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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Publicação registra pressão sobre os beiradeiros do Alto Rio Iriri, no Pará

isa
http://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-xingu/publicacao-registra-pressao-sobre-os-beiradeiros-do-alto-rio-iriri-no-para



Publicação registra pressão sobre os beiradeiros do Alto Rio Iriri, no Pará

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O livro “Não tem essa lei no mundo, rapaz! A Estação Ecológica da Terra do Meio e a resistência dos beiradeiros do alto rio Iriri” é o resultado da pesquisa dos cientistas sociais Daniela Alarcon e Mauricio Torres sobre a situação fundiária dos beiradeiros (ribeirinhos) que vivem junto ao Rio Iriri, o maior afluente do Xingu, na Estação Ecológica da Terra do Meio (EsecTM), no Pará. A edição do livro é resultado de parceria entre o ISA e as associações extrativistas das Resex do Riozinho do Anfrísio (Amora) e do Rio Iriri (Amoreri).
A frase que dá título ao livro (“Não tem esta lei no mundo, rapaz!”) foi dita por Seu Zé Boi (José Alves Gomes da Silva), beiradeiro que vive na EsecTM, em depoimento aos autores do livro. Ele demonstrava sua consternação em face de regras impostas aos beiradeiros pelo Ibama/ICMBio. No entendimento de Seu Zé Boi, corroborado pelos autores do livro, boa parte dessas regras vai na contramão das noções de direito e das práticas do grupo que tradicionalmente ocupa a área. Além de serem, muitas delas, inconstitucionais.
A Estação Ecológica da Terra do Meio foi criada em 2005, com três milhões de hectares, habitados hoje por um conjunto de famílias de beiradeiros e camponeses, que já viviam ali muitas décadas antes de sua criação. A categoria de Unidade de Conservação escolhida, de proteção integral, mais restritiva, não levou em conta a existência dessa população e deu como certo que a conservação da natureza é incompatível com as atividades tradicionais praticadas pelos beiradeiros. A partir dali, os ribeirinhos começaram a ter seus direitos desrespeitados e, hoje, sua sobrevivência está ameaçada pela violação de seus direitos civis e pelo estrangulamento de suas alternativas de geração de renda.

Histórias de pressão e temor
Os autores resgatam os estudos para a criação da EsecTM e das outras UCs da Terra do Meio (coordenados pelo ISA, a partir de demanda do Ministério do Meio Ambiente) e mostram como a proposta elaborada a partir de rigorosa pesquisa registrava a existência das famílias beiradeiras e previa que a área se tornasse uma Resex, categoria de UC focada no reconhecimento territorial de comunidades tradicionais, como os beiradeiros do Iriri, e não na sua expropriação, como pretende a Esec. Entretanto, mesmo tendo plena ciência da ocupação das dezenas de famílias beiradeiras, o Ibama optou pela UC de proteção integral.
A publicação conta as trajetórias de uma população que vive em ambiente de pressão, desinformação e temor. Estão documentadas histórias como a de Dona Zefa (Josefa Jerônimo da Silva), que viu uma equipe do Ibama revirar sua casa sem poupar sequer suas roupas íntimas, e a de Francisca Graça Gomes da Silva, que, na ausência de escola no beiradão, mudou-se com os quatro filhos para a periferia de Altamira, e perdeu-os todos, assassinados ou desaparecidos. Reproduz, ainda, relatos de beiradeiros sobre o caso de Chico, sua esposa e filhas, que viviam na margem do Rio Iriri e tiveram sua casa incendiada por ordem do então chefe da Unidade, sendo, em seguida, expulsos da área.
Os autores recuperam também algumas histórias familiares, indicando o arraigo dos beiradeiros ao território onde vivem há gerações e seu profundo conhecimento e ricas tecnologias de manejo da floresta. É o caso, por exemplo, de Dona Maria Raimunda Gomes da Silva, nascida em 1939 na margem direita do Rio Iriri, que toda a vida tirou seu sustento da floresta e têm sete filhos enterrados no beiradão. “Nunca abandonei aqui. Eu, pelo menos, não quero sair daqui, não, só se me mandarem embora. Se mandarem, eu vou chorando”, disse ela aos pesquisadores.
Termo de Compromisso aguarda para ser assinado
“Não tem esta lei no mundo, rapaz!” analisa também o processo de elaboração de um Termo de Compromisso (TC), no qual está empenhada a atual gestão da Unidade e que poderia harmonizar a relação entre o ICMBio e os beiradeiros que vivem no interior da EsecTM. O documento aponta meios para que se encerre a violência e o cerceamento institucional a que essas famílias têm sido submetidas e toma providência para que elas passem a ter acesso a direitos, como saúde e educação, hoje sistematicamente violados. Selado o pacto entre a gestão do ICMBio e os beiradeiros, o documento seguiu para Brasília, para ser assinado pela presidência do órgão; entretanto, até agora e sem qualquer justificativa, ainda não foi firmado.
Os dados da pesquisa foram coletados de 2007 a março de 2013, quando se deu a última de diversas incursões pela EsecTM, com o apoio da atual gestão da UC. No último período em campo, os pesquisadores realizaram entrevistas (semiestruturadas e livres) com beiradeiros e colonos que vivem na EsecTM e participaram de reuniões envolvendo esses grupos, representantes governamentais e outros para a construção do TC.

