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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Seis meses após inauguração, Arena Pantanal é interditada pelo governo

amaz
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Seis meses após inauguração, Arena Pantanal é interditada pelo governo

Inaugurada há seis meses, a Arena Pantanal, em Cuiabá, foi interditada pelo governo de Mato Grosso nesta quarta-feira (21) para obras de reparo. O estádio apresenta problemas na rede elétrica, infiltrações e alagamentos. Por isso, não tem condições de receber qualquer tipo de evento.
Erguida totalmente com recursos públicos, a arena custou R$ 626 milhões e recebeu quatro jogos da Copa do Mundo de 2014.
A empreiteira Mendes Júnior, responsável pela construção da Arena, deverá fazer as correções necessárias apontadas pelos engenheiros do governo e da Controladoria Geral do Estado. Eles realizaram as inspeções no estádio, juntamente com representantes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso. O governo disse que não irá gastar nada com os reparos.
De acordo com o secretário Extraordinário do Gabinete de Projetos Estratégicos, Gustavo Oliveira, “do jeito que está a Arena Pantanal oferece riscos aos usuários”.
As chuvas agravaram os problemas das infiltrações no teto e na parte interna do estádio, prejudicando, inclusive, o gramado com alagamentos e comprometendo ainda a parte elétrica. Há infiltrações na cobertura e na subestação de energia, que chega a alagar. Alguns elevadores e o ar-condicionado também não funcionam.
Em novembro do ano passado, uma égua da cavalaria da Polícia Militar morreu na Arena após ser eletrocutada. O animal estava num gramado na área externa e não conseguiu escapar a tempo da descarga elétrica. A extinta Secopa informou, na época, que um fio desencapado causou o choque que matou a égua, que se chamava Andrômeda.
Mesmo não tendo sido completamente finalizado, o estádio, após a Copa, chegou a receber alguns jogos da Série A do Campeonato Brasileiro e também da Copa do Brasil, além de shows nacionais.
A expectativa do governo é de que os reparos sejam concluídos até o início do mês que vem, para que o estádio receba o jogo inaugural do Campeonato Mato-Grossense de Futebol, marcado para o dia 1º de fevereiro. A arena tem capacidade para acomodar 43 mil pessoas.
Fonte: Folha de São Paulo

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Eu sou Estádio, e não Arena

vermelho
http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=6500&id_coluna=99

Eu sou Estádio, e não Arena

Caio Botelho *

A frase acima foi retirada de um dos cantos entoados pela Torcida Organizada Bamor, do Esporte Clube Bahia. Sintetiza, de certo modo, o sentimento de que o modelo de Arenas adotado principalmente para atender as exigências da Copa do Mundo não logrou êxito quando o assunto foi a popularização do acesso a esses equipamentos.


O que é no mínimo contraditório, considerando que o futebol é justamente o esporte mais popular em nosso país. Entretanto, até a 37ª e penúltima rodada do Campeonato Brasileiro de 2014, a média de público é apenas de 16.451 torcedores por jogo, com uma ocupação de 40% da capacidade dos estádios por partida¹.

Mesmo o Cruzeiro, campeão do ano e que detém a maior bilheteria por jogo (28.780 torcedores), não ocupa mais do que 47% do Mineirão, cuja lotação é de 61.846 lugares. Já o Flamengo, por sua vez, preenche um pouco mais de um terço (35%) da capacidade de 78.838 lugares do Maracanã.

São dados preocupantes, na medida em que se constata que o problema não é de falta de torcida. Mesmo os clubes mais populares, conhecidos pela capacidade de mobilização, estão com dificuldades para repetir com frequência o outrora costumeiro espetáculo de suas torcidas nas arquibancadas.

Jogando pela Série C do Campeonato Brasileiro, o Bahia, por exemplo, colocou nada menos do que uma média de 50 mil torcedores por jogo (!) na antiga Fonte Nova, no ano de 2007. Hoje, com a nova Arena Fonte Nova e jogando na Série A, a média do tricolor baiano não chega a 13 mil torcedores por jogo – e ainda assim representa a 11ª maior bilheteria do campeonato. O problema, portanto, não é desse ou daquele Clube, isoladamente.

Além de afastar o público, os ingressos caros também produzem um fenômeno que enfeia as arquibancadas, já que na medida em que os torcedores brasileiros estão tendo que se acostumar a assistir os jogos atrás do gol, onde os ingressos são mais em conta (o que não significa que sejam baratos), uma emblemática imagem que traduz esse modelo de Arenas é produzida: as arquibancadas de linha de fundo completamente lotadas, ao tempo em que as arquibancadas laterais ficam vazias, quase às moscas.

Sem contar que uma série de exigências peculiares dessas Arenas vão retirando a espontaneidade típica do brasileiro. As divisões em diversos setores fracionam a torcida (principalmente por renda), e não apenas os ingressos, mas as bebidas e alimentos também estão cada vez mais caros.

A modernização dos Estádios é fundamental para que o próprio futebol evolua, mas é preciso encontrar modelos que cumpram com essa finalidade sem excluir a maioria do povo do direito de assistir in loco ao seu Clube de coração. Mantida a lógica atual, o cenário que se vislumbra é perverso.

Claro que esse é apenas um dentre vários elementos que precisam ser considerados em um amplo processo de discussão sobre os rumos do esporte mais popular do Brasil. Afinal, outros fatores também vêm contribuindo para o constante processo de elitização do nosso futebol: más gestões na imensa maioria dos Clubes; CBF e Federações estaduais transformadas em feudos; a mídia – com destaque para a TV Globo – interferindo descaradamente nas tabelas e privilegiando alguns times em detrimento de outros; além, é claro, de inconfessáveis máfias envolvendo todos esses agentes.

