quinta-feira, 2 de maio de 2013

Amazônia peruana: tecnologia promete reduzir impacto dos poços de petróleo

eco
http://www.oeco.org.br/convidados-lista/27135-amazonia-peruana-tecnologia-promete-reduzir-impacto-dos-pocos-de-petroleo?utm_source=newsletter_699&utm_medium=email&utm_campaign=as-novidades-de-hoje-em-oeco


Perfuração usando técnica de Alcance Estendido poderia reduzir a pegada de projetos de perfuração previstos para Loreto. Os círculos vermelhos na figura A mostram múltiplas plataformas de perfuração que poderiam ser consolidadas em um número menor. Na Figura B, um projeto alternativo baseado nas melhores práticas. Os pontos amarelos mostram onde uma plataforma de Alcance Estendido poderia substituir várias plataformas tradicionais. Fontes: Perupetro, Governo Regional de Loreto e Ministério de Transportes e Comunicação
Lima - Ao sobrevoar a floresta Amazônica ao norte do Peru, o engenheiro Bill Powers ficou chocado com a visão que se descortinava logo abaixo, à medida que o aparentemente interminável tapete de copas de árvores em vários matizes de verde, repentinamente deu lugar a clareiras e estradas revelando as instalações da mais antiga concessão de exploração de petróleo em atividade no país.

“Havia enormes lagoas de petróleo a céu aberto próximo às baterias de produção," lembrou Powers. “Foi bem lúgubre avistar essas imensas lagoas de petróleo bem no meio da floresta.”

Essa concessão que está prevista para expirar em 2015 e que será novamente leiloada é uma de mais de uma dúzia de blocos de petróleo e gás natural que provavelmente estarão disponíveis para quem quiser em breve na região Amazônica de Loreto, localizada no nordeste do Peru.

Membros do governo dizem que a receita do petróleo e do gás natural é vital para expandir os serviços públicos para a população mais carente do Peru. Organizações indígenas e ambientalistas receiam que as perfurações em Loreto conduzam a desmatamentos e poluição, além de ameaçar diversos grupos indígenas nômades que não desejam contato com o mundo exterior.

Um estudo publicado em 1º de maio no periódico de acesso aberto PLOS ONE, argumenta que um caminho do meio seria exigir das empresas que evitem as áreas ambientalmente mais sensíveis e empreguem métodos de desenvolvimento que deixem a menor pegada possível.

Métodos menos agressivas

Essas melhores práticas (best practices) alinhadas no estudo estão situadas em um espectro entre “negócios como de costume” – o tipo de perfuração que poluiu a Amazônia no Equador e no Peru – e a proposta para o petróleo que está no subsolo do Parque Nacional de Yasuní, no Equador, onde o governo concordou em adiar as perfurações em troca de compensações de doadores internacionais.

“Dada a realidade de que os projetos (de petróleo e gás) estão seguindo em frente em Loreto, esta é uma estrutura operacional que deve ser considerada,” disse Matt Finer do programa de biodiversidade doCentro para Legislação Ambiental Internacional, sediada em Washington, D.C. e principal autor do estudo. 

A Amazônia do norte do Peru está localizada sobre a ponta sul de uma formação geológica que contém petróleo e que se estende ao longo da borda ocidental da bacia Amazônica da Venezuela até a Colômbia passando pelo Equador e pelo Peru. O governo Peruano já mapeou 48 blocos de petróleo e gás, cobrindo mais de 215 mil quilômetros quadrados em Loreto, ou seja, mais da metade do território da região. 

Quatro blocos estão ativos no bombeamento de petróleo, 25 receberam concessão de exploração e 19 estão marcados para leilão, embora o processo tenha desacelerado devido à nova regulamentação que exige que as comunidades indígenas sejam consultadas sempre que qualquer projeto de desenvolvimento possuir o potencial de afetar seu território.

Biodiversidade de Loreto

"Loreto se orgulha de possuir cerca de 8 mil espécies de plantas e mais de 900 de pássaros. A região é o lar de entre 40 e 60% das espécies de pássaros, anfíbios e répteis encontrados em toda a bacia Amazônica"
A região de Loreto é a maior, mais remota e mais densamente coberta por florestas do Peru. Viajantes podem chegar até a capital Iquitos somente de avião ou por barcos motorizados. Há uma estrada asfaltada que vai de Iquitos até a cidade portuária de Nauta, reduzindo o tempo de percurso, pois permite que viajantes possam cortar caminho evitando algumas das muitas curvas do sinuoso rio Marañón.

