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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Quilombolas do Maranhão bloqueiam ferrovia da Vale

repórter br
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Quilombolas do Maranhão bloqueiam ferrovia da Vale

Trabalhadores de 35 comunidades negras do estado exigem do governo federal medidas que garantam o direito sobre seus territórios e criticam duplicação da estrada de ferro
Por Igor Ojeda | Categoria(s): Notícias
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Trabalhadores rurais de 35 comunidades quilombolas do Maranhão ocupam desde terça-feira, 23, a Estrada de Ferro Carajás, operada pela mineradora Vale. De acordo com informações de Diogo Cabral, advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que acompanha o protesto, o bloqueio é feito por cerca de 500 pessoas na altura do quilombo de Santa Rosa dos Pretos, no município de Itapecuru-Mirim. Os manifestantes exigem do governo federal uma série de medidas que garantam o direito dos quilombolas maranhenses a seus territórios. Além disso, questionam o processo de consulta em relação à duplicação da ferrovia – eles pedem transparência e respeito à autonomia das comunidades. (Veja aqui a pauta de reivindicações enviada ao governo federal)
Com o bloqueio, os trens de carga e de passageiros da Vale estão impedidos de seguir viagem, paralisando o embarque de minérios no porto de Ponta da Madeira, na capital São Luís, de onde seriam exportados. À Repórter Brasil, a empresa confirmou a informação de que ingressará com ação de reintegração de posse contra as famílias.
As operações de transporte de carga e de passageiros da ferrovia está paralisada. Foto: CPT-Divulgação
As operações de transporte de carga e de passageiros da ferrovia está paralisada. Foto: CPT/Divulgação
Na pauta de reivindicações enviada ao governo federal, os manifestantes dizem estar em curso “um processo de extermínio” contra as comunidades negras do Maranhão. “Diversos foram os despejos de comunidades quilombolas, bem como o assassinato de suas lideranças. Ademais, grandes projetos agropecuários e da mineração atingem violentamente comunidades quilombolas. Mais recentemente, um trabalhador rural quilombola foi atropelado pelo trem da Vale, no quilombo Jaibara dos Nogueiras, em Itapecuru-Mirim. Na comunidade de Mata de São Benedito, a empresa Florestas Brasileira polui o único açude da comunidade, despejando resíduos industriais no mesmo.”
O documento critica também o Poder Judiciário maranhense, o “sucateamento” do Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) – órgãos estadual e federal responsáveis pela reforma agrária no estado –, e a “omissão” e “falta de comprometimento” dos governos estadual e federal “com as normas constitucionais que determinam a titulação das terras ocupadas por comunidades quilombolas”.
Em nota, a mineradora diz que o protesto não está direcionado a ela. “A Vale ratifica sua intenção de manter o canal de comunicação aberto com as comunidades, contudo acredita que qualquer ato público ou manifestação deve respeitar o Estado Democrático de Direito e o direito constitucional de ir e vir.”
Duplicação da Estrada de Ferro Carajás vem causando diversos impactos socioambientais
Duplicação da Estrada de Ferro Carajás vem causando diversos impactos socioambientais
Nos últimos anos, uma série de protestos vem questionando a duplicação da Estrada de Ferro Carajás, que segundo seus críticos pode causar diversos impactos socioambientais. No final de 2011, o Ministério Público Federal do Maranhão (MPF/MA) propôs ação civil pública com pedido de liminar para que a Vale e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) reelaborassem o estudo ambiental das obras de duplicação em Itapecuru-Mirim.
Denúncias encaminhadas ao MPF/MA pelo Incra e pela Fundação Cultural Palmares apontavam que tais obras estavam sendo feitas sem qualquer ação compensatória ou mitigatória por parte da empresa, causando impactos diretos a várias comunidades quilombolas na região. Também vem sendo frequentes manifestações para que a Vale garanta a segurança ao longo dos trilhos da ferrovia. Atropelamentos de pessoas e animais têm sido comuns.
Banner da campanha financeira da Repórter Brasil