O fato é que tem muita coisa errada. E o governo federal, as torcidas organizadas independentes, grupos e movimentos que se organizam em torno de Clubes e de um debate sério sobre o futebol, a exemplo do “Bom Senso”, precisam articular-se e construir uma ampla mobilização em defesa dessas pautas.

Eleições no Bahia

Considerando que não teremos outra oportunidade para tratar do assunto, aproveito para manifestar nossa posição nas eleições presidenciais do Esporte Clube Bahia, que acontecerá no dia 13 de dezembro e irá eleger o próximo presidente e os membros do Conselho Deliberativo.

Há cerca de um ano e meio o Bahia passa por um processo ímpar: como resultado de uma mobilização em massa de sua torcida e de uma série de ações judiciais que culminaram com uma intervenção, os antigos gestores do tricolor foram afastados, uma campanha de associação em massa foi promovida e eleições diretas foram adotadas. No primeiro pleito, Fernando Schmidt, figura vinculada ao pensamento progressista, foi eleito presidente para um mandato tampão, que se encerra no final desse ano.

Em que pese o mau desempenho dentro de campo, nesse período o Bahia evoluiu consideravelmente fora dele: as eleições livres e democráticas também são proporcionais, garantindo que cada segmento que se organiza em torno do Clube esteja representado no Conselho Deliberativo; este, por sua vez, passou a se reunir com frequência e a cumprir papel protagonista, e não figurativo como em outros tempos. Um novo Estatuto exige prestação de contas mensal e pública, o que tem sido feito, e passou-se a exigir Ficha Limpa aos que ocupam cargos na diretoria.

Fruto de um acordo histórico, o Bahia passou a ser proprietário de um novo e moderno Centro de Treinamento, a “Cidade Tricolor”, além de ter recuperado seu CT antigo, o Fazendão. A diretoria também comprou briga com setores da grande mídia, cortando benefícios recebidos às custas do Clube e, é claro, foi implacavelmente atacada por eles. A “democracia tricolor”, como ficou conhecido esse novo momento, tem tudo para trazer benefícios de médio e longo prazos a um dos mais populares Clubes brasileiros.

Nessas eleições são candidatos à presidência Antônio Tillemont, Binha de São Caetano, Marcelo Sant’Ana, Marco Costa, Nelsival Menezes, Olavo Fonseca e Ronei Carvalho.

Nesse sentido, registramos nosso apoio à candidatura do jornalista Marcelo Sant'Ana, com o número 91, e da chapa “Revolução Tricolor” para o Conselho Deliberativo, com o número 191. Em nossa opinião, são os que têm capacidade de assegurar essas conquistas e corrigir os equívocos cometidos na gestão de futebol.


¹Informações disponíveis em http://globoesporte.globo.com/futebol/brasileirao-serie-a/publico-brasileirao.html

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Obras da Copa: "A engenharia civil da UFMT está chorando''

midia news
http://www.midianews.com.br/conteudo.php?sid=3&cid=208932

Obras da Copa: "A engenharia civil da UFMT está chorando''

Luiz Miranda diz que falhas em elevado e Trincheira Santa Rosa são a "ponta do iceberg"

Tony Ribeiro/MidiaNews
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Viaduto da Sefaz: engenheiro Luiz Miguel de Miranda (detalhe) diz conserto vai dobrar valor de obra
LISLAINE DOS ANJOS
DA REDAÇÃO
Membro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-MT) e doutor em engenharia de Transportes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o professor Luiz Miguel de Miranda afirmou, em entrevista ao MidiaNews, que o Departamento de Engenharia Civil da instituição está “chorando”, diante da má qualidade das obras de mobilidade urbana que estão sendo executadas na Capital.

“O Departamento de Engenharia Civil da UFMT está chorando porque a vergonha que vamos passar, em âmbito nacional, com essas obras, é muito grande”, disse.

Miranda foi taxativo ao afirmar que as falhas encontradas nas obras dos viadutos da UFMT e da Sefaz e na Trincheira Santa Rosa são apenas “a ponta do iceberg” que será descoberto, posteriormente, caso uma análise mais profunda seja feita em todos os projetos iniciados na Grande Cuiabá.
"O departamento de Engenharia Civil da UFMT está chorando, porque a vergonha que vamos passar em nível nacional com essas obras é muito grande"

“Que tem erro de ponta a ponta nesses projetos da Copa, não tem como negar. Nenhuma dessas obras vai passar impune, porque faltaram planejamento, elaboração de projeto, controle de execução e controle tecnológico”, afirmou.

Risco de desabamento

Luiz Miranda afirmou que o medo da população pode ser sentido pela manifestação de amigos e conhecidos, que ligam para ele e outros estudiosos, a fim de saberem se é seguro passar pela parte inferior do Viaduto da Sefaz, na Avenida Historiador Rubens de Mendonça (Avenida do CPA), por exemplo.

"Se tiver um problema de fundação, somado à falta de ferro, não pode passar ninguém por cima. Porque, se passar carga em cima e o terreno entrar em colapso progressivo, ela vai ao chão"
A obra foi interditada em agosto passado, após apresentar, segundo o Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande – responsável pela obra –, “fissuras nas juntas de dilatação”, problema que ganhou uma proporção muito maior quando da divulgação do relatório técnico pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), na terça-feira (2), durante sessão plenária.

O documento elaborado por uma empresa terceirizada contratada pelo consórcio, segundo o conselheiro Antônio Joaquim, aponta que foram encontradas falhas nos blocos de fundação da obra e na estrutura “tipo caixão” do elevado, que demandam a execução de obra de reforço, com acréscimo de concreto e aço.

“(...) Consta no relatório que falta ferragem na obra. Se a ferragem é insuficiente, a precaução tem que ser maior. Se o pilar central realmente recalcou, tem que colocar escola e pilares ali no viaduto imediatamente, até que algo seja feito”, disse.

