sábado, 25 de janeiro de 2020

Número de imigrantes deve aumentar e brasileiro se tornará mais xenófobo

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Notícias / Comportamento
Número de imigrantes deve aumentar e brasileiro se tornará mais xenófobo, alerta pós-doutora da UFMT


da Redação - Isabela Mercuri


22 Jan 2020 - 17:00
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Foto: Reprodução




O cenário é distópico e desanimador, mas, segundo a pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e ambientalista Michèle Sato, não tem como ser diferente: cada vez mais pessoas vão fugir de seus lugares de origem em decorrência da crise climática, principalmente para o Brasil. Em consequência, o brasileiro se tornará mais xenófobo e o processo migratório, que já é perverso e excludente, será ainda mais cruel.


Este é o alerta que ela – e um grande número de pessoas em todo o mundo – tenta fazer há anos. Recentemente, articulou a criação da ‘Coalizão pelo Clima’ em Mato Grosso e, com isso, uniu-se a partidos políticos, Organizações Não Governamentais (ONGs), Centros Acadêmicos e outras entidades da sociedade civil para debater e promover ações de informação e combate à crise climática.


Segundo Michèle, o contexto atual da migração é diferente de todos os outros momentos da história, e só tende a piorar. Isto porque há um ‘boom’ de pessoas migrando, vítimas desta crise climática – apesar de ela já ser antiga. “A dimensão climática é antiga, contudo, pouco falada, pouco percebida e politicamente deliberadamente invisibilizada, porque ela mexe com lobbys tradicionais do petróleo, do agronegócio, então não é vantagem para o capital ficar falando”, contou ao Olhar Conceito.


Formada em Ciências Biológicas em São Paulo, mestre em Filosofia na Inglaterra, doutora em ciências pela Ufscar, pós-doutora em educação no Canadá e Espanha, Michèle segue a linha do químico holandês Paul Crutzen, vencedor do prêmio Nobel em 1995, quando nomeou a era geológica atual de ‘antropoceno’. “Chamar essa era de antropoceno é bastante interessante porque responsabiliza a humanidade sobre a terra”, afirma.



No entanto, atualmente, alguns teóricos – ela inclusa – já questionam o termo. “Ele é interessante, traz à baila a importância da humanidade no planeta, contudo, nós não somos iguais. Um fazendeiro que tem criação de gado e elimina gases do efeito estufa, não pode ser o mesmo causador da mudança climática que um trabalhador da periferia que tem poucas condições de fazer essa alteração. Então muitos teóricos, inclusive eu, estamos chamando isso de capitaloceno”.


Neste capitaloceno, segundo a pesquisadora, são a crise climática e as guerras híbridas que expulsam as pessoas de sua terra natal – mesmo que o próprio imigrante não diga isso. No caso dos haitianos, por exemplo, a justificativa é sempre a falta de emprego que, segundo ela, foi causada pela falta de água no campo e na cidade.


“Esse discurso você não vê só nos haitianos, que passaram um terremoto em 2010 que foi o divisor de água econômico daquele país. Se você se deslocar para a Venezuela, que até recentemente tinha uma qualidade de vida muito bacana: O que aconteceu que de repente virou refém de tanta pobreza? A exploração do petróleo. Então vem toda uma maquinaria dessa – que a gente está chamando de guerra híbrida agora – dos Estados Unidos sobre a Venezuela, e todas as armas coloridas que cercaram a economia”.


Uma projeção da Organização das Nações Unidas (ONU) mostra que, em um prazo de cinquenta anos, um bilhão de pessoas vão migrar. Segundo Michèle, o Brasil terá que se preparar para isso, já que grande parte destas pessoas desembarcará por aqui. “Você obstaculiza, por exemplo, em termos da entrada dos imigrantes no Brasil. O excessivo número de documentos exigidos para se entrar nesse país é completamente irreal daqui a no máximo 30 anos! Porque vai empipocar tanto desastre climático, que as pessoas vão fugir dos seus locais. E o Brasil não está preparado para receber esses migrantes sem documentação”, garante.


Como consequência, a atual visão do Brasil como um país acolhedor deve mudar. “O Brasil tende a ser mais xenófobo, a não acolher mais os imigrantes, porque vai aumentar bastante [o número]”, afirma Michèle. “Nós estamos passando por um período conturbado de uma crise verdadeira, global, universal, e os desastres vão acontecer, as migrações vão acelerar, vão se intensificar e vai vir muita gente para o Brasil”.


Dentro do Brasil, Cuiabá se destacará por não estar na costa: “A longo prazo, o Andes vai derreter, a água do mar vai levantar, o Atlântico vai subir. E aqui vai ser um lagoão na Amazônia. Então [a população de] países como Venezuela, Colômbia, Equador, vai vir para cá, e os povos amazônicos também”, lamenta.

Venezuelanos acampados na Rodoviária de Cuiabá (Foto: Wesley Santiago / Olhar Direto)

Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho da Coalização do Clima em Mato Grosso pode acessar o blog da Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental (Remtea) AQUI, e acompanhar a pesquisadora em seu canal no Youtube.



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·        Aloisio Rusch
24 Jan 2020 às 18:44
O reconhecimento dos grandes dilemas já humanidade e de cada um de nós podem ser elucidados pelo perspicácia da análise de Michelle. Aliar a ciência à fé na ação politica .

Querido Aloisio
Agradeço o tempo dedicado à leitura e ao comentário, que me faz respirar melhor, sabendo de seu talento. Um fraterno abraço!

·        Marjorie
24 Jan 2020 às 17:08
Excelente análise, Michele. Parabéns! Não podemos fechar os olhos para esta , que é uma das questões cruciais de nossa época. Os impactos causados pelas mudanças climáticas são nefastos, ameaçando a vida humana e não humana no planeta. Não podemos esquecer que fenômenos climáticos já provocam migrações há muito tempo. Secas e inundações não começaram a acontecer agora, mas estão se agravando devido as mudanças climáticas. Alguns comentários fora de propósito que li aqui, são pessoas completamente ignorantes a respeito do assunto. Devem com certeza, acreditar que aquecimento global é " conspiração marxista" e coisas do gênero.

