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A reinvenção política passa pela capacidade de mobilizar afetos
Entrevista especial com Icaro Ferraz Vidal Junior
Créditos da foto: (Geraldo Magela/Agência Senado)
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Numa rápida leitura das estratégias adotadas na
campanha eleitoral de 2018 e da centralidade que a internet assumiu, pode-se até afirmar que,
dada a vitória, a
extrema direita foi quem melhor apreendeu a cartilha das
novas mídias. Mas o pesquisador
Icaro Ferraz Vidal Junior pede um pouco mais de calma na análise. “A extrema direita trabalhou na construção de uma
imagem antipolítica de si mesma, bem naquele estilo ‘contra tudo isso que está aí’ que vimos lá em
2013.
Neste sentido, dispositivos caros à política, como Plano de Governo,
participação em debates etc., puderam ser descartados”, observa. Ele
também chama atenção para a mensagem em si, e não somente para a forma
com que é posta em circulação. “A
extrema direita teve a argúcia
de trabalhar, desde 2013, na produção em massa deste regime afetivo
marcado pela indignação”, aponta, ao lembrar questões de fundo como as
marchas de 2013, o
impeachment de Dilma Rousseff e até a polêmica em torno do
Queermuseu.
Icaro, na entrevista concedida por e-mail à
IHU On-Line, evidencia como se dá essa mobilização de afeto nas pessoas por meio de dispositivos como o
WhatsApp. “Como o discurso indignado, as imagens chocantes, a retórica moralista repercutem a estética hipnótica de
linchamento e ‘
desencapetamento’ que encontramos, respectivamente, em programas de televisão (...) e em algumas vertentes das
religiões pentecostais e neopentecostais”.
E destaca: “me parece ingênuo atribuir ao conteúdo informativo das
imagens, textos e áudios falsos o resultado destas eleições. Acho
importante começarmos a fazer uma análise formal da
comunicação da extrema direita”.
Enquanto isso, à
esquerda, o professor observa que parece não haver um entendimento de que é preciso
reinventar a forma de fazer política,
levando em conta esses afetos. Neste sentido, indica que uma “reflexão
sobre o lugar da técnica nas atuais configurações do poder passará
necessariamente por um estudo dos
efeitos do WhatsApp sobre nossa cognição e sensibilidade”, tomando como exemplo as
eleições de 2018 no
Brasil. Para
Icaro,
isso não significa pensar só na técnica e na tecnologia, menosprezando a
economia política. “Significa simplesmente reconhecer que não é mais
pela palavra que a política está sendo disputada, mas pelos afetos. E a
esquerda ainda não inventou um modo de fazer política que não seja
predominantemente pela palavra”, indica.
Icaro Ferraz Vidal Junior
é graduado em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense -
UFF, mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro -
UFRJ e doutor em Comunicação pela UFRJ. Atualmente é pesquisador
colaborador do MediaLab da UFRJ.
Confira a entrevista.
IHU
On-Line – De que forma a experiência da campanha eleitoral de 2018
provoca outras concepções acerca das redes sociais e da própria internet
e sua incidência no espaço político?
Icaro Ferraz Vidal Junior – Penso que é fundamental, em primeiro lugar, levarmos em conta a complexidade de nosso
ecossistema midiático e não apenas as
redes sociais e a
internet como fenômenos isolados. A
campanha eleitoral,
o resultado das eleições e as estratégias de comunicação já levadas a
cabo pelo presidente eleito antes mesmo de sua posse indicam, sem sombra
de dúvidas, uma mutação importante nesse ecossistema midiático. Ao
mesmo tempo, penso que a maneira como a
internet, as
redes sociais e o
WhatsApp vêm monopolizando as narrativas em torno da
eleição da extrema direita no país coloca na sombra um processo de progressiva perda de prestígio e credibilidade por parte da televisão e da imprensa.