A falta de estradas ligando Iquitos às terras altas dos Andes e à costa dificulta o escoamento da produção e a chegada de produtos, mas igualmente coíbe o desmatamento. Loreto contrasta fortemente com as regiões vizinhas de Ucayali e San Martín, onde a expansão das fazendas e da pecuária ao longo das estradas vêm acelerando o desmatamento.

Loreto se orgulha de possuir cerca de 8 mil espécies de plantas e mais de 900 de pássaros. A região é o lar de entre 40 e 60% das espécies de pássaros, anfíbios e répteis encontrados em toda a bacia Amazônica, segundo um estudo recente.

Powers, da empresa de engenharia E-Tech International, sediada nos EUA e que também é coautor do estudo de melhores práticas para empresas de petróleo e gás, não deseja que as novas concessões se pareçam com o que viu em sua primeira visita aos campos petrolíferos do norte do Peru, em 2005.

O petróleo que ele viu nas lagoas da concessão conhecida como Bloco 1AB, perto da fronteira com o Equador era de resíduos flutuando em “águas de produção”, o líquido salino saturado de metais, bombeado de poços de petróleo operadas por uma subsidiária da Pluspetrol, sediada na Argentina. A água era então despejada nos riachos que fluem para o rio Corrientes, desencadeando um longo protesto das comunidades Achuar rio abaixo.

Depois que os testes revelaram um alto teor de chumbo e cádmio na corrente sanguínea das pessoas que moram ao longo do rio, na parte mais ao norte da região de Loreto no Peru, os manifestantes tomaram conta das instalações da Pluspetrol em 2006 até que um acordo fosse firmado com os executivos da empresa e com representantes do governo.

Como parte do acordo, a Pluspetrol concordou em reinjetar a água de produção nos poços ao invés de despejá-la nos rios. Uma mudança nas leis do Peru havia tornado a reinjeção obrigatória para poços novos, mas não para os já existentes. Powers, que havia visitado as instalações da Pluspetrol em 2005, forneceu conselhos técnicos aos negociadores de Achuar durante as negociações.

O resultado foi que as águas de produção não são mais despejadas nos rios, embora isso tenha resolvido somente parte do problema. Em janeiro, o governo peruano multou a Pluspetrol em $11 milhões por poluir a área da Reserva Natural de Pacaya-Samiria. O Bloco 1AB foi renomeado para Bloco 192 e está agendado para ir novamente a leilão em 2015, após o término da concessão da Pluspetrol. 

Estradas do Petróleo

Porém, a poluição é somente um dos impactos que Powers testemunhou na bacia de Corrientes, onde uma rede de estradas conecta os campos e plataformas de perfuração. O estudo calculou mais de 800 quilômetros de estradas de acesso nos blocos atualmente produtivos em Loreto, incluindo mais de 500 quilômetros só no Bloco 1AB. As estradas de acesso também estão incluídas nos planos de dois outros blocos.

Estradas e o direito-de-passagem para os dutos proporcionam uma abertura para que migrantes e madeireiros ilegais se instalem e comecem a derrubada da floresta. Caso estas estradas se conectem às estradas principais existentes, aumenta a probabilidade de desmatamento em grande escala.

A alternativa, diz Powers, é abordar a floresta Amazônica como se fosse um oceano, um método conhecido como “offshore-inland,” que envolve transportar trabalhadores e equipamentos em helicópteros ou mesmo pelo rio ao invés de abrir estradas. Construir de forma permanente, somente nas margens de rios navegáveis.

Perfurações de Alcance Estendido

“Hoje, as empresas exploram petróleo e gás natural empregando testes sísmicos onde cargas explosivas são colocadas ao longo de uma rede de trilhas pela mata”
Deixar uma pegada pequena também significa perfurar a menor quantidade possível de poços, empregando perfurações de “Alcance Estendido” (extended-reach drilling), que permite que uma empresa acesse múltiplos locais a partir de uma única plataforma. 

Embora perfurações de Alcance Estendido tenham sido pouco empregadas na Amazônia, distâncias horizontais de 8 quilômetros são rotineiras em outras partes do mundo e distâncias de 12 quilômetros são possíveis, diz Powers.

As empresas exploram petróleo e gás natural empregando testes sísmicos onde cargas explosivas são colocadas ao longo de uma rede de trilhas pela mata. Engenheiros mapeiam o depósito medindo como as ondas sonoras atravessam o subsolo.

