quinta-feira, 3 de julho de 2014

Sociedade civil propõe agenda para Eleições 2014

abong
http://www.abong.org.br/noticias.php?id=7407


Sociedade civil propõe agenda para Eleições 2014

25/06/2014
Coletiva de imprensa da Agenda Brasil Sustentável

Desde março deste ano, um grupo de organizações da sociedade civil brasileira vem articulando um processo de incidência nas eleições de 2014 que culminou na criação da Agenda Brasil Sustentável. Trata-se de um documento construído coletivamente que unifica representantes da sociedade civil brasileira em torno de um conjunto de princípios e diretrizes públicas que façam o Brasil avançar no caminho do desenvolvimento sustentável.

Abong, juntamente com algumas de suas associadas tais como Agenda Pública, Greenpeace, ISA – Instituto Socioambiental e SOS Mata Atlântica, e outras entidades como Escola de Governo, Fundação Avina, Instituto Ethos e Rede Nossa São Paulo estão entre as responsáveis pela iniciativa. A iniciativa foi lançada hoje durante coletiva de imprensa realizada na sede da Associação, em São Paulo.

O objetivo da Agenda Brasil Sustentável é qualificar o debate político durante o período eleitoral influenciando os/as candidatos/as aos governos dos Estados e à Presidência da República a se comprometerem com a apresentação de programas de governo que contemplem tais demandas. “Nós não estamos fazendo programas de governo, pelo contrário, estamos apontando alguns elementos que consideramos fundamentais para o debate eleitoral do ponto de vista das demandas da sociedade civil”, explicou Gláucia Barros, gerente de programas da Fundação Avina.

Gláucia ressalta ainda o esforço do Movimento junto ao Tribunal Superior Eleitoral e aos partidos políticos no intuito de politizar as eleições na tentativa de que as campanhas se concentrem no debate de propostas programáticas. “No entanto, a maior importância desse processo não reside no programa eleitoral em si e nem nos resultados das urnas, mas no que virá depois”, salienta, indicando a importância do monitoramento por parte da sociedade civil sobre os compromissos assumidos pelos/as candidatos/as eleitos/as.

Jorge Abrahão, diretor-presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, concorda e acrescenta a oportunidade de experimentar a unidade. “Há uma expectativa de que essa agenda seja um guia e que a gente possa estar permanentemente mantendo a união da sociedade civil. Nesse sentido as eleições são um marco nesse processo mas não o único. Que a gente possa alimentar nossas ações e estar revisitando essa agenda e a partir dela criar outras ações em comum”. Ele explica que para que essa unidade fosse possível, o formato de trabalho dos grupos levou em conta os limites ideológicos das entidades, ou seja, os eixos temáticos foram brevemente detalhados e esmiuçados.

Durante o evento foram apresentados os sete eixos temáticos que compõem o documento por representantes de seus respectivos Grupos de Trabalho compostos pelas entidades participantes do Movimento, bem como as estratégias de ação e o cronograma de trabalho.

Os sete eixos são:

  • Respeito aos limites do planeta;
  • Garantia de direitos com redução das desigualdades;
  • Integridade e transparência;
  • Economia para a sustentabilidade;
  • Reforma política e fortalecimento da democracia;
  • Valorização do trabalho;
  • Gestão pública.

Vera Masagão, diretora executiva da Abong, destacou a importância de uma visão integrada e convergente acerca do eixo “Garantia de direitos com redução das desigualdades” como caminho para evitar a dispersão e conectar as agendas individuais e diversas das entidades que aderiram ao Movimento. “Quando falamos em direito à cidade, por exemplo, também estamos falando de direito à mobilidade, à moradia, etc. O enfoque da questão da integração dessas políticas está no reconhecimento do papel do Estado na garantia desses direitos”, observou.

Vera também chamou atenção para a necessidade de que o Movimento Agenda Brasil Sustentável seja usado como “uma  grande caixa de ressonância de outros movimentos e entidades da sociedade civil que também estão protagonizando a elaboração de propostas”.

Outras organizações e pessoas podem aderir formalmente ao Movimento Agenda Brasil Sustentável por meio de seus canais de comunicação que são site, perfis no Twitter e no Facebook ou e-mail. Além da adesão, a Agenda conta ainda com apoio na divulgação e interação com seus conteúdos, promoção de encontros com candidatos/as nos Estados, bem como participação dos encontros com os/as presidenciáveis, além de atuação como fonte para matérias jornalísticas.

