorothy, as dificuldades ainda são grandes. Dentre elas, podem ser citadas as ameaças sofridas por moradores das áreas do assentamento Pilão Poente III, localizado no PDS Esperança, em março de 2014.
Espera-se assim, que com a consolidação do PDS Esperança, bem como o cumprimento da pena do Regivaldo Pereira Galvão, os membros do Comitê Dorothy e a sociedade civil como um todo possam dizer que a luta de Stang pela Amazônia?—?que é um bem de todos?—?venceu as barreiras da impunidade e tornou mais justa a vida de quem antes não tinha direito a terra.
E, embora ela e vários outros que defendem a regularização fundiária tenham sido silenciados, o esforço e a dedicação de cada um deles por uma sociedade mais igualitária, no campo, continuam eternizados naqueles que dão continuidade aos seus trabalhos em vida.
A origem do conflito agrário no PDS Esperança
Mesmo estimulando a produção sustentável e a preservação do meio ambiente para as gerações futuras, a luta da missionária Dorothy Stang para regularizar o PDS Esperança não era visto com bons olhos por fazendeiros do município de Anapu, que, em sua maioria, criam gado?—?prática que, segundo especialistas, vai na contramão da sustentabilidade, uma vez que se utiliza da devastação de grandes espaços para criação de pasto, por meio das queimadas, devido ao baixo custo do método.
O motivo pelo qual o PDS Esperança não era bem visto emerge do fato de que a propriedade que os fazendeiros possuíam estava localizada exatamente em áreas destinadas para reforma agrária e o desenvolvimento sustentável. Por saber o destino adequado para esses latifúndios, Dorothy Stang os reivindicava junto aos órgãos competentes, e os fazendeiros, por não quererem perder os lotes, questionavam a retomada da terra.
Além dos fazendeiros, alguns agricultores e madeireiros ou não entendiam a importância de trabalhar a natureza sem esgotar os recursos naturais, ou pior, aproveitavam-se da rentabilidade econômica da prática. A “não aceitação” contra a freira era tanta, que a prefeitura de Anapu e a Câmara Municipal da cidade, segundo depoimento dela, chegaram a considerá-lapersona non grata, sob o pretexto de que ela?—?que lutava pelos direitos de quem não tinha acesso à terra?—?estaria atrapalhando o desenvolvimento do município.
O lote 55?—?área de 3.000 hectares de floresta nativa?—?foi o local de disputa que ocasionou a morte da missionária. Ela defendia que o espaço pertencia ao PDS Esperança, mas o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o “Bida”, afirmava que a área foi vendida a ele legalmente por Regivaldo Pereira Galvão, o “Taradão”, comerciante e agiota da cidade de Altamira.
Assim, o conflito surge da ausência, ainda hoje, da comprovação da legitimidade dessas terras. Muito é especulado e pouco, efetivamente, certificado. Os donos atuais das propriedades?—?podem tanto tê-las comprado como também invadido. Sem a titularidade, tudo reside, apenas, no campo das conjecturas. Mas uma coisa é incontestável: muitos conseguem apropriar-se indevidamente de terras públicas na Amazônia, por meio da falsificação de documentos, a exemplo da grilagem.
No documentário “Mataram Irmã Dorothy”, de Daniel Junge, a missionária diz que o único documento que os fazendeiros possuem das propriedades é de cartório?—?de compra e venda. Ela, por sua vez, tinha o mapa indicando que a fazenda dos pecuaristas estava localizada em território da União.
Todo esse contexto nasce em meio ao plano de ocupação da Amazônia, criado na época da ditadura militar, na década de 60. Inicialmente, os lotes eram cedidos a quem fosse morar na região. Hoje, o que se vê são terrenos?—?cedidos por meio dos Contratos de Alienação de Terras Públicas (CATP)?—?sob posse de fazendeiros que afirmam terem conseguido as propriedades de maneira lícita. E assim, inicia-se o conflito.
Quanto mais o PDS Esperança avançava, quanto mais se desenvolvia, mais ameaças de morte a irmã Dorothy recebia. Para Dinailson Benassuly, coordenador do Comitê Dorothy, a freira é um símbolo de luta pela terra. “Até hoje ela é uma inspiração pra mim e para tantos outros”, diz.
