quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Mudança de rumos

olhar jurídico
http://juridico.olhardireto.com.br/artigos/exibir.asp?artigo=Mudanca_de_rumos&id=242


Artigos

25/02/2013 - 08:36

Mudança de rumos

Autor: Paulo Lemos
Neste mês de fevereiro, por decisão da atual administração, em contraposição ao plano executado pela anterior, a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso passará a contar com doze novos defensores públicos, sendo que cinco deles estarão repondo vagas desocupadas, enquanto outros sete estarão expandindo o quadro da Instituição.

É muito gratificante verificar que toda a luta da sociedade civil organizada e os clamores das ruas em face da abrupta interrupção dos serviços da Instituição, em cerca de vinte comarcas e quarenta municípios do interior, não foram em vão.

Porém, a princípio, apenas dois núcleos serão reabertos com o ingresso dos doze novos defensores públicos, sendo, em tese, São Félix do Araguaia e Ribeirão Cascalheira. Isso porque, a maioria deles serão designados para núcleos em funcionamento, a fim de fortalecê-los e preencher o espaço que será aberto com a movimentação de alguns defensores públicos, em razão de processo promocional em andamento.

Assim, enquanto não houver a nomeação de mais defensores públicos para a reabertura dos núcleos do interior, provavelmente muitas pessoas continuarão sofrendo, idosos por não terem acesso à justiça para adquirir medicamentos ou para realizar cirurgias de emergência, crianças por não terem acesso à justiça para obterem pensão alimentícia, réus em ações judiciais diversas por não terem assegurado o direito de defesa, etc.

Contudo, não é só da quantidade que depende a promoção de mais e melhor justiça para todos, mas, também, da qualidade, ou seja, de para que, para quem e como os novos defensores públicos irão atuar.

A Instituição que os defensores públicos calouros, em conjunto com os veteranos, terão o desafio de fazer florescer, trata-se de uma Defensoria Pública que não só envide esforços para garantir a universalização do direito de acesso à justiça, pintando todo estado de justiça, como também saia em defesa dos demais direitos humanos; promova educação dos direitos fundamentais; faça opção preferencial pela conciliação, ao invés de pelo conflito judicial; maneje ações coletivas; participe da formulação de políticas públicas; etc. Também, ela não poderá abrir mão de interagir e agir em conjunto com a cidadania, fomentando mecanismos de participação popular e respeitando os direitos dos usuários.

Porquanto, é de fundamental importância que os novos defensores públicos façam de sua nobre missão, de prestar assistência jurídica plena e gratuita a todos os desafortunados, um projeto de emancipação, redenção e transformação da sociedade contemporânea. Tendo como norte o amor ao próximo e investindo pesado na revolução cultural do sistema de justiça, ao revés de se preocuparem mais com interesses próprios e/ou de promoverem um assistencialismo obsoleto, que nada mais faça do que, respectivamente, forjar o espírito corporativista e retroalimentar o status quo de injustiça social de então.

Por fim, parabéns aos novos defensores públicos! Sejam muito bem-vindos na Instituição.



Paulo Lemos – Ouvidor-Geral da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso

Blairo Maggi é o novo presidente da Comissão de Meio Ambiente

eco
http://www.oeco.com.br/salada-verde/26935-blairo-maggi-e-o-novo-presidente-da-comissao-de-meio-ambiente

Fernando Collor cumprimenta o atual presidente, Blairo Maggi e é observado pelo senador Eduardo Amorim (PSC-SE), que tomou posse hoje como vice-presidente. Foto: José Cruz/Agência Senado.
Foi sem surpresas, para quem acompanha o Congresso, que o senador Blairo Maggi (PT-MT) assumiu a presidência da Comissão Permanente de Meio Ambiente, Fiscalização e Controle no Senado. O nome dele já estava cotado para o cargo desde antes da eleição que levou Renan Calheiros à presidência do Senado.

A negociação pelos cargos de presidentes de comissões aconteceu em troca de votos para Renan Calheiros (PMDB-AL). Os cargos são ocupados proporcionalmente, de acordo com o tamanho da bancada e um acordo foi costurado. O senador Eduardo Amorim (PSC-SE), assumiu o cargo de vice-presidente na Comissão de Meio Ambiente.

Em discurso, ao tomar posse hoje, Maggi rebateu críticas de senadores ligados ao meio ambiente, afirmando que sua atuação como produtor rural e as medidas que adotou para preservação ambiental em seu estado, quando governador, o credenciaram para assumir a comissão.

“Muitos podem achar que esse não é um lugar para mim, mas posso dizer com toda tranquilidade, conheço bem, sei o que os ambientalistas querem, sei o que os setores produtivos querem e desejam e nós saberemos levar ao bom termo a discussão correta, tranquila e democrática. (...) Sei o desafio que tenho pela frente, mas também já trilhei, já fiz e sei como fazer as coisas acontecerem daqui pra frente”, discursou o nove presidente.

