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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Agronegócio e a morte da Amazônia

Roberto Lamego 

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Por Leão Serva*
Vamos dar nome aos bois: as maiores ameaças à floresta e às águas no Brasil são a pecuária e a soja.
É comum ver nos discursos de empresários e políticos o pensamento ufanista sobre as maravilhas de nosso agronegócio, dizendo que a produção brasileira "alimenta o mundo" e que nosso gado é "verde". É um discurso que lembra a propaganda do Brasil Grande, de triste memória, e tenta pôr uma grande sujeira para baixo do tapete.
Os estrangeiros já sabem: nossa exploração agrícola, soja à frente, já destruiu 4 de cada 10 hectares de cerrado. Nesse ritmo, esse ecossistema estará extinto em 20 anos. Não é à toa, visto que o nosso gado tem a pior produtividade do mundo: uma vaca ocupa, para engordar, um hectare de terra, cada vez mais frequentemente roubado à Amazônia. Com os mesmos metros quadrados, um agricultor europeu produz alimentos nobres e caros, para alimentar e enriquecer seres humanos. Enquanto isso, nossa soja alimenta porcos na China.
Se computarmos o dano irreversível ao meio ambiente, bem público que destrói com a devastação da terra, e o somarmos aos subsídios e às generosas rolagens de dívidas dos grandes produtores, o cálculo revelará um agronegócio insustentável. Em vez de alimentar o mundo e enriquecer os brasileiros, ele se tornou uma destrutiva usina de insumo industrial barato.
É um modelo que ameaça (ao invés de garantir) o objetivo de dobrar a produção mundial de alimentos em 35 anos para receber 2 bilhões de novas bocas. Para fazer sua parte, alimentar os brasileiros e ganhar dinheiro exportando comida de gente, não de suínos, é necessário mudar a escandalosa cultura de desperdício do campo brasileiro.
Quando se trata de plantar para dar de comer a rebanhos, a chamada "taxa de conversão" é muito baixa: uma vaca dá três calorias de carne para cada cem calorias de grãos que come para engordar (sim, 3%); o porco produz dez calorias, e o frango, 12, para cada cem que consome. É melhor o aproveitamento da vaca leiteira (40 calorias no leite) e da galinha poedeira (12 no ovo, para cada cem consumidas). Em outras palavras, gerar proteína animal é sempre um péssimo negócio, e o boi é o pior de todos.
E como funciona o agronegócio brasileiro? Metade de nossa produção agrícola é ração de animais a preços irrisórios. E a estrela de nossa pecuária é exatamente a carne de vaca. Enquanto isso, importamos feijão e outros alimentos pagando mais caro.
O Brasil viveu até hoje com a falsa impressão de que a água e a terra eram bens infinitos. Essa visão está em xeque com a crise hídrica, causada em parte pelo desmatamento da Amazônia e do cerrado. Num país em que a água escasseia, quase 70% de seu consumo é para irrigação de áreas de cultivo. A pecuária é um mata-borrão: suga 11% de nossa água -mesmo consumo dos 200 milhões de humanos do Brasil.
Com o desmatamento para abrir pastos, fontes de água são destruídas e o regime de chuvas muda. O gado não somente consome verdadeiras cachoeiras em seu processo de engorda, como já produz escassez antes mesmo de ocupar os extensos hectares de floresta que destrói.
Gastamos água, que falta a humanos, para matar a sede infinita das vacas e regar a soja que vai ser exportada a preços irrisórios. Enquanto isso, continuamos a nos ufanar de uma opção econômica que está nos consumindo a todos, com a água e a terra fartas que um dia este Brasil ganhou de presente. 
*Leão Serva é jornalista, escritor e coautor de 'Como Viver em SP sem Carro'.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O Brasil na contramão

ihu
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/535610-o-brasil-na-contramao