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Retirada de não índios de terra Awá, no Maranhão, tem momentos de tensão

portal amazônia
http://www.portalamazonia.com/noticias/atualidades/20140226/retirada-nao-indios-terra-awa-maranhao-tem-momentos-tensao/5059.shtml



ATUALIDADES
26/02/2014
15h03
por Redação - jornalismo@portalamazonia.com

Retirada de não índios de terra Awá, no Maranhão, tem momentos de tensão

Caminhões são usados para retirar objetos de posseiros; área desmatada chega a 36 mil hectares

MANAUS - A Fundação Nacional do Índio (Funai) divulgou que, até esta quarta-feira (26), o Governo Federal contabilizou 10 pontos desocupados na Terra Indígena Awá. Localizada no Maranhão, a área, homologada como indígena desde 2005, era ocupada irregularmente por posseiros. Prazo para saída de não índios da reserva, conforme determinação judicial, terminou na última segunda-feira (24).

Os trabalhos de desintrusão da Terra Indígena Awá são planejados para ocorrer de forma pacífica. Várias famílias prosseguem na retirada de seus pertences e mais de 30 já fizeram agendamento com a Funai para apoio na mudança e saida da Terra Indígena. Os posseiros devem ser assentados e poderão acessar programas sociais como Bolsa Família e políticas da reforma agrária.

A Terra Indígena é sobreposta aos municípios de Centro Novo do Maranhão, Governador Newton Bello, São João do Caru e Zé Doca. Segundo a análise feita a partir de imagens de satélite disponibilizadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre os anos de 2000 a 2009, a retirada de madeira e as invasões de posseiros devastaram mais de 30% da área, o que corresponde a aproximadamente 36 mil hectares desmatados.
Foto: Divulgação/IbamaFoto: Divulgação/Ibama
Foto: Divulgação/IbamaFoto: Divulgação/Ibama
Em nota, a Fundação afirmou que um dos momentos de tensão ocorreu na terça-feira (25). De acordo com a Funai, a ocupante Maria Vilma Andrade "se recusou com violência a deixar a casa que morava, colocando em risco a integridade física dos servidores públicos e dos familiares dela, sendo necessário a intervenção das equipes de segurança".
Como houve resistência ao cumprimento da decisão judicial, Maria Vilma foi conduzida à Base da Funai para ser ouvida e será aberto um procedimento judicial. Três caminhões foram usados para retirada de objetos de dentro da área que ela ocupada irregularmente. Na segunda-feira os oficiais de justiça já haviam comunicado sobre a expiração do prazo para desocupação.

Saiba mais: Força Nacional vai garantir segurança na retirada de não índios de reserva no Maranhão  Famílias obrigadas a deixar terra indígena querem lote do Incra 
Os agentes também atuaram na demolição de uma edificação de propriedade de Arnaldo Lacerda. Conforme a Funai, o ocupante destruiu a ponte que dava acesso a casa, ainda no período de notificações, como tentativa de impedir a chegada da equipe que cumpre a decisão judicial de retirar os não índios da Terra Indígena Awá.
Como forma de otimizar a logística dos trabalhos de desintrusão a saída da Terra Indígena Awá foi dividida em três regiões. Nesta quarta-feira, a força-tarefa concentra a vistoria e retirada de não índios da Região 1, onde está localizada a aldeia Juriti do povo Awá e a Base da Funai. Também trata-se da região limítrofe a Reserva Biologica do Gurupi. Esta foi a primeira região notificada.
Assentamento
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) realizou na tarde desta terça-feira (25) reunião com as famílias de não- índios que ocupam a Terra Indígena Awá e que realizaram cadastramento junto ao órgão para serem incluídas no Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA). A reunião foi realizada no povoado Vitória da Conquista, distante 60 km do município de Zé Doca e teve o objetivo de apresentar as áreas de assentamento nos municípios de Parnarama e Coroatá que o Instituto disponibilizou para atender as famílias desintrusadas.

Na segunda-feira (24) o Incra realizou a mesma reunião no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São João do Caru com a presença das famílias que realizaram o cadastramento junto ao Incra e que pertencem aos povoados do Caju, Cabeça Fria e Vila Veras.