Os críticos dizem que essas trilhas também abrem caminhos para posseiros e há os que questionam o efeito dessas cargas explosivas sobre os animais. Estudos no Peru demonstram que o impacto na fauna silvestre é mínimo, segundo Alfonso Alonso, gerente-diretor de programas de sustentabilidade e conservação para o Smithsonian Conservation Biology Institute de Washington, D.C., que falou numa conferência no fim de 2012 em Lima, sobre as melhores práticas nas operações de petróleo e gás.

Powers, que também foi palestrante naquela conferência, disse que as explorações feitas no passado na Amazônia forneceram dados que poderiam ser complementados com os dados geomagnéticos colhidos pelas aeronaves. A informação combinada poderia permitir que as empresas decidissem se a perfuração seria ou não lucrativa sem a colocação de novas linhas sísmicas para isso.

Dutos em passagens estreitas

O direito de passagem dos dutos pode também ser redesenhado para reduzir o impacto da produção de petróleo e gás, disse Powers. Ele sugeriu a redução do direito de passagem padrão de 25 metros de largura para 13 metros, seguindo os contornos naturais do terreno e abrir clareiras manualmente para a rota ao invés de empregar equipamento pesado, especialmente em declives íngremes.

Árvores ao longo de um trajeto de oleoduto mais estreito podem formar uma abóbada de folhagem que sirva de ponte para que espécies arborícolas possam cruzar o duto. Alonso disse que o monitoramento de 13 “pontes” como esta ao longo das rotas dos dutos próximo do campo de extração de gás de Camisea no sul do Peru durante seis meses em 2012, mostrou que pelo menos 11 espécies de animais, de porcos-espinho a micos, utilizaram essa forma de passagem.

Embora o estudo tenha sido publicado tarde demais para influenciar as operações do Bloco 67 (uma concessão operada conjuntamente pela Perenco e pela Petro Vietnam), os autores a usam como exemplo, argumentando que a perfuração de alcance estendido poderia ter reduzido a quantidade de plataformas de 21 para três. Eles também sugerem uma mudança no desenho do projeto que poderia eliminar uma instalação de processamento, reduzindo ainda mais sua pegada.

Embora as empresas aleguem que adotar tais medidas recomendadas no estudo encareceria suas operações de forma inviável, Powers calculou que o custo mais alto por metro para a perfuração de Alcance Estendido no Bloco 67 seria compensado pela redução de custo nas plataformas e usinas de processamento. Enquanto a estimativa contida nos planos aponta para um custo de perto de 1,34 bilhões de dólares para o projeto, ele disse que o custo utilizando as tecnologias de baixo impacto chegaria a um pouco menos: 1,32 bilhões de dólares.

Índios isolados e áreas protegidas

“19 blocos se sobrepõem a 10 áreas naturais protegidas na região, enquanto outras incluem partes de parques e zonas de separação de reservas”
O Bloco 67 têm sido controverso porque fica em uma área usada pelos povos nômades que se esquivam de contato com o mundo exterior. O estudo revelou que uma dúzia de blocos em Loreto se sobrepõe a reservas que foram propostas para povos indígenas, enquanto que quase a totalidade dos blocos inclui territórios indígenas cujos habitantes já obtiveram ou pleiteiam a titularidade.

Além disso, 19 blocos se sobrepõem a 10 áreas naturais protegidas na região, disse Finer, enquanto outras incluem partes de parques e zonas de separação de reservas. Partes de quatro blocos também estão na vertente do rio Nanay, que fornece a água potável de Iquitos, a capital de Loreto. A ConocoPhillips se retirou dos Blocos 123 e 129 ano passado, depois dos protestos sobre seus planos de exploração da bacia, mas os blocos permanecem ativos.

Em abril, o governo regional de Loreto passou uma lei protegendo a cabeceira dos rios por causa dos serviços ambientais que elas fornecem, mas é pouco provável que isso mude os planos para exploração de petróleo e gás que já foram aprovados.

Experiência em Camisea

Algumas das técnicas recomendadas no estudo já foram empregadas no desenvolvimento do campo de extração de gás de Camisea na região sudeste do departamento de Cusco. O consórcio liderado pela Pluspetrol construiu suas instalações principais nas margens do rio Urubamba e transportou seus equipamentos e maquinário para os locais das obras de helicóptero.

