Em 27 de janeiro de 1945, Auschwitz, o maior campo de concentração nazista, foi libertado por tropas soviéticas
Um projeto coordenado por uma pesquisadora brasileira pretende colher depoimentos, grande parte deles inéditos, de mais de 250 sobreviventes do Holocausto ─ o assassinato em massa perpetrado pelos nazistas contra os judeus durante a 2ª Guerra Mundial ─ que vivem no Brasil.
À frente da iniciativa está Maria Luiza Tucci Carneiro, professora de História da USP e uma das maiores estudiosas sobre o tema no país. Segundo Carneiro, que também dirige o Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação (LEER) da universidade, o objetivo é gravar os testemunhos em vídeo até o fim de 2016.
Intitulado 'Vozes do Holocausto', o projeto ocorre em meio ao desafio de manter viva a memória de um dos maiores genocídios do século 20 uma vez que grande parte dos sobreviventes morreu e os poucos vivos possuem idade avançada.
"É uma corrida contra o tempo", diz Tucci Carneiro à BBC Brasil. "Nosso objetivo é registrar em vídeo o máximo de depoimentos possível, já que, nos próximos dez anos, possivelmente não haverá mais sobreviventes para contar a história de uma das maiores atrocidades que já ocorreram no mundo", acrescenta.
"É uma memória que corre perigo de ser esquecida, especialmente porque, sem os sobreviventes, abre-se espaço para os que insistem em negar a existência do Holocausto."
Testemunhos
A primeira fase do projeto terá início em fevereiro e durará seis meses, período em que Tucci Carneiro espera gravar testemunhos de 90 dos 284 sobreviventes do Holocausto que vivem no Brasil.
Desse total, revela a pesquisadora, grande parte mora em São Paulo e chegou ao país vinda da Alemanha, Áustria, Polônia e Romênia durante a 2ª Guerra Mundial.
Os recursos para custear esta etapa, diz Tucci Carneiro, virão do Instituto Samuel Klein, criado após a morte do empresário em novembro do ano passado. Judeu nascido na Polônia e naturalizado brasileiro, o fundador da rede de lojas de departamento Casas Bahia sobreviveu a dois campos de concentração, o de Majdanek e o de Auschwitz-Birkenau, este último o maior do regime nazista.
Segundo Tucci Carneiro, dos 90 depoimentos gravados, serão escolhidos os dez melhores, que vão se tornar cada um, um DVD. O registro será acompanhado de material paradidático e distribuído em escolas públicas, inicialmente da cidade de São Paulo.
"O projeto tem caráter multidisciplinar e pedagógico. O objetivo é propor uma reflexão sobre todas as formas de intolerância a partir do Holocausto. Normalmente, as escolas não dão a esse tema a sua devida importância", diz a pesquisadora.
"Em outras palavras, queremos mostrar para os mais jovens que quando se investe contra uma etnia ou um grupo específico, também se lapidam a memória e a cultura de um povo. Com isso, chamamos atenção para o perigo do racismo e ensinamos esses alunos a conviver com a diferença", acrescenta.
Importância histórica
Tucci Carneiro conta que obteve a lista dos nomes dos mais de 250 sobreviventes por intermédio da Claims Conference, instituição sediada nos Estados Unidos que zela pelo bem-estar de sobreviventes do Holocausto no mundo.
Segundo ela, alguns sobreviventes costumam relutar inicialmente em contar a história de como escaparam da máquina de morte criada e executada pelos nazistas.
"Alguns deles não querem passar pelo trauma de ter de relembrar um período difícil. Muitos perderam a família inteira e vieram ao Brasil sem um único centavo", assinala Tucci Carneiro.
"Nossa abordagem é sempre feita com muito cuidado e sempre ressaltamos a importância histórica do depoimento para as gerações futuras", complementa.
A pesquisadora, que também coordena o Arquivo Virtual do Holocausto (ArqShoah) da USP, diz ainda que muitos dos entrevistados possuem documentos de "inestimável valor histórico".
"Eles acabam nos cedendo cópias e registros importantes da época, que nos permitem remontar com maior verossimilhança os horrores do Holocausto", afirma.
"Também sensibilizamos as famílias no sentido de resguardar esse material", acrescenta.
Projeto maior
Estima-se que apenas em Auschwitz 1,6 milhão de pessoas - a imensa maioria judeus - tenha morrido
A iniciativa de Tucci Carneiro é parte de um projeto maior, chamado 'Travessias: Narrativas e Representações dos Sobreviventes e Refugiados do Nazismo no Brasil'.