De acordo com o professor Luiz Miranda, de imediato, o que podia ser feito na obra, o Estado já fez: a interdição total, uma vez que o próprio laudo técnico aponta que, “se não há uso [da obra], ela não cai”.

“Se tiver um problema de fundação, somado à falta de ferro, não pode passar ninguém por cima. Porque, se passar carga em cima e o terreno entrar em colapso progressivo, ela vai ao chão. Se a falha for essa, o mais acertado seria desmontar o viaduto imediatamente”, afirmou.

"Nenhuma dessas obras vai passar impune, porque faltaram planejamento, elaboração de projeto, controle de execução e controle tecnológico"
“De imediato, o que tinha que ser feito, já foi, que é tirar a carga de cima do viaduto”, completou.

Obra de reforço


O professor da UFMT observou ainda que, conforme o que obteve de informações a respeito do elevado da Sefaz – cujo valor está estimado em R$ 18 milhões, dos R$ 1,47 bilhão destinados ao projeto de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) –, “a fundação está a 10 metros e o projeto diz que elas deveriam estar a 15 metros”.

De acordo com ele, apesar da falha ser grave, com uma equipe de engenheiros capacitados, é possível “salvar a obra”, sem que para isso seja necessária a demolição do viaduto.

No entanto, o “reforço” na estrutura vai demandar mais paciência da população – devido aos problemas no trânsito – e muito mais dinheiro do Governo do Estado, independentemente de a obra ser parte de um pacote licitado por meio do regime Diferenciado de Contratação (RDC), que não permite a realização de aditivos.
Tony Ribeiro/MidiaNews
Viaduto da Sefaz, na Avenida do CPA: população tem medo de passar por baixo de obra, diz professor

“Dá pra salvar a obra. É caro, mas conseguimos salvar o projeto. Lógico que o preço da obra dobra, porque são serviços que precisam ser executados em situação de maior dificuldade, sem logística. E vai ter que tirar o trânsito dali, para poder reforçar a fundação”, afirmou.

Auditoria

Segundo o professor da UFMT, a auditoria anunciada pelo Estado, em todos os projetos de infraestrutura (trincheiras, viadutos e pontes) vai custar muito dinheiro, mas sua necessidade já era “anunciada” pelos conselhos e órgãos de controle há tempos, a fim de garantir a segurança do uso dessas obras pela população.

“O Governo vai ter que gastar mais para garantir a segurança de todas elas, mas é necessário. Mas isso a gente já sabia lá atrás, quando essas obras começaram. Mas as pessoas achavam que era ‘catastrofismo’. Agora, elas estão vendo a realidade”, afirmou.

Leia mais sobre o assunto:

TCE: "Está claro que houve problemas graves de execução"

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A goleada que levamos da Copa

correio
http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=9928:submanchete120814&catid=72:imagens-rolantes


 A goleada que levamos da Copa

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ESCRITO POR COMITÊ POPULAR DA COPA   
TERÇA, 12 DE AGOSTO DE 2014


Tem um mês que a Copa acabou. Só que, seguindo um poema de Drummond que circulou muito nas redes sociais após a eliminação da seleção, podemos perguntar: “foi-se a Copa”? Agora que já estamos um pouco mais distanciados, podemos responder com mais calma. Pensamos que foi e não foi e que, ainda seguindo o poema, faz e “não faz mal”. O torneio, esse foi, e não faz mal. O futebol, por seu encanto, anula o que está fora do campo e das arquibancadas, o juízo fica suspenso e talvez mesmo os que foram mais atentos aos problemas implicados na realização do evento tenham vibrado apaixonados, momentaneamente esquecidos; porém, depois que o jogo acaba, segue o lance.

Alguns males causados pela vinda da Copa da FIFA vieram para ficar. E nada mais simbólico que uma competição feita por meio de privatizações de espaços públicos, flexibilização legal visando beneficiar grandes corporações, repressão e assalto ao tesouro público tenha começado com um gol contra do Brasil.

O Comitê Popular da Copa – SP, desde 2011, denuncia, critica e luta contra as violações de direitos humanos ocasionadas pelo evento e não é agora, que ainda resta fechar a conta e detalhar qual o legado da Copa, e para quem ela efetivamente foi, que ele irá acabar. Aliás, foram tantas denúncias, críticas e lutas que parece irônico que a Copa das tropas, a Copa das remoções, a Copa das exclusões, a Copa da exploração, a Copa das mortes, a Copa das empreiteiras, a Copa do maior lucro da FIFA e suas parceiras comerciais tenha sido também a
Copa na qual o país-sede foi eliminado com a maior goleada de sua história.

Parece-nos, contudo, muito mais vergonhoso do que a histórica derrota que nenhuma das famílias dos dez operários mortos na construção dos estádios do mundial tenha sido devidamente indenizada com pensão vitalícia e nenhuma construtora tenha sido responsabilizada. Também nos parece vergonhoso e inaceitável que, ao invés de se prontificar na realocação ‘chave a chave’ em moradias dignas das famílias removidas, o governo federal tenha apenas se apressado em escamotear dados sobre remoções. Também não temos notícia de nenhuma grande campanha nos aeroportos, hotéis, estádios e outros locais oficiais do evento de prevenção e combate à exploração sexual, e nenhuma das redes de exploração foi desmantelada, embora conhecidas. Também a Lei Geral da Copa, com suas várias zonas de exceção, se manteve intacta, embora amplamente questionada.

