sábado, 3 de dezembro de 2011

Países mais vulneráveis ao clima

fonte - o eco
http://www.oeco.com.br/cop17/25486-paises-em-desenvolvimento-mais-vulneraveis-a-desastres-climaticos-


Deslizamentos e trombas d´água devastaram cidades serranas do Rio de Janeiro em 2011 (foto: Agência Brasil)

Durban
-O calor de mais de 30 graus celsius em Durban, na tarde desta quarta-feira, parece confirmar as perspectivas de aquecimento global. Não há ar condicionado suficiente para amenizar a sensação térmica de hoje. E a previsão de fortes chuvas, para amanhã e sexta, reafirmam a frequência de eventos extremos na última década.

Nessas condições, acabou sendo muito apropriada a coletiva de imprensa concedida pelos representantes do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC – na sigla em inglês) na 17ª Convenção das Partes (COP17). A diretora executiva do II Grupo de Trabalho - Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade, Kristie Ebi, e o pesquisador senior líder do time de Redução dos Riscos Climáticos do Instituto Ambiental de Estocolmo (SEI, siga em inglês), Richard Klein, apontaram os principais resultados do relatório lançado este mês: Managing the Risks of Extreme Events and Disasters to Advance Climate Change Adaptation.

Kristie afirma que os países desenvolvidos sofrem mais perdas econômicas, em casos de eventos extremos, dos que os em desenvolvimento. Entretanto, esses últimos sofrem mais com fatalidades. “De 1970 até 2008, mais de 95% dos desastres que resultaram em perdas de vidas humanas aconteceram nos países em desenvolvimento”, revela.

                                                 Chuvas e desenvolvimento sustentável
                                                 Desastre em Nova Friburgo: antes e depois

Sobre a pesquisa do IPCC e seus relatórios, cuja credibilidade vem sendo questionada recorrentemente na Internet pelos céticos das mudanças do clima, o pesquisador Klein responde que o processo de elaboração dos estudos do IPCC é totalmente aberto, com a disponibilidade de acessar qualquer documento no site da organização. 

“Existem céticos e ex revisores dos relatórios do IPCC, os quais não tiveram as suas ideias publicadas, que acusam falta de seriedade no trabalho. No entanto, não há nada provado ou concreto contra a pesquisa que o IPCC faz, até porque usamos como referência estudos confiáveis realizados por diversos pesquisadores do mundo, sem nenhum interesse de modificar os dados”, justifica.

Entre os estudos de caso realizados, destaca-se os dados relativos ao Zimbábue, na África. A vulnerabilidade e exposição da região são tantas que mesmo se não houvesse mudanças climáticas e eventos extremos a população sofreria impactos significativos. A falta de saneamento básico, junto à modificação do regime de chuvas na última década, permitiu que a cólera atingisse mais de 90 mil africanos, dos quais 4 mil morreram.

Saiba mais 
Site do IPCC 

cinema - belo monte

fonte
http://catarse.me/pt/projects/459-belo-monte-anuncio-de-uma-guerra

Uma das causas mais discutidas e nebulosas no momento é a construção da Hidrelétrica de Belo Monte. Normalmente ela é atrelada somente ao meio ambiente e à causa indígena, o que é uma simplificação.
A questão de Belo Monte condensa várias das principais causas do nosso país. E é desastrosa em todos os aspectos: ambiental, cultural, econômico, político e social.
Nosso filme tem 120 horas filmadas na região do Xingu, Altamira, Brasília e São Paulo, contendo depoimentos reveladores de envolvidos com a obra ou afetados por ela.
Fizemos um trabalho investigativo que deixa claro: Belo Monte está sendo imposta pelo governo, que não está disposto a dialogar com os índios, nem com o resto da sociedade.
Se você está aqui, já entendeu que não escolhemos o financiamento coletivo por acaso. Mais do que um filme, queremos que “BELO MONTE – Anúncio de uma Guerra” seja um ato político da sociedade, uma luta pelo acesso à informação e pelo direito de participar das decisões do país.
Queremos levantar R$114mil em 30 DIAS para terminar o filme. Parece muito, mas na verdade não dá nem pra chegar nos cinemas. Nossa meta então, é soltar o filme na internet e divulgar a verdade sobre essa obra desastrosa.
O dinheiro será todo investido na edição e finalização do filme, além de restituir pelo menos uma parte do que já foi investido até agora pela própria equipe. Foram 3 expedições ao Xingu, com inúmeros gastos em transporte aéreo, fluvial, terrestre, alimentação, hospedagem e outros aspectos de produção.
Para ver o orçamento completo do filme, clique aqui
Já são muitas as pessoas que doaram seu trabalho e seu dinheiro ao filme, e só chegamos até aqui porque sabemos que junto com vocês podemos parar essa obra desastrosa.
FAÇA UMA DOAÇÃO. Ajude a parar Belo Monte e iniciar uma discussão séria sobre a política energética do Brasil.
Contato:
Twitter: @belomonteofilme
Direção: André D’Elia
Produção Excutiva: Beatriz Vilela, Francisco D’Elia
Direção de Fotografia: Rodrigo Levy Piza, Federico Dueñas
Direção de Som: Téo Villa, Diego Depane
Desenho Gráfico: Federico Dueñas
Montagem: Mauro Moreira
Ass. de Montagem: André Souza
Comunicação e Marketing: Digo Castello, Daniel Joppert, Caio Tendolini