Já se sabia desde janeiro que o nome do senador estava para comandar a Comissão de Meio Ambiente, que antes era presidida pelo senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), assim como de outros senadores que assumiram hoje cargos à frente de outras comissões.

Conhecido como rei da soja e ganhador do troféu Motosserra de Ouro do Greenpeace, em 2005, Maggi foi governador de Mato Grosso e, durante seu mandato (2003-2010), foi considerado um inimigo dos ambientalistas, por que foi apelidado de "estuprador de florestas", mas conseguiu sair da posição destruidor de floresta ao adotar uma série de uma série de medidas para conter o desmatamento em Mato Grosso.

Uma dessas medidas foi a adoção da a moratória da soja, da carne e entre outras medidas. As estratégias usadas para melhorar sua imagem, após inúmeros escândalos ambientais, foram tema de reportagem publicada aqui em ((o)) eco assinada pela repórter Andreia Fanzeres.

Além da Comissão de Meio Ambiente, foram definidos os presidentes de mais 5 comissões.




GUARANI-KAIOWÁ: Organizações de direitos humanos visitam acampamento Guarani no MS e lançam carta de solidariedade

dhesca
http://www.dhescbrasil.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=770:organizacoes-visitam-acampamento-guarani-ms&catid=69:antiga-rok-stories


GUARANI-KAIOWÁ: Organizações de direitos humanos visitam acampamento Guarani no MS e lançam carta de solidariedade

A Plataforma Dhesca Brasil também acompanhou a visita, que colheu informações sobre o assassinato de jovem indígena
Organizações internacionais de Direitos Humanos visitaram na manhã de ontem (27) o acampamento Guarani Kaiowá em Caarapó (MS), onde foi assassinado o indígena Denilson Barbosa, de 15 anos. Durante a visita foi lançada uma carta de solidariedade aos povos indígenas do Estado.
Na carta, mais de 80 organizações declaram apoio incondicional à defesa da posse das terras tradicionais pelos povos indígenas, exigindo que o governo demarque as terras e garante o acesso das comunidades aos recursos naturais.

A comitiva foi composta pela Anistia Internacional, Justiça Global, Plataforma Dhesca Brasil, FIAN Brasil, Sesi, Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e Comissão Pastoral da Terra (CPT) e acompanhada de lideranças indígenas Kadiwéu, do Conselho Terena, do Conselho Continental da Nação Guarani e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).

À tarde, o grupo seguiu para o acampamento Guarani Kaiowá Apika'y, na BR-
463, a 7 quilômetros do centro de Dourados. Há 14 anos, a família de Damiana vive na beira da estrada, impossibilitada pela Justiça Federal de ocupar o território onde tradicionalmente viveram ela e seus antepassados. Na conta do acampamento, Damiana viu falecer, mortos por atropelamento ou envenenados por agrotóxicos usados nas lavouras do entorno do acampamento.
Caso Denílson

O objetivo da visita foi colher informações 
in loco sobre os últimos desdobramentos relacionados à morte do jovem indígena e da retomada da fazenda, reivindicada como Tekoha - território sagrado - Pindoroky, e também declarar a solidariedade das diversas entidades aos Guarani e Kaiowá.
O documento irá denunciar, em nível internacional, a execução do jovem Kaiowá pelo proprietário da fazenda no último dia 17, convocando governo e sociedade civil a defenderem, de maneira intransigente, o "direito à vida, à integridade física e mental, da liberdade e da segurança
 dos povos indígenas do Mato Grosso do Sul". Para as entidades, o crime e a realidade em que vivem os indígenas do estado representa uma situação de permanente violação dos direitos humanos, e de flagrante descumprimento da Constituição Federal e dos tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Convenção Americana de Direitos Humanos. "total desrespeito às regras mínimas sobre os direitos indígenas estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) na Declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas”.
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Com informações do CIMI.
28.02.2013

Planejamento urbano e o direito a vida: Algumas provocações para o debate

adital
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&lang=PT&cod=73838

7.02.13 - Mundo
Planejamento urbano e o direito a vida: Algumas provocações para o debate
 
Sérgio Botton Barcellos
Pesquisador e doutorando no CPDA/UFRRJ. Assessor voluntário de movimentos sociais
Adital