Quanto à repressão às manifestações que temos visto desde junho de 2013 e que vimos ao longo de todo o primeiro semestre de 2014, iniciada a Copa, se intensificou ainda mais, com requintes de legalidade. É assim que vimos o governo do estado se articulando com juízes, promotores e as polícias na repressão aos trabalhadores metroviários para dar boas condições de sediar a abertura. É essa a política de segurança pública unificada considerada pela presidente como o “grande legado”. É assim que vimos o exército, a força nacional, as polícias militares e civis atuando juntas na brutal repressão do dia 12 de junho, em alguns atos pontuais ao longo do torneio e no encerramento. E tudo isso graças ao trabalho conjunto dos Ministérios da Defesa e da Justiça, dos governos estaduais com a cobertura do Judiciário e do Ministério Público. No dia 23 de junho, aqui em São Paulo, foram detidos Fábio Hideki e Rafael Lusvarghi, acusados de resistência e desacato, incitação à violência, associação criminosa e porte de explosivos, e durante os 46 dias que estiveram presos vimos pedidos de liberdade provisória, habeas corpus e até o bom senso negados. Porém, devido à inconsistência das acusações de que ambos portavam artefato explosivo, foram soltos no dia 7 de agosto.

Os vídeos que mostram o momento das prisões e os depoimentos de pessoas que presenciaram as detenções tornam evidente que o flagrante alegado pela polícia foi forjado. Além disso, a perícia disse que eles não explodiriam nada com iogurtes e salgadinhos, e o artigo do código penal que prevê associação criminosa reza que os dois acusados, que não se conheciam antes do crime ser imputado, deveriam ser, por força da lei, no mínimo três. Durante o tempo em que estiveram presos, afirmam ter sido torturados, assim como tantas outras pessoas encarceradas. Todas elas são vítimas do sistema penal, algo extremamente necessário para a manutenção do capitalismo e da democracia (neo)liberal representativa.

Flagrantes forjados, prisões ilegais, tortura e cerceamento da ampla defesa são práticas cotidianas nas quebradas, morros e periferias há tempos. É essa mesma lógica-padrão que precisa ser escancarada para que os muitos Amarildos e Cláudias não sejam apenas mais um número nas estatísticas. E é nesse ponto que se sustenta nosso entendimento de que todo preso é preso político. É importante ressaltar que a distinção entre preso político e preso comum só fortalece a lógica punitivista do encarceramento, na qual a transgressão de uma lei ou uma possível "ameaça à ordem publica" justificam a perseguição e a privação da liberdade das pessoas, em sua grande maioria negros, pobres e moradores das periferias.

No Rio de Janeiro, durante a Copa, vimos Rafael Braga, que havia sido detido um ano antes em um protesto na Copa das Confederações, ser condenado a cinco anos em regime fechado por porte de desinfetante e água sanitária, mesmo que a perícia tenha atestado que não é assim que se faz um molotov. Também 23 ativistas tiveram prisão preventiva decretada na véspera da final e, enfim, no dia 13 de julho, quando todos pensavam que a Copa já ia acabar e que não haveria mais nenhuma grande novidade por parte da repressão, além dos espancamentos, balas de borracha e bombas de costume, manifestantes e outras pessoas que por ali passavam tiveram seu direito de ir e vir totalmente cerceado, sendo obrigados por bloqueios policiais a permanecerem por cerca de 3 horas, durante o horário da partida de encerramento, numa área de poucos quarteirões na Tijuca.

Ainda durante a Copa, vimos torcedores amontoados nas Fan Fests e não vimos negros nos ‘estádios de exceção’. Vimos pessoas em situação de vulnerabilidade social serem expulsas do centro para não chocar os turistas, vimos reintegrações de posse, agressões a advogados populares e vimos trabalhadores ambulantes em sistema de trabalho precário sem nenhum direito trabalhista garantido, situação essa colocada por empresas e, na sua maioria, mediada pelas prefeituras. Vimos também pessoas serem impedidas pela polícia de usar estações de metrô próximas à arena Corinthians, enquanto quem possuía ingressos tinha acesso ao expresso da Copa. Vimos ruas e outras áreas públicas cercadas por militares e, do lado de dentro, um circo com quiosques das corporações patrocinadoras garantindo sua publicidade e lucros.

E isso tudo foi só durante a Copa? Os precedentes de privatização do espaço público e expulsão da população pobre estão abertos. Assim como é incômoda a sensação de que os movimentos populares, se não tiverem força suficiente para colocar os governos contra a parede, podem ser brutalizados e pouca gente parece se importar. Também o público das partidas do Itaquerão não parece que vai mudar muito da Copa em diante, com ingressos a R$ 180,00 para quem não é “fiel-torcedor”.

Outra coisa que não vai mudar com o fim da Copa é o endividamento público, que aumentou em média 51% nas cidades-sede, em decorrência da flexibilização do limite estabelecido por lei na fase de preparação do evento. São Paulo, por exemplo, está com o endividamento em 200% da arrecadação. Também não tem mais como voltar atrás no dinheiro público gasto com a Copa, com os R$ 870 milhões repassados dos cofres públicos para a montagem das estruturas usufruídas unicamente pela FIFA e suas parceiras; não tem como reverter os empréstimos subsidiados, com taxas de juros ridículas e condições de pagamento generosas para as pobres megaempresas do setor de construção civil, como a Odebrecht. Também não temos mais como ver um centavo em impostos dos mais de R$ 10 bilhões arrecadados pela FIFA. Não tem mais como forçar que os governos investissem os mais de R$ 8 bilhões gastos com mobilidade por ocasião da Copa levando em conta as necessidades da população. Mas não podemos nada? Sim, podemos exigir a auditoria da dívida pública, porque, depois de tudo isso, afirmamos: nós não vamos pagar nada!

