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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Jair Bolsonaro's inauguration: the day progressive Brazil has dreaded


guardian
https://www.theguardian.com/world/2019/jan/02/brazil-jair-bolsonaro-amazon-rainforest-protections?utm_term=RWRpdG9yaWFsX0dyZWVuTGlnaHQtMTkwMTA0&utm_source=esp&utm_medium=Email&utm_campaign=GreenLight&CMP=greenlight_email

Jair Bolsonaro's provocative views in six clips – video
Hours after taking office, Brazil’s new president, Jair Bolsonaro, has launched an assault on environmental and Amazon protections with an executive order transferring the regulation and creation of new indigenous reserves to the agriculture ministry – which is controlled by the powerful agribusiness lobby.
The move sparked outcry from indigenous leaders, who said it threatened their reserves, which make up about 13% of Brazilian territory, and marked a symbolic concession to farming interests at a time when deforestation is rising again.
“There will be an increase in deforestation and violence against indigenous people,” said Dinaman Tuxá, the executive coordinator of the Articulation of Indigenous People of Brazil (Apib). “Indigenous people are defenders and protectors of the environment.”
Sonia Guajajara, an indigenous leader who stood as vice-presidential candidate for the Socialism and Freedom party (PSOL) tweeted her opposition. “The dismantling has already begun,” she posted on Tuesday.
Previously, demarcation of indigenous reserves was controlled by the indigenous agency Funai, which has been moved from the justice ministry to a new ministry of women, family and human rights controlled by an evangelical pastor.
The decision was included in an executive order which also gave Bolsonaro’s government secretary potentially far-reaching powers over non-governmental organizations working in Brazil.
The temporary decree, which expires unless it is ratified by congress within 120 days, mandates that the office of the government secretary, Carlos Alberto Dos Santos Cruz, “supervise, coordinate, monitor and accompany the activities and actions of international organizations and non-governmental organizations in the national territory”.
Bolsonaro, who has often criticised Brazilian and international NGOs who he accuses of “sticking their noses into Brazil”, defended the measure in a tweet on Wednesday. “More than 15% of national territory is demarcated as indigenous land and quilombos. Less than a million people live in these places, isolated from true Brazil, exploited and manipulated by NGOs. Together we will integrate these citizens,” he posted.
Separately, the incoming health minister, Luiz Henrique Mandetta, suggested on Wednesday that there would be spending cuts on healthcare for indigenous people. “We have figures for the general public that are much below what is spent on healthcare for the indigenous,” he said, without providing details.
During last year’s election campaign, Bolsonaro promised to end demarcation of new indigenous lands, reduce the power of environmental agencies and free up mining and commercial farming on indigenous reserves. His measure also gave the agriculture ministry power over new quilombosrural settlements inhabited by descendants of former slaves.
After she was sworn in on Wednesday, the new agriculture minister, Tereza Cristina Dias, defended the farm sector from accusations it has grown at the expense of the environment, adding that the strength of Brazil’s farmers had generated “unfounded accusations” from unnamed international groups.
Silas Malafaia, an influential televangelist and close friend of Bolsonaro, said developed countries who centuries ago cut down their own forests should pay if they wanted Brazil to preserve the Amazon.
“We’re going to preserve everything because the gringos destroyed what they had?” he said.
Former environment minister Marina Silva tweeted: “Bolsonaro has begun his government in the worst possible way.”
Tuxá, the indigenous leader, said: “We will go through another colonisation process, this is what they want.”

