domingo, 28 de agosto de 2011

presídios e péssima alimentação

fonte: gazeta digital
http://www.grupogazeta.com.br/conteudo/show/secao/9/materia/290440


Comida é considerada de péssima em presídios

 
Redação do GD
Comida servida a reeducandos e servidores da segurança pública é de péssima qualidade e chega até azeda no horário de almoço e janta. Apenas uma empresa é responsável por preparar e distribuir 11 mil refeições por dia encaminhadas ao Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC), Penitenciária Central do Estado (PCE), delegacias da Capital, Várzea Grande. Entre os policiais já há iniciativa para parar de receber as marmitas e no sistema prisional o receio de que o problema motive rebelião.
Dores de barriga e diarreia são frequentes entre os 2,7 mil reeducandos que vivem na PCE e CRC. A reclamação também é quando a comida chega “incomível”, relata um dos internos. A qualidade da alimentação sempre foi um desafio dentro dos presídios. Há 3 anos, quando ainda atuava pelos corredores dos presídios, o presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário de Mato Grosso, João Batista, lembra que foi ameaçado de ser refém por causa de comida

sábado, 27 de agosto de 2011

che guevara



O verdadeiro revolucionário é guiado 

por grandes sentimentos de generosidade. 

É impossível imaginar um revolucionário autêntico 

sem esta qualidade. 


~ Che Guevara



silval barbosa e compra irregular de terras

fonte
http://www1.folha.uol.com.br/poder/966144-governador-de-mt-e-suspeito-de-compra-irregular-de-terras.shtml


Governador de MT é suspeito de compra irregular de terras



RODRIGO VARGAS
DE CUIABÁ

A Justiça Federal de Mato Grosso deu ordem de busca e apreensão de documentos em dois cartórios de Peixoto de Azevedo (MT) para investigar uma negociação de terras entre o governador do Estado e um cacique indígena.

Silval Barbosa (PMDB) declarou que em 2009, quando ainda era vice-governador, comprou 4.225 hectares do cacique da etnia terena Cirênio Reginaldo Francisco.
A propriedade foi o mais valioso bem informado por Silval à Justiça Eleitoral em 2010: R$ 600 mil, equivalente a 30% de seu patrimônio.
Divulgação
Silval Barbosa (foto) afirma ter adquirido 4.225 hectares que estavam em nome de índio, que não reconhece transação
Silval Barbosa (foto) afirma ter adquirido 4.225 hectares que estavam em nome de índio, que não reconhece transação

Em sua declaração, Silval diz que as terras foram adquiridas de Cirênio em parcelas.
Num vídeo em poder do Ministério Público Federal, o índio diz que jamais fez qualquer negócio com Silval: "Na dependência que nós estamos de dinheiro na nossa aldeia, se tivéssemos recebido R$ 600 mil nossa situação estaria muito melhor", diz ele.

Segundo a Folha apurou, o vídeo foi feito por um jornalista no último dia 9 e entregue ao Ministério Público.
No Cartório de Imóveis de Peixoto de Azevedo, a negociação está registrada no dia 29 de junho de 2009. Cirênio diz que só ficou sabendo do negócio em 2010, quando o TSE divulgou as listas de bens dos candidatos. "Fiquei surpreso. E não somente eu. Os comerciantes vieram nos cobrar [dívidas]."
No vídeo, Cirênio diz que tentou contato com o governador em janeiro deste ano. Em fevereiro, o mesmo cartório registrou um "distrato" de compra e venda, no qual o governador supostamente devolveu as terras ao índio.
"Não sei quem fez isso", diz o índio", que não reconhece suas assinaturas.

As terras foram registradas em seu nome em 2003. No vídeo, ele diz que a operação foi sugerida e conduzida por um "agrônomo da Funai e agentes do Incra".
"É forte, portanto, a suspeita de que o imóvel em questão tenha sido objeto de grilagem de terras federais", afirma o Ministério Público no pedido de apreensão de documentos do governador.

OUTRO LADO
Três dias antes do registro da negociação, Silval Barbosa foi a um lançamento na mesma cidade. O ponto alto foi o anúncio da transferência para o Estado da titularidade da Gleba Jarinã. As áreas adquiridas ficam na mesma gleba.