Realmente foi uma trágica goleada de violações. Mas, como diz o governo, tudo isso não foi em prol do desenvolvimento nacional? Em prol das cidades na competição por investimentos internacionais? Não há nenhum gol de honra marcado pelo Brasil nessa história toda? Mas nós sempre perguntamos: Copa pra quem? Desenvolvimento pra quem? Cidade pra quem?
Se alguém poderá marcar esse gol de honra, será o povo cuidadosamente auto-organizado. Quanto a nós, seguiremos fechando detalhadamente a conta da Copa, divulgando seu verdadeiro legado, somando com as lutas dos que estão abaixo e à esquerda, construindo um novo campo, um novo jogo, com novas regras, sem juízes, nem donos da bola, nem impedimentos, nem deslealdades. Esse é o legado que queremos, o da luta popular, o da resistência à opressão. Não podemos voltar atrás, mas bola pra frente!

Leia também:

terça-feira, 29 de julho de 2014

A história de Jaílson, um operário da Copa

a pública
http://apublica.org/2014/07/a-historia-de-jailson-um-operario-da-copa/

A história de Jaílson, um operário da Copa


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sábado, 28 de junho de 2014

A Copa das Copas é da América do Sul

carta maior
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-Copa-das-Copas-e-da-America-do-Sul/4/31261


27/06/2014 - Copyleft

A Copa das Copas é da América do Sul

Chilenos, colombianos e argentinos se fizeram maioria nas arquibancadas de onde jogaram. Uruguaios e equatorianos contaram com o apoio dos brasileiros.


Pedro Silva Barros (*)
Festa em Caracas após a vitória brasileira contra Camarões na última segunda-feira (23). Foto de Luz Marín, do Instituto Cultural Brasil Venezuela (ICBV).

A copa do mundo voltou à América do Sul depois de 36 anos. Mais da metade de nós, sul-americanos, nunca havíamos visto um mundial em casa. Parte de nós não imaginava que participaríamos tanto do maior evento do principal esporte do planeta.

Chilenos, colombianos e argentinos se fizeram maioria nas arquibancadas de onde jogaram. Uruguaios e equatorianos contaram com o apoio indubitável dos brasileiros que encheram os estádios. Um fenômeno tão inédito como ignorado pelas análises feitas na onda dos protestos de junho do ano passado.

Os meios de comunicação jogaram sistematicamente contra a copa. Um exemplo entre muitos é o número 82 da revista venezuelana Clímax, que está nas bancas de Caracas com a capa “Brasil 2014: la gran estafa” e a chamada interna “Una fiesta para pocos. Brasil ha dado muestras de no estar preparado para fungir de buen anfitrión”.
 
A reportagem reproduz argumentos da revista brasileira Veja: os estádios foram caríssimos, a infraestrutura não vai funcionar, o mundial será uma vergonha para o Brasil e só foi feito para que se roubasse o erário público.
 
[Ver abaixo um dos arautos nacionais do #NãoVaiTerCopa e do fracasso da Copa no Brasil]



 
A torcida sul-americana compareceu porque confiou em suas equipes e também porque estava segura de que nós os brasileiros organizaríamos uma grande copa. Desconsideraram a avalanche de críticas de que o torneio seria um fiasco. Para isso, além da paixão pelo futebol, contribuiu o fato de conhecermos muito bem a nossa imprensa, que é muito parecida em toda a região. Sabíamos que todo aquele quadro alarmista era falso.

No caso da mídia nativa, o quadro é de emulação. Está se superando em relação à cobertura das manifestações de junho do ano passado quando de crítica passou a apoiadora. Desta vez os grandes meios de comunicação nacional não só mudaram repentinamente de opinião como, em um ato de aparente desespero e explícito despudor, começaram a atribuir aos seus congêneres internacionais a responsabilidade pela uruca pré-copa. Não é de se estranhar que cada vez mais reproduzam argumentos do tipo: “Agora o mundo está vendo o equívoco de haver apostado contra o Brasil”. Lembrando Freud, a negativa histérica e veemente dos próprios atos, acompanhado do mecanismo de transferência da responsabilidade a terceiros é a patética assunção da culpa; o famoso batom na cueca! Até o Ronaldo se viu obrigado a mudar o discurso e retirar as críticas à organização do mundial.

Na copa, o Brasil exerceu o papel de liderança que nossos vizinhos esperam. Acertamos quando pensamos grande. Estamos fazendo uma copa para toda a América Latina. Tudo caminha para que seja reafirmada a escrita de que só os sul-americanos ganham as copas do lado de cá do Atlântico. Mas dessa vez a copa também está fazendo com que os sul-americanos nos conheçamos mais, muito mais. Esse convívio é a condição que nunca houve para a ampliação da integração da América do Sul. 


A América do Sul em 1978 e em 2014

Nos últimos 50 anos a América do Sul organizou uma única copa, na Argentina em 1978. Ela me foi apresentada como um dos poucos consensos no futebol brasileiro: roubada, tudo armado, a Argentina comprou o Peru e ao Brasil coube o título de campeão moral, que nunca valeu nada. Refletia um momento de muita obscuridade no Cone Sul. Ditaduras na Argentina, Brasil, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia... O regime militar argentino, assim como os outros, se legitimava também pelo discurso da ameaça externa. A pouca cooperação regional que existia se concentrava na repressão, em perseguir e matar a esquerda onde quer que ela estivesse.

O brasileiro, durante e depois daquela competição de 1978, não se sentiu mais sul-americano. O mesmo valeu para os próprios argentinos, para os peruanos e para os demais vizinhos que não participaram do torneio.

Se consolidou a versão que a Argentina era nossa rival, para além do futebol. Cresci ouvindo que os argentinos eram nossos maiores inimigos; a todos os nossos vizinhos o Brasil era apresentado como a grande ameaça.

No meio tempo, a copa de 1986 seria na Colômbia. A instabilidade interna e as exigências da FIFA fizeram o país desistir de organizar o torneio. Chegaram a oferecer a copa ao Brasil, que na época não a aceitou e ela foi acontecer no México. Até 2003, Argentina e Colômbia se apresentavam como possíveis candidatas, na definição; em 2006, toda a América do Sul já estava unida em torno candidatura do Brasil. 