Tais veículos se tornavam, já no contexto das
manifestações de 2013, incapazes de produzir sentidos para acontecimentos que se espalhavam por várias cidades do país, catalisados muito mais pelos
streamings da [1] ou pela atuação do
Movimento Brasil Livre [2] nas redes sociais, do que pelo
Jornal Nacional, por exemplo. Lembro que, nessa época, o
Jornal Nacional
protagonizava uma série de memes que ironizavam e confrontavam a escala
das manifestações como presenciada e difundida nas redes sociais com os
números de manifestantes noticiados pelo telejornal e supostamente
informados pela
Polícia Militar.
Em
2013, os
regimes de produção de verdade já apresentavam fissuras visíveis e não é possível negligenciar, em uma reflexão sobre as
eleições de 2018, que foram muito intensos os tremores nos solos institucionais e midiáticos brasileiros nestes últimos cinco anos – da
censura à exposição Queermuseu [3] ao controverso processo de
impeachment de Dilma Rousseff, passando pela
espetacularização da Operação Lava Jato.
Olhando retrospectivamente, esses processos parecem ter testado os
limites e potencialidades do uso das redes para criação de uma
governabilidade que prescinda de um regime de produção de verdade
assentado sobre instituições caras à
democracia, como a
justiça e a
mídia, por exemplo.
Um olhar sobre a história recente
Em um artigo recente publicado na
Folha de São Paulo [4], o filósofo
Vladimir Safatle [5] diagnosticou argutamente que as
manifestações de 2013 desempenharam um papel fundamental na consolidação da
extrema direita no Brasil, análogo àquele desempenhado pelo
11 de setembro americano e pela
crise de 2008 na Europa. Neste contexto que
Safatledescreve,
chamo a atenção para o fato de que a mediação tecnológica das disputas
em torno das narrativas dessas manifestações – que congregavam
reivindicações que iam da
desmilitarização da PM a uma
intervenção militar
– parece ter apontado, talvez pela primeira vez no contexto brasileiro,
para o poder de criação de uma massa de sujeitos indignados a partir da
gestão da circulação de fluxos de imagens, informações e
fake news pelas redes.
Então, respondendo à tua pergunta, eu acho que o
processo eleitoral de 2018
ajuda-nos a olhar para nossa história recente reconhecendo que, em
alguma medida, havia pistas ali de que este resultado eleitoral seria,
no mínimo, uma possibilidade. A questão que resta em aberto diz respeito
às formas que encontraremos para resistir a este
novo regime de governabilidade articulada em torno destas
milícias digitais, expressão que devo à
Ivana Bentes [6].
IHU On-Line – Podemos compreender esse processo eleitoral de 2018 desde a perspectiva da “totalização digital” [7]? Como?
Icaro Ferraz Vidal Junior – É possível, mas não sei se é estratégico compreender o
processo eleitoral de 2018 desde a perspectiva da “
totalização digital”, que é um conceito mais ou menos preciso formulado por
Eric Sadin
[8] e ao qual tenho alguma ressalva, no sentido de que pensar qualquer
processo nos termos de uma “totalização” me parece profundamente
desmobilizador do ponto de vista político. Entretanto, as controvérsias
em torno de disparos em massa de
fake news no
WhatsApp através de um programa que, como descrito com detalhes em matéria do
The Intercept Brasil
[9], não apenas envia as mensagens, mas produz conteúdos diferenciados
para diferentes perfis de usuários e potenciais eleitores, encontram-se
em perfeita consonância com o cenário descrito no livro de
Sadin,
no qual a extração de dados encontra-se cada vez mais presente no curso
de nossas vidas cotidianas, ao mesmo tempo em que a propriedade, o
processamento e o uso desses dados permanecem no interior de
caixas-pretas às quais não temos acesso, nem do ponto de vista técnico,
nem político, nem econômico.
IHU On-Line – Corremos o risco de
a “totalização digital” suprimir o espaço político? Quais os riscos de
se gerar apenas debates pautados pelo algoritmo?
Icaro Ferraz Vidal Junior – Essa pergunta dá uma pista do “porquê” da minha resistência ao conceito de “
totalização digital”.
