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sábado, 6 de dezembro de 2014

O novo (e frágil) Consenso de Brasília

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http://outraspalavras.net/blog/2014/12/04/o-novo-e-fragil-consenso-de-brasilia/


O novo (e frágil) Consenso de Brasília

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“Ajuste fiscal” iniciado por Dilma não visa “acertar contas públicas”, mas mostrar adesão a mito conservador. Caminho pode levá-la ao desastre
Por Antonio Martins | Imagem: Bob Row
Estranha é a matemática dos que alardeiam a necessidade de um “ajuste fiscal”. Nas últimas semanas, afirmou-se que o Orçamento da União, para 2015, contém um “rombo de 100 bilhões de reais”. Defendeu-se a nomeação de Joaquim Levy para o ministério da Fazenda, sob o argumento de ser um “especialista em gastos públicos”, cujo “descontrole” seria responsável pelas agruras econômicas do Brasil. Abriu-se a caça às despesas a cortar – do seguro-desemprego e auxílio-doença pagos pela Seguridade às linhas de crédito dos bancos públicos.
Então, quase em surdina, sem nenhum destaque nas manchetes, o Banco Central promoveu, em duas tacadas, a elevação de 0,75% na taxa de juros paga pelo Estado a seus credores. Em termos reais, já era de longe, a mais alta do mundo. Agora, subiu a 11,75% ao ano – contra 0,23% nos EUA, 0,08% na zona do euro, 1,8% nas Filipinas ou 4,42% na Colômbia. Calcule, você mesmo, o impacto sobre os gastos públicos. Se a dívida pública monta a R$ 2,183 bilhões, a União transferirá em 2015, aos possuidores de títulos de Tesouro – quase todos já fartamente endinheirados –, R$ 256 bilhões (o dobro do suposto “rombo”). Só as duas elevações da taxas de juros mais recentes decretadas pelo BC custarão R$ 16,37 bilhões, cinco vezes mais que os recursos destinados ao ministério da Cultura, em 2014.
* * *
A construção de mitos políticos completa-se, às vezes, de modo abrupto. Nos últimos meses, o arranjo lulista, que marcou o Brasil durante doze anos, deparou-se com um impasse descrito com sagacidade do Luiz Gonzaga Belluzzo e André Singer. Após seis anos, a crise econômica global minou as condições antes existentes para contentar ricos e pobres; para melhorar o padrão de vida das maiorias sem atingir lucros e privilégios das elites. Sabia-se, também, que o PT e seus parceiros estavam muito capturados pela máquina institucional e muito pouco preparados para dar um passo adiante.
Porém, poucos haviam previsto que o governo Dilma descrevesse, em apenas seis meses, o impressionante ziguezague que o fez render-se ao “ajuste fiscal” proposto, desde antes das eleições, pelos conservadores. Hoje, percebe-se com clareza que a guinada à esquerda de Dilma, durante a campanha, era apenas aparente. A candidata afirmou ter “coração valente” e prometeu “mais mudanças”. Mas ao “desconstruir” Marina Silva e ressuscitar Aécio Neves, para tê-lo como adversário no segundo turno,gerou a onda que levou à eleição de um Congresso ultra-retrógrado e tornou-se refém de seus correligionários mais fisiológicos. Um grande sucesso de marketing eleitoral produziu, em poucas semanas, uma terrível sinuca política.
Subitamente, o “ajuste fiscal” converteu-se numa espécie de “Consenso de Brasília”. A oligarquia financeira exalta-o (com previsível apoio da mídia) porque atende a seus mais caros interesses. Os políticos conservadores regozijam-se porque ele obrigará Dilma a descumprir seu programa e corroer sua própria popularidade. O governo crê que, ao apaziguar os mercados, conquistará uma trégua.
Mas tudo indica que está preso no que os estrategistas militares costumam chamar de “movimento de pinça”. A oligarquia financeira, agora instalada no ministério da Fazenda, exigirá concessões crescentes: já se aposta em novos aumentos das taxas de juros, nos próximos meses. Mas, ao invés de se satisfazer com estas concessões, a oposição conservadora irá explorar cada uma delas para desgastar o governo. Ontem, no Congresso Nacional, parlamentares do PSDB e do DEM solidarizaram-se com “manifestantes” que, da galeria, xingavam a deputada Vanessa Granhotim (PCdoB-AM) de “vagabunda”.
O Consenso de Brasília é frágil: ampara-se numa adesão de conveniência. Será crescentemente contestado pelo setor não-fisiológico da base parlamentar do governo e, em especial, pelos movimentos sociais que esperavam “mais mudanças”. Mas inverter o rumo inaugurado pela nomeação de Joaquim Levy exigirá um movimento intelectual de envergadura. Implica construir, como alternativa ao impasse do lulismo, um projeto de redistribuição de riquezas muito mais intenso e profundo que o ensaio tímido vivido entre 2002 e 2014. Quem poderá fazê-lo?

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Operação resgata 33 trabalhadores em Planaltina, DF

ihu
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/533216-operacao-resgata-33-trabalhadores-em-planaltina-df


Operação resgata 33 trabalhadores em Planaltina, DF

Operação do Ministério Público do Trabalho no Distrito Federal (MPT-DF) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 33 trabalhadores na Fazenda Santa Isabel, zona rural de PlanaltinaDistrito Federal.
A reportagem foi publicada pelo portal EcoDebate, 14-07-2014.
O grupo foi aliciado em Nova Floresta (PB) para trabalhar na colheita de café, com a promessa de emprego por um período 90 dias. Após o flagrante, realizado no dia 3 de julho, o MPT convocou a empresa Rural Whittmann Agropecuária Ltda, proprietária da fazenda, para pagar verbas rescisórias e demais direitos trabalhistas aos explorados. A empresa também teve que pagar indenizações por danos morais individuais, no valor aproximado R$ 220 mil.
O caso foi acompanhado pelos procuradores do Trabalho Carlos Eduardo Carvalho Brisolla e Paula de Ávila Silva Porto e Nunes. A situação foi investigada após os safristas denunciarem as condições degradantes de trabalho àSuperintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE). Eles tiveram que pagar à empresa as despesas com o transporte da Paraíba para o Distrito Federal, cerca de R$ 250 cada. No local também foi encontrado um adolescente de 15 anos trabalhando.
O grupo trabalhava sem carteira assinada e sem equipamento de proteção, ficava em alojamentos precários e superlotados e não tinha recebido nenhum salário. Eles estavam na fazenda desde junho. Segundo Amilton Oliveira, um dos trabalhadores prejudicados, o combinado era o pagamento de R$ 7 por saco de café colhido. A média de colheita era de 30 sacos por dia. “Eu trabalho há muito tempo com este tipo de contrato e é a primeira vez que tenho um problema tão grande. Quando questionamos o administrador sobre as condições, ele nos avisou que quem não estivesse satisfeito com as normas da empresa poderia ir embora. Foi aí que resolvemos denunciar.”
Nova audiência entre o MPT e a empresa está marcada para 24 de julho. O encontro discutirá a situação dos demais empregados da fazenda, questões relacionadas ao meio ambiente de trabalho e a comprovação da não exploração do trabalho infantil.