Hoje o momento é outro, completamente diferente dos anos setenta ou mesmo dos noventa. O Brasil e a América do Sul de 2014 estão construindo democracias cuja riqueza é, com muitas contradições, diminuir as desigualdades, garantir a diversidade e incluir massas que até há muito pouco tempo eram consideradas eternas excluídas. A cooperação regional agora tem objetivos muito mais nobres, o Mercosul cresce, a Unasul se consolida e recentemente foi criada a CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos). Todas essas novidades incomodam muito os que têm jogado contra a copa do Brasil.

A espetacular presença dos 100 mil argentinos em Porto Alegre, das dezenas de milhares de colombianos em Belo Horizonte, Brasília e Cuiabá, de chilenos também em Cuiabá, Rio e em São Paulo, dos equatorianos em Curitiba e dos uruguaios em Natal, além da grande quantidade de bandeiras da Venezuela em todos os estádios, particularmente em Manaus, criaram uma atmosfera inédita para a reconhecimento mútuo da região. Parte considerável visitou o Brasil pela primeira vez. A maioria quer voltar.

A copa está consolidando, coroando, o processo de afirmação da região que começou a ganhar corpo na virada século com a falência do Consenso de Washington e que foi impulsionada com a ascensão de governos populares em muitos dos nossos países. A América Latina e o Caribe são a única região do mundo em que as desigualdades diminuíram na última década.

Pela primeira vez na história a América do Sul tem desempenho melhor do que o europeu numa primeira fase de mundial. Nosso aproveitamento foi de 83% (5 classificados de um total de 6 participantes) contra 46% do velho continente (6 classificados de um total de 13 participantes). Em termos absolutos, se consideramos as seleções latino-americanas em seu conjunto (somando México e Costa Rica), classificamos 7 seleções (7 classificados em 9 participações, ou 78% de aproveitamento) contra as 6 europeias.

Não tenho dúvidas que o Paraguai, mesmo com a sua retranca, apresentaria um futebol melhor do que o da Grécia. Ou que a Venezuela, que nas eliminatórias ganhou da Argentina com Messi em Puerto La Cruz e da Colômbia com Falcao em Puerto Ordaz, seria uma estreante melhor do que a Bósnia. Aliás, o futebol está superando o beisebol, herança das petroleiras americanas do início do século, como principal esporte na Venezuela. A organização da copa América em 2007 com a construção de sete novos estádios foi decisiva para o movimento que levou as venezuelanas ao quarto lugar no mundial sub-17 feminino neste ano.

Em 2014, também pela primeira vez, a América do Sul jogou com 6 equipes. Não tivemos nenhuma decepção. Equador, o pior sul-americano, foi o melhor entre os eliminados na primeira fase. Saiu da copa ao empatar com um dos três melhores europeus jogando com um a menos por mais de quarenta minutos.

A copa é parte da consolidação da autoestima sul-americana. Nada mais simbólico do que o jogo entre Chile e Espanha no Maracanã. O Chile nunca havia derrotado sua antiga metrópole. Sete derrotas e um empate. Ganharam de 2 a 0. Os sul-americanos não temos jogado com a arrogância dos espanhóis contra a Holanda, tampouco com a ingenuidade da Costa do Marfim contra a Grécia. Temos feito no nosso jogo, e estamos ganhando.

Jogos em todo o país, até na Amazônia

A escolha de realizar partidas em cidades sem tradição futebolísticas foi uma das decisões mais criticadas e, ao mesmo tempo, mais acertadas da organização dessa copa. Fez que a copa fosse de todos os brasileiros, com jogos nas cinco regiões, garantiu que fosse uma copa sul-americana, por estar mais próximas dos vizinhos, e criou possibilidades para fortalecer nosso futebol e a integração regional.

Ao envolver todo o país estamos fazendo um mundial com a grandeza do Brasil. A decisão corajosa de sediar jogos em Manaus e em Cuiabá, além de quatro capitais nordestinas foi uma atitude consoante com nosso objetivo constitucional de diminuir as desigualdades regionais e compatível com várias outras ações de governo dos últimos anos, como a criação de dezenas de universidades, particularmente nas regiões mais pobres do país.

Os minimalistas defendiam um mundial enxuto, com jogos onde sempre há. São Paulo, Rio, Porto Alegre e Belo Horizonte. Talvez em Curitiba, Salvador e Recife também. Diziam que a falta de tradição futebolística e de dinâmica econômica em Fortaleza, Manaus, Natal e Cuiabá deixariam esses estádios vazios.
 
Desconsideraram que o Brasil está mudando e é muito maior do que o Centro-Sul.
Assisti a um único jogo do mundial. Havia comprado os ingressos antes mesmo do sorteio dos grupos. Optei pala primeira rodada em Manaus, a sede mais próxima da Venezuela. O sorteio apresentou um duelo entre dois ex-campeões, Itália e Inglaterra. Peguei o carro e fui com minha família a partir de Caracas. Muitos quilómetros de estrada. Fiquei aliviado ao ver a simplicidade do trâmite para passar com o carro na fronteira após o ingresso da Venezuela ao Mercosul. No hotel em Boa Vista, havia mais de trinta motoqueiros venezuelanos que faziam o mesmo trajeto. Na estrada, centena deles. Alguns ônibus também iam ao mesmo destino: a Arena da Amazônia.

O estádio mais questionado do mundial custou 500 ou 600 milhões de reais. Tudo funcionou: foi rápido para entrar, a visão do jogo da arquibancada era muito boa, a cerveja gelada, os banheiros limpos. Lotou nos quatro jogos da primeira fase, com um público total de 160 mil pessoas. Se o estádio fosse construído só para a copa, cada ingresso teria que custar quase R$ 4 mil para cobrir todo o custo. Não sei quanto os ingleses, italianos, portugueses, suíços, camaroneses, hondurenhos, norte-americanos e croatas que foram assistir os jogos de seus países gastaram nos dias que ficaram em Manaus, mas não deve ter sido menos do que esse valor.

