Vida
em primeiro lugar, na luta por participação popular, Saúde, Comida, Moradia,
Trabalho e renda já [...] nessa sociedade todos tem o seu lugar! - HINO DO 27º
GRITO DOS/AS EXCLUÍDOS/AS/2021.
O Fórum
de Direitos Humanos e da Terra FDHT, e demais organização signatárias, todas comprometidas
com a vida, e com o combate a todas as formas de injustiça, vem a público
manifestar sua indignação com o posicionamento da Diretoria da Secional da
OAB/MT divulgado em Nota publicada no último dia 08 de setembro de 2021.
Muitos e
muitas estiveram nas ruas no dia 07 de setembro em manifestações democráticas
seja a favor do presidente genocida que defende a morte ou a favor da vida e da
democracia gritando pela defesa de direitos humanos fundamentais, tais como
alimentação, saúde, educação, terra, moradia, trabalho e renda, que estão sendo
usurpados, cotidianamente por este (des)governo. A livre manifestação do
pensamento é um direito garantido que defendemos a todo custo.
Contudo,
nos indignamos com o posicionamento da OAB MT que em nota atacou o Presidente
Nacional da entidade que externou sua indignação contra advogados(as) que
participassem de atos contra a democracia. A nota da OAB/MT ainda fez
questão de ressaltar seu posicionamento “favorável ao porte de armas para a
advocacia”, de defender a “inconstitucionalidade do inquérito da fake news no
STF”, e pela retirada de pauta do processo de impeachment do presidente da
república.
Importante
lembrar que de acordo com o Código de Ética do Advogado(a) é dever da advocacia
defender o Estado Democrático de Direito, a cidadania, a moralidade pública, a
Justiça e a paz social, portanto, uma entidade que tem como fundamento a defesa
da democracia e dos direitos individuais e coletivos, não deveria sair em
defesa de atos antidemocráticos, incentivados por um presidente que cometeu, e
continua cometendo, inúmeros crimes de responsabilidade que estão ceifando a
vida do povo brasileiro, especialmente devido ao descaso com a pandemia que tem
levado milhões de pessoas à miséria absoluta.
Assim como nossos irmãos e
irmãs indígenas, nos mantemos firmes e gritando em defesa dos nossos direitos,
repudiando posturas antidemocráticas e lutando pela saída deste presidente que
prega o ódio e a morte.
FORA BOLSONARO!!!!
Pela DEMOCRACIA VIVA!
Pelos DIREITOS HUMANOS E DA
TERRA!
Assinam:
1. Fórum de
Direitos Humanos e da Terra – FDHT-MT
2. Articulação
Grito dos Excluídos/as – MT
3. Associação de
Amigos do Centro de Formação e Pesquisa Olga Benário Prestes - AAMOBEP
4. Associação
Brasileira de Homeopatia Popular - ABHP
5. Associação Xaraies
6. Central
Única dos Trabalhadores – CUT-MT
7. Centro Burnier - CB
8. Centro
de Direitos Humanos Dom Máximo Biennès – CDHDMB
9. Centro de Direitos
Humanos Dom Pedro Casaldáliga
10. Centro
de Direitos Humanos Henrique Trindade - CDHHT
11. Centro
Ecumênico de Estudos Bíblicos de Mato Grosso - CEBI–MT
12. Centro
Pastoral para Migrantes - CPM
13. Coalizão pelo Clima - MT
14. Coletivo
de Mulheres Camponesas e Urbanas de MT
15. Comissão
Pastoral da Terra - CPT - MT
16. Comitê
Popular do Rio Paraguai/Pantanal
17. Comunidades
Eclesiais de Base/ CEBs- Regional Oeste II/MT
18. Conselho
Indigenista Missionário - CIMI-MT
19. Federação
de Órgãos para Assistência Social e Educacional - FASE
20. Fórum
Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento -FORMAD
21. Grupo Arareau de
Pesquisa e Educação Ambiental
22. Grupo Pesquisador em
Educação Ambiental, Comunicação e Arte, GPEA-UFMT
23. Grupo
Semente
24. Igreja Anglicana MT.
Província do Brasil
25. Instituto Caracol – IC
26. Instituto Gaia
27. Movimento dos Atingidos
por Barragens – MAB-MT
28. Movimento
dos Trabalhadores Sem-Terra – MST-MT
29. Observatório
da Educação Ambiental - OBSERVARE
30. Rede
Internacional de Pesquisa em Educação Ambiental e Justiça Climática - REAJA
31. Rede
Mato-grossense de Educação Ambiental - REMTEA
32. Sindicato
dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso - SINTEP-MT
33. Sociedade Fé e Vida – Cáceres
Fórum de Direitos Humanos e da Terra de
Mato Grosso – FDHT/MT
Centro Burnier – Fone 55 (65) 3023-2959
-55 (65) 996642331
Rua do Ouro nº 64, Bairro Araés - Cuiabá
/ MT CEP:78.005-675
E-mail:inaciojw@gmail.com
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nota da OAB [abaixo], que gerou nossa nota de repúdio [acima].
CNDH manifesta repúdio à ‘postura ameaçadora, inconstitucional e antidemocrática em manifestação das Forças Armadas contra o Poder Legislativo’
O Conselho Nacional dos Direitos Humanos - CNDH aprovou hoje (9 de julho) nota pública em repúdio “à postura ameaçadora, inconstitucional e antidemocrática em manifestação das Forças Armadas contra o Poder Legislativo Federal.
No último dia 07, quarta, o ministro da Defesa e os comandantes das Forças Armadas assinaram uma nota em que, segundo o CNDH, “afrontam em tom ameaçador e de modo inconstitucional e antidemocrático” um senador da República no exercício da função de presidente de Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI que investiga a atuação governamental durante a pandemia por covid-19.
A manifestação das Forças Armadas apontou o fato de a CPI ter mencionado indícios de práticas ilegais por parte de alguns agentes públicos do Estado e componentes das Forças Armadas. O CNDH, entretanto, aponta que a investigação é função do Parlamento, conforme preceitos constitucionais e legais que norteiam o Estado brasileiro.
O CNDH recorda ainda que o Brasil levou mais de duas décadas para se livrar da indevida tutela de militares sobre a vida política, social e econômica do país, com a prática de atrocidades e crimes de lesa-humanidade revelados e documentados pela História - porém até hoje sem a devida responsabilização dos agentes civis e militares envolvidos, conforme o conselho.
“Não será agora que nossa democracia, que ainda não se faz presente no acesso minimamente igualitário ao conjunto da riqueza produzida pela Nação para seu povo, que pena e morre à conta de um quadro pandêmico cuja gravosa realidade está em muito lastreada na irresponsabilidade da gestão da crise sanitária, que se admitirá o retorno de um passado ditatorial funesto e decrépito”, afirma a nota.
O CNDH vai encaminhar a nota de repúdio à manifestação das Forças Armadas ao Ministério da Defesa e aos presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados.
10 ANOS DO FDHT - CELEBRAÇÃO DA MEMÓRIA E CAMINHADA
Pedro Casaldáliga
Olhando para estes 10 anos de caminho já percorrido somos impulsionados a contemplar este horizonte distante e cheios de Esperança juntamente com todos e todas que partilham sua vida e saberes com a luta do Fórum de Direitos Humanos e da Terra. Que o cansaço interior não obscureça a nossa vontade de prosseguir, e o desânimo não nos pegue de surpresa, quando a dificuldade surgir, isolando nossos sonhos e a coragem de ir para frente e lutar.
"Lançar-se para frente" é preciso, ao encontro do infinito sem se isolar, mas buscando a união. Parabéns a todos e todas que fizeram parte desta história e aos que agora dão continuidade a grande mutirão. Novas forças se unirão às nossas e, assim, todos nós, irmãos e irmãs, iremos prosseguir com audácia e profetismo na luta em favor da Vida.