Segundo a pesquisadora, a intenção é reunir o maior número de informações possível sobre os judeus que, forçados a deixar seus países de origem em meio à ascensão da Alemanha nazista, passaram pelo Brasil durante a 2ª Guerra Mundial.
"Temos um número expressivo de artistas e intelectuais judeus, entre refugiados e sobreviventes, que aportaram no país antes, durante ou depois do confronto", diz Tucci Carneiro.
"Um dos exemplos foi a pianista polonesa Felicja Blumental, posteriormente naturalizada brasileira. Grande colaboradora de Villa-Lobos e uma das maiores intérpretes de Chopin, ela tornou-se uma das principais promotoras da música clássica brasileira."
"O Brasil precisa dessa memória ─ que nunca pode ser esquecida", diz Tucci Carneiro.
De vez em quando, procedia-se nos campos de concentração as chamadas "seleções", isto é, aquele exame das condições físicas dos prisioneiros, a fim de detectar a sua atitude ao trabalho: aqueles que, depois dos esforços, das torturas, da fome ou das doenças estavam reduzidos a um estado de decadência tal que comprometesse as suas possibilidades de resistir ao trabalho massacrante, eram dirigidos para as câmaras de gás.
O relato é do médico italiano judeuLeonardo De Benedetti (1898-1983), que foi prisioneiro do campo de concentração de Auschwitz de fevereiro de 1944 até a sua libertação em janeiro de 1945. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, junto com o seu colega de concentração, Primo Levi, escreveuRapporto su Auschwitz, um relatório das condições dentro do campo.
O artigo foi publicado no jornal La Stampa, 21-01-2015. A tradução é deMoisés Sbardelotto.
Eis o texto.
Eu fui deportado da Itália, na minha qualidade de judeu, no dia 20 de fevereiro de 1944 e cheguei à estação de Auschwitz na noite do dia 26 de fevereiro de 1944. O comboio do qual eu fazia parte era composto por 650 pessoas, das quais o mais velho tinha 85 anos, o mais jovem, seis meses.
Assim que saí do trem, na mesma plataforma da estação, ocorreu a primeira seleção; tive a sorte de ser julgado bastante jovem e ainda apto ao trabalho, enquanto a minha esposa (que estava comigo e da qual fui repentina e brutalmente separados) foi dirigida, na mesma noite, à câmara de gás, como eu fiquei sabendo depois da libertação por parte de algumas de duas companheiras que escaparam.
Na mesma noite, eu, com outros 95 companheiros, fui transportado diretamente para o Campo de Monowitz-Buna, onde recebi o número de matrícula 174489 e onde permaneci até o dia 17 de janeiro de 1945, quando fui libertado pelo Exército Vermelho.
Durante todos esses 11 meses, eu tive que trabalhar na qualidade de operário manual em diversos "Kommandos", todas tarefas muito cansativas; eram sempre trabalhos de descarga ou de transportes, nunca tendo conseguido fazer valer junto ao "Arbeitsdienst" a minha qualidade de médico e, por isso, não me foi dada a possibilidade de entrar como médico ou mesmo apenas como simples enfermeiro no "Krankenbau".
As minhas condições físicas naturalmente sofreram um rápido e grave colapso pelo duríssimo esforço ao qual eu – assim como todos os outros prisioneiros – era submetido e que aqui não é o caso de descrever, até porque agora as condições de vida nos campos de concentração são conhecidas a todos.
Assim, como é de conhecimento de todos, de vez em quando, procedia-se nos campos de concentração as chamadas "seleções", isto é, aquele exame das condições físicas dos prisioneiros, a fim de detectar a sua atitude ao trabalho: aqueles que, depois dos esforços, das torturas, da fome ou das doenças estavam reduzidos a um estado de decadência tal que comprometesse as suas possibilidades de resistir ao trabalho massacrante, eram dirigidos para as câmaras de gás.
Essas seleções, no campo de Monowitz, ocorriam em dois tempos: a primeira escolha era feita por um oficial da SS auxiliado pelos mesmos médicos do Krankenbau do campo e, alguns dias depois, chegava o doutor Mengele para sancionar, através de uma segunda visita, igualmente rápida e superficial, a escolha realizada pelo primeiro.
Ambos os exames, como eu disse, eram ridiculamente sumários: uma olhada era suficiente para estabelecer um juízo; e se, depois da primeira escolha, persistisse nos mais otimistas uma esperança ainda que fragilíssima e ingênua de poderem se salvar, a segunda escolha – a realizada pelo doutor Mengele – era definitiva e representava um juízo inapelável e uma sentença irrevogável de morte.