PRINCIPAIS POLÊMICAS DO CÓDIGO FLORESTAL

fonte - sbpc
http://www.sbpcpe.org/index.php?dt=2011_11_30&pagina=noticias&id=07050



ENTENDA AS PRINCIPAIS POLÊMICAS DO CÓDIGO FLORESTAL


Após dezenas de emendas e debates em comissões, o Senado deve aprovar nesta quarta-feira o novo Código Florestal, que determina como será a exploração das terras e a preservação das áreas verdes do país.

O novo texto foi apresentado pelo senador Jorge Viana (PT-AC), relator do projeto na Comissão do Meio Ambiente (CMA), que deve analisar a proposta antes da votação no plenário.

O Código já havia sido aprovado na Câmara em maio, com um projeto do então deputado e hoje ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB-SP). No entanto, como essa proposta sofreu diversas modificações até ser votada no Senado, ela voltará para a avaliação dos deputados e, só depois disso, passará pela sanção presidencial.

Dos debates iniciais entre ambientalistas, ruralistas e acadêmicos às recentes discórdias nas comissões do Senado, entenda as principais polêmicas que vêm rondando o novo Código Florestal:


O que é o Código Florestal?
Criado em 1965, o Código Florestal regulamenta a exploração da terra no Brasil, baseado no fato de que se trata de um bem de interesse comum a toda a população.

A legislação estabelece parâmetros e limites para preservar a vegetação nativa e determina o tipo de compensação, como reflorestamento, que deve ser feito por setores que usem matérias-primas, assim como as penas para os responsáveis por desmate e outros crimes ambientais relacionados. A elaboração do Código durou mais de dois anos e foi feita por uma equipe de técnicos.

Como é a proposta do novo Código Florestal?
Desde que foi apresentado pela primeira vez, o projeto de lei sofreu diversas modificações. As principais diferenças entre a nova legislação e o código em vigor dizem respeito à área de terra em que será permitido ou proibido o desmate, ao tipo de produtor que poderá fazê-lo, à restauração das florestas derrubadas e à punição para quem já desmatou.

Por que o atual precisa ser alterado?
Ambientalistas, ruralistas e cientistas concordam que esta é uma necessidade para adaptar as leis nacionais à realidade brasileira e mundial. O atual foi modificado várias vezes por decreto e medidas provisórias e seria necessário algo mais sólido.

Uma das urgências citadas pelos três grupos é a necessidade de incluir incentivos, benefícios e subsídios para quem preserva e recupera a mata, como acontece na maioria dos países que vêm conseguindo avançar nessa questão ambiental.

Quais as principais diferenças entre o projeto do senador Jorge Viana, apresentado no Senado, e o de Aldo Rebelo, votado na Câmara?
Em linhas gerais, o substitutivo de Viana detalha definições importantes no debate, como o que constitui uma agricultura familiar e quais atividades podem ser exploradas em determinadas áreas protegidas.

Além disso, há novas normas propostas, como a criação de incentivos em troca de serviços ambientais, e mudança de alguns pontos, como a recomposição das Áreas de Preservação Permanente, as chamadas APPs.

Qual a avaliação que ruralistas fazem dessas mudanças?
Líderes da bancada rural apresentaram restrições, como defender que todas as pequenas propriedades possam receber os benefícios previstos no Código e não apenas aquelas que se encaixam no conceitos de agricultura familiar, ou seja, no qual apenas membros da família trabalham.