📍#Atividade | 10 anos do Fórum de Direitos Humanos e da Terra - FDHT. No dia 16/06 a partir das 19 horas (Cuiabá), o FDHT estará realizando uma Roda de Conversa: Desafios e Compromissos e no dia 17/06 no mesmo horário, fará a Celebração da Memória e Caminhada deste 10 anos de luta pelo direitos humanos em Mato Grosso. Neste sentido, convidamos todos e todas a estarem presentes em nossa redes sociais para debater e celebrar esse importante momento.
Sexta-Feira, 26 de Março de 2021, 10h:23 |- A | + A
COVID-19
Coletivo cria frente com sociedade civil para discutir enfrentamento da pandemia em MT
Discussão contará com a participação de representantes de entidades e do governo, além de cientistas, profissionais da saúde e políticos do estado.
Safira Campos
Da Redação
Tchélo Figueiredo - SECOM/MT
O coletivo Amigos do Pantanal, criado por ativistas e cientistas de Mato Grosso em 2020, está organizando uma frente para discutir o combate à pandemia de covid-19 no estado. A ideia é que a iniciativa dê protagonismo à sociedade civil organizada no debate sobre a elaboração de estratégias e medidas para barrar o avanço da doença que já matou mais de 7 mil pessoas em Mato Grosso.
No próximo dia 10, o grupo realiza um fórum com pesquisadores, profissionais da saúde, e representantes de entidades e dos governos municipal e estadual. Um dos organizadores da iniciativa é o indigenista Sebastião Moreira, também responsável pela criação do coletivo. Tião do Cimi, como é conhecido, conta que a ideia é que a frente de mobilização pressione as autoridades a tomar iniciativas mais contundentes em relação à pandemia.
“Vamos discutir sobre a aquisição de vacinas, que é algo primordial para que possamos sair dessa condição que estamos agora. Fora isso, é nítido que precisamos de um lockdown logo, urgentemente. Autoridades no assunto têm apontado cenários ainda mais assustadores se nada for feito. Temos que trabalhar em uma perspectiva de isolamento social, com distribuição de auxílios. Com o corte do Governo Federal, esperamos que o Município e o Estado ajam”, afirma Sebastião.
O fórum será dividido em duas mesas. Na primeira, que acontece pela manhã e será moderada pela pesquisadora e professora Michele Sato, as contribuições vêm do campo científico, com médicos, biólogos e cientistas, além do secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo. Para Sato, que tem estudado a pandemia no pós-doutorado realizado atualmente no Rio de Janeiro, o fórum será uma oportunidade de debater aspectos diversos da disseminação da doença no mundo.
“Trabalho com a hipótese de que a pandemia não pode ser encarada como uma crise sanitária pontual, mas proveniente de uma crise ambiental prolongada da humanidade destruindo a natureza. O agronegócio e o aumento do consumo energético são pontos muito relevantes na discussão. Há autores que defendem que o agronegócio é um dos maiores propagadores de patógenos, por exemplo. De alguma maneira, a Organização Mundial da Saúde já tinha como saber que aconteceria uma pandemia, mas não sabia quando e nem que seria nessa intensidade”, afirma.
À tarde a discussão centra-se no aspecto político do enfrentamento à pandemia. Foram convidados para o debate o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), e o Várzea Grande, Kalil Baracat (MDB); os presidentes das Câmaras Municipais das duas cidades, Juca do Guaraná (MDB) e Fábio José Tardin (DEM); o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi (PDB); a deputada federal Rosa Neide (PT) e o senador Wellington Fagundes (PL), além do Secretário-geral da OAB-MT, Flávio José Ferreira.
