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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Quatro temas econômicos que devem dominar a eleição presidencial

ihu
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/533961-quatro-temas-economicos-que-devem-dominar-a-eleicao-presidencial


Quatro temas econômicos que devem dominar a eleição presidencial

Não é a toa que o slogan que ajudou a alçar Bill Clinton à Casa Branca nos anos 90 se popularizou também fora dos EUA: "É a economia, estúpido!" resume uma dinâmica que há décadas tem definido corridas eleitorais pelo planeta – e as eleições brasileiras de outubro não parecem ser uma exceção.
A reportagem é de Ruth Costas e publicada por BBC Brasil, 05-08-2014.
"Especialmente em um cenário de desaceleração econômica, como o do Brasil hoje, o eleitor tende a votar com o bolso", dizCarlos Melo, cientista político do Insper. "Ele está mais preocupado com sua renda e emprego do que, por exemplo, com casos de corrupção."
Segundo Renato Perissinotto, cientista político da Universidade Federal do Paraná, a economia terá um lugar central no debate eleitoral brasileiro "porque o desempenho do governo nessa área, sobretudo no último ano, tem sido muito ruim". "Trata-se de um cenário que, para muitos, é o pior dos mundos, pois conjuga inflação crescente e baixo crescimento econômico", diz Perissinotto. "A oposição não tem nenhuma proposta alternativa claramente delineada, mas encontra-se na posição confortável de poder atacar os pontos negativos do desempenho do governo nesse campo."
Faltando dois meses para o primeiro turno, temas econômicos parecem ter dominado o discurso dos presidenciáveis.
Os principais candidatos da oposição, Aécio Neves, do PSDB, e Eduardo Campos, do PSB, atribuem o baixo crescimento a políticas equivocadas adotadas pelo governo. "O que me preocupa são os 7% de inflação e 1% de crescimento que serão deixados para nós se formos eleitos", disse Aécio, traçando um paralelo entre os indicadores econômicos e a derrota por 7 a 1 para a Alemanha.
Já o governo atribui as análises negativas a um "pessimismo inadmissível" de fundo eleitoral e chama a atenção para a força do mercado de trabalho e o crescimento da renda dos trabalhadores. "O mesmo pessimismo da Copa está se dando agora com a economia, mas é ainda mais grave porque a economia é feita de expectativas", disse a presidente Dilma Rousseff.
Para identificar quais temas da agenda econômica serão chave na eleição e entender as estratégias do governo e da oposição nessa área, a BBC consultou economistas e cientistas políticos. O resultado é este:
Emprego
Se a desaceleração é um dos pontos fracos do governo, os níveis de desemprego são um trunfo. "No que diz respeito ao mercado de trabalho, Dilma foi melhor até que Lula", opina Biancarelli, da Unicamp. "Nos últimos anos, o desemprego caiu para patamares historicamente baixos, e a renda dos trabalhadores continuou a crescer."
Segundo o IBGE (PNAD Contínua), o desemprego chegou a 7,1% no primeiro trimestre. O resultado é maior que os 6,2% do trimestre anterior, mas menor que os 8% do mesmo período de 2013 (comparação que evita sazonalidades).
Por outro lado, o ritmo de criação de postos de trabalho formais caiu, como aponta o Ministério de Trabalho.
A oposição provavelmente ressaltará a fragilidade desse cenário, argumentando que, sem crescimento, uma hora ou outra o dinamismo do mercado de trabalho acabará abalado. "Já o discurso governista deve ser o de que um eventual governo de oposição deve colocar esses ganhos em risco, impondo ao país um ajuste ortodoxo brusco", diz Castelar.
Crescimento
Em 2010, quando Dilma foi eleita, o Brasil cresceu 7,5%. Para este ano, a média das expectativas dos analisas já foi revisada para baixo dez vezes, chegando a 0,86%. O governo atribui a desaceleração ao contexto internacional menos favorável.
No discurso da oposição, ela é resultado da falta de estímulos aos investimentos e ausência de reformas para reduzir o "custo Brasil". O modelo de crescimento baseado em consumo teria se esgotado sem que se tivesse impulsionado um modelo baseado em investimentos.
Para Melo, do Insper, tal cenário contribui para que esta possa ser a eleição mais concorrida desde 1989, quandoFernando Collor venceu Lula no segundo turno. "Quando a economia vai mal, as pessoas tendem a ser mais críticas ao governo, embora não esteja claro se a oposição será capaz de se apresentar como uma alternativa viável", diz.
O cientista político Fernando Limongi, da USP, concorda. "Um eleitor pode gostar menos do governo e, ainda assim, não querer arriscar seus ganhos econômicos trocando o certo pelo incerto com um voto em na oposição." Ele lembra que, em 1998, o governo Fernando Henrique Cardoso estava bastante desgastado, e mesmo assim, foi reeleito. "O grande desafio dos candidatos da oposição é transformar a crítica em esperança, mostrar que são capazes de formular soluções para a questão do crescimento", resume o economista Armando Castelar, da FGV.
Inflação
"A inflação é um tema sensível, pois mexe com a memória daqueles que viveram a experiência da hiperinflação e com o bolso dos eleitores", diz Perissinotto, da UFPR. A alta de preços tem ficado muito próxima ao teto da meta definida pelo Banco Central, de 6,5%.
O governo enfatiza que está sob controle. Já a oposição argumenta que só não extrapolou a meta porque os preços administrados, como energia e combustível, estariam sendo segurados artificialmente – e teriam de ser elevados em 2015 para equilibrar as contas da Petrobrás e das distribuidoras de eletricidade.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, nega que se esteja preparando um "tarifaço" para o ano que vem. Economistas, porém, concordam que algum ajuste será necessário. "Eu apostaria em um ajuste gradual - até porque nenhum governo vai querer um grande impacto na inflação em 2015", diz André Biancarelli, da Unicamp.
Políticas sociais
Castelar, da FGV, acredita que esse é um tema sobre o qual não haverá embate, porque a oposição também está se colocando a favor de programas de renda mínima. Tanto Aécio quanto Campos têm prometido ampliar o Bolsa Família, por exemplo.
Limongi, da USP, e Biancarelli, da Unicamp ressaltam que há outras políticas com as quais o governo conta para lhe ajudar a angariar votos, como a expansão do sistema de previdência para trabalhadores rurais. "Dilma também ampliou muito o crédito aos estudantes e as vagas no ensino técnico dentro do programa Pronatec – então deve tentar fazer dessas políticas as marcas de seu governo", diz Biancarelli.
Para o cientista político David Fleischer, da UNB, não há como negar a relevância do tema na corrida para as urnas. "Só de eleitores ligados ao Bolsa Família temos algo em torno de 40 a 50 milhões", diz. "Debates sobre os gastos do Estado atingem uma elite. Boa parte do eleitorado quer saber mesmo é se continuará a receber benefícios como o Bolsa Família, se a inflação será baixa e se haverá emprego e crédito."