O doutor Mengele se apresentava ao campo sempre de uniforme impecável e muito elegante e quase refinado, com as altas botas muito brilhantes, as luvas de pele, um chicotinho na mão; e, enquanto realizava o tremendo exame, assumia um ar sorridente e quase gentil; com o chicotinho, enquanto os que estavam sendo julgados desfilavam correndo, nus, diante do seu olhar e se detinham por um instante na frente dele, ele indicava, com suprema indiferença, o grupo ao qual o seu julgamento infalível tinha conferido o prisioneiro: à esquerda os condenados, à direita aqueles pouquíssimos sortudos que ele julgava ainda aptos ao trabalho, ao menos até a próxima seleção. (…)
con motivo del Día Internacional de los Pueblos Indígenas fijado por Naciones Unidas el 9 de agosto, Survival International expone el caso de cinco pueblos indígenas que fueron víctimas de genocidio durante el siglo XX, y advierte de un potencial genocidio que podría perpetrarse en el sigloXXI.
6 / 6
¿Volverá a repetirse la historia?
El pasado mes de junio un grupo de indígenas aislados emergió en Brasil, tras haber atravesado aparentemente la frontera con Perú. Explicaron a los intérpretes que su comunidad había sufrido violentos ataques en su comunidad durante los cuales la mayoría de los ancianos fueron asesinados y sus hogares quemados. “Dijeron que murió tanta gente que no pudieron enterrar a todos y que los buitres se comieron sus cadáveres". Expertos brasileños han advertido de que podría producirse “otro genocidio” si su territorio no se
survival international http://www.survivalinternational.org/copa
O Lado Sombrio do Brasil
Brasil: evoca Carnaval, Copacabana e a Copa do Mundo da FIFA.
Mas arranhando a superfície você irá encontrar um lado mais sombrio, porque esquecido da imagem popular do Brasil é o chocante tratamento de seus primeiros povos.
Seus estádios de futebol são construídos sobre terras indígenas e sua riqueza recém-descoberta vem da desapropriação de índios e do roubo de suas terras.
Agora o Brasil está planejando um novo assalto em seus primeiros povos: visando as terras que eles conseguiram manter.
Quando os primeiros europeus chegaram ao Brasil em 1500, era o lar de mais de 10 milhões de índios. Cinco séculos de assassinatos, torturas, doenças e exploração devastaram esta população, e na década de 1950 sua população havia caído para cerca de 100.000.
O eminente senador e antropólogo Darcy Ribeiro estimou que durante o século passado uma tribo foi extinguido a cada ano e ele previu que não haveria um único índio em 1980. Acredita-se que quase 1.500 tribos foram extintas desde 1500.
Outras são tão reduzidas em tamanho que numeram menos que as 11 pessoas em um time de futebol:
No menor estádio, em Curitiba (capacidade: 41.456), caberia a maior tribo amazônica (os Tikuna: população 40.000) com assentos de sobra.
O estádio com a maior capacidade é o Maracanã no Rio (capacidade: 76.804). A audiência será bastante maior do que a tribo maior do Brasil, os Guarani (população: 51.000), alguns dos quais vivem a apenas 50km de Rio.
Estádios de Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Curitiba
Estas cidades estão em estados que hoje têm alguns dos conflitos de terras mais agudos. As tribos que vivem no sul do Brasil – os Guarani Mbyá, Guarani Ñandeva, Kaingang, Xokleng e Xetá – vivem em pequenas parcelas de terras, porque colonos têm roubado a maioria de seus territórios.
Tribo ameaçada: Os Xetá foram quase totalmente exterminados nos anos de 1950, porque suas terras foram roubadas deles. Em 1999, tinha somente 8 sobreviventes, três homens e cinco mulheres, todos da mesma família.
As terras ancestrais dos Guarani foram roubadas deles e ocupados por fazendeiros e plantações de cana-de-açúcar, e as florestas têm sido destruídas. Alguns índios são forçados a morar na beira da estrada.
Maracanã é uma palavra indígena Tupi que significa papagaio. (Também pode se referir a maraca-na – um chocalho com sementes usado nas cerimônias religiosas dos Guarani). O nome verdadeiro é Estádio Mário Filho.
Quando o trabalho de reconstrução começou para a Copa do Mundo, um grupo de 70 índios de 17 diferentes tribos que estavam ocupando uma mansão abandonada do século 19 perto do estádio foram expulsos, e suas casas destruídas, pela criação de um grande estacionamento de carros, e um museu de futebol. Os índios queriam que o prédio fosse preservado como um Centro Cultural Indígena.
Esta mansão colonial foi a casa do primeiro instituto de pesquisa cultural indígena no Brasil em 1910. Pouco depois, tornou-se o escritório principal do Serviço de Proteção ao Índio, hoje Funai. Até 1978, era a sede do Museu dos Povos Indígenas no Brasil.