Querida Marjorie
Muito agradecida pela leitura e comentário. Temos que estudar as migrações nordestinas, que não recebeu este nome, mas que a seca expulsou muita gente...  Beijo!

·        Jessica Trujillo
24 Jan 2020 às 15:35
Matéria super interessante. Ainda temos muito à discutir e fazer. As ofensas de alguns comentários não ajudam em nada! Obrigada Michèle Sato, obrigada Olhar Conceito por abrir essa possibilidade de diálogo trazendo temas tão relevantes e invisibilizados.
Querida Jess
Grata pelas palavras, pela amizade, por estar do meu lado. BEIJÃO GRANDÃO pra vc e pra minha netinha Clara.
·         
·        Debora Moreira
24 Jan 2020 às 15:14
Muito preocupante o cenário que se avizinha, o colapso climático é uma realidade sentida em muitos países e inclusive no Brasil, os retirantes nordestino são exemplos disto. O triste é a ignorância e o egoísmo do "cidadão de bem", cegos pela fé. Bons "cristãos", que não se solidarizam com as injusticas e violações de direitos humanos.

Querida Debinha
Que me ensina muito e que comigo debateu sobre guerras híbridas e crise da Venezuela! Grata pela aprendizagem conjunta! Grata pela amizade! Beijo de carinho infinito.
·        João Figueiredo
24 Jan 2020 às 14:33
Precisamos ter a sabedoria necessária para verificar o que é verdadeiro diante do falso. Michèle Sato conhece bem sobre o que está falando. Fala de verdades experimentadas e não de falsas verdades elaboradas no vazio de vida. Precisamos usar a pedra de toque para reconhecer quantas falsas afirmativas e inverdades são propagandas em defesa de uma exploração desmedida da vida e das pessoas.

Querido Jão
Saudades! Deste teu sábio olhar sobre o mundo com fome de ajudar o mundo. Gratidão por todas as boas coisas como leitura, comentário e amizade!
·         
·        Maria Do Carmo
24 Jan 2020 às 14:15
Entender a interdisciplinaridade que envolve a pesquisa hoje, certamente é para poucos. A Prof Michele faz com maestria e harmonia uma discussão que vai além da interdisciplinaridade, por prever em seus argumentos o presente (vê Post) e para o futuro na área em que investigou. parabéns professora!!!!

Querida M. Carmo
Agradeço pelas belas palavras de encanto e estímulo! Me fez acreditar que sigo no caminho certo!
·         
·        Andreia Franceschetto
24 Jan 2020 às 14:04
Uma visão sempre sagaz e planetária Michèle!!! Seu protagonismo no embate climático e ambiental é muito importante não só pra MT. Na sua figura, da REmteA e todos que lutam pelas pautas ambientais e tem sido alvo de perseguições, isso só demonstra que estamos no caminho certo e podemos ser resistência junt@s!

Querida Dea
De mesmos amores felinos, plantas, pedras e mundo. Que bom ter você nos comentários! Muito obrigada sempre, querida amiga!
·        Tatiani
24 Jan 2020 às 13:55
Excelente matéria! Como é importante e fundamental os estudos, e pesquisas, acerca da temática da migração climática. Pois nosso planeta clama e sofre com as ações humanas e o capitalismo voraz de um sistema excludente e desigual. A ciência, as pesquisas irão contribuir com a sociedade! Triste em ver comentários maldosos, discriminatórios e xenofóbicos. Mais confiante que ninguém solta a mão de ninguém!

Querida Tati
Minha doce orientanda que esbanja charme e inteligência. Super comprometida e disciplinada nos estudos: tenho orgulho e carinho por ti! Agradeço seu comentário.
·        CRISTIANE CAROLINA DE ALMEIDA SOARES
24 Jan 2020 às 13:52
Agradeço a partilha dos conhecimentos de Michèle Sato, uma das grandes referências no estudo dos Fluxos Migratórios. Este tema é urgente, alarmante e precisa ser pautado em nossos debates.

Querida Cris
É mesmo muito importante, não é? Bem sabemos nas nossas noites de estudos e pesquisas sobre educação ambiental. GRATIDÃO pela amizade!
o    
·        Priscilla Amorim
24 Jan 2020 às 13:49
Ótima e precisa reflexão. Parabéns, Michèle por nos permitir compreender este assunto tão presente em nosso cotidiano de forma crítica e necessária...

Querida Pri
Agradeço sua presença, não somente neste comentário, mas na minha vida. Tenho muito orgulho e carinho e estou feliz em caminhar contigo neste seu doutorado!
·        Ana Maria D. Soares
24 Jan 2020 às 13:22
Excelente entrevista. Claro, objetivo e coerente o posicionamento da prof° Michele Sato, pesquisadora de renome nacional e internacional, que sempre contribui para fortalecer a luta em defesa da vida neste planeta tão castigado pela ambição dos que não querem perceber o caos instalado.

Querida Ana
Doçura de amiga querida, sempre presente na minha vida! Agradeço a força Ana, penso ser importante “disputar” estes espaços por meio da nossa EA.
·        Valquíria
24 Jan 2020 às 12:54
Diante da excelente entrevista e de alguns comentários absurdos é preciso pacientemente refletir na perspectiva educadora: Então para comentar algo é necessário primeiro ler a matéria e entendê-la, se não sabe algo com profundidade procure buscar, pesquisar sobre, aprofundar e principalmente se ficou com alguma dúvida, ou se discorda de algum ponto, especialmente se vai discordar de alguém que é pesquisadora e especialista na área. Para não ficar pagando mico ou só destilando ódio pelo ódio e sem compreender o que está de fato falando, aliás, essa é uma estratégia adotada nas redes sociais de quem não sabe exatamente o que dizer, que não tem nenhum argumento sólido. Excelente e necessária a entrevista da professora Miclêle, quem respeito profundamente por toda sua atuante trajetória socioambiental. Necessária! Para que se entenda as causas dentro de um sistema destruidor globalizante as causas que vão sendo sentidas e reveladas em.diferentes proporções e em diferentes lugares do mundo. Mudanças socioambientais globais e uma das consequências é a migração é a disputa por territórios menos atingidos ou mesmo aqueles que irão se modificar e que irão oferecer outras condições de subsistência. E a causa ni final das contas é o uso dos combustíveis fósseis dentro de toda a lógica

Querida Val,
Que tem partilhado várias emoções nestes últimos tempos! Agradeço suas palavras, leitura e carinhosa “defesa”. Que bom ser sua amiga!

