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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Por que é bom sentir tédio

bbc
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/01/150118_vert_fut_beneficio_tedio_ml


Por que é bom sentir tédio

  • 20 janeiro 2015
Já conheci muita gente com talento para nos entediar, mas Sandi Mann é uma das poucas pessoas que fizeram disso uma arte.
No laboratório da pesquisadora na Universidade de Central Lancashire, na Grã-Bretanha, voluntários bem dispostos têm de cumprir tarefas nada animadoras, como, por exemplo, copiar uma extensa lista de números de telefone. Mann conta que eles participam da atividade educadamente, mas os traseiros inquietos e os bocejos frequentes provam que os voluntários não estão tendo prazer nenhum com a experiência.
O sofrimento deles é uma conquista para a Ciência, já que Mann pretende estudar o efeito profundo que o tédio pode ter em nossas vidas. Até agora, ela é uma das poucas psicólogas a se aventurar nesses territórios de torpor da mente. "É o Patinho Feio da psicologia", define ela.
Afinal, admitir que você estuda o tédio pode parecer um pouco... entediante. Mas isso está longe de ser verdade.

Vícios contra o tédio

O tédio pode levar a um comportamento de autodestruição
O tédio é uma parte tão grande da existência diária que nos surpreendemos ao notar que os cientistas demoraram em explorá-lo melhor. "Quando você está mergulhado em alguma coisa, não consegue achar que aquilo é digno de nota", comenta John Eastwood, da York University, no Canadá, e um dos primeiros acadêmicos a se interessar pelo assunto.
Outra percepção comum – e enganosa – é a de que "só as pessoas chatas ficam entediadas". Mas ao explorar os motivos do tédio, Eastwood descobriu que há dois tipos de personalidade que tendem a se aborrecer mais, e nenhuma delas é particularmente enfadonha.
O tédio normalmente ocorre com um estado mental naturalmente impulsivo entre as pessoas que estão constantemente procurando novas experiências. Para elas, um caminho estável na vida não é suficientemente emocionante. "É como se o mundo fosse cronicamente pouco estimulante", define Eastwood.
O segundo tipo de pessoas entediadas tem exatamente o problema oposto: o mundo é um lugar perigoso, então elas se fecham e tentam não sair de sua zona de conforto. Enquanto essa retração pode oferecer um pouco de consolo, essas pessoas nem sempre estão satisfeitas com a segurança oferecida – e o resultado é um tédio crônico.
Está claro que qualquer um desses estados podem levar as pessoas a se machucarem. Uma tendência ao tédio está ligada à tendência a fumar, a beber demais e a abusar das drogas.
Isso sem falar em comportamentos mais mundanos, mas igualmente prejudiciais, como comer compulsivamente para combater o tédio. "O tédio no trabalho está ajudando a sustentar a indústria de balas e chocolates", afirma Mann.
O efeito geral do tédio na expectativa de vida humana pode também ser drástico. Pesquisadores de um famoso estudo que acompanhou as vidas de funcionários públicos de meia-idade na Grã-Bretanha descobriram que aqueles que tinham mais tendência a se entediar tinham 30% mais chances de morrer nos três anos seguintes.

Perigoso, mas útil

Para cientistas, tédio incentivou homem a explorar novos territórios
Isso é um mistério para psicólogos evolucionistas. As emoções deveriam evoluir para o nosso bem, não para nos empurrar para a autodestruição. "O próprio fato de o tédio ser uma experiência diária sugere que ele tem alguma utilidade", diz Heather Lench, da Texas A&M University.
Sentimentos como o medo nos ajudam a evitar o perigo, enquanto a tristeza pode ajudar a evitar futuros erros. Mas qual é a finalidade do tédio?
Analisando as provas existentes até hoje, Lench suspeita que o tédio esteja por trás de um de nossos traços mais importantes: a curiosidade. Segundo ela, o sentimento nos impede de trilhar sempre os mesmos caminhos e nos compele a tentar procurar outros objetivos de vida e a explorar novos territórios e novas ideias.
Foi o que Mann descobriu com os voluntários que copiavam as listas de telefone: sua sensação de aborrecimento melhorava o desempenho deles em testes de criatividade.
Para a psicóloga, o tédio permitiu que as mentes dos voluntários divagassem, o que leva a maneiras mais associativas e criativas de pensar. "Se não encontramos estímulos externos, procuramos internamente, visitando diferentes lugares de nossas mentes", explica.
Sem a capacidade de se entediar, o homem talvez nunca tivesse feito conquistas artísticas e tecnológicas.