Apesar de restrições como essas, os representantes desse setor comemoraram, já que acreditam que o Código em vigor atrapalha o desenvolvimento do país por ter sido criado quando agricultura e pecuária tinham baixa produtividade. Por isso, defendem as alterações para que haja mais terra para ampliar a produção.

"A expectativa é a de que vamos conseguir aprovar (o texto) e superar mais uma etapa desse calvário, para que muitos agricultores pressionem parar mudar essa lei, que tão mal faz o país", disse Assuero Veronez, vice-presidente do CNA, à BBC Brasil.

O que dizem ambientalistas e acadêmicos?
Boa parte das ONGs de defesa do meio ambiente e especialistas na área rebatem a tese dos ruralistas, afirmando que as terras já exploradas são suficientes para dobrar a produção, e que basta aprimorar a eficiência nas lavouras e nos pastos por meio de tecnologia e uso sustentável na agricultura e pecuária.

Para eles, as mudanças no Código abrem brechas para aumentar o desmatamento e podem por em risco serviços ambientais básicos, como o ciclo das chuvas e dos ventos, a proteção do solo, a polinização, o controle natural de pragas, a biodiversidade, entre outros. Esse desequilíbrio prejudicaria até mesmo a produção agropecuária, que está diretamente ligada a tais fatores ambientais.

Os dois setores acreditam que o novo texto não vai coibir desmatamento. Entre as principais críticas estão o perdão, em vários níveis, a quem desmatou ilegalmente no passado e a autorização de atividades agropecuárias ou de turismo em Áreas de Preservação Permamente. A permissão para que produtores reponham áreas desmatadas em outras regiões do bioma (conjunto de diferentes ecossistemas) também é alvo de críticas.

O que são as APPs, um dos principais pontos de discórdia?
As chamadas Áreas de Preservação Permamente (APPs) são os terrenos mais vulneráveis em propriedades particulares rurais ou urbanas. Como têm uma maior probabilidade de serem palco de deslizamento, erosão ou enchente, devem ser protegidas. É o caso das margens de rios e reservatórios, topos de morros, encostas em declive ou matas localizadas em leitos de rios e nascentes. A polêmica se dá porque o projeto flexibiliza a extensão e o uso dessas áreas, especialmente nas margens de rios já ocupadas.

Qual a diferença entre APP e Reserva Legal?
A Reserva Legal é o pedaço de terra dentro de cada propriedade rural - descontando a APP - que deveria manter a vegetação original para garantir a biodiversidade da área, protegendo sua fauna e flora. Sua extensão varia de acordo com a região do país: 80% do tamanho da propriedade na Amazônia, 35% no Cerrado nos Estados da Amazônia Legal e 20% no restante do território

Cerrado: o grande potencial agrícola do Brasil?

http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=4230&secao=382


Cerrado: o grande potencial agrícola do Brasil?

“Hoje, da porcentagem que naturalmente o Cerrado abrangia, percebemos que, pela ocupação humana, a natureza perdeu cerca de 40 a quase 50% de seu território”, constata José Felipe Ribeiro

Por: Thamiris Magalhães e Graziela Wolfart

“Existe um mito de que o Cerrado é seco. E não é verdade. O que acontece concretamente é que nós temos seis meses de época seca chuvosa. Durante esse período praticamente não cai qualquer chuva e a umidade relativa é extremamente baixa. Então, esse mito de que o Cerrado é seco acontece porque normalmente as pessoas que vêm para a região em junho acabam sofrendo com esta secura do ar. No entanto, na época chuvosa temos praticamente 1.500 mm (1,5 metros) o que é muito, só que é tudo em um período de seis meses (a época chuvosa). Depois, de maio a setembro, a chuva é praticamente zero no bioma”. A explicação é do biólogo José Felipe Ribeiro, em entrevista concedida por telefone para a IHU On-Line. De forma bem didática, ele descreve o bioma Cerrado em detalhes. E afirma: “por conta da distribuição de chuvas, boa pluviosidade, terrenos praticamente planos, favoráveis para a mecanização, o Cerrado tem contribuído hoje como o local onde praticamente boa parte da agricultura e pecuária nacionais está se desenvolvendo”.
José Felipe Ribeiro possui graduação em Biologia, pela Universidade Estadual de Campinas, mestrado em Ecologia, pela Universidade de Brasília, e doutorado em Ecologia, pela University of California – DAVIS. É pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária atuando no momento na Embrapa Cerrados e é professor credenciado no programa de Botânica da Universidade de Brasília. Tem experiência na área de Ecologia, com ênfase em Biodiversidade, atuando principalmente nos seguintes temas: biodiversidade, fitossociologia, florística, propagação e recuperação de ambientes ripários e de Cerrado.
Confira a entrevista.