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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Feliz ano velho

le monde
https://diplomatique.org.br/feliz-ano-velho/

Feliz ano velho

por Juliana Sayuri e Alexandre Busko Valim
dezembro 6, 2018
Imagem por Desvio Coletivo

Discurso elogioso à ditadura militar, caça às bruxas nas universidades, censura à imprensa, violência e violações de direitos humanos: 2019 consolida a ascensão de Jair Bolsonaro à presidência e desperta fantasmas antigos do autoritarismo no Brasil. Confira o Especial – Tendências Autoritárias no Tempo Presente
Jair Bolsonaro (PSL) assumirá a Presidência da República a partir de 1o de janeiro de 2019. Feliz ano velho: fantasmas antigos de um passado autoritário rondam o presidente eleito em outubro último, como o discurso elogioso à ditadura militar, a caça às bruxas nas universidades, a censura à imprensa, além de uma escalada de atos de violência e violações de direitos humanos no país.
Entretanto, conforme expressou o editor Silvio Caccia Bava nas páginas de novembro de Le Monde Diplomatique Brasil: “Pela visão autoritária e repressiva do governo eleito, que se propõe a destituir direitos por atacado no começo de seu governo, a enquadrar os movimentos sociais como terroristas e a tratar com violência a oposição, não faltarão motivos para que a oposição se articule”. Parte dessa resistência se dá no campo das palavras – e é esta a proposta deste dossiê especial que busca discutir tendências autoritárias que se desenrolam no presente, sobretudo a dois diletos temas do presidente eleito: direitos humanos e ditadura militar, segundo reportagem da BBC News Brasil que destacou estudo do sociólogo Leonardo Nascimento.
“Nós, historiadores, sentimos rapidamente no ar o que estava acontecendo. A democracia estava sendo corroída por dentro”, destaca a historiadora Beatriz Mamigonian, professora titular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e integrante do movimento Historiadores pela Democracia. Em entrevista exclusiva, ela analisa os sombrios sinais do passado no presente. E destaca o papel dos profissionais da história nos debates atuais: “Observando nosso engajamento de 2016 para cá, penso que fizemos tudo o que era possível”.
Paralelos históricos são instrutivos, escreveu o sociólogo Gabriel Cohn neste Diplô, desde que não levados ao pé da letra. De fato, há momentos que trazem à tona semelhanças entre regimes autoritários do passado e do presente – “e autoritarismo”, diz Cohn, “é o que menos falta no modelo que se vai construindo, importa descobrir a forma particular que vai assumindo em cada caso”. Neste contexto, esta série, assinada por professores e pós-graduandos da UFSC, discute diferentes aspectos de tais tendências autoritárias atuais, partindo de chavões que marcaram a campanha presidencial.

“Tem que mudar tudo isso que tá aí, tá ok?”, por exemplo, deu o tom de desencantamento com a política, um dos elementos de incerteza do futuro que historicamente nutre o fascismo. Dialogando com Francisco Carlos Teixeira da Silva e Robert O. Paxton, a historiadora Natália Abreu Damasceno explora essa discussão. Segundo seu diagnóstico, os admiradores de Bolsonaro, autores de agressões e até assassinato em nome do presidente eleito, já passaram do “simples flerte fascistoide” e abraçaram o neofascismo.
“As instituições estão funcionando normalmente”, outra frase repetida ad infinitum nos últimos tempos, oculta a fragilidade da jovem democracia. Nesta arena se debruça o historiador Ricardo Duwe que, a partir das considerações de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, autores de How Democracies Die (2018), indica vestígios de uma trilha para institucionalização do autoritarismo no país.

“Vote consciente!” é o bordão bradado invariavelmente a cada pleito. A jornalista e historiadora Luciana Paula Bonetti Silva discute como o lema se esvazia diante de práticas neocoronelistas por empresários comprometidos em angariar votos para certos candidatos, inclusive intimidando e ameaçando demitir milhares de funcionários caso seu pangaré não vença a corrida eleitoral.
“As mulheres de direita são muito mais bonitas que as de esquerda”, paspalhice proferida por Eduardo Bolsonaro, filho do presidente eleito, sinaliza como as alas conservadoras definitivamente não compreenderam o fenômeno #EleNão, o feminismo e as discussões sobre o feminino. A designer e historiadora Isabela Fuchs aborda o papel das mulheres na política, em 1964 e em 2018.
Arquivo Nacional/Correio da manhã