Foto: observatoriodasmetropoles.net

O debate sobre o planejamento urbano no Brasil e a questão dos planos diretores ao longo e a relação com a gestão das cidades configura-se como uma das expressões do ciclo capitalista em relação a questões políticas, econômicas e socioambientais. No atual momento histórico e de desenvolvimento do capitalismo no Brasil, o debate sobre planejamento urbano e dos planos diretores está presente em muitas capitais estaduais e regiões metropolitanas, em grande medida, devido muitas sediarem jogos da copa do mundo em 2014 e pelo conjunto de obras sendo feitas para atender as exigências da FIFA(1).
Outra questão que está chamando a atenção no debate público sobre planejamento urbano é em relação à mobilidade e o trânsito nas cidades, devido às ruas e rodovias estarem a cada dia que passa com mais e mais automóveis, com uma persistente condição de precariedade do transporte público, pela insuficiência de veículos coletivos, pelos preços altos das tarifas, trajetos em condições consideradas inadequadas e a falta de estímulo para políticas públicas efetivas nesse tema.
Além desses dois aspectos que são temas correntes de debate em muitas cidades do Brasil, há o debate socioambiental motivado sazonalmente em diferentes regiões do Brasil devido, por exemplo, as enchentes no Rio de Janeiro e São Paulo e pela falta de abastecimento de água nas cidades do semiárido com as secas.
No caso do Rio de Janeiro, no início do ano fortes chuvas, enchentes, deslizamentos de encostas e morros com perdas materiais e de vidas são recorrentes. As cidades mais afetadas nos recentes anos estão localizadas na Região Serrana do estado com cerca de 35 mil pessoas desalojadas e centenas de vítimas fatais entre 2010 até esse ano, sendo que em 31 municípios do estado estima-se a possibilidade do deslizamento de 7.383 casas que estão construídas em locais considerados de risco.
No semiárido nordestino o estado com cidades mais acometidas pela falta de água é a Bahia com cerca de 260 municípios atingidos. Municípios de Alagoas e Piauí também estão, há meses, sem chuvas. Segundo dados divulgados periodicamente pelo Ministério da Agricultura (MAPA), 08 municípios da Zona da Mata em Pernambuco estão em situação de emergência devido à estiagem. No Maranhão, a estiagem chegou a municípios do litoral, como o de Barreirinhas nos Lençóis Maranhenses. No Norte de Minas Gerais, 125 municípios estão em situação de emergência devido à seca, inclusive com a seca de barragens.
Diante desse contexto, cabe considerar que se vivencia um momento de expansão e maior disponibilidade de subsídios públicos ao crédito para a produção habitacional no país, associado ao crescimento quantitativo da economia, o que têm estimulado um dos maiores ciclos de crescimento e especulação no ramo do setor imobiliário. Com esse crescimento, estima-se que cerca de 27 milhões de moradias terão que ser construídas no Brasil até 2023. O déficit atual requer a produção de 7,5 milhões de habitações.
A Região Sudeste, a mais populosa do Brasil, concentra 36,9% do total do déficit habitacional do País, seguida pela Região Nordeste com o segundo maior déficit com 35,1% do total. Comparada às demais regiões, a Região Norte apresenta o maior percentual em termos relativos, o déficit de 557 mil unidades habitacionais corresponde a 13,9% dos domicílios da região. Considera-se que 88% da concentração de favelas, sem as condições adequadas e necessárias para a uma vida digna ocorreram, estão nas regiões metropolitanas do Brasil. Apenas nas cidades e regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belém estão reunidas 44% da população que vivem em favelas no Brasil.
Dentre tantos aspectos que podem ser mencionados, quando se pensa planejamento urbano é o política para abertura de estabelecimentos comerciais e as condições necessárias para a sua manutenção, no qual não pode-se desconsiderar nisso a questão das relações políticas e econômicas entre os órgãos públicos, governantes e a iniciativa privada. Esse debate veio com força na arena pública recentemente motivada pelo trágico incêndio em uma Boate na cidade de Santa Maria – RS, que estava aberta em situação irregular e sem as condições adequadas de segurança, no qual 249 jovens foram mortos (as) e com centenas de feridos (as) em estado grave.
São muitos elementos que compõem o conjunto de debates relativos ao Planejamento urbano, contudo percebe-se que muitos precisam ser desnaturalizados e pensados além de medidas paliativas e soluções de curto prazo para situações imediatas. A necessidade de elaborar um planejamento de Estado de longo prazo para a questão urbana e das cidades configura-se como uma das prioridades para o desenvolvimento sustentável do país associado aos debates da reforma agrária, da desigualdade social, do direito as cidades e ao seu território. Junto a isso parece ser necessário debater em sociedade a grande mudança geracional e demográfica com o envelhecimento da população nos próximos 20 a 30 anos, o que vai influenciar diretamente na dinâmica espacial de mobilidade, a acessibilidade a serviços e as políticas de assistência social em todo Brasil.
Algumas dessas questões e temas, no tão vasto debate sobre planejamento urbano não estão contidos na agenda de Estado e da grande maioria dos governos, bem como da nossa grande mídia conservadora. A renúncia e a omissão em realizar uma discussão ampla e aberta, junto com a sociedade, sobre o planejamento urbano no Brasil e o impacto dos grandes eventos, está sendo gerido pelo próprio Estado no Brasil, ao que tudo indica, e a favor de interesses dos grupos privados que almejam lucrar e especular nos espaços urbanos nesse atual estágio do capitalismo no mundo.
Participação política e a questão do planejamento urbano e da desigualdade social
"a escravidão/a cidade esquece/purga e cala”Suíte Senzala - Serraria & Redenção
Cabe resgatar que o processo histórico de urbanização brasileiro apoiou-se em larga escala no processo de êxodo rural a partir de uma estrutura fundiária concentradora, tanto na cidade, como no meio rural e com a concentração da maioria da população em áreas e regiões consideradas desprestigiadas e sem infraestrutura. Atualmente, mesmo com o Estatuto da Cidade, os Planos Diretores e a criação do Ministério das Cidades, bem como a aprovação da Política Nacional de Habitação - PNH(2), em 2004, que propôs uma suposta concepção de ampliação e integração das questões de desenvolvimento urbano nas cidades, a falta de planejamento urbano, ou, aliás, a existência de um planejamento que não contempla em linhas gerais a maioria da sua população. A criação de aparatos normativos, institucionais e políticas púbicas, diante desse modelo de urbanidade, parece estar distante de que possa vir a ser um projeto de desenvolvimento urbano e comunitário para as cidades com direito a vida e a participação política concreta do conjunto da sociedade.
Percebe-se que esse modelo urbano no Brasil beneficia poucos segmentos da sociedade e não está sendo capaz de prover as condições adequadas e necessárias de renda, moradia, mobilidade e saneamento para uma grande parcela da população brasileira que está situada em sua maioria à margem dos mercados de habitação, infraestrutura e produtos de bens e consumo. Com este modelo vigente, há uma tendência em configurar-se no concreto e simbolicamente a privatização das cidades, com o gerenciamento do Estado, por meio das suas prefeituras, juntamente com as alianças de poder político e econômico, e a manutenção desse status quo social. No espaço urbano a questão da desigualdade social pode ser analisada, por exemplo, de forma mais evidente desde a própria paisagem urbana, que expressa e permite visualizar a divisão social do trabalho e da renda no território urbano. Este tipo de ação ocorrida em várias cidades europeias, por exemplo, é conhecido como "gentrificação” que grosso modo pode ser entendida como a elitização de determinadas localidades a partir da expulsão dos moradores de menor renda residentes anteriormente.