No total, o Incra dispõe de 569 vagas nos municípios de Parnarama e Coroatá para assentamento imediato das famílias. Todas as famílias que forem incluídas no PNRA terão acesso ao Programa Minha Casa Minha Vida Rural; crédito apoio; Pronaf e assistência técnica. Além disso o Incra realizará convênios com as Prefeituras dos referidos municípios para implantação de estradas e sistema de abastecimento de água nos assentamentos.

Até o momento, o Incra já cadastrou 265 famílias, dessas 224 se enquadram no Plano Nacional de Reforma Agrária e terão até o dia 9 de março para deixarem a Terra Indígena Awá.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Bois e cavalos pastam em presídio inacabado no Maranhão

bbc br
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/01/140120_prisoes_ma_sub_pai_jf.shtml


Bois e cavalos pastam em presídio inacabado no Maranhão

Atualizado em  21 de janeiro, 2014 - 07:42 (Brasília) 09:42 GMT
Cavalo dentro de presídio em construção em Imperatriz
Projetado para amenizar a falta de vagas no sistema carcerário maranhense, o novo presídio de Imperatriz, no interior do Estado, tem servido a outros fins: atraídos pelo mato que cresce em meio às obras, abandonadas desde setembro, bois e cavalos pastam nas instalações e defecam nos corredores da prisão.
A BBC Brasil flagrou um cavalo dentro do edifício na última sexta. Assustado, o equino fugiu pela entrada principal da prisão, guardada por galhos e uma frágil cerca de arame.
Um vigia que mora ao lado da obra diz que bois de sítios vizinhos também costumam transitar pelo presídio. Pilhas de esterco atestam as visitas frequentes do rebanho.
Segundo o governo maranhense, mais de 70% dos trabalhos no presídio já foram concluídos. Iniciada em 2009, a obra deveria ter sido entregue em 2011. No entanto, falhas no projeto provocaram alterações no prazo, prorrogado para o fim de 2013.
O governo culpa a construtora JMP pela paralisação. A empresa, que entrou em falência, não foi localizada pela BBC Brasil. O telefone da companhia, com sede na cidade maranhense de Caxias, está desativado.
O governo diz que contratará uma nova empresa para terminar a obra e que a construção se encerrará no primeiro semestre de 2014. Afirma ainda que aguarda a liberação de cerca de R$ 2 milhões pela Caixa para financiar a conclusão dos trabalhos.

Obra fundamental

Entrada de presídio em Imperatriz
Local foi projetado para amenizar falta de vagas no sistema prisional
Com capacidade para 210 presos, a nova prisão de Imperatriz, segunda maior cidade maranhense, é considerada fundamental para desafogar o sistema carcerário da região.
Hoje, o único presídio da cidade abriga 345 presos em espaço planejado para 280.
Na sexta, a BBC Brasil visitou uma parte já reformada da prisão, ocupada por detentos condenados por crimes sexuais ou ameaçados de morte.
Isolados dos demais presos para não sofrerem agressões, eles dividem celas arejadas em grupos de dois ou três. Nas outras partes do presídio, porém, as celas estão superlotadas e têm instalações precárias.
O diretor do presídio, Francisco Firmino de Brito Silva, espera que a nova prisão de Imperatriz fique pronta para transferir parte dos detentos e, com isso, reformar o resto do edifício.
O governo maranhense está sob pressão para concluir a obra. Há uma semana, um juiz deu prazo de 60 dias para que a gestão amplie o número de vagas em seus presídios.
O governo diz que "tem cumprido com os prazos determinados por lei para a licitação de obras de construção e ampliação de unidades prisionais no Estado". Em nota, a gestão afirma que, além de Imperatriz, outros oito municípios do interior ganharão novos presídios, e quatro terão suas unidades reformadas.
Segundo o governo, recentemente foram entregues cinco Unidades Prisionais de Ressocialização (UPR) no interior maranhense.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Família Real Maranhense foge para o Amapá

OI
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed781_familia_real_maranhense_foge_para_o_amapa