A defesa do governador negou relação entre os eventos. "São áreas distintas." Segundo Francisco Faiad, as terras foram oferecidas por um "intermediário".
O advogado afirmou que Barbosa pagou apenas a 1ª parcela: R$ 200 mil. "Como a situação não avançou em 2010, desfez o negócio."
Faiad disse ainda que as escrituras foram "devidamente assinadas". "Não houve nenhum negócio espúrio ou escondido."

EU APOIO O MST

fonte
http://folhadecapa.wordpress.com/2011/08/27/carta-aberta-aos-companheiros-do-mst/


Carta Aberta aos Companheiros do MST

 
1 Voto
Gostaria de registrar aqui meu total agradecimento e minha mensagem positiva aos companheiros do Movimento Sem Terra.
Em meio à luta dos servidores da Sanecap de Cuiabá-MT, da Frente de Luta dos estudantes, dos CA´s da UFMT, da UNE Pela Base, da CUT, da Base do PT, dos estudantes secundaristas e de nosso Companheiro Vereador Lúdio Cabral (PT), contra uma privatização escandalosa e desenvergonhada de nosso atual (e ainda por pouco tempo) prefeito Chico Galindo e seu braço direito, o Presidente da Câmara dos Vereadores (por incrível que pareça) Julio Pinheiro, que aqui deixo registrado minha moção de apoio e carta de agradecimento aos camaradas do MST de Mato Grosso, que conheci nestes dias de luta. 
Na Terça-Feira (23), a Câmara aprovou a votação da privatização para Quinta-Feira (25) e restava-nos apenas dois dias para organizarmos um “ataque” eficaz, uma manifestação que conseguisse barrar , frear esta votação.
Quando então conseguimos o apoio que precisávamos. Os batalhadores do MST , advindos de várias cidades de Mato Grosso que estão acampados em frente ao INCRA da capital, ocupados com suas lutas, se dispuseram a comprar nossa briga e nos orientar nesse momento precioso e decisivo para nós.
Ali, cara a cara com eles , conversando , vi toda a boa vontade do mundo e nos olhos a  sinceridade com que eles, com sua organização, experiência, conhecimento de lutas e estratégias somadas às centenas de companheiros da Sanecap que disponibilizaram barracas, conseguimos erguer um grandioso acampamento na Quarta-Feira à noite.
Era o ataque inesperado que deu certo. A mídia se mobilizou em torno de nós, pudemos nos abrir com a população, expor nossa luta frente às propagandas milionárias que a prefeitura vem fazendo com dinheiro público, bem como nos prontificarmos pela manhã já na porta da “casa do povo”.
Fiquei imensamente feliz em chegar ao local para montar minha barraca (gentilmente cedida por um amigo da Sanecap), e me deparar com uma verdadeira estrutura de luta. Havia além das muitas barracas , bandeiras , pessoas jogando baralho, estudantes reunidos, alguns companheiros conversando , discutindo as estratégias do dia seguinte, as mulheres do MST que com muito carinho nos prepararam café, janta, “quebra torto” de madrugada e sanduíches pela manhã para agüentarmos a batalha. 
Não , senhores , não era luxo algum , era o básico que precisamos para viver dignamente e foi esse básico que eles tinham e que compartilharam conosco e tive muito orgulho de tomar do café deles.
Além das instruções que recebemos para que tomássemos as melhores decisões no modo como deveríamos nos movimentar naquele dia, de modo que alcançássemos a vitória.
E, no dia seguinte pela manhã com a chegada dos estudantes cuiabanos em peso, via tanta luta, tanta mobilização, das mais de 300 , 400 pessoas que lá estavam agitando, batendo bumbo , soltando rojão, apitando e gritando palavras de ordem , não restou outra solução aos vereadores que abandonar a votação e bater em retirada.
E é desse modo que agiremos até que a Vitória seja Nossa, seja do POVO!
Agradeço o apoio que obtivemos do Movimento Sem Terra e deixo aqui registrado meu prazer em tê-los conhecido pessoalmente.
 Eu apoio o MST

código florestal - manifestação em MT


fonte: repórter MT

http://www.reportermt.com.br/?p=home_slide&id=14789


Atualizado em 26 de Agosto de 2011
CÓDIGO FLORESTAL
Manifestantes ocupam Centro de Eventos e deixam políticos apreensivos
Ativistas protestam contra reformas no novo código florestal. (Foto: Inara Fonseca - RepórterMT)
Ativistas protestam contra reformas no novo código florestal. (Foto: Inara Fonseca - RepórterMT)