PALAVRAS-CHAVE

terça-feira, 1 de julho de 2014

Foucault, a Argentina e os abutres

ihu
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/532846-foucault-a-argentina-e-os-abutres

Foucault, a Argentina e os abutres

O neoliberalismo é uma "prática de governo" na sociedade contemporânea. O credo neoliberal não pretende suprimir a ação do Estado, mas, sim, "introduzir a regulação do mercado como princípio regulador da sociedade", escreve Luiz Gonzaga Belluzzo, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, é professor titular do Instituto de Economia da Unicamp, citando Michel Foucault, em artigo publicado no jornal Valor, 01-07-2014.
Segundo ele, "na arena global, as instituições financeiras estão cada vez mais acumpliciadas à política dos interesses. Necessitam do apoio de condições institucionais e legais construídas sob o domínio doutrinário e ideológico do establishment, para não falar escancarada cumplicidade financeira dos parlamentos e dos tribunais. Sem esses apoios cruciais não podem adestrar seus músculos na disputa pela partilha da riqueza em todos os rincões do planeta".
Eis o artigo.
O mundo se abriu para o novo milênio dominado por certezas que pareciam murchar sob as inclemências da crise financeira. As aparências enganam, ensina o conselheiro Acácio. Depois da crise, os porta-vozes desse quase consenso, economistas e quetais, entre cautelosos e envergonhados, recolheram-se ao silêncio momentâneo. Passado o vendaval que ajudaram a semear e já agarrados aos salva-vidas lançados pela "famigerada" intervenção dos governos, os maganos voltaram a tonitruar seus dogmas enquanto, nas sombras da impunidade, entregam-se a tortuosas e acrobáticas manobras de reafirmação de seus poderes.
Nas últimas semanas, o mundo tomou conhecimento da vitória obtida contra a Argentina pelos "fundos abutres", tambem conhecidos pela alcunha de hedge funds. A vitória foi lavrada pela decisão de um juiz de Nova York, mais tarde confirmada pala Suprema Corte, que recusou o recurso apresentado pelos advogados do país sul-americano.
A decisão da Justiça americana assombra o mundo dos vivos ou dos sobreviventes com o espectro do finado "Currency Board" do dr. Domingo Cavallo. Destilado das retortas dos alquimistas da finança internacional, o Plano Cavallo forjou um regime de conversibilidade plena com taxa de câmbio fixa. O peso era tão forte quanto o dólar, proclamava o então celebrado ministro da Economia argentina.
A derrocada dos preços dos títulos soberanos argentinos atraiu o que há de pior em Wall Street e adjacências.Acolitados pelos saberes do FMI e adjacências, os alquimistas do peso forte lançaram o país na trágica crise cambial e monetária de 2001/2002. Nuestros hermanos ainda pagam a conta do regime de conversibilidade que, entre outras façanhas, estimulou a emissão de dívida pública em moeda estrangeira e entregou mais uma vez a economia Argentina aos humores dos investidores internacionais.
Entre 2005 e 2010 a Argentina concertou com a maioria dos credores a reeetruturação de sua dívida. Foi efetuada uma troca de dívidas ("debt swap"), na verdade uma mudança nos termos em que a dívida deveria ser paga. 93% dos credores aceitaram a proposta do devedor. Mas, a derrocada dos preços dos títulos soberanos argentinos atraiu os picaretas da finança - o que há de pior em Wall Street e adjacências. A chusma de malfeitores entrou no mercado para comprar a gororoba apodrecida com descontos que chegavam a 80% do valor de face. É de se perguntar se esses espertalhões e trapaceiros da finança global estimaram corretamente os riscos de carregar papéis que o próprio mercado precificava de forma tão desdenhosa.
É óbvio que sabiam muito bem o que estavam fazendo: confiaram na Justiça americana. Agora todos os credores estão habilitados a receber o valor integral dos títulos soberanos da Argentina. O país tem US$ 30 bilhões de reservas e o valor da dívida vai a mais de US$ 100 bilhões.
Michel Foucault morreu há 30 anos. Um dos pensadores mais fecundos do século XX, Foucault, sabem seus admiradores e detratores, não é economista. Talvez por isso tenha compreendido com maior abrangência e profundidade o significado do intervencionismo neoliberal. Contrariamente ao que imaginam detratores e adeptos, diz ele, o neoliberalismo é uma "prática de governo" na sociedade contemporânea. O credo neoliberal não pretende suprimir a ação do Estado, mas, sim, "introduzir a regulação do mercado como princípio regulador da sociedade".
Foucault dá importância secundária à hipótese mais óbvia sobre a arte neoliberal de governar, aquela que afirma a imposição do predomínio das formas mercantis sobre o conjunto das relações sociais. Para ele "a sociedade regulada com base no mercado em que pensam os neoliberais é um sociedade em que o princípio regulador não é tanto a troca de mercadorias quanto os mecanismos da concorrência...Trata-se de fazer do mercado, da concorrência e, por consequência da empresa, o que poderíamos chamar de 'poder enformador da sociedade". Domingo Cavallo foi um perfeito intervencionista neoliberal. Já no Brasil, em artigo publicado na  Folha de S. Paulo, um luminar da finança atribuiu a enroscada da Argentina ao "intervencionismo" do governo atual.
As práticas e tramoias do neoliberalismo não se coadunam com os princípios do liberalismo clássico e sua imaginária concorrência perfeita protagonizada por um enxame de pequenas empresas sem poder de mercado.
A concorrência louvada pelos neoliberais admite a "centralização" da propriedade e o controle dos blocos de capital, comandado pela nova finança e suas inovações. Isto foi realizado mediante a escalada dos negócios de fusões e aquisições financiados com elevados índices de alavancagem e alentados pela forte capitalização das bolsas de valores nos anos 80, 90 e 2000, a despeito dos habituais escorregões de "ajustamento" de preços quando a decepção das expectativas dispersa a manada. (No que diz respeito ao crescimento e ao emprego, as economias desenvolvidas ainda apresentam desempenho medíocre, isso quando não resvalam para quedas no PIB. Mas os índices das bolsas de valores chegam aos píncaros da capitalização e devolvem com sobras a riqueza destruída na crise, embaladas pela liquidez injetada pelos Bancos Centrais.)
Na arena global, as instituições financeiras estão cada vez mais acumpliciadas à política dos interesses. Necessitam do apoio de condições institucionais e legais construídas sob o domínio doutrinário e ideológico do establishment, para não falar escancarada cumplicidade financeira dos parlamentos e dos tribunais. Sem esses apoios cruciais não podem adestrar seus músculos na disputa pela partilha da riqueza em todos os rincões do planeta. As forças da finança e da grande empresa dependem do apoio e da influência política de seus Estados Nacionais para penetrar e operar em terceiros mercados: acordos de garantia de investimentos, patentes e, como o demonstra o caso argentino, estabelecimento de foros "adequados" para dirimir conflitos.

