quinta-feira, 5 de julho de 2012

Manifesto de Repúdio pelo Assassinato dos Pescadores da AHOMAR


Manifesto de Repúdio pelo Assassinato dos Pescadores da AHOMAR

Os movimentos sociais e organizações da sociedade civil que subscrevem o presente Manifesto expressam sua indignação pelo brutal assassinato dos pescadores artesanais Almir Nogueira de Amorim e João Luiz Telles Penetra (Pituca), membros da Associação Homens e Mulheres do Mar (AHOMAR), da Baía de Guanabara. Exigimos que o Estado do Rio de Janeiro e o Estado Brasileiro tomem as providências imediatas para investigar os fatos, proteger e garantir a vida dos pescadores artesanais ameaçados.

Almir e Pituca eram lideranças da AHOMAR, organização de pescadores artesanais que luta contra os impactos socioambientais gerados por grandes empreendimentos econômicos que inviabilizam a pesca artesanal na Baía de Guanabara. Ambos desapareceram na sexta-feira, dia 22 de junho de 2012, quando saíram para pescar. O corpo do Almir foi encontrado no domingo, dia 24 de junho, amarrado junto ao barco que estava submerso próximo à praia de São Lourenço, em Magé, Rio de Janeiro. O corpo de João Luiz Telles (Pituca) foi encontrado na segunda-feira, dia 25 de junho, com pés e mãos amarrados e em posição fetal, próximo à praia de São Gonçalo, Rio de Janeiro.


A História de Luta da AHOMAR

A AHOMAR representa pescadores artesanais de sete municípios da Baía de Guanabara e possui 1870 associados. Desde 2007 vem denunciando sistematicamente as violações e crimes ocorridos na construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (COMPERJ) um dos maiores investimentos da história da Petrobrás e parte do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

Em 2009, os pescadores da AHOMAR ocuparam as obras de construção dos gasodutos submarinos e terrestres de transferência de GNL (Gás Natural Liquefeito) e GLP (gás liquefeito de petróleo) realizado pelo consórcio das empreiteiras GDK e Oceânica, contratadas pela Petrobras. Essa obra inviabiliza diretamente a pesca artesanal na Praia de Mauá-Magé, Baia de Guanabara, onde fica a sede da AHOMAR. Eles ancoraram seus barcos próximos aos dutos da obra e ali permaneceram durante 38 dias.

Desde então, os pescadores sofrem constantes ameaças de morte. Em maio do mesmo ano, Paulo Santos Souza, ex-tesoureiro da AHOMAR, foi brutalmente espancando em frente a sua família e assassinado com cinco tiros na cabeça. Em 2010, outro fundador da AHOMAR, Márcio Amaro, também foi assassinado em casa, em frente a sua mãe e esposa. Ambos os crimes até hoje não foram esclarecidos.

Em função da violência contra os pescadores e das constantes ameaças de morte, desde 2009 Alexandre Anderson de Souza, presidente da AHOMAR, vive com sua família sob a guarda do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, vivendo 24 horas por dia com escolta policial. O que não impediu que Alexandre Anderson sofresse novos atentados contra a sua vida.

Intensificação das ameaças e novas mortes

No final de 2011 e início de 2012 os pescadores da AHOMAR voltaram a se mobilizar contra os impactos decorrentes das obras do COMPERJ. Com a justificativa de acelerar o cronograma de execução das obras, a Petrobras e o INEA tentaram retomar uma proposta já descartada durante o processo de licenciamento ambiental. A manobra visa transformar o Rio Guaxindiba, afluente da Baia de Guanabara, localizado na Área de Proteção Ambiental de Guapimirim, numa hidrovia para transporte de equipamentos do COMPERJ.

Conscientes da magnitude dos impactos que seriam provocados sobre a Baia de Guanabara e a pesca artesanal, os integrantes da AHOMAR denunciaram a intenção da Petrobras e lideraram uma mobilização em solidariedade ao Chefe da APA Guapimirim, Breno Herrera, ameaçado de exoneração da ICMBIO por se opor ao impacto desse empreendimento. Desde então, as ameaças aos pescadores da AHOMAR se intensificaram.

Para agravar a situação, no mês de fevereiro deste ano o Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) da Praia de Mauá, onde fica a sede da AHOMAR e a residência do Alexandre Anderson, foi desativado, expondo os pescadores a novas ameaças e tornando a população local ainda mais vulnerável. Nesse período pelo menos outras três lideranças da AHOMAR foram ameaçadas de morte.

Foi neste contexto, de desarticulação da segurança pública na região e intensificação das ameaças contra os pescadores que Almir Nogueira de Amorim e João Luiz Telles Penetra (Pituca) foram assassinados. Trata-se, portanto, de uma crônica de mortes anunciadas. Ambos foram encontrados com claras evidencias de execução.

Diante destes graves acontecimentos manifestamos toda a nossa solidariedade à AHOMAR e aos familiares dos pescadores assassinados. Ao mesmo tempo, exigimos:

1. Que os mandantes e assassinos diretos de Almir Nogueira de Amorim e João Luiz Telles Penetra sejam identificados e responsabilizados;

2. Que sejam concluídas as investigações pelas mortes de Paulo Santos Souza e Márcio Amaro, até hoje não esclarecidas, e que seus assassinos também sejam identificados e responsabilizados;

3. Que sejam investigadas todas as ameaças aos pescadores artesanais da AHOMAR.

4. A assinatura pelo Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, do Decreto de institucionalização do Programa Estadual de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos;

5. O acompanhamento da apuração dos assassinatos das lideranças aqui listadas pela Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República;

6. O fortalecimento da proteção do Alexandre Anderson e que a escolta policial seja estendida à sua esposa, Daize Menezes de Souza;

7. A imediata reabertura da DPO da Praia de Mauá e o Fortalecimento da Segurança Pública da região;

8. Que a Petrobrás e as empresas a ela vinculadas no escopo das obras do COMPERJ na Baía de Guanabara negociem com a AHOMAR a justa pauta de reivindicações do movimento.

Os signatários abaixo listados seguirão denunciando os extermínios dos lutadores sociais que estão enfrentando de modo legitimo a destruição das condições de pesca artesanal na Baia da Guanabara e nas demais áreas pesqueiras do Rio de Janeiro. Igualmente, acompanharemos o processo de investigação e as providencias do governo estadual em defesa da integridade dos demais pescadores em luta. As mortes de Almir, João Luiz, Paulo e Marcio nos leva a afirmar:

somos todos pescadores, 
somos todos militantes da AHOMAR!