“Já está feito, já pegou fogo, quer que faça o quê?” foi a assombrosa afirmação de Jair Bolsonaro após o trágico incêndio do Museu Nacional, no Rio, que se tornou símbolo do descaso pela memória, pela cultura e pela ciência no país. Especialista cultural, a historiadora Giane Maria de Souza analisa a trajetória de tentativas de políticas participativas de patrimônio cultural – e como muitas delas se tornaram cinzas.
“Na ditadura, tudo era melhor” é uma das falácias favoritas de apoiadores do novo governo. Melhor para quem, meus amigos? O professor Jean-Marie Farines, coordenador da Comissão Memória e Verdade da UFSC, revisita o passado autoritário da ditadura militar (não superado, segundo sua análise) no campus da universidade. Farines relata estudantes expulsos, professores presos, censura, desaparecimento, perseguições políticas, prisões arbitrárias e ilegais, torturas, “suicídios” – e questiona: como ter saudades?

*Por Juliana Sayuri e Alexandre Busko Valim, respectivamente jornalista, historiadora e autora de Diplô: Paris – Porto Alegre (2016) e Paris – Buenos Aires (2018), e historiador, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e autor de O Triunfo da Persuasão (2017), entre outros

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

A fúria dos que saíram do armário

carta maior
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-furia-dos-que-sairam-do-armario/4/35232


23/12/2015 - Copyleft

A fúria dos que saíram do armário

Essa direita troglodita ataca à traição. E sabe que figuras públicas não costumam reagir, para não alimentar a sede mesquinha dos escrevedores de intrigas.


Eric Nepomuceno
Reprodução
O que mais impressiona – e preocupa – na agressão verbal que um grupo de garotões cuja profissão principal é ser filho de pai rico lançou contra Chico Buarque na noite da segunda-feira, 21 de dezembro? Três coisas. Primeiro, a extrema fúria dessa direita desgarrada que acaba de sair do armário embutido. Segundo, a facilidade com que repetem o que dizem os grandes meios de comunicação. E terceiro, a incapacidade para qualquer gesto minimamente civilizado.
 
Chico saía de um jantar com amigos quando, ao buscar um táxi, passou a ser chamado de ‘petista’. Ouviu a repetição de clichês idiotas repetidos à exaustão pelos meios de incomunicação e pelos deformadores de opinião. A um dos garotões ele respondeu com humor. Dizia o valentão que defender o PT quando se mora em Paris é fácil. ‘Você mora em Paris?’, perguntou Chico. E o rapaz respondeu: “Não, quem mora em Paris é você!’. Chico, então, perguntou: ‘Você andou lendo a Veja?’. A ironia continua sendo uma válvula de escape. Mas para ter ironia é preciso inteligência, artigo definitivamente raro na praça.
 

 
Não foi a primeira nem a décima agressão verbal que ele e seus amigos ouvem, todas relacionadas ao PT, a Lula e a Dilma. O mais recomendável é, sempre, fazer ouvidos moucos. Mas também essa regra tem suas exceções. O episódio de segunda-feira foi inevitável: Chico estava no meio da rua, é pessoa pública, reconhecível a milhas marítimas de distância.
 
Mais grave é saber que não foi a primeira nem a decima ocasião, e também não terá sido a última. O país está polarizado como poucas vezes esteve nos últimos 50 ou 60 anos. O grau de agressividade, de furiosa intransigência dessa direita recém-saída de um imenso armário – certamente embutido – é o que mais chama a atenção. E preocupa. Muito. Dizer na cara de alguém ‘Você é um merda’ pode ter consequências sérias. Chico sabia e sabe que qualquer reação à altura não faria outra coisa que atiçar ainda mais a fúria dessa direita desembestada, fartamente alimentada pela grande imprensa. Até nisso a direita recém assumida em sua verdadeira essência é covarde. Até quando?
 