Em Londres, encapuzados com causa

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http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=17824


Em Londres, encapuzados com causa

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Jovens ativistas destróem, nas madrugadas, artefatos anti-mendigos, obrigam rede de lojas a se retratar e anunciam intenção de combinar ação direta com formação política
Por Simon Childs, na Vice
Falei com o grupo de ativistas que concretou os espetos antimendigo numa loja Tesco na Regent Street, Londres. Demorou um pouco porque eles estavam ocupados fugindo e tentando não ser pegos pela polícia. Mas hoje, mais cedo, eles entraram em contato, dizendo que não notei a tag que eles deixaram no concreto: “LBR. Casas, Não Espetos”. LBR – a sigla do grupo ativista a que eles pertencem – significa “London Black Revolutionaries” (“Revolucionários Negros de Londres”), ou Black Revs para encurtar. Encontrei alguns membros do LBR na semana passada e os acompanhei enquanto eles corriam pelas ruas de Londres, alertando imigrantes ilegais de que seus locais de trabalho poderiam ser invadidos pela polícia em breve.
A abordagem de ação direta do LBR parece estar funcionando – a Tesco anunciou que vai remover os espetos, afirmando que eles nunca tiveram como objetivo afastar os sem-teto. “Clientes disseram que estavam intimidados pelo comportamento antissocial de pessoas que ficavam em frente à nossa loja na Regent Street, então colocamos aqueles espetos para tentar impedir que isso acontecesse”, disse o porta-voz. “Os espetos causaram preocupação para alguns, que os interpretaram como uma medida contra os sem-teto, então decidimos removê-los.”
Liguei para o LBR para saber mais sobre esse ato de vandalismo, quem são eles e por que ser negro é uma parte tão importante do que eles fazem.
Vocês estão assumindo a responsabilidade por concretar os espetos do lado de fora da Tesco, certo?
Sim.
Por que vocês fizeram isso?
Tomamos uma ação direta porque queríamos ligar a objeção política aos espetos antimendigo a uma mensagem real, pressionando para que eles fossem removidos. Não partimos para a ação direta todas as vezes, mas pensamos que – dado o ultraje contra os espetos – enviar uma mensagem clara à Tesco de que eles não seriam deixados em paz poderia ajudar na questão.
E vocês ficaram satisfeitos em como a coisa acabou?
Subestimamos muito a quantidade de concreto que tínhamos. E misturar foi muito mais difícil do que pensamos que seria. Provavelmente precisávamos de equipamento de construção para fazer isso direito. Mas ficamos bastante satisfeitos com o resultado depois, porque não queríamos fazer uma cobertura perfeita sobre os espetos. Queríamos fazer uma bagunça que eles tivessem que limpar depois, para que eles pensassem seriamente antes de colocar espetos novamente. Recebemos dicas de alguns pedreiros que estavam vendo tudo do outro lado da rua. Da próxima vez, nosso trabalho com concreto vai ficar muito melhor.
Obviamente, muitas pessoas vão dizer que vocês passaram dos limites. Que isso foi vandalismo.
É. Não nos preocupamos nem um pouco com isso. Considerando o tipo de organização que somos e a origem de nossos membros… não pensamos duas vezes. Vamos fazer o que for necessário. Tudo que fazemos é político. Não só uma ação direta abstrata – simplesmente violência e destruição de coisas.
Vocês disseram que vão fazer isso de novo. Quem mais deve se preocupar com uma ação de vocês?
Absolutamente toda organização que esteja planejando colocar esses espetos. O que esses lugares deveriam fazer é doar esse dinheiro para abrigos locais, cozinhas de sopão ou bancos de alimentos, porque isso realmente pode ajudar. Isso não vai resolver o problema dos sem-teto, mas vai aliviar um pouco a dor e o sofrimento da vida dessas pessoas.
Quem são os Revolucionários Negros de Londres? 
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Somos um grupo socialista fechado de revolucionários negros e asiáticos. Há princípios antirracistas, antifascistas, anti-homofóbicos e antissexistas no centro disso. O grupo se formou em Londres e agora opera em diferentes localidades, mas não direi onde. Somos todos jovens, negros e politizados. Estamos muito descontentes com a falta de militância de outras organizações, que acabam transformando a organização política em retórica e num estilo de vida. Muitas dessas organizações, apesar de serem da classe trabalhadora, têm aspirações e ansiedades de classe média, o que faz com que elas percam qualquer conexão real com a classe trabalhadora comum.