O Estado medeia à negociação entre o capital e o trabalho (a concertação social) e transforma os recursos financeiros que lhe advêm da tributação, contudo percebe-se um alto grau de intervencionismo estatal na produção de bens e serviços junto à iniciativa privada e as corporações financeiras que almejam lucrar com os eventos e no mercado imobiliário, os quais empregam milhares de trabalhadores, e com isso passam a direcionar o sentido de demandas como: formação profissional, aeroportos e portos, autoestradas, telecomunicações, etc..
Nas sociedades tidas como modernas e formalmente "democráticas”, conforme expôs em recenteentrevista o sociólogo Jessé de Souza, a dominação social objetiva tende a perpetuar privilégios e criar falsas questões, como o fato do ser e estar classe média(3). Com isso, questões consideradas fundamentais não vêm à tona, como em temas sobre renda, capacidade de consumo e o loteamento territorial do uso e posse dos espaços urbanos, bem como demais temas relativos aos rumos políticos e econômicos das cidades.
Existem versões diferentes de planejamento estratégico sobre o espaço urbano, no entanto, elas têm em comum em muitas cidades a preponderância em atender as demandas vinculadas a rede de alianças aos setores empresariais e a iniciativa privada de forma acrítica e com um discurso ideológico em prol da particularização e privatização de espaços e com a retórica de que essas ações irão gerar benefícios ao conjunto da sociedade e das comunidades com a geração efetiva de empregos, melhoria de infraestrutura urbana e a maior circulação de riquezas.
No que tange a diversidade dos grupos sociais, como os de identidade geracional, de expressão cultural, étnica, política, sexual, socioambiental dentre outros, as desigualdades sociais com e para esses grupos podem estar na gênese dos processos de estigmatização, preconceito e segregação social, econômica e cultural do território urbano. A expressão disso pode ser visualizada, por exemplo, em uma suposta crença de que a maioria das pessoas nesses diversos grupos sociais pode morar, acessar serviços e estabelecimentos em quaisquer condições, sejam elas precárias e que exponham as pessoas há constante risco de vida.
Algumas das expressões sociais relativas ao quadro social exposto estão associadas a fatores como a expansão, diversificação e sofisticação da violência delitual nas grandes cidades contra grupos étnicos, geracionais e de expressão sexual (homofobia), a criminalização da pobreza e criação de antagonismos entre grupos sociais, em especial pela contradição gerada pela cultura consumista em meio à restrição das oportunidades de inserção social e ao mercado de trabalho. Exemplo disso são as e os jovens no Brasil, os quais são as principais vítimas da violência urbana, pois são alvos prediletos dos homicidas e dos excessos policiais, em destaque os jovens negros que tambémlideram estatísticas, como, sendo o grupo social que recebe os salários mais baixos do mercado, do maior contingente de desempregados e dos que têm maior defasagem escolar.
Com a elaboração dos planos diretores de planejamento urbano, o discurso da "higienização” e criminalização da pobreza se tornou cada vez mais hegemônico, todavia, com o processo histórico de urbanização e a persistente desigualdade social, sugiram diversos movimentos urbanos como oMovimento Nacional de Luta pela Moradia – MNLMMovimento dos Trabalhadores Desempregados - MTD, dentre outros tantos passaram a contestar esse discurso, seja questionando os setores imobiliários, o sistema viário e de transportes. A resposta dessas contestações por parte da classe dominante é a adaptação do seu discurso a essa realidade, com os discursos do planejamento integrado ou dos superplanos de urbanização. Essa tendência do progresso econômico global pode ser visualizada no recente relatório lançado pela ONU chamado de "Planejando, Conectando e Financiando Agora: O que as Lideranças Urbanas Precisam Saber”.
É perceptível que há dinheiro público e o Estado poderia ter governo sobre ele, bem como as prefeituras municipais poderiam formar as contrapartidas logísticas e políticas para sanar as questões habitacionais e a reordenação dos espaços nas cidades, para não reproduzir desigualdades sociais e situações de calamidade pública, como os constantes deslizamentos de encostas e o povo sem água para consumo. Também parece ser necessário realizar debates públicos nas cidades sobre a abertura e a manutenção da oferta de serviços em estabelecimentos públicos e privados em diversas áreas, como educação, saúde, lazer e esportes, por exemplo, para que essa decisão não fique entregue ao gerenciamento do mercado imobiliário, aos grupos econômicos e políticos aliados aos interesses dos grupos partidários que compõem os governos municipais.
Demonstrativo disso, isto é, das fragilidades da participação política e do acompanhamento da sociedade na gestão dos governos municipais e do poder público, por meio dos Conselhos e outros espaços, é o caso do incêndio na Boate em Santa Maria, no qual a investigação do caso e a elucidação dos fatos, por meio de uma CPI, se encontra em constante ameaça na Câmara de Vereadores, devido os arranjos de poder local e a pressão do atual governo municipalque também poderá ser responsabilizado pelo incidente.
Percebe-se que a cada dia que passa se está sob uma encruzilhada em relação a gestão das cidades, que é a de entre coletivizar o poder sobre a cidade ou terceirizar sua gestão à lógica imobiliária e a especulação econômica desenfreada. Mesmo que de forma bem limitada, a partir de alguns elementos expostos nessa provocação, à realização de debates junto com a sociedade urgem e necessitam ser feitos o quanto antes em relação a questões imediatas, como: equidade social no território urbano, mobilidade, acessibilidade e assistência social para o conjunto da população, o retorno social e as decisões sobre destinação orçamentária, prioridades eleitas e projetos previstos para as cidades e o impacto dos megaeventos como Copa do Mundo.
Notas:
(1)Lembrando que cerca de 170 mil famílias estão ameaçadas de despejo e já ocorreu a remoção de mais de 8 mil famílias, afetando diretamente 24 comunidades em todo o país.
(2) A Política Nacional de Habitação é viabilizada por meio do Sistema Nacional da Habitação, pelo Plano Nacional da Habitação – PLANAB e pela regulamentação do Estatuto das Cidades. Os programas do Sistema de Habitação de Interesse Social contemplam ações de urbanização de favelas, realocação de famílias em áreas de risco, alagados, cortiços, etc..
(3) Estar na classe média em um espaço urbano parece ser um debate que vai além de ter capacidade de consumo de eletroeletrônicos, ter um carro e moto ou ter um local para morar, pois inclusive não é garantidor de bem-estar social, basta olharmos o exemplo da Europa que viveu processo socioeconômico semelhante ao nosso atual, alguns anos atrás e atualmente, atravessa uma severa crise social.