IHU On-Line – No que consiste o bioma Cerrado? Quais áreas ele abrange? 
José Felipe Ribeiro – O Cerrado está localizado essencialmente no Planalto Central do Brasil e é o segundo maior bioma do país em área, apenas superado pela Floresta Amazônica. Trata-se de um complexo vegetacional que possui relações ecológicas e fisionômicas com outras savanas da América tropical e de outras regiões como África, sudeste da Ásia e Austrália. O Cerrado ocupa mais de 2.000.000 km², o que representa quase 25% do território brasileiro. Ocorre em altitudes que variam de cerca de 300 metros, a exemplo da Baixada Cuiabana (MT), a mais de 1.600 metros, na Chapada dos Veadeiros (GO). No bioma, predominam os Latossolos , tanto em áreas sedimentares como em terrenos cristalinos, ocorrendo ainda solos concrecionários em grandes extensões.
O Cerrado abrange como área contínua os estados de Goiás, Tocantins e o Distrito Federal, parte dos estados da Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, Rondônia e São Paulo, ocorrendo também em áreas disjuntas ao norte nos estados do Amapá, Amazonas, Pará e Roraima, e ao sul, em pequenas “ilhas” no Paraná. No território brasileiro, portanto, as disjunções acontecem na Floresta Amazônica, região em que a vegetação tem sido tratada por outros termos ou expressões, como “savanas amazônicas”; na Floresta Atlântica, especialmente na região sudeste, nos estados de São Paulo e Minas Gerais; na Caatinga, como manchas isoladas no Maranhão, Piauí, Ceará e Bahia; e também no Pantanal, onde se mescla fisionomicamente com esse bioma. Fora do Brasil ocupa áreas na Bolívia e no Paraguai, enquanto paisagens semelhantes são encontradas no norte da América do Sul, como na Venezuela e na Guiana. Com o desenvolvimento da ocupação humana, ele vem sendo ocupado pela agricultura e pelas populações urbanas.

Cerrado além das savanas
É bom deixar claro que o Cerrado é muito mais que savanas, com árvores tortas, como as pessoas normalmente enxergam. Existe uma série de florestas secas no bioma, que possui uma vegetação que não fica na área do rio e sim entre os rios. Depois disso, tem o outro extremo, que são os campos, áreas com solo raso ou as várzeas que acontecem na forma de vegetação campestre. Então, a paisagem do Cerrado tem floresta, savana e os campos. Hoje, da porcentagem que naturalmente o Cerrado abrangia, percebemos que, pela ocupação humana, a natureza perdeu cerca de 40 a quase 50% de seu território.

IHU On-Line – Como pode ser caracterizado o clima no bioma? 
José Felipe Ribeiro – O Cerrado caracteriza-se pela presença de invernos secos e verões chuvosos, um clima classificado tecnicamente como Aw de Köppen (tropical chuvoso). Possui média anual de precipitação da ordem de 1.500 mm, variando de 750 quando mais próximo da Caatinga a 2.000 mm, nas cercanias do bioma Amazônico. As chuvas são praticamente concentradas de outubro a março (estação chuvosa), e a temperatura média do mês mais frio é superior a 18°C. O contraste entre as superfícies mais baixas (inferiores a 300 metros), as longas chapadas entre 900 e 1.600 metros e a extensa distribuição em latitude, conferem ao Cerrado uma diversificação térmica bastante grande. Por outro lado, o mecanismo atmosférico geral determina uma marcha estacional de precipitação semelhante em toda a região, criando nela uma tendência de uniformidade pluviométrica: há uma estação seca e outra chuvosa bem definidas.

Mito
Existe um mito de que o Cerrado é seco. E não é verdade. O que acontece concretamente é que nós temos seis meses de época seca chuvosa. Durante esse período praticamente não cai qualquer chuva e a umidade relativa é extremamente baixa. Então, esse mito de que o Cerrado é seco acontece porque normalmente as pessoas que vêm para a região em junho acabam sofrendo com esta secura do ar, apresentando até sangramentos nasais, por exemplo. No entanto, na época chuvosa temos praticamente 1.500 mm (1,5 metros) o que é muito, só que é tudo em um período de seis meses (a época chuvosa). Depois, de maio a setembro, a chuva é praticamente zero no bioma.

