quinta-feira, 29 de setembro de 2011

belo monte - suspensão das obras

fonte: folha
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/982513-justica-suspende-construcao-de-belo-monte-no-rio-xingu.shtml

28/09/2011 - 18h29

Justiça suspende construção de Belo Monte no rio Xingu

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FELIPE LUCHETE
DE SÃO PAULO
A Justiça Federal no Pará determinou na terça-feira (27) a imediata paralisação das obras da usina de Belo Monte no rio Xingu, por considerar que 1.000 famílias que dependem da pesca serão prejudicadas. A decisão foi divulgada hoje.
Na liminar, o juiz federal Carlos Eduardo Castro Martins, da 9ª Vara Ambiental, proíbe "qualquer obra que venha a interferir no curso natural" do rio.
A implantação do canteiro de obras e de alojamentos, porém, não está suspensa.
A decisão judicial foi resultado de uma ação da Associação dos Criadores e Exportadores de Peixes Ornamentais de Altamira (PA). A associação diz que a hidrelétrica vai inviabilizar a atividade pesqueira na região, pois as principais espécies de peixes seriam extintas.
Para o juiz, o prazo estabelecido para compensar quem vive da pesca é muito longo. Segundo ele, o projeto ambiental de Belo Monte só permite que pescadores retomem as atividades em 2020, prazo da última fase do projeto de aquicultura.
Caso descumpra a decisão, o consórcio Norte Energia, responsável pelas obras, terá de pagar multa diária de R$ 200 mil.
O Ibama concedeu em junho a licença de instalação de Belo Monte, que autoriza o início das obras. O Ministério Público Federal no Pará pediu a suspensão da licença.
A Norte Energia disse que ainda não foi notificada da decisão e que já prevê ações para mitigar impactos na pesca.

POLÍTICA / MAGGI E OS MAQUINÁRIOS

fonte: midianews
http://www.midianews.com.br/?pg=noticias&cat=1&idnot=64410


POLÍTICA / MAGGI E OS MAQUINÁRIOS




  • Promotor Fúrio lamenta arquivamento: "Uma pena!"

  • Chefe do Patrimônio Público diz que há indícios de participação de ex-governador Blairo em esquema


  • Arquivo 

    Promotor diz que há indícios suficientes da participação de Blairo Maggi em esquema dos maquinários

    ALEXANDRE APRÁ
    DA REDAÇÃO
    O promotor Célio Joubert Fúrio, coordenador da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Cuiabá, lamentou a decisão do procurador de Justiça Hélio Fredolino Faust de arquivar o inquérito civil que começou a apurar a possível participação do ex-governador, e hoje senador, Blairo Maggi (PR), no esquema de superfaturamento no valor de R$ 44 milhões na compra de maquinários pelo governo do Estado, em 2009.

    Como se tratava de governador, a autorização para continuar a investigá-lo deveria ser dada pelo procurador-geral Marcelo Ferra. Por isso, os promotores Gilberto Gomes, Célio Joubert Fúrio, Clóvis de Almeida Júnior, Mauro Zaque de Jesus e Gustavo Dantas Ferraz encaminharam ofício nesse sentido. Ferra passou a missão de analisar o pedido a Faust, que o arquivou.

    MidiaNews teve acesso ao ofício em que Faust, que coordena o Núcleo de Ações de Competência Originária (NACO) do Ministério Público Estadual (MPE), comunica os promotores do Patrimônio Público o arquivamento.

    Ao dar ciência sobre a decisão, Célio Fúrio fez uma observação no documento, de próprio punho: "Uma pena!".

    Faust entendeu que não houve participação de Maggi na elaboração dos editais fraudulentos que resultaram na compra superfaturada dos equipamentos, comprados com recursos federais do Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES).

    "Portanto, seja na confecção e elaboração dos editais e de seus termos de referenciam quanto aos pregões/registro de preços nº 87/2009 e 88/2009m ou no tramitar das licitações propriamente ditas, efetivamente não houve participação algum do ex-governador, não havendo como querer se impor qualquer feixe de responsabilidade, seja a título de dolo ou culpa", argumentou o procurador, após analisar os depoimentos dos envolvidos.

    Participação
    Em entrevista ao site, Célio Fúrio explicou que as investigações conduzidas pelo Núcleo do Patrimônio Público, que apontaram o conluio entre empresas e membros do governo estadual, apontaram a participação do ex-governador no esquema.