O país se acostumou às tristes cenas de violência entre torcidas organizadas no futebol. Elas pelo menos têm a decência de se uniformizar, ou seja, é fácil identificar o adversário à distância.
 
Essa direita troglodita, não. Ataca à traição. E sabe que figuras públicas como as que foram atacadas à sorrelfa não costumam reagir, para não alimentar a sede mesquinha dos escrevedores de intrigas.
 
Há poucos registros, que eu me lembre, de alguém que tenha saído do armário com tanta sede de ação. Cuidado com eles: tantas ganas reprimidas, quando subitamente liberadas, desconhecem limites.
 
Eric Nepomuceno é jornalista e escritor, estava com Chico no episódio relatado

sábado, 15 de agosto de 2015

nada vale a pena quando a alma é pequena

correio
http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=11020:2015-08-14-20-09-06&catid=25:politica&Itemid=47


nada vale a pena quando a alma é pequena
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ESCRITO POR ROBERTO MALVEZZI (GOGÓ)   
SEXTA, 14 DE AGOSTO DE 2015


O que mais chama a atenção da direita que está nas ruas é sua alma pequena, a incapacidade de enxergar o outro, o olhar narcisístico que só enxerga o espelho.

Aliás, essa é a essência de ser de direita, não enxergar ninguém mais além do próprio umbigo.

Em qualquer país do mundo que se chega, os cidadãos gostam de falar de suas conquistas, inclusive da justiça social. Só aqui o fato de os pobres saírem da miséria, de participarem um pouco mais dos frutos do trabalho, de conquistarem bens básicos como água, alimentação, moradia, sem falar na energia, no telefone, etc., gera tristeza e ódio nessa população que está nas ruas.

Não há em seus discursos um único gesto de solidariedade, uma única palavra de reconhecimento pelas conquistas que as populações mais marginalizadas desse país obtiveram nos últimos anos.

Os problemas desse governo são muitos, a corrupção é um deles, mas não o único e nem o principal. Os juros do Brasil devoram nossas riquezas, por eles há multidões que perdem muito e poucos banqueiros e especuladores que ganham uma fábula.

O insuspeito Benjamim Steinbruch calculou que de 2013 a 2015 o Brasil pagará 1,038 trilhão de reais de juros (“Você Sabia?” UOL, 11/08/2015). O que é o dinheiro da Lava Jato diante dessa fábula de recursos públicos transferidos para os especuladores?

Além do mais, o combate à corrupção é farisaico e seletivo, até porque há outros escândalos como o da Suíça, dos Zelotes, que flagrou gente da mídia, donos de meios de comunicação, jornalistas, apresentadores de TVs, artistas, gente do meio jurídico. Mas esses parecem poder fazer exatamente o que fazem.

Portanto, o combate à corrupção acaba sendo apenas um pretexto – além da monumental hipocrisia – para a direita que vai às ruas pedir impedimentos e retorno do regime militar.

Lembrando e invertendo Fernando Pessoa, “nada vale a pena quando a alma é pequena”.

Leia mais:






Roberto Malvezzi (Gogó) possui formação em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. Atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Tucanos detonaram MG. Cadê as CPIs?

carta maior
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Tucanos-detonaram-MG-Cade-as-CPIs-/4/32652


Tucanos detonaram MG. Cadê as CPIs?

O balanço parcial das contas públicas aponta uma diferença de R$ 1,5 bilhão entre receita e despesas dos governantes do 'choque de gestão.'