IHU On-Line – Que contribuições o Cerrado oferece para a agropecuária?
José Felipe Ribeiro – Várias. Por conta da distribuição de chuvas, boa pluviosidade, terrenos praticamente planos, favoráveis para a mecanização, o Cerrado tem contribuído hoje como o local onde praticamente boa parte da agricultura e pecuária nacionais está se desenvolvendo. Destacam-se os grãos e, devido a eles, o Cerrado é frequentemente chamado de “celeiro do mundo” por algumas empresas. Mas isso, claro, tem um preço. Quando falamos em ambiente natural, temos uma troca, em que onde se planta não se pode manter vegetação nativa. Esse comportamento de ocupação humana tem causado o desaparecimento de enormes faixas do Cerrado, em função das atividades agrícolas e pecuárias. O grande desafio que temos na agricultura e na urbanização desse ambiente é entender até que ponto se pode plantar e conservar ao mesmo tempo, mas não no mesmo lugar.

IHU On-Line – O desenvolvimento econômico está mudando o bioma?
José Felipe Ribeiro – O fato de o Cerrado ter a percepção de ser o grande potencial agrícola do Brasil está mudando a paisagem. O desenvolvimento econômico tem uma matriz baseada principalmente no recurso financeiro, mas temos que perceber como a ciência pode ajudar na economia verde, onde se deve entender como se agrupa e se associa o desenvolvimento econômico com o social e ambiental. Nesse aspecto, o Brasil pode ocupar posição de destaque, por ainda ter muita área preservada. A partir dos recursos naturais disponíveis, temos que traçar estratégias de como ocupar a terra da melhor maneira possível. Existe um ganho econômico e, ao mesmo tempo em áreas próximas, podem ser conservados vários recursos naturais imprescindíveis ao desenvolvimento econômico, como a água. Se não se conservam a água e o solo por um mau manejo do uso da terra, perdendo-os por erosão, por exemplo, tem-se o desenvolvimento econômico do Cerrado comprometido.

IHU On-Line – Podemos dizer que todo o Cerrado está modificado pela degradação ambiental ou ainda há alguma parte intacta?
José Felipe Ribeiro – Temos praticamente em torno de 50 a 55% do Cerrado ainda remanescente. Esse número era de 60% até 2002, mas, a partir daí, a ocupação aumentou bastante. Esses são dados do Ministério do Meio Ambiente, de um trabalho em conjunto com a Embrapa. Estão desaparecendo alguns tipos de paisagens que competem com a agricultura. O pior é que muitas vezes o que fica remanescente é aquela vegetação que naturalmente acontece em solos mais rasos em que a agricultura não é possível de ser feita por máquina, e ai não estaríamos conservando o que é típico do bioma. Essa é uma situação concreta, na qual a biodiversidade representativa de algumas paisagens do Cerrado está sendo perdida.

IHU On-Line – Que tipos de biodiversidades o bioma oferece?
José Felipe Ribeiro – Podemos falar em dois tipos de biodiversidade: a que agrega as matas ciliares, de galeria, secas, o cerradão, savana, o cerrado típico, as veredas e até os campos, que é a biodiversidade de paisagem, e que associa a diversidade vegetal e animal. Depois, temos as espécies: são mais de 12 mil espécies de plantas nesses ambientes, onde algumas delas ainda estão se desenvolvendo em lugares em que a agricultura está acontecendo. Só no Cerrado o Brasil contribui para a biodiversidade mundial com 12 mil espécies vegetais. Isso é um número incrivelmente amplo. O nosso país é uma nação de megabiodiversidade por causa dessas espécies que têm na Amazônia, na Mata Atlântica e no Cerrado.

IHU On-Line – De que maneira o Cerrado contribui com a diversidade vegetal?
José Felipe Ribeiro – Se formos observar, em termos de América do Sul, geograficamente o Cerrado é uma ligação entre a Amazônia e a Mata Atlântica e entre a Caatinga e o Pantanal. Assim, ele apresenta uma distribuição de espécies que ajudam no fluxo gênico de sementes entre todos os grandes biomas nacionais. Por isso ele é muito importante para essa diversidade natural de todos os biomas presentes em nosso país.