COISAS DO MARANHÃO

Família Real Maranhense foge para o Amapá

14/01/2013 na edição 781
Reproduzido do The i-piaui Herald, 9/1/2014
 
TERRA DE VERA CRUZ – Sob ameaça de ter seu território invadido por denúncias, a Família Real Maranhense anunciou a transferência de seus domínios para o Amapá. A decisão foi tomada pelo monarca D. José II, diante da situação insustentável criada pela princesa regente Roseana I, que abriu seguidas licitações para a reforma das capitanias hereditárias da família exatamente no meio do momento turbulento.
Antes de deixar o território maranhense, a família real salgou as terras férteis, saqueou moradias populares e incendiou o principal coreto da província de São Luís. Renomado por seu talento lietrário, D. Sarney II consultou o amigo D. Luís Inácio I, que lhe recomendou que declarasse guerra contra a imprensa.
Antes de dar início ao reinado na capitania do Amapá, D. Sarney II promulgou uma lei que conferia cinco concessões de rádio e uma concessão de TV ao príncipe Fernando I e concedia a direção do principal jornal local ao príncipe José III.
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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Os Sarney estão nus – outro horror

OI
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/os_sarney_estao_nus_ndash_outro_horror


MÍDIA, MASSACRES, MILAGRES

Os Sarney estão nus – outro horror

Por Alberto Dines em 14/01/2014 na edição 781
 
Não se pode dizer que a grande mídia está protegendo o clã Sarney. Mas não parece suficientemente indignada com a apatia dos donatários da capitania diante de tantas denúncias nacionais e internacionais e suas cínicas explicações.
A mídia está pisando em ovos, pautando-se pelo grau de intensidade das reações federais, quando o normal seria o contrário: a imprensa pressiona o Executivo, que não tem outra alternativa senão descontar em cima dos governadores relapsos ou seus padrinhos.
Para começar: o noticiário relativo às ocorrências no presídio de Pedrinhas, em São Luís (MA), e seus desdobramentos na esfera política e judicial, está sendo chutado para os cadernos secundários destinados à cobertura local (“Cotidiano” na Folha de S.Paulo, “Metrópole”, no Estado de S.Paulo). Exceto no Globo.
Mudanças no trânsito de São Paulo ocupam a capa do caderno, o horror em Pedrinhas vai para as páginas internas. Esta catástrofe humanitária e política, de interesse nacional, mostrada ao mundo por meio de um vídeo horripilante e denunciada pela ONU e OEA não pode ficar escondida. Não reverbera e se não reverbera, evapora.
Procedimentos débeis
A incrível sucessão de ratas e gafes cometidas pelo clã maranhense, no poder há mais de meio século, exibe de forma inequívoca o caiporismo, o despreparo e o aviltante nível moral das elites regionais. Primeiro foi o cacique, ex-presidente da República, acadêmico imortal, temente a Deus, que proclama o fim da violência. Contida, não chegara às ruas. Mentira ou erro grosseiro: a violência que decapita presidiários atrás das grades matou uma criança, feriu gravemente sua mãe e irmã no incêndio de um ônibus no perímetro de São Luís.