O Brasil na contramão

"Em 2013, o desmatamento aumentou 29% na Amazônia e não há indícios de que voltará a cair em 2014. Ao contrário, dados preliminares do INPE indicam até a possibilidade de um novo crescimento, coerente com a alta observada também no desmatamento em outros biomas, como o Cerrado e a Mata Atlântica", escreve Marcio Santilli, sócio-fundador doInstituto Socioambiental - ISA , em artigo publicado pelo Instituto Socioambiental - ISA, 24-09-2014.
Eis o artigo.
No momento em que se intensificam as negociações internacionais sobre a mudança do clima, o Brasil retoma a velha diplomacia defensiva, se recusa a renovar compromissos com a redução do desmatamento e aumenta as suas emissões de gases do efeito estufa em 2013, após um período de sete anos em que havia conseguido reduzi-las.
O mundo espera que os governos cheguem a um acordo para iniciar um processo de redução global nas emissões desses gases, até o final de 2015, quando se realizará uma conferência da ONU, em Paris, com a presença de chefes de Estado. Até março, os países deverão apresentar perante a ONU os seus documentos oficiais reportando o que pretendem fazer para garantir que essa redução global ocorra. O(A) presidente(a) que será eleito(a) no próximo mês e empossado(a) em janeiro, terá pouco tempo para definir a posição brasileira a respeito.
Não se trata de qualquer assunto, pois a mudança do clima constitui a maior ameaça produzida pela humanidade contra ela mesma e contra a própria possibilidade de vida na Terra. A concentração crescente dos gases de efeito estufa na atmosfera está provocando o rápido aumento da temperatura na superfície do planeta, com o derretimento das geleiras nos polos e nas regiões de altitude, o aumento dos níveis dos oceanos, alterações nos regimes de chuva e tempestades catastróficas em várias regiões do mundo, anunciando muito sofrimento, prejuízos econômicos gigantes e pior qualidade de vida para as próximas gerações.
Não é mais possível adiar as providências de todos os países para diminuir a poluição provocada pelas indústrias, pela profusão de veículos automotores e pelo consumo excessivo de energias fósseis, como o carvão, o petróleo e o gás natural, que produzem cerca de 80% das emissões de gases estufa. Mas também contribui para agravar o problema o desmatamento e o uso inadequado das terras, que provocam a maior parte das emissões brasileiras e cuja redução constitui a maior e mais urgente contribuição que o país pode dar para se evitar mudanças mais drásticas do clima.
Porém, em 2013, o desmatamento aumentou 29% na Amazônia e não há indícios de que voltará a cair em 2014. Ao contrário, dados preliminares do INPE indicam até a possibilidade de um novo crescimento, coerente com a alta observada também no desmatamento em outros biomas, como o Cerrado e a Mata Atlântica. Ainda que a taxa amazônica em 2014 permaneça nos níveis de 2013, estará se caracterizando que as emissões florestais brasileiras subiram para um novo patamar. Não se trata de uma retomada dos escandalosos picos de desmatamento ocorridos entre 1995 e 2005, mas tampouco de um “aumentozinho”, como disse a presidente Dilma Rousseff em conferência da ONU ocorrida nessa semana, ou de um “ponto fora da curva”, como acreditava a ministra do meio ambiente.
Pior: apesar de dispor de uma matriz energética considerada relativamente limpa, se comparada com a dependência de carvão e de petróleo de várias das grandes economias mundiais, ela está se sujando rapidamente através do uso intensivo de termoelétricas devido aos efeitos da própria crise climática sobre os reservatórios das hidrelétricas, do aumento exponencial da frota automotora movida a petróleo, tendo como pano de fundo a falência da produção de etanol e a emergência do Pré-Sal como referência estratégica do setor energético, numa inflexão carbonífera das políticas de governo.
Significa dizer que após a contribuição notável em reduzir o desmatamento e as suas emissões de gases estufa entre 2006-12, o Brasil voltou a aumentá-las, sem que disponha de alternativas estratégicas de política energética para reverter essa situação nos próximos anos. E isto ocorre quando outros grandes emissores desses gases, como a China e os Estados Unidos, além de vários países da União Européia, vão avançando nas mudanças de suas matrizes energéticas e criando condições econômicas objetivas para reduzir as suas emissões.
Infelizmente, o Brasil vai perdendo a condição de protagonista que havia conquistado em tempos recentes no âmbito dessas negociações internacionais. Estamos entrando na sua fase decisiva pela contramão, reforçando as piores posições e funcionando como freio para as mudanças que a humanidade exige e que não podem mais esperar. Mas tomara que as eleições gerais possam gerar outro clima, de seriedade e de engajamento do governo brasileiro nos esforços que mais interessam aos nossos filhos.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Brasil não adere a acordo mundial que prevê redução do desmatamento

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http://amazonia.org.br/2014/09/brasil-n%C3%A3o-adere-a-acordo-mundial-que-prev%C3%AA-redu%C3%A7%C3%A3o-do-desmatamento/