IHU On-Line – Como pode ser definida a atual situação dos recursos hídricos no bioma?
José Felipe Ribeiro – O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro em extensão, com cerca de 204 milhões de hectares (Embrapa Cerrados, 2004). Sua maior parte está localizada no Planalto Central que, conforme sua denominação, compreende regiões de elevadas altitudes, na porção central do país. Assim, o espaço geográfico ocupado pelo bioma desempenha papel fundamental no processo de captação e de distribuição dos recursos hídricos pelo país, sendo o local de origem das grandes bacias hidrográficas brasileiras e do continente sul-americano.

Agricultura
Além da importância em termos hidrológicos, esse ecossistema possui enorme destaque nos cenários agrícolas nacional e mundial. Com pouco mais de 30 anos de ocupação agrícola, o Cerrado já conta com 50 milhões de hectares de pastagens cultivadas; 13,5 milhões de hectares de culturas anuais e 2 milhões de hectares de culturas perenes e florestais. Apenas para citar algumas evidências da sua importância agrícola e econômica, na safra brasileira de 2002/2003, os percentuais da produção nacional, gerados em áreas de Cerrado, referentes às culturas de soja, algodão, milho, arroz e feijão foram de 58%, 76%, 27%, 18% e 17%, respectivamente. A região ainda responde por 41% dos 163 milhões de bovinos do rebanho brasileiro, sendo responsável por 55% da produção nacional de carne. A expansão agrícola do Cerrado continua. Culturas como a do girassol, a da cevada, a do trigo, a da seringueira e a dos hortifrutigranjeiros, bem como a prática da avicultura, desenvolvem-se rapidamente na região.

Agronegócio
Muito se tem falado sobre a importância do Cerrado para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro e sobre a sua condição de maior fronteira agrícola mundial. Entretanto, são poucas as oportunidades em que são considerados os aspectos ambientais e os impactos que esse desenvolvimento pode vir a gerar. Os benefícios advindos da ocupação agrícola do Cerrado são evidentes e incontestáveis, mas para que ele aconteça sob bases sustentáveis, gerando o máximo de benefícios com o mínimo de impactos, há informações que são fundamentais, porém, pouco conhecidas.

Sustentabilidade
Na verdade, nós cientistas agrícolas e ambientais devemos nos preocupar em entender qual o papel que o Cerrado pode ter em termos de Brasil e de mundo. Creio que não existem mais dúvidas de que esse bioma tem, hoje, um papel fundamental para a economia do país, principalmente pela produção de grãos e outras commodities. No entanto, devemos entender como melhorar a agricultura que podemos realizar nessa região. Temos que ter clara a ideia de que as commoditties agrícolas irão ser bem sucedidas se nós pudermos manejá-las compatibilizando com a conservação de algumas áreas dentro desse bioma. Essa atitude de conservação irá proporcionar uma agrobiodiversidade não só de espécies vegetais, mas também da fauna, e que inclui nós, da espécie humana. Na verdade, estamos falando ainda da conservação do solo e da água. Dependemos, como espécie, dessa água e desse solo para a agricultura, como qualquer outra espécie da natureza também depende. O ser humano deveria entender melhor essas regras do jogo infinito da natureza. Se nós não compatibilizarmos essas forças, iremos acabar perdendo esse jogo.

PM do Maranhão pede desculpa


http://www.mst.org.br/node/12742

PM do Maranhão pede desculpa por repressão a lutas no campo


2 de dezembro de 2011

Da Página do MST


Os soldados da Polícia Militar do Maranhão, por meio da sua associação dos servidores públicos, manifestaram solidariedade à luta dos Sem Terra, indígenas e quilombolas, que promoveram neste ano uma série de mobilizações pela Reforma Agrária, demarcação e titulação de terras.

Em nota, a associação dos policiais pediu desculpas por contribuir pela violência no campo. “Temos que lamentar pela violência, oriunda dos conflitos de terra. Infelizmente ela acontece e nós, ao longo do tempo, tivemos nossa parcela de responsabilidade neste problema. Admitimos os nossos excessos e, agora, pedimos desculpas por eles”, diz nota da associação.