    "Legalmente, não temos a prerrogativa nem de investigar nem de propor ação ao chefe do Executivo. Se fizemos esse encaminhamento ao procurador-geral de Justiça é porque tínhamos indícios suficientes para apontar o envolvimento dele [Maggi]. Mas, respeito a avaliação dos meus colegas do Ministério Público, mas, nosso entendimento é totalmente contrário: há claros indícios de participação do ex-governador", explicou o promotor.

    Fúrio, entretanto, preferiu não polemizar o fato do procurador-geral de Justiça, Marcelo Ferra, ter delegado a outro procurador a tarefa de investigar Blairo Maggi. Em muitos casos, segundo ele, os casos de competência do procurador-geral que envolvem Patrimônio Público são delegados aos próprios promotores, o que não aconteceu no caso envolvendo o ex-governador.

    Ferra preferiu encaminhar o caso ao procurador Hélio Fredolino e não à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. À época em que decidiu tomar essa decisão, Ferra foi questionado. Nos bastidores, o encaminhamento foi considerado uma "manobra" para beneficiar o ex-governador Blairo Maggi.

    O promotor Célio Fúrio preferiu não comentar o embasamento jurídico da promoção de arquivamento assinado pelo procurador Hélio Fredolino Faust. "No meio jurídico há muitos entendimentos diferentes, então não me cabe julgar o entendimento do colega. Mas, nosso entendimento é totalmente diferente. Talvez ele até esteja certo mesmo porque ele é um membro com experiência e bastante competente", pontuou o promotor.

    Agora, caberá ao Conselho Superior do Ministério Público, em sessão plenária, homologar ou não o arquivamento do caso. O coselho é formado pelos procuradores: Marcelo Ferra, Mauro Viveiros, Luiz Scaloppe, Mauro Delfino, Luiz Eduardo Jacob, Eliana Maranhão Ayres, Siger Tutiya, Paulo Prado, Edmilson da Costa Pereira, Vivaldino Ferreira de Oliveira e José de Medeiros.

    Outro lado

    A assessoria de imprensa do Ministério Público informou que o procurador Hélio Fredolino Faust não dá entrevistas para a imprensa.

    O procurador-geral de Justiça, Marcelo Ferra, também foi procurado pela reportagem para comentar a decisão do arquivamento e o posicionamento do promotor Célio Fúrio. Sua assessoria de imprensa ficou de contatá-lo e retornar.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Antes de ser Agro, sou Bio!

fonte: o eco
http://www.oeco.com.br/reuber-brandao/25304-antes-de-ser-agro-sou-bio


É essa a paisagem que nós queremos? Seria uma pena no Brasil, o país de maior biodiversidade do planeta. Foto: Jeff Belmonte
Ninguém é contra o agro. Sempre achei esse tema extremante bobo e, por isso mesmo, sem graça para merecer um texto. No entanto, as falácias colocadas por setores do agronegócio, repetidas pelo movimento “Sou Agro”, me levaram a escrever esse texto.

Para começo de conversa, ninguém com um mínimo de sanidade mental nega a relevância, a beleza e a importância das atividades agrícolas. Não é esse o ponto. A agricultura e a pecuária são atividades imprescindíveis para toda a humanidade. A produção e a segurança no fornecimento de alimentos permitiram o crescimento das cidades e das sociedades. A pecuária afetou profundamente nossa resistência a doenças, garantiu a proteína na dieta, permitiu formar cavalarias, criou modalidades esportivas. A agricultura contribuiu com a segurança alimentar, permitiu a domesticação de diversas variedades de plantas e influenciou profundamente a cultura de muitos povos. Nos dias atuais, diversos produtos da agropecuária são relevantes artigos de exportação que ajudam, e muito, a fazer com que a balança comercial brasileira obtenha resultados positivos. Os benefícios da agricultura são muitos e conspícuos.

A agricultura e a pecuária tem ares de milagres. Trabalhar a terra, acompanhar o crescimento das plantas e dos animais, produzir alimentos, sentir o sol no rosto e o sal do suor na boca. Esperar a chuva na hora certa. Sofrer e se alegrar com o trabalho... Sem dúvida, o proprietário rural é um guerreiro valoroso. E, muitas vezes, parece que as regras e as normas governamentais existem mais para atrapalhar do que para ajudar aqueles que tanto trabalham para gerar alimentos.