De férias ou estressados pelo calor, nossos opinionistas deixaram passar o disparate. Depois veio a filha, ex-senadora e atual proprietária do estado, saindo-se com esta preciosidade retórica: a atual onda de violência decorre da riqueza que chegou ao estado na sua gestão. A mídia estrilou um pouco mais: era caso de levar a autora do despautério sociológico – graduada num curso por correspondência – ao paredon do escárnio.
A série de patuscadas para livrar os Sarney de manifestações de rua na próxima temporada de agitos encerrou-se na Folha, domingo (12/1). Alguém autorizou a publicação de um artigo da governadora Roseana na seção “Tendências/Debates”, nobilíssima página 3, com uma generosa chamada na primeiro página, “O Maranhão de verdade”, onde a inspirada Joana D’Arc tenta provar que “o crime organizado espalhou pelo país a violência que vemos hoje”.
Colher de chá excessiva, mas no sábado pela manhã é impossível mexer na página 3 do primeiro caderno. O que fazer? Outro alguém teve a genial ideia de colocar uma continuação da página 3 no caderno “Cotidiano” com um texto capaz de contrastar com a cara de pau de D. Roseana. Às pressas, inventou-se uma página de opinião no caderno local (C-4) preenchida por um valente texto de Zeca Baleiro. Sem diploma universitário, o cantor e compositor maranhense foi fundo: “Se o crime organizado (...) dá as cartas e oprime o povo com ameaças e ações dignas dos mais perigosos terroristas, é porque há uma natural permissão”. Completa: “(...) a miséria extrema que assola o Estado há décadas, o analfabetismo (...) a cultura antiga de currais eleitorais (...) são crimes tão hediondos quanto os cometidos no complexo penitenciário de Pedrinhas” (ver “Uma notícia está chegando lá do Maranhão”).
Zeca Baleiro é um jornalista nato. Com alguns petardos deste calibre não sobraria nenhum Sarney nas esferas do poder.
O episódio revela a precariedade dos procedimentos nas redações durante o plantão dos fins de semana. A autorização para publicar e destacar o texto de Roseana foi tão esdrúxula quanto a tentativa de neutralizá-lo.
Senador milagreiro
Os Sarney estão nus. E ninguém quer vê-los. Questão de bom gosto, certamente. Mas por que tantos cuidados? Por muito menos Renan Calheiros perdeu a presidência do Senado e agora corre o risco de ficar careca.
Sarney foi presidente da República, em seguida aos 21 anos de ditadura. As instituições eram menos transparentes, as benesses podiam ser disfarçadas. Para quem for suficientemente curioso não será difícil descobrir por que Sarney é tão querido da grande mídia.
Um favor que Sarney vem prestando aos grandes grupos de comunicação é o seu ódio ao Conselho de Comunicação Social, que durante 14 anos manteve na caçamba de lixo até que numa manobra conjunta senadores do PT e do PSDB o resgataram. Sarney é ranheta, insistiu e, no segundo mandato do CCS, mandou desativá-lo. Era ilegal, mas foi obedecido.
O que fez Sarney pelos camaradas donos de jornais, rádios e redes de TV? Montou um novo CCS e para torná-lo inabalável, eterno, entregou a presidência ao arcebispo do Rio de Janeiro, D. Orani Tempesta, considerado um especialista. Promovido pelo papa Francisco a cardeal, procura-se em seu belo currículo eclesiástico e de homem público alguma referência à importante função que exerce num órgão do Senado. Não se encontra.
D. Orani é e não é presidente do CCS: na página da internet do Conselho lá está o seu nome. Mas nos registros da mídia seus títulos são outros.
Longa vida a José Sarney, o milagreiro. 