A maioria do público, porém, era de brasileiros. Muitos de outras regiões do país, vários nunca conheceriam Manaus se não fosse a copa. Ninguém negaria a importância para o país de mais brasileiros conhecerem a Amazônia.

A exposição de Manaus ao mundo foi a maior da história; seu benefício para nós, difícil de calcular. Só nos EUA 25 milhões assistiram ao vivo a partida contra Portugal, mais do que a média das cinco partidas da final da NBA e dos seis jogos da final do beisebol do ano passado. Quanto custaria expor por duas horas para 25 milhões de estadunidenses a ideia subentendida de que a Amazônia tem dono e não são eles? E aos milhões de europeus que assistiram Itália contra Inglaterra?

No dia seguinte, o calor da cidade, que é o mesmo desde que ela foi criada, era o principal assunto nos sites de nossos jornais que não se cansaram de criticar os gastos com o estádio de Manaus. Nenhuma menção aos benefícios do evento para o país. Quando levei meus filhos ao Teatro Amazonas pensei sobre quantos, ao verem aquela construção, não faziam a pergunta simplista que os jornais não se cansaram de estimular sobre os estádios: não seria melhor ter construído um hospital ou uma escola? Minha resposta seria a mesma sobre a Arena da Amazônia.

Fracasso das previsões, sucesso de público e crítica 

Os números satisfatórios e o entusiasmo com o mundial após o final da primeira fase são inquestionáveis. O fracasso das previsões também.

O banco Goldman Sachs, que por vias tortas acertou em cheio ao tecer o termo BRIC, parece ir no mesmo caminho agora. Se equivocaram em boa parte dos fundamentos em 2001, mas a agrupação BRIC, depois BRICS, tornou-se realidade anos depois. Em 2014, previu que os europeus dominariam a primeira fase, mas apontaram uma final sul-americana entre Brasil e Argentina. Apostaram que 11 dos 13 europeus passariam de fase, metade ficou pelo caminho. Erraram os oito cruzamentos das oitavas de final! Tirando Alemanha e Brasil, que foram à segunda fase em todas as copas desde que ela passou a ser realizada com grupos e oitavas em 1986, o banco acertou apenas 7 dos outros 14 times. Péssimo rendimento, considerando que 16 dos 32 classificariam.

Pode parecer temerário que as finanças do mundo sejam operadas por esses modelos. Esperamos que, outra vez, acertem no que ficará para a história. Que o Brasil campeão contra os hermanos seja tão real como a Cúpula que se reunirá em Fortaleza na semana depois da copa.

A revista americana ESPN FC indicava que a Argélia era o segundo com menos chances de classificar entre todos os países. Para o Goldman Sachs, a Costa Rica seria o time com menos chance de ser campeão e não haveria nenhum africano nas oitavas. É o que dá utilizar modelos em que os resultados do passado definiriam o presente. Diferente de Espanha, Inglaterra e Itália, Argélia, Costa Rica e Nigéria estão vivos e enfrentarão três dos poucos europeus que restaram.

Há alguns anos, poucos apontavam o sucesso de público que estamos tendo. As médias de pessoas presentes e de ocupação nos estádios são espetaculares. Superam todos os campeonatos nacionais do mundo. No campeonato brasileiro o público médio é de 15 mil (ocupação de 44%) e no italiano de 22 mil (51%). A copa das copas supera a ocupação e o público médio dos melhores campeonatos nacionais nesses quesitos, o alemão (45 mil, 93%) e o inglês (34 mil, 97%). A fabulosa taxa de ocupação de 98% garantirá um público médio final bastante superior aos 50 mil. A média de público só ficará atrás da copa dos EUA, que utilizou estádios de futebol americano. O púbico total deve igualar o recorde de 3,5 milhões.

Os alemães realizaram uma grande copa e com ela reestruturaram e melhoraram seu campeonato nacional. Nós podemos fazer o mesmo respeitando nossas especificidades e utilizando um dos nossos maiores ativos, as dimensões continentais e um mercado interno que cresceu extraordinariamente na última década. O problema não são os estádios caros, mas a gestão que vamos fazer deles. Por que não os times do Brasileirão mandarem cinco partidas por campeonato em estádios neutros, como os novos de Brasília, Manaus, Cuiabá, Fortaleza ou Natal, ou antigos que devem se modernizar em Belém ou Campo Grande.
A revista Veja um mês antes do início da copa era taxativa em seu site: “A seleção pode até ganhar, mas o Brasil já perdeu”. Hoje poderíamos dizer sem dúvidas: A seleção pode até perder, mas o Brasil já ganhou!
 
(*) Pedro Silva Barros é palmeirense, brasileiro, sul-americano. As opiniões expressas neste artigo são estritamente pessoais, não representando necessariamente a de nenhuma das instituições às quais o autor é vinculado.


Créditos da foto: Festa em Caracas após a vitória brasileira contra Camarões na última segunda-feira (23). Foto de Luz Marín, do Instituto Cultural Brasil Venezuela (ICBV).