“Na verdade, a agricultura é o setor produtivo que mais depende de serviços ambientais para ser viável. Sem água, sem polinizadores, sem condições climáticas propícias, não existe maquinário, insumo ou reza brava que funcione...”
Como alguns setores da sociedade brasileira se atrevem a contestar a agropecuária? Logo a agropecuária que tanto faz pelo país, que ajudou a ocupar regiões onde antes só havia mato e bichos! Logo a agropecuária, que produz as matérias-primas que todos os brasileiros (e o mundo) usam, demandam e necessitam! Se você almoçou hoje, agradeça a um agro! Se você usou roupas, agradeça a um agro. Se você andou de carro, agradeça a um agro. Se você está hoje de ressaca por conta do churrasco de ontem, agradeça a um agro! Mais que isso, se você fez alguma dessas coisas, você é agro!

Este é o ponto no qual quero chegar. O Movimento Sou Agro é muito bem feito, é muito rico e tem grande aceitação no público em geral. No entanto, muitos dos argumentos usados para sensibilizar a sociedade são ingênuos, falaciosos e também perigosos, que em nada melhoram a relação da agricultura com a população ou com os outros setores produtivos da sociedade.

Só sou Agro porque existe o Bio

A produção de bens de consumo não é exclusividade da agricultura. Na verdade, a maior parte dos produtos derivados de produtos agrícolas só chega a nós porque outros setores produtivos desenvolveram a tecnologia necessária ao seu beneficiamento e transformação. Não é porque uso o vaso sanitário que sou Deca, tão pouco sou Sony porque ouço músicas ou sou Intel porque digito no teclado do meu computador. Dizer que todo brasileiro é agro porque consume um produto derivado de algo produzido em uma fazenda é desmerecer a complexidade da nossa sociedade, é desconhecer o intricado caminho da produção, bem como o papel dos diferentes atores nesse processo. É muita presunção acreditar que apenas a agricultura é relevante na sociedade brasileira. Se um carro usa etanol, não foi a agricultura que desenvolveu o motor que utiliza esse combustível, tão pouco os teares que produzem os tecidos. A própria agricultura depende fortemente de outras indústrias, como a química, sem as quais a atividade agrícola pode se tornar inviável.

“...menos de 20% dos fazendeiros brasileiros detêm 3/4 das terras agrícolas do país. Mesmo assim, as propriedades rurais familiares são responsáveis por 70% da produção brasileira de alimentos e empregam muito mais que os grandes proprietários.”
Se este argumento é válido, somos todos Bio, afinal de contas respiramos gases produzidos por organismos fotossintetizantes que independem do nosso cultivo. O melhoramento de variedades agrícolas depende do conhecimento acerca do patrimônio genético da natureza. A fertilidade e estrutura do solo dependem fortemente dos microrganismos envolvidos na ciclagem de nutrientes e na formação da matéria orgânica. Populações de animais daninhos são eficientemente controlados por predadores naturais. Um morcego insetívoro ingere diariamente o seu próprio peso em mariposas e outros insetos que se alimentam de culturas agrícolas. A produtividade de diversos cultivares, notadamente de frutas, depende de polinizadores. Na verdade, a agricultura é o setor produtivo que mais depende de serviços ambientais para ser viável. Sem água, sem polinizadores, sem condições climáticas propícias, não existe maquinário, insumo ou reza brava que funcione... Se é agro, é bio, antes de mais nada. É uma pena que ainda existam grupos que não consigam entender o óbvio ululante.

Sou Agro, sou falacioso...

O Movimento Agro reúne alguns dos grupos mais poderosos da agropecuária brasileira. Grupos que tradicionalmente se beneficiam de vultosos financiamentos de bancos públicos. Grupos que representam proprietários de grandes nacos do território nacional.

O objetivo do Movimento Agro é, aparentemente, trivial. É buscar apoio social entre as pessoas que moram nos ambientes urbanos e que podem não entender a importância da agricultura na suas vidas. Bancado por grandes grupos, contrataram artistas globais “simpáticos” e conhecidos da população urbana para convencer que a agricultura praticada por eles é linda... Hum...

Segundo dados dos censos agropecuários, mais de 80% das propriedades rurais do Brasil são caracterizadas como familiares. No entanto, a despeito da grande superioridade numérica, esse tipo de fazenda ocupa menos de um quarto da superfície total das fazendas brasileiras. Ou seja, menos de 20% dos fazendeiros brasileiros detêm 3/4 das terras agrícolas do país. Mesmo assim, as propriedades rurais familiares são responsáveis por 70% da produção brasileira de alimentos e empregam muito mais que os grandes proprietários.

