terça-feira, 7 de abril de 2020

PANDEMIA COVID-19 E DIREITOS HUMANOS NO BRASIL


MANIFESTO 

PANDEMIA COVID-19 E DIREITOS HUMANOS NO BRASIL

A pandemia de Covid-19 que assola o mundo atualmente impacta com muita força nos direitos humanos, atingindo mais fortemente grupos e populações que vivem, historicamente, em condição de maior vulnerabilidade.

A crise tem exigido dos Estados e Governos uma atenção séria, coordenada e equilibrada, com ações rápidas e eficazes para salvar vidas e conter a pandemia. No entanto, há no Brasil um descompasso entre os governos locais e federal, assim como entre as orientações de instituições técnicas e as declarações públicas e medidas adotadas pelo Presidente da República.

De um lado, o Ministério da Saúde tem feito um esforço para acatar as recomendações e orientações técnicas emitidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e, de outro, o Presidente da República, Jair Bolsonaro, tem mantido uma postura irresponsável de negar ou minimizar a situação de emergência de saúde pública internacional. O presidente tem propagado informação infundada e sem embasamento científico, desrespeitado as orientações de isolamento social, indo ao encontro físico com grupos e aglomerações de pessoas, e feito pronunciamentos públicos em cadeia nacional contra o isolamento social horizontal e em defesa de medicamentos sem eficácia comprovada.

Diante a inércia do Poder Executivo Federal, as medidas de enfrentamento à pandemia, como normas sobre isolamento social, têm sido adotadas em âmbito local, por governadores e prefeitos. Dessa forma, ao invés de zelar pela proteção da população, o chefe do Poder Executivo Federal tem concretamente exposto a população ao fomentar aglomerações e participar delas, assim como tem comprometido a eficácia das orientações de isolamento. Além disso, o Governo Federal tem questionado judicialmente as autoridades locais que adotaram providências enérgicas de combate à disseminação do novo coronavirus e aproveitado a oportunidade para enfraquecer ainda mais a rede de proteção social de trabalhadores e trabalhadoras.

Neste sentido, as organizações abaixo signatárias, somam-se a outras ações e vozes, para insistir perante a comunidade internacional que:

É necessário que todas as medidas adotadas no país para conter a disseminação do COVID-19 e tratar as pessoas enfermas estejam orientadas para a proteção de todos os direitos humanos de todas as pessoas, em especial dos grupos e populações mais vulneráveis, como as mulheres, idosos, crianças, encarcerados, migrantes, pessoas em situação de rua, pessoas com deficiência, povos indígenas e povos e comunidades tradicionais, grupos e comunidades das periferias, população negra, população LGBTIQA+ entre outros;

É fundamental que as autoridades públicas responsáveis pelas ações de enfrentamento à pandemia de Covid-19 no país preservem e fortaleçam o SUS e sigam as recomendações técnicas e científicas dos órgãos internacionais de direitos humanos e, em especial, da Organização Mundial da Saúde;

Em observância às recomendações da Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, de diversas Relatorias Especiais da ONU, da Organização Mundial de Saúde, da Organização Internacional do Trabalho e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, é fundamental que a proteção à dignidade e aos direitos humanos estejam no centro de todas as ações do Estado, em todos os níveis, federal, estadual e municipal, e nos três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, e que a crise provocada pelo novo coronavírus não seja utilizada para violar direitos laborais ou outros direitos humanos;

Que o Estado brasileiro, sendo signatário de documentos jurídicos que o vincula ao sistemas internacionais de direitos humanos da ONU - Organização das Nações Unidas e da OEA - Organização dos Estados Americanos, cumpra com suas obrigações e compromissos em matéria de direitos humanos, com especial destaque para o Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos em Matéria de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais - Protocolo de São Salvador, incorporado ao ordenamento jurídico através do Decreto nº 3.321 de 30 de dezembro de 1999. Assim, ao invés de desacreditar os Organismos Internacionais, é necessário que o Brasil reafirme o seu compromisso com as obrigações assumidas perante a comunidade internacional mediante assinatura e ratificação dos tratados internacionais de proteção de direitos humanos;

É urgente que o Estado brasileiro garanta e viabilize concreta e rapidamente o acesso a uma renda mínima a todas as pessoas em situação de miséria e pobreza no país, bem como às/aos trabalhadoras/es, que encontram-se em situação de vulnerabilidade agravada pela atual crise econômica decorrente da crise sanitária;

É fundamental que o Estado brasileiro fortaleça o investimento público e garanta todos os direitos fundamentais da população, exigindo-se, para isto, a revogação imediata da EC 95/2016 e de todas as medidas que impedem a progressividade na disponibilização de todos os meios para fazer frente à pandemia. Faz-se também imperativo que o governo reoriente a economia do país priorizando os trabalhadores e trabalhadoras e faça justiça social adotando medidas administrativas e tributárias, para que haja desconcentração de renda e os mais ricos contribuam mais para a superação da crise e suas consequências.