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terça-feira, 19 de agosto de 2014

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Povos e comunidades tradicionais do Centro Oeste se reuniram para reflexão e mobilização


Encontro de Povos e Comunidades Tradicionais do Centro Oeste ocorreu de 12 a 15 de agosto de 2014 em Cuiabá/MT

Por Maíra Ribeiro/AXA
Pantaneiros, retireiros, indígenas, raizeiras, morroquianos, quilombolas, pescadores, ciganos, povos de terreiro e extrativistas. Cada um com sua cultura, cada um com sua riqueza. Imagine agora, todos eles juntos num encontro? O resultado desta diversidade foi muita troca e beleza, mas também discussão e reivindicação. O Encontro de Povos e Comunidades Tradicionais (PCT) da Região Centro-Oeste terminou na sexta-feira passada (15) em Cuiabá, após três dias intensos de plenárias, reuniões e grupos de trabalho. Ao todo, estavam reunidos 120 representantes da sociedade civil, incluindo a juventude e os membros da Comissão Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT). Todos os três estados do Centro Oeste e o Distrito Federal estavam presente.
O tema do encontro foi Territórios, discutidos nos quatros eixos norteadores da Política Nacional de Desenvolvimento para Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT): Acesso a territórios e recursos naturais; Infraestrutura; Inclusão social; e Produção e fomento. O encontro contou também com momentos de acolhida, como as místicas e com apresentações artísticas. Estes espaços trouxeram para o encontro os seus símbolos e a exuberância da diversidade cultural presente.
Da região do Araguaia Xingu, estiveram presentes representantes dos Retireiros do Araguaia, do município de Luciara. Os Retireiros do Araguaia praticam pecuária de subsistência em pastagens nativas das áreas inundáveis do Rio Araguaia. Sua principal reivindicação é a proteção do território utilizado tradicionalmente através da criação de uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS). Rubem Sales, liderança entre os retireitos e membro da CNPCT, participou de uma mesa junto ao Ministério Público Federal e a Secretaria de Patrimônio da União do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (SPU/MP). Rubem apresentou, nessa mesa, os conflitos territoriais da região Centro Oeste. Em sua luta, os Retireiros do Araguaia tem sofrido ameaças e violência por parte de fazendeiros e comerciantes da região.
A mesa de abertura do Encontro contou com representantes da sociedade civil, do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), da SPU/MP e Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (SEJUDH/MT). Na mesa de abertura, os pescadores entregaram ao ICMBio um pedido de reserva de pesca na região de Cáceres.