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Organizações querem que candidatos às eleições se comprometam com agenda sustentável

adital
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=81505


Organizações querem que candidatos às eleições se comprometam com agenda sustentável

Marcela Belchior
Adital
Dias depois do início da campanha eleitoral de 2014 para escolher o(a) próximo(a) Presidente da República, deputados federais, senadores e governadores, em 06 de julho último, organizações da sociedade civil entraram no debate. Elas acabam de lançar em conjunto o documento Agenda Brasil Sustentável, que reúne princípios e compromissos sobre sete temas estratégicos que será proposto aos candidatos e seus partidos políticos.
A pretensão é que aqueles que postulam as vagas no Executivo e Legislativo se comprometam com propostas concretas do setor durante o período eleitoral. Depois da votação e posse dos candidatos eleitos, a articulação prevê o monitoramento do cumprimento de todas as propostas incorporadas a plataformas de governo, por meio de ferramenta na Internet chamada "De olho nas promessas”.
O documento abrange os seguintes eixos temáticos: 1) Respeito aos limites do planeta; 2) Redução da desigualdade de renda; 3) Integridade e transparência; 4) Economia para a sustentabilidade; 5) Reforma política e fortalecimento da democracia; 6) Valorização do trabalho; e 7) Gestão pública. Declarando-se apartidário, o movimento pretende promover a discussão sobre os temas durante todo o período eleitoral. Para isso, está sendo construído um aparato de comunicação interativa para compartilhar informações e sugestões.
Em entrevista à Adital, a diretora programática da Fundação Avina, Glaucia Barros, explica que, desde março deste ano, as organizações se encontram em torno do desenvolvimento de um programa comum do setor que pudesse pautar as candidaturas. "Construímos uma agenda integrada, sem nenhuma pretensão de substituir ou concorrer com as agendas específicas que as próprias organizações já têm”, enfatiza.
De acordo com a diretora, o plano é que a conversa com os candidatos seja iniciada na próxima semana. No próximo dia 28 de julho, está previsto um encontro com os coordenadores de campanha, que deverão levar o documento diretamente aos candidatos. Estes terão o prazo de um mês para avaliarem as proposições e retomarem o diálogo com as organizações.
Já para 02 de setembro deste ano, está marcada uma reunião com todos os candidatos à Presidência da República. O objetivo das organizações é verificarem a ressonância das propostas nos respectivos programas de campanha. "Nós queremos instaurar um trabalho programático. A gente quer ver metas que demonstrem claramente o nível de comprometimento com as causas propostas”, indica Glaucia. A articulação em âmbito regional será realizada por organizações com atuação nos estados.
Adesão
Inicialmente contando com o apoio de 25 entidades, o documento está aberto a novas adesões formais de organizações e cidadãos. As propostas também contam com divulgação e promoção de debate por meio de redes sociais, como Facebook e Twitter. O momento é ainda de recebimento de contribuições para as proposições. Para aderir formalmente, os interessados devem enviar mensagem para o e-mail e-mailagendabrasilsustentavel@gmail.com.
*Acesse o documento Agenda Brasil Sustentávelna íntegra.