Que o Estado brasileiro, através de todos os seus poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, atue com transparência, fazendo a prestação de contas pública da situação, informando amplamente a população, de modo a viabilizar a adesão às medidas, inclusive mantendo e ampliando a qualidade da informação disponibilizada por meio da Lei de Acesso à Informação;

Que o parlamento brasileiro, funcionando por meios eletrônicos, garanta condições de transparência das discussões e votações e o acesso da sociedade civil aos processos de elaboração normativa por canais de ampla participação, ainda que nos meios eletrônicos;

Que o Poder Judiciário, mais do que nunca, cumpra o seu papel de garantidor dos direitos, sobretudo, das pessoas e grupos mais vulneráveis; Assim, é urgente e necessária a suspensão de despejos e remoções que podem aumentar a vulnerabilidade das pessoas afetadas e impedir o cumprimento das medidas sanitárias de combate à pandemia; É necessário zelar pela saúde e segurança das pessoas em situação de rua e privadas de liberdade, priorizando medidas alternativas de cumprimento de pena e de medidas cautelares;

Que sejam criados comitês nacional e estaduais de gestão da crise com a participação da sociedade civil, especialmente os Conselhos de políticas públicas, notadamente dos campos da saúde e dos direitos humanos;

Considerando que o combate à pandemia requer um esforço coletivo de amplitude global, as entidades signatárias conclamam aos Organismos e à comunidade internacional para que chamem o Estado brasileiro à responsabilidade, exortando-o a respeitar as recomendações das autoridades de saúde internacionais e nacionais, em respeito à população brasileira e internacional, sob pena de responsabilização por crimes contra a humanidade;

Não se faz a proteção da saúde e da vida sem o cuidado com a proteção dos direitos humanos de todas e todos. Todas as vidas valem e devem ser cuidadas, sempre com maior atenção àquelas que estão em condição de maior precariedade e vulnerabilização em decorrência da desproteção dos direitos humanos. É hora de proteger e cuidar!


