Mostrando postagens com marcador corpo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador corpo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Brasil tem um milhão de abortos induzidos por ano

carta maior
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Direitos-Humanos/Brasil-tem-um-milhao-de-abortos-induzidos-por-ano/5/30755


Brasil tem um milhão de abortos induzidos por ano

O abortamento clandestino constitui a quinta causa da morte materna no país e uma em cada cinco mulheres já adotou essa prática.


Dermi Avezedo
Eric Drooker
O Brasil registra anualmente um milhão de abortos induzidos e uma em cada cinco mulheres já adotou essa prática. O abortamento clandestino constitui a quinta causa da morte materna no país.
 
Esses dados, resultantes de pesquisas realizadas pelo Ministério da Saúde e por organizações de mulheres serão analisados em Recife/PE, 2 a 4 de maio próximo, no primeiro Encontro Nacional do Movimento de Mulheres Olga Benário, que é uma frente de entidades feministas, constituída há três anos para lutar pelos direitos da mulher e por uma sociedade sem injustiças e sem explorações.
 
Tema Tabu
 
O tema do aborto como tabu ou como direito da mulher, é um dos temas mais polêmicos sempre presentes não só em eventos feministas, mas também em debates religiosos. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), órgão máximo da igreja Católica Apostólica Romana do país, é totalmente contra qualquer mudança legal que abra a possibilidade da descriminalização do aborto.
 
Em 1982, em Petrópolis RJ, as entidades da sociedade civil reunidas para a fundação do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) foram advertidas pela CNBB que não deveriam colocar em pauta o tema do aborto. A ponderação foi aceita pela direção do Movimento.
 
Abortos Clandestinos
 
Em razão da ilegalidade do aborto, é crescente o número de mortes provocadas no Brasil por causa de abortos clandestinos em condições insalubres. Em 2001, no Brasil, foram registradas 9,4 mortes de mulheres por abortamento para cada 100 mil nascidos vivos. O sistema Único de Saúde (SUS) internou no ano passado 243 mil mulheres para fazerem curetagem pós-abortamento.
 
Descriminalização
 
As entidades ligadas ao Movimento Olga Benário são favoráveis à descriminalização do aborto e alegam que essa medida constitui e representa não um atentado à vida (como argumenta a Igreja Católica), mas a redução de mortes clandestinas de mulheres no país.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

#NãoVaiTerProteção? Conheça denúncias sobre o turismo sexual na Copa

ihu
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/528779-naovaiterprotecao-conheca-denuncias-sobre-o-turismo-sexual-na-copa


#NãoVaiTerProteção? Conheça denúncias sobre o turismo sexual na Copa

O histório dos mega-eventos pelo mundo revela um dado preocupante: em Copas e Olimpíadas, a exploração sexual de crianças e adolescentes cresce, além do tráfico de pessoas. A Fifa já declarou que não tem nada a ver com isso, se eximindo de qualquer responsabilidade. Os governos locais não apresentam campanhas de prevenção a esses abusos e a situação tende a piorar.
A reportagem é do portal do Comitê Popular de São Paulo, 25-02-2014.
Turismo sexual na Copa Fifa, será este um legado da #CopadasCopas?
Confira algumas das denúncias de exploração sexual relacionada a Copa de 2014:
1. Camisetas oficiais do Mundial com clara conotações machistas e sexuais
Brasil: país do samba, do futebol e das belas mulheres (mulatas).. será esta a imagem que o país continua fortalecendo e tentando vender? Para a Adidas, patrocinadora oficial do evento e uma das grandes beneficiárias da Copa, sim. A empresa lançou uma série de camisetas do Mundial 2014, entre as quais duas fazem menção direta ao corpo das brasileiras. Será que a parceira da Fifa se esqueceu do problema do turismo sexual?
2. Florianópolis: recepção de delegações com propaganda de turismo sexual
Florianópolis, a capital de Santa Catarina, não é uma das doze cidades-sede dos jogos da Copa de 2014, mas está inclusa no calendário por receber alguns de seus eventos e, possivelmente, uma Fan Fest. No dia 18 de fevereiro, ocorreu na cidade o Congresso Técnico da Fifa, que reuniu comissões técnicas das 32 seleções que participarão do mega-evento. Os grupos foram recebidos com um caderno intitulado “Welcome to Florianopolis” encartado dentro do Diário Catarinense (RBS) com a foto de várias mulheres de biquini e embaixo, uma propaganda “do melhor clube de striptease da cidade”.