Tribo extinta: A tribo Goitacá que viveu ao longo da costa do Rio foi exterminada em um conflito armado com os colonos europeus.
Estádio de Cuiabá, Estado de Mato Grosso
Tribos que vivem nesta área incluem os Nambiquara, Umutina e Pareci.
Os Umutina foram dizimados por sarampo e outras doenças. Numeravam 400 em 1862, mas em 1943, eram apenas 72. Sua população está agora recuperando lentamente.
Os Nambiquara sofreram terrivelmente quando a rodovia BR 364, financiada pelo Banco Mundial, foi cirada no vale fértil que era sua terra. Eles numeravam 7.000 em 1915, mas em 1975 apenas 530 deles permaneciam.
Hoje, a população dos Nambiquara é de 2.000, mas suas terras ainda estão sendo invadidas por garimpeiros de diamantes, madeireiros e fazendeiros.
‘Eles enfrentaram cães, correntes, armas Winchester, metralhadoras, napalm, arsênico, roupas contaminadas com varíola, falsos certificados, remoções, deportações, estradas, cercas, incêndios, ervas daninhas, gado, os decretos de lei e a negação dos fatos.’ Darcy Ribeiro, senador e antropólogo brasileiro.
Tribo ameaçada:1.400 km de Cuiabá (quase equidistante entre os estádios de Manaus e Cuiabá), vivem os Kawahiva, umas das tribos isoladas mais ameaçadas do mundo.
Aproximadamente 100 km ao nordeste de Belo Horizonte é uma terra indígena chamada ‘Fazenda Guarani’, habitada por índios Krenak e Pataxó. Ambos sofreram grande perdas quando tentaram impedir a expansão da fronteira colonial.
Na década de 1960, o Estado brasileiro estabeleceu duas prisões secretas administradas por polícias militares para punir e reformar indígenas que resistiram às invasões de seus territórios. Um ex-presidiário os chamou de campos de concentração onde os índios foram forçados a trabalhar, e batidos e colocados em confinamento solitário se eles recusavam. ‘Eu fui presidiário aqui por doze anos. A polícia bateu nos Krenak tanto que tínhamos que banhar com água e sal depois.’ Manelão Pankararu
A Comissão Nacional da Verdade do Brasil está investigando os maus tratos dos indígenas nas prisões.
Tribo ameaçada: Os Krenak numeram hoje somente 350.
Estádio de Manaus
Manaus, a capital do estado de Amazonas, é a única cidade amazônica a sediar a Copa do Mundo. O estádio foi construído no estilo de uma cesta indígena.
Tribo extinta: Manaus tem o nome da tribo Manáos, agora extinta. Os Manáos lutaram contra o domínio portuguesa, liderados pelo seu grande líder Ajuricaba que uniu várias tribos para resistir, mas foi eventualmente derrotado.
Manaus cresceu muito no final do século XIX, com a riqueza do ciclo da borracha. Dezenas de milhares de indígenas foram escravizados e forçados à cortar seringa. Atrocidades terríveis aconteceram com os índios – milhares morreram torturados, ou de doenças e desnutrição. Alguns indígenas evitaram a escravidão se retirando para as cabeceiras remotas dos tributários na Amazônia, onde hoje eles evitam qualquer contato com a sociedade nacional.
Cem quilômetros de Manaus é a terra dos índios Waimiri Atroari. A partir do século XVIII, essa tribo valentemente resistiu invasões dos caçadores e seringueiros, e muitos morreram em conflitos violentos, mas o contato foi feito na década de 1970, quando o governo criou uma estrada que atravessou suas terras. Centenas de pessoas morreram de doenças e em confrontos violentos com as tropas do exército enviados para reprimir sua resistência contra a estrada. O General Gentil Nogueira Paes disse, ‘A estrada tem que ser concluída mesmo que tenhamos que abrir fogo nesses índios assassinos se for preciso. Eles já nos desafiaram fortemente e eles estão obstaculizando a construção.’ A Comissão Nacional da Verdade do Brasil está investigando as atrocidades contra os Waimiri Atroari durante esse período.
Tribo ameaçada: A população dos Waimiri Atroari havia caído de 6.000 para 374, a população em 1988. Hoje são mais de 1.500. Acredita-se que pelo menos um grupo de índios isolados vive em seu território.
Tribo ameaçada: Apenas 370 km de Manaus há duas tribos isoladas. No Brasil, tem mais tribos isoladas que em qualquer outro pais: a Funai estima que existam até 80 grupos isolados. Muitos, como os Kawahiva e os Awáestão em fuga dos madeireiros fortemente armados e fazendeiros que estão destruindo sua floresta.