Mas enquanto não foram construídas estradas de serviço de, ou para, os campos de extração de gás, os governos locais têm investido parte de sua receita do projeto na construção de estradas fora do bloco. Comunidades Machiguenga locais também têm reclamado do aumento no tráfego fluvial relacionado às operações com extração de gás.

A parte mais controversa agora é a expansão do consórcio para dentro da reserva de povos indígenas isolados, que está situada em parte dentro dos limites do bloco de exploração de gás natural.

Pensar antes

Finer e Powers dizem que, para haver um menor impacto nas operações de petróleo e gás, tudo começa com o desenho do projeto, porque uma empresa que já tenha instalado muitas plataformas de perfuração dificilmente reduzirá seus números e trocar pela perfuração de Alcance Estendido para sua produção.

“Caso não iniciem com as melhores práticas na fase de exploração, as chances de utilizá-las na fase de produção serão muito menores,” disse Powers.

Finer disse que os autores têm esperança que seu estudo promova o debate sobre os critérios para se estabelecer zonas proibidas – locais onde a exploração de petróleo e gás não serão permitidas por serem áreas muito sensíveis, enquanto capacita empresas a operarem com uma pegada menor em outras áreas.

“Mesmo empregando as melhores práticas, não se pode evitar a contaminação em 100%,” disse Finer. “Então como equilibrar critérios sociais e ambientais de forma a permitir o desenvolvimento em algumas áreas? Esta é uma das perguntas mais complexas que ainda resta ser respondida.”


A direita latino-americana

carta maior
blog do emir
http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=1235



29/04/2013

A direita latino-americana

A direita latino-americana atual é o agregado de vários segmentos. Um primeiro, é a direita tradicional, que contém os jornais e revistas ligados à oligarquia, que estiveram ligados ao velho modelo primário exportador, apoiaram as ditaduras militares. 

Se valeram da reinterpretação do liberalismo por aqui, favoráveis ao livre comércio e contra qualquer protecionismo. São saudosistas, escrevem editorias rançosos, expressam ódio de classe aberto aos sindicatos, aos partidos de esquerda, a Cuba, Venezuela, Bolívia. 

Exaltam a mídia conservadora como bastiões da liberdade, ameaçados pelos “populismos” reinantes. Hoje manifestam melancolia e pessimismo sobre o estado atual do mundo e, em particular, da América Latina e de seus países em particular. Adoram os EUA de quem exigem sempre a dureza da época da “guerra fria”. Sua cantilena preferida é a do risco que a liberdade e a democracia correm.

O bloco neoliberal nos vários países no continente foi conduzido por outras forças, que incorporaram esse ramos oligárquico da direita. Foram forças originárias da social democracia e do nacionalismo – Ação Democrática na Venezuela, PRI no México, o peronismo dos anos 1990 na Argentina, o PSDB no Brasil, entre outros – os agentes do modelo neoliberal no continente. 

Seguindo pelo caminho dos socialistas franceses e espanhóis, e dos trabalhistas ingleses, essas forças organizaram um novo bloco de direita ou simplesmente avançaram sós na condução de governos neoliberais.

Essas duas vertentes contaram com o monopólio oligárquico dos meios de comunicação, numa fase em que estes ocuparam o lugar central na construção dos consensos políticos e ideológicos. 

Diante dos governos pós-neoliberais, a direita se viu fora do governo, com muitas dificuldades para retornar. Esses governos ocuparam um amplo espaço do campo politico, não deixando espaço para outro projeto com potencial hegemônico. O que fazer diante do inegável sucesso das politicas sociais desses governos? 

Manter a concepção da direita de que os recursos utilizados nessas politicas são gastos, via de regra considerados “excessivos”, responsáveis pelos desequilíbrios das contas publicas, além de mal administrados – para o que se centra na denuncia de supostas irregularidades e/ou ineficiência na sua aplicação.

Diante das alianças que priorizam os processos de integração regional, a direita centra suas criticas na situação política e econômica dos países latino-americanos, tentando provar que a aliança com eles está permanentemente ameaçada. 

Não podem manter – pelo menos desde o começo da crise econômica no centro do sistema – sua preferência pela aliança subordinada com os EUA, a Europa e o Japão. Tentam então desqualificar projetos como o Mercosul, Unasul, o Banco do Sul, a Celac, o Conselho Sul-americano de Defesa, sem grande efetividade.