·        Suzani
24 Jan 2020 às 11:28
Maravilhosa matéria! Muito obrigada

Querida Suzani
Super grata pelo comentário! Um beijo doce

·        Terezinha Marisa
24 Jan 2020 às 11:25
Michele Sato é uma referência e sabe o que está falando, é preciso acabar com essa cultura do ódio pelo ódio.

Querida Tere,
Temos mesmo que transmudar esta força do ódio pela energia que tempera nossas lutas! Muito obrigada pela leitura, carinho e amizade.

·        MARILIA FREITAS DE CAMPOS TOZONI REIS
24 Jan 2020 às 11:20
Boa e importante análise.

Querida Marília
Adorei sua presença, você é massa! Beijo com gratidão!

·        Terezinha Marisa
24 Jan 2020 às 09:55
É preciso modificar essa cultura do ódio, que não acrescenta em nada. Todo esse processo não é construtivo e não auxilia nas discussões sobre um tema tão importante.

Querida Tere,
Verdade! Mas vamos seguindo pq a Terra tem pressa!
·        Angelica cosenza
24 Jan 2020 às 09:35
Parabéns Michele...seu texto esclarece a relação entre capitalismo e mudanças climáticas, assim como os efeitos às populações e comunidades já tão afetadas pela desigualdade e pobreza. Não é a toa que sua produção e você seguem cada vez mais respeitadas no Brasil e exterior. Viva a ufmt também , Universidade pública que nos honra com seu compromisso social... sigamos firmes sem nos deixarmos abalar pela falta de conhecimento e ignorância que nos ronda.

Querida Angel
Acho que já tínhamos iniciado este papo há um tempo, sempre bom renovar nossos esforços para divulgar na mídia. Adorei seu comentário, você é sempre certeira! Grata e beijinho
·        Mauro
24 Jan 2020 às 09:00
É o egoísmo ao pensar em excluir o outro, seres humanos em dificuldade em países empobrecidos, que tem levado a esse mundo cada vez mais violento e degradado eticamente. A falta de solidariedade humana nesses comentários, demonstra essa decadência moral que estamos vivendo.

Querido Mauro
Você vem que das bandas da Espanha sabe dizer como a migração tem gerado tristezas... Vamos precisar de muita força para reconstruir este planeta! Grata!!!
·        Liane
24 Jan 2020 às 08:36
Os comentários aqui publicados demonstram pelo menos dois problemas: (1) a falta de capacidade de interpretação e entendimento dos leitores e leitoras (2) o ideologismo cego dos que preferem ignorar as consequências que resultam deste modelo político e econômico insustentável que domina o planeta. É realmente lamentável...

Querida Liane
Lamentável mesmo, mas vamos em frente porque a Terra precisa de nós e de seu talento, dedicação e compromisso. Grata por tudo!
·        Glauco Villas Bôas
24 Jan 2020 às 08:18
Fico preocupado com a maioria dos comentários sobre está excelente entrevista. É impressionante como as pessoas não conseguem evoluir além de um pensamento binário , o bem e o mal, esquerda direita e consequentemete agridem tudo aquilo que não está ao alcance de sua percepção limitada. É uma pena Michele que isto aconteça. Quando já não houver mais tempo para uma reflexão e compreensão da necessidade de mudanças sérias do modo de produção e consumo para salvar a vida no planeta, estas pessoas provavelmente estarão sorrindo para selfies, numa praça de alimentação do seu shopping, num intervalo de compras de produtos de marca ou do celular de última geração. Como disse Georgescu Reagen : as amebas restarão e agradecerão por bilhões de anos a energia que vem do sol

Querido Glauco
De amebas a dinossauros, temos que ter paciência de Jó com certas ignorâncias e mal costumes, parece que ninguém se importa mais em ser mal-educado, duvidam das ciências, menosprezam pesquisas... Vamos ter que dar duro!!! Grata pelo apoio!
·        Celso
24 Jan 2020 às 08:12
Excelente matétia , fundamental discussão e evidencia o papel essencial que a imprensa tem nesse momento de obscurantismo. A tese da Professora se confirma nos comentários agressivos xenofóbicos e tapados. Há uma evidente ação articulada nestes comentários. Vivemos tempos sombrios e certamente o clima vai esquentar. Parabens à Olhar Conceito

Querido Mano Celso
Amigo, parceirão, meu irmãozinho! Grata-grata-grata! Você é tudodibom na minha vida!
·         
·        Antônio Fernando Silveira Guerra
24 Jan 2020 às 06:40
É impressionante tanta ignorância, argumentos sem um único fundamento e as agressões e ódio que algumas pessoas expressam gratuitamente para ofender uma pesquisadora reconhecida no país e no mundo Segue a vida professora Michèle Sato. Cumprisse tua missão de educadora. Acreditando ou não em aquecimento global e na crise climática, e lembrando o poeta Mário Quintana, "Eles passarão, eu passarinho".
Querido Guerreiro
Agradeço muito você ter feito a leitura, ter comentado e mais do que isso, ter feito um movimento bonito de defesa! Grata sempre por todas as brisas boas que só vc sabe assoprar com talento, paixão e ação!
  • Zeca
    23 Jan 2020 às 12:37
    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.
  • bom senso
    23 Jan 2020 às 09:13
    Discordo. Os venezuelanos não fugiram de adversidades climáticas. Os muçulmanos brigam internamente em seus países e fogem para outros países. Isso não é correto. Cada um que resolva seus problemas dentro de seus países. Se o problema for climático, peçam socorro para a ONU para implantar sistemas de irrigação e resolver os problemas. Se os problemas dos imigrantes fosse climático, os australianos estariam abandonando o país em massa.
  • Zeca
    23 Jan 2020 às 09:11
    Matéria sem aproveitamento. Essa mulher fala sem nenhum fundamento. Conversa fiada blá, blá, blá de professor metido a intelectual.
  • Jr
    23 Jan 2020 às 07:45
    Êta fuminho bão
  • Walter
    22 Jan 2020 às 23:24
    Deixa eu ver se entendi, a nobre "historiadora" afirma que devido a crise climática vão aumentar as imigrações, e que os refugiados vão fugir para Cuiabá? Essa pessoa só pode estar de brincadeira. Se quando em cheguei no mato grosso em 1987 já era quente toda vida, e os mesmo cientistas dizem que tem subido 1°C por década, então Cuiabá está 3 graus mais quente. Como alguém fugiria do aquecimento global para o lugar mais quente do planeta? Parei de ler a matéria ali. Não dá pro meu limitado entendimento aceitar