Copa do Mundo e os Direitos Humanos

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Copa do Mundo e os Direitos Humanos


COLETIVA DE IMPRENSA PRESIDENTE DA FIFA
Presidente da Fifa, Joseph Blatter. Foto: Marcello Casal Jr./ABr


É Copa do Mundo, amigas e amigos! Mas nem por isso a gente aqui na Repórter Brasil parou de acompanhar ações importantes em curso em todo o Brasil. No destaque desta edição do boletim, chamamos a atenção para a tentativa em curso no Congresso Nacional de esvaziar a "lista suja" do trabalho escravo, o que representaria um grave retrocesso no combate à exploração de pessoas no país. Apresentamos a denúncia que a seleção Palestina preparou para apresentar no congresso da Fifa, e a carta enviada ao presidente da entidade, Joseph Blatter, pedindo que a organização e suas empresas parceiras tomem medidas para garantir Direitos Humanos durante os jogos. Uma reportagem especial detalha a crise pela qual passa a fiscalização do trabalho no Brasil, e um levantamento inédito indica de maneira detalhada onde aconteceram todos os resgates de escravos desde 1995, quando as operações de fiscalização começaram. O especial "Eles Mandam", mapeamento de redes de poder no país, foi atualizado e reunimos também artigos sobre diferentes questões no país, além de dicas de como configurar seu Facebook para não perder atualizações da Repórter Brasil. Boa leitura!
Copa do Mundo e Direitos Humanos
Durante a Copa, Congresso pode esvaziar ‘lista suja’ do trabalho escravo 
Relatório de projeto que pretende regulamentar trabalho escravo quer proibir manutenção de cadastros que incluam nomes antes de condenação judicial
Carta a Blatter pede que Fifa garanta direitos humanos na Copa 
Mensagem foi enviada em nome do Institute for Human Rights and Business, que acaba de lançar, com apoio da Repórter Brasil, a plataformamegasportingevents.org
 
No Brasil, palestinos pedirão suspensão de Israel da Fifa 
Delegação palestina fará a solicitação durante o congresso da entidade que começa nesta terça-feira em SP. Eles acusam os israelenses de abusos contra os jogadores de futebol
 
Fiscalização do trabalho 
Número de fiscais do trabalho despenca e MPT aciona Justiça para garantir contratações 
Em ação assinada por 15 procuradores, Governo é intimado a preencher imediatamente 863 vagas. OIT também cobra e MTE reconhece que quadro atual é insuficiente. Pedido de contratações está parado no Ministério do Planejamento
Repórter Brasil faz levantamento inédito de casos de trabalho escravo no Brasil 
Flagrantes de escravidão desde 1995 foram disponibilizados publicamente e organizados em infográfico interativo para facilitar pesquisa 
Poder
Relações entre empresas brasileiras estão na plataforma Eles Mandam
Banco de dados consolidado na segunda etapa do projeto Eles Mandam amplia transparência e explicita relações entre grandes grupos econômicos brasileiros


Arena Pantanal pode sofrer ‘desmanche’ e ter capacidade reduzida pela metade

amazonia
http://amazonia.org.br/2014/06/arena-pantanal-pode-sofrer-desmanche-e-ter-capacidade-reduzida-pela-metade/

Arena Pantanal pode sofrer ‘desmanche’ e ter capacidade reduzida pela metade


Foram quatro jogos.  Uma carga de 41.112 lugares disponibilizada em cada partida.  Ao fim delas, um total de 158 mil torcedores passando por seus assentos.  Talvez a maioria deles não volte a ver a Arena do Pantanal, em Cuiabá, da mesma forma que acompanharam nesta terça-feira, na goleada de 4 a 1 da Colômbia sobre o Japão: o estádio que custou mais de R$ 500 milhões pode ter a sua capacidade reduzida pela metade.
O período de uso exclusivo do palco pela Fifa se encerra na próxima terça-feira.
A partir da data, a entidade devolverá, então, as chaves e o Governo passará a tratar mais firmemente de seu futuro. Uma licitação para tentar atrair a iniciativa privada deverá ser lançada no próximo mês e a expectativa é ter o processo definido até outubro.
No modelo de concessão do projeto previsto para ser disponibilizado nas próximas semanas, uma das alternativas que o futuro ‘dono’ terá será a redução de tamanho da Arena Pantanal. Em vez dos atuais 43.150, ela passaria a contar com apenas 20.000 lugares.
Segundo apurado pelo ESPN.com.br, a mudança envolveria a retirada das arquibancadas superiores dos setores Sul e Norte.
Procurado pela reportagem, o secretário da Secopa (Secretaria Extraordinária da Copa) no Mato Grosso, Maurício Guimarães, confirmou a possibilidade, embora não acredite ser essa a melhor opção para o operador.
“Existe, sim. Só não acredito ser viável. A Arena tem essa concepção que torna possível reduzi-la para 20 mil pessoas, mas é preciso ponderar o seguinte: você retirou (os assentos), não consegue recolocar mais. Se já está tudo pronto e não tem um custo operacional tão grande mantê-los, sinceramente não vejo lógica. Você pode simplesmente fazer um evento com 40 mil e outro com 20 mil”, afirma Guimarães ao ESPN.com.br.
Essa decisão, no entanto, ficará a cargo do vencedor da licitação.
É motivo de temor a hipótese de a Arena Pantanal virar um ‘elefante branco’. Para se ter uma ideia, o Cuiabá Arsenal, tricampeão brasileiro de futebol americano, é dono de uma média de público maior do que a do estadual, com 3.100 pessoas. Não existe como ele conseguir bancá-la sozinho, ainda assim: são apenas três partidas por temporada.
O custo operacional de um jogo no estádio é de cerca de R$ 125 mil.
Reduzir o seu tamanho, sugerem dirigentes de clubes locais consultados pela reportagem, seria uma forma de minimizar também um eventual efeito negativo que atuar num palco dessa dimensão poderia trazer.
“Quando foi feito o projeto, houve a preocupação de que você poderia retirar (esses assentos), bastando desparafusar porque são estruturas metálicas, parafusadas uma na outra. Por isso, existe essa possibilidade”, explica o secretário da Secopa no Mato Grosso, Maurício Guimarães.
Por: Marcus Alves
Fonte: ESPN