Se isto foi veiculado em um evento oficial da #CopadasCopas, imagina em hotéis e outros locais durante o evento?
3. “Garota Copa Pantanal 2014″: adolescentes com camisetas do Mundial em poses sensuais
Em março de 2012, foi denunciado o site “Garota Copa Pantanal 2014″ que publicava vídeos e fotos de garotas menores de 18 anos em posições sensuais e com camisetas promocionais alusivas ao torneio de futebol. O site era organizado por uma agência de modelos itinerante suspeita de levar jovens para a rede de exploração sexual.
No site do grupo, uma notícia postada no dia 6 de agosto de 2011 informa que a mesma garota irá para Zurique, na Suíça, em 2013, participar do sorteio das sedes da Copa das Confederações, que também ocorrerá no Brasil. Atualmente, essa participante está com 15 anos.
4. No entorno dos estádios, surge rede de exploração de crianças, adolescentes e mulheres
Há denúncias do aumento de exploração sexual, incluindo crianças e adolescentes, nos arredores dos estádios e das grandes obras urbanas da Copa de diversas cidades-sede. Em São Paulo, uma reportagem do jornal britânico “Mirror” revelou que garotas de 11 a 14 anos estão se prostituindo na região do Itaquerão, Zona Leste de São Paulo.
5. Para trabalhar durante o evento, mulheres se submetem a cirurgias plásticas e são exploradas para pagar suas dívidas
Mulheres que desejam emprego como trabalhadoras sexuais durante a Copa de 2014 devem se submeter a cirurgias plásticas. Por não terem o dinheiro necessário para a intervenção médica, são obrigadas a trabalhar de dez a doze horas por dia para quitar suas dívidas, e nas piores condições. Em condição análoga ao trabalho escravo, essas mulheres não conseguem sair das redes de exploração sexual e com certeza, tem alguém lucrando pelo seu trabalho.
6. Empresários do sexo já preparam seu lucro para a Copa de 2014
O mercado da prostituição deve crescer em 60% durante o Mundial, revelou uma reportagem da Folha de São Paulo. Em entrevistas, os empresários da exploração sexual se mostraram estar muito animados com a #CopadasCopas, que deve superar o lucro obtido na Fórmula 1 e outros eventos conhecidos como o “natal” do ramo.
Pensando nisso, os empresários procuram preparar seus empregados – em sua grande maioria, mulheres – para receber os turistas interessados. As trabalhadoras de uma das casas pesquisadas pela Folha estão aprendendo a falar “Você faz anal? Sim, mas cobro um extra” e outras expressões em inglês.
Apenas agora, às vésperas do Mundial de 2014, a presidente Dilma Roussef resolveu lançar uma campanha de prevenção contra a exploração sexual, uma política exigida por movimentos sociais, entidades e ONGs há muitos anos. Por que o governo demorou tanto se estudos já comprovavam o crescimento de redes de exploração sexual e tráfico humano durante mega-eventos? Será que agora, não é tarde para muitos jovens, crianças, mulheres e homens?
Um estudo da fundação francesa Scelles comprova que as grandes competições internacionais permitem que as redes criminosas “aumentem a oferta” de pessoas que são prostituídas. Na África do Sul, por exemplo, o número estimado aumentou de 100 para 140 mil, durante o megaevento de 2010.
O Brasil possui um dos maiores níveis de exploração sexual infanto-juvenil do mundo. De acordo com o Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, uma rede de organizações não-governamentais, estima-se que existam 500 mil crianças e adolescentes na indústria do sexo no Brasil (dados de 2012). Este índice tende a crescer ainda mais com a Copa de 2014[5].
No estado da Bahia, o terceiro em número de denúncias de violência sexual, apenas em dezembro de 2013 se divulgou uma campanha com o título “Fim da Prostituição e do Tráfico Infantil”. Além disso, as poucas campanhas realizadas até agora são relacionadas ao público infantil, campanhas estas que são mais aceitas pela sociedade e provocam adesão no combate.
Todavia, campanhas relacionadas a públicos estigmatizados, como mulheres e travestis, não recebem a devida ênfase, omitindo-se assim o fato de que se tratam de vítimas das condições sociais que as levaram à prostituição. Isso nos remete ao histórico de violação de direitos que perpassa até mesmo os planejamentos das políticas públicas.
Ativistas e organizações que combatem a exploração de pessoas indicam que o assunto não é prioridade para os governos, que continuam reprimindo as trabalhadoras e trabalhadores do ramo ao invés de desenvolver políticas públicas de prevenção à exploração sexual, dando-lhes outras condições e alternativas de sobrevivência. Políticas deveriam ter sido intensificadas logo que o país foi eleito sede da Copa do Mundo, o que não ocorreu.
É valido ressaltar que campanhas de combate à exploração sexual, até então, pouco tem se relacionado ao nome da Fifa. Será que esse é mais um requisito para trazer o torneio ao Brasil? Assim como é exigido a outras corporações, a Fifa também deveria cumprir leis de responsabilidade social, como, por exemplo, campanhas e ações na área do combate à exploração sexual, dados os inúmeros alertas e fatos que comprovam que o Mundial intensifica esse sombrio mercado.