O espaço político, da forma como eu o entendo, não é algo dado, um a
priori, é uma construção complexa que para se manter de pé depende de
muitos atores, inclusive não humanos, atuando em tempo integral.
Acredito que os
algoritmos
podem, sim, orquestrar uma agenda pública de debates, mas acho que não
dá para menosprezar o fato de que a política também é feita por corpos
que trabalham ou não têm emprego, têm ou não têm acesso à saúde e à
educação, têm ou não têm direito a existir enquanto minoria étnica,
religiosa, de gênero etc.
José Murilo de Carvalho [10] estuda com rigor a lacuna que, na nossa história, separou as
reivindicações por direitos sociais daquela por
direitos políticos.
A não elaboração social, política ou cultural da escravidão, somada às
políticas de branqueamento que sucederam sua suposta abolição, produziu
um contexto no qual as batalhas políticas ainda são travadas em defesa
de direitos sociais muito básicos, como moradia, alimentação, direito a
existir etc. Então, eu acredito que quando aventamos o risco do fim do
espaço político a partir de uma suposta “
totalização digital”,
não estamos nos dando conta, por exemplo, do número inédito de
candidatos e candidatas negros, pobres e favelados que se elegeram como
deputados e deputadas com pautas progressistas e que, não dispondo de
tempo de televisão e verba de campanha, também lançaram mão de redes
sociais para difundir seus projetos para o
Brasil. Agora, é claro que
novas ferramentas e
mediações algorítmicas
terão de ser inventadas na medida em que as atualmente disponíveis
forem se mostrando corrompidas e controladas por corporações, Estados,
partidos etc.
IHU On-Line – Diante do resultado da eleição e
da grande adesão às ideias de Jair Bolsonaro, podemos afirmar que a
extrema direita apreende melhor as lógicas da política atravessada pelos
ambientes digitais? Por quê?
Icaro Ferraz Vidal Junior – Não sei se eu diria que a
extrema direitaapreende
melhor estas transformações na política em virtude das novas redes de
comunicação. O que me parece que aconteceu aqui foi que a
extrema direita trabalhou na construção de uma
imagem antipolítica de si mesma, bem naquele estilo “contra tudo isso que está aí” que vimos lá em
2013.
Neste sentido, dispositivos caros à política, como Plano de Governo,
participação em debates etc., puderam ser descartados. Em vez de uma
disputa política tradicional que, como sabemos, apresenta inúmeros
problemas, mas parece, em alguma medida, criar um campo de visibilidade e
vulnerabilidade simétrico para cada candidato, a extrema direita teve a
argúcia de trabalhar, desde
2013, na produção em massa deste
regime afetivo marcado pela
indignação. E este afeto, já muito desgastado, como formulou
Jacques Rancière [11], encontrou nas
redes sociais e, sobretudo no
WhatsApp, um campo fértil para se disseminar e se intensificar.
IHU
On-Line – Como o senhor compreende o fenômeno do WhatsApp nas eleições
de 2018? O que o distingue frente a outras ferramentas como Twitter e
Facebook?
Icaro Ferraz Vidal Junior – Penso que a principal diferença consiste no fato de que o
WhatsApp
não é, em princípio, uma rede social, mas um software de troca de
mensagens textuais, imagéticas e em áudio. Neste sentido, acredito que
talvez haja um certo relaxamento por parte do usuário quanto ao conteúdo
postado em comparação com o que acontece nas
redes sociais, nas
quais existe um controle mínimo, por parte dos próprios usuários, que
podem denunciar publicações ofensivas ou falsas à própria plataforma.
As
políticas de dados do WhatsApp
são ainda bem pouco discutidas e isso se deve, em parte, à
impossibilidade de navegarmos pelo conteúdo compartilhado entre usuários
em grupos dos quais não participamos, o que faz com que nos sintamos
seguros e com certo controle sobre o conteúdo que compartilhamos.
Evidentemente, não se trata aqui de fazer uma defesa de uma publicização
de discussões pessoais ou dos grupos fechados abrigados na plataforma.