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A barbárie está nas redes – Luciano Martins Costa

domingo, 12 de janeiro de 2014

A barbárie do Maranhão

o eco
http://www.oeco.org.br/sergio-abranches/27914-a-barbarie-do-maranhao


A barbárie do Maranhão
Sérgio Abranches* - 10/01/14

JoseRoseanaSarneyJosé e Roseana Sarney na Convenção Nacional do PMDB, em 2010. Família domina o estado do Maranhão há quase 50 anos. Foto: wikipédia.
Um amigo muito inteligente e engajado perguntou-me uma vez se não era alienação minha tentar salvar umas poucas centenas de macacos da extinção, quando milhões de crianças morriam de fome no mundo. Falávamos de matéria que fiz sobre os muriquis. A resposta estava pronta: há uma relação direta entre miséria e destruição ambiental. São sintomas do mau funcionamento da ordem social e do regime de governança. Continuo sendo analista social, cultural e político. Mas a questão ambiental e, principalmente, climática, tornou-se indissociável das demais. Lembro esse diálogo a propósito da barbárie rotineira nos presídios brasileiros, que teve seu episódio recente mais hediondo nas cenas de decapitação de prisioneiros no Maranhão.
onde não há respeito pelo ser humano, dificilmente haverá cuidados com a natureza e o meio ambiente
Essa relação é verdadeira, mas a causalidade tem direção: onde não há respeito pelo ser humano, dificilmente haverá cuidados com a natureza e o meio ambiente. Que a destruição da natureza é previsível quando há desprezo pela vida humana foi a conclusão a que chegou Warren Dean ao estudar a destruição da Mata Atlântica no Brasil, que começou na colonização. Em um país que escravizava negros sequestrados da África e indígenas capturados nas matas, imaginar que preservariam as florestas e os animais seria ingenuidade.
Reparei que o filme que Glauber Rocha fez da posse de José Sarney no governo do Maranhão está presente em numerosos posts de protesto contra a violência do Maranhão nas redes sociais. Ele merece mesmo ser relembrado. Em agosto de 2009, postei neste blog um curto texto com o título “Se Glauber Rocha pudesse falar de Sarney… Ele já falou e disse.”, a propósito desse filme, que havia sido mencionado por Pedro Dória em seu blog. O documentário mostra o início de uma oligarquia que domina o estado desde 1965, quando Sarney foi eleito, em de 3 de outubro. Foram as últimas eleições diretas permitidas pela ditadura militar para os executivos estaduais. Sarney se elegeu pelo partido que era o braço civil da ditadura. A oligarquia inaugurada nesta posse, magistralmente registrada por Glauber, teve muitos aliados, em todo o país, nesses quase 50 anos. Ganhou força renovada recentemente, por causa da relação política que parece inquebrantável entre Sarney e o ex-presidente Lula, apoiada pela tendência que ele comanda no PT.
O documentário, realizado por uma trinca de gênios do Cinema Novo, foi encomendado por Sarney e por razões que ficam evidentes ao vê-lo, não foi aceito. Virou uma reportagem independente assinada por Glauber Rocha, Fernando Duarte e Eduardo Escorel. E que reportagem! Melhor impossível. Ela registra o discurso de posse, com som direto impecável de Escorel, direção nervosa e crítica de Glauber e fotografia testemunhal de Fernando Duarte, como uma encenação bem estruturada. O patriarca da oligarquia maranhense falava o tempo todo de liberdade, para defender a tese de que a ditadura estaria implantando um regime autêntico de liberdades no país e fazendo uma revolução social. A insinceridade do discurso é o verdadeiro tema da reportagem. Ela passeia seus olhos-câmera pela praça onde se deu a posse, toda arrumadinha e ensaiada, e pelas ruas miseráveis e cadeias repletas do Maranhão, onde seu povo vivia sua dura vida real. Coisa de gênio. Ao contrário do que disse Lampedusa em seu O Leopardo, no Maranhão nada precisou mudar para as coisas ficarem as mesmas.
É de se esperar oposição à ação legítima do Estado contra invasores de terras públicas demarcadas para uso indígena, nas quais mantêm atividades ilegais.
Reportagem recente de Míriam Leitão e Sebastião Salgado para O Globo, sobre a terra Awá, flagrou desrespeito aos índios, desmatamento ilegal, fazendas e serrarias clandestinas. Uma estrutura de banditismo e violência – armas pesadas sempre à vista – consolidada como se fosse legal. Certamente estabelecida com a omissão complacente das autoridades. Agora, está começando a retirada dos não-indígenas dessas terras e começará o desmantelamento da estrutura criminosa. Já houve protesto da presidente da CNA. É de se esperar oposição à ação legítima do Estado contra invasores de terras públicas demarcadas para uso indígena, nas quais mantêm atividades ilegais. É alta a probabilidade de que haja resposta violenta à ação das autoridades. É desse “sistemão oligárquico”, ao qual se atrela o patriciado industrial e agrário, que nasce toda a desgovernança que assistimos.