Ativistas protestam contra reformas no novo código florestal. (Foto: Inara Fonseca - RepórterMT)
FERNANDA LEITE
INARA FONSECA 9h00 atualizada 12h00


DA REDAÇÃO

Cerca de 250 ativistas realizaram protesto na manhã desta sexta-feira (26). Os manifestantes marcharam do Parque Mãe Bonifácia até o Centro de Eventos do Pantanal, onde políticos da banca ruralista participavam da abertura do seminário internacional "A Constituição e o Meio Ambiente". Com faixas, carro de som, cartazes e mudas de árvores nativas, como o Ipê e a Aroeira, os manifestantes lutavam contra as reformas do novo código florestal.
Antes de chegarem na abertura do evento, os manifestantes trancaram as vias que dão acesso ao Centro de Eventos. Tentando chegar ao local em que ocorreria o seminário, Luciene Bezerra (PSB), deputada estadual madeireira, foi surpreendida com uma muda árborea. A deputada, grande defensora do agronegócio, aceitou constrangida o presente.
Ironicamente, no momento em que o presidente do Ibama, Curt Trenneppohl, abriu o seminário, os manifestantes ocuparam o piso inferior do Centro de Eventos.

Amedrontados com o protesto, os seguranças do local fecharam rapidamente as portas do auditório. Entretanto, o som dos manifestantes, que com instrumentos de maracatu cantavam em roda, invadiu a abertura do evento.
De acordo com Lia Epstein, bióloga, o objetivo do protesto é sensibilizar a população e as autoridades da importância do meio ambiente. "O movimento é pelas florestas e diz não ao novo código florestal, que trará consequências incalculáveis para o meio ambiente. Os políticos estão pensando no lucro agora, mas e depois, quando os rios secarem? Como ficarão os negócios deles? É uma solução imediatista e incoerente", explicou a bióloga.
Participaram do evento, o governador do Estado Silval Barbosa (PMDB), Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, os senadores Kátia Abreu (DEM-TO) e Jorge Vianna (PT-AC) e ministra do Meio Ambiente, Isabella Teixeira. Nenhuma das autoridades falou com os manifestantes.
O ato foi formado por estudantes, professores acadêmicos, representantes indígenas, o Movimento dos Sem Terra (MST) e a Via Campesina.
Confira as fotos e o vídeo do protesto:

telma monteiro - hidrelétricas

fonte: energia e sustentabilidade / Telma Monteiro
http://telmadmonteiro.blogspot.com/2011/08/hidreletricas-ameacam-indigenas.html


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Hidrelétricas ameaçam indígenas Munduruku na bacia do rio Teles Pires (Parte II)

Índios Munduruku
Foto: Telma Monteiro

O Estado brasileiro está ameaçando o equilíbrio da vida dos povos indígenas na Amazônia, com o planejamento e o licenciamento desvairado de hidrelétricas. Os projetos que estão sendo licenciados, a toque de caixa, nos rios Tapajós, Teles Pires e Juruena, pela localização e impactos, chegam às raias da imoralidade.  
Telma Monteiro 

 Na verdade, o governo está com pressa porque as energias alternativas – solar fotovoltaica e eólica – estão ganhando espaço, rapidamente, no Brasil e no mundo. A energia vendida no último leilão de eólica ficou em menos de R$ 100 o MWh.

Empresas barrageiras, públicas e privadas, mantidas por um esquema de coronelismo do século XXI, que constroem grandes e pequenas barragens, estão exigindo mais celeridade no processo de licenciamento ambiental das hidrelétricas. Querem garantir rapidamente a total exploração do potencial da Amazônia, antes que as alternativas verdadeiramente limpas ocupem o mercado.  

Já não há mais como aceitar a construção de hidrelétricas que desalojam, ameaçam povos indígenas e destroem a biodiversidade. A sociedade está cara a cara com os problemas sociais e ambientais, nas obras das usinas do Madeira e Belo Monte, agora expostos sem o filtro dos falsos programas de compensação e mitigação.

O inventário do Teles Pires

Os estudos de inventário do rio Teles Pires concluíram pela viabilidade de seis UHEs – cinco delas no rio Teles Pires e uma no rio Apiacás – num total de 3.697 MW de potência instalada e 1.961 MW médios. 