Em que tipo de estrutura vocês trabalham?
Somos democráticos. Somos organizados em ramos locais. No momento, somos três. Isso está crescendo rápido e logo podemos ter alguns ramos no norte, o que vai pôr em questão o nome “Revolucionários Negros de Londres”.
E em quantos vocês são?
Menos de 20, mas não vou especificar.
Acompanhei vocês outro dia, enquanto sabotavam as operações do Ministério do Interior. Em que outras coisas vocês estão envolvidos?
Campanhas contra a brutalidade policial, racismo institucional e a taxa de quartos, além de resistência antidespejo… Entre nossos planos está montar uma cozinha – pode parecer um pouco romântico, mas a ideia é ir até locais mais pobres e distribuir comida. É uma maneira de mostrar que somos seriamente dedicados à nossa organização política. Ao mesmo tempo, é um jeito de começar um diálogo. Alguns membros vão montar um site de torrent para cursos grátis, para minar a privatização da educação – levando mais conhecimento para as pessoas que ficaram de fora dela em razão dos cortes e das taxas.
Em setembro, vamos passar por faculdades FE [Further Education, similar a cursos técnicos] de Londres para recrutar e politizar as pessoas. Nas [revoltas estudantis de] 2010, vimos que a maioria dos militantes eram de faculdades FE e aquelas pessoas voltaram à apatia. As pessoas têm se politizado cada vez mais jovens, mas também são antipolíticas em termos de partidos locais. As pessoas estão insatisfeitas e se sentem impotentes para fazer as coisas. Queremos mostrar que isso pode ser feito, e você não precisa de um PhD nem ser rico. Você pode ser o mais pobre dos pobres e fazer uma mudança política.
Vocês estão envolvidos em mais alguma coisa? Você mencionou que o grupo é antifascista.
É, também estamos envolvidos em ações antifascistas. Em fevereiro, interceptamos um grupo do Jobbik [fascistas húngaros] no centro de Londres. Mostramos a eles o que acontece quando os fascistas vêm para Londres. Não queremos somente protestar – bom, queremos fazer uma grande manifestação e envolver muitas pessoas, mas não queremos apenas fetichizar protestos quando não há nenhum impacto. Queremos enfrentar os fascistas. Até 2015, queremos que Londres tenha uma reputação de zona livre de fascismo.
Por que vocês se concentram na política de raça?
Tenho uma família mista. Tenho pessoas brancas na minha família. Mas sou negro e asiático e isso definiu minha experiência social desde o primeiro dia de escola até o dia em que saí da universidade. É isso o que acontece com muitas pessoas negras e asiáticas. Vivemos num país de maioria branca, então a maioria das organizações políticas também é branca. Não que isso seja um problema, mas acaba significando a falta de um ângulo específico ou experiência dentro dessas organizações. Essa pode ser uma experiência muito isolada. Essas organizações de esquerda querem se organizar entre as pessoas de classe trabalhadora, mas não conseguem se relacionar com uma camada mais ampla. Então não é só ênfase em raça, mas também em sermos da classe trabalhadora e pobres.
Não é um pouco duvidoso excluir brancos? Isso não impede vocês de “se relacionarem com uma camada mais ampla”, como você disse?
Estamos nos organizando sobre questões em particular, como racismo institucional, que nossos colegas brancos da classe trabalhadora não enfrentam da mesma maneira. Mas damos valor aos nossos aliados políticos. Não quero pensar que estamos isolando outras pessoas. Começamos uma base para criar nosso grupo. Não podemos querer falar por pessoas que estão fora de nossa experiência racial e social. Talvez, quando formos maiores, possamos ser uma organização da classe trabalhadora mais ampla como militantes – estamos abertos a todas as possibilidades. Não podemos escapar de maneira alguma de nossa posição. A única coisa que nos dá o poder de aliviar algumas das merdas que temos experimentado é o poder político, que conseguimos através da organização.
Vocês são como os grupos de direitos LGBT, então? Comandados por pessoas LGBT, o que não significa que eles odeiam heterossexuais.
Exatamente. Espero deixar claro que não somos antibrancos de maneira alguma. A maioria dos ativistas que conheço são brancos.
Vocês parecem ter planos bem grandes para uma organização tão pequena.
Somos uma organização modesta, mas somos altamente efetivos por nosso tamanho. Vamos continuar por aqui. Estamos preparados para fazer o que for preciso. A maioria de nós não tem nada a perder mesmo.