Da mesma forma a direita ficou neutralizada na sua ojeriza ao Estado, especialmente desde o começo da atual crise econômica internacional, quando todos pediram ações estatais para minorar seus efeitos. Desviam então suas críticas ao Estado, concentrando em supostos casos de corrupção, que teriam o Estado como cenário, assim como supostas ineficiências dos programas governamentais, que seriam melhor administrados se estivessem centrados em empresas privadas e no mercado.

Com essas debilidades, a direita não consegue se recompor das derrotas que tiveram em países como a Venezuela, o Brasil, a Argentina, o Uruguai, a Bolívia e o Equador. Estes governos se elegeram e se reelegeram, encontrando-se em condições favoráveis para cumprir sua primeira década e avançar para a segunda.

Incapacitada de obter maiorias eleitorais, a direita centra sua ação nos grandes meios de comunicação, frente à debilidade confessa dos seus partidos, e busca articular novas modalidades golpistas, contando com a velha mídia e com o Judiciário – quando ainda o controla. 

Os governos progressistas latino-americanos têm tudo para fortalecer-se diante de uma direita como essa. Basta que zelem, antes de tudo, pela eficácia na aplicação das suas políticas sociais, pelo seu fortalecimento, expansão e criatividade. Essa é sua base fundamental de apoio e legitimidade, que lhes dá as maiorias e a legitimidade que lhes permitem seguir triunfando.

E, ao mesmo tempo, avançar nas políticas de integração regional – em particular o novo Mercosul e o Banco do Sul –, que é o permite a esses países resistir em melhores condições aos influxos recessivos do centro do capitalismo e superar obstáculos internos para construir um modelo alternativo de política econômica.

Em terceiro lugar, fazer as reformas do Estado e do sistema político, para democratizar as instâncias de poder, incluindo o sistema eleitoral, o Judiciário e os meios de comunicação. 
Postado por Emir Sader às 03:59

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Conheça oito áreas de trabalho que passam por profundas mudanças

bbc 
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/05/130430_profissoes_transformacao_pai.shtml


Conheça oito áreas de trabalho que passam por profundas mudanças

Atualizado em  1 de maio, 2013 - 05:06 (Brasília) 08:06 GMT
Foto: BBC
Muitas profissões passam por mudanças estruturais, legais ou tecnológicas
Não é só o trabalho doméstico, recentemente alvo de uma nova legislação no Brasil, que está em transformação.
Seja por motivos legais, econômicos ou tecnológicos, outras profissões também passam por mudanças significativas, que podem ocasionar desde mais ganhos para o trabalhador até novas exigências de qualificação ou adaptação a novos desafios.
Muitas mudanças são naturais, decorrente da evolução do mercado de trabalho no mundo inteiro e da busca de competitividade nas empresas; outras, são decorrentes das carências e transformações do Brasil.
Com a ajuda de especialistas, a BBC Brasil identificou oito profissões ou áreas de trabalho em acelerado processo de mutação, no Brasil e na América Latina:

Infraestrutura/tecnologia

Com o gargalo da infraestrutura brasileira em um "momento crítico", o Brasil tem um déficit de engenheiros e técnicos, muitos com qualificações bem específicas, diz Priscilla Tavares, pesquisadora da escola de economia da FGV-SP.
Segundo ela, em regiões do interior de São Paulo, onde há forte demanda por esse tipo de mão de obra, torneiros mecânicos podem chegar a ganhar o mesmo que engenheiros.
Especialistas dizem que essa demanda abrange também as áreas de eletrônica, mecatrônica, informática e telecomunicações.
"Todos os profissionais da área de rede (de telecomunicações) estão em transformação", diz João Nunes, diretor da consultoria em RH Michael Page, citando, por exemplo, o avanço da fibra ótica.
"O Brasil, bem como diversos países da América Latina, é deficiente em áreas de alta complexidade, criando uma forte demanda por esses profissionais. "Não há, por exemplo, conhecimento no país para fazer trens de alta velocidade, então a mão de obra e tecnologia têm de ser importadas", diz Nunes.
Aplicativos
Em algumas profissões, aplicativos podem mudar a relação do profissional com seus clientes e provedores
"Estamos evoluindo para um patamar de alto valor agregado, em que não basta construir uma estrada, mas sim uma estrada apta para o trânsito intenso, como no Porto de Santos."