Assinaturas:
3IN
4 Cantos do Mundo
a Paz e a Sustentabilidade)
A Sud – Ecologia
Cooperazione ONLUS
ABRASCO - Associação Brasileira de Saúde Coletiva
Accion Ecologica – Equador
Agência BRASIL SUSTENTÁVEL
Agência Latinoamericana para el Desarrolo Sostenible
Amigos da Terra America Latina e Caribe (ATALC)
Amigos da Terra Brasil
Amigos da Terra Internacional (ATI/FoEI)
Amigos de La Tierra América Latina y Caribe (ATALC)
Amigos de la Tierra España
APREC Ecossistemas Costeiros
Articulação Antinuclear Brasileira
Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro
Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB)
Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa
Asociación Departamental de Usuários Campesinos - Del Meta/Colombia
Associação "Dando as Mãos" Organização Solidária dos Assentados e Empreendedores em
Geral
Associação Alternativa Terrazul
Associação Ambientalista Copaíba/SP
Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social
Associação Brasileira de Homeopatia Popular (ABHP)
Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT)
Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA)
Associação Cultural Arte e Ecologia (ASCAE)
Associação de Docentes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (ASDUERJ)
Associação de Moradores e Pescadores da Vila Autódromo (AMPVA)
Associação de Pescadores e Aquicultores de Pedra de Guaratiba (APAPG)
Associação de Proteção ao Meio Ambiente de CIANORTE (APROMAC) – Paraná
Associação de Servidores Federais da Área Ambiental no Estado do Rio de Janeiro (ASIBAMARJ)
Associação dos Docentes da Unimontes - Montes Claros/MG
Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ADUFRJ)
Associação dos Geógrafos Brasileiros
Associação dos Geógrafos Brasileiros - AGB - Vitória
Associação dos Professores da PUC-SP (APROPUCSP)
Associação dos Servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis no Distrito Federal
Associação dos Servidores do Ministério do Meio Ambiente
Associação dos Servidores Ibama/Icmbio - ASIBAMA - Pirassununga – SP
Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAN)
Associação Livre dos Aquicultores (ALA)
Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda)
Associação Movimento Paulo Jackson – Ética, Justiça, Cidadania
Associação Nacional de Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (ASIBAMA
Nacional)
Associação Nacional de Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente e do PECMA
(ASIBAMA-DF)
Associação Nacional dos Defensores Públicos (ANADEP)
Associação para o Desenvolvimento Social e Urbano Força Negra
Associação Potiguar Amigos da Natureza (ASPOAN)
Association Internationale de Techniciens, Experts et Chercheurs (AITEC)
Balcão de Direitos/UFES
Bicuda Ecológica
Bio-Bras
Bios Iguana A.C. México
Brigadas Populares
Campanha MAIS VIDA, menos lixo
CARA LIMPA - Cooperativa de Catadores de Materiais Reutilizáveis e
Casa da América Latina
Casa da Mulher Trabalhadora (CAMTRA)
CDCA - Centro di Documentazione sui Conflitti Ambientali
CEDECA - RJ
Ceiba - AT Guatemala
CENSAT Agua Viva - Colômbia
Central de Movimentos Populares
Centre for Environmental Justice/Friends of the Earth Sri Lanka
Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES)
Centro da Mulher Baiana
Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Maria dos Anjos/Rondônia
Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente CEDECA/TO Glória de Ivone
Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Serra/ ES
Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis
Centro de Educação Ambiental de Guararema - Ceagua - Guararema/SP
Centro de Estudos Ambientais (CEA)
Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul (CEPEDES)
Centro De Referência Do Movimento Da Cidadania Pelas Águas Florestas E Montanhas Iguassu
Iterei
Centro de Teatro do Oprimido (CTO)
Cinescadão – Núcleo Audiovisual da Associação Cultural Fábrica de Gênios - São Paulo/SP
Climaxi - movement for climate and social justice (Belgium)
CODEF - Amigos de la Tierra - Chile
COECO Ceiba - Amigos d ela Tierra Costa Rica
Colectivo VientoSur - Chile
Coletivo Catarse de Comunicação - Porto Alegre/RS
Coletivo de Estudos Marxistas e Educação – COLEMARX/UFRJ
Coletivo Nacional Barricadas Abrem Caminhos
Coletivo RJ Memória, Verdade e Justiça
Colônia de Pescadores Z-20 de Ibiaí - norte de Minas Gerais
Comissão de Defesa dos Direitos da População de Tubiacanga (CDDPT)
Comissão Paroquial de Meio Ambiente de Caetité
Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Comissão Pastoral da Terra (CPT-MT)
Comitê Acorda Amapá
Comitê de Bacias Lagos São João
Comite Departamental en defensa del Agua y la Vida de Antioquia – Colômbia
Comitê Metropolitano Xingu Vivo Para Sempre – Belém/PA
Comitê por uma Internacional Operária - CIT
Comunicação e Arte
Concerned Citizens against Climate Change
Conselho Carioca de Cidadania (CONCA)
Conselho Federal de Serviço Social (CFESS)
Conselho Indigenista Missionário (CIMI)
Conselho Indigenista Missionário Regional Amazônia Ocidental
Conselho Indigenista Missionário Regional Mato Grosso (CIMI/MT)
Conselho Pastoral dos Pescadores
Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP/RJ)
Conselho Regional de Serviço Social - RJ (7ª Região)
Consulta Popular
Cooperativa dos Produtores da Agricultura Familiar de Tangará da Serrae Região
(COOPERVIDA/MT)
Cooperativa RCS
COOPERVIDA LATINOAMERICANA de Produtores da Agricultura Familiar - Santa
Corporación Ecológica y Cultural penca de Sábila/Colômbia
Cruz de la Sierra – Bolívia
CSP Conlutas
Defensores Públicos em Movimento (DOMOV)
Defensoria Social
Democracia y Desarrollo (PIDHDD)
Departamento de Psiquiatria e Psicanálise do Hospital Universitário Pedro Ernesto/UERJ
Econg-Ong de Defesa do Meio Ambiente de Castilho e Região
Environmenal Rights Action - Nigeria
Escritório de Direitos Humanos da Prelazia de São Félix do Araguaia - MT
Esplar - Centro de Pesquisa e Assessoria
Estudantes em Construção
FASE
FASE Bahia
FDCL - Forschungs- und Dokumentationszentrum Chile-Lateinamerika - Alemanha
FEDEP
Federação Nacional de Sindicatos de Trabalhadores da Saúde, Trabalho, Previdência e
Assistência Social (FENASPS)
FERN - Inglaterra e Bélgica
FoE Austria
FoE Cyprus
FOE Mauritius
FoE Scotland
FoE Uganda
Fórum Alagoano em Defesa do SUS e contra a Privatização
Fórum Ambiental (IM/UFRRJ)
Fórum Brasileiro de Ongs e Movimentos Sociais pelo Meio Ambiente e o Desenvolvimento
Fórum Comunitário do Porto
Fórum Contra A Privatização das Políticas Públicas de Niterói
Fórum de Cooperativismo Popular do Rio de Janeiro
Fórum de Direitos Humanos e da Terra (FDHT-MT)
Fórum de Reparação e Memória RJ
Fórum de Saúde do Rio de Janeiro
Fórum do Movimento Social de Manguinhos
Fórum dos Afetados pela Indústria do Petróleo e Petroquímica nas Cercanias da Baía de
Guanabara (FAPP-BG)
Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social
Fórum Popular do Orçamento do Rio de Janeiro
Fórum Voz Intersetorial Voz aos Povos
Frente Nacional contra a Privatização da Saúde
Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas
Friends of the Earth – US
Friends of the Earth Croatia
Friends of the Earth Cyprus
Friends of the Earth Denmark - NOAH
Friends of the Earth England Wales and Northen Ireland
Friends of the Earth Europe
Friends of the Earth Flanders & Brussels
Friends of the Earth France
Friends of the Earth Ground Work FoE South África
Friends of the Earth Mauritius
Friends of the Earth Nepal
Friends of the Earth Norway
Friends of the Earth Scotland
Friends of the Earth Srilanka
Friends of the Earth Uganda - NAPE
FULANAS: Negras da Amazônia Brasileira (NAB)
Fundação Dinarco Reis
Fundação Rosa Luxemburgo
Gambá - Grupo Ambientalista da Bahia
GLOBAL 2000
GPEA-UFMT
GRAIN
Greenpeace Brasil
Grupo Arte Fuxico do Fórum de São João de Meriti
Grupo de Defesa Ecológica (GRUDE)
Grupo de Estudo das Relações Etnicorracial e Serviço Social (GERESS)
Grupo de Estudos em Educação e Meio Ambiente (GEEMA - RJ)
Grupo de Trabalho de Mobilização Social (GTMS-MT)
Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA-UFMT)
Grupo Tortura Nunca Mais – RJ
Grupo Transdisciplinar de Estudos Ambientais de Viam Unidade de Psiquiatria
Assistencial/Faculdade de Ciências Médicas/UERJ
Grupos Ecológicos de Risaralda (GER)
GT Combate ao Racismo Ambiental da RBJA
GT Meio Ambiente - AGB Associação dos Geógrafos Brasileiros
GT Minorias do Fórum Justiça
HUMANITAS - DH e Cidadania
iCaracol
IDDH
Identidade - Grupo de Luta pela Diversidade Sexual – Campinas/SP
IMDH
INSTITUTO AMBIENTAL CONSERVACIONISTA 5º ELEMENTO
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE)
Instituto Búzios
Instituto Caracol (iC)
Instituto Cultural Tecnologia e Arte – Tecnoarte – Gupimirim/RJ
Instituto de Estudos da Religião (ISER)
Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC)
Instituto dos Defensores dos Direitos Humanos (DDH)
Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Codadania -IHG, Belo Horizonte, MG.
Instituto Humana Raça Fêmina - INHURAFE
Instituto Humana Raça Fêmina – INHURAFE
Instituto Humanitas –Belém/PA
Instituto Mais Democracia
Instituto Matogrossense de Direito e Educação Ambiental
Instituto Pólis
Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS)
Instituto Socioambiental (ISA)
Instituto ST Quasar – Mongaguá/SP
INTERSINDICAL
ITEREI- Refúgio Particular de Animais Nativos - Portaria Ibdf 163/78 (Dou 20/04/1978),
Membro Oficial Da Sociedade Planetária ( UNESCO PROJETO BRA022/1998 )
Jubileu Sul Américas
Jubileu Sul Brasil
Justiça Ambiental – Moçambique
Justiça Global
KZN Subsistence Fisherfolks – África do Sul
Laboratório de Investigações em Educação, Ambiente e Sociedade (LIEAS/UFRJ)
Laboratório Territorial de Manguinhos (LTM/FIOCRUZ)
Liberdade Socialismo e Revolução (LSR)
Mandato da Deputada Estadual Janira Rocha (PSOL/RJ)