Número crescente de concessões ao capital é a resposta do governo à crise

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Número crescente de concessões ao capital é a resposta do governo à crise

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ESCRITO POR OSWALDO COGGIOLA   
QUARTA, 27 DE FEVEREIRO DE 2013


No início do ano pré-eleitoral (na verdade, já eleitoral) de 2013, todos os índices da economia brasileira apontam para a estagnação e o recuo. À queda, já anunciada, do PIB, veio somar-se agora o recuo industrial (o primeiro em uma década), o retrocesso do investimento por cinco trimestres consecutivos, o aumento do desemprego, que já afetava o setor industrial e agora se transmitiu para o setor comercial (sinalizando o fim do boom do consumo que foi a marca econômica e política do governo petista), o aumento da inflação (que teria superado 1% em dezembro passado, isto é, mais de 15% anual, se não mediasse a queda parcial das tarifas de energia - que irá reduzir em 28% o custo dos grandes consumidores e em 16% o dos pequenos e médios consumidores - e o adiamento dos reajustes de tarifa nos transportes), a queda do lucro bancário privado (- 5,3%) e o aumento (30% em média) das provisões contra calotes do setor financeiro, que lucrou R$ 27, 7 bilhões, com um total de... R$ 52 bilhões previstos para devedores duvidosos e inadimplentes. A Bolsa de Valores de São Paulo anunciou no início de 2012 que 45 companhias fariam ofertas públicas iniciais de cotização de ações (só três delas o fizeram). Em suma, um cenário de crise e recessão. O “remédio” do governo é a mesmice aumentada, ou mais e ainda mais do mesmo.