Assinam: 
Animação dos Cristãos do Meio Rural do Munim - APIRG/PI
Articulação Brasileira de Gays ARTGAY
Articulação Brasileira de Jovens Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais ArtJovem LGBT
Articulação Brasileira de Lésbicas ABL
Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil - AMDH
Artigo 19
Assembleia de Deus Ministério Primavera ADEMP/PI
Associação Agroecológica Tijupa
Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos - ABGLT
Associação Brasileira de Saúde Mental - ABRASME
Associação Comunitária de Desenvolvimento Econômico, Sócio Cultural, Educativo e Agrícola de Baixa Grande do Ribeiro ACODE/PI
Associação das Costureiras do Dirceu II
Associação das Mulheres do Bairro São Joaquim
Associação de Apoio à Criança e ao Adolescente AMENCAR
Associação de Conselheiros e Ex Conselheiros Tutelares do Estado do Piauí ACONTEPI
Associação de Pesquisa Xaraiés
Associação dos (as) Amigos(as) do Centro de Formação e Pesquisa Olga
Associação dos Grupos Educativos de Batalha PI
Associação dos Produtores de Artesanato de Teresina ASPROARTE
Associação dos Psicultores e Produtores Rurais de Ribeiro Gonçalves
Associação dos Retireiros do Araguaia
Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso - AEEC-MT
Associação Evangélica Piauiense - AEPI
Associação Interdenominacional de Pastores ASSIPI/PI
Associação Juízes para a Democracia AJD
Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-graduação ANDHEP
Associação Nacional de Travestis e Transexuais ANTRA
Associação para o Desenvolvimento Comunitário de Ribeiro Gonçalves -ADEC/PI
Associação Sociocultural Fé e Vida
Benário Prestes AAMOBEP Brasil
Brigadas Populares
Campanha Nacional pelo Direito a Educação
Cáritas Diocesana do Brejo
CDES Direitos Humanos
Central de Cooperativas Unisol Brasil
Centro Burnier Fé e Justiça CBFJ
Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (FLD-COMIN-CAPA)
Centro de Assessoria e Apoio a Iniciativas Sociais - CAIS
Centro de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos Marçal de Souza Tupã i MS
Centro de Defesa da Criança e Adolescente - Proame
Centro de Defesa de Direitos Humanos Col
Centro de Defesa de Direitos Humanos Elda Regina
Centro de Defesa de Direitos Humanos Heróis do Jenipapo
Centro de Defesa de Direitos Humanos Nenzinha Machado
Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Serra CDDH Serra
Centro de Defesa dos Direitos Humanos Dom Tomás Balduíno Marapé
Centro de Defesa dos Direitos Humanos e Educação Popular do ACRE - CDDHEP
Centro de Defesa dos Direitos Humanos Pedro Reis CDDH Pedro Reis
Centro de Defesa dos Direitos Humanos Teresinha Silva
Centro de Defesa e Promoção dos Direitos da Cidadania de Santa Quitéria
Centro de Direitos Humanos de Barreirinhas
Centro de Direitos Humanos de Londrina - PR
Centro de Direitos Humanos de Sarandi PR
Centro de Direitos Humanos Dom Máximo Biennes MT
Centro de Direitos Humanos Dom Pedro Casaldaliga - MT
Centro de Direitos Humanos e Memória Popular CDHMP
Centro de Direitos Humanos Henrique Trindade CDDHHT
Centro de Educação e Assessoramento Popular CEAP
Centro de Estudos, Pesquisa e Ação Cultural CENARTE
Centro de Estudos, Pesquisa e Direitos Humanos Caxias do Sul/RS
Centro de Pastoral para Migrantes COM
Centro de Promoção da Cidadania e Defesa dos Direitos Humanos Pe.
Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social CENDHEC
Centro Dom José Brandão de Castro CDJBC
Centro Estadual de Educação em Direitos Humanos do Piauí
Circulo Palmarino
Coletiva As Outras Amélias
Coletiva Militância Materna
Coletivo de Afroativistas da América Latina
Coletivo de Jovens Negras Acotirene
Coletivo de Mulheres Defensoras de Direitos Humanos
Coletivo Plural Feminino
Coletivo QG Feminista
Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB - CBJP/CNBB
Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo CDHPF
Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia da 1ª Região / DF
Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia da 21a Região / PI
Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia da 20a Região / AM e RR
Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia da 11a Região / CE
Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia da 23a Região / TO
Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia da 19a Região / SE
Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia da 17a Região / RN
Comissão de Direitos Humanos dos Conselho Regional de Psicologia da 8a Região / PR
Comissão de Direitos Humanos dos Conselho Regional de Psicologia da 7ª Região / RS
Comissão Pastoral da Terra CPT MT
Comissão Pastoral da Terra CPT Nacional
Comitê da América Latina e do Caribe para a Defesa dos Direitos das Mulheres CLADEM Brasil
Comitê Goiano de Direitos Humanos Dom Tomás Balduino
Comitê Popular do Rio Paraguai
Conselho de Missão entre Povos Indígenas
Conselho Indigenista Missionário CIMI MT
Conselho Indigenista Missionário - Regional Sul
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil - CONIC
Coordenadoria Ecumênica de Serviços CESE
Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional FASE
Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional FASE/ES
Federação Nacional de Estudantes em Ensino Técnico FIAN Brasil
Fórum da Amazônia Oriental FAOR
Fórum de Direitos Humanos e da Terra FDHT MT
Fórum de Mulheres do Mercosul Seção Lages SC Capítulo Brasil
Fórum Ecumênico ACT Brasil FE ACT Brasil
Fórum Gaúcho de Saúde Mental
Fórum Gaúcho de Saúde Mental - FGSM
Fórum Grita Baixada
Fórum Inter-religioso e Ecumênico do RS
Fórum Justiça no Rio Grande do Sul
Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento - Formad
Frente de Mulheres do Cariri
Frente pela Legalização do Aborto
Fundação de Defesa dos Direitos Margarida Maria Alves
Fundação Luterana de Diaconia
Fundação Nereu Ramos FINER
Grupo de Mulheres Negras Nzinga Mbandi
Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte - GPEA, UFMT
Grupo Unificado de Apoio a Diversidade Sexual de Parnaíba - GUARÀ
Instituto Braços
Instituto Brasil Central IBRACE
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas - IBASE
Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico IBDU
Instituto Caracol - ICA
Instituto Dakini
Instituto de Desenvolvimento e Direitos Humanos IDDH
Instituto de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais IDHESCA
Instituto de Estudos Socioeconômicos INESC
Instituto de Pesquisa Direitos e Movimentos Sociais IPDMS
Instituto Gentes de Direitos IGENTES
Instituto José Ricardo - Pelo bem da Diversidade
Instituto José Ricardo Pelo bem da Diversidade
Instituto Samara Sena ISENA
Instituto Silvia Lane - Psicologia e Compromisso Social
Instituto Terramar CE
Jornalistas Livres
Josimo Imperatriz-MA
KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço
Liga Brasileira de Lésbicas LBL
Marcha Mundial de Mulheres SC
Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas
Movimento de Mulheres Campo e Cidade do Pará
Movimento de Mulheres Olga Benario
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST
Movimento Luta de Classes
Movimento Nacional de Direitos Humanos MNDH
Movimento Nacional de Luta Antimanicomial
Movimento Nacional Mães pela Igualdade
Núcleo de Estudos Rurais e Urbanos NERU
Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em Direitos Humanos da Universidade Federal de Goiás - NDH/UFG
Observatório da Educação Ambiental Observare
Observatório da Juventude
Observatório da Violência Obstétrica no Brasil
Ocupação Baronesa, Centro de Referência Afroindigena do RS
ODH Projeto legal
ONG LGBTI
Plataforma Dhesca Brasil
Processo de Articulação e Diálogo Internacional PAD
Programa de Pós Graduação Interdisciplinar em Direitos Humanos da Universidade Federal de Goiás
Rede Afro LGBT
Rede Ambiental do Paiauí REAPI
Rede CANDACES
Rede feminista de saúde, direitos sexuais e reprodutivos - RFS
Rede Gay Brasil
Rede Internacional de Educação Ambiental e Justiça Climática - REAJA
Rede Lésbi Brasil de ativistas e pesquisadoras Lésbicas e Bissexuais do Brasil
Rede Mato-grossense de Educação Ambiental - REMTEA
Rede Nacional de Mulheres Negras no Combate à Violência
Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial - RENILA
Serviço de Paz SERPAZ
Sindicato dos Trabalhadores Telefônicos de Mato Grosso SINTTEL MT
Sociedade Maranhense de Direitos Humanos SMDH
SOS Corpo Instituto feminista pela Democracia
Terra de Direitos
Themis Gênero, Justiça e Direitos Humanos