Brasil não adere a acordo mundial que prevê redução do desmatamento

Durante discurso, Dilma Rousseff citou medidas tomadas pelo governo brasileiro nos últimos anos para redução de emissões de gases de efeito estufa
Em Cúpula do Clima da ONU, em Nova York, países europeus prometeram investir mais de US$ 1 bilhão no projeto.  Segundo ministra, Brasil não foi consultado para debater a proposta
Na manhã desta terça-feira, 23, 120 chefes de estado se reuniram na Cúpula do Clima da ONU para discutir sobre as transformações climáticas, bem como sobre as medidas adotadas por cada nação para conter os impactos.
O encontro, convocado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ocorreu este ano em Nova Iork e teve como principal resultado a promessa dos países europeus, de investirem nos próximos dois anos até US$ 1,2 bilhão de pagamentos aos países que consigam diminuir as taxas de desmatamento.
O Brasil, por sua vez, não aderiu à Declaração de Nova York sobre Florestas por discordar do desmatamento zero e pela ausência de distinção no texto entre o que é legal ou não. De acordo com a lei brasileira, é permitido o manejo sustentável de florestas e derrubada de áreas para a agricultura, fatores que restringem a adesão.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, alegou que o Brasil não foi previamente consultado, mas os organizadores do documento garantem que uma versão foi apresentada em junho ao governo brasileiro, ainda no início de sua preparação.
“Modelo”
Durante o encontro, entretanto, a presidenta Dilma Rousseff disse que o Brasil é a prova de que “um modelo socialmente justo e ambientalmente sustentável é possível”. A presidenta ressaltou a queda de 79% do desmatamento nos últimos dez anos e ainda citou que, de 2010 a 2013, o país deixou de lançar anualmente uma média de 650 milhões de toneladas de dióxido de carbono.
“O Brasil, portanto, não anuncia promessas. Mostra resultados. Historicamente, os países desenvolvidos alcançaram o nível de bem-estar de suas sociedade graças a um modelos de desenvolvimento baseado em taxas de emissões de gases danosos ao clima”, destacou Rousseff.
“Nós não queremos repetir esse modelo, mas não renunciaremos ao imperativo de reduzir as desigualdades e elevar o padrão de vida da nossa gente”, complementou a presidenta, que também prometeu submeter à sociedade brasileira, até o fim do ano, um “plano nacional de adaptação”.
Resultado
O compromisso dos países, anunciado com a Declaração de Nova York sobre Florestas na Cúpula do Clima, se aproxima mais de intenções do que propriamente um plano prático que venha a diminuir pela metade o desmatamento até 2020 ou mesmo anulá-lo até 2030.
Fonte: O Povo

domingo, 21 de setembro de 2014

Quem devasta as florestas brasileiras

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http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=29930