Aceitando o tédio

O prazer instantâneo dos smartphones pode ser prejudicial para a criatividade a longo prazo
Por causa disso, Mann acredita que não devemos ter medo do tédio, mas sim aceitá-lo e aproveitá-lo.
Eastwood é menos animado em relação aos benefícios do tédio, mas reconhece que devemos ter cuidado ao procurar por um escape rápido. "Temos que escutar nossas emoções e nos perguntar o que elas estão querendo nos dizer".
Para ele, procurar a distração fácil dos smartphones e dos tablets pode ser contraprodutivo. "Somos estimulados demais e esperamos o tempo todo encontrar maneiras mais rápidas e mais fáceis de reavivar nossa curiosidade. Mas isso na verdade deixa as pessoas ainda mais entediadas", afirma.
Ele sugere que se reflita se há questões mais graves e profundas fazendo com que nos sintamos desinteressados.
O trabalho do pesquisador mostrou que incentivar as pessoas a perceber que suas vidas têm um propósito as torna menos entediadas. "Sentir que você tem um impacto no mundo e que as coisas da vida fazem sentido são elementos inerentemente importantes para o ser humano, assim como o sol, o ar puro e os alimentos".
Leia a versão original desta reportagem em inglês no site BBC Future.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

breves do facebook

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http://www.ihu.unisinos.br/noticias/534869-breves-do-facebook

Edmilson Lopes Jr.


domingo, 13 de abril de 2014

Outros Traços: Politicamente espinhoso

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http://outraspalavras.net/blog/2014/04/11/outros-tracos-politicamente-espinhoso/


Outros Traços: Politicamente espinhoso

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De Ócio Sobre a Tela, em seu tumblr
Numa época de extremismos e obviedades políticas, os desenhos e charges de Caetano Patta se destacam por tratar assuntos públicos com mais sutileza. De forma eclética, seu traço varia conforme a temática. O ilustrador também contribui com textos e imagens para o site O Gusmão.
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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Família Real Maranhense foge para o Amapá

OI
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed781_familia_real_maranhense_foge_para_o_amapa


COISAS DO MARANHÃO

Família Real Maranhense foge para o Amapá

14/01/2013 na edição 781
Reproduzido do The i-piaui Herald, 9/1/2014
 
TERRA DE VERA CRUZ – Sob ameaça de ter seu território invadido por denúncias, a Família Real Maranhense anunciou a transferência de seus domínios para o Amapá. A decisão foi tomada pelo monarca D. José II, diante da situação insustentável criada pela princesa regente Roseana I, que abriu seguidas licitações para a reforma das capitanias hereditárias da família exatamente no meio do momento turbulento.
Antes de deixar o território maranhense, a família real salgou as terras férteis, saqueou moradias populares e incendiou o principal coreto da província de São Luís. Renomado por seu talento lietrário, D. Sarney II consultou o amigo D. Luís Inácio I, que lhe recomendou que declarasse guerra contra a imprensa.
Antes de dar início ao reinado na capitania do Amapá, D. Sarney II promulgou uma lei que conferia cinco concessões de rádio e uma concessão de TV ao príncipe Fernando I e concedia a direção do principal jornal local ao príncipe José III.
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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

HUMORNALISMO - Fazer rir é uma virtude

observ imprensa
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed777_fazer_rir_e_uma_virtude


HUMORNALISMO

Fazer rir é uma virtude

Por Marcelo Tas em 17/12/2013 na edição 777
Reproduzido da Revista de Jornalismo ESPM nº 6, jul/ago/set 2013; título original “Humornalismo”
 