Como disse Eliane Cantanhede, “morreu um, morreram dois, morreram 15, morreram 30, morreram 50. Muitos sob tortura. Mas ninguém viu, ninguém ouviu, ninguém sabia de nada, nem no Maranhão nem fora do Estado.” Se fosse no Rio ou São Paulo, diz, teríamos acordado antes talvez. É verdade. Mas é um acordar entorpecido pela tolerância continuada. O Brasil tem demonstrado complacência com relação a esse quadro. Não prega o uso da força e a pena de morte, mas silencia quase todo o tempo sobre a violência endêmica em nosso cotidiano. Houve mais reação aos quebra-quebras nas manifestações de rua, do que há em relação à mortandade que mancha diariamente as ruas e os presídios do país. A sociedade só mostra sua indignação episodicamente, quando um evento particular se torna muito visível e escandaliza a todos, ou quando ocorre algo tão inominável como essas mortes no Maranhão. Basta lembrar as barbaridades costumeiras nos morros do Rio, com execuções cruéis como a do jornalista Tim Lopes – para lembrar apenas um caso particular – ou a recorrente descoberta de “fornos de micro-ondas”, locais onde se queimam os cadáveres. São exemplos que me ocorrem sem precisar pesquisar arquivos ou buscar muito fundo na memória. Tive assistentes que não podiam visitar a casa de familiares de primeira linha por décadas, porque moravam em áreas controladas por facções diferentes do crime organizado, que ocupou – e ainda ocupa em parte – as favelas cariocas. Eram zonas controladas por grupos armados, onde o Estado não entrava e as pessoas não tinham direito de ir e vir.
O banditismo tirânico, como escrevi em análise sobre a alienação da autoridade há tempos, tem seu próprio sistema de justiça, no qual a pena de morte é banalizada. A truculência policial, que produziu tragédias como a de Vigário Geral – para lembrar outro caso em particular – revela numerosas situações de aplicação, de fato e ilegítima, da pena de morte por agentes do Estado, embora ela não seja legalmente reconhecida. São fatos rotineiros, com os quais convivemos em silêncio. Até que um ato de barbárie se torne mais visível, escandalize e cause revolta efêmera e infrutífera, porque não gera nunca a quantidade de pressão social suficiente para levar à mudança e à punição dos agentes políticos, policiais e administrativos responsáveis por omissão, inépcia ou conivência.
Paulo Sérgio Pinheiro, em ótimo artigo na Folha de São Paulo hoje, diz que: a “maioria das prisões no Brasil é um atentado à dignidade humana. Meio século depois do golpe de Estado de 1964 e 25 anos depois do retorno à constitucionalidade democrática, não há mais como adiar o enfrentamento desse legado autoritário”. Ele está certo. Argumenta, também, que todo o sistema de Justiça do país é responsável por essa barbárie. Está certo novamente. Acho, todavia, indispensável acrescentar nossa tolerância social com o intolerável como parte da síndrome de disfunções sistêmicas que causa toda essa violência. A tolerância que se expressa no “não-ver” a sucessão cotidiana de abusos dos direitos humanos e no apontar um ou outro para ser sacrificado e apaziguar nossas consciências. Se a sociedade não impõe um basta aos políticos, às oligarquias, às instituições apodrecidas que produzem esse estado de coisas, a omissão continuará. Os palácios continuarão sendo usados para fruição particular dos governantes, não para simbolizar a autoridade legitimamente constituída e efetivamente exercida.
Essa inércia ... permite o desrespeito continuado dos direitos humanos nas cidades, a matança de indígenas nas fronteiras de expansão, as práticas de trabalho escravo em todo o país, o desmatamento e a extinção de espécies.
É claro que a oligarquia quase cinquentenária do Maranhão tem parcela específica e relevante de culpa pelos descalabros que acontecem no estado. Mas descalabros estão acontecendo Brasil afora, diariamente. O conjunto rotineiro de erros, omissões, violência, brutalidade tem raízes no sistema político e de justiça, no eterno adiamento de reformas reais que melhorem a qualidade de nossa democracia, de nossa Justiça e de nossa polícia. Essa inércia que vai solapando as bases do estado de direito democrático tem outra raiz na complacência social. Ela permite o desrespeito continuado dos direitos humanos nas cidades, a matança de indígenas nas fronteiras de expansão, as práticas de trabalho escravo em todo o país, o desmatamento e a extinção de espécies. Ela impede a modernização e descarbonização de nossa economia. Ela está presente nas desculpas, por simpatia política e ideológica de atos condenáveis de autoridades municipais, estaduais e federais. Está no “não-ver” por comodismo. Está na espera de que alguém com “vontade política” mude tudo isso que está aí, sem que precisemos nos envolver. Está na opção dos empresários na indústria e no agronegócio que adotam boas práticas, mas não se manifestam contrariamente à voz arcaica do patriciado empresarial, que fala em nome de todos. Nada vai mudar a permanecer esse conformismo. Mudança de estruturas só acontecem quando a inconformidade coletiva se manifesta de forma consistente e persistente.
*Este artigo foi cedido pelo autor e publicado originalmente no site Ecopolítica.