sábado, 25 de janeiro de 2020

Número de imigrantes deve aumentar e brasileiro se tornará mais xenófobo

https://www.olharconceito.com.br/noticias/exibir.asp?id=18906


Notícias / Comportamento
Número de imigrantes deve aumentar e brasileiro se tornará mais xenófobo, alerta pós-doutora da UFMT


da Redação - Isabela Mercuri


22 Jan 2020 - 17:00
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Foto: Reprodução




O cenário é distópico e desanimador, mas, segundo a pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e ambientalista Michèle Sato, não tem como ser diferente: cada vez mais pessoas vão fugir de seus lugares de origem em decorrência da crise climática, principalmente para o Brasil. Em consequência, o brasileiro se tornará mais xenófobo e o processo migratório, que já é perverso e excludente, será ainda mais cruel.


Este é o alerta que ela – e um grande número de pessoas em todo o mundo – tenta fazer há anos. Recentemente, articulou a criação da ‘Coalizão pelo Clima’ em Mato Grosso e, com isso, uniu-se a partidos políticos, Organizações Não Governamentais (ONGs), Centros Acadêmicos e outras entidades da sociedade civil para debater e promover ações de informação e combate à crise climática.


Segundo Michèle, o contexto atual da migração é diferente de todos os outros momentos da história, e só tende a piorar. Isto porque há um ‘boom’ de pessoas migrando, vítimas desta crise climática – apesar de ela já ser antiga. “A dimensão climática é antiga, contudo, pouco falada, pouco percebida e politicamente deliberadamente invisibilizada, porque ela mexe com lobbys tradicionais do petróleo, do agronegócio, então não é vantagem para o capital ficar falando”, contou ao Olhar Conceito.


Formada em Ciências Biológicas em São Paulo, mestre em Filosofia na Inglaterra, doutora em ciências pela Ufscar, pós-doutora em educação no Canadá e Espanha, Michèle segue a linha do químico holandês Paul Crutzen, vencedor do prêmio Nobel em 1995, quando nomeou a era geológica atual de ‘antropoceno’. “Chamar essa era de antropoceno é bastante interessante porque responsabiliza a humanidade sobre a terra”, afirma.



No entanto, atualmente, alguns teóricos – ela inclusa – já questionam o termo. “Ele é interessante, traz à baila a importância da humanidade no planeta, contudo, nós não somos iguais. Um fazendeiro que tem criação de gado e elimina gases do efeito estufa, não pode ser o mesmo causador da mudança climática que um trabalhador da periferia que tem poucas condições de fazer essa alteração. Então muitos teóricos, inclusive eu, estamos chamando isso de capitaloceno”.