  • Al Yetter
    22 Jan 2020 às 22:08
    Very well written and thought provoking, Mimi...Unfortunately, no one will act...
  • Paolo
    22 Jan 2020 às 21:39
    Brasil já sem emprego pra 12 milhões e ainda vem neguinho de fora pá acaba de esculhambar...tá uma beleza.
  • Cesar
    22 Jan 2020 às 21:19
    Mais uma profeta do apocalipse. Só não entendi porque utilizar a foto de venezuelanos pra falar de tragédia ambiental... venezuelanos estão fugindo da miséria resultante dos governos de Hugo Chaves e Nicolás Maduro.....
  • Domenico
    22 Jan 2020 às 20:27
    Pegue seu chapéu de alumínio e me acompanhe nessa viagem incrível!
  • alexandre
    22 Jan 2020 às 20:26
    Misturar clima com teoria socialista, nada a ver..os socialista também queimam combustível fóssil.sempre UFMT
  • Victor
    22 Jan 2020 às 19:55
    Ué.. vão vir para o Brasil, logo aqui que "tanto destruímos o meio ambiente, que vivemos em uma ditadura"... Mimimimi
  • Kleber Venâncio
    22 Jan 2020 às 17:50
    "...distopico...". . Mi-mi-mi.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

É difícil para o corrupto Riva se tornar herói.

https://paginadoenock.com.br/enock-cavalcanti-e-dificil-para-o-corrupto-riva-se-tornar-heroi-leia-integra-da-delacao/?fbclid=IwAR0sPfmfyuwxbLeZXE99InogUQjiiE2aqvGHZmI-LwIuMRcFDVztqiSRzUM

ENOCK CAVALCANTI: É difícil para o corrupto Riva se tornar herói. LEIA INTEGRA DA DELAÇÃO

É difícil para o corrupto Riva se tornar herói
Por Enock Cavalcanti
Meus amigos, meus inimigos: José Geraldo Riva, corrupto confesso, quer se livrar da cadeia antes que venham sobre ele as esperadas condenações na segunda instância. Riva não quer passar o resto da vida atrás das grades, vendo o sol nascer quadrado – e temendo o olhar faminto de algum taradão do Comando Vermelho. Quem tem cu tem medo. Mas quem planta ventos, colhe tempestades.
Riva, imagino eu, no meu pobre imaginar, não quer ficar longe das mordomias, da vida de conforto e de delícias a que se acostumou, como um dos homens que mais tempo reinou sobre a política e sobre os negócios  e sobre os destinos deste trágico Estado de Mato Grosso – onde a riqueza abunda mas tantas e tantas pessoas vivem na mais sórdida miséria. Uns se divertem, uns enriquecem e a maioria continua com a bunda na janela para os poderosos passarem a mão nela.
Só que está sendo difícil para esse corrupto tão conhecido, já exposto diante de Mato Grosso, do Brasil e do mundo, transfigurar-se em herói, um pecador arrependido que agora se dedicaria a expurgar o pecado. São tantas implicações que podem ser feitas a partir das revelações que ele tem condição de botar na mesa. Por isso, Riva enfrenta mais barreiras do que afagos quando fala em bater com a língua dos dentes. Sugerem que ele só quer escapulir do Inferno, sem entregar de fato provas consistentes. A delação seria então mais um tipo de golpe do sr. Riva.
É difícil tornar-se herói, avisara o poeta Aldir Blanc. Riva tá provando desta dificuldade e está vendo como dói.
Dominus dominium juros além
Todos esses anos agnus sei que sou também
Mas ovelha negra me desgarrei, o meu pastor não sabe que eu sei
                                                                                      (Aldir Blanc, Agnus Sei)
Como deve ser constrangedor para Riva ver os jornais amigos e os jornalistas amestrados de antigamente, aos quais garantiu tanto dinheiro e tanto poder por estes vinte anos afora, tratando-o agora como um desdentado, um porra louco, um pobre homem destituído do poder até mesmo para amedrontar seus antigos comensais. E as páginas da mídia se abrem para que os parceiros de ontem sugiram que Riva talvez esteja desmiolado, pisando impiedosamente na sua própria imagem de todo poderoso que ele, durante tanto tempo, conseguira cultivar.
Mas, tido como cristão, Riva devia saber muito bem o que acontece com aqueles que constroem seu castelo na areia.
Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
E então lhes direi abertament(e: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.
Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;
E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.
E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia;
E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.