O assassinato e a Bíblia como única defesa
Era manhã de sábado, dia 12 de fevereiro de 2005, como outra qualquer para os moradores do PDS Esperança, a 53 quilômetros de distância da sede de Anapu, no oeste do Pará. Irmã Dorothy Stang, então com 73 anos, vestia uma bermuda bege, blusa branca e portava, apenas, uma pasta amarela, onde levava a Bíblia, em suas mãos. Ela caminhava em uma estrada de terra batida em direção à casa de assentados quando foi abordada Rayfran das Neves Sales e Clodoaldo Carlos Batista.
Segundo a investigação policial, a missionária Dorothy Stang chamou a atenção dos dois homens por eles terem jogado, dias antes, sementes de milho dentro das lavouras dos agricultores do PDS Esperança para prejudicar as plantações. Rayfran e Clodoaldo eram contratados para trabalhar no lote 55, do qual Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, a alegava ser o dono.
A principal testemunha do crime, um agricultor que caminhava há poucos metros de distância da missionária, disse que o pistoleiro Rayfran perguntou à freira se ela estava armada. Ela afirmou: “eis a minha arma”. E lhe mostrou a Bíblia.
Rayfran Sales disparou seis tiros contra a freira, acertando-a na cabeça e em outras cinco partes do corpo. Dorothy Stang tombou na terra.
Naqueles dias em que a impunidade de crimes no Pará ganhou repercussão internacional, uma força-tarefa foi montada de emergência pelo governo federal para atuar na região de Anapu. Cerca de dois mil soldados foram deslocados de batalhões do Exército de Belém, Manaus e Marabá com a função de garantir a segurança de quem morava no munícipio e evitar outros assassinatos, já que muitos amigos da missionária estavam ameaçados de mortes, entre eles, José Amaro Lopes de Sousa, o Padre Amaro, um dos coordenadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT), e o bispo da Prelazia do Xingu, dom Erwin Kräutler.
Em dezembro do mesmo ano, o autor dos disparos confessou, diante do juiz, que recebeu R$50,00 pelo crime, mas que a promessa era de R$50 mil. Ao escutar tais palavras, o júri popular lamentou e Rayfran não esboçou um só gesto que demonstrasse arrependimento pelo ato.
Na época, o Procurador Geral da República, Felício Pontes, solicitou à Procuradoria Geral da República, a federalização do caso, isto é, que a Polícia Federal fizesse a investigação, uma vez que se tratava de grave violação aos direitos humanos e havia a suspeita de que fazendeiros formalizaram um consórcio para encomendar a morte da freira.
O pedido de federalização foi negado e o caso foi julgado pela Justiça Estadual do Pará. A Polícia Civil do Pará investigou o crime e prendeu os responsáveis.
O julgamento dos cinco acusados pelo crime
Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão (Foto: Carlos Mendes/TJ Pará)
Os réus Vitalmiro Bastos, Amair Cunha, Clodoaldo Batista e Rayfran Sales no julgamento em 2005 (Comitê Dorothy)
São cinco os envolvidos na morte da missionária Dorothy Stang. Todos foram julgados e condenados, mas três estão cumprindo pena em regime semiaberto. Exceto Rayfran das Neves, autor do disparo, que está preso, mas por ter cometido outro crime. Regivaldo Pereira Galvão até agora não cumpriu pena.
Veja, abaixo, onde está cada um dos condenados:
Regivaldo Pereira Galvão, o “Taradão” (mandante): Foi condenado em maio de 2010 a 30 anos de prisão, inicialmente, em regime fechado. Regivaldo sempre respondeu em liberdade, ficou preso, apenas, no início dos julgamentos por 1 ano e 4 meses. Hoje, mora em Altamira e aguarda em liberdade um recurso que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A reportagem da agência Amazônia Real tentou contato com o advogado do Regivaldo, Jânio Siqueira, para obter mais informações sobre a defesa dele no caso, mas ele não retornou as ligações telefônicas até o fechamento desta matéria.