Tribo ameaçada: Apenas cinco horas de carro de Brasília, pequenos grupos de índios se escondem. Eles são os Avá Canoeiro que agora são somente 24 pessoas – os últimos remanescentes de uma tribo orgulhosa e forte que tem estado na fuga desde 1780, e agora está na beira da extinção. No início da década de 1980, centenas de trabalhadores de construção chegaram para construir uma usina hidrelétrica no Rio Tocantins, na terra dos Avá Canoeiro.
O lago da barragem inundou o último refúgio dos índios, e sua terra para caçar. Quando a construção começou, a Funai montou uma missão urgente para contactar os grupos restantes – logo ficou claro que poucos Avá Canoeiro tinham sobrevivido. Em 1983, eles eventualmente contactaram um casal de Avá Canoeiro, Iawi e Tuia, e a mãe e tia de Tuia, Matcha e Naquatcha. O pequeno grupo tinha sobrevivido um massacre cruel em 1962, e depois tinha passado 20 anos se escondendo em cavernas no alto das montanhas.
Iawi e Tuia tiveram dois filhos, Trumak e Putdjawa que tem um filho chamado Paxeo, com um índio Tupirapé.
Outro pequeno grupo de Avá Canoeiro, totalizando em torno de uma dúzia de pessoas, foi contatado em 1973. Quase todos tiveram cicatrizes das balas dos pistoleiros contratados pelo rancho Camagua, propriedade de um banco brasileiro. O grupo foi encontrado morando escondido em um pântano – o seu último refúgio que tinha sido seu terra de caça, agora dividida por cercas de arame farpado – e os índios estavam sofrendo de desnutrição. Este grupo tem menos de 20 pessoas.
Estádios do Nordeste: Recife, Salvador, Fortaleza e Natal
Das 23 tribos da costa do nordeste, apenas os Fulnio retêm sua língua.
Esta área foi uma das primeiras a serem colonizadas. Hoje é o local de alguns dos mais amargos conflitos de terra. Os Pataxó Hã Hã Hãe têm lutado pelos direitos territoriais por décadas, durante as quais foram sujeitos à violência e ao assassinato de seus líderes.
Seis horas de carro ao sul de Salvador, os índios Tupinambá são frequentemente ameaçados pela polícia, que tem invadido suas aldeias para expulsá-los de suas terras em favor de fazendas de gados. Em agosto de 2013 quatro índios Tupinambá foram assassinados e seus corpos mutilados, e 26 casas destruídas.
Dinheiro
O governo do Brasil está gastando pelo menos EUA$791 milhões para pagar pela segurança durante a Copa do Mundo. Uma soma semelhante pagaria pelo menos três vezes o orçamento anual da Funai – Fundação Nacional do Índio.
FIFA ignora a história dos povos indígenas do Brasil
FIFA diz: ‘Oficialmente, contudo, o português Pedro Alvares Cabral é considerado como o descobridor do Brasil. Sua frota, procurando as Índias, desembarcou no sul de o que hoje se chama Bahia dia 22 de abril de 1500’.
O líder indígena Davi Kopenawa Yanomami diz: Os brancos clamam hoje: ‘Nós descobrimos a terra do Brasil!’ Isso não passa de uma mentira. Ela existe desde sempre e Omama nos criou com ela. Nossos ancestrais a conheciam desde sempre. Ela não foi descoberta pelos brancos! Mas os brancos continuam a mentir para si mesmos pensando que descobriram esta terra! Como se ela estivesse vazia! ‘Nós descobrimos estas terras! Possuímos os livros e, por isso, somos importantes!’, dizem os brancos. Mas são apenas palavras de mentira. Eles não fizeram mais que tomar as terras das gentes da floresta para se pôr a devastá-Ias. Eu sou filho dos antigos Yanomami, habito a floresta onde viviam os meus desde que nasci e eu não digo a todos os brancos que a descobri! Ela sempre esteve ali, antes de mim. Eu não digo: ‘Eu descobri esta terra porque meus olhos caíram sobre ela, portanto a possuo!’ Ela existe desde sempre, antes de mim. Eu não digo: ‘Eu descobri o céu!’ Também não clamo: ‘Eu descobri os peixes, eu descobri a caça!’ Eles sempre estiveram lá, desde os primeiros tempos.
FIFA diz: ‘A floresta tropical brasileira é outra fonte de riquezas naturais, incluindo óleo de tungue, borracha, óleo de carnaúba, fibra de caroá, plantas medicinais, óleos vegetais, resinas, madeira para construção e várias madeiras utilizadas na fabricação de móveis. O Brasil também começou com a mineração recentemente, novamente aproveitando de seus abundantes recursos naturais.’