(Jesus Cristo, no Evangelho Segundo Mateus, 7: 21-27)
O que tantos temem é que se Riva falar realmente tudo que viveu e que tramou, o castelo de cartas da política de Mato Grosso viria abaixo, desde aqueles tempos hoje imemoriais do governador Dante de Oliveira, quando o contador e deputado estadual José Geraldo Riva, do pequenino partido chamado PMN despontou na política de Mato Grosso.
Sim, o homem das Diretas Já talvez tenha tido pés de barro – e esse calcanhar de Aquiles talvez se chame José Geraldo Riva e não Antero Paes de Barros. Uma história que ainda precisa ser contada, mas pelo menos no rascunho que vazou esta semana, Riva se mantém silente sobre ela.
Seria bom que Riva contasse tudo para que se desmontasse os túmulos caiados que alguns, com grande maestria estilística, conseguiam transformar em suntuosas catedrais.
Pela que a imprensa vazou, nesses dias, já pudemos sentir no cangote o bafo putrefato de uma corrupção aparentemente incontrolável. Quem foi que ficou por fora da corrupção na Assembleia? Só o Pivetta. E aí a imprensa fala isso sem lembrar das reportagens do Romilson Dourado sobre a Cooperlucas. Ah, como é seletiva a nossa imprensa. Como é seletiva a nossa História.
À nudez sem véus diante da santa inquisição
Ah, o tribunal não recordará dos fugitivos de shangri-lá
O tempo vence toda a ilusão
                                                                          (Aldir Blanc – Agnus Sei)
O que Riva conta neste novo trecho de delação que, pelo que se especula, talvez esteja sendo vazado justamente para tentar impedir que Riva conte toda a sua história?!
Espantou a alguns saber que todas as Mesas Diretoras eleitas para comandar a Assembleia Legislativa de Mato Grosso talvez tenham sido escolhidas tendo como argumento principal por parte dos componentes da chapa vencedora, o uso de muita propina.
Poucos deputados teriam resistido a esta atração fatal.
Na pretensa delação, Riva relata como teria funcionado o pagamento de propina mensal aos deputados estaduais e chega a falar na apresentação de diversas provas como transferências bancárias, depósitos bancários, notas promissórias e testemunhas, que documentariam o repasse de dinheiro aos deputados para mantê-los na base do governo. Já os que não faziam parte da base, no caso, a  oposição, eram excluídos do esquema.
Os esquemas segundo Riva foram iniciados em 1995, com o até agora inatacado pela História e pelos historiadores Dante de Oliveira e teriam continuado nas gestões de Blairo Maggi e Silval Barbosa. Maggi teria encaminhado para os gulosos parlamentares a propina por meio de suplementação. Talvez tenha se tornado tudo legal mas certamente foi imoral.
Pelo que conta Riva, na gestão de Maggi, aquele governador que era tão rico que não precisaria roubar (sic), teriam sido pagos entre R$ 30 e 35 mil de propina aos deputados da Assembleia. Já na gestão Silval Barbosa, escolhido para o cargo por Maggi, o valor da propina teria chegado a R$ 50 mil. Tal padrinho, tal afilhado. E na vasta literatura sobre o crime organizado padrinho é sinônimo de chefe mafioso, como se pode conferir nos livros de Mario Puzo, nos filmes de Copolla, de Martin Scorsese.
Para melhor conhecimento de todos, a PAGINA DO E divulga no anexo a íntegra da pretensa delação premiada de José Geraldo Riva. A autenticidade da delação é questionada pelo próprio Riva. E o vazamento desta pretensa delação, alimentada pelos jornais amigos e pelos jornalistas amestrados, e que avança impunemente diante do silêncio do Ministério Público e da Justiça, talvez seja uma forma de impedir que Riva delate de fato tudo que sabe, dando concretude a suas revelações.
Ah, como é complicada a política de Mato Grosso! Um labirinto. Um saco de gato. Um beco sem saída. Um novelo sem fim. Um rolo tremendo.  Uma formação de quadrilha. Para sobreviver em meio a ela, talvez só sendo aquele herói impossível que o poeta Aldir almejara. Vencer Satã, por aqui, nem com orações, porque Satã quase sempre nos aparece com cara de anjo – e muito dinheiro para distribuir.

Enock Cavalcanti, jornalista e blogueiro, é editor do blogue PAGINA DO E desde 2006. Como jornalista responde, até hoje, a processos que lhe foram movidos por Riva como reação ao fato de que ousou questionar o trato de Riva com a coisa pública.

 CATEGORIAS:Justiça dos homens

domingo, 8 de setembro de 2019

Arnaldo Antunes lança poema-manifesto contra Bolsonaro


http://www.esquerdadiario.com.br/Arnaldo-Antunes-lanca-poema-manifesto-contra-Bolsonaro?fbclid=IwAR09MXr91rB4TjSlhVl2PJibgZHmIUfmhGGF3Jv-rcQUX7eSy3kPfPWQ4d8

A ARTE CONTRA BOLSONARO

Arnaldo Antunes lança poema-manifesto contra Bolsonaro

Nessa semana o cantor e poeta Arnaldo Antunes lançou em sua página do Facebook o que chamou de “desabafo e não um poema”.