Em Brasília, 11 da manhã. Na Praça dos Três Poderes, o sol implacável produz uma sombra dura, feia de ver na TV. Fernando Meirelles, meu parceiro na reportagem, tenta resolver o pepino apertando o botão da macro na câmera, um recurso que permite fazer o foco a poucos centímetros da lente. Ele vira o visor para eu poder me ver. Estou com a famosa “cara de colher”, arredondada e deformada, como a arquitetura espacial de Oscar Niemeyer que reina ao fundo sobre o cerrado goiano. O feio vira engraçado.
Com o nariz praticamente colado no vidro da lente, inicio a gravação com um trecho do verbete “Política” doDicionário Filosófico, de Voltaire, escrito em 1764.
 – Alô, senhores telespectadores, novamente com vocês o seu repórter Ernesto Varela... A política dos homens consiste em tentar se igualar aos animais, a quem a natureza deu alimentação, vestuário e moradia. Hoje, aqui em Brasília, eu vou falar com brasileiros que estão no poder e com os que querem chegar ao poder...
É setembro de 1985. A ditadura dá os últimos suspiros. Com o fracasso da aprovação de eleições diretas para presidente, os políticos disputam nos bastidores dos palácios a sucessão do general João Baptista Figueiredo. Este, o último da sequência de militares a ocupar a Presidência da República, não conseguiu emplacar o nome do candidato preferido dele:o gaúcho Mário Andreazza. Quem conquistou, por insistência, o direito de representar o PDS – partido de apoio ao governo militar – foi Paulo Maluf. Engenheiro de formação, o empresário paulista virou político por apadrinhamento de Arthur da Costa e Silva, outro general-presidente da turma do golpe de 1964, de quem era amigo de jogar baralho.
Fogo amigo
Nessa manhã, um andar inteiro do Hotel San Marco está ocupado por assessores, cabos eleitorais e puxa-sacos de Maluf. O candidato se prepara para receber a imprensa sob bombardeio de fogo amigo. Antigos aliados políticos da ditadura, como José Sarney e Antônio Carlos Magalhães, estão deixando o barco em direção à maré favorável do candidato da oposição, pero no mucho, Tancredo Neves. A temperatura do dia subiu ainda mais depois da publicação de uma singela declaração do cacique baiano ACM justificando a razão de não apoiar Maluf: porque “é um ladrão”.
A caminho do San Marco, Fernando e eu fazemos uma paradinha estratégica na padaria da rodoviária. O motivo é nobre: hoje, 3 de setembro, é aniversário de Paulo Maluf. Escolhemos no capricho um bolo bem colorido da vitrine para o doutor Paulo apagar suas bem vividas 54 velinhas.
A coletiva é aquela guerra de sempre. Repórteres movimentam os microfones para lá e para cá tentando fisgar alguma declaração bombástica do entrevistado que é liso como um lambari. Estou acuado atrás do emaranhado de cabos, fotógrafos e repórteres. De repente, numa brecha, consigo deslizar o bolo sobre a bancada onde entrevistado e entrevistadores se digladiam. Os coleguinhas e o próprio Maluf se calam surpresos com a aparição do objeto decorado com glacê azul que destoa redondamente da cena. São os três segundos mais constrangedores que eu já vivi. Ou melhor, em matéria de constrangimento, os minutos seguintes ganham de lavada. Eu puxo um “Parabéns a você, nesta data querida...” Uma jornalista magrela de meia-idade rosna de raiva na minha orelha, disparando perguntas sem esperar pela resposta: De que emissora é você? Por que trouxe esse bolo? Você é do PDS?
A sequência de constrangimentos é crescente. Talvez movidos por hábito de infância, os profissionais da notícia abaixam os microfones e entoam um “Parabéns a Você” lúgubre para o candidato da ditadura, visivelmente contra a vontade deles. Maluf dá uma gargalhada, agradece e tenta sair de fininho. Puxo o candidato pelo paletó e imploro por uma entrevista exclusiva. “Exclusiva não, só uma pergunta”, responde ele, lépido como sempre. Imploro, faço cara de choro: “Só uma é muito pouco, candidato!” Ele eleva a voz com seu sotaque característico e assertividade de um feirante de Istambul: “Exclusivo, exclusivo, exclusivo... Só uma pergunta, só uma pergunta... E faça logo!” Sem opção, disparo a pergunta que representa a dúvida cruel de toda uma nação: “Deputado, é verdade que o senhor é um ladrão?” Ele congela, me fuzila com os olhos e sai sem responder.
Entre bom senso e nonsense
O repórter ficcional Ernesto Varela nasceu em 1983, sem nenhum aviso dos céus. O anjo torto me colocou os óculos vermelhos na cara e um microfone na mão e disse: “Vai, Tas, ser gauche na vida, misturar o que não deve, humor e jornalismo”. Depois da pequena TV Gazeta, onde estreei, passei pelas principais empresas de comunicação do país. Hoje, na cadeira central do CQC, na Band, ainda me surpreendo com as possibilidades infinitas e preciosas dessa mistura improvável.