Discussão e mobilização


Viola de cocho é música tradicional do Centro-Oeste!
Através dos Grupos de Trabalho e reuniões, o encontro cumpriu as metas de avaliar a atuação da CNPCT – formada por 15 representantes da sociedade civil e 15 do governo – e eleger representantes e delegados para participar do II Encontro Nacional, que ocorrerá de 24 a 27 de novembro em Brasília. Além destas, um objetivo do encontro era refletir e gerar recomendações sobre o Projeto de Lei (PL) 7.447/2010. Este PL estabelece diretrizes para as políticas públicas de desenvolvimento sustentável de Povos e Comunidades Tradicionais.
Porém, foi outro PL que gerou maior mobilização no encontro. O Projeto de Lei 7.735/2014 regula o acesso ao patrimônio genético e os conhecimentos tradicionais associados. Entretanto, foi avaliado que o PL apresenta falhas significativas e não protege de fato os direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais. Neste sentido, os participantes foram enfáticos deliberando que a CNPCT peça não só o cancelamento do pedido de urgência de votação do PL, como retire por completo o Projeto de Lei do Congresso Nacional. Para tanto, foi produzida durante o encontro uma carta à Presidência da República que pode ser lida aqui. Foi solicitada também audiência pública com o Secretário Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que já tem conhecimento do pedido de suspensão do PL. O processo será acompanhado por membros da Comissão Nacional indicados no encontro.
Além desta carta, o encerramento foi marcado pela leitura de outros documentos produzidos durante o encontro, como moções de repúdio e as cartas de manifesto sobre os impactos de hidrelétricas e da soja. O documento principal foi a Carta da Região Centro-Oeste, elaborada durante o encontro e com participação de vários representantes dos segmentos.
Para Cláudia Regina Sala de Pinho, da Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneiras, a avaliação do encontro foi muito positiva. “O encontro foi um momento de conquista para a visibilidade da diversidade dos segmentos que sempre resistiram na região Centro Oeste. Esperamos que as reivindicações feitas aos orgãos competentes, seja por meio das cartas, seja nas colocações diretas das representações, sejam atendidas”. Em Mato Grosso, o foco é construir espaços institucionais no âmbito estadual. “Estamos reivindicando que seja aberto espaço de discussão para formar o Conselho Estadual de PCT e a Política Estadual de PCT” afirma Cláudia. O movimento já iniciou uma conversa neste sentido com a SEJUDH, e espera realizar uma primeira reunião, este ano ainda, com o Grupo de Trabalho de representantes de PCT para começar os debates.
Este é o terceiro encontro regional preparatório para o nacional. Os anteriores foram em Belém e Salvador, e o próximo será em Curitiba, de 25 a 29 de agosto. No Encontro Nacional que ocorrerá em novembro em Brasília,  serão apresentados os resultados dos encontros regionais, por meio de avaliação e sugestão de aprimoramento da Comissão Nacional e da PNPCT. Pela Política Nacional, são considerados povos e comunidades tradicionais: indígenas, quilombolas, extrativistas, pescadores, seringueiros, castanheiros, quebradeiras de coco-de-babaçu, fundo e fecho de pasto, povos de terreiro, ciganos, faxinalenses, ribeirinhos, caiçaras, praieiros, sertanejos, jangadeiros, açorianos, campeiros, varjeiros, pantaneiros, geraizeiros, veredeiros, caatingueiros e barranqueiros.
Imagens: Cláudia de Pinho

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

NOTA DE DESAGRAVO - CNPCT

gta
http://www.gta.org.br/nota-de-desagravo-ocorrido-ontem-26-2-na-reuniao-do-grupo-de-trabalho-da-cnpct/


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FEVEREIRO 27, 2014 Posteado por GTA in NOTÍCIAS GTA
NOTA DE DESAGRAVO - CNPCT


Ontem (26.02) ocorreu a reunião do Grupo de Trabalho em Brasília, responsável pela organização dos encontros Regionais e do Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais. A reunião foi uma preparatória da Sociedade Civil à 22a Reunião Ordinária da CNPCT no dia 27.02
Ao final da reunião, diante do pedido de esclarecimento dos representantes dos PCTs sobre o posicionamento do MMA frente a Câmara de Conciliação sobre os territórios dos Quilombolas, os representantes se sentiram desrespeitados diante a atitude dos que ali representavam o MMA. Os representantes do MMA alegaram à esse esclarecimento como desrespeito à ministra Izabella Texeira e ao MMA, que estariam proporcionando a vinda dos representantes da sociedade civil à Brasília para esta reunião. O resultado deste incidente desagradável foi uma nota de desagravo na reunião dentro do Grupo de Trabalho que discute os Encontros Regionais de Povos e Comunidades Tradicionais.
Segue a nota da reunião:
Nota de Desagravo                       
Nós, Povos e Comunidades Tradicionais que compõe a sociedade civil da CNPCT vimos por meio deste apresentar nota de desagravo em favor da sociedade civil nesta comissão, em face do desrespeito sofrido na reunião dentro do Grupo de Trabalho que discute os Encontros Regionais de Povos e Comunidades Tradicionais no dia 26 de Fevereiro do presente ano.
Reafirmamos diante do poder público, que a CNPCT é um espaço da sociedade civil brasileira, na qual os Povos e Comunidades tradicionais ali representados dialogam com a participação de igualdade com o Estado e deste modo não pode ser manipulado, atropelado e nem intimidado.
A sociedade civil da CNPCT não aceita nenhum tipo de intimidação e nenhuma forma de desrespeito sejam por quais meios forem, nem tampouco que os pronunciamentos realizados no âmbito da Comissão sejam tomados como pessoais.
Prezamos pelo efetivo exercício da democracia, dos direitos individuais e coletivos.
Ainda queremos reafirmar que os recursos financeiros que subsidia a participação dos membros da sociedade civil junto a CNPCT é um recurso do Estado, oriundo do pagamento dos impostos que todos nós como cidadãos brasileiros contribuímos e cobramos a melhoria para o nosso país.
Nesse sentido, queremos que perante o fato ocorrido, que o governo se retrate oficialmente perante a sociedade civil.  
Brasília, 27 de Fevereiro de 2014.
 
Sociedade civil da CNPCT.