Desta forma, é claro que existe um grande conflito social no Brasil. De um lado, pequenos proprietários que trabalham muito, produzem com mais qualidade e investem na mão de obra e na diversificação de produtos. De outro lado, grandes proprietários que vivem de financiamentos públicos, produzem em grandes monoculturas, investem em maquinário e têm dinheiro para montar grandes peças midiáticas visando atingir um público específico.

“Qual é o objetivo final do Movimento Agro? Criar na sociedade a sensação de que a agricultura não deve ser fiscalizada? Que a legislação ambiental agride a bela agricultura e que certas leis, como o Código Florestal, apenas servem para punir o nobre, trabalhador e essencial fazendeiro? Calma lá...”
Desta forma, tenho dúvidas que esse Agro realmente cresça forte e saudável. Esse Agro me parece ser o mesmo que acredita que “desenvolver” é fagocitar territórios inteiros e rapidamente convertê-los em paisagens monótonas, mantidas à custa de muita química e muita água. Que não consegue entender que os serviços ambientais são bens comuns, que não devem ser privatizados ou degradados. Uma agricultura que tenta convencer que é mais valiosa que a natureza, que a conservação de nascentes, que a manutenção de reservas legais. Que visa ocupar as áreas de proteção permanente, que ambiciona incorporar todas as fatias de terra do Brasil ao seu “modelo” de produção, de desenvolvimento, de crescimento. Uma agricultura baseada no abandono de terras degradadas para adquirir novas terras nas fronteiras agrícolas, que também serão abandonadas no futuro. Uma agricultura que deixou para trás mais de 300 mil de hectares degradados e improdutivos apenas no bioma Cerrado. Um modelo arcaico de agricultura depredatória, que repete uma lógica criada nos anos 70, onde alguns acreditavam que o único destino do Brasil era se tornar o celeiro do mundo.

Sou Agro, sou perigoso?

A história é rica em exemplos onde grupos humanos que se consideravam, por alguma razão obscura, superiores ou melhores que outros grupos humanos, causaram grandes conflitos, muitos dos quais resultaram em guerras e massacres. Argumentos vazios e falaciosos, agindo sobre as emoções das pessoas, levaram ao massacre de judeus na Europa nos anos 40, no assassinato de tutsis pelos hutus em Ruanda, no extermínio de albaneses pelos sérvios no Kosovo.

A agricultura é importante e realmente deve ser valorizada, mas todo cidadão brasileiro possui direitos e deveres. É normal acreditarmos que nosso trabalho é importante, que nosso trabalho engrandece, mas nunca devemos minimizar a importância do trabalho alheio, por menos que o entendamos. O Movimento Agro é proselitista e visa criar a sensação de que apenas a agricultura cresce no Brasil, que todo brasileiro deve algo a eles. Qual é o objetivo final do Movimento Agro? Criar na sociedade a sensação de que a agricultura não deve ser fiscalizada? Que a legislação ambiental agride a bela agricultura e que certas leis, como o Código Florestal, apenas servem para punir o nobre, trabalhador e essencial fazendeiro? Calma lá...

“O Brasil, país detentor da maior biodiversidade do planeta, também é uma potência agrícola. Essa é a maior prova de que não existe nada de errado em produzir e conservar. Produzir de verdade e conservar de verdade. Não existe incompatibilidade nisso.”
Realmente espero que o objetivo deste movimento não seja esse. No sítio do movimento lemos que “o Brasil pode perfeitamente ser a potência dos alimentos, da energia limpa e dos produtos advindos da combinação da ciência com a nossa megabiodiversidade” e que o “setor gera benefícios para toda a sociedade para pautar o futuro do Brasil com base no desenvolvimento sustentável”. Espero que a supracitada combinação de ciência com “megabiodiversidade” não seja entendida pelo movimento apenas como a produção de organismos geneticamente modificados, visando somente a produtividade agrícola, mas sim a conservação da biodiversidade e dos processos ecológicos-evolutivos responsáveis por sua manutenção, nem que o tão batido “desenvolvimento sustentável” seja apenas o sustento do desenvolvimento agrícola.

A agropecuária e a conservação podem andar juntas!