África: Epidemia de Ebola fora de controle

adital
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/africa-Epidemia-de-Ebola-fora-de-controle/6/31281

África: Epidemia de Ebola fora de controle

Especialistas dizem que esta é a pior epidemia já registrada. O Ebola não tem vacina e pode matar 90% das pessoas afetadas pelo vírus


Nadia Prupis, Common Dreams
USAID / Flickr
São necessárias ações imediatas para conter o vírus mortal do Ebola no oeste da África, foi o que advertiu a Organização Mundial da Saúde (OMS) na última quarta-feira. Pelo menos 600 casos e 390 mortes em Serra Leoa, Libéria, e Guiné foram registradas desde que a epidemia começou em março.
 
“Há uma necessidade urgente de intensificar os esforços em resposta à epidemia,” declarou o Dr. Luis Sambo, diretor regional da OMS na África. A OMS e os Médicos Sem Fronteiras (MSF) enviaram equipes para os países afetados.
 
Mas um número maior de novos casos está saturando dos serviços de emergência.
 
“Atingimos nosso limite,” declarou o Dr. Bart Jansses, diretor de operações do MSF. “Apesar dos recursos em pessoal e equipamento disponíveis, nós não somos capazes de enviar mais equipes para os locais de novos surtos.”
 
 
DGECHO / Flickr
 
Esta é a primeira vez que o Ebola apareceu na região. Medo e falta de compreensão sobre a doença nas comunidades locais contribuíram para a velocidade e a grande escala com que ele se espalhou, e as autoridades políticas e religiosas estão falhando em promover informações vitais para combater a epidemia, declarou os MSF.
 
Apoio adicional é essencial para que se contenha os novos surtos, declarou Janssens.
 
“A OMS, os países afetados e os países vizinhos devem colocar à disposição os recursos necessários para uma epidemia deste tamanho. O Ebola não é mais um problema de saúde limitado apenas à Guiné. Ele está afetando todo o oeste da África.”
 