Mandato do Deputado Estadual Marcelo Freixo (PSOL/RJ)
Mandato do Deputado Federal Chico Alencar (PSOL/RJ)
Mandato do Vereador Eliomar Coelho (PSOL/RJ)
Mariana Criola – Centro de Assessoria Jurídica Popular
Mata Atlântica/DESMA
Mesa Humanitária Del Meta Colombia, Mileudefensie/Netherlands
Movimento de Mulheres de Altamira
Movimento Ambientalista Os Verdes/RS
Movimento Autônomo Utopia e Luta - Porto Alegre
Movimento de Defesa dos Direitos dos Moradores em Favelas de Santo André (MDDF)
Movimento dos 500 - Servidores Públicos Federais de Meio Ambiente Contra o Desmonte da
Política Nacional de Meio Ambiente
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST-MT)
Movimento Ecumênico Fé e Política de Sepetiba
Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH)
Movimento Nacional de Direitos Humanos/ES
Movimento Nacional de Direitos Humanos/RJ
Movimento Popular Saúde Ambiental de Santo Amaro/BA
Movimento Pró-Saneamento e Meio Ambiente da Região do Parque Araruma - São João de
Meriti
Movimento Terra Livre
Movimento Unido dos Camelôs (MUCA)
Movimento Xingu Vivo Para Sempre
Movimiento Madre Tierra Honduras
Mutirão pela Cidadania
NAPE - Friends of the Earth Uganda
Naturvernforbundet/Friends of the Earth, Norway
NIEP-Marx - Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas Marx e o marxismo- UFF
Núcleo de Estudos em Desenvolvimento Rural Sustentável e Mata Atlântica (DESMA/UFRGS)
Núcleo de Solidariedade Técnica – SOLTEC/UFRJ
Núcleo Interdisciplinar de Estudos da Baixada Fluminense UERJ/ Faculdade de Educação da
Baixada Fluminense
Observatório de Favelas
Observatório do Pré-sal e da Indústria Extrativa Mineral
Observatorio Petrolero Sur - Buenos Aires/Argentina
Oil Watch International
Otros Mundos - Colômbia
Partido Comunista Brasileiro (PCB)
Partido Socialismo e Liberdade (PSOL)
Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU)
Pastoral de Favelas
Plataforma Dhesca Brasil
Plataforma Interamericana de Derechos Humanos
Plenária dos Movimentos Sociais/RJ
Pro Natura – Switzerland
Proam - Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental - São Paulo/SP
Proceso de Comunidades Negras en Colombia (PCN)
Projeto Esperança de São Miguel Paulista
Projeto Políticas Públicas de Saúde – FSS/UERJ
Recicláveis de Carapicuiba/SP
Rede Alerta Contra o Deserto Verde
Rede Alerta-ES
Rede Axe Dudu
Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais
Rede Brasileira de Ecossocialistas
Rede Brasileira de Justiça Ambiental
Rede Contra o Deserto Verde - Espírito Santo
Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência
Rede de Defesa e Proteção aos Militantes Ameaçados de Morte - SP
Rede de Economia Solidária Complexo do Alemão
Rede de Educadores Ambientais da Baixada de Jacarepaguá
Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA)
Rede Iberoamericana de Territórios Sustentáveis, Desenvolvimento e Saúde
Rede Justiça nos Trilhos
Rede Latinoamericana de Economia Social Solidária
Rede MangueMar Brasil
Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental (REMTEA)
Rede Questão Urbana e Serviço Social
Rede Solidária da Pesca
REDES - Amigos de la Tierra Uruguay
Regional Amazônia Ocidental
SAHABAT ALAM Malasya
Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM)
Sindicato dos Bancários de Santos
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro
Sindicato dos Professores de Nova Friburgo e Região – RJ
Sindicato dos Químicos Unificados
Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais RJ (SINTUPERJ)
Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Xapuri – Ac
Sindicato dos Trabalhadores em Radiologia do Estado SP
Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação RJ (SEPE)
Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino (Andes-Sn)
Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Fiocruz (ASFOC-SN)
Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (SAPE)
Sociedade Terra Viva (STVBrasil)
South Durban Community Environmental Alliance – África do Sul
Terra de Direitos
Terræ Organização da Sociedade Civil
The Corner House – Inglaterra
TOXISPHERA – Associação de Saúde Ambiental - Paraná
União da Juventude Comunista (UJC)
União dos Estudantes Secundaristas de Carapicuíba/SP
Unidade Classista
USIMIXER (Plataforma de Compartilhamento de Conteúdos de Comunicação para
WRM
Adesões individuais:
Aderson Bussinger – Advogado
Adriana Paquier
Alexandre Lantelme Kirovsky - Assessor Chefia de Assuntos Estratégicos e Relações
Institucionais Ministério da Aquicultura e Pesca
Ana Bursztyn-Miranda
Ana Edith Soares - Universidade Federal do Rio Grande
Ana Garcia - PUC-Rio
Ana Paula de Carvalho - Movimento Popular Luto por Maricá
André Luis Azevedo Guedes – Diretor Coordenador do SINDPD-RJ
Andréa Zhouri - Profa. Associada do Depto. Sociologia e Antropologia FAFICH-UFMG/
Coordenadora do GESTA-UFMG
Ângelo de Sousa Zanoni
Anne Settanni
Antonia dos Santos Garcia – Socióloga e pesquisadora CNPQ
Breno Herrera - Chefe da APA Guapimirim (RJ)
Cacique Venâncio Zezokemae (Etnia Haliti) - Reserva Indígena do Rio Formoso/MT
Cecília C. do Amaral Mello - Professora Adjunta IPPUR/UFRJ
Charo Giménez Lambán;
Cleusa dos Santos – Ess/UFRJ
Cristina Maria Macêdo de Alencar – Grupo de Pesquisa Desenvolvimento, Sociedade e
Natureza (SSA-BA)
Cynthia Franceska Cardoso
Daniel Feldman Israel – Jornalista
Daniela Felix
Delmar Afonso Dietz - Fórum Permanete da Pesca do Litoral Médio e Norte do RS
Dra. Mariana Clauzet – Bióloga
Edson Campos Furtado
Edson Carneiro Indio - Coordenador Nacional da Intersindical
Eduardo Passos - Professor Associado (UFF)
Eliezer João de Souza -Associação Brasileira dos expostos ao Amianto
Elizabeth K. Magalhães - Superintendência de Território e Cidadania/Secretaria do Estado do
Ambiente
Elizabeth Medeiros Pacheco
Elizeu Augusto de Brito
Eneida Brasil
Fabio Rodrigues Pitta
Felipe RubioTorgler – Colombia
Fernado Ponte de Sousa - Coordenador do Memorial dos Direitos Humanos - Universidade
federal de Santa Catarina
Fernanda Giannasi - Rede Virtual-Cidadã pelo Banimento do Amianto na América Latina
Gabriela Scotto - Profa. Do Depto de Cs. Sociais / ESR /UFF e pesquisadora do NESA- Nucleo de
Estudos Socioambientais
Heitor Scalambrini Costa - Coletivo Gestor
Henri Acselrad – professor do IPPUR/UFRJ
Ieda Barbosa - Fiocruz
Iolanda Toshie Ide - Professora aposentada da UNESP
Isabel Mansur Figueiredo - Socióloga e Militante de DH
Isabelle Blengini - Rede de Educação Ambiental da NEPEA Núcleo de Estudos e Pesquisa em
Educação Ambiental (UFBA)
Jailson Florencio
Jeremy M Galjour
João Alfredo Telles Melo, advogado, professor universitário e vereador pelo Psol em Fortaleza.
João Paulo Centelhas - Geógrafo e Ambientalista
José Henrique Viégas Lemos - Professor/ Membro Do Comitê Contra O Genocídio Da
Juventude Negra em SP
José Mª Ordóñez Iriarte – Espanha, Léa Tiriba – professora (UNIRIO)
José Pedro Hardman - Vianna Advogado (RJ)
José Rodrigues de Souza Filho
Júlio Miyazawa - Centro de Educação Ambiental de Guararema - Ceagua - Guararema/SP
Karina Dino - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Klemens Laschefenski - Coordenador do GESTA-UFMG
Lara Bueno Chiarelli Legaspe - Bióloga (UNESP/Rio Claro)
Lara Florae
Léa Tiriba - Prof. da UNIRIO
Lia Giraldo Da Silva Augusto - Universidade de Pernambuco (UPE)
Ligia Karam
Luciana Sepúlveda Köptcke - Rede Saúde e Cultura
Luis Arcos Pérez – UFF / UNESA
Luiz Poland
Luiz Fernando Ferreira da Silva - Fundação de Educação e Saúde Mandacaru, Fortaleza (CE)
Marcela Bonelli Zarurid, Marcelo Firpo – Fiocruz
Marcelo Firpo
Marcelo Pretto Mosmann - Advogado
Marcia Leite - UERJ / Círculo Palmarino Rio
Márcia Torres Rodrigues
Marco Antônio Carneiro Menezes –CESTEH/ENSP/Fiocruz
Maria Alice de Paula Santos - Fórum Paulista de EJA
Maria de Fátima Pereira Alves
Maria Gorete Neto (MG)
Maria Helena Zamora
Maria Regina de Avila Moreira - professora UFRN - Conselho Consultivo do Centro de
Referência dos Direitos Humanos /RN
Marijane Vieira Lisboa, Profa de Sociologia - PUC-SP
Mário Auigusto Jakobskind - Conselheiro da ABI e presidente da Comissão de Liberdade de
Imprensa e Direitos Humanos da ABI
Mario Mariano Ruiz Cardoso, mestrando - UFSCAR campus Sorocaba
Marlene Soccas, dentista e historiadora, de Criciuma, Santa Catarina.
Maryane Saisse LIEAS/UFRJ
Miriam Langenbach
Mônica Armond Serrão - Analista Ambiental do IBAMA
Mônica Cristina Brandão dos Santos Lima - FCM /HUPE/UERJ
Nicete Campos
Norma Valencio - Núcleo de Estudos e Pesquisas em Desastres/UFSCar
Núcleo de Estudos e Pesquisas em Desastres/UFSCar
Patricia Magno - Defensora Pública RJ/ Integrante do GT Minorias do Fórum Justiça
Patricia Rodin
Pau Soler Domenech - Valencia, España
Pedro Paulo Lourival Carriello
Raquel Camargo Macruz - MOSAL- INMMAR
Rejane Gadelha - Movimento Pró-Vila da Ilha do Fundão
Renata Lira - Advogada
Roberto Franco - Presidente ECong
Sabel Brasil Pereira
Sebastião Fernandes Raulino - Professor Substituto FEBF/UERJ/Duque de Caxias – RJ
Severiano Mendonça Sarmento Junior
Shannon Karam
Silvia C.Leanza -Fundación Ecosur Ecología Cultura y Educación desde los Pueblos del Sur
Susanne Hedman
Sweden
T.S. MIRTA RIVERO - Presidente del Colegio de Trabajadores Sociales Provincia de Buenos
Aires- Argentina.
Tânia Mara Franco - Professora (RJ)
Tania Pacheco - GT Combate ao Racismo Ambiental da RBJA
Valeria Brahim
Valéria Fernandes de Carvalho Castro - Professora-pesquisadora da Escola Politécnica de Saúde
Joaquim Venâncio
Valéria Nacif - ambientalista,antropóloga e professora Tilburg - Países baixos
Vera Vital Brasil - Equipe Clínico Política/ Fórum de Reparação e Memória do RJ
Virgínia Fontes – UFF/Fiocruz
Yoshiharu Saito - Pres. do Fórum Ecossocial da Baixada Fluminense
Zuleica Nycz Conselheira do CONAMA representando a Região Sul