Altamiro Borges - altamiroborges.com.br
Igo Estrela / Aécio Neves - Flickr
Nas duas primeiras semanas no Palácio Tiradentes, a equipe do governador Fernando Pimentel (PT) chegou a uma triste conclusão: os tucanos que comandaram Minas Gerais por 12 anos detonaram o Estado. Apesar da propaganda sobre o “choque de gestão”, sempre amplificada pela mídia chapa-branca, o balanço parcial das contas públicas aponta uma diferença de R$ 1,5 bilhão entre receita e despesas. Os dados mostram que o governo arrecadou, em 2014, cerca de R$ 70 bilhões, enquanto os gastos somaram R$ 71,5 bilhões. O saldo negativo – “maior do que o previsto”, segundo membros do antigo secretariado – desmascara as bravatas do cambaleante Aécio Neves nas eleições de 2014.


Fernando Pimentel tem sido cauteloso na análise da situação herdada no governo estadual. A primeira reunião do novo secretariado, no início de janeiro, foi feita às portas fechadas e seus integrantes evitaram detalhar à imprensa as medidas que serão tomadas para superar as dificuldades. Mas o governador petista já garantiu que apresentará em breve um balanço rigoroso da situação do Estado. Os tucanos encararam a promessa como uma “devassa”, uma vingança. Há também sinais de que o novo governo pretende investigar as várias denúncias de irregularidades nos 12 anos de tucanato que sempre foram abafadas pela mídia chapa-branca e engavetadas pelos poderes Legislativo e Judiciário.

Segundo reportagem do Jornal do Brasil, “Aécio Neves poderá enfrentar uma enxurrada de CPIs em Minas Gerais”. O objetivo é investigar tanto a gestão dele no governo estadual (2003 a 2010), como a do seu correligionário e sucessor, Antonio Anastasia, eleito senador em outubro passado. “Durante esses 12 anos de governo do PSDB, a oposição foi impedida de instalar CPIs. Havia boicotes”, argumenta o deputado estadual Rogério Correia (PT), reeleito para o seu quarto mandato na Assembleia de Minas Gerais com 72.413 votos. O parlamentar listou algumas das CPIs que poderão ser criadas no próximo período. Vale conferir os trechos mais inflamáveis da reportagem:


*****


A CPI de Repasses Educacionais é uma das que estão na lista dos antigos oposicionistas, que agora compõem a base aliada do governador eleito de Minas. Com base em cálculos do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o deputado afirma que há uma defasagem de R$ 8 bilhões em recursos que deveriam de sido aplicados na área nos 12 anos de governo tucano. ‘Jamais aplicaram o mínimo de 25% como determina a legislação’, diz Correia. Segundo o parlamentar, se for instalada, a CPI da Saúde também investigará uma defasagem em torno de R$ 8 bilhões no setor.
Outra CPI envolve um parente de Aécio: a da Construção da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, sede do governo mineiro, entregue em 2010. O deputado informa que a obra teve um custo de R$ 600 milhões, porém a despesa final alcançou R$ 1,2 bilhão, o dobro do valor inicial. De acordo com o petista, a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) foi a responsável pela obra, que era presidida por um parente de Aécio chamado Oswaldo Borges da Costa. ‘Ele preside a Codemig desde que Aécio entrou (no governo)’, complementa. Ainda referindo-se à Codemig, o parlamentar afirma que será investigada a extração de um minério conhecido como Nóbio feita sem licitação.
Nem mesmo o Mineirão, um dos estádios-sede da Copa do Mundo, ficou de fora da lista de CPIs por parte dos antigos oposicionistas. Correia diz que, segundo o contrato entre o governo mineiro e o consórcio Minas Arena, responsável pelo gerenciamento do estádio, o consórcio deve atingir um lucro de R$ 7 milhões com a manutenção da arena. ‘No ano passado (2014), o governo desembolsou cerca de R$ 50 milhões só para o lucro do consórcio. Tira dinheiro público para sustentar o lucro da empresa’, denuncia o parlamentar. O deputado aponta, ainda, superfaturamento nas obras.