Tecnologia da Informação

A área de TI, antes mais técnica do que funcional, hoje precisa interagir mais com outros departamentos da empresa, para entender e atender suas necessidades – algo que está mudando a forma como esses profissionais são recrutados, segundo João Nunes.
"Hoje esse profissional não é necessariamente um técnico em informática, mas um administrador que entende de tecnologia."
Nunes afirma que cresce também o investimento das empresas – sobretudo bancos, telecomunicações e setores de pesquisa e desenvolvimento – na área chamada de "Big Data", que consiste na análise de uma grande quantidade de dados para atender com mais rapidez as demandas da empresa e seus clientes.
"Para esses cargos, é necessário mais do que uma formação acadêmica", diz Nunes. "(As empresas buscam) pessoas que evoluíram em suas carreiras e têm conhecimentos técnico e de negócios."
Nunes agrega outra mudança vivenciada por essa área: a trabalhista. Com a incorporação de muitos funcionários de TI que antes trabalhavam de forma independente, como PJ (pessoa jurídica), as empresas estão tendo que investir mais para cobrir seus custos trabalhistas e para integrar esses funcionários aos demais.

Caminhoneiros

A Lei dos Caminhoneiros, em vigor desde março, determina que esses profissionais tenham 30 minutos de parada a cada quatro horas de direção, além de 11 horas seguidas de descanso diário. O objetivo da lei é coibir jornadas excessivas e prevenir acidentes nas estradas.
Isso pode trazer benefícios aos profissionais – como o aumento do adicional noturno - mas a medida pode ter efeitos "colaterais" problemáticos, na avaliação de Tavares, da FGV-SP.
Caminhoneiros
Lei passa a regulamentar descanso de caminhoneiros
Primeiro, diz a pesquisadora, há o perigo de que se aumente a informalidade em transportadoras menores, o que seria ruim para os trabalhadores. Outro desafio é que, em muitas estradas brasileiras, não há bolsões adequados onde os caminhoneiros possam descansar com segurança a cada quatro horas dirigidas.
Por fim, existe o impacto econômico da medida: em um país em que a maior parte do transporte é realizado pela malha rodoviária, transportadoras e empresas agrícolas se queixam de que a nova lei vai elevar em cerca de 14% os custos de frete, o que acabará sendo repassado ao consumidor ou ao preço de exportação.
Mas as mudanças legais são uma boa notícia para os trabalhadores, opina João Antonio Felício, secretário da CUT (Central Única dos Trabalhadores). ""É inaceitável que um motorista dirija por 16 horas consecutivas, é um risco."

Prestação de serviços tradicionais

Algumas profissões de baixa remuneração, como as de pintor, encanador ou costureira, passam por uma mudança estrutural, opina Adriano Gomes, professor de administração da ESPM.
Com a adoção de tecnologias mais avançadas por parte de seus fornecedores (no caso de encanadores, empresas de tubos e conexões), muitos estão tendo que se capacitar e sair da informalidade para manter a clientela e os rendimentos.
"As empresas (fornecedoras de material de construção ou tintas, por exemplo) sabem que na ponta precisam de um profissional capacitado e estão fornecendo cursos para formá-los", diz Gomes.
Encanador
Prestadores de serviços tradicionais estão mudando sua capacitação e organização
"E esses profissionais também estão virando pequenos empreendedores, montando empresas ou pequenas franquias de prestação de serviços tradicionais. Hoje é mais fácil chamar um encanador de uma empresa prestadora de serviço do que um indicado pelo vizinho. Quem não se adaptar vai perder espaço."

Professores

Para Regina Madalozzo, professora do Insper, sua profissão está em constante transformação, por conta das mudanças sociais e tecnológicas de cada época. A atual geração, porém, traz desafios extras aos mestres.
"Hoje temos que lidar com alunos (conectados a) celulares, laptop e internet, que desde criança aprendem e pesquisam de outra maneira", diz Madalozzo.
Em uma aula de mestrado recente, recorda, os alunos checavam imediatamente online cada dado que ela citava, algo que aumenta a cobrança sobre o professor.
Ao mesmo tempo, outra mudança está em curso na área de exatas, sobretudo em escolas básicas brasileiras, explica Priscilla Tavares, da FGV-SP.
"Em exatas, há um apagão de professores", afirma. "Mulheres que antes ocupavam esses postos agora têm opções mais bem remuneradas no mercado de trabalho. E os salários de professores ficaram defasados em relação a carreiras que exigem o mesmo nível de educação."
Com isso, resta a muitas escolas optar por profissionais de pior formação ou contratar professores sem a formação adequada para determinada disciplina – por exemplo, um professor de matemática acaba fazendo as vezes de professor de química ou física.