Manifesto em repúdio ao assassinato dos pescadores Almir e Pituca é lançado na OAB/RJ

justuça global
http://global.org.br/programas/manifesto-em-repudio-ao-assassinato-dos-pescadores-almir-e-pituca-e-lancado-na-oabrj/



2 DE JULHO DE 2012 • 15H25

Manifesto em repúdio ao assassinato dos pescadores Almir e Pituca é lançado na OAB/RJ

DSCN1213Na última sexta-feira, dia 29, foi lançado na Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB/RJ) o manifesto em repúdio ao assassinato dos pescadores Almir Nogueira de Amorim e João Luiz Telles Penetra (Pituca), líderes da AHOMAR. O documento exige a investigação das mortes e das ameaças constantes que os pescadores vêm sofrendo, a reabertura do Departamento de Policiamento Ostencivo da Praia de Mauá (RJ) e um canal de negociação direito com a Petrobrás, entre outras reivindicações.
O evento foi aberto pela presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ, Margarida Pressburger, que exigiu uma resposta imediata das autoridades. Segundo ela, a OAB/RJ vai acompanhar de perto as investigações.
Sandra Carvalho, Diretora da Justiça Global, lembrou que não é o primeiro caso de assassinato a integrantes da AHOMAR. Em 2009, o tesoureiro da associação, Paulo Santos Souza, foi morto em casa em frete a sua família. Em 2010, outro fundador da AHOMAR, Márcio Amaro, também foi morto em um crime similar. Para Sandra Carvalho, o assassinato de Almir e Pituca tem relação com os outros dois casos. “É preciso que as coisas sejam vistas dentro do contexto, e não de forma isolada”, disse.
Alexandre Anderson, presidente da AHOMAR, muito emocionado, pediu que os crimes fossem  investigados. Ele descartou a hipótese das mortes estarem ligadas a disputa por áreas pesqueiras na Baía de Guanabara. Alexandre Anderson, como Sandra Carvalho, acredita na relação entre as mortes dos pescadores ocorridas em 2009-2010 e agora.
Alexandre Anderson, presidente da AHOMAR
Alexandre Anderson, presidente da AHOMAR
Em função das ameaças e dos atentados sofridos contra sua vida, ele vive sob a guarda do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, tendo escolta policial 24 horas por dia. Mas segundo o
deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ), nenhum dos três programas de proteção que existem no Rio funciona. “O programa que defende o Alexandre sequer tem decreto”, afirmou.
O deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ)  prometeu levar as denuncias do caso ao Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, solicitando a federalização do crime.
Também participaram da mesa Roberto Leher, da Associação de Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Carlos Martins, da Associação dos Servidores do Ibama e do Instituto Chico Mendes; o pescador Ivo Siqueira, da Baía de Sepetiba; a integrante da Ahomar Daize de Souza e a deputada estadual Janira da Rocha (Psol-RJ).
Pescador Ivo Siqueira, da Baía de Sepetiba
Pescador Ivo Siqueira, da Baía de Sepetiba
Representantes de Movimentos sociais, ONG's e instituições apóiam o manifesto
Representantes de Movimentos sociais, ONG's e instituições apóiam o manifesto
O manifesto já conta com mais de 200 assinaturas.

Governo do Amazonas libera uso de mercúrio no garimpo

folha de SP
http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/1106992-governo-do-amazonas-libera-uso-de-mercurio-no-garimpo.shtml