São Paulo | @gabriela_eagle
segunda-feira 15 de outubro de 2018| Edição do dia

No vídeo a letra do texto em que o autor fala do assassinato de Môa do Katendê “por conta de uma divergência política num bar”, sobre a extrema-direita agindo contra a arte, cultura, educação, liberdade de expressão, e democracia, sobre como o mercado vem apoiando Bolsonaro sem ligar para aonde caminha o Brasil. O ódio e o horror que pregam Bolsonaro reproduzindo frases do mesmo como: “eu apoio a tortura”, “eu defendo a ditadura”, “eu vou fechar o congresso”, “não servem nem pra procriar”, “não te estupro por que você não merece”, “a gente vai varrer esses vagabundos daqui”, “o erro foi torturar e não matar”, “viadinho tem que apanhar”.
Continua colocando os argumentos de quem defende o candidato: “sim mas veja a Venezuela”, “é para acabar com a corrupção”, “nós queremos segurança”, “não é bem assim”. Arnaldo questiona como explicar o que é Bolsonaro para esses que só querem matar, atirar, vingar, em nome da pátria, família, propriedade, segurança. Arnaldo cita Marielle e “sua placa rompida rasgada, desonrada, pelas mãos truculentas de brutamontes prepotentes com suas camisetas estampadas com a face do coiso”. Relembra o apoio de Bolsonaro a Ustra “aquele que além de torturar levava crianças para verem suas mães torturadas. A vitória da direita excita “em outros o desejo de exercer seu obscuro poder de milícia, polícia, esquadrão da morte”.
Arnaldo faz referência Intervenção Federal do Rio de Janeiro, cita outras frases mais recentes de Bolsonaro: “ não vai ter ONG, não vai ter ativismo, não vai ter mimimi”, e to da a campanha de Bolsonaro que se pauta em fake newse em seguidores que cravam “suásticas nazistas na pele da menina que usava Ele Não”. Arnaldo continua colocando quais serão os resultados de uma extrema-direita no poder, cita o Museu Nacional, o projeto “Escola sem Partido”, a reforma curricular, o “golpe que precisa parir outro golpe, ou autogolpe”. Tudo em nome Deus Bolsonaro é contra “os dferentes os misiráveis os favelados, os do outro lado, os que se manifestam, ou contestam, ou pensam de outra forma, ou se vestem de outro cor, ou tem outra cor. Arnaldo denuncia os que agora se declaram neutros “lavando as mãos como Pilatos”, ou aqueles que declaram os dois lados extremistas. Bolsonaro e a extrema-direita são defensores da Ditadura e conseguem respaldo no STF quando o seu presidente afirma que não foi golpe militar, foi um movimento, porém para que não tenhamos o sentimento de derrota o autor nos chama dizendo que “ainda dá para evitar, ainda é tarde de menos para conter o ódio” e termina declarando o seu voto em Haddad.
Abaixo colocamos na íntegra o vídeo e poema:

IstoNãoÉUmPoema
isto não é um poema
só
desabafo
que não pude não
fazer e não pude fazer
de outra forma
que não fosse
assim
fatiando as frases
no espaço
aqui
hoje
eu vi
aterrorizado
um artista assassinado
Moa do Catendê,
mestre de capoeira,
autor do Badauê —
por conta de uma divergência política num bar
da Bahia
depois corri o dedo
sobre a tela e
vi e ouvi
arrepiado
Luiz Melodia
(também negro e compositor,
também com o cabelo rastafari,
como a vítima do post anterior)
cantando
“no coração do Brasil”
e repetindo muitas vezes
esse refrão
“no coração
do Brasil”
“no coração do Brasil”
que tento sentir
pulsar ainda
entre a luz de Luiz
e a treva
desse buraco vazio
que não pulsa mais no peito
de Moa do Catendê
e “não existe amor em SP”
ou “no coração do Brasil”
fraturado
nesses dias
brutos
de coturnos
chucros
a chutar a cara
de quem
ama
arte
cultura educacão
liberdade de expressão
diversidade
cidadania
solidariedade
democracia
mas não se dá
a mínima
o que importa é se subiu
a bolsa
caiu
o dólar
se todos vão prosseguir
seguindo
docilmente para o abismo
nessa insanidade coletiva
em que o Brasil nega
qualquer Brasil
possível
cega
qualquer futuro possível
e o ódio
o horror e o
ódio
e nada que se diga faz sentido
mais
para quê
expor na cara desses caras
a palavra explícita
(gravada em vídeo e repetida, repetida, repetida)
do seu “mito”
dizendo
“eu apoio a tortura”
“eu defendo a ditadura”
“eu vou fechar o congresso”
“não servem nem para procriar”
“não te estrupro porque você não merece”
“a gente vai varrer esses vagabundos daqui”
“o erro foi torturar e não matar”
“viadinho tem que apanhar”
etc etc etc etc etc
e tudo mais
que repete incansavelmente
há anos
ante câmeras e microfones
para quê mostrar de novo
e de novo
o mesmo nojo
se é justamente
por isso
que o idolatram?
e sempre haverá
os que vêm disfarçar
dizendo:
“estamos entre dois extremos”
“sim, mas veja a Venezuela”
“é para acabar com a corrupção”
“nós queremos segurança”
ou
“não é bem assim…”
enquanto constatamos cada vez mais
que sim,
é assim
mesmo, é assim
que é
mas
como li por aí:
“como explicar a lei Rouanet para quem
ainda não assimilou a lei Áurea?”
ou: como explicar a lei da gravidade
para quem ainda crê
que a terra é plana?
e querem defender sua ignorância com dentes
e garras
querem
matar atirar vingar
a quem?
em nome de quem?
(pátria, família, propriedade, segurança?)
se nessa seara não há direitos
nem respeito
ensino ou dignidade
só horror e
ódio, ódio
e horror
as palavras perdem a clareza
os valores perdem o valor
a vida perde o valor
Marielle
remorta remorrida rematada
por sua placa
rompida rasgada desonrada
pelas mãos truculentas de
brutamontes prepotentes
com suas camisetas estampadas
com a face do coiso
que redemonstra sua monstruosidade
quando vende
em seus próprios comícios
camisetas de outro
ultra-monstro
ustra
—
aquele que além de torturar
levava crianças para verem
suas mães torturadas
—
e esses mesmos
abomináveis
que, diante de uma claque vergonhosa,
se orgulham
de terem
rasgado as placas
com o o nome Marielle Franco
estão sim
agora
eleitos
satisfeitos
mas não saciados
de todo o sangue
de inocentes
que há de correr
só por serem
diferentes
excitando em outros
o desejo de exercer
seu obscuro
poder
de milícia polícia esquadrão da morte
e o anúncio da Rocinha metralhada
como solução
a barbaridade finalmente
institucionalizada
como diversão
o Brasil finalmente
sem coração
fora da ONU
e dos acordos internacionais pelo
meio-ambiente
sem controle
de sensatez ou mentalidade
sem limite humanitário
“não vai ter ong!”
“não vai ter ativismo!”
“não vai ter mimimi!”
bradam
cheios de si e de ódio
criminosos contra o crime
opressores pela família
amorais pela moral
apesar de todos
os alertas
da imprensa internacional
de esquerda, de centro, de direita
só não vê quem não quer
a tragédia anunciada
divulgada
não como boato
mas escancarada
- mente
enquanto
empoderados pelo discurso
de ódio
de horror e ódio
seus eleitores
já saem pelas ruas
dando tiros
e gritos
enxurradas de fakes
suásticas nazistas gravadas com canivete
na pele da menina
que usava “ele não” estampado na blusa
e a promessa de violência desmedida
se concretizando
antes mesmo de começar o segundo turno
e nem um centímetro de terra para os índios
e nem um pingo de direitos civis ou humanos
e a volta da censura e o ódio,
o ódio, o horror
e o ódio
pra encerrar de vez
o sonho de uma nação
que tem a chance
de dar ao mundo
sua contribuição
original
agora fadada a repetir o que de pior já houve
na história
sem história agora
sem Museu Nacional
nem cultura nem educação
abolir filosofia e arte
em seu lugar:
moral e cívica
escola militar
religião
geografia dos lucros e dividendos
massacre das minorias
horror e ódio
e ódio
e horror
crescente permanente enquanto dure
pois ninguém larga o osso assim tão fácil
depois de um golpe
que precisa parir outro golpe
ou autogolpe
alimentado por todas as fakes e facas
contra as costas de artistas
como Moa
mas na cabeça de quem apóia
tudo se justifica:
o fascismo
a tortura dos presos
o sumário julgamento sem juri
autorização dada à polícia
para matar
e o ódio aos pobres
as blitzes ostensivas
a guerra declarada
dos que aceitam assassinos para combater bandidos
se está tudo invertido mesmo
pobre elegendo milionário,
pelo avesso e ao contrário
então se autoriza a sórdida
barbárie
dos fortes contra os fracos
algo está muito doente
no Brasil
no descoração do Brasil
que mente, se omite, agride, regride
para avançar sem freios
em direção ao fascismo
seguindo a música hipnótica do
ódio,
horror e ódio
pregados em igrejas
em nome de Deus
e de Cristo
só desamor em nome de Cristo
violência e brutalidade em nome de Cristo
armas e tortura
e preconceito em nome de Cristo
de Deus e de Cristo
armar a população
para metralhar os adversários
os diferentes
os miseráveis
os favelados
os do outro lado
os que se manifestam
ou contestam
ou pensam de outra forma
ou se vestem
de outra cor ou tem
outra cor ou
qualquer pretexto
que se crie
para espalhar o ódio, o horror
e o ódio
do machismo ao estupro
da mentira ao linchamento
do homicídio ao genocídio
(“tinha que ter matado pelo menos trinta mil!”)
já sem democracia
palavra vazia
em boca
de quem compactua
(e não são poucos)
pensando ser
possível
alguma forma de
neutralidade
nesse momento
como Pilatos
lavando as mãos
a chamada mídia
tenta fazer média
ao dizer que os dois lados são igualmente
extremistas e perigosos
mas então
onde estavam nos últimos três mandatos
e meio
antes do pesadelo Temer?
estavam numa ditadura comunista
e não sabiam?
na verdade
todos sabem muito bem
que o extremismo
vem de um só
lado, que
quer se eleger para acabar
com eleições
e que o grande perigo é mesmo
esse jogo
de equivalências que,
na verdade
serve ao monstro
pois a omissão é missão impossível
neste agora
impossível
mascarar o sol
da ameaça
hostil e explícita
do nazismo
crescente
com a peneira furada
de um bom senso
mediano hipócrita indiferente
que sempre
vai dizer:
sim, mas a Venezuela…
como se não tivéssemos ouvido exatamente isso
em 64,
quando diziam:
— Sim, mas Cuba…
para justificar a ditadura militar
que tanto elogiam
hoje em dia
e que o atual
presidente
do nosso Supremo Tribunal Federal
decidiu
que agora vai chamar
de “movimento”
em vez de
“golpe militar”
para adoçar um pouco a boca
amarga
do sangue
impregnado
que não vai sumir assim
mudando a nomenclatura
desnomeando a já tão dita
“ditadura”
mas esse des-
- equilíbrio
ético
que diz
preferir uma autocracia
perfeita
a uma
defeituosa
democracia
esse
erro
que nenhum arrependimento será
capaz de reparar
quando for tarde
demais
ainda dá
para evitar
ainda
é tarde
de menos
para
conter
o ódio,
o horror e o ódio
ainda
dá
dd
a
d