Os policiais militares, que estão em greve há mais de uma semana no Maranhão, reivindicam aumento salarial. Cerca de mil policiais militares e oficiais do Corpo de Bombeiros do Maranhão ocuparam na quarta-feira da semana passada a Assembleia Legislativa do Estado, após a categoria decretar greve por tempo indeterminado.

“Agora, quando grande parte da sociedade maranhense está sendo solidária conosco, queremos também deixar clara a nossa solidariedade com a luta dos quilombolas, dos índios, dos sem terra! Somos o mesmo povo, vítimas da mesma opressão, da mesma exploração que se alastras pelos quatro cantos do Maranhão”, diz a nota.

Os PMs pressionam o governo do Estado a conceder aumento salarial de 30%, referente às perdas salariais dos últimos três anos. Eles também reivindicam modificações de critérios de promoção e reorganização do quadro de oficiais, implementação de jornada de trabalho de 44 horas semanais, eleição do Comandante Geral da Polícia Militar, entre outros benefícios.
Abaixo, leia a "Carta aberta à população brasileira", da Associação dos Servidores Públicos Militares do Maranhão.


Hoje, quando a nossa categoria está em greve em todo o Maranhão, está chegando a São Luís grupos de quilombolas e de lavradores sem terra. Eles, que após sucessivos acampamentos, vem novamente à nossa capital, desta vez para tratar com o presidente nacional do INCRA.

Sabemos que, historicamente, a relação entre a Polícia Militar e as organizações populares em nosso país não é boa. Porém, neste momento importante da história, onde lutamos por dignidade e melhores condições de trabalho, achamos oportuno falar desta outra luta, travada pelos homens e mulheres do campo. Primeiro, Por outro lado, agora, quando grande parte da sociedade maranhense está sendo solidária conosco, queremos também deixar clara a nossa solidariedade com a luta dos quilombolas, dos índios, dos sem terra! Somos o mesmo povo, vítimas da mesma opressão, da mesma exploração que se alastras pelos quatro cantos do Maranhão!

Por outro lado, agora, quando grande parte da sociedade maranhense está sendo solidária conosco, queremos também deixar clara a nossa solidariedade com a luta dos quilombolas, dos índios, dos sem terra! Somos o mesmo povo, vítimas da mesma opressão, da mesma exploração que se alastras pelos quatro cantos do Maranhão!

É importante, antes de tudo, reconhecer que nós somos todos irmãos!

Hoje, nós estamos acampados na Assembléia Legislativa, querendo condições de trabalho para sustentar nossas famílias, enquanto eles querendo a terra, também para comer e sustentar os seus filhos. É nosso desejo que - nesta circunstância absolutamente atípica - se possa tentar inaugurar um novo momento entre os servidores públicos militares do Maranhão e as organizações sociais do campo e da cidade.

Achamos importante dar este  exemplo para o Brasil, mostrando o verdadeiro valor do nosso povo, a grandeza da nossa gente e gritando bem alto que hoje, no Maranhão, não se consente mais esperar!
  
São Luís, 29 de novembro de 2011

Associação dos Servidores Públicos Militares do Maranhão


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

eco-ar-te

http://www.livrariarima.com.br/Default.asp?Menu=ProdutoDetalhes&ProdutoID=2255225


Eco-Ar-Te para o Reencantamento do Mundo (ref. 2254090)
MICHÈLE SATO (Org.) - 2011


Descrição

Esta obra, fruto do trabalho de 43 criadores, conta com um conjunto de significações distribuídas por seis poéticas: texto, imagem, paisagem, poesia, som e corpo. E, de fato, considerar a arte é combinar as imagens, objetos, ideias, sonoridades e sentimentos numa relação intrínseca ao domínio da imaginação e da criação. Este livro quer ressignificar nossos olhares, convidando para as trocas de lentes a fim de que a realidade seja percebida de uma maneira diferente. 

O título ´ECO-AR-TE´ foi escolhido por revelar três dimensões que conectaram os autores e, espera-se, tenham ressonâncias em outras pessoas: Ecologismo (eco) e Arte (ar) querendo se prolongar para além de nós mesmos (te). A eco-ar-te quer permitir que as pessoas percebam os fenômenos, as situações, os danos ambientais e as injustiças sociais, num jogo daqueles que não estão habituados a ter vitórias, mas jamais conseguiram perder as esperanças. O desejo é ir além da realidade cruel, resgatando o primitivo, os sonhos e as máscaras.