19/06/2012 - 15h21

Governo do Amazonas libera uso de mercúrio no garimpo

KÁTIA BRASIL
DE MANAUS
Atualizado às 15h46.
O governo do Amazonas regulamentou a licença ambiental para o garimpo, liberando o uso de mercúrio na separação do ouro de outros materiais.
A utilização do metal é polêmica, porque polui rios e contamina peixes e seres humanos, podendo provocar intoxicação e lesões no sistema nervoso. Há 20 anos, ecologistas pediram a proibição do uso do mercúrio na Carta da Terra da Eco-92.
O DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), o Ibama e ONGs -- que participaram das discussões para elaboração da norma -- criticam pontos da regulamentação.
Antonio Gaudério - 26.abr.1991/Folhapress
 Legenda: Homens trabalham em garimpo no rio Madeira Crédito: Antonio Gaudério - 26.abr.1991/Folhapress
Legenda: Homens trabalham em garimpo no rio Madeira Crédito: Antonio Gaudério - 26.abr.1991/Folhapress
Já os garimpeiros do rio Madeira aguardavam a publicação da licença no "Diário Oficial", que ocorreu nesta segunda (18), para retomar a exploração de ouro, interrompida no fim de 2011 após suspensão de uma regra anterior do governo do Amazonas.
CONDIÇÕES
O uso do mercúrio passará a ser permitido com algumas condições. Será preciso comprovar origem da compra, utilizar equipamento (cadinho) para recuperação do metal, transportar resíduos para depósitos autorizados, recuperar áreas degradadas e apresentar um estudo de impacto ambiental, o EIA/Rima.
O governo do Amazonas diz que o "boom" no mercado de ouro e a necessidade de combater os garimpos ilegais no rio Madeira, que prejudicavam a passagem dos comboios de soja no sul do Estado, motivaram a emissão da licença. A fiscalização ficará a cargo do governo estadual, com apoio do Ibama.
Estima-se que 3.000 garimpeiros tenham produzido uma tonelada de ouro na última safra, de junho a dezembro, no rio Madeira. No rio Juma, em Novo Aripuanã (530 km ao sul de Manaus), e nos rios Jutaí e Japurá (no oeste do Estado), há garimpos clandestinos em atuação.
O coordenador de qualidade ambiental do Ibama, Diego Sanchez, afirma que o órgão cobrou a inclusão de exigência de levantamento prévio dos níveis de contaminação de mercúrio no ar, água e peixes em regiões já exploradas pelos garimpeiros, sem sucesso.
"Seria o mínimo de segurança ambiental que se poderia dar às populações locais."
Para ele, a nova regra é mais branda do que as exigências federais de licenciamento ambiental -- hoje, o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) regula o uso do metal na extração mineral pelo país.
Para o geólogo Fred Cruz, do DNPM, o uso do mercúrio na atividade é desnecessário. "Já existe tecnologia que permite separar o ouro de outros materiais", afirma.
Carlos Durigan, da Fundação Vitória Amazônica, que trabalha com extrativismo florestal no rio Negro, diz que a licença não garante a comprovação prévia e periódica da origem do mercúrio, prejudicando a fiscalização da cadeia de compra do produto e abrindo brechas para o contrabando. "É o que acontece hoje na Amazônia."
OUTRO LADO
Para o secretário-executivo do Cemaam (Conselho Estadual de Meio Ambiente do Estado do Amazonas), José Adailton Alves, a permissão de uso do mercúrio nos garimpos atenderá às pequenas cooperativas familiares.
Segundo Alves, o conselho optou por exigir um levantamento dos níveis de contaminação em regiões já exploradas somente após o licenciamento. Ele disse ainda que todas as áreas de lavra garimpeira serão monitoradas periodicamente.
Alves nega que a nova licença seja mais branda do que as exigências do Conama. "Isso não é pertinente, pois o licenciamento atenderá todos os requisitos técnicos e ambientais necessários. A resolução prevê a exigência do estudo de impacto ambiental", afirmou.
O presidente do Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas), Antonio Stroski, disse que os garimpeiros terão de comprovar a origem da compra do mercúrio -até 30 dias após a emissão da licença ambiental- como forma de combater o uso do produto em atividades ilegais.
O instituto afirmou que o impacto do mercúrio será tratado posteriormente.
Para Anélio Vasconcelos, presidente de uma cooperativa de 587 garimpeiros do rio Madeira, a exigência do estudo de impacto ambiental inviabilizará a atividade. "Nossa licença de lavra é para 400 quilômetros de rio. Um estudo ambiental custaria R$ 1 milhão e uns quebrados, o que é inviável para as cooperativas", afirmou.
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O depoimento dos índios Suruís sobre a Guerrilha do Araguaia

famalia
http://www.famalia.com.br/?p=14767



O depoimento dos índios Suruís sobre a Guerrilha do Araguaia

Os Suruís, do sul do Pará, habitantes da região do Araguaia e Sororó, sofreram uma era de terror, na década de 1970, quando os guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil montaram uma base na região. A versão oficial que é divulgada dá conta dos índios como bate-paus, guias, dos militares que combateram os guerrilheiros, ajudando a esquartejar corpos, enterrar as partes. Agora, os mais jovens estão resgatando a história de seu povo.
Najar Tubino

Rio de Janeiro – Essa é mais outra história traumática sobre o período da ditadura. Os Suruís, do sul do Pará, habitantes da região do Araguaia e Sororó, até a década de 1960, quando o antropólogo Rock Laraia, fez os primeiros contatos, sofreram uma era de terror, na década de 1970, quando os guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil, montaram uma base na região. A versão oficial que é divulgada dá conta dos índios como bate-paus, guias, dos militares que combateram os guerrilheiros, ajudando a esquartejar corpos, enterrar as partes, enfim, estavam ao lado dos militares.
Agora os mais jovens, que participam de um Conselho da Juventude, com todas as tribos da região de Marabá – Sorte, Xicrin, Guarani, Guajajara, Assurinin, entre outros -, estão resgatando a histórias de seus povos, da destruição e tomada de seus territórios, e da destruição das suas culturas.
No caso Suruí, das aldeias So’ó e Itamy, cerca de 490 pessoas, morando perto de São Geraldo do Araguaia, com um trecho da BR-153, cortando os 26 mil hectares da reserva, a situação é bem complicada. Trechos da reserva, com cemitérios antigos e onde faziam suas danças e produziam matérias para suas atividades, foram loteadas pelo INCRA, transformada em assentamentos. Outra parte foi ocupada por fazendeiros. São 11 mil hectares ocupados, deixando espaço para invasores, local de descarga de lixo, inclusive hospitalar, que estão contaminando os igarapés, onde eles pescam.
Uelton John Suruí é um cacique, filho de Tibakw, criado em São Paulo, retornou à reserva no momento em que os militares chegaram de helicóptero e cercaram a aldeia. Não foi o caso de um seqüestro, foi coletivo. Ninguém da aldeia podia sair pelo mato. Nem as crianças. Tibakw não permitiu que os militares transformassem a aldeia na base de ação contra a guerrilha. Deslocaram-se para uma área chamada de Bacaba, onde hoje existe a vila Santana.
No começo da história dos Suruís, um funcionário do Serviço de Proteção ao Índio (órgão anterior a FUNAI), atuava como o chefe do posto, na verdade era um militar infiltrado. Convenceu os índios de que alguns amigos dele procuravam algumas pessoas no mato. Quando o Exército teve as coordenadas gerais da localização, baixou em peso na aldeia. Obrigou Tibaw, que tinha feito um curso de enfermagem, a pegar uma arma e seguir com o pelotão de enfrentamento.
Os militares descobriram que o índio cacique havia se alistado no Rio de Janeiro, antes de voltar ao Araguaia. A partir daí o terror foi implantado. Mulheres foram estupradas, os Suruís desconfiam que até o tipo étnico característico de eles mudou. Os pais são altos, fortes, os filhos bem mais baixos. Existem vários casos de descendentes com sangue branco, uma miscigenação empurrada goela baixo.
A situação era muito simples de imaginar: em plena era da Lei de Segurança Nacional, cercados de mato, longe de qualquer contato, com pouca convivência com brancos, os Suruís passaram por um período negro. Comeram carne crua de caça, ou até mesmo, de jaboti. Não podiam fazer fogo. As crianças não podiam brincar, ou fazer barulho. As mulheres foram usadas porque não havia prostitutas disponíveis no mato.
Táxi um dos 14 sobreviventes, dos combatentes do Araguaia, como eles foram definidos, sem saber em que guerra estavam metidos. Foram oficialmente 18 guias. Quatro já morreram. Tawé disse aos mais jovens que eles apanham em fila, para comer carne crua. Um deles, do grupo de 14, está perturbado mentalmente, outro está surdo. Nenhum deles gosta de falar. Mesmo para os descendentes mais jovens. O antropólogo Orlando Calheiros, presente na entrevista, morou 18 meses com os Suruí. Esta fazendo a sua tese de doutorado para o Museu Nacional , que deverá se chamar Sapura-hay, a dança do povo.
Os Suruís tem canção para todas as suas atividades cotidianas, inclusive na alegria e na tristeza. Eles eram conhecidos por ser um “povo de cantores”. Isso na região mais violenta da Amazônia que é o sul do Pará. Uma região que foi desmantelada em termos de direitos e de legislação, de garantias, de funcionamento do Ministério Público, tanto estadual como federal. A herança da ditadura está presente ainda hoje no povo da região, principalmente quem teve alguma ligação com a Guerrilha do Araguaia.
Foi criada a Associação dos Torturados em São Domingos, onde os índios tentam uma reparação contra o que sofreram durante esse período. Uelton John Suruí e seu irmão Clelton, estão na Rio+20 deram o depoimento para CARTA MAIOR. A responsabilidade do movimento agora é deles. Os mais velhos estão cansados e não querem falar. A não ser que fossem ouvidos por autoridades reconhecidas, como a Comissão da Verdade, que vai repassar o período da ditadura, mas ainda não tocou no assunto dos indígenas.
Não somente Suruís, mas também Waimiri-atroaris e Araras, somente dois outros exemplos de aldeias que estavam no caminho de estradas abertas pelo Exército, como no caso da Manaus Caracaraí e na Transamazônica.
- “Nós ficamos sem nada, conta Uelton. Nossa terra, nossa cultura, invasão, hoje em dia até corpos são jogados na nossa área, contaminação dos igarapés. Na verdade nós vivemos ameaçados por fazendeiros, com queimadas no verão. Não podemos andar à vontade no mato, nem armados, porque a região é muito tensa. Queremos reparar essa situação. Queremos indenização pelo que sofremos. Ou então vamos fechar a estrada.”
A BR-153 já foi fechada em fevereiro. Os índios deram prazo de 90 dias para o governo do Pará e o governo federal se pronunciarem. Querem cercar, pelo menos, um trecho da estrada, porque os animais da região estão morrendo atropelados. Os Suruís ainda caçam e pescam. No dia 25 de junho está marcado novo bloqueio. Os índios que participam da Rio+20 estão preocupados porque o ônibus deles quebrou. Levaram três dias e meio para chegar ao Rio.
Entre 2009-2010, uma advogada do Centro de Direitos Humanos, que eles não lembram o nome, procurou a comunidade, porque o pai dela, um cubano foi morto no Araguaia, e seu corpo nunca apareceu. Logo que essa informação vazou no Pará, apareceu um coronel com um aparato militar, querendo que Tibakw mostrasse o local, ou os locais, onde existem vestígios de corpos. Alguns já foram retirados, dizem os índios, em outras covas, o que ficou são partes de esqueletos.
Como a época mudou, os Suruís não concordaram. Mesmo assim, pagando um rancho para outra liderança, os militares cavaram em algumas áreas. Uelton e Clelton, os filhos de Tibakw, que ainda está vivo, é um dos 14, sabe onde estão enterrados os vestígios. O pai mostrou o local para eles.
-“ Mas nós só vamos mostrar se repararem o que sofremos. Queremos nossa terra – TUAPEKUA KWAWERA – e o direito de falarmos. Até hoje, tudo o que saiu sobre a Guerrilha do Araguaia não teve a participação dos Suruís, e temos muitos dos nossos parentes, meus tios, meu avô que participaram de tudo. Meu pai sempre me disse que não era para contarmos, porque um dia essa história ia ajudar o nosso povo. Queremos nossa terra para manter a vida do nosso povo”, reforçaram por mais de uma vez os dois filhos de Tibakw.
Pedi para eles anotarem alguns dos nomes dos participantes da guerrilha que ainda vivem nas duas aldeias Suruí. São eles: Tibakw, Umassú, Warny, Mikwá, Mittó, Jawara’á,Waywera, Morrahy, Apy, Tiremé, Tawé.
Muitos deles não conseguem nem ver alguém desossando um porco do mato, tirando a pele, ou cortando a cabeça de uma galinha. Orlando Calheiros lembra que o índice de câncer de estômago e pâncreas, entre os Suruís é quatro maior vezes a média do estado, por isso desconfia que estejam jogando lixo hospitalar na região.
O grupo dos jovens estuda no Instituto Federal do Pará, ficam 15 dias em Marabá e voltam, permanecendo outros 20 na aldeia, onde repassam os ensinamentos aos outros membros da comunidade. Estão estudando Agroecologia, num curso de 3,5 anos. Outros sete, vão completar o curso superior no mesmo tema. Agora o assunto está em discussão. A hora é da verdade, completa, não só um pedaço.
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terça-feira, 3 de julho de 2012