O Ebola causa vômitos, febre, diarreia e pode levar a segramentos internos e externos e à falência múltipla dos órgãos. Ele pode matar 90% dos que forem afetados por ele. Enquanto não há vacina ou cura, ele pode ser tratado se descoberto cedo.
 
Tradução de Roberto Brilhante

Vamos ganhar a Copa

sbpc
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.php?id=94033


Vamos ganhar a Copa
Artigo de Isaac Roitman sobre os desafios da educação, publicado no Correio Braziliense em 26/6


Se o leitor espera um texto sobre a Copa do Mundo vai ficar decepcionado. O tema será sobre o desafio mais importante para o país, a Copa da Educação. Se ainda tivermos alguma esperança de termos uma sociedade justa onde todos possam realizar os seus anseios e alcançarem a felicidade, temos que ganhar esta Copa, para proporcionar uma educação de qualidade para todos independente de sua classe social.

Pensadores como Confúcio (551 a.C - 479 a.C) e Sócrates, (569.a.C - 399 a.C) já demonstravam a preocupação com o tema. Confúcio: "Diga-me e eu esquecerei, mostre-me e eu lembrarei, envolva-me e eu compreenderei". Sócrates: "A mente não é um poço que se deve encher, mas uma fogueira que se deve acender". Esses pensamentos foram revisitados posteriormente por John Dewey (1859-1952), Albert Einstein (1879-1855), Anísio Teixeira (1900-1971), Paulo Freire (1921-1997), Darcy Ribeiro (1922-1997), entre outros. A atual educação brasileira pode ser considerada como uma verdadeira tragédia. Muitos descrevem a situação dizendo que nossas escolas são do século 19, os professores do século 20 e os estudantes do século 21. O descompasso é evidente. Na educação básica o aluno espera ansiosamente o sinal para sair da escola. Aparentemente essa síndrome não é nova. Einstein costumava dizer: "Desperdiçamos vida, recursos e cérebros com essa escola maçante e alienada", e completava com outras duas máximas: 1. "A educação é aquilo que permanece quando alguém esquece tudo o que aprendeu no colégio"; 2. "A imaginação é mais importante que o conhecimento". O pai da física moderna propôs seis paradigmas para uma educação de qualidade: cultura, espírito crítico, busca dos fundamentos, ética e consciência social, criatividade, imaginação e intuição.

Paulo Freire pregava que o educando assimilaria o objeto de estudo exercendo uma prática dialética ligada à realidade, em contraposição a uma educação bancária, tecnicista e alienante. O educando criaria a sua própria educação e não seguiria um caminho previamente construído. O estudante seria um importante protagonista na sua educação expressada na sua célebre frase: "Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção". Por sua vez, Anísio acreditava que só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias, a boa escola pública. Ao mesmo tempo dizia que era contra a educação como processo exclusivo de formação de uma elite mantendo a grande maioria da população em estado de analfabetismo e ignorância.

A prioridade na revolução educacional brasileira será a conquista universal da qualidade no ensino básico. Atualmente a responsabilidade do ensino fundamental é municipal e do ensino médio estadual. É evidente que os municípios e estados brasileiros apresentam uma grande assimetria econômica e cultural. Como costuma dizer o Professor e Senador Cristovam Buarque a criança ao nascer já tem na sua testa um selo do tipo de educação que vai receber, pelo seu cpf - segmento social, e pelo seu cepe - município que reside. Colocarmos em prática a proposta desse notável educador de federalizar o ensino básico será um passo importante que permitirá a criação de uma carreira nacional que certamente induzirá uma melhor formação de professores e a consequente valorização dos mesmos, que merecem receber o mais alto salário da carreira pública, pela responsabilidade que têm de prepararem as futuras gerações. A federalização deve ser acompanhada de uma pedagogia contemporânea, priorizando conteúdos com ênfase na aquisição de valores civilizatórios em um ambiente lúdico e prazeroso. A presença da família no processo educativo é absolutamente fundamental como a ampliação de espaços culturais e esportivos acessíveis para todos.

As propostas de Priscila Cruz (Todos pela Educação) devem ser disseminadas. Ela enfatiza que o salto na educação é imperativo. "A tecnologia avança aceleradamente, os interesses dos alunos são outros, a sociedade é mais complexa, e a economia, mais interdependente. Nos últimos anos, a humanidade produziu muitos conhecimentos que têm pouco espaço no currículo atual. E, por fim, o mercado de trabalho exige novas competências". O sucesso da Copa da Educação depende de todos nós. Ele será o melhor investimento para o futuro das próximas gerações.