A comunidade Chiquitana de San José de la Frontera (San Matías, Bolívia), mas especialmente os familiares das 4 vítimas da chacina ocorrida no dia 11/08/2020 na Fazenda São Luiz (Cáceres – MT) falam com desejo de que se faça Justiça, pois foram caçar e foram mortos pelo Gefron de forma cruel.
Os Direitos Humanos de Cuiabá e Cáceres (MT) foram ao local no dia 02/09/2020, momento em que foram recolhidas as falas que agora são disponibilizadas com um mínimo de edição, para deixar mais evidente o caráter de documentário, pois possui prioritariamente o objetivo de compreender o ocorrido nessa situação de violência que aumentou muito na Fronteira com o governo Bolsonaro.
A comunidade Chiquitana de San José de la Frontera (San Matías, Bolívia), mas especialmente os familiares das 4 vítimas da chacina ocorrida no dia 11/08/2020 na Fazenda São Luiz (Cáceres – MT) falam com desejo de que se faça Justiça, pois foram caçar e foram mortos pelo Gefron de forma cruel. Os Direitos Humanos de Cuiabá e Cáceres (MT) foram ao local no dia 02/09/2020, momento em que foram recolhidas imagens do local da chacina, as poças de sangue ainda podiam ser encontradas no chão seco e aberto de pastagem para o gado. A árvore cravejada de balas chamada catinguinha ou fedebosta recebeu na sua sombra uma cruz com os nomes de Arsino, Pablo, Yona e Esequiel esculpido na sua madeira de ipê roxo. Nesse dia da celebração eucarística presidida pelo bispo de San Ignácio de Velasco foram gravadas as falas que agora são disponibilizadas com um mínimo de edição, para deixar mais evidente o caráter de documentário, pois possui prioritariamente o objetivo de compreender o ocorrido nessa situação de violência que aumentou muito na Fronteira.
A ganância e a idolatria ao dinheiro transformaram o Pantanal em terra arrasada. Entrevista especial com Teobaldo Witter Faltou compromisso do governo para enfrentar as queimadas no Pantanal, diz o pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil em Mato Grosso
Por: Patricia Fachin | 19 Outubro 2020
A tragédia ambiental e social que atinge o Pantanal nos últimos meses, em decorrência do aumento das queimadas, não é um problema estritamente local do bioma brasileiro, considerado uma das maiores áreas úmidas contínuas do planeta. As causas que levam à destruição do ecossistema são mais profundas e podem ser vistas em nível regional, nacional e global, manifestadas através da "ganância humana".
Teobaldo Witter, pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB em Mato Grosso, e integrante dos movimentos religiosos e sociais comprometidos com o cuidado da nossa casa comum, é enfático ao observar esse aspecto. "A vida da humanidade está ameaçada. Um grande mal ocupa todos os espaços, e há poderes querendo assumir o papel de Deus. Quem, porém, cede a essa tentação e é detentor de poder, procura despir-se de sua condição de criatura para submeter homens e mulheres, jovens e crianças, a natureza e o mundo a seus próprios interesses. O fruto dessa autossuficiência incorpora-se num verdadeiro ídolo – designado na Escritura como poder do dinheiro ('Mamon'). Esse mesmo ídolo, adorado e venerado, é o fundamento do sistema sócio-econômico-político hegemônico no mundo de hoje", assegura.
Há mais de 40 anos, ele transita entre a Floresta Amazônica, o Cerrado e o Pantanal e relata que as queimadas deste ano são incomparáveis a outros períodos. "Durante duas madrugadas, pássaros do Pantanal vieram se abrigar no cajueiro do pátio e nas árvores das praças. Macacos vieram se alimentar das frutas das mangueiras. Isso nunca havia acontecido. Cinzas, poeira tóxica, calor alto, umidade baixa, o fundo da piscina preto de carvão que vem com o vento", sem falar nas comunidades quilombolas, pantaneiros ribeirinhos, indígenas, como Guató, Xaraiés, Bororo e outros, que são diretamente afetadas.
Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Witter também critica a lentidão do governo federal em tomar uma atitude para conter as queimadas e fala sobre as expectativas acerca do trabalho da Comissão Externa Queimadasem Biomas Brasileiros da Câmara Federal, na criação de "leis justas para a promoção dos direitos humanos e da terra".
Teobaldo Witter (Foto: Arquivo pessoal)
Teobaldo Witter é doutor em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso, com a tese "A prática solidária luterana, no Sínodo Mato Grosso-IECLB, MT: dimensões pedagógica e teológica", mestre em Teologia com ênfase em práticas sociais e gestão de redes, pela Escola Superior de Teologia - EST, São Leopoldo, e graduado em Pedagogia pelas Faculdades Integradas de Várzea Grande, MT.
Confira a entrevista.
IHU On-Line - Os ambientalistas dizem que o Pantanal vive a maior tragédia ambiental das últimas décadas. Como está a situação na região atualmente e quais foram as áreas mais afetadas pelas queimadas no Pantanal?
Teobaldo Witter - Antes de falar ou escrever qualquer palavra, eu expresso minha solidariedade com todas as pessoas que, sensibilizadas, arriscam suas próprias vidas para salvar animais, floresta e a terra. Um gigantesco mutirão de voluntários está nesta luta justa. Chegaram antes de qualquer governo. Em memória do artista plástico Sebastião Mendes, de 54 anos, que morreu, na tarde de 8 de outubro, ao sofrer um infarto enquanto ajudava a apagar o fogo na Serra do Taquaral, em Cáceres, MT. (E Jesus chorou, João 11.35).
Vivo no Mato Grosso e Pará há 44 anos. São duas gerações. Andei por muitas regiões da Floresta Amazônica, do Cerrado e do Pantanal. Era terra de florestas, águas e vegetações rasteiras. Nas áreas da maioria das atuais cidades de hoje se ouvia o cantar das aves, dos pássaros, o rastro dos animais terrestres e o pular dos peixes livres nos rios límpidos. Secas sempre teve. Geralmente, de maio a outubro é essa seca. Mas fumaça havia somente em locais onde foram instaladas as grandes serrarias. Em 1979 foi uma das secas mais longas. Mais de seis meses. Mas havia fumaça aqui e acolá. Havia poeira e ar seco, isso sim. Penso que aí pela virada do milênio, ou um pouco antes, as chamas surgiram mais violentas. E não respeitavam mais o que vinha pela frente: capim, mato seco, animais etc.
O Pantanal é a grande área alagada no Brasil, na Bolívia, no Paraguai. O Pantanal foi o caminho pelas águas para ir à Europa e a outros continentes. Isso foi até a década de 1940. Mas durante as últimas décadas houve vários embates para preservar o Pantanal. Projetos econômicos e de navegação ameaçam a vida do bioma.
Projetos econômicos e de navegação ameaçam a vida do Pantanal - Teobaldo Witter
14 de novembro é o Dia do Rio Paraguai, de articulação internacional para cuidar do rio, coordenado pela entidade Fé e Vida, de Cáceres, MT. É dia de fazer a síntese das atividades diárias do cuidar: recolher lixo, educar a população, preservar a floresta ciliar, celebrar a vida. Em 2008, o Conselho Nacional do Meio Ambiente - Conama aprovou este “Dia do Pantanal”. Esta data é significativa porque lembra a luta contra a instalação das usinas de álcool e açúcar no Pantanal. Cuidar do Pantanal está sendo difícil e até ameaçador. Talvez isso explique o fogo criminoso. Aqui na região onde vivo, as áreas de vegetação nos municípios do entorno de Cuiabá e a estrada Transpantaneira foram queimadas. Os animais que ainda vivem vêm para a cidade em busca de água e alimentação. Aves voam durante a noite e se abrigam das ruas. Tragédia. Em outras épocas, já teve fogo no Pantanal, mas nada se compara ao que ocorre nestes dias; é terra arrasada. Por onde o fogo passa, tem cinzas, animais das espécies pantaneiras mortos ou feridos, sem comida e sem água. Os que conseguem fugir do fogo, perambulam pelas cinzas.