Estradas assassinas de um progresso vampiro

ihu - unisinos
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/511068-estradas-assassinas-de-um-progresso-vampiro


Estradas assassinas de um progresso vampiro

"Esta tem sido mais uma semana de muito sofrimento e apreensão no Mato Grosso do Sul. Vidas foram ceifadas nas estradas, e uma situação de extrema preocupação. A grande liderança do acampamento Laranjeira Nhanderu Zezinho, foi atropelado quando ia de bicicleta à cidade de Rio Brilhante. Seu estado é gravissimo, tendo se falado em morte cerebral. Mas juntamente com sua comunidade e seu povo Kaiowá Guarani, continuamos confiando na possibilidade dele voltar a se recuperar, vencendo essa dura luta, como outras tantas que tem enfrentado  à frente de sua comunidade e seu povo", escreve Egon Heck, CIMI-MS, ao enviar o artigo que publicamos a seguir.
Eis o artigo.

O sangue Kaiowá Guarani continua manchando o chão e o asfalto no Mato Grosso do Sul. Na Semana que termina foram três atropelamentos, com a morte de Aguinaldo Wagner, estando Zezinho, liderança do acampamento Laranjeira Nhanderu, município de Rio Brilhante,  na UTI em Dourados, em estado gravíssimo.

Tudo isso em conseqüência do atropelamento dos direitos desses povos, que por não terem sua terras demarcadas são jogados para a beira das estradas, onde sobrevivem em situações desumanas, submetidos aos constantes riscos de atropelamentos.

Damiana do Apyka'i - Plantando cruzes

Damiana, guerreira Kaiowa Guarani do tekohá Apyka'i, município de Dourados-MS é o símbolo desse sofrimento e resistência. Teve seu marido  Hilário morto por atropelamento e neste último ano três filhos tiveram a mesma sina, morte por atropelamento.

Ir. Elisa, que trabalho com os Kaiowá Guarani, na equipe do Cimi Dourados, relatou a tragédia

"Agnaldo Cari de Souza, filho de Damiana foi atropelado por  funcionário da Usina que estava de moto (segundo Damiana)  e morreu, na estrada a 100 metros do acampamento. Enterrado ao lado de seu irmão Sidnei que morreu atropelado no ano passado na mesma rodovia. Segundo Damiana este funcionário teria jogado Diesel no barraco deAgnaldo dias antes do atropelamento.

Uma semana depois, seu outro  filho, Wagner Freitas é também atropelado e morre na hora. Foi enterrado ontem, 25 de junho, junto ao corpo de Sidnei Agnaldo.

Veias abertas no Mato Grosso do Sul

Historicamente as estradas foram os caminhos das invasões dos territórios indígenas, os caminhos da morte e escravidão. Foram picadas, por entre a mata, que se transformaram em precários caminhos de caminhões que saquearam a madeira, depois se transformaram em estradas asfaltadas e se consolidaram como rodovia que cortam esse país em todas as direções como veias abertas de vidas sacrificadas por um desenvolvimento que se alimenta de sangue de tantas vidas, num processo de progresso vampiro. No Mao Grosso do Sul essa situação vem se agravando com o avanço célere do grande capital, na plantação de imensos canaviais para a produção de etanol e açúcar.

Guerreiro Zezinho,incansável lutador pelos direitos do Povo Kaiowá Guarani, representante dos acampamentos indígenas no Conselho Aty Guasu, teu povo, tua comunidade de Laranjeira Nhanderu e seus amigos no país e no mundo estão contigo neste momento difícil, de dor e sofrimento. Que Nhandejara, te conserve a vida .

Zezinho acabara de voltar do Rio de Janeiro onde, juntamente com mais de uma centena de representantes indígenas do Mato Grosso do Sul, participou do Acampamento Terra Livre, na Cúpula dos Povos. Denunciaram em vários espaços a dramática situação dos povos indígenas, especialmente os acampados à beira da estrada. Ele acaba sendo mais uma das vítimas das dezenas de mortes por atropelamento que acontecem todo ano no Mato Grosso do Sul. Conforme oRelatório de Violência - Cimi 2011, das 12 mortes por atropelamento registradas,  8 ocorreram naquele Estado. Só da comunidade de Laranjeira Nhanderu, nesses anos em que estão acampados, três pessoas mortas por atropelamento.

Conforme denúncias dos Kaiowa Guarani, nas b, "os indígenas são mortos nas estradas que nem cachorro, que se mata e fica aí jogado" . Isso em função da impunidade total em que ficam os responsáveis por essa mortes. Em geral os causadores fogem sem prestar socorro e nunca sequer são identificados.

Zezinho tem acompanhado com muita garra e indignação as lutas de retomada de várias comunidades, como Kurussu AmbáYpo'í e Guaiviry, dentre outras. Essas comunidades continuam lutando por suas terras. Elas esperam, como o povo Kaiowá, continuar contando com a presença e apoio do grande Lider José de Almeida Barbosa, carinhosamente conhecido como Zezinho.

Os quatro grandes fracassos da Rio+20

IHU - UNISINOS


Os quatro grandes fracassos da Rio+20 e o conservadorismo do Brasil. Entrevista especial com Eduardo Viola

"O que o Brasil fez na Rio+20 foi tentar diminuir ao máximo o componente ambiental e global da Conferência. E isso tem a ver com o fato de que a presidente Dilma e o núcleo do governo tem uma visão bem tradicional do desenvolvimento econômico, constata o sociólogo da UnB.
Uma das expectativas da Rio+20, a partir da discussão central da governança global, era a criação de um novo organismo ambiental internacional, que substituísse oPrograma das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, e pudesse “definir estratégias normativas, avaliar os países e eventualmente punir países que não cumprem os compromissos assumidos”. A criação deste organismo não foi possível porque “a maioria dos países, com exceção da União Europeia, não quer ceder soberania nacional para desenvolver governanças globais”, dizEduardo Viola.
Na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line, o sociólogo avalia quais os foram os principais impasses e retrocessos da conferência e afirma que a crise econômica impossibilitou avanços significativos, mas ela “poderia ter favorecido a criação de um fundo de apoio para a transição e adaptação das mudanças climáticas dos países pobres”. Diante da terceira grande crise econômica, ele enfatiza que ela é ainda mais profunda do que as anteriores, pois “está relacionada à exaustão dos limites planetários”. “Essa visão é negada pelos grandes líderes mundiais, que querem recuperar a crise voltando ao passado, investindo em um crescimento convencional, quando se precisa superar a crise mudando radicalmente de paradigma”, assegura.
Em relação à mobilização da sociedade civil na Cúpula dos Povos, Viola acrescenta que elas contribuem para o debate, mas enquanto “não se tornarem maioritárias, não mudarão a dinâmica intergovernamental, porque os governos, em grande medida, representam as suas sociedades. O atraso do governo representa o atraso da sociedade na compreensão e enfrentamento dos problemas. Quando falamos da sociedade civil, estamos falando de uma sociedade minoritária, militante, consciente, muito preocupada com o bem público. Mas isso não representa toda a sociedade e a população mundial”.