Vitalmiro Bastos de Moura, o “Bida” (mandante): Foi condenado em setembro de 2003 a 30 anos de prisão em regime fechado. Em fevereiro de 2014, conseguiu encurtar a sua pena em 125 dias por trabalhos realizados na prisão. Hoje, mora em Altamira, onde cumpre a pena em regime semiaberto.
Amair Feijoli da Cunha, o “Tato” (intermediário): Foi condenado a 17 anos de prisão inicialmente em regime fechado. Hoje mora em Tailândia, no Pará, e cumpre a pena em regime semiaberto. “Tato” teve a pena reduzida pela lei da delação premiada. A pena inicial, por homicídio duplamente qualificado, era de 27 anos. No julgamento, ele confessou que foi contratado por R$ 50 mil pelos fazendeiros Vitalmiro Bastos de Moura e Regivaldo Pereira Galvão. O valor seria dividido entre os executores.
Rayfran das Neves, o “Fogoió” (autor dos disparos): Foi condenado a 27 anos de prisão, que seriam cumpridos inicialmente em regime fechado. Assassino confesso, Rayfran foi beneficiado em 2013 com prisão domiciliar, por apresentar bom comportamento na cadeia. Hoje aguarda novo julgamento em regime fechado por ser acusado de matar, em setembro de 2014, um casal em Tomé-Açu, no Pará.
Clodoaldo Batista, o “Eduardo” (coautor): Foi condenado a 17 anos de prisão em regime semiaberto, porém não se apresentava à justiça desde 2011?—?condição obrigatória exigida pelo regime. Clodoaldo sumiu, não disse onde estava morando, não cedeu endereço, nada. Dessa forma foi considerado foragido. Em 20 de outubro de 2014, se apresentou à Justiça do Pará. Agora, responde à pena em regime semiaberto, tendo que se recolher à noite para dormir em uma casa penal da Região Metropolitana de Belém. Clodoaldo mora em um sítio, no município de Benevides, no Pará.
Impunidade na Amazônia X Justiça
“Continuam morrendo anônimos todos os dias naquela região”, declara o promotor de Justiça Edson Cardoso, que atuou no caso Dorothy Stang, ao ser indagado pela Amazônia Real sobre a situação de Anapu hoje.
A afirmação, além de trazer uma perspectiva do que ainda acontece no município, permite ir ao passado e relembrar a história de um dos maiores ambientalistas brasileiros, que assim como a Irmã Dorothy defendia a floresta e as populações tradicionais: Chico Mendes lutou até sua morte em 22 de dezembro de 1988. Ela até fevereiro de 2005.
Quando o promotor fala em anônimos, se refere ao pequeno agricultor, porque nas suas palavras “as lutas sindicais ficam cada vez mais enfraquecidas a cada morte de líderes”. É de se imaginar que a luta é injusta: agricultores que querem apenas um pedaço de terra para plantar e garantir o sustento da família contra grandes latifundiários que contavam com capatazes para defender suas propriedades.
Dessa luta, desde o pequeno agricultor até as lideranças sindicais, a Amazônia tem muito sangue derramado em seu solo. No Pará, por exemplo, o caso conhecido como “Massacre de Eldorado dos Carajás” teve grande repercussão e, apenas, dois condenados. Dois. De 146 policiais militares julgados por terem participado do assassinato de 19 sem-terra, em abril de 1996, sem contar os mais de 60 feridos.
Segundo dados do Ministério Público, entre 1964 e 2011, os mortos por latifúndio, só no Pará, passam de 2 mil. Mas tanto no caso Dorothy Stang, quanto dos “Irmãos Canuto” ocorrido em 1990 vitimando os dois irmãos Paulo e José Canuto, o promotor Edson Cardoso conseguiu a condenação dos mandantes. Nesse último caso, a motivação também era a questão agrária. Eles, assim como a freira, lutavam pelos pequenos agricultores rurais. Contudo, passaram-se 18 anos até que o assassinato fosse levado a julgamento.
No caso de Chico Mendes?—?que foi um dos primeiros a atrair os olhos do mundo para a questão da terra na Amazônia –, o fazendeiro Darli Alves da Silva e seu filho Darci Alves Pereira foram condenados a 19 anos de prisão. No caso Dorothy, aguarda-se julgamento do recurso no STJ, para que Regivaldo Pereira Galvão cumpra sua pena.
Por: Catarina Barbosa
Fonte: Amazônia Real