Cuidar do Pantanal está sendo difícil e até ameaçador - Teobaldo Witter
IHU On-Line - Quais são os principais efeitos das queimadas no Pantanal no estado de Mato Grosso, onde o senhor vive?
Teobaldo Witter - Eu vivo em Cuiabá, MT. Durante duas madrugadas, pássaros do Pantanal vieram se abrigar no cajueiro do pátio e nas árvores das praças. Macacos vieram se alimentar das frutas das mangueiras. Isso nunca havia acontecido. Cinzas, poeira tóxica, calor alto, umidade baixa, o fundo da piscina preto de carvão que vem com o vento.
IHU On-Line - Como as queimadas atingem a população que vive no entorno do bioma? Quem são os mais afetados pelas queimadas?
Teobaldo Witter - Toda a população é afetada. Mas as pessoas mais afetadas são as que vivem em situação de vulnerabilidade: quilombolas, pantaneiros ribeirinhos, indígenas, como Guató, Xaraiés, Bororo e outros. Alguns ficaram sem caça, pesca e lavoura.
IHU On-Line - Além da seca, que contribui para as queimadas no Pantanal, que fatores têm contribuído para o aumento das queimadas?
Teobaldo Witter - A seca é apenas um facilitador. A ganância humana é que mais contribui para as queimadas. O valor de mercado da terra é tentador. Dominadas pela ganância de ter mais, as pessoas cometem loucuras. Inclusive queimar terras de domínio da União para grilar e fazer lavoura ou pastagem e, posteriormente, legalizar em seu nome ou de algum parente.
A seca é apenas um facilitador. A ganância humana é que mais contribui para as queimadas - Teobaldo Witter
IHU On-Line - Quais são os crimes ambientais em curso no Pantanal?
Teobaldo Witter - Pois é. Vários procedimentos, mesmo que legalizados, trazem prejuízos à natureza. Por exemplo, o agrotóxico, jogado no ar e nas lavouras de todo entorno do Pantanal, prejudica. Fica na terra por muito tempo. Pela água das chuvas e dos rios é levado para as partes mais baixas, junto com vegetais e animais mortos. Com a construção das cidades, as fontes e afluentes são entupidos de lixo urbano. Com o assoreamento, com o acúmulo de lixo, os rios e lagos diminuem o fluxo da água. Menos água, menos Pantanal.
Historicamente, o Pantanal serviu como uma esponja que segura as águas das chuvas e as libera aos poucos. A falta de saneamento, além de produzir água tóxica, diminui esse processo natural. Há existência de garimpos em algumas áreas, como em Poconé, onde são cavoucadas enormes crateras. É claro que isso fere e mata o ecossistema da vida. Quanto ao fogo, segundo imagens de satélite, a maior parte é ilegal. É criminoso. Os crimes são facilitados pela impunidade. É proibido usar fogo nesta época, mas quem fiscaliza? Quem pune quem? Parece que o crime compensa. O cara queima, expulsa o pobre e aquele em situação de vulnerabilidade, mata os animais e a natureza. Depois o Estado legaliza terra para ele?
Em outras épocas, já teve fogo no Pantanal, mas nada se compara ao que ocorre nestes dias - Teobaldo Witter
IHU On-Line - Como o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs - Conic e outras instituições ligadas às igrejas estão atuando diante das queimadas no Pantanal?