A realidade: A floresta não é apenas uma ‘fonte de riquezas naturais’; é a terra ancestral de centenas de milhares de índios, e muito dessa terra foi roubada deles ou destruída. A mineração em terras indígenas vem acontecendo há décadas.
Nenhuma palavra sobre os índios:
FIFA diz:‘O Brasil tem cerca de 190 milhões de habitantes: é o quinto país mais populoso da Terra. Quase 75 por cento da população é católico, e outros 26 milhões são protestantes. A comunidade judaica do Brasil é muito pequeno em comparação.’
‘A língua oficial é o português, mas muitos brasileiros falam outros idiomas de acordo com suas origens. O alemão e o italiano, por exemplo, são bastante prevalentes nas cidades do sul.’
A realidade: A grande maioria das línguas faladas no Brasil são línguas indígenas – mais de 200.
E os indígenas brasileiros têm sua própria versão de futebol
Alguns povos indígenas no Brasil têm seus próprios esportes parecidos ao futebol.
Os Pareci, por exemplo, que vivem a 100 km do estádio de Cuiabá, jogam xikunahity. O jogo é jogado por duas equipes de 10 homens em um retângulo, semelhante em tamanho a um campo de futebol, que ‘chutam’ a bola feita de mangaba com a cabeça. Normalmente, uma aldeia Pareci desafia outra para um jogo. Cada jogador traz objetos como anzóis e linha para o jogo, e as apostas são colocadas.
Os Enawene Nawe, a 400 km de Cuiabá, também jogam futebol de cabeça.
Um porta-voz Guarani disse: ‘A Coca-Cola tem de parar de comprar açúcar da Bunge. Enquanto essas empresas lucram, nós somos forçados a aguentar a fome, a miséria e os assassinatos’.
A Coca-Cola usa uma imagem de um índio sorridente bebendo Coca-Cola, em sua publicidade. Mas a empresa está comprando açúcar da gigante alimentícia Bunge – que compra cana de açúcar de terras roubadas dos Guarani.
{% picture id:7638 %}
Aja agora!
Os índios do Brasil precisam de sua ajuda. Sem apoio de fora, eles têm pouca chance de sobrevivência.
O Brasil é o lar de mais tribos isoladas do que em qualquer outro lugar do planeta. Eles são os mais vulneráveis de todos os povos do país.
Eles dependem completamente de sua floresta para sua sobrevivência, mas grande parte está sendo destruída para a exploração madeireira, pecuária, mega-barragens, estradas, exploração de petróleo e gás, e muito mais. O governo e os latifundiários agora estão planejando abrir suas terras ainda mais, para grandes projetos industriais.
Esses projetos e as ondas de imigrantes que atraem ameaçam dizimar inteiras comunidades isoladas, como tem acontecido tragicamente com inúmeras tribos no Brasil desde que foi colonizado pelos europeus há 500 anos.
Somente com suas terras intactas e protegidas para seu uso exclusivo, as tribos isoladas poderão sobreviver. Esta é uma das crises humanitárias mais graves do nosso tempo.
Para aprender mais sobre a história dos indígenas do Brasil, leia a reportagem da Survival ‘Deserdados’, que relata sua historia desde a invasão dos europeus até o ano 2000
br de fato
http://www.brasildefato.com.br/node/29381
Dia mais sangrento da ofensiva israelense deixa 119 mortos e 500 feridos em Gaza
Reprodução
Total de mortos chega a 1.349 e os feridos são mais de 7,5 mil, a maioria civis, incluindo mulheres e crianças
31/07/2014
Da Redação*
As Forças Armadas de Israel mataram 119 palestinos e deixaram mais de 500 feridos na Faixa de Gaza nesta quarta-feira (30). As informações são dos agentes humanitários em território palestino. Com esses números, ontem foi o dia mais sangrento desde o início da atual ofensiva militar israelense.
O porta-voz do Ministério da Saúde em Gaza, Ashraf al Qedra, especificou que os dois episódios mais graves ocorreram quando o Exército israelense atingiu uma escola gerida pela ONU no norte da Faixa de Gaza e um mercado na capital.
O porta-voz detalhou que o total de mortos desde o início da ofensiva israelense, que começou em 8 de julho, chega a 1.349 e os feridos são mais de 7,5 mil, a maioria civis, inclusive mulheres e crianças.
O presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, declarou hoje (31) a Faixa de Gaza como "área de desastre humanitário" e pediu à comunidade internacional para proteger e dar assistência à região devastada pela ofensiva israelense.
O dirigente palestino acusa Israel de cometer crimes de guerra e aconselha a ONU a pressionar as instituições internacionais para que enviem ajuda de emergência à Faixa.