Em relação à Companhia Energética de Minas Gerias (Cemig), Correia afrima que atualmente a empresa é controlada pela Andrade Gutierrez (a mesma envolvida na Operação Lava Jato, da Polícia Federal). ‘A Andrade, embora tenha participação minoritária, tem um mando, no mínimo, estranho’, complementa.
Outra CPI citada pelo deputado é a das Verbas Publicitárias. Parlamentares da Assembleia de Minas pretendem investigar a doação de verba publicitária para a Rádio Arco-Íris, da qual Aécio é proprietário, bem como sua irmã, Andrea Neves. Vale ressaltar que, em 2012, o Ministério Público (MP-MG) instaurou um inquérito civil com o objetivo de apurar os repasses feitos ao veículo entre 2003 e 2010. A ligação de Aécio com a emissora veio à tona em abril de 2011, quando o senador mineiro se recusou a fazer o testo do bafômetro depois de ser parado em uma blitz da Lei Seca no Rio de Janeiro. O parlamentar, que foi multado em R$ 1.149,24, teve a carteira de habilitação (vencida) apreendida. O senador tucano dirigia uma Land Rover de placa HMA-1003, comprado em novembro de 2010 em nome da emissora, detentora de uma franquia da Rádio Jovem Pan FM em Belo Horizonte.
O deputado do PT menciona, também, o Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg) como um dos possíveis alvos de investigações. Sem maiores detalhes, Correia diz que recursos foram retirados do instituto para o caixa único do governo. O valor seria cerca de R$ 250 milhões. Em novembro passado, o governo mineiro informou, em nota, que o decreto referente à medida ‘apenas’ regulamenta a transferência dos recursos de uma conta bancária para outra... ‘O dinheiro do Ipsemg é o único, dentre os órgãos públicos, que não está no caixa único do Estado. O decreto apenas regulamenta a transferência do dinheiro, que será feita aos poucos’.
Talvez o caso mais conhecido acerca de possíveis investigações contra Aécio, o aeroporto de Claudio, município do interior mineiro. Conforme denúncia da Folha, em matéria publicada em julho do ano passado, o tucano cometeu ato de improbidade administrativa ao utilizar R$ 14 milhões de recursos públicos para construir um aeroporto, em uma área desapropriada que pertencia ao seu tio-avô. Também no mês de julho, em artigo enviado para a Folha, Aécio afirmou que, "se algum equívoco houve, certamente eu posso reconhecer e não ter me preocupado em examinar em que estágio o processo de homologação está". "Este é um equívoco e eu quero reconhecer. O MP-MG abriu investigação sobre o caso.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Aécio, Bolsonaro, Feliciano: este é o legado de junho?

carta maior
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Aecio-Bolsonaro-Feliciano-este-e-o-legado-de-junho-/4/31935

Aécio, Bolsonaro, Feliciano: este é o legado de junho?

Uma parte importante da voz que saiu das urnas no domingo expressa um moralismo reacionário e uma reação conservadora sem precedentes em décadas.


Katarina Peixoto
Arquivo

Há dois pontos de partida para entender a decisão deste primeiro turno nacional, encerrado ontem. O primeiro é junho de 2013 e o segundo, o Congresso Nacional eleito. Toda captura de flutuações e acidentes eleitorais não pode deixar de ser sobrepujada pelo fato de que a decisão de domingo (5) contém o moralismo reacionário e uma reação conservadora sem precedentes, pela via eleitoral, em décadas. O Rio, para ficar num exemplo, escolheu Bolsonaro como o grande votado para a Câmara de Deputados. O que o torna o grande votado é o seu caráter moralizador: supostamente, ele está fora dessa "sujeira toda". Em São Paulo, a versão  moralizadora é evangélica, mesmo, sem intermediações classistas no armário: Marcos Feliciano e Russomano. Evangélicos e televisão, além do palhaço Tiririca, que não é pior que nenhum deles, embora tenha sido eleito pelo eleitor que “quer dar o troco”. O troco a que? “A essa sujeira toda”.