Teobaldo Witter - O Conic tem boa perspectiva e contribuição para colaborar com o cuidado da vida no Pantanal. Reúne igrejas e entidades ecumênicas e pessoas de boa vontade. Temos a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021. A sua metodologia: ver, julgar, agir, celebrar e continuar é adequada para a realidade do Pantanal. Tem o gesto concreto das ofertas. Comunidade e grupos podem recorrer ao fundo para auxiliar nos seus projetos de promoção da vida humana e da natureza. Tem também a Semana de Oração pela Unidade Cristã, quando diferentes comunidades se encontram para celebrar e assumir compromissos individuais, familiares, sociais e comunitários. A boniteza, como escreve Paulo Freire, se expressa na união de esforços para cuidar mais do Pantanal.
IHU On-Line - Como foi o encontro dos movimentos religiosos e sociais da região do Pantanal com deputados para tratar sobre o enfrentamento das queimadas? Qual seu balanço deste encontro?
Teobaldo Witter - O encontro com lideranças de diferentes igrejas, bispo, padre, pastor, pesquisador e entidades que trabalham diretamente na área do Pantanal, do Cerrado e da Amazônia foi muito bom. A Comissão Externa Queimadas em Biomas Brasileiros da Câmara Federal fez e está fazendo pesquisa contextualizada com quem vive nesta região. Com isso, esta comissão percebe o que está acontecendo e cria sensibilidade com a vida ameaçada nos biomas. E recolhe sugestões de leis justas para a promoção dos direitos humanos e da terra.
Queimadas em biomas brasileiros - Organismos Eclesiásticos, Pastorais e Direitos Humanos - 08/10/20:
IHU On-Line - Os movimentos religiosos e sociais reclamaram da lentidão do governo em lidar com os incêndios. O que poderia ter sido feito?
Teobaldo Witter - O fogo é instrumento útil para a humanidade há milênios. Tem seu espaço na vida. Mas ele escapou do controle no Pantanal, na Amazônia, no Cerrado e em outras áreas. Aí, não tem jeito; ele arrasa. No entanto, todo ser humano sabe muito bem disso. A história está cheia deste conhecimento, tem muitas experiências. O que faltou? Faltou respeito do governo brasileiro à natureza e às informações da Ciência, que estava anunciando a tragédia. O Pantanal em chamas, e o ministro continuava negando o perigo. Faltou compromisso. Todo fogo pode ser combatido, desde que se assuma a responsabilidade de fazê-lo. O Estado não se comprometeu, deixou tomar conta. O governo está chegando quando o fogo já queimou e está se apagando; é irresponsabilidade total. O governo tem a força nacional, tem exército e outras forças para agir no combate ao fogo. Por que não agiu?
Faltou respeito do governo brasileiro à natureza e às informações da Ciência, que estava anunciando a tragédia - Teobaldo Witter
Tem questões históricas. A ganância humana quer acabar com os biomas. O uso sustentável da natureza deve ser planejado, e podemos tirar dela o sustento humano; isso é direitos humanos. Mas a natureza também tem direito de viver. No entanto o modelo de desenvolvimento é predatório. Até quando a terra vai nos aguentar? É preciso mudar o modelo.
A ganância humana quer acabar com os biomas - Teobaldo Witter
Teobaldo Witter - Sim, desejo lembrar uma bela reflexão que o Concílio da Igreja elaborou no ano 2000, na Chapada dos Guimarães, na região do Pantanal, MT. Não há como negar. O problema é local, mas não é somente local: é regional, nacional e global. A vida da humanidade está ameaçada. Um grande mal ocupa todos os espaços, e há poderes querendo assumir o papel de Deus. Quem, porém, cede a essa tentação e é detentor de poder, procura despir-se de sua condição de criatura para submeter homens e mulheres, jovens e crianças, a natureza e o mundo a seus próprios interesses. O fruto dessa autossuficiência incorpora-se num verdadeiro ídolo – designado na Escritura como poder do dinheiro (“Mamon”). Esse mesmo ídolo, adorado e venerado, é o fundamento do sistema sócio-econômico-político hegemônico no mundo de hoje. Somos testemunhas de que esse sistema requer sacrifícios, faz suas vítimas e promove dor, sofrimento e morte. Jesus diz: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10.10).