Gado curraleiro, no Nordeste, também chamado de Pé Duro. Ele foi substituído pelo zebuíno criado em sistema de monocultura. Foto: www.nordesterural.com.br
A questão da agropecuária vai muito além do Movimento Sou Agro. A maior parte do território brasileiro está nas mãos de proprietários rurais. Existem mais de 5 milhões de fazendas espalhadas por todo o território nacional. É impossível fazer conservação de biodiversidade no Brasil sem o apoio dos agricultores, da mesma forma que a conservação necessita trazer benefícios para quem está no campo. O Brasil, país detentor da maior biodiversidade do planeta, também é uma potência agrícola. Essa é a maior prova de que não existe nada de errado em produzir e conservar. Produzir de verdade e conservar de verdade. Não existe incompatibilidade nisso.

A agricultura e a pecuária, como diversas outras atividades, sempre dependeram de serviços ambientais e do meio ambiente equilibrado para seu sucesso. A agricultura depende da oferta de água, depende da polinização, depende da conservação do solo, depende de um clima previsível. Conheço muitos proprietários rurais que percebem isso e entendem que podem compatibilizar a produção agrícola com a preservação dos processos ecológicos (e dos organismos que os mantêm) em suas propriedades. Nunca houve incompatibilidade entre produção e conservação. A quem interessa alimentar essa celeuma? Certamente não interessa à sociedade brasileira.

Para garantir que a conservação e a produção andem juntas, é necessário, antes de tudo, seriedade na ocupação do território. Isso significa não apenas planejamentos patrocinados pelos governos em grandes escalas territoriais, mas também na ocupação do solo nas fazendas. A preocupação com a conservação do solo, a manutenção das matas ribeirinhas, o cuidado com a água e a vegetação é uma prova do respeito do proprietário com sua própria terra, com a sustentabilidade da terra que ele vai deixar para os seus filhos.

O agro que respeita será recompensado

A economia está mudando. Os mecanismos econômicos de pagamento por serviços ambientais estão sendo refinados e em pouco tempo estarão operando. Proprietários que contribuem com a conservação destes serviços podem receber receitas relevantes pelo simples fato de terem conservado atributos ambientais em suas propriedades. Diversos serviços podem ser explorados nas propriedades rurais onde existam atributos ambientais relevantes. Basta que proprietários empreendedores e conscientes atuem em tais oportunidades. O preconceito de algumas poucas pessoas dos diferentes setores (conservacionista e agrícola) em nada contribui para a percepção de tais oportunidades.

Certas abordagens de pesquisa, como o estabelecimento de “Parques do Pleistoceno”, podem demonstrar a importância da pecuária em pastagens nativas no Brasil e, porque não, na relevância do gado para o aumento da diversidade vegetal e o controle de incêndios florestais? O agronegócio contribuiu fortemente para que raças de gado nacionais, como o robusto, leve e manejável caracu e os resistentes curraleiros, os quais se adaptam às pastagens nativas e a uma enormidade de fontes de alimento, fossem substituídos por zebuínos criados em sistemas de monoculturas de gramíneas exóticas. É esse o Brasil que cresce saudável?

O Brasil é um país agrícola. Todo brasileiro reconhece a importância da agricultura. No entanto, o brasileiro reconhecerá cada vez mais a importância dos agricultores que entendem e contribuem para a conservação do patrimônio natural do Brasil, que enxergam o futuro e pensam nos filhos dessa terra.

(Este texto contou com excelentes sugestões de Fernando Fernandez.)

teles pires

fonte: ihu notícias
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=47857


 
28/9/2011
 
Usina retrata conflitos do norte de MT
 
Do instante em que brotam nas nascentes da Serras Azul e do Finca Faca, no Sul do Mato Grosso, até desembocarem no extremo Norte do Estado, fronteira com o Amazonas e o Pará, as águas do Teles Pires vão cortar todo o Cerrado, para depois mergulharem na floresta amazônica. Neste percurso de 1.431 quilômetros, entre um ecossistema e outro, o Teles Pires cruza regiões marcadas pela extração ilegal de madeira, ações de garimpeiros, conflitos indígenas, cidades de infraestrutura precária, assentamentos ilegais e caos fundiário. É neste cenário que começaram a ser erguidas as primeiras usinas do "Complexo Teles Pires", projeto energético do governo que prevê a instalação de seis hidrelétricas na região, com capacidade de gerar 3,6 mil megawatts (MW). Esse conjunto de obras, que movimentará cerca de R$ 20 bilhões e mais de 20 mil empregos diretos nos próximos anos, transforma o Complexo Teles Pires em um dos maiores empreendimentos de geração do país, só atrás das usinas do rio Madeira, em Porto Velho, e de Belo Monte, no Pará.