Mas o fato é que, aparentemente, esta privacidade não existe. Embora as
informações compartilhadas no
WhatsApp não sejam de acesso público, não temos nenhum controle de para quem elas estão sendo vendidas e com que propósitos.
O
papel do WhatsApp nestas eleições criou novos desafios para a pesquisa em torno das mediações tecnológicas da política.
Redes sociaiscomo
Facebook e
Twitter
apresentam portas de entrada para o mapeamento de determinados temas,
como é o caso das hashtags, que não nos ajudam muito a entender o que se
passa no
WhatsApp. O grupo de pesquisa em
Tecnologias da Comunicação e Política - TCP da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Uerj monitorou uma série de grupos de apoio a diferentes candidatos no
WhatsApp durante estas eleições [12], e uma diferença que me chamou a atenção em relação ao mesmo tipo de pesquisa realizada no
Twitter ou no
Facebook é que o pesquisador precisa estar inserido nos grupos como membro para ter acesso a esses
fluxos de mensagens.
IHU On-Line – As eleições deste ano evidenciam que vivemos o império do tecnopoder? Por quê?
Icaro Ferraz Vidal Junior – As
eleições
deste ano evidenciam que nós humanos não estamos sozinhos, que a
política contemporânea se organiza em uma rede que conta com atores
humanos e com
atores não humanos
(algoritmos, bancos de dados, grandes corporações etc.). Esta agência
de não humanos nos processos políticos não é exatamente uma novidade,
mas ainda é muito negligenciada pela
esquerda de
tradição humanista, que não consegue compreender a
técnica para além de seus usos. Evidentemente que a produção e a difusão de
fake news
precisam ser combatidas em todas as frentes institucionais possíveis,
mas suspeito de que estas eleições deram pistas suficientes de que o
conteúdo das
mensagens falsas foi tão determinante quanto suas
formas e seus meios de difusão na construção desta polarização sem
precedentes na nossa recente história democrática.
Quero com isso
dizer que me parece ingênuo atribuir ao conteúdo informativo das
imagens, textos e áudios falsos o resultado destas eleições. Acho
importante começarmos a fazer uma análise formal da
comunicação da extrema direita. Como o discurso indignado, as imagens chocantes, a retórica moralista repercutem a estética hipnótica de
linchamento e “
desencapetamento” que encontramos, respectivamente, em programas de televisão como
Brasil Urgente [13], apresentado pelo
Datena [14], e em algumas vertentes das religiões
pentecostais e neopentecostais.
E, nesta direção, penso que uma reflexão sobre o lugar da técnica nas
atuais configurações do poder passará necessariamente por um estudo dos
efeitos do WhatsApp
sobre nossa cognição e sensibilidade. O que, nessa interface, teria
favorecido a produção massiva desta indignação cega contra a própria
política?
Isso não significa menosprezar toda a economia política por detrás da criação e venda de perfis psicológicos de usuários do
WhatsApp, do impulsionamento de mensagens e da criação de
fake news; significa simplesmente reconhecer que não é mais pela palavra que a política está sendo disputada, mas pelos afetos. E a
esquerda ainda não inventou um modo de fazer política que não seja predominantemente pela palavra.
IHU
On-Line – As redes sociais foram vistas como o principal canal de
disseminação de ódio e de supressão ao pensamento do outro. Essas ações
acabaram vazando para o mundo não virtual, culminando em casos de
violência. Como compreender esses movimentos que começam num ambiente
virtual e transbordam para as relações humanas?
Icaro Ferraz Vidal Junior – Em primeiro lugar, é importante não perder de vista que as relações que têm lugar nas
redes sociais também são relações humanas. Sob a hegemonia de um
discurso liberal bastante cínico, perdemos a capacidade de reivindicar os limites, bastante claros do ponto de vista jurídico, entre a
liberdade de expressão e os
crimes de ódio
que efetivamente se proliferaram nos últimos tempos. Esse tema já vinha
aparecendo em uma série de controvérsias no campo do humor, por
exemplo, e a partir dos próprios discursos do presidente eleito. Acho
que a
impunidade, no caso das agressões verbais contra grupos
inteiros, tanto nas redes sociais quanto dentro das próprias
instituições políticas, autorizou, em alguma medida, a ocorrência destes
crimes de ódio no espaço
off-line.