*

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Fórum lança relatório sobre Direitos Humanos e da Terra em Cuiabá/MT; CEBs participam

http://cebsdobrasil.com.br/2019/09/05/18974/

Fórum lança relatório sobre Direitos Humanos e da Terra em Cuiabá/MT; CEBs participam



Fórum lança relatório sobre Direitos Humanos e da Terra em Cuiabá/MT; CEBs participam

Texto: Gibran Lachowski/assessoria comunicação Regional Oeste 2
Fotos: Ana Paula Carnahiba/asses. comunicação Regional Oeste 2
Integrantes de movimentos sociais, comitês, sindicatos, Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), congregações religiosas e da rede pública de educação participaram do lançamento do relatório do Fórum de Direitos Humanos e da Terra de Mato Grosso. A atividade ocorreu nesta quarta-feira à noite (dia 04), em Cuiabá/MT, no salão paroquial da igreja do Rosário e São Benedito, e fez parte da programação do 25º Grito d@s Excluíd@s. Houve lanche com frutas, sanduíches, bolos, sucos e café. Teve música, mãos dadas, punhos cerrados e muita animação. Confira galeria de fotos ao final da matéria.
Cerca de 70 pessoas participaram do lançamento do relatório, que está na quinta edição. Algumas delas falaram sobre os textos publicados no livro. O material é resultante do esforço de dezenas de pessoas e entidades, entre elas várias ligadas à igreja, como Centro Burnier Fé e Justiça, Pastoral do Migrante, CEBs e Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O relatório é um instrumento de DENÚNCIA dos problemas da realidade e ANÚNCIO de como encarar e viver a vida. O material tem uma palavra central, que é ESPERANÇAR. Esperançar é o contrário de esperar. É agir e fazer acontecer.