A reportagem é de André Borges e publicada pelo jornal Valor, 28-09-2011.

Por estradas e pelo rio, o Valor percorreu as regiões que já começaram a sentir os efeitos da construção deColíder e de Teles Pires, as duas primeiras hidrelétricas do complexo que foram licitadas e que tiveram suas obras iniciadas recentemente. O que se evidencia, das conversas com a população local e o poder público, é que não houve compreensão quanto ao reais impactos socioambientais que as obras vão gerar na região.

usina de Teles Pires, maior empreendimento do complexo, é o exemplo mais evidente dessa situação. EmAlta Floresta, município de 49 mil habitantes que será atingido pela construção da usina, a prefeitura acredita que até 30 mil pessoas deverão migrar para a cidade nos próximos dois anos. O consórcio Teles Pires, porém, responsável pela construção e operação da hidrelétrica, estima que 12 mil pessoas deverão migrar para a região. "Os números são absolutamente contraditórios. Nosso levantamento mostra que, de um ano para cá, 10 mil pessoas de fora estão circulando pela cidade por conta da usina", diz o secretário de administração de Alta Floresta, Rodrigo Arpini.


O entendimento sobre os impactos socioambientais é item básico para que os municípios possam apresentar uma lista de ações compensatórias devido ao saldo negativo gerado pelas usinas. No caso de Teles Pires, que teve as obras iniciadas há apenas três semanas, a desconfiança dos municípios quanto às projeções apresentadas pelos empreendedores da usina levaram a uma exigência inédita: entre as obrigações do consórcio Teles Pires foi incluída a contratação de uma consultoria independente, uma empresa que irá avaliar se, durante o período de construção da hidrelétrica, os impactos sentidos pelos municípios são, de fato, aqueles projetados pelo consórcio. Se for encontrada qualquer situação diferente daquela previamente desenhada, os empreendedores serão obrigados a abrir o bolso para resolver o problema. Como garantia, foi criado um fundo de reserva de R$ 10 milhões para bancar os eventuais custos extras. Esse recurso ficará disponível para os municípios até um ano após o início de operação da usina e terá de ser recomposto toda vez que for utilizado. "Precisávamos dessa segurança, porque realmente não temos uma noção clara do que vai ocorrer com a cidade", diz Gércio Luiz França, coordenador do departamento de projetos de Alta Floresta.

O projeto do consórcio Teles Pires, sociedade formada pela Neoenergia (50,1%), Eletrobras Eletrosul(24,5%), Eletrobras Furnas (24,5%) e Odebrecht Participações e Investimentos (0,9%), se baseia em estudos realizados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Quanto ao impacto nas comunidades indígenas Kaiabi Apiaká, que habitam a região, estudos interdisciplinares foram conduzidos por antropólogos e biólogos da empresa JGP Consultoria. A reportagem procurou a EPE para comentar o assunto, mas a autarquia vinculada ao Ministério de Minas e Energia não se manifestou até o fechamento dessa edição.

Nesta semana, conforme adiantou o Valor na semana passada, o Ministério Público Federal no Pará e o Ministério Público do Estado Mato Grosso enviaram uma notificação conjunta ao Ibama, pedindo que o órgão paralise as obras de Teles Pires enquanto as dúvidas sobre os impactos da obras não forem esclarecidos e a auditoria externa, contratada. O consórcio Teles Pires nega formalmente qualquer ato de negligência para contratar o serviço de auditoria e sustenta que aguarda apenas a indicação da empresa pelos municípios para que o contrato seja formalizado.

As desavenças entre poder público e privado estão ainda mais acirradas na construção da usina de Colíder, entre os municípios de Nova Canaã Colíder. A hidrelétrica de R$ 1,6 bilhão e 342 megawatts (MW) de potência foi iniciada em março, mas desde a semana passada está embargada pelo Ministério Público Estadual (MPE) do Mato Grosso e a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) do Estado. A paralisação, diz o promotor de Justiça,Marcelo Caetano Vacchiano, foi motivada por uma série de irregularidades nas áreas de engenharia e meio ambiente cometidas pela Companhia Paranaense de Energia (Copel), responsável pela usina. O prefeito de Colíder, Celso Paulo Banazeski (PR), pede R$ 44 milhões em ações compensatórias para o município. A Copel, diz o prefeito, não fez até agora nenhum repasse à cidade. Uma reunião para negociar um acordo com a empresa está marcada para amanhã, em Cuiabá.