Edutardo José Viola é graduado em Sociologia pela Universidade de Buenos Aires, especialista em Relações Internacionais pela Fundación Bariloche, mestre em Sociologia pela Universidade de Campinas – Unicamp, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, e pós-doutor em Economia Política Internacional pela University of Colorado. Atualmente é professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília – UnB e coordenador da Rede de Estudos e Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais e Relações Internacionais.
Confira a entrevista. 

IHU On-Line – Antes da Rio+20, o senhor havia dado declarações de que a conferência não teria condições de ser bem-sucedida. Sua opinião se confirmou? Por quais razões a Rio+20 fracassou?
Eduardo José Viola – Sim, a expectativa se confirmou, inclusive foi um pouco pior do que eu imaginava. O primeiroaspecto que demonstra o fracasso da conferência diz respeito à eliminação da questão dos limites planetários do documento final. Essa discussão sobre os limites planetários estava no documento original, mas foi retirada muito provavelmente por pressão de vários países do G77, como a Índia, por exemplo. Essa era uma questão-chave na medida em que se fala de desenvolvimento sustentável, pois hoje existe um limite planetário, ou seja, a margem de manobra hoje é muito menor do que aquela de vinte anos atrás. São sete os limites planetários, e três já foram ultrapassados: as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e o ciclo de acumulação do nitrogênio.

segundo ponto que caracteriza a Rio+20 como um fracasso é o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, que é uma declaração genérica e vaga num momento em que se precisava de uma transformação muito forte para colocar-se em correspondência com as necessidades apontadas pela ciência do ponto de vista da governança ambiental global. Precisávamos de uma organização ambiental global não apenas como uma agência especializada das Nações Unidas, como propunha a União Europeia – a mais avançada que havia na mesa –, mas de uma organização tal ou mais poderosa que a Organização Mundial do Comércio – OMC, ou o Fundo Monetário Internacional – FMI. Não foi possível avançar nesse sentido porque a maioria dos países, com exceção da União Europeia, não quer ceder soberania nacional para desenvolver governanças globais. Nesse aspecto, o Brasil também se inclui. Então, falta uma organização internacional poderosa que possa definir estratégias normativas, avaliar os países, e eventualmente punir países que não cumprem os compromissos assumidos.

Os Estados nacionais, as populações e a opinião pública são mais nacionalistas. Hoje a defasagem entre a ciência e a opinião pública média do mundo é gigantesca, porque a opinião pública média trabalha mais ou menos como trabalha a mente humana média, que não é muito diferente de quando surgiu o homo sapiens. Ou seja, reage a ameaças imediatas muito tangíveis ou à imoralidade extrema. Esse tipo de coisa gera mobilização, revolta, revoluções. Agora, os limites planetários são ameaças complexas de médio e longo prazo, de difícil compreensão para a mente humana média. Então, a proporção de pessoas que conseguem compreender as ameaças globais e os limites planetários é muito pequena. Mas mesmo entre os cientistas que compreendem o problema, existem aqueles que não mudam suas atitudes e comportamentos em correspondência com o que estão compreendendo.
Objetivos do desenvolvimento sustentável
terceiro ponto pelo qual considero a Rio+20 um fracasso diz respeito ao fato de não ter havido definição dosobjetivos do desenvolvimento sustentável. Novamente definiram um processo para negociar os objetivos do desenvolvimento sustentável num prazo de dois a três anos. Mas não se estabeleceu nenhum parâmetro para essa negociação. Os mesmos impasses que estiveram presentes nas negociações dos objetivos da Rio+20 nos últimos dois anos continuam presentes.

Economia verde

quarto fator importante diz respeito à dificuldade de aceitar uma definição consistente, robusta e sustentável de economia verde, porque, por um lado, o conceito de desenvolvimento sustentável já é antigo, difuso e tem diversos significados. O conceito novo, que emergiu a partir de 2006, é o de transição para a economia de baixo carbono. Esse é um conceito preciso e consistente, porque tem métrica, mas ele é simplista, porque só avalia a questão do carbono, que é fundamental, mas não avalia o que seria uma economia sustentável, verde, tampouco considera a questão da água, da biodiversidade, do nitrogênio etc.

A ideia de definir uma economia verde, combinando o crescimento econômico dentro do espaço de operações seguro da humanidade, deveria levar em conta a economia verde de baixo carbono, mas numa perspectiva muito mais ampla. Entretanto, não houve o menor avanço nesse sentido, porque os países do G77, incluindo o Brasil, têm certa paranoia em relação à economia verde, porque pensam que ela irá servir aos interesses protecionistas dos países desenvolvidos. Se se definisse a economia verde em relação à definição científica dos limites planetários, e em relação ao princípio de equidade, que obviamente daria um espaço mais significativo para o crescimento econômico dos países pobres, menos para países emergentes, como Brasil China, e quase nada para países desenvolvidos, a economia verde seria uma definição extraordinária.

ONU

Rio+20 também confirmou o que já vinha sendo discutido, ou seja, de que o mecanismo das Cúpulas da ONU baseadas nas negociações de 200 atores diferentes, que devem estar de acordo num consenso mínimo comum de dominador, em vez de votação qualificada, não funciona mais. É uma perda de tempo. Esse tipo de conferência é hoje uma indústria de recursos.
Obviamente a Rio-92 foi importantíssima, porque aconteceu na saída da Guerra Fria, em que os problemas ambientais globais emergiam no mundo, e foi o primeiro momento no qual entraram no sistema internacional. Mas hoje, 20 anos depois, esse mecanismo precisa ser modificado. Pertenço a um grupo de cientistas que se chama Governança do Sistema Planetário, que publicou há três meses na revista Science um artigo muito importante que propõe uma reforma no sistema de governança global, difícil de realizar, mas necessária na agenda da humanidade, porque, do contrário, a humanidade não irá avançar.

IHU On-Line – Os países desenvolvidos argumentam que enfrentam uma crise econômica e que, por isso, não é possível avançar nas questões ambientais. A conjuntura internacional atual realmente atrapalhou o consenso de um documento final significativo e produtivo?

Eduardo José Viola – A crise econômica tem alguma significação, mas a crise poderia ter favorecido a criação de um fundo de apoio para a transição e adaptação das mudanças climáticas dos países pobres. Atualmente, o mundo enfrenta a terceira grande crise econômica mundial. A primeira foi em 1873, e terminou em 1890. A segunda iniciou em 1929, e terminou em 1939, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Hoje estamos vivendo a terceira grande crise, que é profunda, e está relacionada à exaustão dos limites planetários. Essa visão é negada pelos grandes líderes mundiais, que querem recuperar a crise voltando ao passado, investindo em um crescimento convencional, quando se precisa superar a crise mudando radicalmente de paradigma. Mas essa visão é aceita por poucos países como os escandinavos, a Alemanha, a Coreia do Sul, e União Europeia.

IHU On-Line – Que lacuna fica aberta na Rio+20 em função do desinteresse de potências como China e EUA na temática ambiental?

Eduardo José Viola – Esse é um fator decisivo. Se China EUA tivessem tido uma posição como a da União Europeia, teria havido avanços na Rio+20, porque o mundo é uma estrutura assimétrica de países. Hoje existem três superpotências: EUA, China e União Europeia. Somente estes países têm condições de liderar o mundo. Depois, existe outro grupo de países que tem condições de ajudar a solucionar os problemas, que é formado pelo Japão, Rússia, Brasil, Índia e Coreia do Sul. Posteriormente, há uma série de potências médias importantes, como México, Indonésia, Turquia.

IHU On-Line – Das potências econômicas que existem hoje, por que somente a União Europeia propõe a criação de uma organização ambiental mundial?