Quem devasta as florestas brasileiras

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Estudo internacional sugere: desmatamento caiu 70% na última década, mas ainda é o mais grave do mundo. Agronegócio é responsável por 90% da devastação ilegal
Entre 2000 e 2012, a agropecuária foi responsável por metade do desmatamento ilegal nos países tropicais. No Brasil, até 90% da derrubada ilegal da floresta neste período ocorreu para dar lugar ao gado e à soja. Os números fazem parte de um estudo da organização Forest Trends, divulgado nesta quinta-feira (11/09).
Segundo o relatório da ONG americana baseada em Washington, as situações mais críticas foram registradas no Brasil e na Indonésia. No Brasil, parte considerável dos produtos cultivados nessas áreas ilegais vai para o mercado externo: até 17% da carne e 75% da soja. Os destinos incluem Rússia, China, Índia, União Europeia e Estados Unidos.
Brasil e Indonésia são os maiores produtores do mundo de commodities agrícolas para a exportação. O que é colhido nas terras desmatadas ilegalmente nesses países vai parar em cosméticos, produtos domésticos, alimentos e embalagens.
“Naturalmente, os países compradores também são responsáveis. Afinal, eles estão importando e consumindo produtos sem prestar atenção em como foram produzidos. Consequentemente, estão criando uma demanda. E as companhias envolvidas no negócio estão lucrando”, avalia Sam Lawson, principal autor do estudo e consultor de instituições como o Banco Mundial e Greenpeace. Ele calcula que esse tipo de comércio gere uma receita de 61 bilhões de dólares, cerca de 140 bilhões de reais.
A pesquisa foi feita ao longo dos últimos três anos e reuniu dados publicados em mais de 300 artigos científicos, informações da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e dados de satélite.
Ilegalidade no Brasil
Ao mesmo tempo em que o estudo aponta o Brasil como líder nesse tipo de ilegalidade, ele reconhece que o país reduziu dramaticamente o desmatamento desde 2004. A taxa de derrubada ilegal na Amazônia caiu mais de 70% se comparada aos índices medidos entre 1996 e 2005.
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“No Brasil, as florestas também estão dentro de propriedades privadas. E, em muitos casos, o único documento que o produtor rural tem para justificar sua plantação é um certificado de posse da terra. Eles não têm, necessariamente, a permissão para cortar a floresta para dar lugar a essa plantação”, diz Lawson.
Francisco Oliveira, diretor do Departamento de Políticas de Combate ao Desmatamento na Amazônia, do Ministério de Meio Ambiente, diz que a apropriação irregular de terras públicas, ou “grilagem”, é uma das principais causas do desmatamento ilegal. “Um grileiro nunca vai buscar uma autorização de desmatamento”, acrescenta.
O corte da mata também é feito por proprietários regulares de terra. Mas nem todos respeitam a lei: muitos retiram a vegetação nativa para expandir plantações sem a devida autorização, que é dada pelo governo estadual. Para aumentar o rigor na fiscalização, o governo federal pretende exigir que os estados repassem as autorizações de supressão de vegetação concedidas aos proprietários.
A legislação nacional obriga as propriedades rurais privadas a manter no mínimo 20% da vegetação natural, a chamada Reserva Legal. Por outro lado, ainda não existem dados oficiais que mostrem quem cumpre a lei. A esperança de separar “o joio do trigo” está no Cadastro Ambiental Rural (CAR), introduzido com o novo Código Florestal para ajudar no processo de regularização.
Esse cadastro tem que ser feito por todo proprietário e trará informações georreferenciadas do imóvel, com delimitação das Áreas de Proteção Permanente, Reserva Legal, entre outros. “A pessoa sabe que entrou para um sistema e vai tomar os devidos cuidados para não desrespeitar a legislação, e quer ser respeitada por isso”, analisa Oliveira.
Comida e floresta para todos
Cinco campos de futebol de florestas tropicais são destruídos a cada minuto para suprir a demanda por commodities agrícolas. A FAO também vê esses números com preocupação. A organização estima que, até 2050, o mundo precisará de cerca de 60 milhões de hectares extras para suprir a demanda por comida.
Para Keneth MacDicken, especialista em assuntos florestais da FAO, seria possível fazer essa expansão sem agredir as florestas. “Aumentar a produtividade, melhorar as técnicas e diminuir o desperdício são fundamentais”, diz.
Para acabar com a produção agropecuária em terras desmatadas ilegalmente, é importante mostrar que a legalidade é rentável. “Nesse processo, empresas como a Embrapa são muito importantes. Porque elas ajudam os proprietários rurais a produzir de forma mais eficiente e mais rápida”, exemplifica MacDicken.
Além do aumento na fiscalização e vigilância por satélite, Oliveira, do ministério de Meio Ambiente, aposta na parceria com produtores para mostrar que o consumidor também está ficando mais exigente. “Os compradores de soja no mercado internacional não estão querendo atrelar o nome ao desmatamento ilegal na Amazônia.” Essa percepção criou a chamada “moratória da Soja”, em que produtores se comprometeram a não estender o cultivo para áreas desmatadas.
Lawson só vê uma saída: “Nada vai funcionar se os governos não tomarem providências contra a ilegalidade”. O pesquisador admite que, hoje, o tema é mais discutido entre produtores e consumidores do que há dez anos. No entanto, se os números do desmatamento associado à expansão da agropecuária ainda são altos, a conclusão é que “esse combate ainda não está sendo feito como deveria”.

terça-feira, 20 de maio de 2014

MPF denuncia 27 por desmatamento em terra indígena e cobra 42 milhões para o reflorestamento