Enquanto os acordos não saem, o dia a dia das pequenas cidades do entorno das usinas exibe os primeiros efeitos do que vem pela frente. Em Alta Floresta, há 15 hotéis disponíveis, mas outros cinco já estão em construção. O aeroporto terá de ser ampliado. Pequenos empresários da cidade, como Karen Anne Back, dona da locadora de veículos Viabili, sentem na pele a movimentação. Um ano atrás, Karen comprou a pequena locadora, que até então tinha seis veículos usados na garagem. Hoje está com 86 carros, dos quais a maioria é caminhonete, para aguentar as estradas de terra. "É tudo por conta da usina. Acredito que dobraremos nossa frota em um ano", dizKaren, que cobra R$ 500 pela diária de uma picape.

O crescimento do comércio desperta toda sorte de interesses na região. Na semana passada, entrou no ar um site de prostituição em Alta Floresta. Panfletinhos com garotas de programa passaram a circular no entorno do pequeno Aeroporto municipal Benedito Santiago. Foi um reboliço na cidade. Preocupada com a agitação, a prefeitura foi à caça e conseguiu localizar a proprietária do site, que acabou retirando a página da internet. Os panfletos foram recolhidos.

Para ler mais:

matupá - 21 anos depois

fonte: 24 news


Depois de 21 anos acusados da chacina de Matupá serão julgados| Vídeo 
Redação 24 Horas News

Leia Também:
» Júri popular traz à tona requintes de crueldade, violência e barbárie durante chacina em MT
Dezoito homens acusados de promover uma chacina no Município de Matupá (695km a norte de Cuiabá), em novembro de 1990, sentarão no banco dos réus no mês de outubro. Em virtude do grande número de réus, o juiz titular da Comarca de Matupá, Tiago Souza Nogueira de Abreu, determinou o desmembramento do processo e marcou quatro sessões para a realização do júri popular.
O grupo é acusado de torturar e queimar, ainda vivos, Ivacir Garcia dos Santos, 31, Arci Garcia dos Santos, 28, e Osvaldo José Bachinan, 32. Os três, durante uma tentativa de assalto, haviam entrado em uma residência do município e mantido duas mulheres reféns, por mais de 15 horas. A Polícia Militar foi acionada e os assaltantes se renderam. Os meliantes assim que se entregaram foram capturados pelos populares, levados até a praça pública, espancados e queimados.
A reportagem Agnaldo Miranda, traz cenas da ação que foi registrada à época por um cinegrafista amador. As imagens, chocantes, repercutiram em todo o mundo.


Vídeo contém imagens fortes
 
 
 

festival aproxima brancos e indígenas

fonte: i ikatu xingu
http://www.yikatuxingu.org.br/2011/09/06/festival-mato-grossense-de-artes-e-tradicoes-gauchas-promove-aproximacao-entre-brancos-e-indios/