Em 2009 a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou a Avaliação Ambiental Integrada (AAI) do rio Teles Pires e as Diretrizes da Bacia Hidrográfica do Rio Teles Pires, sub-bacia do Tapajós, para finalizar os estudos ambientais no âmbito dos estudos de viabilidade do Complexo Teles Pires. A AAI, no entanto, não serviu para que os projetos hidrelétricos planejados para o rio Teles Pires e seu afluente, rio Apiacás, fossem objeto de licenciamento integrado.

O Ministério Público do Estado do Mato Grosso questionou o licenciamento da UHE Sinop em duas ações civis públicas. A primeira por entender que o rio Teles Pires é um rio federal e que, então, a competência do licenciamento de todas as usinas caberia ao Ibama e não ao órgão estadual. A segunda, ajuizada no dia 29 de julho de 2011, apresentou relatórios de dois especialistas da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) que comprovam vícios insanáveis do EIA/RIMA. 

O Ministério Público Federal do Pará também apontou a ilegalidade no licenciamento isolado da UHE Teles Pires; além disso, o Tribunal de Contas da União (TCU) considerou, em relatório, que os estudos ambientais da UHE Teles Pires não são aceitáveis e não atendem à legislação. Nos dois casos os ministérios públicos pediram liminares para parar os processos. As ações tramitam na justiça e apesar de receberem sentença favorável dos juízes de primeira instância, que concederam as liminares para suspender os licenciamentos, o governo federal conseguiu reverter as decisões. 

No rio Teles Pires está prevista, também, a construção de três eclusas para tornar navegável o trecho que vai do município de Sinop, em MT, até a confluência com o rio Juruena, onde começa o rio Tapajós, no PA.  Os “obstáculos” naturais do trecho encachoeirado das Sete Quedas teriam que ser removidos, fato omitido no EIA. A Avaliação Ambiental Integrada (AAI) não considerou os impactos cumulativos e sinérgicos decorrentes da construção das eclusas.

A navegação no trecho encachoeirado das Sete Quedas só é possível com outra usina a montante (rio acima) e um reservatório que alcance a barragem da UHE Teles Pires: a hidrelétrica São Manoel (já em processo de licenciamento) em local que está cerca de 40 quilômetros a jusante (rio abaixo) da barragem da UHE Teles Pires.  

Os Munduruku e Kayabi

Os Munduruku vivem no ambiente da floresta e nas áreas de savana da Amazônia, chamadas de “campos do Tapajós”, no vale do rio Tapajós. Sua cultura é ancestral, com aldeias circulares e praças centrais. As atividades de subsistência dos Munduruku são ritualísticas: agricultura, caça, pesca e coleta. As terras ocupadas pelos Munduruku estão seriamente ameaçadas pelas hidrelétricas e pela construção simultânea de eclusas para transformar o Tapajós e o Teles Pires em rios totalmente navegáveis.

Desde a segunda metade do século XIX, a Bacia do Tapajós e a sub-bacia do Teles Pires vêm sofrendo pressões que começaram com a expansão da exploração da borracha. O geógrafo inglês Chandless observou, em 1861, a presença de seringueiros na embocadura do rio Teles Pires com o Juruena, onde começa o rio Tapajós. Já na década de 1920 um grupo indígena Kayabi desceu o rio Teles Pires em direção ao Alto Tapajós e se fixou na região do Cururuzinho, onde hoje está a Terra Indígena Kayabi.

O Vale do Tapajós foi ocupado historicamente pelos Munduruku que lá permanecem até hoje e a região ficou conhecida no século XIX como Mundurukania. Os primeiros contatos com os Munduruku são de 1768. No século XVIII eles enveredaram por regiões entre os rios Tapajós e Madeira, alcançaram os rios Xingu e Tocantins até chegar ao limite leste da Floresta Amazônica.[1]

Os Munduruku se espalham pelo sudoeste do estado do Pará - calha e afluentes do rio Tapajós, nos municípios de Santarém e em Itaituba e Jacareacanga, onde está a Terra Indígena Munduruku. São 6.935 indígenas em 101 aldeias (dados de 2007, colhidos na Funasa de Itaituba), no leste do Pará – rio Canumã, em Nova Olinda, e próximo à Transamazônica, em Borba. Os Munduruku estão preocupados, hoje, em garantir sua sobrevivência, preservar sua cultura e manter a integridade de seu território.