Ataques israelenses resultam na morte de civis palestinos e provocam repúdio internacional
Paulo Emanuel Lopes
Adital
12 de junho de 2014. O sequestro de três adolescentes israelenses na Cisjordânia aumenta as tensões em uma relação já conturbada relação entre vizinhos fronteiriços. Dezoito dias depois os corpos dos jovens são encontrados, e Israel acusa o grupo islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza. Poucas horas depois, um jovem palestino é sequestrado em Jerusalém. Seu corpo é encontrado queimado horas depois. Seis judeus israelenses foram presos acusados do crime.
Mesmo sem apresentar provas do envolvimento entre o Hamas e o sequestro dos jovens, Israel passa a reprimir fortemente o grupo islâmico, levando à prisão vários membros. O Hamas responde com o lançamento de foguetes às regiões sul e central do país judaico que, mesmo sem deixar mortos ou grandes prejuízos materiais, representa um grande risco à população civil israelense.
Reinicia-se a escalada da violência, cuja "paz” vinha sendo mantida desde o acordo de cessar-fogo celebrado em 2012, com intermédio do chanceler egípcio Mohammed Kamel Amr. Naquele período, o conflito de oito dias deixou um saldo de 159 mortos entre a população da Faixa de Gaza. A operação "Fronteira Protegida” (Operation ProtectiveEdge) Nesta terça-feira, 08 de julho, o exército israelense iniciou a operação "Fronteira Protegida”, com o objetivo de destruir alvos emissores de foguetes. Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel, desde o dia 12 de junho deste ano, mais de 240 foguetes foram lançados a partir da Faixa de Gaza dirigidos a alvos israelenses.
Entretanto, a desproporção da força militar empregada por Israel, além do ataque indiscriminado a alvos civis palestinos, vem descredenciando junto à opinião pública internacional uma possível "legitimação” do ataque judaico.
Em Rafah, na região sul da Faixa de Gaza, um bombardeio israelense matou cinco membros da mesma família. Na manhã desta sexta-feira, 11, dois palestinos foram mortos em um bombardeio israelense contra um veículo em que se encontrava em Al-Bureij, campo de refugiados no centro de Gaza. De acordo com organizações humanitárias, cerca de 300 casas da região foram destruídas por conta dos bombardeios, deixando um saldo de, pelo menos, 2 mil refugiados. Entre as acusações dos defensores dos direitos humanos está o fato de que Israel não enviou alertas para os ataques, o que impactou o número de vítimas civis. Em quatro dias de ofensiva israelense, o número de mortos já chega a 100, com cerca de 675 feridos. Do lado de Israel apenas três atingidos, um deles "gravemente” ferido. "América Latina em Gaza”
O delegado e representante do Escritório Latino-Americano da Federação Geral de Sindicatos da Palestina e Faixa de Gaza (PGFTU Gaza strip), Abu Faisal Sergio Tapia, clama às organizações sociais, sindicais e políticas do continente por um pedido de solidariedade através da campanha "América Latina em Gaza”.
O objetivo é aumentar a pressão internacional para que Israel interrompa os ataques ao povo palestino, que estaria sendo massacrado "diante dos olhos do mundo”. Bloqueada desde 2007, e totalmente nos últimos meses, a Faixa de Gaza, com uma população de 1 milhão e 800 mil pessoas (80% das quais situada na linha de pobreza), corre o risco de se converter no "maior campo de concentração de refugiados no mundo.”
Até o fechamento desta matéria, alguns países latinoamericanos já haviam condenado oficialmente Israel pelos ataques desproporcionais à população palestina. "A Venezuela reitera que o diálogo construtivo é a única via para instalar a paz duradoura entre ambas as nações e na região do Médio Oriente", afirma comunicado venezuelano. O Chile pediu a todos os atores envolvidos no conflito para que "estabeleçam uma trégua e respeitem o direito internacional humanitário”. O governo uruguaio expressou sua "enérgica condenação aos ataques militares efetuados por Israel na faixa de gaza, que tem provocado dezenas de mortos entre a população civil, incluindo mulheres e crianças”, afirmando ainda sua preocupação quanto ao lançamento de foguetes contra o povo judaico, "que põem em risco a população civil do centro e do sul do Estado de Israel.”