Neste capitaloceno, segundo a pesquisadora, são a crise climática e as guerras híbridas que expulsam as pessoas de sua terra natal – mesmo que o próprio imigrante não diga isso. No caso dos haitianos, por exemplo, a justificativa é sempre a falta de emprego que, segundo ela, foi causada pela falta de água no campo e na cidade.


“Esse discurso você não vê só nos haitianos, que passaram um terremoto em 2010 que foi o divisor de água econômico daquele país. Se você se deslocar para a Venezuela, que até recentemente tinha uma qualidade de vida muito bacana: O que aconteceu que de repente virou refém de tanta pobreza? A exploração do petróleo. Então vem toda uma maquinaria dessa – que a gente está chamando de guerra híbrida agora – dos Estados Unidos sobre a Venezuela, e todas as armas coloridas que cercaram a economia”.


Uma projeção da Organização das Nações Unidas (ONU) mostra que, em um prazo de cinquenta anos, um bilhão de pessoas vão migrar. Segundo Michèle, o Brasil terá que se preparar para isso, já que grande parte destas pessoas desembarcará por aqui. “Você obstaculiza, por exemplo, em termos da entrada dos imigrantes no Brasil. O excessivo número de documentos exigidos para se entrar nesse país é completamente irreal daqui a no máximo 30 anos! Porque vai empipocar tanto desastre climático, que as pessoas vão fugir dos seus locais. E o Brasil não está preparado para receber esses migrantes sem documentação”, garante.


Como consequência, a atual visão do Brasil como um país acolhedor deve mudar. “O Brasil tende a ser mais xenófobo, a não acolher mais os imigrantes, porque vai aumentar bastante [o número]”, afirma Michèle. “Nós estamos passando por um período conturbado de uma crise verdadeira, global, universal, e os desastres vão acontecer, as migrações vão acelerar, vão se intensificar e vai vir muita gente para o Brasil”.


Dentro do Brasil, Cuiabá se destacará por não estar na costa: “A longo prazo, o Andes vai derreter, a água do mar vai levantar, o Atlântico vai subir. E aqui vai ser um lagoão na Amazônia. Então [a população de] países como Venezuela, Colômbia, Equador, vai vir para cá, e os povos amazônicos também”, lamenta.

Venezuelanos acampados na Rodoviária de Cuiabá (Foto: Wesley Santiago / Olhar Direto)

Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho da Coalização do Clima em Mato Grosso pode acessar o blog da Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental (Remtea) AQUI, e acompanhar a pesquisadora em seu canal no Youtube.



AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Olhar Conceito. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Olhar Conceito poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.


·        Aloisio Rusch
24 Jan 2020 às 18:44
O reconhecimento dos grandes dilemas já humanidade e de cada um de nós podem ser elucidados pelo perspicácia da análise de Michelle. Aliar a ciência à fé na ação politica .

Querido Aloisio
Agradeço o tempo dedicado à leitura e ao comentário, que me faz respirar melhor, sabendo de seu talento. Um fraterno abraço!

·        Marjorie
24 Jan 2020 às 17:08
Excelente análise, Michele. Parabéns! Não podemos fechar os olhos para esta , que é uma das questões cruciais de nossa época. Os impactos causados pelas mudanças climáticas são nefastos, ameaçando a vida humana e não humana no planeta. Não podemos esquecer que fenômenos climáticos já provocam migrações há muito tempo. Secas e inundações não começaram a acontecer agora, mas estão se agravando devido as mudanças climáticas. Alguns comentários fora de propósito que li aqui, são pessoas completamente ignorantes a respeito do assunto. Devem com certeza, acreditar que aquecimento global é " conspiração marxista" e coisas do gênero.

Querida Marjorie
Muito agradecida pela leitura e comentário. Temos que estudar as migrações nordestinas, que não recebeu este nome, mas que a seca expulsou muita gente...  Beijo!

·        Jessica Trujillo
24 Jan 2020 às 15:35
Matéria super interessante. Ainda temos muito à discutir e fazer. As ofensas de alguns comentários não ajudam em nada! Obrigada Michèle Sato, obrigada Olhar Conceito por abrir essa possibilidade de diálogo trazendo temas tão relevantes e invisibilizados.
Querida Jess
Grata pelas palavras, pela amizade, por estar do meu lado. BEIJÃO GRANDÃO pra vc e pra minha netinha Clara.
·         
·        Debora Moreira
24 Jan 2020 às 15:14
Muito preocupante o cenário que se avizinha, o colapso climático é uma realidade sentida em muitos países e inclusive no Brasil, os retirantes nordestino são exemplos disto. O triste é a ignorância e o egoísmo do "cidadão de bem", cegos pela fé. Bons "cristãos", que não se solidarizam com as injusticas e violações de direitos humanos.