Eduardo José Viola 
– É porque os países da União Europeia já cederam soberania nacional para criar uma estrutura supranacional. Ou seja, todos eles tiveram de abandonar parte do nacionalismo e ceder soberania. E agora, para superar essa crise no plano econômico e financeiro, terão de ceder ainda mais soberania, porque terão de passar não apenas para uma unidade monetária, mas também para uma unidade fiscal. A Europa irá na direção dos EUA ou irá se desintegrar.

As guerras mundiais do século XX entre países tão próximos e com culturas similares geraram uma cultura do horror e do que não se deve repetir mais, como manter a soberania absoluta, como foi no regime iniciado em Westfália, no século XVII. Quer dizer, uma catástrofe profunda gerou uma mudança de mentalidade dos países europeus. Mas isso não aconteceu nem nos EUA, nem na China, tampouco no Brasil.

IHU On-Line – Criou-se uma expectativa, quando Obama foi eleito, de que os EUA pudessem mudar a perspectiva ambiental, mas isso não ocorreu. Caso Obama seja reeleito, a política ambiental dos EUA tende a mudar?

Eduardo José Viola – No ano de 2009, primeiro ano do governo Obama, os EUA aprovaram a Lei Watson de mudanças climáticas, que não foi aprovada no Senado, mas que foi aprovada na Câmara dos Deputados. Porém, o governo de Obama foi se debilitando rapidamente por causa da crise econômica, do aumento do desemprego, que são produtos do governo Bush. Assim, seu governo não teve mais possibilidade de iniciativa em novembro de 2010, quando foi alvo do Partido Republicano. As coisas podem mudar nos EUA, mas isso não depende somente da reeleição deObama, mas também de maioria democrata na Câmara e no Senado. Além disso, Obama tem que escolher como prioridade as questões ambientais.

IHU On-Line – Qual foi o papel do Brasil na Conferência? Diria que o Brasil dialoga mais com a posição da União Europeia, dos EUA, ou ficou em cima do muro? Qual a posição internacional do Brasil nesse debate?

Eduardo José Viola – Trata-se de duas coisas. O documento original do Brasil, de novembro do ano passado, é muito atrasado em relação aos avanços conquistados nos anos de 2009 e 2010, que correspondiam à grande queda do desmatamento da Amazônia em 2005, ao fato de assumir compromissos voluntários de dramática redução da curva de crescimento de emissões, entre 2005 e 2010, e de criar uma lei de mudanças climáticas. Tudo isso representou um grande avanço, talvez o principal avanço da sociedade brasileira em termos ambientais. Para que esses avanços ocorressem, foi importante a contribuição de uma série de fatores, tais como a ação muito incisa do ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e a ameaça da candidatura presidencial de Marina Silva.

Participação brasileira 

Agora, porém, a posição do Brasil na conferência foi bem mais conservadora, tentando separar totalmente o debate da mudança climática da Rio+20, tentando diluir o componente ambiental do evento, enfatizando sempre o componente social. Podem ver que o documento brasileiro falava do Programa Bolsa Família e não falava da lei de mudança climática. Isso nos dá uma ideia de como o documento foi enviesado na direção desenvolvimentista tradicional. O que o Brasil fez, em grande medida, foi tentar diminuir ao máximo o componente ambiental e global da Conferência. E isso tem a ver com o fato de que a presidente Dilma e o núcleo do governo tem uma visão bem tradicional do desenvolvimento econômico. O poder do Ministério do Meio Ambiente, hoje, é muito menor do que o era em 2009 e 2010, ou na época anterior de Marina Silva. Então, se vê que nos últimos dois anos que o Brasil adotou uma política industrial convencional de promover a produção do país, independentemente da condicionalidade da eficiência energética, pois tem um subsídio gigantesco ao lobby automobilístico.

No mesmo dia em que terminou a Rio+20, o Brasil eliminou um imposto sobre combustível para o transporte público. Investe-se somente no carro, e o problema do transporte público se tornou muito mais grave. O objetivo do governo é crescer economicamente, pois estão desesperados, porque não crescem.

Depois, durante a dinâmica processual da negociação, o Brasil optou pelo caminho de menor risco, ou seja, em lugar de tentar se colocar como o mediador da conferência e contribuir para a produção de um documento mais ambicioso, derrotando os setores mais conservadores, optou pelo consenso a qualquer preço, ou seja, um consenso do nada ou quase nada. Trata-se, portanto, de um documento que não tem a menor relevância, porque só reafirma o passado. E ninguém explica porque as decisões tomadas há muitos anos não se realizaram. Essa é uma posição não só do governo, mas do Itamaraty, porque a cultura do Itamaraty é avessa ao risco.

IHU On-Line – O senhor menciona a necessidade de criar uma organização poderosa do meio ambiente, com a introdução de limites planetários nas diversas atividades econômicas. Como seria essa organização e que limites para as atividades econômicas seriam necessárias caso pensássemos em possíveis soluções para as mudanças climáticas? 

Eduardo José Viola – A primeira coisa fundamental é uma política massiva mundial de direitos reprodutivos da mulher, para se chegar a uma fecundidade responsável. Hoje, no início do século XXI, a única fecundidade responsável é a de dois filhos por mulher, ou menos. A população do mundo era 5.5 bilhões de habitante em 1992, e é de 7 bilhões atualmente, ou seja, houve um crescimento extraordinário. O Brasil não tem mais problemas com essa questão, porque a fecundidade brasileira é 1.8, porque avançou nos direito reprodutivos das mulheres. A história mostra que, quando a mulher tem educação, status de independência, ela quer ter poucos filhos.

Essa é uma questão fundamental em relação à sustentabilidade, mas que foi retirada da declaração da Rio+20, e nessa discussão os EUA tiveram  uma posição muito progressista, por causa do Obama.

Crescimento 

segundo ponto fundamental é avançar na ideia de prosperidade sem crescimento. Ou seja, existem países que não precisam mais crescer significativamente em termos de matérias, em termos econômicos, no uso de energia, de recursos naturais, porque já têm populações estabilizadas, possuem boa infraestrutura. Então, eles têm de ir reformando as suas infraestruturas para torná-las mais sustentáveis. Através da “economia verde” esses países não precisam mais crescer no sentido tradicional; sua dinâmica econômica pode ser de contínua redução de emissões de carbono.

Os países de renda média têm de crescer ainda, porque são muito desiguais: parte da população tem um nível de vida, e outra tem outra. Mas esses países têm de crescer de um modo muito diferente de como cresciam no passado. Não pode ser um crescimento intensivo em carbono, tem de ser um crescimento baseado em novas tecnologias, em fontes de energias renováveis. Esse é o ponto-chave.

Os países pobres, em geral, enfrentam um problema muito grande de governabilidade, têm altíssima corrupção, muitos já estão falidos. Eles precisam de um grande apoio da comunidade internacional para construir governança.

IHU On-Line – A Rio+20 colocou mais luz ou mais sombra sobre a possibilidade de organização de uma governança ambiental global? 

Eduardo José Viola – A Rio+20 foi, de um lado a Conferência Intergovernamental e, de outro, a conferência paralela daCúpula dos Povos, incluindo os setores científico, empresarial e movimentos sociais. Eu participei de onze eventos paralelos durante duas semanas, do dia 8 de junho a 22 de junho. Havia pelo menos quatro mil eventos paralelos, tanto no Riocentro como em outros lugares do Rio de Janeiro, além da Cúpula dos Povos, no aterro do Flamengo.

Esses eventos mostraram uma vibração muito grande da sociedade em relação à consciência do problema ambiental, ao desapontamento da dinâmica governamental, e a tentativa de encontrar novos caminhos. Nesse sentido, essas conferências paralelas formaram forças reformistas internacionais, porque são praticamente transnacionais, atravessam todos os países. Mas até essas forças não se tornarem maioritárias, não mudarão a dinâmica intergovernamental, porque os governos, em grande medida, representam as suas sociedades. O atraso do governo representa o atraso da sociedade na compreensão e enfrentamento dos problemas. Quando falamos da sociedade civil, estamos falando de uma sociedade minoritária, militante, consciente, muito preocupada com o bem público. Mas isso não representa toda a sociedade e a população mundial.

Para responder em síntese a essa pergunta, a construção de governança global ficou mais longe, porque foi uma conferência inútil do ponto de vista intergovernamental, a qual pode gerar cinismo, o pior que pode acontecer. Há pessoas conscientes que já não acreditam mais em nada e se retiram da vida pública. Do ponto de vista não governamental, dos diversos segmentos não governamentais, essa conferência aumentou a capacidade de rede, a capacidade de empoderamento de todos esses setores e fez aumentar, mesmo que lentamente, as forças que são reformistas na direção de uma sociedade sustentável em escala global