Isaac Roitman é professor emérito da Universidade de Brasília e membro titular da Academia Brasileira de Ciências

Piketty e os abutres

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http://www.ihu.unisinos.br/noticias/532759-piketty-e-os-abutres

Piketty e os abutres

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de negar o pedido de apelação da Argentina na causa dos chamados “fundos abutres” foi questionada por diversos atores pelas implicações negativas da vigência da sentença dada pelo juizThomas Griesa para o sistema financeiro internacional. Esta sentença tem um “risco sistêmico”, dado que a opção de reestruturação da dívida soberana para futuros default deixa de ser atrativa para qualquer investidor.
A reportagem é de Esteban Actis e publicada no jornal argentino Página/12, 26-06-2014. Esteban Actis é licenciado emRelações Internacionais e professor da UNR. A tradução é de André Langer.
Não obstante, cabe destacar – de maneira colateral e secundária – que o fato de um dos três poderes do Estado dosEstados Unidos (a Justiça em suas três instâncias) dê uma sentença da forma que o fez diz muito sobre o atual funcionamento do sistema capitalista e das nossas sociedades democráticas. Para analisar estas implicações, é necessário vincular a decisão de Washington com o recente livro do francês Thomas Piketty O Capital no Século XXI. Esta obra foi elogiada e reconhecida por grande parte do mundo acadêmico mundial e sem dúvida é um dos textos de economia (e das ciências sociais) mais importantes do presente século.
Piketty analisa o aumento das desigualdades nas sociedades ocidentais e a relação com as metamorfoses do capital desde o século XIX até os nossos dias. O economista assinala que as atuais democracias ocidentais estão voltando – como foi a experiência europeia do século XXI – a transformar-se em sociedades patrimonialistas onde a ascensão social está ligada à renda (principalmente financeira) e às heranças. Como bem argumenta o economista francês, o problema está em que as nossas democracias se assentam sobre uma visão meritocrática de mundo, em uma crença social na qual as desigualdades estão baseadas mais no mérito e no esforço (trabalho) do que na herança e na renda. Esse tipo de sociedade foi a que deslumbrou e atraiu outro pensador francês, Alexis de Tocqueville, quando viajou aos Estados Unidos em meados do século XIX e escreveu a clássica obra A Democracia na América.
Piketty pontualiza que as palavras “renda” e “rentistas” tiveram uma conotação pejorativa durante o século XX e desapareceram do ideal democrático e dos valores meritocráticos que esse sistema promulgava. O século XX foi, em comparação com o século XXI, a época da ascensão social e da igualação das oportunidades em muitos lugares do mundo, principalmente no Ocidente desenvolvido.
A decisão da Justiça, e em definitiva do Estado, dos Estados Unidos corroborou a legalidade e a legitimidade de um capitalismo baseado na renda financeira erodindo, de acordo com Piketty, os fundamentos democráticos modernos, os mesmos fundamentos que tornaram possível que os Estados Unidos fossem considerados um “novo mundo” em 1800. Com a justificativa do “respeito aos contratos”, os supremos norte-americanos avalizaram uma prática que permite um lucro extraordinário (1.600% do investimento em seis anos) a poderosos rentistas, cujas riquezas aumentam diariamente. Como sustenta Piketty, assim como no século XIX, este tipo de riqueza está afastado de noções como “trabalho”, “mérito” e “esforço”. Cabe assinalar que em qualquer lugar do mundo o retorno do investimento esperado numa atividade produtiva é de 10-20% ao ano.
Em suma, independentemente de como se resolve a disputa entre a Argentina e os fundos abutres, o que foi sentenciado e derrotado na Suprema Corte dos Estados Unidos foi, paradoxalmente, um tipo de democracia que emanou da América do Norte para todo o mundo ocidental. “O capital no século XXI” afasta-se cada dia mais de determinados valores democráticos fundacionais. A Justiça norte-americana não faz mais que confirmar a tese de Piketty.