Enquanto o jornalismo busca sem descanso o equilíbrio e a precisão, o humor é a celebração do improviso e do tombo desconcertante. O jornalista é um buscador do bom senso, o humorista do nonsense. Por que naturezas aparentemente incongruentes resultam numa comunicação tão eficiente, que tem conquistado a atenção das recentes gerações? Eu não tenho a resposta para a pergunta, mas venho colecionando algumas pistas.
Desde a primeira temporada do CQC, em 2008, guardo com disciplina de soldado prussiano os comentários dos telespectadores via redes sociais. É importante aqui abrir um parêntese: nunca antes na história desse veículo – a TV – pudemos ouvir o que o cara de casa tem a dizer. Muita gente boa que faz TV até hoje prefere não ouvir. Eu, ao contrário, coleciono tudo o que o “da poltrona” fala sobre o CQC, sobre mim ou minhas atividades profissionais. Fecho o parêntese.
Certo tipo de comentário frequente começou a me chamar a atenção ainda no início do projeto. Ele pode ser resumido num post de Isabela Santos, publicado no Twitter, durante o programa no dia 7 de setembro de 2009: “Não gosto muito de jornal, depois que o CQC começou a mostrar os fatos do Brasil de forma diferente, voltei a me informar mais!”
Primeira informação relevante: tem gente vendo o CQC como um programa jornalístico, como fonte primária de informação. Segunda: o que atrai nossa jovem telespectadora é que mostramos os fatos de maneira diferente. Diferente como? Misturando humor e jornalismo. Terceira: isso faz com que ela volte a se interessar pelo noticiário por meio de outras fontes de informação. Ufa, que alívio!
Nunca defendi, nem defendo aqui, a tese de que misturar humor e jornalismo seja a melhor maneira de contar uma história. Na verdade, devo confessar que, quando iniciei a história do Ernesto Varela, com minha turminha lá nos anos 80, ninguém tinha pretensão de fazer humor nem jornalismo. Nossa ambição era muito maior: revolucionar a televisão do terceiro milênio! Tal meta estava escrita com letras garrafais num livrão preto que servia como nosso diário coletivo.
Uma ilha na mão
A Olhar Eletrônico Vídeo, nossa razão social, já tinha papel timbrado, cozinha comunitária, prática matinal de tai chi chuan e até gente morando junto em um dos quartos da casa que servia de sede da empresa. Éramos universitários recém-formados ou desistentes do diploma, entre os 18 e os 20 e poucos anos, oriundos de cantos diversos: arquitetos, psicólogos, atores, engenheiros, jornalistas, fotógrafos e até gente do curso recém-fundado de Rádio e TV. Em um dos cômodos, em meio a muita coisa hippie e “alternativa” – palavra muito valorizada na época –, ficavam as armas de guerra letais com a quais preparávamos a nossa revolução: a câmera portátil e a ilha de edição.
É difícil hoje dar a dimensão da importância de uma câmera de vídeo e uma ilha de edição na mão de uma molecada no início de anos 80. Hoje, qualquer celular tem isso dentro. Até então, quem detinha o privilégio da posse das primeiras câmeras portáteis com gravadores de fita U-matic e de aparelhos para editar as imagens eram as emissoras de TV. E mais ninguém.
Antes de humor ou jornalismo, o interesse primordial da Olhar Eletrônico era explorar novas linguagens para contar nossas próprias histórias usando os recursos da manipulação eletrônica de imagens. Era uma forma muito mais ágil e divertida que a utilizada pelo pessoal do cinema, que observava nosso entusiasmo com um olhar torto e desconfiado. Particularmente, a ilha de edição representava um cruzamento sexy entre duas máquinas que eu utilizava muito na época: a calculadora (cursava engenharia simultaneamente com jornalismo) e o videogame. Foi amor à primeira vista.
Na Olhar, todo mundo fazia de tudo: da direção da Kombi à direção do programa na TV, passando pela fotografia, edição, texto e limpeza da cozinha. Curiosamente, a única tarefa que ninguém encarava bem era aparecer na frente da câmera. Por isso, na função havia um revezamento como nas peladas quando ninguém quer ficar mofando no gol.
Repórter ingênuo
Em uma das minhas vezes de ser o “goleiro”, surgiu o Varela. Chovia na cidade de Santos e não havia o que fazer até a hora de gravar o show de Itamar Assumpção, nossa missão principal na cidade. Na praia, um relógio público quebrado mostrava a temperatura de 68 graus. Diante da imagem inusitada, fui para a frente da câmera e usei uma voz diferente da minha, pausada, um modo propositalmente desajeitado para disfarçar a timidez e… Pimba! Surgiu no vídeo uma figura bastante diferente de mim. O pessoal riu e foi um grande alívio. Era melhor ser outro do que eu mesmo diante da máquina cruel de destruir espontaneidade chamada câmera de TV.