Um comunicado emitido pelo Ministério de Relações Exteriores da Bolívia demanda a que os povos do mundo inteiro detenham o "genocídio” do povo palestino, reforçando que "devem ser respeitados os acordos e tratados internacionais vigentes”. "O México condena o disparo de foguetes e ataques aéreos, e lamenta, profundamente, que essas ações tenham causado um número significativo de vítimas, incluindo crianças, centenas de feridos, destruindo casas e sofrimento da população civil”, afirmou em nota o Ministério das Relações Exteriores do México. Seu congênere equatoriano, em comunicado oficial, expressou preocupação com as populações civis, afirmando ainda que "espera que as autoridades competentes investiguem os crimes que precederam essa escalada violenta, para determinar a responsabilidade do mesmo, de acordo com os procedimentos penais em vigor”.
Uma manifestação organizada pela Federação Palestina da Argentina e pela Organização Islâmica Argentina ganhou as ruas de Buenos Aires, nesta quinta-feira, 10, expressando sua condenação aos ataques. O Comitê Argentino de Solidariedade à Palestina convoca uma manifestação para o próximo dia 16 na capital, findando em frente à embaixada israelense. Reunião emergência conselho de segurança
Nesta quinta-feira, 10, o Conselho de Segurança das Organizações das Nações Unidas (ONU) realizou uma reunião de emergência para discutir a escalada da violência na região. Ban ki-moon, secretário-geral da ONU, fez um apelo para que os dois lados aceitem um acordo de cessar-fogo. "A região não pode se permitir outra guerra (...). É mais urgente que nunca tentar encontrar denominadores comuns para que volte a calma e se consiga um entendimento para o cessar-fogo" afirmou em seu discurso Ban Ki-moon.
Vladmir Putin, presidente Russo, ligou para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para solicitar a diminuição das tensões, considerando grave a "deterioração rápida da situação”. O presidente estadunidense, Barack Obama, também afirmou que os EUA estão dispostos a tentar negociar um cessar-fogo entre as partes. Apesar da pressão internacional, não há sinais de que a crise possa diminuir nos próximos dias. 20 mil reservistas do exército israelense estão sendo convocados, aumentando a especulação em torno de uma ofensiva terrestre. Observação curiosa é que 2014 foi consagrado pela própria ONU como o Ano Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino. Foguetes sobre Israel: represália ou autodefesa?
Segundo o exército israelense, pelo menos três foguetes em direção a Tel Aviv foram interceptados pelo sistema antimíssil Iron Dome ("cúpula de ferro”). Único no mundo, o sistema é capaz de interceptar projéteis a uma distância de quatro a 70 km.
O Hamas posicionou-se em favor da continuidade das respostas militares contra Israel. Através de um comunicado em seu website, o grupo alerta as companhias aéreas internacionais sobre um provável ataque ao aeroporto internacional Bem-Giron, na zona metropolitana de Tel Aviv. "Nós estamos preparados para uma batalha longa, não para uma semana ou 10 dias, como alguns dizem, mas para muitas semanas” afirmou.
Na área norte de Israel, foguetes foram lançados a partir do Líbano, aumentando a tensão entre os dois povos. Não se sabe ainda se se trata de uma ação isolada ou se, nos próximos dias, poderá surgir um novo foco de conflito na região. Críticas externas
Tel Aviv impôs um bloqueio terrestre, aéreo e marítimo à Faixa de Gaza, impedindo os cidadãos palestinos de exercerem direitos consagrados internacionalmente, como o trabalho e de receberem ajuda humanitária. Faltam medicamentos, energia elétrica e combustível, o que tem levado os hospitais locais ao colapso, inaptos para atender ao grande número de enfermos.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha condenou o ataque aéreo à filial do Crescente Vermelho Palestino, em Jabaliya, norte de Gaza, no último dia 09, quando uma dezena de colaboradores e voluntários saíram feridos e três ambulâncias foram destruídas. "Os civis devem estar protegidos. Em todas as circunstâncias, devem-se garantir as condições de segurança que as ambulâncias, os hospitais e os profissionais de saúde precisam para realizar o seu trabalho vital” afirmou o chefe da delegação do CICV em Israel e territórios ocupados, Jacques de Maio.
O Ministro das Relações Exteriores do Egito condenou a atitude de Israel como "excessiva e desnecessária”. Para diminuir as consequências sociais, o Egito abriu suas fronteiras terrestres com o território palestino. O Primeiro-ministro turco criticou fortemente Israel. "Você precisam parar com essa opressão. Enquanto continuar [os ataques], a normalização das relações entre a Turquia e Israel não será possível” afirmou. Segundo o porta-voz de Relações Exteriores iranianoMarzie Afjam, "Os países ocidentais, assim como todos que apoiam os sionistas, devem adotar uma postura firme para impedirem uma catástrofe humanitária na Palestina.”
A Anistia Internacional solicitou aos dois lados do conflito que protejam as populações civis e as infraestruturas de seus territórios.
Com agências.