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Estudantes mexicanos desaparecidos podem ter sido torturados, assassinados e incendiados

adital
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=82794

Estudantes mexicanos desaparecidos podem ter sido torturados, assassinados e incendiados

Adital
O desfecho para o desaparecimento dos estudantes dos estudantes do município de Iguala, Departamento de Guerrero, se anuncia de forma ainda mais trágica. De acordo com informações da imprensa mexicana, o procurador de Guerrero, Inaky Blanco, afirmou, em entrevista coletiva, na noite deste domingo, 05 de outubro, que as investigações revelam que policiais de Iguala entregaram 17 normalistas ao grupo paramilitar Guerreros Unidos, que os assassinaram. Chegou-se a essas informações após as declarações de Martín Alejando Macedo Barreda, narcotraficante, e Marco Antonio Ríos Berver, pistoleiro dos Guerreros Unidos, que confessaram terem assassinado 17 normalistas, cujos corpos foram enterrados em valas clandestinas. Um dos líderes da organização criminosa, conocido como "El Chuky”, teria sido o mandante da execução dos estudantes.
Outra revelação é que 30 membros da polícia municipal preventiva de Iguala seriam integrantes dos Guerreros Unidos. Vinte e dois já foram presos. Na entrevista, Blanco informou também que nas fossas de Palo Blanco, em Iguala, até o momento, foram encontrados 28 corpos, que se acham em variados estados de decomposição, ainda que todos tenham sido incendiados antes de serem enterrados. Até agora, suas identidades ainda não foram descobertas. Testes de DNA serão realizados para saber se trata-se, realmente, dos estudantes desaparecidos.
Nos últimos dias 26 e 27 de setembro, seis pessoas, entre elas dois normalistas da Escola Rural Raúl Isidro Burgos, de Ayotzinapa, um jogador de Futebol e três outros civis, morreram durante três ataques na cidade de Iguala, zona norte de Guerrero. Além dos seis mortos, nos ataques foram feridas 17 pessoas e 43 estudantes desapareceram.
Blanco também informou que, até o momento, já são 30 os detidos pelas ocorrências de violência, entre policais municipais e membros do crime organizado. O prefeito de Iguala, José Luis Abarca, também estaria envolvido. Ele pediu licença do cargo e encontra-se foragido.
Reunidos em Ayotzinapa, os dirigentes da Coordenadoria Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE), alunos da Escola Normal de Ayotzinapa e os familiares dos desaparecidos foram convocados para a Casa Guerrero, uma das sedes do governo estatal. Lá, foram recebidos pelo próprio governador, Ángel Aguirre. Em protesto, os estudantes deixaram a reunião, mas os secretários gerais da CNTE exigiram que da identificação dos restos mortais participe a célebre equipe de forenses argentinos.
Por sua vez, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), solicitou a adoção de medidas cautelares em favor dos estudantes da escola rural Raúl Isidro Burgos. A Comissão considera que os 43 estudantes desaparecidos e os estudantes feridos, atualmente no hospital, se encontram em uma situação de gravidade e urgência, posto que suas vidas e integridade pessoal estariam ameaçadas e em grave risco.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Apesar de avanços nos últimos anos, homofobia ainda é arraigada e violenta no Brasil

adital
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=82483

Apesar de avanços nos últimos anos, homofobia ainda é arraigada e violenta no Brasil