IHU On-Line – O
ambiental digital é capaz de suprimir as utopias revolucionárias? E como
nutrir essas utopias diante dos atuais contextos?
Icaro Ferraz Vidal Junior – O
ambiente digital
não é uma entidade estabilizada, um a priori ao qual estamos
irremediavelmente sujeitados. A história da internet é marcada por
tensões entre projetos de controle, a serviço de governos e grandes
corporações, e projetos de compartilhamento e constituição de redes de
colaboração. Acredito, sim, que estamos diante de impasses inéditos e de
um cenário bastante distópico. Mas não penso que conseguiremos sair
disso até conseguirmos, lançando mão dessas mesmas ferramentas, inventar
modos de vida, cognição e sensibilidade que se apresentem como uma
alternativa mais interessante do que o
ódio.
Notas:
[1]
Mídia Ninja
(Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação): é uma rede
descentralizada de mídia de esquerda, com atuação em mais de 250 cidades
no Brasil. Sua abordagem é conhecida pela militância sociopolítica,
declarando-se ser uma alternativa à imprensa tradicional. O grupo ganhou
repercussão internacional na transmissão dos protestos no Brasil em
2013. (Nota da
IHU On-Line)
[2]
Movimento Brasil Livre
(MBL): movimento político brasileiro que defende o liberalismo
econômico e o republicanismo, ativo desde 2014. Em seu manifesto, cita
cinco objetivos: "imprensa livre e independente, liberdade econômica,
separação de poderes, eleições livres e idôneas e fim de subsídios
diretos e indiretos para ditaduras". (Nota da
IHU On-Line)
[3]
Queermuseu – Cartografias da diferença na arte brasileira:
foi uma exposição artística brasileira apresentada no Santander
Cultural, na cidade de Porto Alegre. A exposição gerou polêmica devido a
inúmeras acusações de apologia à pedofilia, à zoofilia e ao vilipêndio
religioso. O IHU, na seção Notícias do Dia, em seu sítio, publicou uma
série de textos sobre a polêmica. Entre eles
Queermuseu e o avanço da direita na rede; e “
Caso Queermuseu mostra que são tempos de intolerância. Da direita, mas também da esquerda”. (Nota da
IHU On-Line)
[4] O texto está disponível
aqui. (Nota do entrevistado)
[5]
Vladimir Pinheiro Safatle
(1973): filósofo, professor no Departamento de Filosofia da
Universidade de São Paulo - USP. É filho de Fernando Safatle e Ilmeide
Tavares Pinheiro, militantes da Aliança Libertadora Nacional que tiveram
que deixar o país natal, o Chile, quando o ditador Augusto Pinochet
assumiu o poder. Nascido em Santiago, Vladimir veio para o Brasil com
poucos meses de vida. Por isso se considera brasileiro. É mestre em
Filosofia pela USP e doutor em Filosofia pela Universidade Paris VIII.
Em 9-6-2016 o Prof. Dr. Nythamar de Oliveira, da PUCRS, esteve no IHU
falando sobre O Circuito dos Afetos. Corpos Políticos, desamparo e o Fim
do Indivíduo. Discussão do livro de Vladimir Safatle, cuja entrevista
poderá ser conferida na edição especial sobre Baruch Spinoza, a ser
publicada em breve pela revista IHU On-Line. O próprio Safatle falou
sobre sua obra em 15-6-2016, em evento intitulado O Circuito dos Afetos.