Atualmente as principais ameaças ao povo Munduruku são as pressões impostas pela atividade garimpeira de ouro e pelos planos do governo de construir hidrrelétricas.  Em 2009, os Munduruku enviaram uma carta de protesto ao Presidente da República em que manifestaram sua preocupação com a construção do Complexo Tapajós.[2] Os Munduruku têm uma relação muito estreita com os rios Teles Pires e Tapajós.

Outra Terra Indígena, a Kayabi, onde convivem três etnias – Kayabi, Apiacá e Munduruku, se estende pelos municípios de Jacareacanga, no Pará, e Apiacás, em Mato Grosso. Ela é contígua à Terra Indígena Munduruku; são separadas, em parte, no sentido longitudinal, por um longo trecho de cachoeiras, corredeiras, saltos e ilhas do rio Teles Pires. A Terra Indígena (TI) Kayabi acompanha o rio Teles Pires ao longo de 280 quilômetros.

A Funai aprovou uma ampliação da TI Kaybi em 1999, porém uma Comissão Pró-Hidrovia Teles Pires-Tapajós, do Rotary Internacional de Alta Floresta (MT) e o exército brasileiro conseguiram fazer oposição. Em 2002, depois de confirmada a demarcação da TI, novas ações interpostas por fazendeiros e acatadas pela Justiça Federal suspenderam a demarcação.

A regularização fundiária – títulos de propriedade dados pelo estado - ainda é o principal obstáculo para finalizar o processo de demarcação da Terra Indígena Kayabi. Conflitos e concessões de liminares têm pautado essa história, embora o território conste dos mapas oficiais da Funai.

Além das usinas do rio Teles Pires, os estudos ambientais de outras hidrelétricas no rio Tapajós já estão sendo elaborados. O município de Jacareacanga é considerado uma "cidade" indígena com 60% de seu território cercados pelas terras dos Saí Cinza, Mundurucânia, Kayabi e Munduruku. A Terra Indígena Munduruku é a maior e ocupa 12% da bacia do Tapajós.

Os direitos desrespeitados

Os direitos dos povos indígenas são garantidos no artigo 231 da Constituição Federal do Brasil que confere a eles a posse permanente e o uso exclusivo de suas terras. A falta de demarcação das terras indígenas favorece a invasão, cria conflitos e coloca em risco sua cultura. A terra homologada resguarda a moradia, a sobrevivencia  e os locais sagrados. 

O governo federal determinou a construção das UHEs no Teles Pires e no Tapajós sem respeitar e ouvir as comunidades e sem consulta prévia, livre e informada dos povos indígenas que serão afetados.  A consulta prévia, livre e informada assegurada pela Constituição Federal e, é um procedimento que deve vir antes do estudo de inventário, quando a decisão ainda não foi tomada.

A convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes, da qual o Brasil é signatário, estabelece, como conceitos básicos, a consulta e a participação dos povos indígenas interessados e o direito desses povos de decidir sobre suas próprias prioridades de desenvolvimento.

As decisões políticas do governo brasileiro desconsideram a Convenção 169 ao impor a construção de aproveitamentos hidrelétricos em Terras Indígenas. As vidas, crenças, instituições, valores espirituais e a própria essência do indivíduo serão irremediavelmente afetados. Mitigação, aí, é um eufemismo para a destruição.

Para mais informações:
Três hidrelétricas ameaçam indígenas no rio Teles Pires (Parte I)



[1] Ainda segundo André Ramos (2003):
“Os Munduruku habitam geralmente regiões de florestas, às margens de rios navegáveis, sendo que as aldeias tradicionais da região de origem ficam nos chamados „campos do Tapajós‟, classificados entre as ocorrências de savana no interior da floresta amazônica”.
[2] Nós comunidade indígena, etnia Munduruku, localizada nas margens do Rio Cururu do Alto Tapajós, em reunião na Missão São Francisco, nos dias 5 e 6 de novembro, viemos por meio deste manifestar à vossa excelência nossa preocupação com o projetof ederal de construir cinco barragens no nosso Rio Tapajós e Rio Jamanxim.
Para quem vai servir?  Será que o governo quer acabar todas as populações da bacia do Rio Tapajós?  Se apenas a barragem de São Luis for construída vai inundar mais de 730 Km².
E daí?  Onde vamos morar?  No fundo do rio ou em cima da árvore?  Disponível emhttp://telmadmonteiro.blogspot.com/2010/08/karosakaybu-o-deus-munduruku.html