Festival mato-grossense de Artes e Tradições Gaúchas aproxima brancos e índios


Christiane Peres, ISA
Xinguanos aproveitam festival tradicional gaúcho realizado em Canarana (MT) para apresentar sua cultura e mostrar que o convívio entre brancos e índios pode – e deve – ser harmônico.
Produzidos com colares, cocares e pinturas corporais, 40 indígenas do Parque Indígena do Xingu (MT) apresentaram um pouco de sua cultura na II Etapa do Circuito Femart (Festival mato-grossense de Artes e Tradições Gaúchas), no dia 28 de agosto, em Canarana (MT). Liderados pelo professor indígena e diretor da Atix (Associação Terra Indígena do Xingu) Mutuá Kuikuro, os xinguanos pararam o baile e chamaram a atenção das 400 pessoas que lotavam o Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Pioneiros do Centro-Oeste.
No ano em que o Parque completa 50 anos de criação, esta foi uma oportunidade dos índios mostrarem um pouco da sua cultura aos vizinhos da cidade. Em breve discurso, Mutuá ressaltou o histórico de conflitos entre brancos e índios. Lembrou a todos os presentes – em sua maioria de origem europeia – que “os índios não gostam dos brancos e que os brancos não gostam dos índios”, mas que havia ali uma oportunidade de mudar esse cenário. A inesperada fala arrancou muitas palmas da plateia, e com um clima que variava entre “admiração e incômodo”, conforme relata Rodrigo Junqueira, coordenador adjunto do Programa Xingu, do Instituto Socioambiental (ISA), os índios dançaram durante 30 minutos para o público presente no CTG. “O público presente assistiu a tudo com respeito e atenção Em tempos de tensão, posições polarizadas e ânimos acirrados sobre o Código Florestal, Unidades de Conservação e Terras Indígenas foi algo impressionante de ver”, diz.
A maior parte dos xinguanos pisou num CTG pela primeira vez e a troca cultural foi intensa: mistura de culturas, símbolos, indumentárias. Lá, eles puderam conhecer um pouco mais das tradições gaúchas, com as prendas de vestidos rodados de manga longa e com peões de bombachas, guaiacas, lenços e esporas. Aprendizado e conhecimento mútuo.
Para José Mitielo, vice-patrão do CTG, a experiência foi única e permitiu uma troca ainda não vista na região. “Eles são nossos companheiros na cidade e muita gente não sabe nada sobre eles. Daí surgiu a ideia de trazê-los para o encerramento do nosso festival. Foi um momento maravilhoso. E o principal é que muita gente passou a olhar diferente para os índios depois disso, com mais respeito. E esse era o nosso objetivo, começar uma aproximação entre essas duas partes e deu certo”, conta.
Sinal de que uma semente para o convívio mais harmônico foi plantada veio ao final do encontro, quando uma jurada do festival, trajada tipicamente, pediu desculpas, como descendente de europeus, pelas barbaridades que ocorreram ao longo da história contra os indígenas. Marioni Fischer veio de fora para o evento. Ainda mora na região Sul e ficou encantada com a vibração dos xinguanos em suas apresentações. Formada em dança, ela vê na marcação das batidas dos pés dos índios sua forte relação com a natureza. “Desde criança tenho interesse na cultura indígena e poder ver esta apresentação foi um presente. É uma manifestação tão diferente da nossa cultura europeia. Fica claro na dança deles a relação com a terra. Isso é tão forte. E a gente se afasta tanto das nossas raízes, do que importa realmente. Foi de fato um presente poder presenciar tudo isso.”
Assista ao vídeo:
Em outubro, a população canaranense terá ainda mais uma chance de conhecer parte da história dos xinguanos. Depois das comemorações dos 50 anos do Parque Indígena do Xingu realizadas na aldeia Ipavu, do povo Kamaiurá, e em São Paulo, na Cinemateca, será a vez da pequena cidade matogrossense receber a exposição fotográfica Xingu + 50. A mostra, organizada pelo ISA, retrata passado, presente e propõe um debate sobre o futuro da primeira grande terra indígena demarcada no País.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

alimento orgânico

fonte: o eco
http://www.oeco.com.br/multimidia/videos/25316-alimento-organico-o-sonho-da-autossuficiencia



Alimento orgânico: o sonho da autossuficiência


27 de Setembro de 2011



Para alguns consumidores, uma alternativa de vida mais saudável. Para os agricultores, também a oportunidade de um novo negócio. Nesta vídeo-reportagem, conheça todo o processo de cultivo de alimentos orgânicos, da compostagem à mesa.

O protagonista dessa história é o agricultor orgânico, Jorge Studer, que nos recebeu no Sítio Aredês, sua propriedade no município de Teresópolis, região serrana do estado do Rio de Janeiro. Depois de largar a carreira de administrador na Suíça, virou agricultor e mudou-se para o Brasil. O objetivo principal de Jorge é alcançar a total subsistência, vendendo somente o excedente da produção.

De acordo com o produtor, esse é um caminho viável para agricultores conquistarem maior autonomia e independência, livres da necessidade de compra de insumos agrícolas (como agrotóxicos). Sua propriedade, de 48 hectares, é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) e protege integralmente 40% de sua área. Localizado na Zona de Amortecimento do Parque Estadual dos Três Picos é um exemplo de atividade sustentável na região.

A produção depende da estação do ano. Em setembro, nesse início de primavera, a variedade oferecida por Jorge impressiona. Além de mel, banana e limão, que ele tem o ano todo, ele tem Yacon (uma raiz andina com sabor que lembra a maçã), inhame, feijão, aipim, abóbora, salsa e cebolinha, grama de trigo, broto de alfafa, alface, azedinha, repolho, couve, acelga, alho-poró, cenoura, couve-flor e beterraba. Esperemos que essa bem-sucedida experiência desperte o interesse de outros produtores em potencial.

Serviço: Sítio Aredês, conhecido na região como Sítio do Jorge, telefone 21-2644-7815


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