Corpos Políticos, desamparo e o Fim do Indivíduo, cuja entrevista
O Brasil na era dos esgotamentos da imaginação política. Uma nação de zumbis que têm na melancolia seu modo de vida. (Nota da
IHU On-Line)
[6] O texto está disponível
aqui. (Nota do entrevistado)
[7] O conceito é tratado por Icaro em outra entrevista concedida à IHU On-Line, disponível
aqui. (Nota da IHU On-Line)
[8]
Eric Sadin:
escritor e filósofo francês. Fundou a revista éc/artS (1999-2003),
dedicada a práticas artísticas e novas tecnologias. É professor regular
do Sciences Po Paris e trabalha em numerosas universidades e centros de
pesquisa na Europa, América do Norte e Ásia. Foi professor na escola de
arte de Toulon e professor visitante na ECAL Lausanne e IAMAS (Japão).
(Nota da
IHU On-Line)
[9] O texto está disponível
aqui. (Nota do entrevistado)
[10]
José Murilo de Carvalho
(1939): Cientista político e historiador brasileiro, membro da Academia
Brasileira de Letras. É autor, entre outras obras, de A formação das
almas: o imaginário da República no Brasil (São Paulo: Companhia das
Letras, 1990) e Cidadania no Brasil – o longo caminho (Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2001). Concedeu as entrevistas
Independência do Brasil: Um movimento socialmente conservador, na edição 234, da revista IHU On-Line, e
Os desafios à construção da cidadania brasileira, na edição 428 da revista IHU On-Line. (Nota da
IHU On-Line)
[11]
Jacques Rancière
(1940): filósofo argelino, professor da European Graduate School de
Saas-Fee e professor emérito da Universidade Paris VIII
(Vincennes-Saint-Denis). Seu trabalho se concentra sobretudo nas áreas
de estética e política. Pensa a história, a sociedade, os movimentos
políticos e o cinema. Colaborador frequente da lendária revista Cahiers
du Cinéma. Foi um dos colaboradores do pensador Louis Althusser no
volume Lire le Capital (Ler o Capital), de 1965, antes de romper com seu
antigo professor na École normale supérieure. No final dos anos 1970,
Rancière organiza, com outros jovens intelectuais, como Arlette Farge e
Geneviève Fraisse, o coletivo Révoltes Logiques que, sob a inspiração do
poeta Rimbaud, questiona as representações tradicionais do social e
publica a revista Les Révoltes logiques. Paralelamente, voltou sua
atenção para a emancipação operária e os utopistas do século XIX
(notadamente Étienne Cabet), com uma reflexão filosófica sobre educação e
política. Desse trabalho nasceu sua tese de doutorado, publicada em
1981, sob o título La Nuit des prolétaires. Archives du rêve ouvrier,
sobre os operários saint-simonianos. Alguns de seus livros lançados no
Brasil são Nomes da História. Ensaio de Poética do Saber (Unesp, 2014), O
Ódio à Democracia (São Paulo: Boitempo, 2014), O Inconsciente Estético
(São Paulo: Ed. 34, 2009), A noite dos proletários: arquivos do sonho
operário (São Paulo: Cia. das Letras, 1988), O desentendimento –Política
e Filosofia (São Paulo: Ed. 34, 1996) e Políticas da Escrita (São
Paulo: Ed. 34, 1995). Esteve no Brasil em 2005, quando participou do
Congresso Internacional do Medo, que aconteceu em São Paulo e no Rio de
Janeiro. (Nota da
IHU On-Line)
[12] O texto está disponível
aqui. (Nota do entrevistado)
[13]
Brasil Urgente:
programa de televisão jornalístico brasileiro apresentado pela Rede
Bandeirantes. Apresentado por José Luiz Datena, o programa exibe o seu
noticiário com casos policiais. Trata-se de um telejornal com uma linha
popular, tendo bastantes entradas ao vivo de repórteres de São Paulo,
Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Porto Alegre. Além
de entrevistas, também é muito utilizado o helicóptero para a cobertura
de tragédias, e são exibidas matérias gravadas sobre crimes hediondos e
bizarros. (Nota da
IHU On-Line)
[14]
José Luiz Datena (1957): jornalista, locutor esportivo, apresentador de televisão e radialista nascido em Ribeirão Preto (SP). (Nota da
IHU On-Line)
*Publicado originalmente no IHU On-Line