PARA LER MAIS:


  • 21/06/2014 - Livro "Capital" de Piketty – Resposta de um liberal convicto
  • 16/06/2014 - Marx, Piketty e os ladrões de títulos
  • 12/06/2014 - Por que Piketty incomoda?
  • 05/06/2014 - Piketty substitui a explicação social e política pela explicação tecnológica
  • 05/06/2014 - Livro de Piketty é bem-vindo, mas tem limites, diz economista francês
  • 05/06/2014 - Pesquisadores discutem possíveis erros de Thomas Piketty em livro
  • 04/06/2014 - David Harvey, Piketty e a contradição central do capitalismo
  • 03/06/2014 - Žižek: A utopia de Piketty
  • 30/05/2014 - Piketty e a espiral da desigualdade
  • 29/05/2014 - A defesa de Thomas Piketty. “É possível que a realidade seja pior do que medi”
  • 29/05/2014 - Contra Financial Times, The Economist sai em defesa de Piketty
  • 26/05/2014 - Para Piketty, “o Financial Times se ridiculariza”
  • 26/05/2014 - ‘FT’ diz ter encontrado erros no livro de Piketty sobre desigualdade
  • 24/05/2014 - Considerações sobre “O Capital no século XXI” de Thomas Piketty
  • 22/05/2014 - Contos de fada. Escritor comenta o livro de Piketty
  • 21/05/2014 - O porquê das desigualdades: uma crítica do livro de Thomas Piketty
  • 20/05/2014 - Piketty em todas as partes
  • 20/05/2014 - Homem capital: Thomas Piketty é a maior sensação da economia. Ele também é o mais feroz crítico da área econômica.
  • 18/05/2014 - O rock star da economia. Entrevista com Thomas Piketty
  • 16/05/2014 - Piketty e o espírito da época
  • 15/05/2014 - Desigualdade é ameaça à democracia, diz Piketty
  • 13/05/2014 - Guia Piketty
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  • Documentário mostra vida de meninas exploradas sexualmente e serve de alerta

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    Documentário mostra vida de meninas exploradas sexualmente e serve de alerta

    “Se a esmola é demais, o santo desconfia” é a frase de alerta em campanha da organização não governamental (ONG)contra o tráfico de pessoas no Brasil. Para mostrar a realidade das vítimas nas cidades-sede da Copa do Mundo, a ONGproduziu o documentário R$ 1 – O Outro Lado da Moeda, com depoimentos de mulheres e meninas enganadas por falsas promessas. De acordo com a organização, a maioria dos 27 milhões de escravizados no mundo é crianças ou jovens.
    A reportagem é de Isabela Vieira, publicada pela Agência Brasil, 27-06-2014.
    “O tráfico de pessoas tem várias faces, mas na questão sexual, o início da cadeia é a exploração sexual de crianças e adolescentes”, disse a diretora executiva da 27 BrasilTatiane Rapini. “Há casos em que o pai vende a própria filha ou a menina é enganada com falsas promessas, como a de que vai ser modelo”, completou. Pessoas também podem ser traficadas para o trabalho forçado e para a retirada de órgãos, atividades que movimentam US$ 32 bilhões por ano.
    A falta de informação sobre a exploração de crianças e adolescentes, que é crime hediondo, aumenta a vulnerabilidade de vítimas. Somada à falta de acesso a políticas públicas, faz com que “acreditem que podem melhorar de vida”. No Brasil, na maioria das vezes, as meninas acabam traficadas para outras regiões do país, não necessariamente para o exterior. O fluxo é maior do Norte e Nordeste para o Sudeste, mas há também do Sul para o Norte.
    Manaus tem um histórico de muitas questões [de exploração], inclusive, nas populações ribeirinhas. Nossas organizações parceiras lá, reportam casos de meninas indígenas que sofrem, são levadas e vendidas, é complicado”, acrescenta Tatiane. Em entrevista à Agência Brasil, a lider Maria Alice da Silva Paulino, da etnia Karapãnamconfirmou o problema nas aldeias.
    Com a exibição do R$ 1 – O Outro Lado da Moeda em áreas públicas, a 27 Brasil quer alertar as possíveis vítimas e estimular a sociedade a denunciar às polícias, ao Conselho Tutelar ou ao Disque 100. A entidade indica que são os próprios brasileiros o público-alvo da exploração. “É duro dizer isso, mas quem procura essas meninas menores de idade são homens casados, atrás de uma aventura. Ou seja, pessoas normais”, esclareceu Tatiane.
    O documentário faz referência a meninas que acabaram exploradas sexualmente por apenas R$ 1, por um pacote de biscoito ou por ofertas como a de uma casa. Já foi exibido em Brasília, no Lixão da Estrutural, em Belo Horizonte, naFifa Fan Fest e segue em direção a Fortaleza. Chega à cidade-sede da final do campeonato, o Rio, em 11 de julho.