Voltamos para São Paulo e a brincadeira ingênua virou um quadro de humor do programa. Toniko Melo, o câmera e meu parceiro na brincadeira, colou uma vinheta com letras nervosas: “Santos Urgente!” e uma trilha sonora vibrante de breaking news do tipo “Plantão” da Globo. O ar de credibilidade jornalística era imediatamente quebrado pelo repórter ingênuo diante do relógio quebrado na praia.
– Estranha variação climática na cidade de Santos: 68 graus!
Nos meus estudos de formação (ou deformação?) como comunicador, virei devoto de uma trinca de pensadores que geralmente não estão no currículo das escolas de jornalismo: Bergson, Freud e Nietzsche. O primeiro diz algo extremamente vasto e importante: não há comicidade fora do humano. Ou seja, ninguém acha graça numa paisagem ou num animal – a não ser que reconheça neles alguma expressão humana. Em seu ensaio O Riso (Martins, 2001), o francês Henri Bergson ainda lança uma definição preciosa sobre o significado da risada: o contato entre inteligências. Para ele, o riso sinaliza o instante exato quando entendemos alguma coisa de um jeito como nunca havíamos pensado antes. Graças ao Bergson, aprendi que a risada, o hahaha, é o ruído da ficha caindo. Ahhhh... Entendi!!!
Com sua lâmina afiada, Sigmund Freud fez uma anatomia preciosa do humor em seu livro Jokes and Their Relation to the Unconscious (‘Os Chistes e Sua Relação com o Inconsciente’ faz parte da Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Freud. Rio de Janeiro, Imago, 1980, volume 8). O mestre da psicanálise valoriza humoristas como agentes sociais. Em poucas linhas, escreve o que seriam, segundo ele, os dois únicos objetivos do humor: a sátira, que serve ao propósito de crítica ao poder, e a piada obscena, que serve para a exposição do sujeito criticado. E completa com precisão: é desnecessário teorizar sobre limites ou outras metas para o humor, já que o prazer proporcionado pela graça já é suficiente para justificar o trabalho do comediante.
Se esse pequeno livro de Freud fosse mais conhecido, creio que muita tinta seria economizada nos rasos e chatíssimos debates sobre “os limites do humor” que infestaram o Brasil nos anos recentes. Desde a Idade Média, sabe-se que a arte do bobo da corte é criticar o rei sem que este perceba, ou, caso perceba, o prazer da diversão o desestimule a cortar a cabeça do bufão. Está na hora de a lição de Freud ser assimilada.
O humorista é um agente de saúde com uma função social: nos lembrar de que somos precários e imperfeitos. Se muita gente insiste em querer viver em um mundo perfeitinho, problema deles. O comediante não pode virar um chato resmungão, assumindo o papel confortável de vítima desse sistema doente. Deve se livrar dessa cilada com a sua arte: encantando, criticando e dando um nó na cabeça do rei com humor afiado.
Já Friedrich Nietzsche, o filósofo alemão, desce o seu vigoroso martelo numa caixa de marimbondos ainda mais polêmicos e perigosos. Para ele, o que chamamos de “verdade” é apenas um garantidor do convívio social, uma arma de domesticação da massa. Segundo Nietzsche, a origem da palavra verdade é enganosa e foi criada como ferramenta de poder. Talvez por influência do alemão bigodudo, nunca me senti à vontade com a ideia de que jornalista publica a verdade sobre as coisas. Prefiro realidade e mesmo assim penso que deve ser um conceito relativizado e debatido até cientificamente. O que é a realidade? Isso que imaginamos captar com nossos olhos e audição precários? A realidade existe? Sou um daqueles que acreditam existir mais realidade em um filme de Fellini ou em um romance de Dostoiévski que em uma notícia de jornal.
Pecados mortais
Essa trinca de pensadores mais o meu amado iluminista Voltaire, um grande humorista, me ofereceram munição farta para cutucar os limites da realidade com a ficção, do humor com o jornalismo. Creio que no atrito desses mundos que aparentemente não se tocam surgem brechas para o exercício da dúvida e do olhar crítico, combustíveis essenciais e comuns a ambas as atividades: a do jornalista e a do humorista.
Agradeço a companhia de quem chegou até aqui neste longo texto e finalizo dizendo que o humor não é uma obrigação nem uma oposição ao jornalismo. Enquanto, para o comediante, o humor é uma virtude absolutamente necessária, para o jornalista, é apenas uma qualidade possível como a beleza. Assim como ninguém precisa ser o Brad Pitt para ser jornalista, também não precisa ser o Seinfield, o Woody Allen ou o Tiririca. Jornalista pode ser feio, sem graça, lindo ou hilário. Para ser jornalista ou humorista, a pessoa só não pode cometer dois pecados mortais: não saber reconhecer seus erros e não rir de si mesmo. O resto, enquanto houver diversão e descoberta, está valendo.
***
Marcelo Tas é jornalista e âncora do CQC, na Rede Bandeirantes.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