A resposta veio com um Congresso mais à direita: mais conservador e mais evangélico. Não há novidade histórica nisso. A todos os movimentos desestabilizadores mobilizados com ajuda de redes sociais, dos últimos anos, no mundo, seguiram-se reações autoritárias, conservadoras e regressivas socialmente. O que se passa é que a resposta à demanda moral é e sempre foi esta: o abrigo seguro da zona de conforto perceptiva representado pela estabilidade prometida da direita. Esse truque moralista da direita tornou-se possível, agora, com a legitimação que as grandes manifestações de junho lhe propiciaram. Poderia ser apenas uma piada ter Aécio Neves reivindicando o “legado” de junho.  O problema é a legitimidade com que ele faz isso: trata-se de tomar para si a reclamação contra "essa sujeira toda".

O moralismo é uma expressão reativa de instabilidade social e desagregação política. O seu truque, embora muito bem calçado na mídia oligárquico-familiar que, mais uma vez, conseguiu tirar uma vitória no primeiro turno para o projeto popular, agora está mais robusto e animado do que nunca. Não têm um carrancudo ou uma carrancuda ressentidos, como candidatos, mas um moço bonito, bem nascido e simpático. Um rapaz que não é exatamente do ramo da Política, mas das oligarquias. Nunca precisou trabalhar para pagar uma conta, nem governar para ter aprovação.  A sua candidatura arregimenta a direita de maneira veloz e consistente, com a gigantesca propaganda midiática que lhe é aliada, desde sempre. Como derrotar isso?

A resposta sopra de Minas Gerais e da superioridade moral da Dilma. Para se chegar nessa resposta é preciso enquadrar o debate eleitoral, pautá-lo e não se render ou entrar no jogo do que nos jogam no colo. É muito revelador da indigência política da oposição brasileira à transformação dos últimos dez anos resumir-se a um único tema: a corrupção. Então, acabar com a fome endêmica não merece reconhecimento, nem termos em curso o maior programa de habitação popular da história do país, nem termos, como temos, hoje, de maneira inédita, um quadro de pleno emprego, nacional, numa democracia, nesta gigantesca crise mundial.

Não importam as conquistas da Petrobras, nem as obras em infraestrutura. O Brasil Sem Miséria, a valorização do salário mínimo e o PRONATEC tampouco são questionados. As políticas de cotas, a política de investimentos públicos e de crédito via bancos públicos. Tudo isso é “corrupção”. Por que? Se tudo isso não passasse de corrupção, esses programas teriam os resultados que tiveram e teriam produzido o impacto que produziram? Por que razão não apresentam alternativas, outras propostas ou programa, para disputar o voto e a confiança do eleitor? Em que se alicerça a confiança requerida pelo candidato do PSDB, para pedir o voto dos brasileiros?

O que ele teria a oferecer está baseado no seu mandato como senador ausente, morador do Rio de Janeiro, ou como ex-governador de Minas Gerais? Seria possível Aécio tecer alguma crítica ou oferecer algum programa de governo alternativo, sem depender da Tevê  Globo, dos seus colunistas no rádio e nos seus jornais, e da Editora Abril e do Grupo Frias, em São Paulo?

O que Aécio pensa do nordeste brasileiro e da transposição do São Francisco? O que ele pretende fazer com a ferrovia transnordestina? Qual a opinião do candidato sobre o sistema de ferrovias e hidrovias em curso e, claro, qual a sua política para o setor energético, vale dizer, Petrobras?

Qual o programa do candidato para fazer o Brasil voltar a crescer nos patamares que o PT fez? Qual o balanço que Aécio faz da educação, do ensino superior e da pesquisa produzida hoje, no país?

Qual o balanço que o candidato do PSDB faz da maior experiência de redução de desigualdades do mundo, neste intervalo de tempo, na história moderna?

O candidato da oposição foi julgado pelo seu estado, um dos maiores colégios eleitorais do país, e condenado, politicamente, pelos maus serviços prestados. O que o mantém e eleva é, uma vez mais, a mídia oligárquica e a direita rearranjada, com seus odiadores de estimação, em alta velocidade.