Por , 20/05/2014 09:25
logo mpfCusto de 42 milhões para o reflorestamento dos 10 mil hectares da área está sendo cobrado dos donos das fazendas constituídas ilegalmente dentro da Terra Indígena Marãiwatsédé
MPF – Vinte e sete pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal por invadir a Terra Indígena Marãiwatsédé, desmatar a área e impedir a recuperação natural de 10 mil hectares de vegetação nativa. Os denunciados são responsáveis por fazendas constituídas dentro da área demarcada e homologada, desde 1998, como território de ocupação tradicional da etnia Xavante, na região noroeste de Mato Grosso.
 As 27 fazendas exploravam a atividade econômica da agropecuária, fruto da ocupação ilegal do território indígena Marãiwatséde. Todas as áreas cujos “proprietários” estão sendo denunciados foram fiscalizadas pelo Ibama, multadas por desmatamento e muitas delas chegaram a ser embargadas por crime ambiental.
 Depois de ocupado ilegalmente, o território indígena foi quase totalmente desmatado para o desenvolvimento da agropecuária. As perícias ambientais realizada pela Polícia Federal, por meio da análise e comparação de imagens de satélite, com auxílio de softwares e ferramentas de geoprocessamento, detectaram que a área foi desflorestada e utilizada continuamente para a agropecuária.
As fazendas, nas quais houve desmatamento, exploravam economicamente até 1.600 hectares. Seis propriedades têm até 100 hectares; 15 têm entre 100 e 500 hectares; três tem tamanhos entre 500 a 1000 hectares e três fazendas têm mais de 1.000 hectares.
Reflorestamento
Além de pedir a condenação dos responsáveis pelos crimes de invasão de terra pública, desmatamento e exploração econômica de área de floresta nativa, e por impedirem a recomposição da vegetação, o MPF pede na ação a condenação ao pagamento do custo para reflorestar os 10.402 mil hectares desmatados no interior da Terra Indígena Maraiwatsédé.
De acordo com os laudos de perícia ambiental feita pela Polícia Federal, o valor necessário para recuperar a área equivalente à extensão desmatada pelas 27 fazendas é de 42.356.578,90 (quarenta e dois milhões, trezentos e cinquenta e seis mil reais, quinhentos e setenta e oito reais e noventa centavos). Ainda de acordo com a perícia ambiental, o custo é uma estimativa para que a restauração da vegetação seja feita o mais próximo possível da condição original.
As 27 ações criminais são assinadas pelos procuradores da República Lucas Aguilar Sette e Wilson Rocha Assis e tramitam na Justiça Federal em Barra do Garças, Mato Grosso.

Veja a relação dos denunciados.
O que diz a legislação 
- Lei nº 9.605/1998 – Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências.
Art. 48. Impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas de vegetação:
Pena – detenção, de seis meses a um ano, e multa.
Art. 50 A. Desmatar, explorar economicamente ou degradar floresta, plantada ou nativa, em terras de domínio público ou devolutas, sem autorização do órgão competente:
Pena – reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e multa.
- Lei nº 4.947/1966 – Fixa normas de Direito Agrário, dispõe sobre o sistema de organização e funcionamento do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, e dá outras providências.
Art. 20 – Invadir, com intenção de ocupá-las, terras da União, dos Estados e dos Municípios:
Pena: Detenção de 6 meses a 3 anos.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Mato Grosso dificulta acesso a informações ambientais

fonte: O ECO

Mato Grosso dificulta acesso a informações ambientais
((o))eco - 25/02/14

FlorestaHorizonte embaçado para quem precisa de dados ambientais do Mato Grosso. Foto: Leonardo F. Freitas/Flickr.
Maior produtor nacional de grãos do país, o estado de Mato Grosso resiste em dar transparência à sua gestão florestal. A denúncia vem do levantamento feito pela ONG Instituto Centro de Vida (ICV), que divulgou ontem (24) um relatório sobre as dificuldades em obter dados que deveriam ser publicados pelo governo.
De acordo com a publicação, a ausência dos dados impede o Ministério Público e as ONGs de acompanhar o número de propriedades embargadas, de saber quem foi multado, qual empresa ou proprietário teve autorização para suprimir vegetação e, principalmente, onde está ocorrendo desmatamento.
Segundo o ICV, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente “não apresenta nenhuma das informações chave da gestão florestal com o detalhamento, a atualização e o formato adequados”.
A Lei de Acesso à Informação, que entrou em vigor em maio de 2012 diz que dados relativos às atividades dos órgãos públicos devem estar disponíveis na internet, atualizados e em formato adequado, o que quer dizer arquivos de dados disponíveis na internet em formatos que possam ser lidos por softwares de planilha eletrônica ou de banco de dados (por exemplo, formatos CSV e XLS).
Tabela ICV
O relatório do ICV relaciona 12 categorias de informação que deveriam estar disponíveis no site da Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso (veja tabela). No entanto, apenas 7 dessas categorias são fornecidas regularmente e nenhuma delas fornece ao mesmo tempo dados atualizados, detalhamento e arquivos eletrônicos no formato adequado. A situação piora na medida em que se busca camadas mais profundas de detalhes, como é o caso dos dados sobre embargos, onde as informações disponíveis não estão detalhadas, atualizadas e em formato que possa ser lida por software de banco de dados.
Outro dado alarmante diz respeito ao fato de que, até o momento, a Secretaria não implementou os instrumentos exigidos pela Lei de Acesso à Informação, como a implantação do Serviço de Informação ao Cidadão e a disponibilização de canais e formulários padrão para os pedidos de informação.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Mato curto e grosso