O setor de ponta da saúde pública brasileira, os hospitais universitários, por exemplo, estão sendo “assediados”, mediante “terrorismo social” (termos usados pelo procurador federal do Ministério Público do Trabalho) para ceder sua gestão ao setor privado mediante a Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares). O governo Dilma afrouxou todas as condições para a privatização (leilão) de 7500 quilômetros de rodovias, em nove lotes, aumentando de 6% para 14,6% a taxa de retorno garantido para as empresas participantes. Com esse presentão para o grande capital, pretende-se manter o programa de investimentos de R$ 250 bilhões em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Sem falar em que o governo está hipotecando todas as reservas do pré-sal, como já foi feito pelo governo Lula, que entregou uma grande parte do pré-sal para a empresa OGX (Eike Batista).

Com a renovação das concessões de geração, transmissão e distribuição de energia, o governo pretende hipotecar o patrimônio público para reduzir a tarifa média de energia. Uma vez vencidas as concessões, elas deveriam ser integradas ao patrimônio público. A MP (decreto) 579 é uma tentativa do governo para utilizar aproximadamente 22 mil megawatts de usinas hidrelétricas e 80 mil quilômetros de vias de transmissão para tentar fornecer essa energia só pelo custo de operação e manutenção e, com isso, tentar reduzir a média tarifária, que sempre beneficiou os maiores consumidores. O governo diminuiu a tarifa média, só que quem mais consome energia no Brasil é o grande capital (industrial, comercial, agrário, financeiro). Qualquer benefício linear beneficia só os mais ricos e deixa de fora 2,5 milhões de pessoas que ainda não têm acesso à energia. 1.500 consumidores consomem aproximadamente 28% de toda a eletricidade brasileira, e eles compram energia a um preço aviltado, porque pagam apenas 20% do custo da energia, de não menos de cem reais o megawatt-hora (MWh). Esses consumidores pagam cerca de R$ 20 por MWh. E os apagões são cada vez mais frequentes, pois, sem recursos, a manutenção é pífia.

O governo, além disso, criou uma fonte de recursos públicos para os bancos privados financiarem investimentos de médio e longo prazo, principalmente os destinados a bancar os programas de concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Os bancos privados deverão pagar ao governo pelo acesso aos recursos uma correção baseada na TJLP (taxa de juros de longo prazo), hoje de 5% ao ano, muito abaixo da taxa “de mercado”. O formato da medida “atende pedido dos bancos privados”, anunciou o governo. Na prática, ele está acabando com a intermediação do BNDES. O banco público recebia dinheiro do Tesouro e o repassava a bancos privados, cobrando uma taxa. Agora, os bancos terão acesso direto aos recursos. A nova fonte de água benta vai se somar aos R$ 15 bilhões de depósitos compulsórios que o BC já havia liberado para financiar investimentos. As instituições financeiras privadas poderão formar consórcios para ter acesso ao fundo de recursos públicos.

Os economistas “neoliberais” (tucanos ou não), escrachados durante uma década, celebram por isso aos brados a conversão do governo ao “credo (violento) do mercado”, na verdade o credo do subsídio público ao grande capital. “O governo saiu de seu labirinto”, anunciou o inefável economista tucano Mendonça de Barros, pois “passou a depender do capital privado para superar as limitações ao crescimento” (capital privado que, por sua vez, depende dos créditos públicos e do saque ao Estado mediante a especulação com títulos públicos). O governo federal já destinou dois terços dos recursos gastos em 2013 para juros e amortizações da dívida: apenas nos primeiros 35 dias de 2013 já foram gastos nada menos que R$ 145 bilhões com juros e amortizações da dívida, valor equivalente ao dobro dos recursos previstos para educação em todo o ano de 2013. Para 2013, estão previstos R$ 900 bilhões para a dívida pública, 20% a mais do que os R$ 753 bilhões gastos com a dívida no ano passado. Isto mostra que, apesar da propaganda oficial sobre a queda da taxa de juros, a dívida pública continua no centro da crise nacional. A parte do orçamento federal destinada para pagamento de juros e amortizações da dívida cresceu de 36,7% para 45,05%.