DENÚNCIA

Valdir Seze, da Comissão Pastoral da Terra (CPT)/Nova Canaã do Norte, foi uma das pessoas que apresentou o relatório. Ele falou que a violência no campo é causada por um conjunto de crimes e eles são cometidos principalmente pelos grandes fazendeiros. Entre os crimes estão:
– a grilagem de terras pelos empresários do agronegócio;
– o desmatamento ilegal;
– a extração ilegal de madeira e minérios;
– a exploração de trabalhadoras e trabalhadores;
– a concentração de muitas terras em poucas mãos;
– a sonegação de impostos (pelos grileiros de terras).
“E quando o povo se organiza pra sair do sofrimento, lutar pelos direitos e cobrar das autoridades, aí vem o conflito. Por isso este relatório dos direitos humanos é uma denúncia”, disse Valdir.

PARTE A PARTE

O relatório é dividido em quatro partes: Esperançares Basilares, Esperançares e Trabalho, Esperançares Socioambientais e Esperançares de Constituição. A primeira reflete sobre as situações urbanas, do campo e territórios no que diz respeito à política de proteção e direitos humanos. A segunda parte traz questões como o trabalho escravo, agronegócio, migrantes e pessoas atingidas por barragens.

Integrantes das CEBs e Pastoral da Juventude.

A terceira mostra a realidade dos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e outros grupos afetados pelo agrotóxico e pelo colapso climático. E a quarta parte do relatório reflete sobre as dimensões religiosa e espiritual, do corpo feminino e das lutas de gênero, além da comunicação popular.

ESPERANÇA

O bispo emérito de São Félix do Araguaia/MT, dom Pedro Casaldáliga, diz que a esperança é revolucionária. E que, apesar da dificuldade, é preciso ter ânimo e seguir em frente. Nessa sintonia é que Glória Maria Muñoz falou da organização e resistência das mulheres da região da Baixada Cuiabana.
São mulheres da cidade e do campo. A maioria é pobre e sofre violência. Mas resistem e não desistem. E ainda são apoio umas para as outras. “Uma parte delas mexe com empreendimentos solidários, de forma cooperativa. Elas se ajudam quando um equipamento de trabalho quebra, fazendo promoções para juntar dinheiro. Isso é lindo e maravilhoso”. Glória faz parte do Fórum de Mulheres Negras/MT e escreveu o texto em parceria com a doutoranda em Educação, Denize Rodrigues de Amorim.

LEIA O RELATÓRIO

Acesse e baixe a quinta edição do Relatório dos Direitos Humanos e da Terra aqui. Ou aqui. E no site você pode ler os quatro relatórios anteriores.

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Relatório Estadual de Direitos Humanos e da Terra é lançado em MT

https://www.24horasnews.com.br/noticia/relatorio-estadual-de-direitos-humanos-e-da-terra-e-lancado-em-mt.html

Relatório Estadual de Direitos Humanos e da Terra é lançado em MT


LANÇAMENTO

Relatório Estadual de Direitos Humanos e da Terra é lançado em MT

Jornalista Jonas Jozino | 05/09/2019 10:22:52

  Este é o 5º relatório produzido pelo Fórum de Direitos Humanos e da Terra e conta com a colaboração da gestora governamental e pesquisadora Denize de Amorim.

 
 
RENATA NEVES
Assessoria AGGEMT
 
Foi lançado nesta quarta-feira (04), em Cuiabá, o 5° Relatório Estadual de Direitos Humanos e da Terra. O documento é produzido pelo Fórum de Direitos Humanos e da Terra (FDHT) a cada dois anos e expressa um panorama geral das dimensões relacionadas com os direitos humanos e do ambiente como partes intrínsecas do perfil mato-grossense.

Para melhor compreensão didática, o relatório foi dividido em quatro grandes seções, as quais apresentam reflexões acerca das conjunturas urbanas, de campo, ou de outros territórios, entre os pactos e acordos das políticas de proteção e de direitos humanos; considerações sobre os conflitos do trabalho escravo, agronegócio ou dos migrantes, incluindo os atingidos pelas barragens; informações sobre povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e outros grupos sociais afetados pelos agrotóxicos e pelo colapso climático; e dimensões ontológicas do ser religioso, dos meios de comunicação, do corpo feminino e as lutas de gênero.

Pelo terceiro ano, a gestora governamental, doutoranda em Educação e pesquisadora do Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA) da UFMT, Denize Aparecida Rodrigues de Amorim, deu a sua contribuição ao documento, escrevendo, em autoria conjunta com a assistente social, mobilizadora e articuladora nos movimentos de mulheres, Gloria María Grández Muñoz, o artigo "Organização e a resistência feminina na Baixada Cuiabana".

Em seis páginas, as autoras enfatizam o trabalho de oito grupos de mulheres, que persistem na ação coletiva de viver e de promover os direitos humanos das mulheres. "A motivação principal deste texto é dar visibilidade às narrativas dessas mulheres responsáveis por organizações e movimentos sociais que fazem a diferença nas relações e, fundamentalmente, nas vidas delas, para torná-las mais leves pela solidariedade feminina", diz trecho do artigo.

Denize de Amorim explica que o grupo foi escolhido devido à aproximação das autoras e que as mulheres entrevistadas representam algumas de tantas outras que tem atuação importante na região da Baixada Cuiabana. "Nesse sentido, desenvolvemos uma metodologia de entrevistas e as descrevemos para que pudessem ter visibilidade pela sua atuação de engajamento na promoção e autonomia das mulheres".

A pesquisadora destaca a importância do relatório para a sociedade mato-grossense. "O relatório vem se consolidando como indicador analítico e descritivo das ameaças e das denúncias às vidas, daqueles que lutam por terra e moradia, por justiça social, por direitos fundamentais. Evidencia também as causas de degradação do meio ambiente e apresenta formas de resistências de diversas organizações que procuram, em meio a tantos problemas, sobreviver à crise socioambiental por qual passa a humanidade".

O 5º Relatório Estadual de Direitos Humanos e da Terra foi organizado por Inácio Werner, Michèle Sato e Déborah Santos e conta com a colaboração de outras 27 pessoas que participam de diversas atividades ligadas às ações de direitos humanos e que assinam artigos sobre as temáticas abordadas.