Querida Debinha
Que me ensina muito e que comigo debateu sobre guerras híbridas e crise da Venezuela! Grata pela aprendizagem conjunta! Grata pela amizade! Beijo de carinho infinito.
·        João Figueiredo
24 Jan 2020 às 14:33
Precisamos ter a sabedoria necessária para verificar o que é verdadeiro diante do falso. Michèle Sato conhece bem sobre o que está falando. Fala de verdades experimentadas e não de falsas verdades elaboradas no vazio de vida. Precisamos usar a pedra de toque para reconhecer quantas falsas afirmativas e inverdades são propagandas em defesa de uma exploração desmedida da vida e das pessoas.

Querido Jão
Saudades! Deste teu sábio olhar sobre o mundo com fome de ajudar o mundo. Gratidão por todas as boas coisas como leitura, comentário e amizade!
·         
·        Maria Do Carmo
24 Jan 2020 às 14:15
Entender a interdisciplinaridade que envolve a pesquisa hoje, certamente é para poucos. A Prof Michele faz com maestria e harmonia uma discussão que vai além da interdisciplinaridade, por prever em seus argumentos o presente (vê Post) e para o futuro na área em que investigou. parabéns professora!!!!

Querida M. Carmo
Agradeço pelas belas palavras de encanto e estímulo! Me fez acreditar que sigo no caminho certo!
·         
·        Andreia Franceschetto
24 Jan 2020 às 14:04
Uma visão sempre sagaz e planetária Michèle!!! Seu protagonismo no embate climático e ambiental é muito importante não só pra MT. Na sua figura, da REmteA e todos que lutam pelas pautas ambientais e tem sido alvo de perseguições, isso só demonstra que estamos no caminho certo e podemos ser resistência junt@s!

Querida Dea
De mesmos amores felinos, plantas, pedras e mundo. Que bom ter você nos comentários! Muito obrigada sempre, querida amiga!
·        Tatiani
24 Jan 2020 às 13:55
Excelente matéria! Como é importante e fundamental os estudos, e pesquisas, acerca da temática da migração climática. Pois nosso planeta clama e sofre com as ações humanas e o capitalismo voraz de um sistema excludente e desigual. A ciência, as pesquisas irão contribuir com a sociedade! Triste em ver comentários maldosos, discriminatórios e xenofóbicos. Mais confiante que ninguém solta a mão de ninguém!

Querida Tati
Minha doce orientanda que esbanja charme e inteligência. Super comprometida e disciplinada nos estudos: tenho orgulho e carinho por ti! Agradeço seu comentário.
·        CRISTIANE CAROLINA DE ALMEIDA SOARES
24 Jan 2020 às 13:52
Agradeço a partilha dos conhecimentos de Michèle Sato, uma das grandes referências no estudo dos Fluxos Migratórios. Este tema é urgente, alarmante e precisa ser pautado em nossos debates.

Querida Cris
É mesmo muito importante, não é? Bem sabemos nas nossas noites de estudos e pesquisas sobre educação ambiental. GRATIDÃO pela amizade!
o    
·        Priscilla Amorim
24 Jan 2020 às 13:49
Ótima e precisa reflexão. Parabéns, Michèle por nos permitir compreender este assunto tão presente em nosso cotidiano de forma crítica e necessária...

Querida Pri
Agradeço sua presença, não somente neste comentário, mas na minha vida. Tenho muito orgulho e carinho e estou feliz em caminhar contigo neste seu doutorado!
·        Ana Maria D. Soares
24 Jan 2020 às 13:22
Excelente entrevista. Claro, objetivo e coerente o posicionamento da prof° Michele Sato, pesquisadora de renome nacional e internacional, que sempre contribui para fortalecer a luta em defesa da vida neste planeta tão castigado pela ambição dos que não querem perceber o caos instalado.