IDH-Brasil: há um Estado pior que o Maranhão

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http://outraspalavras.net/blog/2014/01/10/idh-brasil-ha-um-estado-pior-que-o-maranhao/


IDH-Brasil: há um Estado pior que o Maranhão

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Indignação contra dinastia Sarney é justa. Mas todos os dados demonstram: São Paulo, sob os tucanos, estagnou ainda mais
Por Antonio Martins e Cauê Ameni
O Maranhão e os Sarney — pai e filha — estiveram no foco dos holofotes da mídia (e das redes sociais) esta semana. Cenas bárbaras de assassinatos, decapitações e outras crueldades circularam amplamente. Foram identificadas, corretamente, como um sinal do marasmo que o Estado amarga desde 1966, quando o José Sarney assumiu as rédeas do Estado, sendo sempre sucedido (com raras interrupções) por correligionários e parentes.
Será correto atribuir inteiramente o atraso social e econômico de um Estado a seus governantes? É questionável; mas, ao menos parcialmente, correto. Embora o poder dos dirigentes não seja absoluto, há, em todo o mundo, exemplos notáveis de nações em que os índices mudaram substancialmente, após reviravoltas políticas. Nos países nórdicos, por exemplo, a adoção de políticas de bem-estar social, desde o início do século 20, levou à construção de algumas das sociedades mais igualitárias e dignas conhecidas até hoje. Já na Rússia, sob o governo Yeltsin, que conduziu a restauração capitalista, até mesmo a expectativa de vida declinou quase dez anos.
Mas se é assim, seriam os Sarney os governantes mais atrasados do Brasil? Ou haverá interesses empenhados em demonizá-los e, principalmente, em obscurecer os resultados alcançados por dinastias ainda mais nefastas? Para tirar as dúvidas, nada melhor que recorrer aos dados estatísticos. Há inúmeros, disponíveis — e estudos de profundidade serão bem-vindos. Uma primeira abordagem é comparar um indicador que se transformou, há décadas, em referência mundial de desenvolvimento humano: o IDH, concebido pelo economista paquistanês Mahbub ul Haq e adotado pela ONU desde 1990. Sua força está em ser um índice agregado. Compara, ao mesmo tempo, três dados relevantes: expectativa de vida, acesso à Educação e renda.
Que revelaria um estudo que comparasse a evolução do IDH do Maranhão com… a de São Paulo, o Estado mais rico do Brasil? Infelizmente, não é possível retroceder até 1966, quando José Sarney assumiu o governo maranhense. Mas é perfeitamente possível utilizar, por exemplo, os dados das duas últimas décadas — 1991 a 2010. Dos vinte anos compreendidos neste período, os tucanos governaram os paulistas durante quinze anos: desde 1995, sucederam-se no Palácio dos Bandeirantes Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin. No Maranhão, José Sarney e seus aliados ou parentes também reinaram em todo o intervalo — à exceção dos dois anos e meio em que governou Jackson Lago (PDT).
E quais foram os resultados sociais? O IDH do Maranhão evoluiu, entre 1991 e 2010, de 0,357 para 0,639 — ou seja, 79%. Já o indicador de São Paulo passou de 0,578 para 0,783 — um avanço de 35%, duas vezes menor. Entre 27 unidades federativas, aliás, a antiga “locomotiva da nação”, foi a 25ª, no quesito evolução do IDH.
São números definitivos? Certamente não. É, sabidamente, mais difícil avançar a partir de um IDH mais alto. Seria muito interessante contar com a colaboração dos leitores para vasculhar um conjunto de indicadores capaz de compor um estudo comparativo que levasse em conta dados como Saúde, Educação, Sistema Prisional, Habitação, Longevidade e outros. Mas as primeiras análises parecem revelar que, muito provavelmente há, no Brasil, estados mais estagnados que o Maranhão…