XINGÓ KAIAPU

XINGÓ KAIAPU


Published on 12 Dec 2013
ERROS DE GRAVAÇÃO: http://youtu.be/UmA7TXpTyxE
MAKING OF: http://youtu.be/bGfvfcxh79M
CAMISAS: http://loja.portadosfundos.com.br
LIVRO : http://goo.gl/F8idv7
APP PARA ANDROID: http://goo.gl/BGUHjr
APP PARA IPHONE - http://goo.gl/knGlP
APP PARA WINDOWS PHONE: http://goo.gl/zAxmXK

Era uma vez, em terras não muito distantes, uma tribo de pessoas esquisitas que vivia pintando o corpo, andando com pouca roupa e guerreando com outras tribos por motivos idiotas. Eles eram conhecidos como "homem branco". Um belo dia, a tribo dos homens brancos resolveu, arbitrariamente, que era dona de algumas terras, e inventou uma arma mortal para lutar contra seus inimigos: a política suja. Agora homem branco quer apito, senão o pau vai comer.

Esse é o canal "Porta dos Fundos". Lançamos vídeos todas as segundas e quintas-feiras às 11h.

domingo, 11 de novembro de 2012

Índios estão integrados ao modo de vida urbano, afirma pesquisa

folha spaulo
http://www1.folha.uol.com.br/poder/1183492-indios-estao-integrados-ao-modo-de-vida-urbano-afirma-pesquisa.shtml

10/11/2012 - 04h00

Índios estão integrados ao modo de vida urbano, afirma pesquisa

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MATHEUS LEITÃO
DE BRASÍLIA
Os índios brasileiros estão integrados ao modo de vida urbano. Televisão, DVD, geladeira, fogão a gás e celulares são bens de consumo que já foram incorporados à rotina de muitas aldeias. A formação universitária é um sonho da maioria deles.
Pesquisa inédita do Datafolha, encomendada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), revela esse perfil. Entre os dias 7 de junho e 11 de julho, foram realizadas 1.222 entrevistas, em 32 aldeias com cem habitantes ou mais, em todas as regiões do país.
Segundo a pesquisa, 63% dos índios têm televisão, 37% têm aparelho de DVD e 51%, geladeira, 66% usam o próprio fogão a gás e 36% já ligam do próprio celular.
Só 11% dos índios, no entanto, têm acesso à internet e apenas 6% são donos de um computador. O rádio é usado por 40% dos entrevistados.
Para o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), "é evidente que essa novidade produz mudanças, mas isso não significa a instalação de um conflito cultural. Não é o fato de adquirir uma TV ou portar um celular que fará alguém ser menos indígena".
De todo modo, os números ainda estão longe dos percentuais de acesso a bens de consumo da média da população. No Brasil como um todo, segundo o IBGE, 98% têm televisão; 82%, aparelho de DVD; e 79% têm celular.
A pesquisa teve ainda o intuito de avaliar as condições de vida dos indígenas.
Questionados sobre o principal problema enfrentado no Brasil, 29% dos entrevistados apontaram as dificuldades de acesso à saúde.
A situação territorial ficou em segundo lugar (24%), seguida da discriminação (16%), do acesso à educação (12%) e do emprego (9%).
Em relação ao principal problema enfrentado na vida pessoal, a saúde permaneceu em primeiro lugar para 30%. O emprego apareceu em segundo, com 16%, seguido de saneamento (16%). A questão territorial, nesse caso, desaparece.
A pesquisa mostra que o aumento de fontes de informação tem influenciado a vida familiar dos índios: 55% conhecem e 32% usam métodos anticoncepcionais como camisinha e pílula. Mais de 80% ouviram falar da Aids.
A maioria dos índios (67%) gostaria de ter uma formação universitária. Apesar de ser considerado muito importante para 79% dos entrevistados, o banheiro em casa só existe para 18% deles.
Algumas características das aldeias: 69% têm postos de saúde; 88%, escolas; 59%, igrejas; 19%, mercados; e 6%, farmácias.
Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress
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