Querida Ana
Doçura de amiga querida, sempre presente na minha vida! Agradeço a força Ana, penso ser importante “disputar” estes espaços por meio da nossa EA.
·        Valquíria
24 Jan 2020 às 12:54
Diante da excelente entrevista e de alguns comentários absurdos é preciso pacientemente refletir na perspectiva educadora: Então para comentar algo é necessário primeiro ler a matéria e entendê-la, se não sabe algo com profundidade procure buscar, pesquisar sobre, aprofundar e principalmente se ficou com alguma dúvida, ou se discorda de algum ponto, especialmente se vai discordar de alguém que é pesquisadora e especialista na área. Para não ficar pagando mico ou só destilando ódio pelo ódio e sem compreender o que está de fato falando, aliás, essa é uma estratégia adotada nas redes sociais de quem não sabe exatamente o que dizer, que não tem nenhum argumento sólido. Excelente e necessária a entrevista da professora Miclêle, quem respeito profundamente por toda sua atuante trajetória socioambiental. Necessária! Para que se entenda as causas dentro de um sistema destruidor globalizante as causas que vão sendo sentidas e reveladas em.diferentes proporções e em diferentes lugares do mundo. Mudanças socioambientais globais e uma das consequências é a migração é a disputa por territórios menos atingidos ou mesmo aqueles que irão se modificar e que irão oferecer outras condições de subsistência. E a causa ni final das contas é o uso dos combustíveis fósseis dentro de toda a lógica

Querida Val,
Que tem partilhado várias emoções nestes últimos tempos! Agradeço suas palavras, leitura e carinhosa “defesa”. Que bom ser sua amiga!

·        Suzani
24 Jan 2020 às 11:28
Maravilhosa matéria! Muito obrigada

Querida Suzani
Super grata pelo comentário! Um beijo doce

·        Terezinha Marisa
24 Jan 2020 às 11:25
Michele Sato é uma referência e sabe o que está falando, é preciso acabar com essa cultura do ódio pelo ódio.

Querida Tere,
Temos mesmo que transmudar esta força do ódio pela energia que tempera nossas lutas! Muito obrigada pela leitura, carinho e amizade.

·        MARILIA FREITAS DE CAMPOS TOZONI REIS
24 Jan 2020 às 11:20
Boa e importante análise.

Querida Marília
Adorei sua presença, você é massa! Beijo com gratidão!

·        Terezinha Marisa
24 Jan 2020 às 09:55
É preciso modificar essa cultura do ódio, que não acrescenta em nada. Todo esse processo não é construtivo e não auxilia nas discussões sobre um tema tão importante.

Querida Tere,
Verdade! Mas vamos seguindo pq a Terra tem pressa!
·        Angelica cosenza
24 Jan 2020 às 09:35
Parabéns Michele...seu texto esclarece a relação entre capitalismo e mudanças climáticas, assim como os efeitos às populações e comunidades já tão afetadas pela desigualdade e pobreza. Não é a toa que sua produção e você seguem cada vez mais respeitadas no Brasil e exterior. Viva a ufmt também , Universidade pública que nos honra com seu compromisso social... sigamos firmes sem nos deixarmos abalar pela falta de conhecimento e ignorância que nos ronda.

Querida Angel
Acho que já tínhamos iniciado este papo há um tempo, sempre bom renovar nossos esforços para divulgar na mídia. Adorei seu comentário, você é sempre certeira! Grata e beijinho
·        Mauro
24 Jan 2020 às 09:00
É o egoísmo ao pensar em excluir o outro, seres humanos em dificuldade em países empobrecidos, que tem levado a esse mundo cada vez mais violento e degradado eticamente. A falta de solidariedade humana nesses comentários, demonstra essa decadência moral que estamos vivendo.

Querido Mauro
Você vem que das bandas da Espanha sabe dizer como a migração tem gerado tristezas... Vamos precisar de muita força para reconstruir este planeta! Grata!!!
·        Liane
24 Jan 2020 às 08:36
Os comentários aqui publicados demonstram pelo menos dois problemas: (1) a falta de capacidade de interpretação e entendimento dos leitores e leitoras (2) o ideologismo cego dos que preferem ignorar as consequências que resultam deste modelo político e econômico insustentável que domina o planeta. É realmente lamentável...