Taxistas

A rotina desses profissionais também está mudando, sobretudo nas cidades-sede da Copa do Mundo e nas capitais em que já existem aplicativos de smartphones.
Os aplicativos colocam os consumidores em contato direto com o taxista que estiver mais próximo dele, substituindo a central telefônica. Sendo assim, muda a relação desse profissional com os dois lados da cadeia.
"Esse mesmo taxista já aceita cartão de crédito e oferece TV para seus passageiros. Não sabemos se essas tecnologias mudarão seu trabalho para melhor, mas certamente são algo novo", diz Adriano Gomes.

Comunicação/jornalismo

Queda em faturamento de jornais, encolhimento das redações, incerteza quanto a como obter receitas com a internet e como lidar com as novas tecnologias. O cenário é de mudanças radicais no setor.
"A informação mudou na forma como é produzida. As pessoas consomem mais informação, mas de pouca qualidade", opina Priscilla Tavares, da FGV-SP.
O mundo digital mudou também a rotina dos profissionais que atuam em comunicação empresarial, diz João Nunes, da Michael Page.
"Os departamentos de comunicação passaram a fazer atualização de Facebook e a cuidar da imagem da empresa nas redes sociais", afirma Nunes. "É uma área que ficou mais jovem. Quem tem menos aptidão acabou deixando o mercado."

Domésticas

Agência Brasil
Profissão das domésticas mudava antes mesmo da PEC
Poucas profissões mudaram tanto no Brasil recente quanto a das domésticas, mesmo antes da mudança na legislação que igualou seus direitos aos dos demais profissionais.
"A PEC (proposta de emenda constitucional) acelerou o processo, mas a profissão já passava por mudanças e aumentos de salário acima da inflação", diz Regina Madalozzo, do Insper.
"Embora ainda tenhamos um número muito elevado de domésticas, muitas já não tinham a pretensão de se manter nesse ramo por muito tempo e trabalhavam para que seus filhos pudessem estudar e buscar outro emprego."
Agora, com a nova lei – que, em partes, ainda precisa ser regulamentada -, a tendência é que haja menos domésticas mensalistas, mas mais diaristas, com um ganho superior por hora trabalhada.
Por se tratar de um processo novo, seus desdobramentos positivos e negativos ainda estão por vir.
"Mas há vantagens para as domésticas, como o tratamento igualitário, o direito ao FGTS e a um horário fixo", diz Madalozzo, lembrando, porém, que a regulamentação adequada do governo é importante para estimular - em vez de inibir - a formalização desses profissionais. "Por enquanto, apenas 30% deles são registrados."

1º de maio em 2013 e os desafios para a classe operária

correio
http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=8319:submanchete300413&catid=72:imagens-rolantes


1º de maio em 2013 e os desafios para a classe operária


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ESCRITO POR WALDEMAR ROSSI   
TERÇA, 30 DE ABRIL DE 2013

Passaram-se 127 anos do martírio dos operários de Chicago. Em 1886, operários foram assassinados a mando da justiça dos Estados Unidos da América porque lutavam pela redução da jornada e por melhores condições de trabalho.

Desde então, trabalhadores do mundo inteiro se reúnem no dia 1º de maio para não deixar que tal sacrifício caia no esquecimento, como quer a burguesia responsável pelo martírio. Os exploradores usam de todos os meios possíveis para que essa data seja transformada em dia de lazer, de festa, recheada das várias formas de circo, como shows custeados pelas grandes empresas (as mesmas que exploram os trabalhadores).

Mais grave é saber que tais shows são organizados por Centrais Sindicais vendidas ao capital. Torneios de futebol e de outros esportes são patrocinados pelo mundo inteiro, visando apagar a memória da classe trabalhadora. O que mais importa ao capital é que as novas gerações de trabalhadores permaneçam à margem da História da resistência de seus irmãos de classe, desta classe em luta permanente contra a cada vez mais cruel exploração de sua força de trabalho.

Com isso, tentam jogar também para a lata do lixo a memória dos trabalhadores que continuam sendo assassinados a cada dia, seja pelas balas das polícias e jagunços, com omissão dos governos federais, seja pelas péssimas condições de trabalho e de segurança.

Desigualdades crescentes

Se no mundo inteiro o capital entrou em nova fase de sua curta história, avançando na ação política para eliminar as conquistas operárias alcançadas com muito sangue ao longo de pouco mais de dois séculos, em nosso país, em particular, este ataque se mostra realmente feroz. O Brasil, tendo se transformado numa das grandes forças produtivas do mundo, se transformou também no país das maiores desigualdades sociais do planeta.