No Código Florestal, a expectativa do “veta tudo Dilma” não se concretizou, e o governo tem demonstrado que seu projeto não se restringe a uma ou outra área. Trata-se de um projeto global em favor do grande capital, adequando às formas de organização do Estado à crise. Aí se encaixa o projeto de Código Nacional de Ciência Tecnologia e Inovação, que teve a “contribuição” de fundações privadas de todo o país, há décadas empenhadas na privatização no interior das instituições públicas. Para pagar a dívida pública, houve nos dois últimos anos cortes no orçamento de 50 e 55 bilhões de reais, que, somente entre os anos 2010 e 2011, fizeram cair 16,2% o orçamento para ciência e tecnologia. Agora, para “remediar”, não só será permitida a transferência direta de recursos públicos para o setor privado, como se ampliará a possibilidade de as instituições públicas – as universidades, responsáveis por mais de 90% da produção científica do país – compartilharem seus laboratórios, equipamentos, materiais e instalações com empresas privadas, inclusive transnacionais. O Código permitirá ainda o acesso à biodiversidade pelos monopólios privados. Será permitido, sem autorização prévia, o acesso ao patrimônio genético e de conhecimento tradicional para fins de pesquisa. E também a extração do patrimônio para fins de produção e comercialização.Uma política de entrega nacional total.

A crise econômica não tem ainda reflexos políticos decisivos. Lula, finalmente, lançou a candidatura de Dilma Roussef à reeleição. As sondagens provisórias a situam em torno de 55% das intenções de voto, com pouco mais de 10% para o tucano Aécio Neves, e percentuais semelhantes para a oportunista Marina Silva (que está leiloando sua candidatura para alguma sigla ou coalizão; a ex-senadora e ministra foi recebida com gritos de “Brasil, urgente, Marina presidente” ao entrar em um teatro lotado na Vila Madalena) e para Eduardo Campos (PSB), até a data, no entanto, integrante da base aliada do governo. Ou seja, teríamos uma nova eleição plebiscitária, onde só estariam realmente em disputa alguns governos estaduais, São Paulo em primeiríssimo lugar (haveria cinco pré-candidaturas petistas, incluída a de Guido Mantega: a eleição de SP seria mais importante que a nacional...). As especulações eleitorais, a mais de um ano e meio de distância do pleito, vão com sede demais ao pote.

E não só por causa do cenário econômico de crise, nacional e internacional, mas também por causa da luta de classes, e da crise política. Uma plenária para organizar a luta pela negociação e contração coletiva no serviço público e em defesa do direito de greve no funcionalismo reuniu a 19 de fevereiro diversas entidades dos servidores públicos dos três entes federativos na Câmara dos Deputados. O evento contou com a presença de cerca de 600 participantes, das mais diversas categorias do serviço público. Teria sido melhor realizá-la num local sindical, num centro da luta de classes, mas algo foi feito. Os sindicatos portuários, vinculados à Força Sindical (que anunciou sua ruptura com o governo) e à Federação Portuária (CUT), por sua vez, anunciaram medidas de luta contra a privatização dos portos (que implicará em milhares de demissões). É claro que essas burocracias apenas ameaçam (para negociar alguma coisa), mas viram-se obrigados a abrir uma fresta por onde pode ser proposta e agitada uma política classista (não à privatização, garantia e estabilidade no emprego, reajustes salariais).

A crise do mensalão ainda não acabou, e vai marcar as composições eleitorais. Como disse candidamente Wladimir Pomar (ideólogo da “esquerda” do PT), o STF “aceitou a tese do mensalão, sem qualquer consistência objetiva, pois, se houvesse, teria que ter julgado a maior parte da Câmara dos Deputados”. Tal e qual. Genoíno e Zé Dirceu, para ele, “cometem um erro crasso ao pretenderem estabelecer uma relação das ações de repúdio aos procedimentos e às decisões do STF com o apoio e sustentação do governo da presidente Dilma, e com a luta pelas reformas política e tributária. E praticam um erro maior ainda ao pretenderem fazer com que o PT assuma, neste momento, como sua tarefa mais importante, a luta pela anulação das condenações. Esquecem que isto incluiria absolver também o escroque [Marcos Valério] que praticou inúmeros delitos comprováveis e colocar o PT no banco dos réus... Os filiados atingidos pela ação penal 470 não podem transformar sua situaçãonuma síndrome partidária”. Xadrez para eles, portanto, para salvar o restante da Câmara dos Deputados e o PT, ou seja, a quadrilha toda.

A esquerda classista está metida no meio das mesquinhas especulações eleitorais, nas quais é só marginal. Uma política eleitoral classista, no entanto, só pode ser o resultado final (e secundário) de uma vigorosa política de frente única de classe para organizar as lutas em curso, e também as lutas potenciais (pelo salário, pelo emprego, pelo direito à organização) suscitadas pela crise do capital. Só assim a crise política dos “de cima” poderia ser aproveitada politicamente pelos “de baixo”. A primeira condição é superar o sectarismo autorreferente e autoproclamado com uma política de luta, de unidade e de independência de classe.