sábado, 19 de outubro de 2013

Uma exposição sobre aborto chacoalha a Argentina

OP
http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/uma-exposicao-sobre-aborto-chacoalha-a-argentina/

Uma exposição sobre aborto chacoalha a Argentina

A cada ano, 500 mil mulheres cometem aborto ilegal na Argentina
A cada ano, 500 mil mulheres cometem aborto ilegal na Argentina
Título: “Tirem os rosários dos nossos ovários”. Três fotógrafas — uma argentina, uma alemã e uma francesa, querem, com fotos, estimular debate sobre o tema
“O aborto pertence à ilegalidade na vida cotidiana argentina”, diz a fotógrafa Lisa Franz. A alemã de 34 anos vive e trabalha em Buenos Aires. Ao lado da argentina Guadalupe Goméz Verdi e da francesa Léa Meurice, ela é responsável pelo projeto 11 Semanas, 23 Horas e 59 minutos, que trata do aborto ilegal na Argentina. O projeto fotográfico conta histórias pessoais de mulheres e casais, mas também de ativistas e médicos que lutam pelo aborto legal irrestrito, aconselham e ajudam as pessoas atingidas por uma gravidez indesejada.
“Para nós, era importante não retratar as mulheres como vítimas, mas trabalhar em conjunto com elas nas fotos. Queríamos mostrar muita pele, corpo, naturalidade e a liberdade, de escolher se você quer ou não ser mãe”, diz Franz. Apesar da proibição, de acordo com números do Ministério da Saúde argentino, cerca de 500 mil mulheres fazem aborto a cada ano, em uma população de 40 milhões de habitantes.
As fotógrafas responsáveis pelo projeto "11 Semanas, 23 Horas e 59 minutos"
O tema é sensível, diz Lisa Franz. Ela lembra que, apesar de a Argentina gostar de se mostrar como país modelo na América Latina na questão de igualdade de direitos, o machismo ainda é profundamente enraizado na sociedade, como em outros países da região: “O que conta não é a vida da mulher, mas sua função como mãe”, explica.
Sua barriga é nossa
Algumas semanas depois do início da exposição, mais de 20 pessoas mascaradas, com caixas de som tocando o Hino Nacional argentino ou Ave Maria, protestaram em frente ao local da mostra em Buenos Aires. O grupo era composto, em sua maioria, por homens que gritavam: “Feministas na fogueira!”. Eles também insultaram as fotógrafas Lisa Franz e Léa Meurice: “Fora com as estrangeiras que querem matar bebês argentinos!”.
Apesar de o protesto ter sido seguido por um pequeno grupo de fanáticos críticos ao aborto, a pressão de católicos e conservadores impede um debate mais abrangente na sociedade. “A escolha do argentino Jorge Bergoglio como Papa tornou a situação ainda mais difícil”, opina Lisa Franz.
O médico Germán Cardoso luta pela legalização do aborto