Sem a pretensão de guiar-se pelas teorias, escolas ou tendências, a proposta desta obra é alçar voos livres celebrando a intuição da arte como significados da Educação Ambiental. Como Michael Lowy, almeja-se uma revolução eco-socialista que aposta na mágica ideia de reencantamento do mundo. Não se trata de uma reinvenção da luz, mas de um jeito diferente de percebê-la. Como diria Lautréamont, é um convite para lançarmos um novo olhar que perceba que a poética da Educação Ambiental deve ser feita por todos. 

A luta ecologista pode ser árdua, mas nada retira dela sua esperança em um mundo mais feliz.


Especificações

360 páginas - 21x28 - Colorido - ISBN 978-85-7656-199-6


Sumário

Prefácio IX

Po-éticas da educação ambiental 2
Michèle Sato

I. POÉTICA DO TEXTO

Carta da Terra 11
Leonardo Boff

Ciência e Cultura 21
Marcos Terena

Educação Ambiental, Sociedade de Risco e o Desafio de Inovar para 
Modificar Práticas Sociais 28
Pedro Roberto Jacobi

Lições da Ciência Natural: A Arte de Aprender no Ambiente e com o Ambiente 35
José Gutiérrez-Pérez

Movimento Artistas pela Natureza (MAPN) 46

Arte Popular: Trilheira para a Arte/Educação/Ambiental 52
Imara Pizzato Quadros

No Fio da Navalha 63
Luiz Antonio Ferraro Júnior

Sonhos de Eduardo 73
Gabriel Felipe Kalb; Ivo Alberto Kalb

Civilização X Barbárie 82
Wladimir Gomide

II. POÉTICA DA IMAGEM

Não Há Regras, Apenas Materiais 87
Burnell Yow

Surrealismo 94
Bernard Dumaine

Surrealismo na Veia de Magritte 100
Flávio Zanelatto; Michèle Sato

Educação Ambiental e Suas Relações com o Universo da Fotografia 108
Martha Tristão; Vitor Nogueira

Arte, Sociedade e Educação Ambiental: Um Reflexo das Organizações 
Sociais, Económicas e Políticas 116
Joaquim Ramos Pinto; Manuela Galante

O Cinismo do Mundo 134
Liete Alves

III. POÉTICA DA PAISAGEM

Crônicas de Viagem 146
Isabel Carvalho

Como Era Verde o Meu Sahel 167
Aidil Borges

A Arquitetura da Floresta 177
Valionel Tomaz Pigatti

Ponte da Misarela 181
Alfredo Mendes

Representaciones Sociales, Cultura y Gestión del Agua: Algunas Notas para el Debate

Sobre Una ¿Nueva Cultura del Agua¿ en América Latina 185
Nidia Piñeyro

As Metáforas da Água e a Mediação entre Natureza e Cultura 196
Vera Lessa Catalão

IV. POÉTICA DO SOM

Madame Butterfly: De Benjamin Franklin Pinkerton a Bush ¿ O Ocidente 
no Banco dos Réus 203
Luiz Augusto Passos

Música Ambiente e Ambiente Musical (em Contraponto) 225
Herman Hudson de Oliveira

V. POÉTICA DA POESIA

Sou Ave Plantada no Céu 234
Gaivota

Poética Ambiental 239
Artur Gomes

Momentos Poéticos 249
Virgínia Fulber; Eliana de Faro Valença

Haikais da Natureza 261
Jiddu Saldanha

A Poética do Cerrado ¿ Uma Antologia de Autores Que Cantaram esta 
Antiga, Rica e Frágil Região Core do Brasil 266
Rômulo Pinto Andrade

Poesia Reunida 284
Pat Mousinho; Ramón Vargas; Ricardo Vicente; Michèle Sato

VI. POÉTICA DO CORPO

Um Extrato de Âmbar Que Atravessa os Séculos 298
Michèle Sato

A Arte de Educar com Bonecos na Educação Ambiental 309
Maria Neuma Clemente Galvão

Escultura e Educação Ambiental 319
Rachel Trajber

Corpo, Mito e Ancestralidade: O Legado do Viajante 325
André Sarturi

Na Voragem do Olhar: Uma Visão Mitopoética dos Elementos 334
Luciana Pessanha Pires

Viagens entre os Mundos 338
Ivan Belém; Michèle Sato

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ECO-AR-TE


ECO-AR-TE para o reencantamento do mundo
Rima & Fapemat
Michèle Sato, 2011




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