Ao lado de empresas e empresários riquíssimos, encontram-se milhões de pessoas em condições de miséria absoluta e ou relativa – que sobrevivem do que sobra nos tristes lixões ou com os miseráveis R$ 70,00 que o governo lhes concede como esmola –, para que não reclamem por justiça social. Ou ainda sobrevivendo com o miserável Salário Mínimo decretado sem nenhum escrúpulo pelos nossos governantes.

As desigualdades se expressam também nas relações entre eleitos e eleitores. Parlamentares e políticos em geral tiram dos cofres públicos, a título de salários, em torno de R$ 26.700,00, enquanto “concedem” R$ 678,00 para quem produz as riquezas deste país. Uma relação criminosa de40 vezes o valor do salário mínimo. Porém, a relação é muito mais injusta porque cada parlamentar conta com muitas outras regalias que não são reveladas ao povo eleitor. O que não dizer das benesses que muitos recebem das grandes empreiteiras, por exemplo?

Eliminação e negação dos direitos básicos

Da mesma forma que na Europa, o governo brasileiro vem eliminando direitos da classe trabalhadora, sonegando receita para os serviços essenciais (saúde, educação, saneamento, entre outros), enquanto concede gordos benefícios para o empresariado sedento por lucros exorbitantes à custa do mesmo dinheiro público.

Após 70 anos da Consolidação das Leis do Trabalho, 18,6 milhões de trabalhadores se encontram na informalidade. São quase 19 milhões de trabalhadores que não são atingidos pelos direitos assegurados em lei. São também 20% da mão de obra do país que não contam ainda com carteira assinada (fonte: IHU UNISINOS). Há ainda 15,2 milhões que vivem do próprio trabalho, sem qualquer proteção social, porque não têm como contribuir com a Previdência Social. São tratados como coitados ou marginais.

Estado politicamente falido

Todas essas mazelas são também o resultado de um Estado criado e mantido a serviço dos interesses dos proprietários de terras, de fábricas, do grande comércio e, hoje, sobretudo, para defender os interesses do chantagista e agiota sistema financeiro global. Foram constituídos Estados que, em vez de defender os interesses do conjunto da sociedade, atuam como força repressiva, esmagando as legítimas reivindicações dos povos. Um Estado que precisa ser deslegitimado e substituído por outros modelos, que estejam sob o controle e a serviço de todo o povo.

O sindicalismo superado

Assim como em outras partes do mundo, no Brasil também as Centrais Sindicais se acomodaram, seus dirigentes se tornaram “dirigentes sindicais profissionais”, permanecendo no topo das suas estruturas, fazendo o jogo sujo dos interesses do capitalismo predador, gozando de um padrão de vida que causa inveja a muita gente da chamada Classe Média Alta. Para enganar suas bases, promovem atividades do “faz de conta que lutamos”, mas que não mexem em nada nos interesses das grandes empresas.

É mais fácil promover encontros de “trabalhadores” em Brasília, com muita mordomia, com despesas pagas e tudo o mais - aparecendo para a mídia teatral - do que mexer com a produção capitalista, que continua sem interrupção. Tais dirigentes profissionalizados, porém, mostram competência para fazer longos, repetitivos e cansativos discursos. Esse comportamento me faz lembrar as advertências de Jesus aos poderosos de sua época: “Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês exploram as viúvas e roubam suas casas e, para disfarçar, fazem longas orações!”. E a grande mídia faz eco a tais enganações, dos governantes e do peleguismo oficial.

Desafios atuais

Assim, entre os desafios para a classe trabalhadora, hoje, estão: tomar consciência do que é este modelo de sindicalismo corrompido e corrupto, criar novas formas de organização dos trabalhadores e assumir sua tarefa como protagonista das mudanças estruturais que nos vêm sendo negadas há longos anos. Assim como é urgente que trabalhadores e seus familiares, enquanto isso, se engajem nos movimentos populares independentes para exigir políticas públicas que garantam condições de vida com um mínimo de dignidade humana.

Dessa dupla dimensão de engajamentos e das ações sociais poderão, com o tempo, nascer novos e revolucionários instrumentos de lutas que deverão promover as transformações políticas, econômicas, sociais e culturais, colocando a política oficial sob rigoroso controle popular.

Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.