Querida Liane
Lamentável mesmo, mas vamos em frente porque a Terra precisa de nós e de seu talento, dedicação e compromisso. Grata por tudo!
·        Glauco Villas Bôas
24 Jan 2020 às 08:18
Fico preocupado com a maioria dos comentários sobre está excelente entrevista. É impressionante como as pessoas não conseguem evoluir além de um pensamento binário , o bem e o mal, esquerda direita e consequentemete agridem tudo aquilo que não está ao alcance de sua percepção limitada. É uma pena Michele que isto aconteça. Quando já não houver mais tempo para uma reflexão e compreensão da necessidade de mudanças sérias do modo de produção e consumo para salvar a vida no planeta, estas pessoas provavelmente estarão sorrindo para selfies, numa praça de alimentação do seu shopping, num intervalo de compras de produtos de marca ou do celular de última geração. Como disse Georgescu Reagen : as amebas restarão e agradecerão por bilhões de anos a energia que vem do sol

Querido Glauco
De amebas a dinossauros, temos que ter paciência de Jó com certas ignorâncias e mal costumes, parece que ninguém se importa mais em ser mal-educado, duvidam das ciências, menosprezam pesquisas... Vamos ter que dar duro!!! Grata pelo apoio!
·        Celso
24 Jan 2020 às 08:12
Excelente matétia , fundamental discussão e evidencia o papel essencial que a imprensa tem nesse momento de obscurantismo. A tese da Professora se confirma nos comentários agressivos xenofóbicos e tapados. Há uma evidente ação articulada nestes comentários. Vivemos tempos sombrios e certamente o clima vai esquentar. Parabens à Olhar Conceito

Querido Mano Celso
Amigo, parceirão, meu irmãozinho! Grata-grata-grata! Você é tudodibom na minha vida!
·         
·        Antônio Fernando Silveira Guerra
24 Jan 2020 às 06:40
É impressionante tanta ignorância, argumentos sem um único fundamento e as agressões e ódio que algumas pessoas expressam gratuitamente para ofender uma pesquisadora reconhecida no país e no mundo Segue a vida professora Michèle Sato. Cumprisse tua missão de educadora. Acreditando ou não em aquecimento global e na crise climática, e lembrando o poeta Mário Quintana, "Eles passarão, eu passarinho".
Querido Guerreiro
Agradeço muito você ter feito a leitura, ter comentado e mais do que isso, ter feito um movimento bonito de defesa! Grata sempre por todas as brisas boas que só vc sabe assoprar com talento, paixão e ação!
  • Zeca
    23 Jan 2020 às 12:37
    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.
  • bom senso
    23 Jan 2020 às 09:13
    Discordo. Os venezuelanos não fugiram de adversidades climáticas. Os muçulmanos brigam internamente em seus países e fogem para outros países. Isso não é correto. Cada um que resolva seus problemas dentro de seus países. Se o problema for climático, peçam socorro para a ONU para implantar sistemas de irrigação e resolver os problemas. Se os problemas dos imigrantes fosse climático, os australianos estariam abandonando o país em massa.
  • Zeca
    23 Jan 2020 às 09:11
    Matéria sem aproveitamento. Essa mulher fala sem nenhum fundamento. Conversa fiada blá, blá, blá de professor metido a intelectual.
  • Jr
    23 Jan 2020 às 07:45
    Êta fuminho bão
  • Walter
    22 Jan 2020 às 23:24
    Deixa eu ver se entendi, a nobre "historiadora" afirma que devido a crise climática vão aumentar as imigrações, e que os refugiados vão fugir para Cuiabá? Essa pessoa só pode estar de brincadeira. Se quando em cheguei no mato grosso em 1987 já era quente toda vida, e os mesmo cientistas dizem que tem subido 1°C por década, então Cuiabá está 3 graus mais quente. Como alguém fugiria do aquecimento global para o lugar mais quente do planeta? Parei de ler a matéria ali. Não dá pro meu limitado entendimento aceitar

  • Al Yetter
    22 Jan 2020 às 22:08
    Very well written and thought provoking, Mimi...Unfortunately, no one will act...
  • Paolo
    22 Jan 2020 às 21:39
    Brasil já sem emprego pra 12 milhões e ainda vem neguinho de fora pá acaba de esculhambar...tá uma beleza.
  • Cesar
    22 Jan 2020 às 21:19
    Mais uma profeta do apocalipse. Só não entendi porque utilizar a foto de venezuelanos pra falar de tragédia ambiental... venezuelanos estão fugindo da miséria resultante dos governos de Hugo Chaves e Nicolás Maduro.....
  • Domenico
    22 Jan 2020 às 20:27
    Pegue seu chapéu de alumínio e me acompanhe nessa viagem incrível!
  • alexandre
    22 Jan 2020 às 20:26
    Misturar clima com teoria socialista, nada a ver..os socialista também queimam combustível fóssil.sempre UFMT
  • Victor
    22 Jan 2020 às 19:55
    Ué.. vão vir para o Brasil, logo aqui que "tanto destruímos o meio ambiente, que vivemos em uma ditadura"... Mimimimi
  • Kleber Venâncio
    22 Jan 2020 às 17:50
    "...distopico...". . Mi-mi-mi.