Pouco importa se ele só apresentou o seu programa de governo na véspera do primeiro turno: ele não precisa de um programa de governo, porque quem precisa disso é quem está submetido ao debate. Ele foi ungido midiaticamente para limpar o país. A esse tipo de escárnio não se responde aceitando as suas acusações nem se submetendo ao seu jogo. Vence-se esse escárnio com seriedade, respeito, memória e sentido histórico.

Não tem essa de que o que o PT fez foi dar continuidade ao que o PSDB fez. Os projetos são diferentes. Para deixar essa distinção às claras, é fundamental situar historicamente as escolhas que foram feitas. O Brasil Sem Miséria é um programa muito menos custoso do que qualquer entrega de patrimônio público já feita pelo PSDB e muito menos custoso do que a remessa de dinheiro via taxação de juros ao sistema financeiro, que foi uma regra aceita pelo PSDB, com galhardia, e pelo PT, com conivência.

Todas e cada uma das conquistas do país, da última década, devem-se a decisões de natureza Política. Reivindicar a dignidade da Política e defender a representatividade é a única maneira de combater o fascismo que nutre a acusação moralista. Se essas coisas não são concretas, cabe mostrar e estabelecer o seu elo de concretização: decidimos enfrentar essa indignidade, que é a fome, abrimos outras possibilidades, para o próximo passo, com o PRONATEC, valorizamos a agricultura familiar, o conteúdo nacional, a economia interna, o patrimônio público.

O ódio moralista é um ódio contra a ideia mesma de algo público e estatal; é a recusa cevada em doses cavalares de denúncias criminalizantes, ad nauseam, de que a solidariedade, a generosidade e o reconhecimento são truques. É esta repulsa que está na origem da defesa das privatizações e também na denegação do caráter civilizatório da transformação ocorrida no país. Sabemos de tudo isso, aprendemos e podemos olhar para o mundo e ver o que fizeram e no que deu o que fizeram (mais de 60 milhões de desempregados nos EUA e na União Europeia, sem contar a regressão brutal nos índices de desigualdade nessas regiões, à beira da depressão econômica e sem prognóstico que não um quadro mais sombrio). A América Latina é hoje, graças aos governos a contravento, da última década, um mercado mais robusto, mais educado, mais estável, do que era e do que estão zonas tradicionais do capitalismo; não é preciso muito esforço para se inferir, daí, o caráter estratégico do Brasil (vai sem dizer um detalhe: o Pré-Sal).

A resposta sopra em Minas, no nordeste, na memória e na Política. E no ataque, em contrapartida, à hipocrisia, ao cinismo, ao autoritarismo e ao caráter oligárquico do projeto representado por Aécio. Foi porque o Brasil rejeitou esse projeto que conseguiu incluir dezenas de milhões, sair do mapa da fome e ter pleno emprego. Foi porque o povo tirou o PSDB da centralidade das decisões políticas sobre o rumo do país que o Brasil chegou aonde chegou, e não o contrário: não somos nós que devemos ao PSDB as grandes conquistas alcançadas. Essas conquistas, todas elas, derivam das escolhas antagônicas àquelas por eles defendidas.

Por fim, sobre o caráter da Dilma. É preciso apresentar a sua “cepa” política: o Brasil tem, talvez pela primeira vez na sua história, uma estadista, republicana e democrática, à frente do país. Essas características estão fincadas na história do trabalhismo, da resistência à ditadura e da construção da democracia por dentro das gestões democráticas e populares. É uma trajetória de compromisso com a democratização do estado e universalização de direitos. É a história da construção mesma do Estado nacional, como experiência democrática, popular e nacionalista.

De nada adianta cantar Bob Dylan em lamento. A resposta não está soprando no vento.








Créditos da foto: Arquivo



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