Natasha Pitts
Adital

No último dia 10 de setembro, foi encontrado em um terreno baldio, na cidade de Inhumas, Região Metropolitana de Goiânia (Estado de Goiás), o corpo de João Antônio Donati, jovem homossexual de 18 anos. O assassinato teria ocorrido com requintes de crueldade. Seu corpo foi encontrado com o pescoço e as duas pernas quebradas, a boca estava cheia de papel. Essa bola de papel conteria um recado homofóbico: "Vamos acabar com essa praga”. A polícia ainda está investigando se o caso é realmente um crime de ódio contra a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais).

Este caso trágico, que ganhou repercussão na mídia e nas redes sociais no Brasil esta semana, comprova que não está longe de ser raro o aparecimento de notícias envolvendo casos de homofobia. Alguns desses episódios terminam, inclusive, com o assassinato das vítimas. Outro exemplo disso aconteceu há poucos dias, em Curitiba, no Paraná, quando um jovem gay foi espancado por taxistas que o acusaram de assédio. No atual período eleitoral, o assunto tem extrapolado as organizações e movimentos LGBT e sendo explorado por alguns candidatos em busca de votos.
"Estamos vivendo um processo de fundamentalismo arraigado no Brasil. Avançamos em políticas públicas, mas a homofobia ainda é muito forte. O que aconteceu com o jovem de Goiânia é um retrato fiel do que a população LGBT sofre. Em nome desse fundamentalismo temos perdido muitas vítimas”, denuncia Marcelle Esteves, vice-presidente do grupo Arco-Íris, do Rio de Janeiro, e coordenadora de política nacional da Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL), em entrevista à Adital.
A ativista aponta que o atual governo, comandado pela presidente Dilma Rousseff (Partido dos Trabalhadores - PT), contribuiu com alguns pontos favoráveis relacionados à visibilidade e direitos civis LGBT, mas ainda é preciso avançar bastante.
"Hoje, mais do que nunca, ter um candidato comprometido com os direitos humanos é fundamental. Precisamos de um candidato que assuma a defesa não só dos direitos das pessoas LGBT, mas esteja também atento à questão do preconceito racial, entre outras causas; uma pessoa que assuma os direitos humanos como uma pauta fiel e respeite a vida”, destaca Marcelle.
Há poucos dias, a população brasileira acompanhou o "erro técnico” da candidata a presidenta pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) Marina Silva, que divulgou em suas propostas de campanha apoio à união de casais homoafetivos, mas, em apenas 24 horas, voltou atrás e sob pressão de grupos fundamentalistas amenizou o ponto em questão, defendendo que se comprometeria apenas em garantir os direitos oriundos da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Apesar das justificativas de "erro de diagramação”, a substituta de Eduardo Campos foi acusada de ceder às pressões de grupos evangélicos. Marina também é acusada de ter posições conservadoras por ser evangélica.
"O que aconteceu demonstra a força que o fundamentalismo tem. Política e religião não deveriam nunca estar atreladas, mas sabemos que isso acontece no Brasil e vimos isso no posicionamento de Marina. A candidata percebeu que a pauta LGBT poderia ser muito cara para ela e, assim, contatamos que não há comprometimento. Uma candidata que lança um programa de governo e, um dia depois, diz que se enganou não é séria e não vai governar para todos”, critica a ativista da Articulação Brasileira de Lésbica.
Para que a população conheça candidatos que assumem abertamente propostas voltadas para a defesa dos direitos civis de gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros, um movimento social suprapartidário criou o site colaborativo http://www.votelgbt.org/. A iniciativa tem como marco, justamente, a polêmica envolvendo Marina Silva. O site já catalogou mais de 100 candidatos de diferentes partidos.
"Queremos um país em que todo mundo tenha seus direitos garantidos e suas vidas respeitadas. Para isso, precisamos escolher políticos verdadeiramente comprometidos com os direitos humanos”, declara um dos textos publicados no site.
O suspeito de assassinar Donati, o lavrador Andrie Ferreira da Silva, de 20 anos, confessou o crime à polícias. Ele contou que manteve relação sexual com a vítima no mesmo terreno onde o corpo foi encontrado. Alegando não ser homossexual, Silva afirmou que a motivação para o crime não teria sido homofobia. Após a relação sexual, os dois teriam se desentendido e entrado em luta corporal. Em depoimento, o suspeito alegou ter usado apenas as próprias mãos para matar João, sem a utilização de nenhum objeto.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Humberto Teófilo, o suspeito esqueceu os documentos pessoais no local do crime, levando a polícia ao seu paradeiro. Silva foi detido em uma plantação de tomates, onde trabalhava, e não resistiu à prisão.De acordo com Humberto Teófilo, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a vítima lutou com o agressor antes de morrer. Donati morreu asfixiado e, ao contrário do foi informado inicialmente, não houve nenhuma fratura em seu corpo. O exame também apontou que a vítima foi encontrada com papéis de picolé e sacolas plásticas na boca, o que causou o sufocamento.O delegado falou ainda que não havia nenhum bilhete na boca dele com insinuações homofóbicas, como foi noticiado. "Não sei de onde tiraram isso.”

