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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Oposição se articula e Câmara altera PL que poderia criminalizar movimentos populares

https://www.brasildefato.com.br/2019/02/12/pl-que-poderia-criminalizar-movimentos-e-aprovada-com-alteracoes-da-oposicao/

Oposição se articula e Câmara altera PL que poderia criminalizar movimentos populares

De iniciativa do governo de Michel Temer (MDB), matéria estava no radar de Bolsonaro (PSL) e agora segue para o Senado

Brasil de Fato | Brasília (DF)
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Plenário da Câmara dos Deputados durante discussão do PL 10.431/2018 / Najara Araujo/Câmara dos Deputados

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta terça-feira (12), por votação simbólica, o Projeto de Lei 10.431/2018, de autoria do governo de Michel Temer (MDB), que possibilita o bloqueio de bens de pessoas e entidades investigadas ou acusadas de terrorismo. 
A proposta estava no radar do governo do emedebista e também do atual presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), e sua base, que haviam conseguido aprovar a tramitação de urgência da matéria ainda no semestre passado.
O texto, encaminhado pelo Poder Executivo ao Legislativo em julho do ano passado, foi, desde então, alvo de críticas de segmentos populares e deputados do campo progressista.
Os opositores apontavam o risco de o PL abrir espaço para a criminalização dos movimentos populares por conta da disputa político-ideológica em torno da caracterização dos crimes de terrorismo, conceito costumeiramente utilizado pela ala mais conservadora como manobra para tentar enquadrar movimentos populares e outras entidades relacionadas à luta social.  
Entre debates e tentativas de obstrução do PL por parte da oposição nesta terça-feira, os deputados costuraram um acordo e retiraram dois trechos que estavam entre os mais criticados da proposta.  
O primeiro é um artigo que permitia que os Ministérios da Justiça (MJ) e das Relações Exteriores (MRE) fizessem, a pedido da Polícia Federal ou do Ministério Público Federal (MPF), a chamada “designação nacional”.
O instituto consiste na decisão sobre qual brasileiro poderia ter o nome incluído na lista do Conselho de Segurança da ONU que indica bens de acusados de terrorismo passíveis de bloqueio. Pelo texto original do PL, a ação se daria sem necessidade de prévia autorização judicial.
Pelo fato de concentrar a decisão em órgãos do Poder Executivo e no MPF, o dispositivo era destacado pela oposição como um dos pontos que poderiam possibilitar armadilhas políticas contra atores da luta popular.  
A outra mudança consistiu na retirada do trecho que previa que a indisponibilidade de ativos dos acusados de terrorismo ocorresse a pedido de “autoridade brasileira” no caso de os acusados serem alvo da designação nacional.  
O relator da proposta, Efraim Filho (DEM-PB), havia defendido a aprovação do PL na íntegra, mas, por conta da forte oposição à matéria, acabou acolhendo as duas alterações. O texto final foi aprovado pelo plenário.
Antes da votação, Filho havia lido os pareceres das Comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO), Finanças e Tributação (CFT) e Constituição e Justiça (CCJC) da Casa, defendendo a aprovação do PL no mérito.
Em entrevista ao Brasil de Fato após a votação, o líder da bancada do PT, Paulo Pimenta (RS), considerou que, diante da atual equação de forças da Casa, que tem maioria conservadora e defensora de medidas dessa natureza, o resultado teria sido “o possível” para a oposição.   
“Nossa preocupação foi afastar do projeto qualquer possibilidade de que agora – ou no futuro, em função de alguma mudança legislativa – essa matéria possa ser utilizada pra justificar qualquer tentativa de criminalização dos movimentos sociais. É um resultado que atendeu a nossa expectativa e foi fruto de muito debate da sociedade e de muita mobilização nas redes sociais, que criaram as condições pra que pudéssemos garantir esse resultado", completou. 
Agora o projeto será encaminhado para avaliação do Senado.
Jogo
Como o processo se deu por votação simbólica, não há detalhamento do placar final porque, nesses casos, o resultado é proclamado a partir da manifestação silenciosa dos parlamentares presentes.
Ao longo da sessão, a oposição ao PL ficou concentrada especialmente em membros do PT e do Psol, que foram vencidos pela ampla maioria, alimentada principalmente por deputados da chamada “bancada da bala”.
Um requerimento apresentado pelo PT para retirar a matéria da pauta, por exemplo, teve 21 votos pelo “sim” e 238 pelo “não”, com uma abstenção.
Edição: Mauro Ramos

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Desastre: Brasil sem governo há 42 dias

https://blogdacidadania.com.br/2019/02/desastre-brasil-sem-governo-ha-42-dias/


Desastre: Brasil sem governo há 42 dias

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Não que o “governo” anterior fosse melhor, mas, ao menos, parecia governo. Com a posse de Bolsonaro, o Brasil mergulhou no caos. Após 42 dias, não tem plano de metas de médio e longo prazos, ministros ficam em blábláblá ideológico e recuos incessantes e o presidente fica fazendo piadinhas no Twitter ou sendo desmentido pelo vice, quando não está no hospital.
As últimas do governo Bolsonaro, do ponto de vista da palhaçada, ficaram por conta do – vá lá – “ministro da Educação” e da folclórica “ministra dos direitos humanos”.
O começo da gestão do colombiano Ricardo Vélez Rodríguez à frente do MEC causa apreensão entre secretários de Educação espalhados pelo Brasil. O ministério ainda não apresentou diretrizes da política educacional nem comunicou sobre a continuidade das ações em curso.
Pessoas próximas ao ministro reconhecem que há paralisia. Com uma equipe inexperiente, secretários se esforçam para entender a complexidade da pasta bem como a formulação de políticas.
Já no programa dominical da Globo “Fantástico” apresentou uma avalanche das idiotices que a ministra dosCircula pela internet um resumo do que foram os recuos incessantes do atual governo.
Bolsonaro anuncia sair do acordo de Paris; Ministro do Meio Ambiente anuncia recuo e permanência no acordo de Paris.
Bolsonaro anuncia aumento do IOF; Onyx Lorenzoni anuncia que presidente se precipitou e recua na decisão de aumentar o IOF.
Bolsonaro anuncia a instalação de uma base militar dos EUA no Brasil; General Heleno desmente Bolsonaro e
MEC lança edital com mudanças para a compra de livros didáticos, deixando de exigir a fonte das informações publicadas; MEC volta atrás e suspende o edital para compra de livros didáticos.
Incra suspende todos os processos de atribuição de terras em andamento no projeto de reforma agrária; Incra revoga decisão anterior que suspendia os processos de atribuição de terras.
Com Bolsonaro internado ou não, o Brasil está sem rumo. A crise avança, o desemprego só piora e o país não sai do atoleiro. Por enquanto, a população, atônita, ainda espera que sua escolha eleitoral não seja um desastre absoluto, mas a fila de arrependidos só faz crescer.
Segundo pesquisa do mercado financeiro (bolsonarista por excelência), a aprovação a Bolsonaro despencou da posse para cá.
Com a paralisia do governo, é previsível que essa sua gigantesca desaprovação de VINTE POR CENTO em apenas 40 e poucos dias de mandato se torne maior que a aprovação.
Bolsonaro e seu governo estão condenados à impopularidade em muito, muito breve, já que nada está sendo feito pelo atual regime além de jogar para a galera, como o teatrinho de Bolsonaro sobre a facada que levou, encenada para distrair otários para que não cobrem medidas para tirar o país da crise.
Confira a reportagem em vídeo