Marcela Belchior

Jornalista da ADITAL

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Sociedade civil propõe agenda para Eleições 2014

abong
http://www.abong.org.br/noticias.php?id=7407


Sociedade civil propõe agenda para Eleições 2014

25/06/2014
Coletiva de imprensa da Agenda Brasil Sustentável

Desde março deste ano, um grupo de organizações da sociedade civil brasileira vem articulando um processo de incidência nas eleições de 2014 que culminou na criação da Agenda Brasil Sustentável. Trata-se de um documento construído coletivamente que unifica representantes da sociedade civil brasileira em torno de um conjunto de princípios e diretrizes públicas que façam o Brasil avançar no caminho do desenvolvimento sustentável.

Abong, juntamente com algumas de suas associadas tais como Agenda Pública, Greenpeace, ISA – Instituto Socioambiental e SOS Mata Atlântica, e outras entidades como Escola de Governo, Fundação Avina, Instituto Ethos e Rede Nossa São Paulo estão entre as responsáveis pela iniciativa. A iniciativa foi lançada hoje durante coletiva de imprensa realizada na sede da Associação, em São Paulo.

O objetivo da Agenda Brasil Sustentável é qualificar o debate político durante o período eleitoral influenciando os/as candidatos/as aos governos dos Estados e à Presidência da República a se comprometerem com a apresentação de programas de governo que contemplem tais demandas. “Nós não estamos fazendo programas de governo, pelo contrário, estamos apontando alguns elementos que consideramos fundamentais para o debate eleitoral do ponto de vista das demandas da sociedade civil”, explicou Gláucia Barros, gerente de programas da Fundação Avina.

Gláucia ressalta ainda o esforço do Movimento junto ao Tribunal Superior Eleitoral e aos partidos políticos no intuito de politizar as eleições na tentativa de que as campanhas se concentrem no debate de propostas programáticas. “No entanto, a maior importância desse processo não reside no programa eleitoral em si e nem nos resultados das urnas, mas no que virá depois”, salienta, indicando a importância do monitoramento por parte da sociedade civil sobre os compromissos assumidos pelos/as candidatos/as eleitos/as.

Jorge Abrahão, diretor-presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, concorda e acrescenta a oportunidade de experimentar a unidade. “Há uma expectativa de que essa agenda seja um guia e que a gente possa estar permanentemente mantendo a união da sociedade civil. Nesse sentido as eleições são um marco nesse processo mas não o único. Que a gente possa alimentar nossas ações e estar revisitando essa agenda e a partir dela criar outras ações em comum”. Ele explica que para que essa unidade fosse possível, o formato de trabalho dos grupos levou em conta os limites ideológicos das entidades, ou seja, os eixos temáticos foram brevemente detalhados e esmiuçados.

Durante o evento foram apresentados os sete eixos temáticos que compõem o documento por representantes de seus respectivos Grupos de Trabalho compostos pelas entidades participantes do Movimento, bem como as estratégias de ação e o cronograma de trabalho.

Os sete eixos são:

  • Respeito aos limites do planeta;
  • Garantia de direitos com redução das desigualdades;
  • Integridade e transparência;
  • Economia para a sustentabilidade;
  • Reforma política e fortalecimento da democracia;
  • Valorização do trabalho;
  • Gestão pública.

Vera Masagão, diretora executiva da Abong, destacou a importância de uma visão integrada e convergente acerca do eixo “Garantia de direitos com redução das desigualdades” como caminho para evitar a dispersão e conectar as agendas individuais e diversas das entidades que aderiram ao Movimento. “Quando falamos em direito à cidade, por exemplo, também estamos falando de direito à mobilidade, à moradia, etc. O enfoque da questão da integração dessas políticas está no reconhecimento do papel do Estado na garantia desses direitos”, observou.

Vera também chamou atenção para a necessidade de que o Movimento Agenda Brasil Sustentável seja usado como “uma  grande caixa de ressonância de outros movimentos e entidades da sociedade civil que também estão protagonizando a elaboração de propostas”.

Outras organizações e pessoas podem aderir formalmente ao Movimento Agenda Brasil Sustentável por meio de seus canais de comunicação que são site, perfis no Twitter e no Facebook ou e-mail. Além da adesão, a Agenda conta ainda com apoio na divulgação e interação com seus conteúdos, promoção de encontros com candidatos/as nos Estados, bem como participação dos encontros com os/as presidenciáveis, além de atuação como fonte para matérias jornalísticas.

PALAVRAS-CHAVE