A presidente argentina, Cristina Kirchner, mostra pouco interesse em participar do polêmico debate – especialmente antes das eleições, acredita Mariela Belski, da Anistia Internacional. “O governo Kirchner tem a maioria no Congresso, mas mesmo assim, o tema não está em pauta. Essa é uma questão que pode ter custos políticos, já que o debate carrega enorme diferença de opiniões”. A Anistia Internacional argentina foca em campanhas educativas. “Não é uma opinião pessoal ou de crenças. Essa é uma das mais importantes questões de saúde pública e da vida das mulheres”. Uma vez que o Estado se priva de sua responsabilidade, creem as três fotógrafas.
“A questão também é financeira. Legalizar o aborto traria enormes custos para o sistema de saúde pública”, diz o médico Germán Cardoso, que também foi fotografado para o projeto. Ele mesmo realiza abortos, ilegalmente, por convicção, e, como ele afirma, mediante pagamento baseado na renda da paciente, mas que não passa de 3.500 pesos (cerca de 450 euros).
Avanços no continente
Outros médicos cobram até dez vezes esse valor, afirma Cardoso. “A proibição não impede que as mulheres façam o aborto. Em desespero, elas pagam somas exorbitantes, quem não pode pagar recorre a leigos ou usa as próprias mãos – muitas vezes com consequências fatais”.
Segundo a Anistia Internacional, acontecem complicações em entre 60 e 80 mil abortos ilegais realizados por amadores, sendo que cerca de cem deles terminam com a morte da mulher.
“Tirem seus rosários de nossos ovários”, pedem as defensoras do aborto em outros países da América Latina. No Chile, na Nicarágua e em El Salvador, o aborto é estritamente proibido e é punível. Em outros países da região, no entanto, a situação legal melhorou. No Uruguai, em Cuba e no México, o aborto passou a ser permitido até a décima segunda semana de gestação. No Brasil, na Colômbia e, desde setembro de 2012 também na Argentina, o aborto é permitido em caso de estupro ou se a gravidez traz risco de vida ou de saúde para a mulher.
Projeto não quer retratar mulheres como vítimas
Ironicamente, o conservador Mauricio Macri, prefeito de Buenos Aires, considerou a reforma inconstitucional e tentou vetá-la – sem sucesso. O Supremo Tribunal Federal a aprovou. No entanto, o governo municipal tentou, repetidamente, colocar obstáculos em sua implementação até hoje, criticam defensores dos direitos civis e os partidos de esquerda.
“Não somos políticas, somo artistas e queremos com nossas fotos quebrar o silêncio sobre esse tabu, que afeta milhões de mulheres em todo o mundo”, diz Franz. A iniciativa deu resultado, já que a exposição teve uma enorme repercussão na mídia. O projeto faz parte da campanha Meu Corpo, Meu Direito, da Anistia Internacional e está passando por diversas províncias argentinas.
A alemã espera poder levar o projeto à Europa, onde o debate sobre o aborto voltou a gerar controvérsia: o conservador governo espanhol quer reforçar suas leis contra a interrupção da gravidez. Já na Itália, o número de médicos que se recusam a praticar o aborto cresceu.