folha spaulo
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/153489-mato-curto-e-grosso.shtml


MARCELO LEITE
Mato curto e grosso
Símbolo do agronegócio está destruindo reputação de inovador e responsável em matéria ambiental
A boa notícia é que o desmatamento na Amazônia parece ter voltado a cair, como anunciou o governo federal anteontem. A má notícia é que a boa notícia não vale para Mato Grosso, onde o controle do desmate se encontra em franco retrocesso.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, no período agosto-janeiro 375 km² foram derrubados ali, a maior cifra estadual (dados provisórios do sistema Deter). O último dado anual (2012-13) registrou 1.149 km² em Mato Grosso, o que representou um crescimento de 52% sobre o período anterior (2011-12).
O Estado-símbolo do agronegócio está destruindo, junto com o mato fechado que lhe dá nome, a reputação de inovador e responsável em matéria ambiental. Levantamento da ONG Instituto Centro de Vida (ICV) denuncia uma dificuldade crescente para obter informações florestais que o governo estadual deveria publicar ou fornecer.
O documento obtido pela coluna será divulgado amanhã no site do ICV (www.icv.org.br). De uma dúzia de dados relacionados com derrubada de matas, como cadastro ambiental rural, autorizações de corte e de queima e apreensões, só sete são fornecidos rotineiramente. Nenhum, contudo, de maneira completa, atualizada e em formato que permita sua utilização em sistemas de informação geográfica (SIGs).
Os SIGs se tornaram uma das grandes ferramentas para o Ministério Público acompanhar, não raro com auxílio técnico de ONGs, a execução de políticas com que o Executivo se comprometeu. Quanto menor a transparência das informações, como parece ser a tendência mato-grossense, menor é o espaço para esse controle público.
E, no entanto, já foi diferente. Em 2005 e 2006, logo após o desastre de 2004, quando 27,7 mil km² de florestas pereceram na Amazônia brasileira, Mato Grosso passou a fornecer publicamente informações de seus inovadores Sistema Integrado de Monitoramento e Licenciamento Ambiental e Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais.
O Estado era então governado por Blairo Maggi, o "rei da soja". Além de ser retratado no jornal "The New York Times", em 2003, como inimigo incansável da floresta, ele ganhou o prêmio satírico Motosserra de Ouro do Greenpeace, em 2005.
Foi por aí que as coisas começaram a mudar. Além do monitoramento transparente, surgiu o Pacto da Soja, em que atacadistas se comprometeram a só comprar o grão de produtores sem pendências ambientais, o que teve grande impacto em Mato Grosso. Mais recentemente, houve o TAC (termo de ajuste de conduta) da Pecuária, que exige de frigoríficos conduta similar.
A miragem de um setor agrícola moderno e ambientalmente responsável, contudo, já esmaece. A bancada ruralista capitaneada pelo PMDB -partido ao qual pertence o atual governador mato-grossense, Silval Barbosa- tomou a iniciativa política no Congresso e ganhou quase todas as quedas de braço com o Planalto no governo Dilma Rousseff.
É nesse contexto que Mato Grosso passou a andar para trás na transparência florestal. Deve ser para se livrar do controle público sem o qual os pactos viram letra morta.
De abril a julho de 2013, o ICV protocolou 11 pedidos de informações sobre o assunto na Secretaria do Meio Ambiente. O prazo legal para fornecer as informações é de 20 dias, mas não houve respostas.