Osvaldo Coggiola, historiador e economista, é professor do departamento de História da USP.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

México estima que 26 mil desapareceram desde 2006

bbc news
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/02/130227_mexico_desaparecimento_dg.shtml


México estima que 26 mil desapareceram desde 2006

Atualizado em  27 de fevereiro, 2013 - 07:26 (Brasília) 10:26 GMT
Muitos dos sumiços no México são relacionados ao narcotráfico
O governo mexicano estima que 26.122 pessoas desapareceram durante dezembro de 2006 a novembro de 2012, durante o governo do presidente anterior, Felipe Calderón.
A estimativa, divulgada pela secretária de direitos humanos do ministério do Interior, Lia Limon, é muito maior que do que as anteriores feitas pelo governo. A lista inclui mais de 20 mil investigações oficiais em andamento e outros 5.206 casos que ainda estão pendentes.
Na semana passada, a ONG Human Rights Watch disse ter encontrado provas de "desaparecimento envolvendo agentes do Estado".
O grupo diz que 250 desaparecimentos ocorridos durante o governo anterior, do então presidente Felipe Calderón, ocorreram com envolvimento de membros de forças de segurança que estariam ligadas a carteis de drogas.
Ex-integrantes do governo Calderón contestam os novos números divulgados esta semana pelo governo do presidente Enrique Peña Nieto, chegou ao poder em dezembro de 2012.
De acordo com eles, apenas 5 mil pessoas estariam desaparecidas.
Limon disse que a nova lista é apenas "um ponto de partida". "A base de dados será sintonizada pelo governo e pelos serviços de promotoria locais para determinar quais casos são relacionados a crime, e quais são por motivo de imigração, mudança, desastres naturais, entre outros", disse ela.
A lista é de pessoas que sumiram entre os dias 1º de dezembro de 2006 e 30 de novembro de 2012.
Em muitos casos, os desaparecidos são simplesmente pessoas que imigraram para os Estados Unidos sem contar à família. Outros teriam fugido devido à violência relacionada ao narcotráfico.
Algumas estimativas chegam a dizer que 70 mil pessoas morreram no país nos últimos seis anos, período marcado pela violência ligada ao tráfico de drogas.
Milhares de soldados foram enviados para patrulhar as ruas, mas o número de vítimas continuou subindo.
Uma das principais bandeiras de Enrique Peña Nieto na campanha presidencial foi a criação de uma nova força policial federal para reduzir o número de mortes.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Existe cultura do trabalho escravo?

centro burnier
http://centroburnier.com.br/wordpress/?p=4302


Existe cultura do trabalho escravo?

Por Inácio José Werner
Observando a ideia de cultura a partir da sociologia, compreendemos que é o resultado da convivência humana e abrange os costumes, idéias, leis e conhecimento, fruto da convivência social.
Também percebemos que existem diversas formas de expressá-la ou manipulá-la. No seminário “De olho aberto contra o Trabalho Escravo”, realizado em São Félix do Araguaia no início do  mês de fevereiro de 2013, fui interrogado enquanto debatedor sobre qual a minha opinião a respeito de o trabalho escravo ser uma questão cultural. Tentei separar cultura, enquanto aspecto positivo, e os argumentos apresentados pelos latifundiários do agronegócio, para justificar a prática do trabalho escravo, e lá exemplifiquei como o estado de Mato Grosso é dúbio diante do assunto.
Essa dubiedade manifesta-se nos recentes acontecimentos. A carta do Fórum de Direitos Humanos e da Terra Mato Grosso, pedindo a exoneração da secretária de Cultura, Janete Riva, pelo fato do nome dela constar na lista suja do trabalho escravo. E a decisão de Dom Pedro Casaldáliga, Bispo Emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, de retirar o nome do Prêmio Nacional de Jornalismo da Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo (COETRAE-MT), também para reagir contra a nomeação da secretária de Cultura. Com o Prêmio, o Governo e a COETRAE-MT querem homenagear quem divulga e combate trabalho escravo, mas o Governo, ao mesmo tempo, nomeia uma secretária, que representa as velhas práticas no campo.
Cabe aí uma reflexão no seguinte sentido: como cultura é algo a ser preservado, “cultivado”, em qual cultura o Governo aposta?
Esperamos que não seja a cultura de “por a raposa para cuidar do galinheiro”.
Inácio Werner é sociólogo do Centro Burnier Fé e Justiça, Coordenador do Fórum de Diretos Humanos e da Terra Mato Grosso e vice- Presidente da COETRAE-MT

clipping de bete flores



Pessoal, 

socializo algumas matérias sobre o pedido de Pedro de retirada do seu nome do prêmio da COETRAE:

http://reporterbrasil.org.br/2013/02/casaldaliga-pede-exclusao-de-seu-nome-de-premio/

http://www.midianews.com.br/conteudo.php?sid=1&cid=151205








ABRAÇOS,

Bete 
Campanha de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo
Comissão Pastoral da Terra - CPT MT

Skype: betecptmt65-9927-6559
66-9626-5069