Natasha Pitts

Jornalista da Adital

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Presidente de associação rural e esposa são mortos após denuncia contra PMs e políticos de MT

Os corpos foram encontrados crivados de tiros de fogo 9mm, que é de uso restrito.


DA REDAÇÃO

divulgação/pantanalnews
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"Será que eu vou ter que ser assassinado para que vocês acreditem e tomem providências", disse a vítima na semana passada.
O Presidente da Associação ASPRONU (Associação de Produtores Rurais Nova União), Josias Paulino de Castro, 54 anos, e sua esposa, Ireni da Silva Castro, 35 anos, foram assassinados neste sábado (16), no Distrito de Guariba, no Município de Colniza. A execução revoltou moradores da região, já que todos sabiam que o casal neste mês de agosto, veio até Cuiabá realizar várias denúncias ao ouvidor Agrário Nacional, desembargador Gercino José da Silva.
Segundo informações do site, O Pantanal Online, ele teria denunciado alguns políticos da região, por extração de madeiras ilegais. Também denunciou a Polícia Militar por irregularidades e também e órgãos por emissões irregulares de títulos definitivos das terras na região.
Por várias vezes, na reunião, Josias afirmou a existência de ‘pistoleiros’ na região e que nunca foram tomadas providências. "Estamos morrendo, somos ameaçados, o Governo de Mato Grosso é conivente, a PM de Guariba protege eles, o Governo Federal é omisso, será que eu vou ter que ser assassinado para que vocês acreditem e tomem providências”, disse Josias no dia 5 de Agosto.
Segundo informações da Polícia Civil de Colniza, os corpos foram encontrados crivados de tiros de arma de fogo 9mm, que é de uso restrito. “Os dois foram baleados na cabeça e Ireni ainda levou um tiro na mão”, disse um policial.
O delegado de Polícia Judiciária Civil, Marco Bortolotto Remuzzi, abriu inquérito e investiga o duplo homicídio. A polícia ainda não tem informações a respeito de quem tenha assassinado o casal.
Veja vídeo feito pelo site O Pantanal Online onde registra a reunião com autoridades em Cuiabá e toda a denúnicia feita pelo presidente da associação:


CTB exige apuração imediata e rigorosa de assassinato de sindicalista em MT

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ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO EM 14 AGOSTO 2014
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A guerra dos conflitos agrários fez mais uma vítima nesta quarta-feira (13). Foi assassinada a tiros, nesta tarde, a ex-presidenta do Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura de União do Sul, em Mato Grosso, Maria Lúcia do Nascimento. A dirigente morava no assentamento Nova Conquista 2, no mesmo município. Recentemente, Maria Lúcia e mais 25 famílias haviam recebido da justiça local a reintegração do assentamento à fazenda em que o mesmo estava instalado, podendo permanecer legalmente no local.
Tanto ela quanto as outras famílias assentadas e dirigentes do Sindicato de Trabalhadores na Agricultura local já haviam sofrido ameaças do dono da fazenda, Gilberto Miranda, registradas em Boletins de Ocorrência e em atas de denúncias feitas diretamente ao ouvidor agrário nacional, desembargador Gercino José da Silva Filho. As ameaças foram testemunhadas inclusive por oficiais de justiça. O crime foi cometido dentro do assentamento, e testemunhas afirmam que o executor dos disparos foi um funcionário do fazendeiro, que há dias já rondava a região com uma arma de fogo à mostra, intimidando as famílias.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) já trabalha diretamente com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para que o caso seja apurado pelas autoridades o mais rápido possível. O secretário de Política Agrária da Contag, Zenildo Xavier, acompanha pessoalmente o caso. “É o nosso PAPEL denunciar e fazer com que esse assassino e o mandante vá para a cadeia. É inadmissível essa situação, que acontece em vários estados. Onde isso vai parar? Trabalhadores estão morrendo, outros sofrem ameaças e seus executores e ameaçadores estão ficando impunes”, declara o secretário.
Fonte: Contag, por Imprensa

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Líder quilombola é morto e esquartejado no Acará

Fontes: http://racismoambiental.net.br/2014/07/pa-lider-quilombola-e-morto-e-esquartejado-no-acara/
http://racismoambiental.net.br/2014/07/pa-lider-quilombola-e-morto-e-esquartejado-no-acara/

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O líder quilombola Artêmio Gusmão, conhecido pelo apelido de Alaor, foi assassinado na última sexta-feira (04), por volta de 19h. O crime foi praticado quando Alaor voltava para a comunidade, após assistir à partida entre Brasil x Colômbia, na Vila Camarial.
Parentes da vítima viram a moto em que Alaor estava caída em uma estrada e com muitas manchas de sangue. Após horas de busca pela mata, o corpo do quilombola foi encontrado na manhã deste sábado (05), degolado e esquartejado. No ano passado, dois irmãos de seu Alaor também foram assassinados em virtude de conflitos fundiários. Outras pessoas da mesma família também estão sob ameaça de morte.
A ouvidora do Sistema de Segurança Pública, Eliana Fonseca, foi acionada ainda durante as buscas pelo corpo, no meio da madrugada. A ouvidora comunicou o delegado geral José Firmino esta manhã. Ainda não há pista das pessoas que cometeram o crime.
Artêmio Gusmão era coordenador da comunidade Mancaraduba, localizada em uma área de terras de competência do governo federal com pretensão quilombola. O processo de reconhecimento está na Justiça Estadual e é contestada pela empresa Biopalma. Em novembro do ano passado, esta comunidade denunciou uma operação policial abusiva e o caso está sendo acompanhado pela Ouvidoria da Segup, Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) e pelo movimento quilombola Malungu. As terras estão no município do Acará, mas fazem fronteira com Tailândia e Tomé Acu.
A Associação de Moradores dos Quilombos do Alto Acará (Amarqualta) possui um dossiê que informa que Artêmio estava sendo ameaçado por um madeireiro e informou isso na última semana a algumas autoridades federais. A associação também já denunciou vários crimes ambientais e de grilagem de terras, sem que a situação tenha sido solucionada.
A SDDH considera que a situação está fora de controle, pois o Estado é omisso e a pistolagem, grilagem de terras, uso de documentos de terras falsificados e crimes ambientais têm ocorrido indiscriminadamente na área. Apesar de denunciados, os órgãos de fiscalização e controle ainda não se fizeram presentes na defesa da vida e do território quilombola em questão.